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O REINADO DE DAVI

Texto Base: 2Samuel 5:1-12

01/12/2019
“E entendeu Davi que o SENHOR o confirmava rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo” (2Sm.5:12).
2Samuel 5:
1.Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos.
2.E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel.
3.Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, a Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram Davi rei sobre Israel.
4.Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou.
5.Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses; e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.
6.E partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que falaram a Davi, dizendo: Não entrarás aqui, a menos que lances fora os cegos e os coxos; querendo dizer: Não entrará Davi aqui.
7.Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi.
8.Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir os jebuseus e chegar ao canal, e aos coxos, e aos cegos, que a alma de Davi aborrece, será cabeça e capitão. Por isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará nesta casa.
9.Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a Cidade de Davi; e Davi foi edificando em redor, desde Milo até dentro.
10.E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele.
11.E Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros, que edificaram a Davi uma casa.
12.E entendeu Davi que o SENHOR o confirmava rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do reinado de Davi. Após passar pela escola preparatória, no exílio, e concluído todas as etapas de formação, com louvor, Davi é considerado apto para assumir a posição de líder máximo de todo o povo de Deus, Israel. Conquanto fora ungido para ser rei sobre Israel, quando ainda era bem jovem, Davi esperou muitos anos para vir, de fato, a sê-lo. Ele esperou, e perseverou em esperar.
Davi tinha convicção de que era o ungido de Deus e que ocuparia o trono de Israel (cf. 1Sm.16:1, 12,13). Sua unção não era uma promessa apenas; ele tinha sido ungido, realmente, porém, não tomou qualquer iniciativa para destituir Saul, embora pudesse. Perseguido sem trégua, refugiando-se em vários lugares, Davi esperou com paciência pelo tempo de Deus. Essa espera pode ter durado mais ou menos quatorze anos. Quando assumiu o trono de Israel, sobre as doze tribos, ele tinha 30 anos de idade - “Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou” (2Sm.5:4).
Quem tem promessas, deve esperar com paciência. Disse Davi: “Esperei com paciência no Senhor...”(Sl.40:1). Muitas vezes queremos que as coisas aconteçam no nosso tempo, mas Deus sabe o momento certo para agir na nossa vida. Essa é uma grande lição: saber esperar o tempo certo, pois é assim que o livro de Eclesiastes 3:1-10 nos ensina.

I. DAVI É CONSTITUÍDO REI

Davi teve uma unção e duas coroações. Primeiramente ele foi coroado para reinar sobre a tribo de Judá; por sete anos e seis meses Davi reinou somente sobre esta tribo, tendo Hebrom como sua capital.
“Então, vieram os homens de Judá e ungiram ali a Davi rei sobre a casa de Judá...” (2Sm.2:4).
“E foi o número dos dias que Davi reinou em Hebrom, sobre a casa de Judá, sete anos e seis meses” (2Sm.2:11).
Davi aceitou ser rei de uma única tribo, até que o Senhor lhe abrisse a porta para reinar sobre todo Israel. Ele não se precipitou para assumir o controle da nação inteira. Antes de tomar uma decisão difícil, buscava o Senhor (2Sm.2:1).
Sete anos e meio após a primeira coroação, Davi tornou-se rei da nação inteira (2Sm.5:1-5); reinou sobre as doze tribos por 33 anos, totalizando quarenta anos de reinado (2Sm.5:4,5). Foi somente no governo de Davi que houve a apropriação de todo território prometido a Abraão (ver Gn.15:18).
“Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou. Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses; e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá” (2Sm.5:4,5).
Em momento algum Davi reivindicou seu direito ao trono, e não o fez após a morte de Saul. Antes, escolheu deixar a questão nas mãos do Senhor. Se o Senhor o ungira rei, também conquistaria seus inimigos e lhe daria o reino pleno.
O Senhor Jesus, o Davi celestial, da mesma forma, aguarda o tempo do Pai para reinar sobre todo o mundo. Hoje, apenas uma minoria da humanidade reconhece seu domínio, mas, no Dia estabelecido pelo Pai, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp.2:10-11). Aleluia!

1. Motivos para a escolha de Davi

“...já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (1Sm.13:14).
Biblicamente, o que motivou Davi ser escolhido para ser o segundo rei de Israel não estava à vista de nenhuma pessoa, nem mesmo do profeta Samuel (cf. 1Sm.16:7). Sob a ótica humana, inicialmente, Davi não seria escolhido; seu curriculum o reprovava logo de imediato: não tinha experiência militar; era o menor dos filhos de Jessé; e sua principal experiência era pastorear umas “poucas ovelhas no deserto” (1Sm.17:28). No dia em que foi ungido por Samuel, o próprio pai de Davi apresentou a Samuel o seu curriculum: “...o menor, e eis que apascenta as ovelhas...” (1Sm.16:11). Portanto, humanamente falando, Davi não tinha nenhum motivo aparente que o levasse a ser escolhido a tão nobre posição.
O motivo que levou Davi ser escolhido por Deus não veio de fatores exógenos, mas do seu interior, do seu caráter, que somente Deus podia ver. Nem mesmo Samuel, que era vidente (1Sm.9:19), enxergou qualidades atrativas em Davi; aliás, se dependesse de Samuel, tinha escolhido Eliabe, o primogênito de Jessé, o qual tinha uma aparência e uma estatura espetacular, a ponto de Samuel, por conta própria, dizer: “Certamente, está perante o SENHOR o seu Ungido” (1Sm.16:6). Porém, foi advertido pelo Senhor: “.... Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1Sm.16:7).
Está escrito que Jessé fez passar diante de Samuel os seus sete filhos; porém, Samuel disse a Jessé: “O SENHOR não tem escolhido estes” (1Sm.16:10). Mas, quando Davi foi apresentado ao profeta, advindo do curral das ovelhas, o Senhor disse a Samuel: “Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é [o escolhido]” (1Sm.16:12).
Hoje, se os líderes do povo de Deus fossem escolhidos sob a ótica dEle, a Igreja não estaria passando por tantas oscilações espirituais. Não precisa ter um padrão de espiritualidade elevado para perceber o que está ocorrendo em muitas igrejas locais: divisões; secularidade; valores morais judaico-cristãos inobservados de forma consciente e deliberada; falsas doutrinas que estão levando milhões ao abismo espiritual, etc. Tudo isso por causa de líderes, pastores e mestres, que foram escolhidos segundo a ótica humana. Estamos vivendo a síndrome de Samuel: escolher pela aparência, pelo Ter e não pelo Ser.
O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, deu as diretrizes corretas para escolher aqueles que liderarão o povo de Deus (cf.1Tm.3:1-13); só precisa cumprir, rigorosamente, o que está escrito aqui, nada mais!

2. Davi como pastor e chefe

No Antigo Testamento, o termo “pastor”, literalmente, refere-se aos cuidados de um indivíduo alimentando, disciplinando e protegendo seu rebanho. A partir dessa interpretação, surgiu o conceito acerca de Deus como “Pastor de Israel” (Gn.48:15; Sl.80:1): alimentando (Is.40:11), protegendo (Am.3:12), disciplinando (Sl.23:2) e resgatando as ovelhas desgarradas (Jr.31:10; Ez.34:12) de seu rebanho.
Essa ideia de “pastoreio” foi estendida aos líderes do povo de Israel, os quais atuavam sob a supervisão de Deus; como, por exemplo, os juízes, reis, profetas e sacerdotes, os quais também foram denominados “pastores” (cf. Nm.27:17; 1Rs.22:17; Jr.2:8; Ez.34:2). Era frequente a reclamação de Deus contra os líderes de Israel, como esta, por exemplo:
 “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” (Ez.34:2).
Deus escolheu Davi e o ungiu para ser o pastor e chefe do Seu povo, Israel. O “homem segundo o coração de Deus” foi convocado do campo onde estava cuidando do rebanho para ser ungido rei de Israel. Deus o chamou para pastorear um rebanho diferente - Seu povo, Israel (1Sm.16:1-13; 2Sm.5:2, Sl.78:70,71).
“Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (Sl.89:20).
Davi, muito do que ele aprendeu conduzindo ovelhas, aplicou como líder do povo de Deus, Israel. Em 2Samuel 5:2, o oráculo descreve Davi como pastor que cuidaria do povo do Senhor.
“E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel” (2Sm.5:2).
Esta profecia parece referir-se à declaração de Samuel a Saul a respeito daquele que o sucederia (cf. 1Sm.13:14), e é semelhante às palavras encorajadoras de Abigail a Davi (cf.1Sm.25:30).
Um dos diversos cuidados que o bom pastor tem é fortalecer as ovelhas que são fracas, curar as doentes, atar as feridas das que estão machucadas e buscar as que se encontram extraviadas. É desse amor sacrificial que os pastores precisam, hoje, pois muitas vezes os seres humanos, assim como as ovelhas, podem se desviar do caminho que deve seguir.
Jesus considerou os apóstolos como seus sucessores na missão de pastoreio da Igreja. Ele disse a Pedro:
“Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” (João 21:17).
A mesma simbologia foi perpetuada nos escritos dos apóstolos com referência aos líderes que exerciam suas funções de governo das igrejas locais.
“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (1Pd.5:2,3).
Portanto, o verdadeiro pastor cuida das ovelhas com zeloso amor e compaixão, entregando-se totalmente às suas demandas e dando-lhes alimento espiritual através do ensino da Palavra de Deus.

3. Entrando em aliança com o povo

Com a derrota e morte de Saul, o reino de Israel entra em crise e passa a estar sob o domínio dos filisteus. A única exceção é a tribo de Judá, que tem Davi como seu rei (2Sm.2:4), que, naquele tempo, já estava à frente de um exército próprio de cerca de seiscentos homens.
O filho de Saul, Isbaal (denominado pejorativamente na Bíblia como Isbosete – homem tolo) tenta assumir o comando das demais tribos, contando com o apoio do general de Saul, Abner, o que ele consegue por apenas dois anos - cinco anos após a morte de Saul. Como divisão não vem de Deus, logo haveria um definhamento moral e espiritual do povo e, por conseguinte, os conflitos entre as tribos de Israel.
Davi era o rei legítimo por desígnio divino, mas como governar uma casa dividida? Em uma situação como esta, o líder precisa unificar os grupos que estão separados para que haja harmonia entre os irmãos. Davi não tentou conquistar essas tribos à força, mas colocou o assunto nas mãos de Deus.
Davi, naquela ocasião, era o único rei ungido por Deus para governar sobre Israel (1Sm.16:1); nenhuma promessa divina havia sobre Isbosete. A Escritura deixa claro que a profecia que prenunciava a Davi um reinado sobre toda a nação hebraica, era de conhecimento não só do filho de Jessé, mas também dos nobres e até mesmo do povo mais comum (2Sm.5:2). Esse fato é visto na declaração de Abner em 2Samuel 3:9,10. Sendo assim, Isbosete (que significa tolo) era realmente um tolo se deixar indicar pelo general de seu pai, Abner. O texto sagrado diz que foi Abner, capitão do exército de Saul, quem constituiu Isbosete rei sobre as tribos do Norte (cf.2Sm.2:8-10).
“Porém Abner, filho de Ner, capitão do exército de Saul, tomou a Isbosete, filho de Saul, e o fez passar a Maanaim. E o constituiu rei sobre Gileade, e sobre os assuritas, e sobre Jezreel, e sobre Efraim, e sobre Benjamim, e sobre todo o Israel”.
Tendo em vista que o seu general, Abner, sabia que Davi era o legitimo rei indicado por Deus em substituição a Saul (cf.2Sm.3:18), então, certamente, Isbosete também sabia. Desta feita, ao assumir o trono do reino do Norte, Isbosete estava se rebelando contra o Senhor Deus de Israel. A Bíblia diz que rebelião é como pecado de feitiçaria (1Sm.15:23). Sendo assim, o fracasso seria inevitável, pois o seu reinado não tinha aprovação divina, seu governo era ilegítimo.
O próprio Isbosete se desentendeu com Abner, por causa de uma mulher, cujo nome era Rispa, amante de Saul (2Sm.3:7,8); por causa disso, Abner buscou a Davi e propôs uma aliança entre as tribos do Sul e do Norte (cf.2Sm.3:7-21).
“Então, disse Abner a Davi: Eu me levantarei, e irei, e ajuntarei ao rei, meu senhor, todo o Israel, para fazerem aliança contigo; e tu reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma. Assim, despediu Davi a Abner, e foi-se ele em paz” (2Sm.3:21).
Após algum tempo, Isbosete foi assassinado pelos seus capitães de tropas (2Sm.4:5,6). É o fim trágico de quem se rebela e causa divisão entre o povo de Deus. Com a morte de Isbosete, o único herdeiro ao trono de Saul que restou foi um menino aleijado, chamado Mefibosete, filho de Jônatas (2Sm.4:4).
Estando, pois, Isbosete fora de ação, Davi recebeu, finalmente, o apoio das 11(onze) tribos, sendo aclamado rei de todo o Israel (2Sm.5:1-5). Com uma declaração de lealdade e sujeição, as onze tribos de Israel se juntaram a Judá e reconheceram Davi como rei legítimo.
1.Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos.
2.E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel.
3.Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, a Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram Davi rei sobre Israel.
4.Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou.
5.Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses; e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.
A coroação de Davi foi uma grande festa, de união e de unidade entre o povo de Israel, pois Deus, naquele momento, estava consolidando a Sua promessa na vida do Seu servo Davi. Em 1Crônicas 12:38-40 é narrado a alegria daquele momento:
38.Todos estes homens de guerra, postos em ordem de batalha, com coração inteiro, vieram a Hebrom para levantar a Davi rei sobre todo o Israel; e também todo o resto de Israel tinha o mesmo coração para levantar a Davi rei.
39.E estiveram ali com Davi três dias, comendo e bebendo; porque seus irmãos lhes tinham preparado as provisões.
40.E também seus vizinhos de mais perto, até Issacar, e Zebulom, e Naftali, trouxeram pão sobre jumentos, e sobre camelos, e sobre mulos, e sobre bois, provisões de farinha, pastas de figos, e cachos de passas, e vinho, e azeite, e bois, e gado miúdo em abundância; porque havia alegria em Israel.
Assim começou o reinado de Davi sobre a nação unida que duraria trinta e três anos. No total, Davi reinou quarenta anos (2Sm.5:4).

II. A CONSOLIDAÇÃO DO REINO DE DAVI

Com a morte dos rivais de Davi - Abner e Isbosete -, o cargo de rei fica vago. Mas, logo Deus trata de cumprir sua promessa feita a Davi e fazer dele o grande rei de Israel. Ele já é um homem maduro, preparado espiritualmente e militarmente para assumir a grande responsabilidade sobre o povo de Deus. O exílio lhe ensinara a depender exclusivamente de Deus.
Davi assume, portanto, o reino pleno de Israel, com a idade de trinta anos (2Sm.5:4). Os próprios anciãos de Israel procuraram Davi e lembraram-lhe da promessa que o Senhor lhe fizera. Foi uma demonstração pública de reconhecimento da legitimidade da unção real de Davi.
"Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos. E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel" (2Sm.5:1,2).
O reino de Davi antecedeu e preparou através das lutas o reinado de Salomão. Da mesma forma a Igreja tem que lutar e guerrear contra o inimigo para concretizar o Reino de Deus. Nós, cristãos, precisamos decidir se queremos andar como Saul, que reinou sobre si mesmo, ou como Davi, que andava segundo o coração de Deus, isto é, era governado por Ele.

1. A edificação de Jerusalém (2Sm.5:6-11)

Assim que Davi se estabeleceu como rei sobre todo o Israel, tratou ele de unir o reino, mas para tanto, era necessário derrotar os jebuseus, cujos domínios impediam a união entre o Sul, ocupado pela tribo de Judá e de Simeão, e as tribos do Norte.
Jebus era uma fortaleza inexpugnável sobre o Monte Sião. Os guerreiros pagãos consideravam a cidade tão invencível que achavam que ela podia ser defendida por “cegos e aleijados” (2Sm.5:6). Davi, porém, detectou um ponto vulnerável no sistema de abastecimento de água. Ordenou que seus homens subissem pelo canal subterrâneo que os jebuseus usavam para levar até a cidade a água de uma fonte que ficava debaixo dela.
A estratégia funcionou, Jebus foi tomada e se tornou Jerusalém, também chamada de Cidade de Davi, a capital eterna da nação de Israel (2Sm.5:9). O relato paralelo em 1Crônicas, capitulo 11, revela que Joabe liderou o ataque vitorioso e, desse modo, garantiu seu posto como comandante do exército de Davi (1Cr.11:6).
Escolher Jerusalém para ser a capital de Israel faz sentido em termos da fronteira entre o Norte e o Sul (Judá). A cidade também representava a perícia militar de Davi e sua intenção de executar a ordem antiga do Senhor de derrotar os inimigos de Israel. Afinal, ele expulsou de Jerusalém um povo que havia permanecido entrincheirado na cidade e desafiado Israel desde a primeira conquista da terra.
Com a conquista de Jebus, quebraria assim o obstáculo que impediria a união territorial e religiosa entre a tribo de Judá e as tribos do Norte. Temos, assim, mais uma vez, a demonstração da preocupação de Davi de estar na direção de Deus e de apenas agir de acordo com a vontade divina.
“E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele” (2Sm.5:10).

2. As reformas religiosas

Depois que Davi conquistou Jerusalém e construiu seu palácio na cidade, resolveu transformá-la no centro religioso de Israel. Para que isso acontecesse era preciso que a Arca, símbolo da presença de Deus no meio de seu povo, fosse trazida para a cidade. Era apropriado que o Senhor habitasse no santuário central na cidade, pois Ele exercia autoridade suprema sobre Israel e escolheu Davi como seu vice-regente (2Sm.6:2,21). A chegada da Arca foi o prelúdio para a decisão de Davi de construir o Templo (2Sm.7).
À época que Davi tomou a decisão de transferir a Arca para Jerusalém (2Sm.6:1-7) este objeto sagrado encontrava-se na casa de um homem chamado Abinadabe. Quando os filisteus a devolveram, os israelitas a colocaram na casa deste homem, em Quiriate-Jearim (1Sm.7:1,2). Vários anos se passaram – segundo alguns estudiosos, aproximadamente setenta e oito anos - até que Davi resolveu levá-la a Jerusalém, a fim de tornar a cidade não somente a capital política de Israel, como também seu centro religioso. O rei tomou trinta mil homens e partiu para onde estava a Arca a fim de levá-la a Jerusalém.
Só que a Arca foi conduzida de maneira inapropriada. Deus havia ordenado que a Arca fosse carregada em varas apoiadas sobre os ombros dos coatitas (Nm.7:9). Em vez disso, Davi mandou fazer um “carro novo” e, com grande júbilo, levou a Arca à eira de Nacom (chamada de Quidom em 1Cr.13:9). Nesse local, os bois tropeçaram e a Arca pareceu que ia cair do carro. Um dos filhos de Abinadabe, Uzá, segurou a Arca com a mão, e o Senhor o matou instantaneamente. Foi uma tragédia que deprimiu a todos naquele momento. Davi se queixou ao Senhor desse juízo severo (2Sm.6:8-10).
“E Davi se contristou, porque o SENHOR abrira rotura em Uzá; e chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje. E temeu Davi ao SENHOR naquele dia e disse: Como virá a mim a arca do SENHOR? E não quis Davi retirar para si a arca do SENHOR, para a Cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o geteu”.
Por que essa atitude, aparentemente normal, não teve a aprovação de Deus?
·         Porque a Arca não podia ser tocada, nem mesmo pelos sacerdotes (Nm.4:15). A Arca era a representação visível de Deus com a qual os homens teriam contato mais próximo até Jesus vir. Uzá desconsiderou esse fato, e sua morte foi uma lição duradoura para os israelitas levarem a sério a glória de Deus. Nós somos sinceros quando oramos “Santificado seja o teu nome”?
·         Porque a Arca fora conduzida de forma errada. De acordo com a orientação divina, a Arca deveria ser transportada pelos levitas (Êx.25:14; Dt.31:25; Js.3:3), e não por meio de carros puxados por bois. Aquele carro de bois não deveria fazer parte do cortejo sagrado (2Sm 6:6,7).
Hoje, em muitos lugares, há aqueles que pregam o evangelho, utilizando-se de "carros de bois” - inserindo inovações e modismos contrários aos ensinos da Palavra de Deus. Tais pessoas têm até boas intenções, todavia, o que elas realmente desejam é adequar o evangelho à cultura secular. Às vezes, não percebem que estão misturando o sagrado com o profano. Portanto, na adoração ao Senhor, devemos obedecer aos mandamentos das Escrituras de modo irrestrito, sem as muletas da inovação e dos modismos.
Por um tempo, Davi desistiu da ideia de levar a Arca à Cidade e deixou-a na casa de um homem chamado Obede-Edom, provavelmente perto de Jerusalém. Durante os três meses que a Arca permaneceu ali, o Senhor abençoou ricamente aquela casa.
Veja a grande diferença entre a casa de Abinadabe a casa de Obede-Edom. Na primeira, houve maldição, na segunda ouve bênçãos. Estas duas casas referem-se os dois tipos de igrejas locais na atualidade: a secular e a ortodoxa; a que segue os ditames do mundo e a que segue os ditames da Palavra de Deus; uma propensa a receber maldição, a outra a receber bênçãos de Deus. Pergunto: qual é a nossa Igreja?
Quando Davi soube da benção de Deus derramada na casa de Obede-Edom, ele decidiu levar a Arca de Deus para Jerusalém (2Sm.6:12-15). De acordo com o relato de 1Crônicas 15:13-15, ao longo desses três meses, Davi estudou as Escrituras Sagradas para descobrir a forma correta de transportar a Arca. Dessa vez, ela foi conduzida corretamente, sobre os ombros dos levitas. Com danças nas ruas, a Arca foi levada a uma tenda temporária na Cidade de Davi. O próprio rei estava tão alegre que dançava com todas as suas forças diante do Senhor. Em vez de usar os trajes reais costumeiros, estava cingido com uma estola sacerdotal de linho, que foi criticado pela sua esposa Mical, filha de Saul (cf. 2Sm.6:16,20).
Agora, a Arca do Concerto e o Tabernáculo estavam inseparáveis na magnífica cidade de Jerusalém. Consequentemente, o sacerdócio, as festas sagradas, os sacrifícios, todos os ritos mosaicos referentes ao culto foram reativados e centralizados.
Jerusalém tornara-se a capital política e religiosa de Israel. De um lado estava o trono do rei Davi, símbolo das conquistas políticas da nação; de outro, o Trono do Senhor, símbolo da presença de Deus entre o Seu povo. Jerusalém tornou-se o centro da adoração e do culto ao Senhor Jeová, ao mesmo tempo em que era o coração político do reino.

3. Jerusalém: “um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos" (Zc.12:2,3).

Deus declarou que nos últimos dias, antes da segunda vinda do Messias, Jerusalém se tornaria "um cálice de tontear... uma pedra pesada para todos os povos" (Zc.12:2,3). Quando Zacarias fez esta profecia, há mais de 2.500 anos, Jerusalém permanecia em ruínas e cheia de animais selvagens. A profecia de Zacarias parecia conflitar com a lógica humana, mesmo após o renascimento de Israel em 1948. Hoje, porém, exatamente como foi profetizado, um mundo de quase sete bilhões de pessoas tem os seus olhos voltados para Jerusalém, temendo que a próxima guerra mundial, se explodir, seja travada sobre essa pequenina cidade. Que incrível cumprimento da profecia de Zacarias!
Os olhos do mundo inteiro estão sobre Jerusalém, mais do que sobre qualquer outra cidade do mundo. Jerusalém se tornou realmente uma pedra pesada ao redor do pescoço de todas as nações do mundo, o problema mais irritante e volátil que as Nações Unidas hoje enfrenta. E não há explicação lógica para isso. O que os profetas hebreus declararam há milhares de anos e que parecia absolutamente fantástico em seu tempo, está se cumprindo hoje. Essa é apenas uma parte da evidência de que os "últimos dias" profetizados estão chegando para nós e que a nossa geração talvez veja o restante da profecia cumprida.
Jerusalém permanece a Cidade Eterna do mundo, símbolo da Nova Jerusalém, que se há de estabelecer na consumação dos séculos, quando ela será a metrópole mundial. Isso, durante o Milênio, período em que terá muito esplendor (Is.2:3; Zc.8:22), pois Israel estará à frente das nações que subsistirem ao seu julgamento.
“Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao paladar se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria”(Sl.137:5,6).

4. A suprema aliança davídica (2Sm.7:8-16)

Uma vez unificado o reino de Israel, e organizado o culto ao Senhor em Jerusalém, com a presença da Arca na Tenda do Tabernáculo, Davi desejou construir um Templo ao Senhor. Ele achou descabido habitar em sua própria casa, enquanto a Arca do Senhor se encontrava numa Tenda. Comunicou ao profeta Natã, portanto, a intenção de edificar uma Casa para a Arca. Ao que parece, a princípio, Natã não consultou ao Senhor e aprovou a ideia; “Porém [...] veio a palavra do Senhor” a ele e o informou de que Davi não teria permissão de construir um templo para Jeová (2Sm.7:1-5).
O Senhor revelou ao profeta, ainda, a Aliança incondicional que faria com Davi. De acordo com a Aliança, o rei teria um filho (Salomão) que construiria o Templo; o trono do filho de Davi seria estabelecido para sempre e, quando o rei pecasse, Deus o corrigiria, mas, em sua misericórdia, não se apartaria dele (2Sm.7:12-15).
12. Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino.
13. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.
14. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens.
15. Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
Deus prometeu, também, que a casa, o reino e o trono de Davi seriam estabelecidos para sempre e que um de seus descentes se assentaria no trono (2Sm.7:16).
“Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para Sempre (2Sm.7:16).
A partir dessa Aliança, o povo de Israel ficou ciente de que o Messias, aquele que viria para salvar Israel, seria descendente de Davi, daí porque a imagem do Cristo ter ficado relacionada com a imagem do Libertador político, do Rei, daquele que haveria de livrar Israel dos seus inimigos, imagem esta que se intensificou a partir do cativeiro da Babilônia, quando Israel perdeu a sua independência política, como fruto dos seus pecados, o que era explicitamente reconhecido pelas autoridades judias (cfr. Ed.9:6-9). Até mesmo os discípulos de Jesus, mesmo depois da ressurreição, não tinham deixado de associar a imagem do Messias ao do libertador político (Atos 1:6).
“Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?”.
A dinastia davídica foi interrompida no cativeiro babilônico, mas será restaurada quando Cristo, a Raiz de Davi, voltar para reinar sobre toda a Terra.
“Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc.1:30-33).

III. A GRANDEZA POLÍTICA DO REINADO DE DAVI

1. As realizações militares

A política de Davi de expulsar do reino todos os habitantes pagãos que se rebelavam contra seu governo resultou na expansão do território de Israel. Em 2Samuel 8, observamos as vitórias de Davi sobre todos os seus inimigos em redor.
O reino de Davi preparou o caminho para o período de maior glória em toda a história de Israel, que foi o reinado de Salomão. Somente nestes dois reinados, Israel ocupou todo o território prometido por Deus a Abraão (Gn.15:18).
Uma das promessas dadas pelo Senhor a Davi foi que os inimigos de Israel seriam derrotados e não mais o oprimiriam (2Sm.7:10,11). Deus cumpriu esta promessa, ajudando Davi a vencer as nações que se lhe opunham. Muitos inimigos derrotados são citados no capítulo 8. Veja alguns:
ü  Os filisteus. Eram um inimigo perpétuo e inveterado de Israel. Após ter conquistado Jerusalém, Davi, sob a direção divina, lançou uma ofensiva sobre os filisteus, derrotando-os totalmente.
“E sucedeu, depois disso, que Davi feriu os filisteus e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Amá das mãos dos filisteus” (2Sm.8:1).
Com efeito, a partir dessa vitória de Davi sobre os filisteus, não mais se encontra relatos de dominação dos filisteus sobre os israelitas, o que havia sido uma constante desde a conquista da Terra Prometida. Davi terminou a tarefa de expulsá-los, não só do território de Israel, mas mesmo das suas próprias fronteiras. Eles habitavam em uma grande parte daquela terra, especialmente ao sul.
Com Davi, portanto, completa-se a obra de livramento destes terríveis inimigos, que se iniciara com Sansão, mais de cem anos antes. O segredo da vitória de Davi estava em sua completa submissão a Deus. Sempre consultava o Senhor antes de enfrentar um desafio difícil ou tomar alguma decisão (2Sm.5:19).
ü  Os moabitas. Eram descendentes de Ló e que viviam ao oriente do mar morto. Eram uma ameaça militar e religiosa constante a Israel (Nm.25:1-3; Jz.3:12-30; 1Sm.14:47). Davi eliminou os maiores e fez dos menores servos para pagar-lhe tributo.
“Também feriu os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por terra, e os mediu com dois cordéis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar em vida; ficaram, assim, os moabitas por servos de Davi, trazendo presentes” (2Sm.8:2).
ü  O rei de Zobá, Hadadezer, filho de Reobe. Ao ser derrotado, permitiu que se cumprisse a promessa de Deus a Abraão que Israel iria controlar o território ao norte até o rio Eufrates (Gn.15:18). O rei de Hamate, Toí, ao saber da vitória de Davi sobre Hadadezer, mandou seu filho levar-lhe objetos de prata, de ouro e de bronze para o saudar e congratular-se com ele porque era seu inimigo também (2Sm.8:3-8).
ü  Os edomitas. Eram descendentes de Esaú (Gn.36:1), também eram grandes inimigos de Israel (veja 2Reis 8:20; Jr.49:7-22; Ez.25:12-14). Davi os submeteu e fez deles seus servos (2Sm.8:14).
“E pôs guarnições em Edom, em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomitas ficaram por servos de Davi; e o SENHOR ajudava a Davi por onde quer que ia”.
Com as vitórias sobre os inimigos, Davi obteve grande e valioso despojo, que ele consagrou ao Senhor. O território de Israel se expandiu consideravelmente para o norte, sul e leste - não para o oeste porque já terminava nas praias do mar Mediterrâneo. Esta expansão territorial foi a maior registrada a qualquer tempo pela nação de Israel.
Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo. O seu poder militar estava à altura dos grandes reinos daquele tempo, e o país tinha uma posição estratégica no Oriente Médio que favorecia o comércio.
“Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo” (2Sm.8:15).

2. As administrações de Davi

E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele" (2Sm.5:10).
Sob a liderança de Davi, o reino de Israel experimentou um vertiginoso crescimento, que acarretou diversas mudanças em diferentes áreas (política e espiritual), apesar da pressão dos inimigos externos - as nações vizinhas -, e também dos conflitos internos, familiares e governamentais.
O segredo do sucesso do reino de Davi era o seu coração totalmente voltado para Deus e, também, graças a sua habilidade administrativa e governamental. Ele era um líder inato, proativo, com uma visão futurista extraordinária.
A visão de Davi deu energias ao povo de Israel muito além do que Saul podia imaginar. Note o que a visão de Davi realizou em favor da nação israelita.
a)    Uniu o povo (2Sm.5:1-3). Pela primeira vez em muitos anos, “todas as tribos” e “todos os anciãos” se reuniram.
b)    Forneceu um centro de liderança (2Sm.5:4,5). Davi começou o seu reino em Hebrom, mas desejou unir a terra dividida e liderar a partir de Jerusalém.
c)     Inspirou grandeza (2Sm.5:9,10). O sonho de Davi para Jerusalém ajudou tanto a ele quanto ao povo a atingirem o grande alvo em conjunto.
d)    Atraiu outros à causa (2Sm.5:11,12). Depois que Davi havia conquistado Jerusalém, outros começaram a juntar-se à causa.
e)    Priorizou o culto de adoração ao Senhor (2Sm.6:17). Ao chegar ao trono, a preocupação com o culto ao Senhor foi prioridade na administração de Davi, e fez o que pode para restaurar a adoração ao Senhor, e isto na capital do reino, Jerusalém. Ele o fez estabelecendo a adoração do povo de Israel de acordo com a Lei Mosaica, como se pode ver no ritual da Arca. Colocando a Arca, símbolo do Deus invisível, no centro do país, Davi centralizou a adoração em Jerusalém e preparou o caminho para o templo. Ele estabeleceu um programa elaborado para os levitas, os quais estavam espalhados por toda a nação, fazendo com que sua participação nos cânticos, na adoração e no ensino fosse mais efetiva.
Sem dúvida, Davi foi um rei que governou o povo por meio dos princípios de Deus e, por esta razão, Deus o abençoou. Está escrito em 2Samuel 5:25a: “E fez Davi assim como o Senhor lhe tinha ordenado”. Com isso, aprendemos que, se o líder escolhido pelo Senhor para realizar a sua obra, for fiel e obediente a Ele, o crescimento e a prosperidade (espiritual e material) virão.

3. O Culto público.

O triunfo do reinado de Davi estava no desvelo pelo culto ao Senhor. Esta é uma das fortes e notórias diferenças entre Davi e Saul. Enquanto Saul não demonstrava muita preocupação com o culto ao Senhor e com os ministros do culto, Davi comprova um zelo especial pela adoração a Deus. 
Ele otimizou a liturgia do culto dando mais esplendor e vigor, e incentivando o povo a adorar ao Deus de Israel. Ele procurou ser um patrono do culto religioso e com a inspiração do Espírito Santo ele teve oportunidade de fazer uso do talento musical para escrever a letra e compor a música de vários salmos de louvor e proféticos que passaram a ser cantados no Tabernáculo, e mais tarde no Templo. Muitos estão transcritos para o livro de Salmos, em nossas Bíblias.
Davi trouxe a alegria ao povo em servir ao Senhor em seu santo Tabernáculo. No Salmo 122:1 ele declara: “Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor”. A primeira pergunta que vem a nós é: o que havia na Casa do Senhor, que gerava no coração do salmista e do povo tamanha alegria e desejo de ir para aquele lugar? Eram os sacrifícios oferecidos? O louvor produzido pelos levitas? Era a construção em si mesma? O que era afinal? Havia quatro coisas pelo menos: O privilégio de estar na Casa do Senhor; muito louvor espiritual; fidelidade e santidade de Deus, ou seja, a sua própria presença e; a sua Palavra viva.
O desejo do Pai Celeste é que em nossas vidas haja o mesmo anseio do rei Davi, que no salmo de número 27:4 diz: “Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei; que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”.
Como vemos o Santuário e o Culto consagrado a Deus em nossos dias? Com certeza não pode e nem deve ser o lugar de uma simples reunião religiosa ou um encontro social de pessoas que durante as semanas ficam distantes uma das outras devido a seus afazeres de estudo, trabalho, compromissos diversos, etc.
Jesus, certa feita, quando Ele foi ao Templo em Jerusalém, Ele mesmo declarou qual a real finalidade da Casa consagrada a Deus: “a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”(Mc.11:17b). Naquele Templo, vieram a Ele, cegos e coxos, e Ele os curou (Mt.21:14).
Diante de tantas maravilhas que o Senhor Jesus operava, as crianças não aguentaram em si de tanta alegria e começaram a declarar: ”Hosana ao Filho de Davi” (Mt.21:15b), mas muitos religiosos da época “indignaram-se e disseram-lhe: ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor? (Mt.21:15,16). Jesus estava declarando: ”A minha casa é lugar de oração, adoração, cura e muito louvor”.
Atualmente, o que temos visto e vivido na Casa consagrada para culto ao Senhor? Qual a nossa intenção no culto, dar ou receber? O culto é para o Senhor ou para os homens? Programamos o culto para agradar a igreja ou o Senhor Jesus?
O desejo de Deus é que o culto a Ele prestado seja não somente uma demonstração de amor à sua Pessoa, a seu Filho Jesus, e ao seu Santo Espírito, mas, também, ser um veículo para atrair vidas ao santuário e ali encontrarem a sua gloriosa presença, e que sejam salvas, libertas curadas, e encontrem vida abundante.

CONCLUSÃO

A partir de um reino despedaçado, que Saul havia deixado como herança, Davi construiu uma potência forte e unida. Quarenta anos depois, esta seria transmitida a seu filho Salomão. O segredo do sucesso do reino de Davi era o seu coração totalmente voltado para Deus. Foi um rei que governou o povo de Deus por meio dos princípios da Sua Palavra e, por esta razão, Deus o abençoou.
Pode ser que não alcancemos o sucesso terreno de Davi, no entanto, obedecer a Deus é, certamente, a melhor e mais acertada decisão. Há muitos crentes que são insubmissos a Deus e à sua Palavra; os tais se esquecem que obedecer é um princípio fundamental da vida cristã. O Deus de Davi continua o mesmo; Ele ainda requer obediência incondicional. Davi é um exemplo de que, sem obediência a Deus, sem estar no centro de Sua vontade, o líder não conseguirá obter o bom êxito e a expansão da Obra de Deus. Pense nisso!

O EXÍLIO DE DAVI


Texto Base: 1Samuel 22:1-5
"Então, Davi se retirou dali e se escapou para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e desceram ali para ele. E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens" (1Sm.22:1,2).

1 Samuel 22:
1. Então, Davi se retirou dali e se escapou para a caverna de Adulão; e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e desceram ali para ele.
2. E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.
3. E foi-se Davi dali a Mispa dos moabitas e disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que saiba o que Deus há de fazer de mim.
4. E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com ele todos os dias que Davi esteve no lugar forte.
5. Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques naquele lugar forte; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi foi e veio para o bosque de Herete.Parte inferior do formulário

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre liderança do povo de Deus, com base nos livros de Samuel, trataremos nesta Lição do exílio de Davi. Exílio (do latim exilium = banimento, desterro) é o estado de estar longe da própria casa (seja cidade ou nação) e pode ser definido como expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Alguns autores utilizam o termo exilado no sentido de refugiado, longe do convívio social, no ostracismo.
Davi, o jovem que o Senhor ungiu para suceder a Saul ao trono de Israel; o valente destemido que venceu o gigante Golias; aquele de quem as mulheres diziam: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares”(1Sm.18:7); aquele que comia à mesa do rei; aquele que comandava um grupo de homens da elite do exército de Saul, agora é atingido fortemente pelo medo de morrer e é obrigado a viver no exílio, no ostracismo, no desterro, em cavernas, longe do convívio social, num estado de completa humilhação.
Entretanto, os livros de Samuel deixam transparecer que Deus trabalhava na vida de Davi a fim de prepará-lo para reinar no lugar de Saul. Como bem diz o pr. Osiel Gomes, “nem sempre as vivências marcadas por situações traumáticas podem ser vistas como negativas. Por vezes, elas servem para tirar as cascas das aparências, a infantilidade, o esquecimento de nós mesmos, a fim de levar-nos à essência real da vida”. Temos a certeza de que, nos desertos de nossa vida, Deus caminha conosco, nos conduzindo na direção certa e provendo para nós nos momentos de aflição e necessidades. Devemos, pois, estar no centro da Sua vontade e esperar o momento certo da divina providência, mesmo em tempos bastantes desconfortáveis.

I. AS CARACTERISTICAS DO EXÍLIO DE DAVI

O exílio de Davi foi uma experiência pedagógica para ele, cujos estágios moldaram o seu caráter, que o levaram à maturidade e crescimento na vida espiritual e relacional, e que lhe promoveu à virtude da paciência – “pois a tribulação produz a paciência” (Rm.5:3) -, e que fariam dele um homem resiliente diante das intempéries, vicissitudes, preparando-o para uma missão especial de grande relevância: a liderança do povo de Deus, Israel. Não sabia ele “que a prova de nossa fé produz a paciência” (Tg.1:3).
É certo que houve momentos em que a fé dele demonstrou arrefecimento, que é comum ocorrer com qualquer crente diante de provas inclementes. Um exemplo disso, dentre outros, é quando, numa situação de total desespero, Davi foge para cidade Gate, território inimigo, onde buscou asilo com Áquis, rei filisteu de Gate (1Sm.21:10), e ainda levava consigo a espada de Golias que Aimeleque tinha dado a ele; é como se Davi tivesse se tornado Golias, armado com sua espada e rumando para a cidade natal dele. Fica óbvio que Davi caminhava de acordo com o que via, e não pela fé, e confiava em sua própria capacidade. Mas, cedo ou mais tarde, se perceberia que viver de acordo com o que se vê terminaria em fracasso; e Davi, que anteriormente havia mentido para Aimeleque, dominado pelo medo, é obrigado a encenar outra mentira e fingir-se de louco para não ser morto (1Sm.21:13). O respeito oriental em presença da loucura salvou-o da morte praticamente certa. Davi, ao recorrer à fraude, deixou de entregar sua vida incondicionalmente ao Senhor e à sua proteção. É um erro que não deve ser imitado.
Quando a fé vacila, pode acontecer de o indivíduo perder Deus de vista e agir de forma contrária às suas crenças e às suas experiências pessoais. A despeito desse claro arrefecimento da fé diante das provas, Davi não perdeu a esperança em Deus, ele ainda esperava na providência divina – “até que saiba o que Deus há de fazer de mim” (1Sm.22:3).
As diversas situações difíceis que o seguidor de Cristo passa na caminhada cristã podem servir-lhe de amadurecimento e crescimento na vida espiritual. Em quaisquer circunstâncias devemos esperar em Deus, pois no seu tempo (Kairol) ele cumprirá as suas promessas.
Depois de escapar de Gate, Davi refugiou-se na Caverna de Adulão (1Sm.22:1-5). Era assim chamada devido a uma cidade nas suas proximidades. Vamos explorar esta Caverna e extrair dela lições para a vida.

1. A Caverna de Adulão

Adulão, que significa refúgio, era uma antiga cidade real dos cananeus (Gn.38:1), situada numa região montanhosa, próxima à fronteira filisteia, a vinte quilômetros a leste da cidade de Gate, na fronteira do território de Judá, aproximadamente 26 km de Jerusalém, e a uns vinte quilômetros de Belém, a cidade natal de Davi. Atualmente, Adulão é chamada de “Aid-el-Ma,
Para ficar longe de Saul Davi teve que ir para o exilo à busca de refúgio, e um desses refúgios foi a caverna de Adulão (1Sm.22:1), um sistema de corredores sem fim e passagens transversais.
Davi, o valente que derrotou o gigante Golias, o valente cantado pelas mulheres de Israel em suas músicas - “Sul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (1Sm.18:7) -, agora estava fugindo em direção a uma caverna, tímido e com medo de morrer pelas mãos de Saul.
Num verdadeiro redemoinho de eventos, ele perdeu o emprego, a mulher, a casa, seu conselheiro, seus melhores amigos e, finalmente, sua autoestima. À semelhança de Jó, ele foi golpeado com tanta força que sua cabeça deve ter ficado girando durante horas. Davi chegara ao fundo do poço.
Este foi o pior momento na vida de Davi até então. Se você quiser saber como ele realmente se sentia, leia o Salmo 142, de sua composição. Era assim que Davi se sentia como habitante da caverna:
"Olhei para a minha direita e vi; mas não havia quem me conhecesse; refúgio me faltou; ninguém cuidou da minha alma” (Sl.142:4).
Davi não tinha segurança, alimento, alguém com quem conversar, promessa à qual apegar-se e nem esperança de que as coisas viessem a modificar-se um dia. Estava sozinho numa caverna escura, longe de tudo e de todos que amava. De todos, exceto de Deus.
Podemos sentir a solidão desse lugar tão desolado? A umidade dessa caverna? Podemos sentir o desespero de Davi? As profundezas em que sua alma desceu? Não havia meios de fugir. Nada restou, absolutamente nada!
Em meio a tudo isso, Davi não perdeu Deus de vista. Ele clama ao Senhor para livrá-lo. É aqui que podemos vislumbrar o coração desse jovem-homem, a essência que só Deus vê, a qualidade invisível que Deus viu quando escolheu e ungiu o jovem pastor de Belém.
Davi foi levado a um ponto em que Deus pôde começar realmente a moldá-lo e fazer uso dele. Quando o Deus soberano nos reduz a nada, é para redirecionar nossa vida e não para extingui-la.
A perspectiva humana diz: "Ah, você perdeu isto e aquilo; você causou isto e aquilo; você destruiu isto e aquilo; por que não acaba com a sua vida?". Mas Deus diz: "Não. Você está na caverna, mas isso não significa que é o fim de tudo. Significa tempo para redirecionar sua vida. Está na hora de um novo começo!". Foi exatamente isso que Deus fez com Davi.
Apesar dos séculos existentes entre nós e Davi, esse homem e suas experiências são mais relevantes do que nunca em nossos dias. Às vezes, as provas inclementes, as tribulações impiedosas, as tempestades da vida tremendamente ameaçadoras, nos fazem perder de vista a verdade e nos levam ao fundo do poço. A única solução? Buscar refúgio no único que nos pode socorrer: o Senhor Deus Todo-Poderoso.
“A ti, ó SENHOR, clamei; eu disse: tu és o meu refúgio e a minha porção na terra dos viventes. Atende ao meu clamor, porque estou muito abatido; livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me fizeste bem" (Sl.142:4-7).
“O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Sl.46:11).

2. Os proscritos da Caverna de Adulão

Davi estava sozinho na caverna, e veja quem foi juntar-se a ele: a sua família.
"Quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele" (1Sm.22:1).
Já fazia muito tempo que a família de Davi não lhe dava atenção. Seu pai quase esquecera da sua existência quando Samuel fora procurar em sua casa um possível candidato para reinar sobre Israel. Samuel teve de dizer: "Você só tem esses filhos?". Jessé estalou os dedos e respondeu: "Oh, não, tenho um filho que cuida das ovelhas". Mais tarde, quando foi para a guerra e estava pronto para lutar com Golias, os irmãos o desprezaram, dizendo: "Sabemos porque veio, só para mostrar-se". E agora, os mesmos irmãos e o pai, juntamente com o resto da casa, procuram Davi para ficar com ele, na caverna de Adulão.
Algumas vezes, quando estamos na “caverna”, não queremos ninguém por perto; às vezes, não conseguimos suportar outras pessoas. Não admitimos isso publicamente, claro, mas é verdade; só queremos ficar sozinhos. Na minha concepção, naquele momento da sua vida, Davi não queria ninguém por perto. Em vista de não valer nada para si mesmo, não conseguia ver o seu valor para quem quer que fosse.
Davi não queria seus parentes, mas eles chegaram. Ele não desejava a presença deles, mas Deus os levou assim mesmo. Davi os levou para dentro da caverna em que ele se escondia.
Mas, não foi somente a família de Davi que se juntou a ele; outro grande grupo de homens se juntou a ele. Ajuntaram-se a Davi todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito. Os primeiros eram em sua maioria estrangeiros em dificuldades, homens rudes e problemáticos, no entanto, Davi os recebeu, acolheu-os, ensinou-os e preparou-os, e se fez chefe deles.
"E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens" (1Sm.22:2).
A princípio, eram 400 homens "em aperto", mas logo o número chegou a 600 (1Sm.22:2; 25:13). Esses eram os homens que Deus deu a Davi para liderar. E Davi o fez com maestria. Ele fez com que esses homens tivessem um senso de companheirismo e devoção a Deus. Logicamente, Davi teve de treinar esses “perdedores”, se quisesse formar um exército eficiente, e ele o fez.
Aquela caverna não era mais o refúgio de Davi. A caverna malcheirosa, úmida, se tornara um campo de treinamento para os primeiros soldados que formaram o começo do exército que veio mais tarde a ser chamado de "Os valentes de Davi". É isso mesmo, aquele bando heterogêneo se transformaria em seus poderosos homens de guerra, e mais tarde, quando Davi subiu ao trono, eles viriam a ser os seus ministros de gabinete. Davi modificou completamente a vida deles e incutiu-lhes ordem, disciplina, caráter e direção.
Davi teve de descer derrotado até o fundo do poço, quando não havia outro meio senão olhar para cima. Quando levantou os olhos, Deus estava lá, levando aquele grupo de desconhecidos até ele, aos poucos, até que finalmente provaram ser os homens mais corajosos de Israel.
Quem podia imaginar que o próximo rei de Israel estava treinando suas tropas numa caverna escura onde ninguém conseguia enxergar nada e ninguém se importava? Que atitude pouco usual de Deus para preparar os líderes do seu povo! A pedagogia do Senhor é impressionante!
Davi atraiu homens semelhantes a ele, almas aflitas. Ele também reproduziu homens como ele, guerreiros e conquistadores. Davi era um líder nato.
  • Davi atraiu esses homens sem procurá-los.
  • Davi extraiu profunda lealdade deles sem nunca tentar obtê-la.
  • Davi transformou esses homens proscritos sem desiludi-los quanto ao seu estado inicial.
  • Davi lutou lado a lado com esses “perdedores” e transformou-os em vencedores.
  • Davi teve o controle de seus liderados. Manter sob controle um grupo de pessoas de bem não é muito complicado; contamos com a boa vontade e o respeito de todos para uma convivência cordial e amável. Mas, liderar um grupo de pessoas atribuladas isso não é fácil. Junte em um ambiente hostil, dentro de uma caverna, 400 homens desgostosos da vida, que fugiram de sua terra por dívidas contraídas e não quitadas e outros assuntos não resolvidos. Esses eram homens que não pensariam duas vezes em puxar uma arma para se defender e matar alguém. Mas, Davi fez com que os seus liderados tivessem um senso de companheirismo e devoção a Deus. Ele os ensinou o que significa esperar o tempo de Deus (ler 1Sm.24:5-7).

3. O simbolismo da Caverna de Adulão

O que Deus quis ensinar a Davi e, também, a nós seguidores de Deus da Nova Aliança? Qual o significado de tudo isso? A caverna de Adulão é a pedagogia de Deus para nos ensinar a confiar sempre nele. Ali, somos desafiados a entender que não somos os melhores, nem super-homens, mas, sim, que dependemos de Deus e de pessoas dispostas, e bem disciplinadas, a lutar por aquilo que Deus propôs para nós. E mais:
a) Adulão nos ensina que em nossa vida podemos estar na planície, mas, de repente, podemos estar numa caverna, em aflição
Como diz o pr. Osiel Gomes, em nossa vida, especialmente quando estamos gozando de boa posição, nome, título, fama, esquecemos quem somos e, por vezes, somos levados a situações conflitantes, perseguições, contrariedades, crises, as quais nos levam às cavernas do recôndito de nossa alma, para que reflitamos e sejamos forjados outra vez para voltarmos ao caminho certo da vida. Na caverna, somos confrontados com nós mesmos; lá somos desafiados a entender que não somos os melhores, nem super-homens, mas, sim, que dependemos de Deus e de outros para avançarmos.
b) Adulão, lugar de sair da superficialidade e buscar profundidade insondável
Na caverna de Adulão, existiam lugares profundos que ainda não tinham sido sondados, lugares onde não se conseguia medir a profundidade. Mas, Davi conhecia em profundidade ao Senhor; ele conhecia o Bom Pastor (Salmo 23), aquele que o havia livrado do urso, do leão e do gigante Golias; aquele que havia entregue o gigante e todos os filisteus em suas mãos. Davi conhecia ao Senhor, e seu conhecimento não era superficial. Às vezes, precisamos entrar em Adulão para conhecermos o Senhor com intimidade.
c) Adulão, lugar de transformar a humilhação em honra
Os homens que procuraram a Davi eram homens que se achavam em aperto, endividados, amargurados de espíritos, humilhados (1Sm.22:2). Mas, na Caverna de Adulão eles foram honrados. Quando o Senhor livrou Davi das mãos de Saul, muitos daqueles endividados, daqueles apertados, amargurados de espírito se tornaram heróis em Israel, porque o nosso Deus é um Deus que exalta o humilde e abate ao soberbo (1Pd.5:5). Adulão é o lugar que aceita os perseguidos e injustiçados e os redime, os transforma, e os torna pessoas honradas.
d) Adulão, o lugar de encontro com o Davi Celestial
Que tipo de pessoas vieram a Davi na caverna? Diz o texto sagrado:
"Ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens" (1Sm.22:2).
Eram pessoas miseráveis, amarguradas, angustiadas, deprimidas, pessoas carregadas de culpa e com um coração atormentado. Mas, na caverna de Adulão, eles encontraram refúgio, porque o rei ungido estava lá para aceitá-los como eles eram.
Em Jesus Cristo, as pessoas em aperto, as pessoas endividadas, as pessoas amarguradas de espírito, encontram refúgio. Diz Jesus, o Ungido de Deus:
 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt.11:28-30).
Em lugar algum estamos mais abrigados e seguros do que em Jesus - "...porque Ele (Jesus Cristo) é a nossa paz" (Ef.2:14). Toda vez que nos humilharmos diante dEle em arrependimento sincero e confessarmos a Ele os nossos pecados poderemos respirar aliviados. Mas será que tomamos tempo suficiente para buscarmos o Ungido Rei na "caverna de Adulão", para termos comunhão com o nosso Davi Celestial?
e) Deus é o nosso Refúgio e Fortaleza na hora da angústia (Sl.46:1)
Para onde voltamo-nos quando o nosso mundo desmorona? A quem procuramos refúgio na hora da angústia? Para quem nos voltamos quando não há ninguém a quem contar as dificuldades? Davi estava nessa situação e ele se voltou para o Deus vivo, e descobriu nele um lugar para descansar e recuperar-se. Encurralado, ferido pela adversidade, lutando contra o desânimo e o desespero, ele escreveu estas palavras em seu diário de lamentos:
“O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação e o meu alto refúgio” (Sl.18:2).
Precisamos de refúgio, um lugar onde se esconder e sarar. Precisamos de alguém disposto, afetuoso, disponível; um confidente; um companheiro de “armas”. Você não está conseguindo encontrar um? Por que não compartilhar do abrigo de Davi? Aquele que ele chamou de "minha Força, minha Rocha, minha Fortaleza, meu Baluarte, minha Torre Alta"? Nós o conhecemos hoje por outro nome: Jesus Cristo, o Senhor; Ele está sempre disponível, até mesmo para moradores de cavernas, pessoas solitárias que precisam de alguém que se interesse por elas.
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl.46:1).
“O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Sl.46:11).

II. DAVI E O AMOR COM OS PAIS

Os pais e os irmãos de Davi ao saberem onde ele se encontrava, e temendo represálias do rei Saul por causa do seu parentesco com ele, mudaram-se também para Caverna de Adulão - “...e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai e desceram ali para ele” (1Sm.22:1). Este era o momento do apoio da família. Recebendo apoio da família, Davi evidentemente se sentiu fortalecido.
Ao longo das Escrituras, constatamos que a família desfruta de destaque especial nos desígnios de Deus para a humanidade. Além do seu papel de coesão, inclusive social, a família provê também apoio emocional e espiritual para seus membros. Todos nós de alguma forma necessitamos também de nossa "caverna de Adulão", isto é, um local de refúgio, inclusive familiar.

1. Protegendo seus pais

Preocupados com o bem-estar de seus pais, Davi viaja, de Adulão, para Mispa, em Moabe, e pede proteção e abrigo ao rei para eles, enquanto ele estava escondido (1Sm.22:3,4).
“E foi-se Davi dali a Mispa dos moabitas e disse ao rei dos moabitas: Deixa estar meu pai e minha mãe convosco, até que saiba o que Deus há de fazer de mim. E trouxe-os perante o rei dos moabitas, e ficaram com ele todos os dias que Davi esteve no lugar forte” (1Sm.22:3,4).
Nesta circunstância adversa, Davi teve o cuidado todo especial de proteger os seus pais das brutalidades de Saul. É possível que o rei de Moabe tivesse alguma lealdade para com Davi graças aos antepassados dele (por parte de pai, Davi é descendente da moabita Rute). Quando Davi voltou, o profeta Gade o instruiu a deixar Adulão, de modo que ele foi para o bosque de Herete, também em Judá (1Sm.22:5).
“Porém o profeta Gade disse a Davi: Não fiques naquele lugar forte; vai e entra na terra de Judá. Então, Davi foi e veio para o bosque de Herete”.
Nesta fortaleza, Davi encontra segurança, e espera para ver o que Deus faria com ele. O texto não informa por que o profeta disse para Davi voltar a Judá, mas é provável que o Senhor tenha considerado a partida de Davi contrária a seu destino divinamente ordenado. Apesar de ser descendente de Rute, uma moabita (Rt.4:17), foi errado Davi depositar sua confiança num rei que era inimigo do povo de Deus. (Diz a tradição que, mais tarde, os moabitas mataram os pais de Davi).
Um dos deveres dos filhos para com os pais é honrá-los. Só que não podemos honrar os pais sem os amar, e nem os amar sem honrá-los. O amor aos pais inclui todas as responsabilidades que temos perante eles.
Na Lei moral que Deus revelou a Moisés, conhecida como os Dez Mandamentos, vemos a seguinte divisão: os quatro primeiros mandamentos se referem aos deveres para com Deus; os seis seguintes, aos deveres do homem para com a humanidade. O Primeiro Mandamento desta segunda divisão foi escrito para os filhos, e é o único mandamento que tem uma condição ligada a uma promessa de bênção para os que o observarem.
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”(Ex.20.12).
Este Mandamento é ratificado no Novo Testamento. Paulo escreveu aos Efésios: “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef.6:2,3). Em Mateus 15:3-9, Jesus pregou um sermão cujo tema é a honra devida pelos filhos aos pais. Marcos 7:6-13 repete o fato com mais detalhes.
Este mandamento abrange todos os devidos atos de bondade, ajuda material, respeito e obediência aos pais (Ef.6:1-3; Cl.3:20). Abrange, também, não proferir palavras maldosas e agressão física aos pais.
Em Êxodo 21:15,17, Deus estabeleceu a pena de morte para quem ferisse ou amaldiçoasse seu pai ou sua mãe. Assim fica demostrada a grande importância que Deus atribuiu ao respeito pelos pais. Portanto, Davi agiu corretamente engendrando esforços para proteger os seus pais da fúria do inimigo Saul. Apesar que, aparentemente, a escolha do lugar do asilo seja questionável.

2. A recompensa para os filhos obedientes

O assunto da obediência tem sido um problema, desde que nossos primeiros pais praticaram o ato da desobediência. Paulo descreveu os efeitos do pecado nos filhos, em Romanos 1:30,31:
 ”... desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia”.  
Muitas famílias pagãs que se convertiam a Cristo nos dias do Novo Testamento eram caracterizadas conforme esse descrito de Paulo.
Em Efésios 6:1-4 e Colossenses 3:20,21 Paulo exorta os filhos concernente às suas atitudes e ações que devem ter para com os seus pais.
”Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor”(Cl.3:20).
1.Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
2. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa,
3. para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
4.E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor (Ef.6:1-4).
·          “Porque isto é justo” (Ef.6:1). É um princípio básico da vida familiar que, os ainda imaturos, impulsivos e inexperientes se submetam à autoridade do seus pais, que são mais velhos e mais experientes.
·         “Para que te vá bem” (Ef.6:3). O bem-estar dos filhos depende da obediência prestada aos pais. Pense no que aconteceria a um filho que nunca recebeu instrução ou correção dos seus pais. Ele se tornaria insuportável pessoalmente e intolerável socialmente.
·         ”Para que vivas muito tempo sobre a terra”(Ef.6:3). A obediência promove uma vida plena. Nos dias do Antigo Testamento o filho que obedecia aos pais desfrutava de uma vida longa. Hoje isso não é mais uma regra sem exceção. De fato, obediência filial nem sempre traz longevidade. Um filho respeitoso pode morrer jovem. Porém, de modo geral é verdade que a vida de disciplina e obediência é mais segura, saudável e longa, enquanto a vida de rebelião de imprudência muitas vezes termina em morte prematura.
Jesus foi um exemplo de obediência e submissão aos Seus pais adotivos - ”E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso” (Lc.2:51).
A família de Recabe. A Bíblia diz que todos os filhos de Recabe foram usados por Deus como exemplo para a nação israelita, pelo fato de obedecerem a seu pai. Levados ao templo pelo profeta Jeremias, foram convidados a tomar vinho. Não parecia ser nada de mais, principalmente em se tratando de convite feito pelo profeta de Deus. Mas, os recabitas responderam: ”Não beberemos vinho; porque Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, nos mandou, dizendo: Nunca jamais bebereis vinho, nem vós nem vossos filhos”(Jr.35:1-6). Deus repreendeu o povo de Israel, mostrando-lhe que aqueles filhos obedeciam a seu pai, enquanto a nação era desobediente a seu Deus.
A obediência dos filhos aos pais, portanto, é um dever sagrado. Deus não abre mão em tempo algum dessa exigência. Ele exige isto a ponto de condicionar a felicidade no viver ao seu cumprimento. Infelizmente, no mundo de hoje, onde a maior parte das pessoas só faz o que acha certo aos seus próprios olhos, a obediência não é algo popular.

III. MORRENDO POR CAUSA DE DAVI

1. A inconsistência de Saul

Segundo o dicionário Aulete, inconsistência é a qualidade, caráter ou estado do que ou de quem é inconsistente; é a falta de consistência, de estabilidade ou de firmeza.
Esta era uma característica do perfil da liderança de Saul. Embora ele tenha se tornado rei, principalmente por causa de sua formidável aparência, ele nunca venceu as suas lutas interiores. Externamente, era alto, bonito e de corpo bem constituído (1Sm.9:2); mas, internamente, não passava de um anão. Observe esses aspectos do caráter de Saul:
ü  Quando chega o tempo de ser ungido, Saul se esconde entre a bagagem (1Sm.10:22).
ü  Quando Samuel pede para Saul liderar, ele apresenta desculpas de incapacidade (1Sm.9:21).
ü  Quando os soldados de Saul começam a se dispersar, ele entra em pânico e desobedece às ordens divinas (1Sm.13:1-14).
ü  Quando confrontado com o seu pecado, Saul apresenta justificativas (1Sm.15:14-23).
ü  Quando Saul ataca os amalequitas, ele está com medo de confiar em Deus e destruir o inimigo (1Sm.15:8).
ü  Quando Saul teme perder o apoio do povo, ele constrói uma estátua de si mesmo, a estátua do orgulho (1Sm.15:12).
ü  Quando os filisteus enfrentam Israel, o medo impede Saul de negociar (1Sm.17:1-11)).
ü  Quando Davi ganha popularidade, a insegurança leva Saul a tentar homicídio (1Sm.18:9-11).

2. O preço de proteger Davi

Proteger Davi, estando Saul ainda no comando da nação, significava pagar um preço alto, e o preço era a morte do indivíduo ou de um grupo de indivíduos, ou até mesmo de uma cidade inteira. Foi o que aconteceu com os sacerdotes e a cidade de Nobe (1Sm.22:6-19). Foi um massacre cruento contra um povo inocente. A suspeita de Saul veio do relato de Doegue, que flagrou Davi em uma conversa com Aimeleque, o sumo sacerdote, e ainda receber comida e uma espada (1Sm.22:9,10).
Esta atitude insana de Saul foi uma demonstração incontestável de que ele estava possuído pelo poder demoníaco e tinha uma mente doentia. Ele não confiava em nada e em ninguém, nem mesmo no próprio filho Jônatas - em duas ocasiões ele procurou matar o próprio filho (1Sm.14:44;20:33); da segunda vez, em virtude da lealdade de Jonatas a Davi.
Por mais que Aimeleque explicasse sua inocência, no sentido de tramar contra o rei, era impossível Saul confiar nas suas palavras, visto que ele estava dominado por poderes demoníacos, de maneira que todos eram acusados de conspiração (1Sm.22:11-23).
O sentimento de ciúme, ódio e inveja que dominava o coração de Saul fez com que de imediato ordenasse a morte de todos os sacerdotes do Senhor na cidade de Nobe. Saul deu a ordem aos soldados para matarem os sacerdotes, mas eles não quiseram de maneira alguma praticar tal massacre e não obedeceram à ordem do rei. Então, entra em cena Doegue para cometer esse crime bárbaro. Oitenta e cinco sacerdotes foram mortos e a cidade foi destruída com seus habitantes. A atitude de Saul demonstrou sua instabilidade mental e emocional e seu distanciamento de Deus.
Por que Deus permitiu que 85 inocentes sacerdotes do Senhor fossem assassinados? Suas mortes serviram para mostrar à nação de Israel como o rei Saul tornara-se um déspota. Onde estavam os conselheiros de Saul? Onde estavam os anciãos de Israel? Às vezes Deus permite que o mal ocorra a fim de nos ensinar que jamais devemos aceitar que os sistemas malignos floresçam.
Servir a Deus não é um ingresso para a riqueza, o sucesso ou a saúde. Servir a Deus não é ser protegido numa redoma de vidro contra as intempéries e vicissitudes da vida. Servir a Deus significa luta renhida e correr risco de vida.
O Senhor não promete proteger as pessoas do mal deste mundo, mas garante que toda a maldade será abolida um Dia. Os que permanecem fiéis nas suas provações receberão grandes recompensas no porvir (Mt.5:11,12; Ap.21:1,7; 22:1-21).
“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho” (Ap.21:1,7).
“Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (Ap.22:7).

3. A sina de Doegue

Quando Davi chegou ao sacerdote Aimeleque, lá estava Doegue, edomita, chefe dos pastores de Saul (1Sm.21:7). Alguns supõem que ele estivesse no tabernáculo para pagar algum tipo de voto, um tipo de purificação, ou para fazer qualquer outro sacrifício, deixando de lado a causa de ele estar ali. Sua presença o fez testemunha do que Davi pediu ao sacerdote. Davi não podia mudar isso, nem impedir a horrível vingança que a ira de Saul trouxe sobre o sumo sacerdote e dezenas de outros sacerdotes, bem como mulheres, crianças e animais em Nobe (1Sm.22:9-19).
Decidido a aproveitar ao máximo a oportunidade de impressionar o rei, Doegue contou a Saul que Aimeleque, sumo sacerdote em Nobe, havia ajudado Davi com provisões e consultado o Senhor a favor dele. Saul convocou de imediato Aimeleque e sua família e o acusou de traição. A ordem de Saul foi inapelável: “...matem os sacerdotes do Senhor...” (1Sm.22:17). Este texto retrata Saul como inclinado a cometer homicídios.
As próprias palavras de Saul o condenaram, pois ele reconheceu que os sacerdotes eram os “sacerdotes do Senhor”. Ao ordenar a execução deles, posicionou-se contra o próprio Senhor.
Mas, os seus servos “se recusaram a levantar as mãos para arremeter contra os sacerdotes do Senhor” (1Sm.22:17). Eles se recusaram a cumprir a ordem do rei porque perceberam que seria uma atrocidade matar os sacerdotes do Senhor. Mas, o desejo do endemoninhado rei não podia deixar de ser realizado; alguém deveria realizar a chacina, e a sina caiu para Doegue (1Sm.22:18).
“Então, disse o rei a Doegue: Vira-te tu e arremete contra os sacerdotes. Então, se virou Doegue, o edomita, e arremeteu contra os sacerdotes, e matou, naquele dia, oitenta e cinco homens que vestiam éfode de linho”.
Para Doegue, homem sem princípio, cometer aquele crime brutal contra os ungidos do Senhor era algo normal, um simples ataque. No mais, seu objetivo era agradar e satisfazer o ímpio rei Saul, que queria apenas manter seu poder. Esse homem matou oitenta e cinco sacerdotes indefesos, desarmados, inocentes. Davi escreveu o Salmo 52 para registrar a maldade de Doegue.
Só escapou um sacerdote, de nome Abiatar, filho de Aimeleque. Davi instou com Abiatar que ficasse com ele, porque confiava na orientação e na proteção de Jeová (1Sm.22:22, 23).
Doegue realizou o massacre, mas o sacerdote Abiatar, filho de Alimeleque, atribuiu o crime corretamente a Saul, pois vieram dele as ordens para que se cometesse essa atrocidade (cf.1Sm.22:18,19). Sem dúvida, Saul era totalmente incapaz de reinar sobre o povo de Deus.
Pode acontecer de um crente estar esperando o tempo de Deus e assim mesmo ocorrerem problemas, fraquezas e dificuldades, como foi o caso ocorrido quando da visita de Davi ao sacerdote Aimeleque (1Sm.21:1-9; 22:6-22). Às vezes o inimigo da Obra de Deus se encontra dentro da própria Casa de Deus, trazendo inúmeros prejuízos e perturbações ao povo de Deus e à sua liderança fiel. Tenhamos cuidado com os “Doegue’s” infiltrados!

CONCLUSÃO

Em todo o seu exílio Davi buscou refúgio, protegendo-se das artimanhas de Saul. Quase sem forças, e como o espirito quebrantado, Davi implora por refúgio. Todos nós, em nossa jornada da vida, precisamos de refúgio. Por que temos necessidade de um refúgio? Primeiro, porque estamos aflitos e sofrendo; segundo, porque somos pecadores e a culpa nos acusa; terceiro, porque estamos cercados por adversários e as incompreensões nos atacam. Não há outro refúgio melhor para nas horas de angústia: Jesus. Ele continua disponível até para os “moradores de cavernas”, pessoas solitárias que precisam de alguém que se interessa por elas. Deus é o refúgio do Seu povo na hora da angústia. O salmista assim se expressou: “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Salmo 46:1). Pense nisso!