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A CEIA DO SENHOR: A SEGUNDA ORDENANÇA DA IGREJA

 

                                 Texto Base: 1Corintios 11:17-34

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha”. (1Co.11:26).

1 Coríntios 11:

17.Nisto, porém, que vou dizer-vos, não vos louvo, porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior.

18.Porque, antes de tudo, ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio.

19.E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.

20.De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia do Senhor.

21.Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome, e outro embriaga-se.

22.Não tendes, porventura, casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisso não vos louvo.

23.Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;

24.e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.

25.Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.

26.Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha.

27.Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

28.Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice.

29.Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.

30.Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem. 

31.Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.

32.Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

33.Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros.

34.Mas, se algum tiver fome, coma em casa, para que vos não ajunteis para condenação. Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for ter convosco.

INTRODUÇÃO

Na última Ceia de Páscoa foi instituída a Ceia do Senhor Jesus. Esta é a lembrança contínua da Sua entrega por nós. A morte de Jesus significa a completa demonstração do interesse divino em ter novamente comunhão conosco.

Ao longo da história, a Igreja tem a Ceia do Senhor como uma das celebrações mais significativas. Nesse sentido, o cristão pode contemplar a Ceia sob três perspectivas:

Ø  Primeira, a Ceia do Senhor aponta para o passado (1Co.11:23-25) e ali vemos a cruz de Cristo e seu sacrifício vicário em nosso favor.

Ø  Segunda, a Ceia do Senhor aponta para o presente, quando se vê a nossa real condição diante de Deus e como fomos alcançados pela graça de Deus.

Ø  Terceira, a Ceira do Senhor também aponta para o futuro (1Co.11:26) e ali vemos o Céu, a festa das Bodas do Cordeiro (Ap.19:9), quando Ele vai nos receber como Anfitrião para o grande banquete celestial. Jesus Cristo será o centro do banquete que Deus Pai vai oferecer (Ap.2:7).

A Ceia do Senhor substituiu a Páscoa judaica (Lc.22:19-23), assumindo o significado que a Páscoa possuía e levando esse significado ao máximo. Dessa forma, a Ceia do Senhor assumiu um significado universal e a libertação total a todos os povos. É importante conhecermos os detalhes de como Jesus modificou a Páscoa judaica transformando-a num memorial:

a)   A Páscoa judaica celebrava o fato de Deus ter libertado o seu povo do cativeiro egípcio; a Ceia do Senhor celebra o fato de Deus nos ter libertado da escravidão do pecado.

b)   O cordeiro sacrifical da Páscoa judaica aplacou o anjo da morte; o Pão da Ceia significa o corpo de Cristo, partido na condenação do nosso pecado.

c)   O vinho da Páscoa judaica simbolizava o sangue do cordeiro nas portas; o vinho da Ceia do Senhor simboliza o sangue de Cristo dado por nós. A sua morte é que nos compra a vida eterna.

d)   A Páscoa judaica representava a antiga aliança de Deus com o seu povo; a Ceia do Senhor nos lembra da sua Nova Aliança.

Através de todos esses detalhes, reconhecemos o valor que devemos dar à Ceia do Senhor. O cordeiro pascal foi substituído na Ceia do Senhor pelo pão, e o sangue do cordeiro pelo vinho, símbolo do sangue de Jesus. Então, podemos definir qual é o significado da Ceia do Senhor: ela simboliza o supremo dom do amor de Deus em Jesus, que entregou seu próprio corpo e derramou seu sangue em nosso lugar para nos perdoar os pecados.

I. A NATUREZA DA CEIA DO SENHOR NA TRADIÇÃO CRISTÃ

1. Na tradição romana

O entendimento da Igreja Católica Romana sobre a Ceia do Senhor é baseado no ensinamento da transubstanciação. Este ensinamento afirma que durante a “eucaristia”, os elementos do pão e do vinho se transformam literalmente no corpo e no sangue de Cristo, mantendo apenas as aparências físicas dos elementos originais.

A doutrina da transubstanciação é uma parte fundamental da teologia católica e é baseada na interpretação literal das palavras de Jesus durante a última Ceia, registradas nos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) e em 1Coríntios 11. Nestes relatos, Jesus diz aos discípulos: "Isto é o meu corpo", referindo-se ao pão, e "este cálice é o novo testamento no meu sangue", referindo-se ao vinho.

Segundo a visão católica, durante a consagração feita pelo sacerdote na missa, ocorre o que é chamado de transubstanciação. Isso significa que a substância do pão e do vinho é transformada na substância do corpo e do sangue de Cristo, enquanto as características físicas (aparência, gosto, cheiro etc.) permanecem as mesmas. A presença real de Cristo, então, é adorada e recebida pelos fiéis na eucaristia.

Em relação aos argumentos levantados contra a transubstanciação, a Igreja Católica sustenta que a presença de Cristo na Eucaristia não está limitada pelas restrições físicas do tempo e do espaço. Ou seja, a compreensão católica é que, embora Jesus estivesse fisicamente presente na última Ceia, a presença dele na Eucaristia não é limitada pela sua presença física naquele momento.

Quanto à questão das metáforas, a Igreja Católica ensina que Cristo usou expressões diretas e literais sobre seu corpo e sangue na Eucaristia, diferentemente de outras metáforas que Ele usou em seus ensinamentos. Portanto, a interpretação católica entende essas declarações como algo a ser tomado literalmente.

Em suma, a posição da Igreja Católica Romana sobre a Eucaristia como transubstanciação é um ponto central de sua teologia e liturgia, diferenciando-se de outras interpretações sobre a Ceia do Senhor presentes em outras tradições cristãs.

Mas o bom exegeta deste texto sagrado não interpreta os elementos da Ceia do Senhor dessa maneira. O pão e o vinho são apenas emblemas, símbolos, do corpo e do sangue de Cristo. A Ceia do Senhor é um ato cerimonial.

2. Na tradição protestante

Na tradição luterana, por exemplo, há uma divergência em relação à doutrina católica da transubstanciação. Martinho Lutero, líder da Reforma Protestante, elaborou o conceito de consubstanciação como uma alternativa à crença católica na transubstanciação.

Na consubstanciação luterana, diferentemente da transubstanciação católica, não se ensina que o pão e o vinho se transformam literalmente no corpo e sangue de Cristo. Em vez disso, os luteranos acreditam que o corpo e o sangue de Cristo estão realmente presentes juntamente com os elementos do pão e do vinho na Ceia do Senhor.

A concepção luterana da consubstanciação mantém a presença física real de Cristo na Ceia, mas não afirma que os elementos se transformam substancialmente em seu corpo e sangue. Em vez disso, acredita-se que a presença de Cristo coexiste com os elementos do pão e do vinho.

No entanto, como mencionado, Lutero não se afastou completamente da tradição católica em sua visão da Ceia do Senhor. A consubstanciação ainda mantém uma conexão com a ideia de presença real de Cristo nos elementos da Ceia, enquanto se distancia da noção de transubstanciação ao afirmar que os elementos não sofrem uma mudança substancial.

Assim, enquanto Lutero rejeitou a transubstanciação católica, sua teologia da consubstanciação ainda mantém um grau de proximidade com a ideia de presença real de Cristo na Ceia, marcando uma diferença significativa em relação à visão simbólica ou memorialista de outras tradições protestantes.

3. A posição pentecostal

A tradição pentecostal entende que o pão da Ceia não é o corpo literal de Cristo, nem está ele presente invisivelmente. Quando Jesus disse que aquele pão era o seu corpo oferecido por nós, não estava falando literalmente, porque ainda estava vivo e o seu corpo não tinha sido partido por nós na cruz. Estando vivo, não podia pegar com suas mãos parte do seu corpo em forma de pão para oferecer aos seus apóstolos dizendo: “isto é o meu corpo que é oferecido por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc.22:19). Jesus, então, usou uma linguagem simbólica, como fez em outras ocasiões: “Eu sou a porta”, “Eu sou o caminho”, “Eu sou a videira” (João 10:7-9; 14:6; 15:1) e assim por diante. Representa, então, a sua encarnação, que Ele deixou sua glória e tomou um corpo humano (João 1:14), nasceu de uma virgem e viveu entre os pecadores em perfeição de caráter. Era Ele o Homem Perfeito, idôneo para servir de sacrifício pelos nossos pecados (Hb.7:26; 2Co.5:21). Ele partiu o pão da Ceia significando que ia se sacrificar em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.

Do mesmo modo que o pão, quando fez referência ao cálice da Nova Aliança (Lc.22:20) no seu sangue, que foi derramado por nós, também falou de maneira simbólica. Portanto, não ocorreu e, ainda hoje quando participamos da Ceia do Senhor, não ocorre a transubstanciação, isto é, a transformação das substâncias que compõem o pão e o vinho em verdadeira carne e sangue de Jesus. Não! Quem acredita que essa transformação ocorre entende o texto de forma equivocada. Devemos crer, com toda a reverência e ação de graças, mas, simbolicamente, em memória da morte de Jesus Cristo por nós (1Co.11:24,25).

Portanto, o pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Jesus. Contudo, como afirma o pr. José Gonçalves, Jesus se faz presente espiritualmente nos símbolos da Ceia (Mt.18.20). Essa é a posição da maioria dos pentecostais.

Também enfatizamos o aspecto memorial na celebração da Ceia do Senhor. Nesse sentido, a Ceia do Senhor é para quem está em comunhão, e não para dar comunhão. Esse entendimento se ajusta ao ensino do Novo Testamento sobre a Ceia do Senhor.

II. O PROPÓSITO DA CEIA DO SENHOR

1. Celebrar a expiação de Cristo

Este propósito da Ceia do Senhor, conforme destacado pelo apóstolo Paulo em 1Coríntios 11:26 e em outras passagens bíblicas, é realmente anunciar e lembrar a morte do Senhor Jesus Cristo. Este é um dos elementos centrais da Ceia do Senhor, onde os cristãos comemoram a morte sacrificial de Jesus na cruz em favor da humanidade.

A Ceia do Senhor é um memorial, um ato de lembrança e proclamação da obra redentora de Cristo. Ela aponta para o Calvário, onde Jesus ofereceu sua vida como sacrifício pelos pecados da humanidade. Ela celebra a vitória de Cristo na cruz sobre o pecado, a morte e o Diabo (Hb.2:14,15), que também é a nossa vitória (Ap.12:11). Este evento histórico é crucial para a fé cristã, pois é através da morte e ressurreição de Jesus que a reconciliação entre Deus e a humanidade é realizada (2Co.5:21).

Ao participar da Ceia do Senhor, os cristãos recordam o sacrifício vicário de Cristo, sua entrega voluntária para redimir os pecados da humanidade. É um momento de gratidão, reflexão e adoração diante do amor e da graça de Deus manifestados na pessoa de Jesus Cristo.

2. Proclamar a segunda vinda de Cristo

A Ceia do Senhor não apenas lembra o sacrifício passado de Cristo na cruz, mas também aponta para o futuro, proclamando a esperança da segunda vinda de Cristo (1Co.11:26). Portanto, a perspectiva escatológica, ou seja, a visão sobre o fim dos tempos e a consumação do Reino de Deus, está intrinsecamente ligada à celebração da Ceia do Senhor.

Na passagem de 1Coríntios 11:26 Paulo enfatiza que sempre que os cristãos comem o pão e bebem do cálice na Ceia, proclamam a morte do Senhor até que Ele venha. Essa afirmação ressalta a ligação entre a Ceia do Senhor e a espera pela segunda vinda de Cristo.

Portanto, a Ceia do Senhor não é apenas uma lembrança do passado, mas também um ato de antecipação e esperança no retorno de Jesus. Ela é um lembrete para os cristãos de que este mundo não é o fim da história e que aguardam a consumação do Reino de Deus, onde haverá a restauração total e a plenitude da presença de Cristo.

Manter o foco na segunda vinda de Cristo através da celebração da Ceia do Senhor também serve como um lembrete da natureza temporária da vida terrena e da identidade dos cristãos como peregrinos neste mundo, aguardando sua verdadeira pátria nos céus, conforme mencionado em Filipenses 3:20,21.

Portanto, a celebração da Ceia do Senhor não é apenas um evento histórico, mas também tem implicações escatológicas significativas, encorajando os cristãos a viverem com uma esperança firme na consumação do Reino de Deus e na volta de Jesus Cristo. Essa esperança espiritual também influencia a maneira como os crentes vivem suas vidas no presente, comprometidos com os valores e princípios do Reino, enquanto aguardam a realização plena da promessa da volta de Cristo.

3. Celebrar a comunhão cristã

A Ceia do Senhor não é apenas um ato de lembrança da morte de Cristo e uma antecipação de Sua segunda vinda, mas também é um momento de comunhão e unidade entre os crentes. Paulo, ao abordar a questão da Ceia do Senhor na Primeira Carta aos Coríntios, repreendeu a Igreja por suas divisões e falta de união durante essa celebração (1Co.1:11; 11:17; 11:21).

A comunhão cristã é um elemento essencial na celebração da Ceia do Senhor. A Ceia não é apenas um ato individual, mas uma expressão da unidade da família de Deus, onde os crentes compartilham juntos do pão e do cálice em memória do sacrifício de Cristo. Paulo enfatiza isso ao confrontar a falta de harmonia e compartilhamento entre os membros da Igreja de Corinto durante a Ceia.

O apóstolo destaca que a divisão e a falta de espera pelos outros para celebrar a Ceia juntos demonstravam uma completa distorção do propósito da Ceia do Senhor (1Co.11:21). Quando há desunião, contendas e falta de amor fraternal entre os crentes, a celebração da Ceia perde sua significância espiritual e testemunho público. Paulo exorta os coríntios a corrigirem suas atitudes, a buscarem a reconciliação e a restauração da comunhão, para que a celebração da Ceia do Senhor fosse realizada de maneira digna e em um espírito de unidade.

Portanto, a Ceia do Senhor é um momento não apenas para lembrar a morte de Cristo, mas também para fortalecer os laços de comunhão entre os membros do corpo de Cristo. A falta de unidade e amor mútuo entre os crentes compromete o verdadeiro significado e propósito da Ceia do Senhor, enfatizando assim a importância da comunhão e da harmonia na vida da Igreja durante essa celebração.

III. O MODO DE CELEBRAÇÃO DA CEIA DO SENHOR

1. O que é participar “indignamente”?

Concernente à celebração da Ceia do Senhor, Paulo advertiu sobre o perigo de participar da Ceia indignamente (1Co.11:27). Este texto destaca a importância de abordar a Ceia do Senhor com respeito, reverência e consciência do seu significado espiritual.

O vocábulo “indignamente” é a tradução do advérbio grego “anaxiós”, que se refere a algo inadequado, inapropriado ou sem merecimento. No contexto da Ceia do Senhor, Paulo está confrontando os coríntios por suas atitudes e comportamentos durante a celebração, que não estavam de acordo com o propósito e o significado da instituição da Ceia.

Paulo estava preocupado com a falta de consideração e respeito demonstrados pelos coríntios durante a celebração da Ceia. Eles estavam se comportando de maneira egoísta, desordenada e até mesmo irreverente, desconsiderando a santidade e o propósito da Ceia.

Ao comerem sem esperar uns pelos outros, ao se comportarem de forma desordenada, ao excederem nos alimentos disponíveis e até mesmo ao se embriagarem, os coríntios estavam demonstrando falta de respeito não apenas em relação à comunhão entre os irmãos, mas também em relação ao simbolismo da Ceia do Senhor, que remete à morte sacrificial de Jesus Cristo (1Co.11:18,21,22).

Participar da Ceia "indignamente" não significa somente que alguém é moralmente indigno de participar, mas sim que a atitude e o comportamento durante a celebração não estão alinhados com o respeito e a reverência devidos à significância espiritual da ocasião.

Portanto, é fundamental que os participantes da Ceia do Senhor abordem a celebração com reverência, humildade, gratidão e consideração pelos outros irmãos, reconhecendo o significado profundo e sagrado desse ato de comunhão e lembrança do sacrifício de Cristo.

2. Uma celebração reverente

Há uma diferença entre participar da Ceia do Senhor de maneira indigna (modo ou maneira) e a questão da dignidade pessoal (estado, qualidade ou natureza) de cada indivíduo.

É verdade que ninguém é digno por si mesmo de participar da Ceia do Senhor, pois todos são pecadores dependentes da graça de Deus. A participação na Ceia não é baseada na nossa própria dignidade ou mérito, mas na graça e no sacrifício de Jesus Cristo. No entanto, é crucial entender que participar da Ceia de forma indigna, como Paulo mencionou, refere-se principalmente à atitude, postura e comportamento dos participantes durante a celebração. Trata-se de uma advertência contra a irreverência, falta de respeito e falta de discernimento espiritual durante o momento da comunhão.

Contudo, como bem afirma o pr. José Gonçalves, “ninguém seja tentado em pensar que, pelo fato de ser um pecador alcançado pela graça, pode participar da Ceia vivendo deliberadamente em pecado. Se a simples maneira irreverente de celebrar a Ceia atrai o juízo divino, o que dizer então de quem participa com pecados não confessados? Pecado não confessado atrai o juízo divino”.

O crente regenerado deve participar da Ceia do Senhor com uma consciência limpa e humilde. A Bíblia nos instrui a examinar nossos corações e a nos arrependermos de nossos pecados antes de participar da Ceia (1Co.11:28). O pecado não confessado pode impedir a comunhão íntima com Deus e com os outros membros do Corpo de Cristo.

É importante buscar a reconciliação com Deus e com os outros, confessando nossos pecados e buscando a purificação espiritual através do arrependimento genuíno. O objetivo é participar da Ceia com um coração que busca a santidade, a comunhão e o reconhecimento do significado profundo da morte e ressurreição de Cristo.

Assim, embora reconheçamos nossa indignidade pessoal, é fundamental abordar a Ceia do Senhor com reverência, humildade, gratidão e um coração sincero diante de Deus, evitando qualquer atitude irreverente, desrespeitosa ou pecaminosa durante esse momento sagrado de comunhão e lembrança do sacrifício de Cristo.

3. Celebração festiva

A Ceia do Senhor é um momento de profunda reverência e ao mesmo tempo de grande alegria. Ela não é apenas um memorial sombrio da morte de Cristo, mas também uma celebração jubilosa da vitória de Cristo sobre a morte através da Sua ressurreição.

A Ceia do Senhor é um ato de adoração que nos lembra do sacrifício redentor de Jesus na cruz, onde Ele deu Sua vida por nós. No entanto, essa celebração não se limita à morte, pois ela aponta também para a vitória final de Cristo sobre o pecado, a morte e a ressurreição que traz vida eterna àqueles que creem Nele.

Portanto, enquanto participamos da Ceia, é apropriado ter uma atitude de reverência diante da grandeza desse ato, reconhecendo o amor e o sacrifício de Cristo por nós. Ao mesmo tempo, essa reverência não deve excluir a alegria que temos por causa da esperança e da vida que temos em Cristo ressuscitado.

Paulo, em sua carta aos Coríntios, fala sobre a Páscoa cristã e incentiva a celebração festiva da Ceia do Senhor, exortando a Igreja a viver em santidade e gratidão pelo sacrifício de Cristo, enquanto se regozijam na liberdade e na vida que Ele proporciona.

Portanto, a celebração da Ceia do Senhor deve ser um momento equilibrado entre reverência profunda pelo sacrifício de Cristo e alegria pela salvação que Ele nos trouxe através de Sua morte e ressurreição, manifestando assim a esperança viva que temos Nele.

CONCLUSÃO

Nesta lição, sob diferentes perspectivas, vimos alguns aspectos que revelam o sentido e propósito da Ceia do Senhor. Não é um ritual mágico que confere graça automaticamente àqueles que participam, nem é uma espécie de remédio espiritual para conceder comunhão a quem não a possui. Participar deste importante ato não é um direito adquirido, mas sim um privilégio resultante da graça que foi concedida a cada crente.

É crucial ter discernimento ao participar dessa ordenança sagrada. Ela não deve ser tratada de maneira descuidada, nem deve ser participada por aqueles que deliberadamente persistem no pecado. Em vez disso, a Ceia do Senhor é um ato sagrado que requer reverência, reflexão e um coração pronto para reconhecer e honrar o sacrifício de Cristo. É uma oportunidade para os crentes se reunirem em gratidão pela graça divina demonstrada através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. É um momento para examinar nossos corações, confessar nossos pecados e renovar nossa comunhão com Deus e com a comunidade de fé, reconhecendo o significado profundo e a relevância espiritual da Ceia do Senhor em nossas vidas como crentes.

O BATISMO: A PRIMEIRA ORDENANÇA DA IGREJA


 Texto Base: Romanos 6:1-11
“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt.28:19).

Romanos 6:

1.Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?

2.De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3.Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?

4.De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

5.Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressureição;

6.sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, afim de que não sirvamos mais ao pecado.

7.Porque aquele que está morto está justificado do pecado.

8.Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;

9.sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele.

10.Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11.Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

INTRODUÇÃO

Nesta Lição trataremos da Primeira Ordenança dada por Cristo à Igreja: o Batismo. Como primeira ordenança da Igreja, é um dos pilares fundamentais da fé cristã, uma prática que remonta aos tempos de João Batista e foi vivenciada por Jesus Cristo e seus discípulos. Ao longo da história da Igreja Primitiva, o Batismo se estabeleceu como uma prática de profunda importância espiritual e simbólica para os seguidores de Cristo.

Esta Lição se propõe a explorar as origens, significados e práticas associadas ao Batismo, mergulhando na sua relevância teológica, ritualística e simbólica. Ao entendermos a base bíblica e histórica por trás dessa prática sagrada, podemos compreender melhor seu papel na vida dos crentes e na identidade da Igreja.

Embora seja uma prática de grande importância para a Igreja de Cristo, ao longo da história cristã, a prática do Batismo experimentou interpretações diversas e até desvios em relação ao seu propósito original. É crucial retornar à fonte primária, a Bíblia, para compreendermos o propósito genuíno para o qual essa prática foi instituída. Ouvir as Escrituras é fundamental para discernir o verdadeiro significado e a intenção por trás do Batismo. A Bíblia não apenas relata os eventos do Batismo praticado por João Batista, Jesus e os apóstolos, mas também fornece ensinamentos claros sobre sua importância espiritual e significado simbólico. Ela é a base para discernir o propósito original e os princípios subjacentes a essa ordenança.

Nesta Lição, buscar-se-á uma compreensão cuidadosa e abrangente das passagens bíblicas pertinentes, a fim de estabelecer uma visão sólida e fundamentada sobre o propósito correto do Batismo. Assim, poderemos discernir e distinguir entre práticas e interpretações que se alinham com as Escrituras daquelas que se desviam do seu verdadeiro propósito.

Ao permitir que a Bíblia seja a autoridade suprema na discussão sobre o Batismo, aspiramos aprofundar nosso conhecimento e compreensão desse símbolo sagrado, garantindo que a prática esteja alinhada com os ensinamentos originais e intenções de Jesus Cristo e dos apóstolos.

Dessa forma, esta Lição se propõe a aprofundar-se na riqueza espiritual e simbólica desta primeira ordenança da Igreja, buscando não apenas compreender sua importância histórica, mas também explorar sua relevância contínua para a vida e a prática da Igreja do Senhor Jesus.

I. PRESSUPOSTOS BÍBLICO-DOUTRINÁRIOS DO BATISMO

1. O Batismo visto como sacramento: a origem de um erro

A palavra "sacramento", derivada do latim sacramentum, refere-se a um sinal sagrado que, de acordo com essa perspectiva, é capaz de conferir graça divina àqueles que participam dele. A tradição católica e alguns segmentos do protestantismo histórico têm uma visão sacramental do Batismo.

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), um dos pais da igreja do século IV e V, foi uma figura influente na teologia cristã e suas ideias tiveram impacto considerável na doutrina católica. Este teólogo entendia o Batismo como um sacramento eficaz na transmissão da graça divina, mesmo que a fé da pessoa batizada fosse insuficiente ou inexistente. Essa visão sacramental, advogada por Agostinho e posteriormente adotada pela tradição católica, sugere que o Batismo é um meio pelo qual a graça de Deus é conferida e que essa graça é operante independentemente da fé pessoal daquele que é batizado. Isso implica que o Batismo é necessário para a regeneração espiritual e a remissão dos pecados, sendo um elemento essencial para a salvação.

No entanto, é importante ressaltar que as interpretações teológicas e doutrinárias variam entre as diferentes tradições cristãs. Enquanto algumas vertentes valorizam o Batismo como um sacramento que confere graça independentemente da fé, outras, como muitos segmentos do protestantismo histórico e das igrejas cristãs evangélicas, enfatizam que a salvação é pela graça mediante a fé em Jesus Cristo (Ef.2:8), não sendo o Batismo um requisito para essa salvação.

2. O Batismo não é sacramento, mas ordenança de Cristo

O ensino bíblico concernente ao Batismo é que ele é uma ordenança e não um sacramento - “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt.28:19). Esta ordenança dada por Cristo é vista como um ato de obediência e identificação pública do crente com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus.

Seguindo essa interpretação, o Batismo é considerado uma expressão externa de uma realidade espiritual já existente na vida da pessoa que se converteu a Cristo pela fé. Ou seja, não é o ato do Batismo em si que confere a graça salvífica, mas é um testemunho público da transformação interior que já ocorreu na vida do crente mediante a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Nessa perspectiva, o Batismo não é visto como um meio de obtenção da graça salvadora, mas como uma resposta de obediência à ordem de Cristo para aqueles que já experimentaram a graça de Deus por meio da fé. É um símbolo externo que representa uma realidade espiritual interna e uma identificação com a comunidade dos seguidores de Cristo.

Essa interpretação ressalta que a salvação é pela graça mediante a fé, conforme mencionado em passagens como Efésios 2:8,9, onde se afirma que a salvação é um dom gratuito de Deus, não proveniente de obras, para que ninguém se glorie. Para as Assembleias de Deus e muitas outras igrejas evangélicas, o Batismo é considerado uma ordenança ou um mandamento simbólico, mas não um sacramento que confere automaticamente a graça divina. A ênfase está na compreensão de que a salvação é pela graça mediante a fé em Jesus Cristo, conforme descrito nestes textos. Nessa perspectiva, o Batismo é uma demonstração pública da fé interior já existente no coração do crente. Ele representa a identificação do indivíduo com a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, simbolizando a transformação espiritual e o compromisso com uma nova vida em Cristo (2Co.5:17).

Portanto, para as Assembleias de Deus no Brasil e muitas outras denominações cristãs evangélicas, o Batismo é visto como uma prática obediente e simbólica realizada por aqueles que já receberam a salvação pela fé em Jesus Cristo, e não como um meio necessário para alcançar a graça salvadora de Deus. É uma expressão pública e significativa da fé e compromisso pessoal com Cristo, mas não um requisito para a salvação.

3. O Batismo deve ser administrado aos adultos

A discussão sobre o Batismo de crianças versus o Batismo de adultos tem sido um tema debatido dentro do cristianismo ao longo dos séculos. A questão está intrinsecamente ligada a interpretações teológicas e práticas eclesiásticas.

Agostinho de Hipona foi um dos proponentes da ideia de batizar bebês como forma de limpar o pecado original e garantir a salvação. Essa visão é conhecida como batismo infantil ou pedobatismo, e é praticada por várias tradições que se dizem cristãs, especialmente na tradição católica e em algumas denominações protestantes tradicionais.

No entanto, há correntes teológicas, como os adeptos do batismo de crentes adultos, que argumentam que o Batismo deve ser administrado somente a indivíduos que têm a capacidade de fazer uma decisão consciente e pessoal de seguir a Cristo. Eles se baseiam em passagens bíblicas que destacam a importância da fé e do arrependimento para receber o Batismo, como o texto de Marcos 16:16. Logo, não há vestígios no Novo Testamento de crianças sendo batizadas, pois nosso Senhor disse que o Batismo deveria ser administrado a quem cresse. Uma criança, que ainda não chegou à idade da razão não tem maturidade para crer e fazer escolhas.

A doutrina das Assembleias de Deus, assim como várias outras denominações evangélicas, adota a prática do batismo de crentes adultos, onde o Batismo é administrado somente a indivíduos que fizeram uma profissão de fé pessoal em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. É uma ordenança de obediência para aqueles que já alcançaram a salvação pela fé em Jesus Cristo.

Dentro da visão das Assembleias de Deus e de outras denominações evangélicas que seguem a prática do batismo de crentes adultos, o Batismo é considerado um ato simbólico que representa a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida em Cristo. Ele é realizado após uma decisão consciente e voluntária de seguir a Cristo e representa uma identificação pública com a comunidade cristã e a fé em Jesus como Salvador pessoal.

A ausência de referências específicas ao Batismo de crianças no Novo Testamento e a ênfase nas Escrituras sobre a importância da fé e da conversão pessoal têm influenciado a posição das Assembleias de Deus e de outras denominações em relação ao Batismo. Elas enfatizam a necessidade de maturidade espiritual e entendimento pessoal antes de receber o Batismo, algo que, segundo essa perspectiva, as crianças pequenas ainda não têm.

Assim, a prática do batismo de crentes adultos é uma característica fundamental da doutrina das Assembleias de Deus e de várias denominações evangélicas, baseada na compreensão bíblica da natureza do Batismo como uma ordenança para os crentes convertidos que professam sua fé em Cristo.

II. O SÍMBOLO E O PROPÓSITO DO BATISMO

1. Símbolo do Batismo: Identificação com Cristo

O Batismo por imersão, como descrito pelo apóstolo Paulo em Romanos 6:3-5 e também mencionado em Colossenses 2:12, é considerado um dos símbolos mais profundos e significativos na vida do cristão, representando a identificação íntima e espiritual do crente com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Esses textos enfatizam a importância espiritual e simbólica do Batismo por imersão como um testemunho público da fé e identificação do crente com a obra redentora de Cristo. É mais do que um ritual; é uma demonstração externa de uma realidade interior, uma decisão consciente de seguir a Cristo e ser transformado por Ele.

A imersão no Batismo é vista como um símbolo visual poderoso. Quando o crente é mergulhado na água, simboliza sua união com a morte de Cristo, onde a antiga natureza pecaminosa é representada como morta e sepultada. O ato de ser imerso na água representa um enterro simbólico da vida anterior, uma morte para o pecado e uma separação da velha natureza. Essa morte simbólica está alinhada com a morte de Cristo na cruz, onde Ele morreu pelos pecados da humanidade. O momento em que o crente emerge da água simboliza a ressurreição para uma nova vida em Cristo. Assim como Cristo ressuscitou dos mortos, o batizado emerge da água para uma nova vida espiritual, uma vida transformada e redimida, agora vivendo em comunhão com Cristo.

Portanto, o Batismo por imersão é considerado um dos marcos fundamentais na jornada espiritual do crente, representando a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida em Cristo, conforme ensinado e exemplificado pelo próprio Jesus e reafirmado nas epístolas do Novo Testamento.

2. O Propósito do Batismo: Testemunho público da fé cristã

O Batismo, conforme descrito no contexto da fé bíblica, é uma profissão pública de fé. É um ato de testemunho visível diante de outros crentes e do mundo em geral, representando a decisão consciente e pessoal de seguir a Cristo e se identificar com Ele.

Vamos explorar alguns pontos fundamentais sobre o propósito e significado do Batismo como um testemunho público da fé cristã:

a)   Profissão de Fé Pública (Atos 2:41). O ato de ser batizado é uma declaração pública da fé pessoal em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Ao ser batizado, o crente está testemunhando sua aceitação do evangelho e sua identificação com Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição.

b)   Símbolo de Identificação com Cristo. O Batismo simboliza a união do crente com a morte e ressurreição de Jesus. É uma representação visível de morrer para a velha vida de pecado e ressurgir para uma nova vida em Cristo.

c)   Conscientização e Convicção. Antes de serem batizadas, as pessoas devem estar conscientes e convictas da fé que abraçaram. Isso implica um entendimento da mensagem do evangelho, um compromisso pessoal com Cristo e uma vontade de seguir Seus ensinamentos.

d)   Não há Neutralidade (Cl.2:6). O Batismo não é um ato neutro; é uma declaração pública de alinhamento com Cristo. Aqueles que buscam o Batismo devem estar comprometidos com a fé cristã e prontos para viver de acordo com os princípios e ensinamentos de Jesus.

e)   Para os Salvos e Convertidos (Atos 8:12; 16:14,15). Na prática bíblica, o Batismo é reservado para aqueles que já experimentaram a salvação pela fé em Cristo. É observado após a conversão e não como um meio de obtenção da salvação, mas como uma resposta de obediência à ordenança de Cristo.

Em suma, o Batismo é muito mais do que um ritual; é um testemunho público da fé e um passo inicial na jornada do discipulado cristão. Ele representa a transformação interior que ocorreu na vida do crente e sua disposição em seguir a Cristo de forma pública e visível.

3. Não há espaço para indecisão

Algumas pessoas indecisas podem relutar em receber o Batismo por várias razões. Isso pode ser resultado de uma compreensão equivocada do Batismo ou de uma falta de convicção de fé.

ü  Ignorância ou mal-entendido sobre o Batismo. Alguns crentes podem relutar em receber o Batismo devido a uma falta de compreensão sobre o seu significado e propósito. Muitos entendem que após ser batizado não pode mais cometer qualquer tipo de falha. Embora a Bíblia mostre que o crente deve evitar o pecado (1João 2:1), contudo, o Batismo não pode ser visto como uma vacina que imuniza o cristão contra o pecado. É fundamental ensinar e esclarecer o propósito bíblico do Batismo como um símbolo de identificação com Cristo, não como uma vacina contra o pecado, mas como um passo de obediência e testemunho público de fé.

ü  Falta de Convicção de Fé ou falta de Conversão. Em outros casos, as pessoas podem relutar em ser batizadas porque ainda não têm uma fé genuína em Cristo ou não estão dispostas a abandonar o estilo de vida pecaminoso. Essas pessoas podem estar cientes das implicações do Batismo, mas ainda não estão verdadeiramente convertidas ou não estão dispostas a renunciar aos padrões do mundo em favor de uma vida centrada em Cristo.

O Batismo, conforme ensinado nas Escrituras, não é um mecanismo para eliminar ou prevenir o pecado. Ele é um símbolo de uma transformação espiritual interna e um compromisso público com Jesus Cristo. A vida cristã e a vitória sobre o pecado vêm através do poder do Espírito Santo e de uma caminhada diária em obediência a Deus, conforme mencionado em Gálatas 5:16.

Em resumo, a relutância em ser batizado pode ser resultado de mal-entendidos sobre o Batismo ou de uma falta de compromisso genuíno com Cristo. É importante que os crentes recebam ensino adequado sobre o significado bíblico do Batismo e entendam que a verdadeira transformação e vitória sobre o pecado vêm por meio da fé em Cristo e da orientação do Espírito Santo em suas vidas.

III. A FÓRMULA E O MÉTODO DO BATISMO

1. Fórmula trinitária do Batismo

O Batismo cristão, conforme instruído por Jesus Cristo na passagem da Grande Comissão registrada em Mateus 28:19, é considerado uma ordenança fundamental na prática da fé cristã. Jesus orientou seus discípulos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Esta fórmula trinitária mencionada por Jesus enfatiza a importância da Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - na vida do crente e na administração do batismo.

A expressão "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" revela a compreensão cristã da divindade como uma realidade triúna, ou seja, um único Deus subsistindo em três pessoas coiguais e coeternas: o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. Essa formulação trinitária é central na fé cristã e destaca a natureza complexa, porém indivisível, de Deus. A invocação do nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo no batismo é vista como uma afirmação da fé cristã na Trindade, reconhecendo a ação conjunta das três pessoas divinas na vida do crente. Essa prática representa a entrada do indivíduo na comunidade cristã, tornando-se parte do Corpo de Cristo, a Igreja.

Além disso, a fórmula trinitária do batismo não é apenas uma formalidade ritualística; ela tem profundo significado teológico e espiritual para os cristãos. Através dela, os fiéis são convidados a viverem uma vida de comunhão com o Deus triúno, buscando seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e sendo capacitados pelo Espírito Santo para testemunhar e viver de acordo com os princípios do Evangelho.

Em resumo, a fórmula trinitária do batismo, conforme orientada por Jesus na Grande Comissão, representa a crença fundamental na natureza triúna de Deus e é um símbolo poderoso da fé cristã, marcando a entrada do indivíduo na Igreja e seu compromisso com a fidelidade e lealdade a Cristo Jesus.

2. Fórmula herética do Batismo

Dentro da tradição cristã, existem diferentes interpretações e práticas em relação ao batismo e à fórmula usada para esta prática. O unicismo, ou modalismo, é uma doutrina que difere da visão trinitária clássica, negando a existência de três pessoas distintas na Divindade. Em vez disso, considera que Deus se manifesta em três modos ou manifestações diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo são entendidos como aspectos ou formas de uma única pessoa divina.

Os adeptos do unicismo geralmente defendem o batismo em nome de Jesus Cristo, citando passagens do livro de Atos, como Atos 2:38 e Atos 19:5, para apoiar sua prática. Em ambas as passagens, há menção ao batismo em nome de Jesus, o que é interpretado por esses grupos como um mandato para batizar exclusivamente nesse nome. No entanto, é importante observar que esses versículos não negam a fórmula trinitária do batismo ou a doutrina da Trindade. O uso do nome de Jesus no batismo nestes versículos pode ser entendido dentro do contexto da autoridade e ensinamentos de Jesus, sem necessariamente excluir a compreensão trinitária. A interpretação desses textos deve considerar o contexto cultural, histórico e teológico em que foram escritos. O livro de Atos descreve eventos específicos na história da Igreja primitiva, e o uso do nome de Jesus no batismo pode ser entendido como uma ênfase na autoridade e no senhorio de Jesus Cristo.

3. Imersão: o método bíblico do Batismo

O contexto do Novo Testamento mostra claramente que o Batismo nos dias bíblicos era por imersão. A palavra grega "baptizo", mencionada nos textos bíblicos sobre o batismo possui uma raiz que se relaciona com a ideia de imergir, mergulhar ou submergir. Isso é frequentemente usado para apoiar a ideia de que o batismo praticado nos tempos bíblicos era, de fato, por imersão. Vários textos bíblicos mostram a prática bíblica do Batismo por imersão: o povo saía para ser batizado por João no (dentro de) rio Jordão (Mc.1:5); da mesma forma, quando foi batizado, Jesus “saiu da água” (Mc.1:10); João batizava onde havia muita água (João 3:23).

Entretanto, diferentes denominações cristãs adotaram práticas distintas em relação ao batismo. Algumas denominações insistem na imersão completa como o método correto e essencial, enquanto outras aceitam a aspersão como uma prática válida. Essa divergência muitas vezes reflete interpretações teológicas, tradições denominacionais e compreensões específicas sobre os textos bíblicos.

A Assembleia de Deus, assim como algumas outras denominações cristãs, pratica o batismo por imersão. A base para essa prática é justamente a interpretação dos textos bíblicos que mencionam o batismo, como os exemplos que descrevem João batizando no rio Jordão e Jesus saindo da água após ser batizado.

A Assembleia de Deus, assim como muitas outras denominações evangélicas, segue essa interpretação específica dos textos bíblicos e considera que a imersão na água é a forma correta e simbolicamente significativa do batismo, em consonância com a prática observada no Novo Testamento. Para eles, o ato de imergir a pessoa na água e trazê-la novamente à superfície simboliza a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida em Cristo, refletindo a própria morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Esta interpretação dos textos bíblicos e a prática subsequente do batismo por imersão são elementos centrais da teologia e prática da Assembleia de Deus e de várias outras igrejas que compartilham essa visão. É uma expressão importante de sua fé e compreensão das Escrituras Sagradas.

CONCLUSÃO

Embora não seja considerado como um meio de salvação em si mesmo, o batismo é uma ordenança importante estabelecida por Jesus Cristo para os crentes. Ao ser batizado, a pessoa está simbolicamente identificando-se com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. É um ato público de profissão de fé, onde o indivíduo demonstra sua decisão de seguir a Cristo e de se tornar parte da Igreja Local. O batismo também é visto como um passo de obediência ao mandamento de Jesus aos seus discípulos, registrado no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 19 e 20, conhecido como a Grande Comissão, onde Ele instruiu seus seguidores a batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Portanto, embora não seja o meio de alcançar a salvação, o batismo é uma prática importante e significativa para os crentes, pois representa um compromisso público com a fé cristã, simboliza a identificação com Cristo e serve como um ato de obediência aos ensinamentos de Jesus. É uma maneira de testemunhar e celebrar a fé cristã na Igreja de Jesus Cristo.