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CONFESSANDO E ABANDONANDO O PECADO

 
Texto Base: Salmos 51:1-12; 1João 1:8-10
“O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13).

Salmos 51:

1.Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.

2.Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado.

3.Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.

4.Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares.

5.Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

6.Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.

7.Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.

8.Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

9.Esconde a tua face dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.

10.Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto.

11.Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo.

12.Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário.

1João 1:

8.Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.

9.Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

10.Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

INTRODUÇÃO

Na caminhada cristã, a questão do pecado é central e inevitável. Desde os primórdios da fé cristã, os seguidores de Jesus foram confrontados com a realidade do pecado em suas vidas e a necessidade de lidar com ele de maneira adequada. A Bíblia nos ensina que o pecado é uma barreira entre nós e Deus, e que a confissão e o abandono do pecado são essenciais para restaurar nosso relacionamento com Ele.

Nestes tempos modernos, há uma minimização da importância da confissão do pecado, atribuindo-o a meras influências ambientais e hereditárias. No entanto, a Bíblia nos ensina de forma clara e inequívoca sobre a realidade do pecado e suas consequências perigosas para a vida do crente.

O apóstolo João, em sua Epístola, destaca a gravidade do pecado e a necessidade de confessá-lo diante de Deus. Segundo ele, o pecado não pode ser ignorado ou justificado, mas deve ser reconhecido, confessado e abandonado como evidência genuína de arrependimento. Somente assim o crente arrependido pode receber o perdão misericordioso de Deus (1João 1:9; cf. Salmo 32:5).

O estudo desta Lição nos levará a uma compreensão mais profunda da importância da confissão e do abandono do pecado em nossa jornada cristã. Exploraremos a importância vital de confessar e abandonar o pecado em nossa jornada cristã, examinando o que a Bíblia nos ensina sobre esse tema fundamental.

I. A CONFISSÃO DE PECADO

1. Definição

A confissão de pecados, conforme definida na Bíblia, envolve reconhecer, admitir e declarar diante de Deus a realidade e a gravidade das nossos culpas. No Antigo Testamento, o verbo hebraico "yadah" sugere a ideia de lançar ou estender a mão (1Reis 8:33), denotando um ato de exposição e reconhecimento diante de Deus. É um ato de tomar conhecimento, saber e reconhecer os próprios pecados diante de Deus. Esse conceito é exemplificado em passagens como o Salmo 32:5, onde o salmista declara: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado".

No Novo Testamento, o verbo grego "homologéo" traz a ideia de concordar com, consentir, conceder. Envolve uma confissão aberta e franca dos nossos pecados diante de Deus. Este tipo de confissão é fundamental para a nossa comunhão com Deus e para recebermos o Seu perdão, como nos ensina 1João 1:9: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça".

Além disso, o verbo grego "eksomologéo", que significa profetizar, reconhecer abertamente para a honra de alguém, também é relevante (Mt.3:6). Ele destaca a importância de uma confissão pública e aberta dos nossos pecados, reconhecendo a soberania e a santidade de Deus. Quando confessamos os nossos pecados, estamos declarando publicamente a nossa fé em Deus e o nosso compromisso em viver de acordo com os Seus mandamentos.

Portanto, a confissão de pecados é um ato essencial para a vida cristã, pois nos permite reconhecer a nossa necessidade do perdão de Deus, nos reconciliar com Ele e restaurar a nossa comunhão com o Senhor.

2. A confissão bíblica de pecado

A confissão bíblica de pecado é um princípio fundamental na vida do crente, conforme ensinado nas Escrituras. Ela envolve o reconhecimento e a admissão sincera dos nossos pecados diante de Deus. Este ato de confissão é vital para experimentarmos o perdão de Deus e a restauração da nossa comunhão com Ele (Sl.32:5; 1João 1:9).

O Salmo 32:5 nos mostra a importância da confissão de pecados para recebermos o perdão divino: "Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado". Além disso, 1João 1:9 nos assegura que, se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.

Essa confissão pode ocorrer no momento da conversão, quando reconhecemos a nossa condição de pecadores diante de Deus e nos arrependemos dos nossos pecados. No entanto, também é importante praticar a confissão contínua ao longo da vida cristã, pois todos nós continuamos a pecar e necessitamos do perdão de Deus (1João 1:8). Há uma recomendação clássica do apóstolo João para todos nós: “Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Mas, se alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1João 2:1).

Além disso, a confissão de pecados não se limita apenas a Deus, mas também pode envolver a confissão diante de outras pessoas, especialmente quando nossos pecados afetam diretamente essas pessoas. Jesus nos ensina em Mateus 5:23,24 sobre a importância de nos reconciliarmos com nosso irmão antes de apresentarmos nossas ofertas a Deus, destacando a necessidade de resolver conflitos e fazer as pazes.

Em suma, a confissão bíblica de pecado é um elemento crucial para uma vida cristã saudável e frutífera. Ela nos permite manter uma comunhão íntima com Deus, experimentar o Seu perdão e crescer em santidade e maturidade espiritual.

3. O símbolo da confissão de pecado

O símbolo da confissão de pecado é um gesto de humildade, arrependimento e submissão diante de Deus. Ele representa a consciência da nossa própria indignidade e pecaminosidade diante da santidade do Senhor (Rm.3:10-12). Quando nos aproximamos de Deus em confissão, reconhecemos nossa necessidade de perdão e restauração espiritual.

Esse símbolo também expressa nossa fé na promessa divina de perdão. Ao confessarmos nossos pecados, estamos colocando nossa confiança na fidelidade e na justiça de Deus, que promete perdoar aqueles que se arrependem sinceramente (1João 1:9). É um ato de fé que demonstra nossa convicção de que Deus é misericordioso e está pronto para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (Pv.28:13).

Além disso, a confissão de pecados é um símbolo de renovação espiritual. Ao reconhecermos nossos pecados diante de Deus, estamos abrindo espaço para que Ele opere em nós, restaurando-nos e transformando-nos à Sua imagem. Esse processo de confissão e perdão é essencial para nossa caminhada de santificação e crescimento espiritual (2Coríntios 7:10).

Portanto, o símbolo da confissão de pecado representa não apenas um reconhecimento dos nossos erros, mas também uma resposta de fé na graça e no amor de Deus. É um ato de humildade e submissão que nos conduz à restauração da comunhão com o Pai e ao fortalecimento da nossa vida espiritual.

II. O PERIGO DO PECADO NÃO CONFESSADO

1. Os males dos pecados não confessados

Os males dos pecados não confessados são diversos e têm profundas ramificações em nossa vida espiritual, emocional e até mesmo física.

Em primeiro lugar, o pecado não confessado cria uma barreira na nossa comunhão com Deus. Ele gera um afastamento entre nós e o Senhor, pois o pecado é incompatível com a santidade divina (Isaías 59:2). Isso resulta em uma sensação de vazio espiritual, falta de paz e intimidade com Deus.

Além disso, o pecado não confessado pode levar à deterioração da nossa saúde espiritual. Ele nos torna mais vulneráveis às investidas do inimigo e nos impede de experimentar o pleno gozo da vida cristã. O peso do pecado não confessado pode nos sobrecarregar, gerando sentimento de culpa, vergonha e condenação.

Outra consequência de pecados não confessados é o dano aos relacionamentos interpessoais. O pecado não confessado pode causar mágoas, ressentimentos e divisões entre nós e os outros. Ele cria um ambiente de desconfiança e hostilidade, minando a harmonia e a paz nos relacionamentos.

Além disso, os pecados não confessados têm o potencial de se tornarem padrões de comportamento arraigados, levando-nos a uma espiral descendente de transgressão e afastamento de Deus. Quanto mais alimentamos o pecado em nossa vida, mais ele nos escraviza e nos afasta da vontade de Deus. Veja alguns textos bíblicos que justificam esta tese:

ü  Hebreus 3:13: "Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado". Este versículo destaca como o pecado pode endurecer o coração de uma pessoa, tornando-se um padrão de comportamento que leva ao afastamento de Deus.

ü  Efésios 4:22-24: "Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade". Este texto destaca a necessidade de abandonar os padrões pecaminosos do passado e ser renovado em Cristo.

ü  1João 1:8: "Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós". Este verso ressalta a importância de reconhecermos nossos pecados e não os negar, pois a negação pode levar a um ciclo contínuo de pecado e afastamento de Deus.

ü  Romanos 6:16: "Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?". Este versículo destaca como a escolha de seguir o pecado pode levar a uma escravidão cada vez maior a ele, afastando-nos da justiça de Deus.

Esses versículos e outros mais nos alertam sobre os perigos de permitir que os pecados não confessados se enraízem em nossas vidas, destacando a importância da confissão, do arrependimento e da renovação em Cristo para evitar esse ciclo de transgressão e afastamento de Deus.

Por fim, os pecados não confessados podem ter consequências práticas em nossa vida diária, levando-nos a colher as consequências naturais de nossas ações pecaminosas. Isso pode incluir problemas financeiros, problemas de saúde, dificuldades no trabalho e em outras áreas da vida.

Portanto, é vital reconhecer a gravidade dos pecados não confessados e buscar a restauração por meio da confissão sincera diante de Deus. Somente assim podemos experimentar o perdão, a cura e a restauração que Ele oferece em Cristo Jesus.

2. As consequências do pecado de Adão e Eva

As consequências do pecado de Adão e Eva têm repercussões profundas e duradouras não apenas em suas vidas, mas também na condição humana e na natureza como um todo. Aqui estão algumas dessas consequências:

a)   Morte espiritual. O pecado de Adão e Eva resultou na separação espiritual de Deus. Antes do pecado, eles desfrutavam de uma comunhão íntima com o Criador, mas após sua desobediência, eles se esconderam da presença de Deus (Gn.3:8). Essa separação espiritual afetou não apenas eles, mas toda a humanidade, tornando todos os seres humanos sujeitos à morte espiritual, ou seja, a separação de Deus (Rm.5:12).

b)   Morte física. Além da morte espiritual, o pecado também trouxe a morte física para a humanidade. Deus disse a Adão que, no dia em que ele comesse do fruto proibido, certamente morreria (Gn.2:17). Embora Adão e Eva não tenham morrido imediatamente, sua desobediência inaugurou a entrada da morte física no mundo, afetando toda a raça humana (Rm.5:12).

c)   Maldição da natureza. A queda de Adão e Eva também resultou em maldições sobre a natureza e o mundo ao seu redor. Deus pronunciou maldições sobre a terra por causa do pecado deles, tornando o trabalho árduo e difícil (Gn.3:17-19). A criação foi sujeita à futilidade e à corrupção devido ao pecado humano (Rm.8:20-22).

d)   Separação de Deus. A maior tragédia do pecado de Adão e Eva foi a separação de Deus. Eles foram expulsos do jardim do Éden, perdendo o privilégio da comunhão direta e da presença de Deus (Gn.3:23,24). Essa separação de Deus é uma realidade para toda a humanidade, a menos que se reconcilie com Ele por meio de Jesus Cristo (Rm.5:10).

Essas consequências do pecado de Adão e Eva mostram a gravidade do pecado e suas ramificações não apenas nas vidas individuais, mas também na condição humana e na criação como um todo.

3. As consequências do pecado de Davi

As consequências do pecado de Davi foram profundas e impactantes, não apenas em sua própria vida, mas também na vida de sua família e no reino de Israel. Aqui estão algumas dessas consequências:

a)   Conflito e culpa. Após seu pecado com Bate-Seba e o assassinato de Urias, Davi enfrentou um intenso conflito interno e um profundo sentimento de culpa. Embora tenha tentado ocultar seu pecado inicialmente, sua consciência o perturbava, levando-o a um estado de aflição moral e espiritual (2Sm.11,12).

b)   Consequências familiares. O pecado de Davi teve um impacto devastador em sua própria família. Sua casa foi marcada por tragédias, incluindo a rebelião de Absalão e a violação de Tamar por Amnom (2Sm.13-18). Esses eventos trágicos foram consequências diretas do pecado de Davi e contribuíram para o cumprimento da profecia de que a espada nunca se apartaria de sua casa (2Sm.12:10).

c)   Enfermidades morais. Davi experimentou enfermidades morais e espirituais como resultado de seu pecado não confessado. O Salmo 32 descreve a angústia que ele experimentou enquanto tentava ocultar seu pecado e o alívio que encontrou ao confessá-lo diante de Deus (Sl.32:3-5). Sua recusa inicial em confessar seu pecado resultou em um enfraquecimento espiritual progressivo.

d)   Arrependimento e perdão. Finalmente, as consequências do pecado de Davi incluíram um profundo arrependimento e busca pelo perdão de Deus. O Salmo 51 é uma expressão sincera de arrependimento, confissão e busca por restauração espiritual (Sl.51:1-17). Davi reconheceu seus erros, clamou pela misericórdia de Deus e expressou seu desejo por um coração puro e restaurado.

Em suma, as consequências do pecado de Davi destacam a seriedade e o impacto devastador do pecado na vida de um crente. No entanto, também destacam a graça redentora de Deus e a importância do arrependimento sincero e da confissão para a restauração espiritual.

III. CONFISSÃO DE PECADO: UM CAMINHO DE CURA E RESTAURAÇÃO

1. Confessando o pecado a Deus

A prática da confissão de pecados a Deus é fundamental na jornada espiritual de todo crente. Ela não apenas nos permite reconhecer nossas falhas e erros diante de Deus, mas também nos abre o caminho para a restauração espiritual, cura e perdão. Em 1João, lemos que os nossos pecados devem ser confessados a Cristo (1João 1:7-9).

De acordo com o ensino bíblico, o perdão dos pecados é uma prerrogativa exclusiva de Deus, concedido por meio de Jesus Cristo, Seu Filho. Jesus, durante Seu ministério terreno, demonstrou repetidamente Sua autoridade para perdoar pecados, o que evidencia Sua divindade e papel mediador entre Deus e os homens. Quando Jesus disse à mulher pecadora que seus pecados estavam perdoados (Lucas 7:48), Ele estava declarando Sua autoridade divina para conceder perdão e restauração espiritual. Essa interação revela a natureza compassiva e misericordiosa de Jesus, que está pronto para perdoar os pecados daqueles que se voltam para Ele em arrependimento e fé.

Portanto, ao confessarmos nossos pecados a Deus, devemos fazê-lo por intermédio de Jesus Cristo, reconhecendo-O como nosso Salvador e Mediador (1Tm.2:05). É por meio da obra redentora de Cristo na cruz que podemos ter acesso ao perdão de Deus e experimentar a restauração espiritual e a reconciliação com o Pai celestial.

Assim, a confissão de pecados não é apenas uma questão de admitir nossas falhas, mas também de nos voltarmos para Jesus, confiando em Seu sacrifício expiatório como a base de nosso perdão e salvação.

Aqui estão alguns pontos importantes sobre confessar o pecado a Deus:

a)   Reconhecimento da culpa. Ao confessarmos nossos pecados a Deus, reconhecemos nossa culpa e nossa necessidade do perdão divino. Isso envolve uma postura de humildade diante do Senhor, reconhecendo nossa condição pecaminosa e nossa dependência de Sua graça.

b)   Busca pelo perdão. A confissão de pecados é um ato de buscar o perdão de Deus. Reconhecemos que pecamos contra Ele e buscamos Sua misericórdia e perdão, confiando na obra redentora de Jesus Cristo na cruz. É por meio do sacrifício de Cristo que podemos encontrar perdão e reconciliação com Deus.

c)   Restauração espiritual. Ao confessarmos nossos pecados a Deus, experimentamos uma restauração espiritual em nossa vida. O perdão de Deus nos liberta do peso do pecado e nos renova espiritualmente, restaurando nossa comunhão com Ele e nos capacitando a viver uma vida de santidade e retidão.

d)   Caminho de cura. A confissão de pecados também é um caminho de cura para a alma. Ao reconhecermos nossos pecados diante de Deus, somos purificados de toda injustiça e encontramos cura para as feridas espirituais causadas pelo pecado. A confissão nos permite deixar para trás o peso do passado e avançar em direção a uma vida de paz e plenitude em Cristo.

Portanto, confessar o pecado a Deus não é apenas um dever, mas também uma oportunidade para experimentarmos Sua graça transformadora em nossas vidas. É um ato de fé, humildade e confiança na bondade e no perdão do nosso Pai celestial, que nos ama e deseja nos restaurar para uma comunhão íntima com Ele.

2. Alcançando cura e restauração

Alcançar cura e restauração por meio da confissão e do abandono do pecado é uma jornada espiritual fundamental na vida do crente. Provérbios 28:13 nos alerta sobre as consequências de ocultar nossos pecados, destacando que esse caminho apenas leva ao sofrimento espiritual e emocional. No entanto, ao optarmos pela humildade de confessar nossos pecados diante de Deus, experimentamos Seu perdão e restauração.

A confissão de pecados é o primeiro passo para a cura espiritual. Ao reconhecermos nossas falhas e nos arrependermos sinceramente, abrimos espaço para que a graça de Deus opere em nossas vidas. Isso nos permite desfrutar das misericórdias do Senhor e experimentar um alívio para a alma, conforme destacado em Provérbios 28:13. A renúncia ao orgulho e à soberba nos conduz a um relacionamento mais profundo com Deus, baseado na humildade e na dependência Dele.

A eficácia do ministério da reconciliação de Deus por meio de Jesus Cristo é evidenciada quando nos entregamos a Ele em confissão e arrependimento. Como afirmado em 2Coríntios 5:18, fomos reconciliados com Deus por intermédio de Cristo, e essa reconciliação traz consigo a promessa de perdão e restauração. Ao seguirmos o exemplo do salmista, que confessou seu pecado diante de Deus e encontrou perdão (Salmo 51:3,5), somos capacitados a experimentar a mesma cura e restauração espiritual.

Portanto, alcançar cura e restauração por meio da confissão e do abandono do pecado é um processo transformador que nos aproxima de Deus e nos permite viver em paz e comunhão com Ele. É uma jornada de renovação espiritual que nos liberta das amarras do pecado e nos conduz à plenitude da vida em Cristo.

CONCLUSÃO

O ato de confessar e abandonar o pecado é essencial para a vida cristã. Encobrir o pecado e viver uma vida espiritual superficial apenas nos afasta de Deus e nos aprisiona em um ciclo de culpa e vergonha. No entanto, ao reconhecermos nossas falhas, confessá-las diante de Deus e decidirmos abandoná-las, abrimos espaço para a restauração e o perdão divinos.

A confissão do pecado é um ato de humildade e sinceridade diante de Deus, que nos permite experimentar Seu perdão e misericórdia. É um passo fundamental na busca pela cura espiritual e pela restauração do relacionamento com o Criador. Além disso, o abandono do pecado demonstra nosso compromisso com uma vida de santidade e obediência a Deus.

Ao trilharmos o caminho da confissão e do abandono do pecado, somos conduzidos à plenitude da vida em Cristo. Encontramos paz, alegria e comunhão genuína com Deus, desfrutando das inúmeras misericórdias que Ele nos oferece. Portanto, que possamos seguir fielmente esse caminho, confiando na graça e no poder transformador de Deus para nos guiar em nossa jornada de fé e crescimento espiritual.

O PERIGO DA MURMURAÇÃO

 

Texto Base: Êxodo 16:1-7; 1Corintios 10:10,11.

“E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor“ (1Corintios 10:10).

Êxodo 16:

1.E, partidos de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois que saíram da terra do Egito.

2.E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto.

3.E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.

4.Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não.

5.E acontecerá, ao sexto dia, que prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia.

6.Então, disse Moisés e Arão a todos os filhos de Israel: À tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egito,

7.e amanhã vereis a glória do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor; porque quem somos nós para que murmureis contra nós? 

1Corintios 10:

10.E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor.

11.Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. 

INTRODUÇÃO

Na caminhada espiritual do cristão, a murmuração representa um perigo sutil, capaz de minar a fé e a comunhão entre os irmãos. Ao longo das Escrituras, encontramos exemplos marcantes que ilustram as consequências desastrosas desse comportamento. Desde os tempos do Antigo Testamento, como registrado em Números 14:27, até as orientações apostólicas do Novo Testamento, como em Filipenses 2:14, a murmuração é tratada como um obstáculo à vida cristã frutífera e harmoniosa.

Nesta Lição, exploraremos o perigo representado pela murmuração, analisando suas causas, consequências e como podemos superá-la em nossa caminhada de fé.

I. A MURMURAÇÃO NA BÍBLIA

1. O que é murmurar?

Segundo as Escrituras Sagradas, “murmurar” é mais do que simplesmente expressar descontentamento ou queixas; envolve uma atitude de desaprovação constante, acompanhada por uma disposição de coração rebelde e crítica. As palavras hebraicas e gregas usadas para descrever a murmuração sugerem um murmúrio baixo, uma expressão de descontentamento em um tom sussurrante, muitas vezes feito secretamente ou em conspiração contra alguém ou algo.

ü  No hebraico: verbo "liyn". Este termo significa "resmungar" ou "queixar-se". É usado em passagens como Números 14:36 para descrever a murmuração dos israelitas no deserto.

ü  No grego: verbo "goggúzõ". Esta palavra grega significa "murmurar", "queixar-se" ou "dizer algo contra, em um tom baixo". É usada, por exemplo, em João 7:32, onde descreve a murmuração das pessoas contra Jesus.

Essa atitude de murmuração pode se manifestar de várias formas, desde reclamações abertas e diretas até comentários negativos feitos nas entrelinhas, insinuações e fofocas.

A murmuração pode surgir em momentos de dificuldade, frustração, ou mesmo em situações aparentemente triviais do cotidiano.

No contexto bíblico, vemos exemplos de murmuração contra Deus, líderes espirituais e até mesmo entre irmãos. Os israelitas, por exemplo, murmuraram repetidamente durante sua jornada no deserto, questionando a liderança de Moisés e rebelando-se contra as instruções de Deus. Essa murmuração resultou em consequências graves e até mesmo em punição divina.

Veja alguns exemplos na Bíblia:

a)    Murmuração contra Deus:

·         Êxodo 16:2,3. Os israelitas murmuraram contra Moisés e Arão no deserto, mas sua queixa era contra Deus, pois reclamavam da falta de comida.

·         Números 14:27-29. Os israelitas murmuraram contra Deus no deserto após os relatos dos espias sobre a terra prometida.

b)   Murmuração contra líderes espirituais:

·         Números 16:11. Corá, Datã e Abirão murmuraram contra Moisés e Arão, questionando sua liderança e autoridade designadas por Deus.

·         1Samuel 8:6-8. O povo de Israel murmurou contra o governo teocrático liderado por Samuel e pediu um rei humano.

c)    Murmuração entre irmãos:

·         Atos 6:1,2. Houve murmuração entre os discípulos porque as viúvas gregas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de alimentos.

·         1Coríntios 1:10. Paulo exorta os crentes em Corinto a não haver divisões entre eles, indicando a presença de murmuração e desunião na igreja.

Esses são apenas alguns exemplos que demonstram como a murmuração pode se manifestar em diferentes contextos e relacionamentos no meio do povo de Deus, mostrando a importância de combater essa atitude com amor, paciência e respeito mútuo.

Portanto, murmurar não é apenas uma expressão de descontentamento, mas uma postura de rebeldia e falta de fé. É uma tentativa de minar a autoridade e a vontade de Deus, bem como a harmonia e unidade entre os irmãos.

2. O comportamento dos murmuradores

O comportamento dos murmuradores, conforme observado nos relatos bíblicos, é caracterizado por uma série de atitudes e padrões de pensamento que revelam uma falta de contentamento, gratidão e confiança em Deus. Aqui estão algumas características desse comportamento:

a)   Ingratidão. Os murmuradores frequentemente expressam insatisfação e reclamações em relação às circunstâncias da vida, mesmo quando têm sido abençoados por Deus. Eles se esquecem das bênçãos recebidas e se concentram nos aspectos negativos.

·         Em Números 11:4-6, o povo de Israel murmura contra Moisés e expressa desejo de voltar ao Egito, desconsiderando as bênçãos que receberam de Deus.

·         Em Salmos 106:25, o salmista descreve a murmuração dos israelitas no deserto, destacando sua falta de gratidão pelos milagres e livramentos de Deus.

b)   Falta de confiança em Deus. A murmuração muitas vezes reflete uma falta de fé e confiança em Deus. Em vez de confiar na providência divina e na sabedoria de Deus, os murmuradores duvidam do cuidado e da provisão de Deus para suas vidas.

·         Em Números 14:2,3, os israelitas duvidam da capacidade de Deus de levá-los à Terra Prometida, mesmo após testemunharem Seus poderosos feitos.

·         Em Mateus 6:25-34, Jesus exorta Seus seguidores a confiar na providência divina e não se preocuparem com as necessidades materiais.

c)   Crítica e negatividade. Os murmuradores tendem a criticar constantemente os outros e a situação ao seu redor. Eles destacam o que está errado em vez de reconhecer o que é bom e louvável.

·         Em Números 12:1,2, Miriã e Arão criticam Moisés por causa de sua esposa, demonstrando uma atitude crítica e negativa.

·         Em Filipenses 2:14,15, Paulo instrui os filipenses a fazerem todas as coisas sem murmurações nem contendas, para que possam brilhar como luzes no mundo.

d)   Descontentamento constante. Murmuradores estão sempre em busca do que falta, em vez de apreciar o que já têm. Eles nunca estão satisfeitos e estão sempre procurando razões para reclamar.

·         Em Êxodo 16:2,3, o povo de Israel murmura por causa da falta de comida no deserto, mesmo após Deus ter acabado de libertá-los da escravidão no Egito.

·         Em Filipenses 4:11,12, Paulo aprendeu a estar contente em todas as circunstâncias, demonstrando a importância do contentamento em todas as situações.

e)   Falta de humildade e submissão. A murmuração muitas vezes revela um coração orgulhoso e teimoso, que se recusa a se submeter à vontade de Deus e às autoridades estabelecidas por Ele.

·         Em Números 16:1-3, Corá, Datã e Abirão se rebelam contra Moisés e Arão, desejando para si mesmos uma posição de liderança que não lhes foi dada por Deus.

·         Em Hebreus 13:17, os crentes são instruídos a obedecer e submeter-se aos líderes espirituais, reconhecendo sua autoridade e ensinamentos.

Essas características mostram como o comportamento dos murmuradores pode ser prejudicial não apenas para sua própria saúde espiritual e emocional, mas também para a unidade e o testemunho da comunidade de fé como um todo. Portanto, é crucial cultivar uma atitude de gratidão, confiança em Deus e contentamento em todas as circunstâncias da vida.

3. O crente murmurador

O crente murmurador é alguém que, apesar de afirmar sua fé em Cristo e possuir o Espírito Santo em sua vida, se entrega à prática da murmuração. Isso revela uma falta de disciplina espiritual e um descuido com as virtudes do Espírito Santo, como mencionado em Gálatas 5:16.

Ao se tornar um murmurador, o crente se torna um instrumento nas mãos do Maligno, permitindo que o Diabo o domine e o utilize para suas próprias finalidades. Essa atitude vai contra a obra de Cristo no mundo e mina a credibilidade do testemunho cristão.

Além disso, a murmuração afeta profundamente a alma do crente murmurador, tornando-a doente e impedindo que ele manifeste a alegria, a bondade e a gratidão que deveriam caracterizar um seguidor de Cristo. Como Jesus ensinou em Mateus 6:22,23, se os olhos do crente forem bons, seu corpo estará cheio de luz, mas a murmuração obscurece essa luz, levando a uma vida espiritual opaca e desagradável.

Portanto, é essencial que o crente reconheça o perigo da murmuração e busque viver em obediência aos ensinamentos de Cristo, cultivando uma atitude de gratidão, contentamento e confiança em Deus em todas as circunstâncias.

II. MURMURAÇÃO: IMPEDIMENTO DA PRIMEIRA GERAÇÃO À TERRA PROMETIDA

1. A murmuração contra os líderes escolhidos por Deus

A murmuração contra os líderes escolhidos por Deus no Antigo Testamento é um tema recorrente que ilustra a gravidade desse pecado e suas consequências. Deus designou Moisés e seu irmão Arão como líderes do povo de Israel durante o êxodo do Egito em direção à Terra Prometida (Êxodo 7:1,2). No entanto, mesmo após testemunhar os grandes livramentos realizados por meio desses líderes, o povo frequentemente murmurava e se queixava contra eles (Êxodo 16:3).

Essa murmuração era uma expressão de incredulidade e falta de fé no plano e na liderança de Deus. Em vez de confiar na promessa de Deus e na orientação dos líderes que Ele havia designado, o povo se entregou à descrença e à insatisfação, culminando em murmúrios contra Moisés e Arão. Essa atitude revelava uma escolha pelo mal, pois os murmuradores optavam por ignorar os benefícios concedidos por Deus e focavam apenas em suas próprias dificuldades e descontentamento.

O resultado dessa murmuração foi severo. A primeira geração que saiu do Egito não entrou na Terra Prometida, pois sua murmuração e rebelião contra Deus e seus líderes resultaram em consequências desastrosas. A murmuração minou a fé do povo, gerou desunião e desrespeito à liderança estabelecida por Deus, e, como resultado, essa geração foi impedida de desfrutar da promessa divina.

Essa narrativa nos ensina sobre a importância da confiança e obediência à liderança espiritual designada por Deus, bem como sobre os perigos da murmuração e da incredulidade. Devemos aprender com os erros do povo de Israel e buscar cultivar uma atitude de confiança e gratidão em relação aos líderes escolhidos por Deus em nossas vidas, evitando cair na armadilha da murmuração e descrença.

Atentemos para os seguintes textos bíblicos:

1Tessalonicenses 5:12,13:

12.Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam;

13.e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros”.

Hebreus 13:17:

“Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois zelam pela alma de vocês, como quem deve prestar contas. Que eles possam fazer isto com alegria e não gemendo; do contrário, isso não trará proveito nenhum para vocês”.

2. A murmuração contra Deus

A murmuração contra Deus é um comportamento que revela uma atitude de descontentamento e falta de confiança na providência divina. No relato do Êxodo do povo de Israel, vemos que, apesar de Deus prover o sustento diário do povo no deserto, eles frequentemente murmuravam e se queixavam contra Ele (Êxodo 16:4). Em vez de confiar na provisão de Deus e na Sua orientação, o povo demonstrava ingratidão e desconfiança, questionando as decisões e ações de Deus.

Essa murmuração contra Deus reflete uma falta de reconhecimento da soberania e bondade divinas. Em vez de buscar a Deus em humildade e gratidão, o povo se entregava à murmuração, expressando insatisfação e descontentamento com as circunstâncias da vida. No entanto, Deus, em Sua misericórdia, continuava a cuidar do Seu povo, mesmo diante de sua murmuração (Êxodo 16:12).

É importante reconhecer que Deus conhece as nossas necessidades e está sempre pronto para nos socorrer em nossas aflições. No entanto, Ele espera que nos aproximemos d'Ele com confiança e gratidão, em vez de nos entregarmos à murmuração e à ingratidão (Hebreus 4:16).

A murmuração contra Deus não apenas revela uma atitude de desconfiança e falta de fé, mas também pode nos afastar do Seu cuidado e bênção. Portanto, devemos buscar cultivar um coração grato e confiante na providência divina, evitando cair na armadilha da murmuração e da ingratidão.

3. Por que é perigoso murmurar?

De acordo com o ensinamento da Bíblia, a murmuração é perigosa por várias razões. Em primeiro lugar, ela reflete uma falta de confiança e gratidão para com Deus. Em vez de reconhecer Suas bênçãos e Seu cuidado constante, os murmuradores se queixam das circunstâncias e questionam a providência divina. Isso revela uma atitude de incredulidade e desrespeito para com Deus.

Além disso, a murmuração tem o potencial de corromper a mente e o coração daqueles que a praticam. Ao focar nas dificuldades e nos problemas, em vez de nas promessas e na fidelidade de Deus, os murmuradores se tornam cada vez mais cegos para Sua presença e ação em suas vidas. Isso os impede de experimentar a paz e a alegria que vêm da confiança em Deus.

Outro perigo da murmuração é o seu efeito corrosivo no meio da Igreja Local. Quando os crentes se entregam à murmuração, eles minam a unidade e a comunhão entre si, criando divisões e conflitos. Isso enfraquece o testemunho da igreja e prejudica sua capacidade de cumprir sua missão no mundo.

Além disso, a murmuração pode levar a consequências graves e até mesmo à disciplina divina. A Bíblia registra vários exemplos de julgamento sobre aqueles que murmuraram contra Deus e Sua liderança. Aqui estão alguns exemplos:

a)   Os Israelitas no Deserto. Após a libertação do Egito, os israelitas murmuraram repetidamente contra Moisés e contra Deus por causa de várias situações no deserto, como a falta de comida (Êxodo 16:2,3), a falta de água (Êxodo 17:2,3), e outros desafios (Números 14:27-29). Como consequência de sua murmuração e incredulidade, Deus os julgou, muitas vezes resultando em punições severas, como pragas e até mesmo morte (Números 14:29-35; Números 16:41-50).

b)   O Julgamento de Corá, Datã e Abirão. Corá, Datã e Abirão lideraram uma rebelião contra Moisés e Arão, murmurando contra sua liderança designada por Deus (Números 16:1-3). Como resultado, Deus julgou-os de forma terrível, abrindo a terra para que eles fossem engolidos vivos juntamente com suas famílias e seguidores (Números 16:31-35).

c)   Os Israelitas na jornada para Canaã. Durante sua jornada para a Terra Prometida, os israelitas murmuraram várias vezes contra Deus e contra Moisés, duvidando de Sua provisão e poder (Números 21:4-6). Como resultado, Deus enviou serpentes venenosas entre o povo, resultando em muitas mortes, até que eles se arrependessem e pedissem perdão (Números 21:6-9).

Esses exemplos ilustram como a murmuração contra Deus e Sua liderança resultou em julgamento e punição divina na história do povo de Israel. Eles nos alertam sobre a seriedade desse pecado e as consequências graves que ele pode trazer. Portanto, é importante que os crentes evitem a murmuração e cultivem uma atitude de gratidão, confiança e louvor a Deus, mesmo nas dificuldades e provações da vida.

Alguns textos bíblicos que destacam o potencial corruptivo da murmuração na mente e no coração daqueles que a praticam. Por exemplo:

Ø  Filipenses 2:14,15 (NVI) - "Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo". Estes versículos destacam a importância de evitar queixas e discussões, indicando que tal atitude contribui para a pureza e a irrepreensibilidade dos filhos de Deus. Isso implica que a murmuração pode corromper e comprometer essa pureza.

Ø  Efésios 4:29 (NVI). "Não saia da boca de vocês nenhuma palavra prejudicial, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem". Este versículo adverte contra palavras prejudiciais, sugerindo que a murmuração não edifica os outros, mas, ao contrário, pode causar dano e corrupção tanto a quem murmura quanto aos que ouvem.

Esses são apenas dois exemplos que ilustram como a murmuração pode afetar a mente e o coração daqueles que a praticam, mostrando a importância de cultivar uma atitude positiva e edificante em vez de se entregar a queixas e murmurações.

III. MURMURAÇÃO: UM PECADO QUE NOS IMPEDE DE ENTRAR NA CANAÃ CELESTIAL

1. O fim dos israelitas murmuradores

A murmuração dos israelitas não foi um evento isolado, mas um padrão recorrente ao longo de sua jornada no deserto. Desde a saída do Egito, eles demonstraram uma tendência de reclamar e questionar as decisões de Deus e de Moisés. Essa atitude revelava uma falta de confiança na providência divina e uma disposição para se voltarem ao conforto do passado, mesmo que isso significasse retornar à escravidão no Egito.

A murmuração dos israelitas teve consequências severas. Em Números 14, após o relato dos espias que exploraram a Terra Prometida, a nação se rebelou contra Deus e Moisés, recusando-se a entrar na terra devido ao medo das dificuldades e dos habitantes da terra. Como resultado, Deus declarou que aquela geração não entraria na Terra Prometida, exceto Calebe e Josué. Eles vagariam no deserto até que todos os adultos dessa geração morressem, privados da promessa de uma terra abundante.

Para os crentes, a história dos israelitas murmuradores oferece várias lições práticas. Primeiramente, destaca a importância da fé e confiança em Deus, mesmo em tempos de incerteza e adversidade. Também enfatiza a importância da gratidão e da obediência, reconhecendo os benefícios das bênçãos de Deus e seguindo Seus mandamentos, mesmo quando parecem difíceis.

O fim dos israelitas murmuradores nos lembra da fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas, mas também da responsabilidade do homem em responder com fé e obediência. Como cristãos, devemos aprender com os erros do passado e buscar viver em gratidão e confiança no Senhor, sabendo que Ele é fiel para conduzir-nos em nossa jornada espiritual. Portanto, a história dos israelitas murmuradores é muito mais do que um relato histórico, é um lembrete atemporal da importância da fé, obediência e gratidão na vida do crente, e das consequências da descrença e murmuração.

2. O destino dos murmuradores

À luz dos relatos do livro de Números, o apóstolo Paulo faz uma séria advertência ao povo da Nova Aliança: “e não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor” (1Coríntios 10:10). Embora o contexto original deste texto faça referência à morte física dos israelitas murmuradores no deserto, a advertência de Paulo também pode ser entendida no contexto espiritual.

Aqueles que persistem na murmuração podem experimentar uma morte espiritual gradual, caracterizada pela ausência de vida espiritual vibrante e pela presença do pecado não confessado e não tratado. Essa morte espiritual pode eventualmente se manifestar em consequências físicas e emocionais, afetando a saúde e o bem-estar geral.

Aqueles que se entregam à murmuração podem gradualmente perder o interesse e o prazer nas práticas espirituais, como a oração, a leitura da Bíblia, a comunhão com outros crentes e serviço ao próximo. A atitude negativa e crítica pode obscurecer a visão espiritual, tornando difícil experimentar a alegria e a plenitude que vêm da presença de Deus.

A murmuração representa um obstáculo significativo no processo de santificação do crente. Para progredir na vida cristã e crescer em maturidade espiritual, é essencial abandonar a murmuração e cultivar uma atitude de gratidão, confiança e submissão à vontade de Deus. Isso envolve a renovação da mente e a busca contínua pela transformação pelo Espírito Santo.

Em resumo, o destino dos murmuradores é um alerta para os crentes sobre os perigos espirituais da murmuração. É um chamado à vigilância espiritual, à renovação do coração e à busca contínua pela comunhão com Deus, evitando as armadilhas da insatisfação e da incredulidade.

Ao abandonar a murmuração e abraçar uma atitude de fé, gratidão e obediência, os crentes podem experimentar a plenitude da vida espiritual e viver em conformidade com os propósitos de Deus.

3. Os males da murmuração

A murmuração é uma prática prejudicial que pode causar uma série de males tanto na vida da Igreja Local quanto no caráter espiritual do indivíduo. Veja alguns males da murmuração:

a)   Desânimo espiritual e contendas comunitárias. A murmuração dentro da Igreja Local pode minar o ânimo espiritual dos membros, gerando descontentamento e desunião. As conversas negativas e críticas podem levar a contendas e conflitos entre os irmãos, prejudicando a comunhão e o testemunho da igreja perante a sociedade.

b)   Rebeldia espiritual e divisões ministeriais. A murmuração muitas vezes está ligada à rebeldia espiritual, onde os indivíduos se recusam a aceitar a autoridade espiritual estabelecida por Deus na igreja. Isso pode levar a divisões ministeriais, onde grupos dissidentes se separam do corpo principal, enfraquecendo assim o testemunho e a eficácia do trabalho ministerial.

c)   Destruição da comunhão da Igreja. A murmuração pode corroer a comunhão da igreja, minando a confiança e o respeito entre os membros. Quando os crentes se ocupam em fofocas e críticas constantes, torna-se difícil experimentar a verdadeira comunhão e compartilhar as bênçãos espirituais em conjunto.

d)   Afastamento do Espírito Santo. A murmuração está intrinsecamente ligada a outros pecados, como mentira, calúnia e difamação. Essas obras carnais entristecem o Espírito Santo e o afastam da vida do crente. Uma pessoa dominada por tais práticas não pode experimentar a plenitude do Espírito Santo em sua vida, resultando em um declínio espiritual e afastamento da presença de Deus (Ef.4:30; Gl.5:19-21).

e)   Atração de outros pecados. A murmuração serve como um portal para outros pecados, como idolatria, rebelião, adultério e blasfêmia contra Deus. Ao permitir que a murmuração domine suas vidas, os indivíduos abrem a porta para uma espiral descendente de pecado e distanciamento de Deus.

f)    Estagnação espiritual e serviço ao Inimigo. Aqueles que se entregam à murmuração acabam estagnando em sua jornada espiritual, incapazes de progredir na fé e no conhecimento de Deus. Além disso, ao se envolverem em comportamentos contrários ao caráter de Cristo, acabam prestando serviço ao inimigo e comprometendo seu testemunho como filhos de Deus.

Em suma, os males da murmuração são vastos e profundos, afetando não apenas a vida da Igreja Local, mas também o caráter espiritual e a comunhão pessoal com Deus. É vital que os crentes estejam vigilantes contra esse pecado, buscando viver em harmonia, amor e unidade, e evitando as armadilhas da murmuração e da divisão. O nosso Senhor disse que o reino dividido contra si mesmo é “devastado” e não “subsistirá“ (Mt.12:25; cf. Lc.1:17-22).

CONCLUSÃO

Este estudo sobre o Perigo da Murmuração na vida do crente destaca a seriedade desse pecado e suas consequências devastadoras tanto na comunidade da fé quanto na vida espiritual individual. A murmuração não é apenas uma expressão de descontentamento passageiro, mas uma atitude que revela um coração endurecido e descrente, afastando-se da comunhão com Deus e minando a unidade e o testemunho da Igreja.

Diante desse perigo, é imperativo que os crentes estejam vigilantes contra a murmuração, cultivando uma atitude de gratidão, fé e submissão à vontade de Deus. Devemos buscar a unidade e a comunhão na igreja, evitando fofocas e críticas prejudiciais, e dedicando-nos ao amor mútuo e ao serviço ao próximo. Somente assim podemos preservar a saúde espiritual da Igreja Local e continuar a avançar na jornada da santificação, vivendo em conformidade com os propósitos de Deus para nossas vidas.