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* ACONSELHAMENTO CRISTÃO – A MISSÃO AUXILIADORA DA IGREJA


Texto Áureo: Cl. 3.16 – Cl. 3.12-17


Objetivo: Mostrar que o aconselhamento cristão, feito com sabedoria, é indispensável ao ministério da igreja local, a despeito de ser também um mandamento bíblico.

INTRODUÇÃO
Jesus Cristo é a base do aconselhamento cristão, por conseguinte, é na Escritura que encontramos as orientações do Supremo Conselheiro (Is. 9.6) a fim de levar adiante a missão auxiliadora da igreja. Na lição de hoje, analisaremos a contextualização bíblica para o aconselhamento e sua aplicação prática perante as crises.

1. DEFINIÇÃO DO TERMO
O verbo “aconselhar”, em Cl. 3.16, no grego, é noutheteo e significa, especificamente, admoestar, advertir e exortar. Com base em tal palavra, surgiu o conceito de aconselhamento noutético, isto é, de que os cristãos devem se ajudar mutuamente, não apenas os ministros, a fim de que possamos nos desenvolver espiritualmente. Outra passagem onde podemos encontrar o mesmo termo é a de Rm. 15.14, que, em consonância com Cl. 3.16, mostra que o fundamento do aconselhamento cristão, na igreja, não está na opinião humana, no julgamento arbitrário, antes na manifestação da rica e abundante palavra de Deus. Para que haja aconselhamento noutético, faz-se necessário que toda a igreja busque o conhecimento da Palavra, que, em bondade, poderão exercer o ministério do auxílio cristão nos momentos de crise.

2. AS CRISES DO COTIDIANO
Os cristãos, como as demais pessoas da sociedade, podem passar por crises, decorrentes de desemprego, morte de um ente querido, perda de posição social, enfermidades graves, divórcios, vícios, gravidez indesejada, mudanças, catástrofes, depressão financeira, tentativa de suicídio, entre outras. Uma crise pode ser definida como uma reação interna emocional diante de um acontecimento externo que varia de pessoa para pessoa, podendo ou não, resultar na incapacidade para solucionar o problema surgido. As crises podem levar a pessoa a um comportamento psicológico anormal, demonstrado em emoções como medo, pavor e pânico. De acordo com alguns psicólogos, as crises apresentam as seguintes características: 1) instabilidade – levando a pessoa a agir de modo alternados; 2) agitação – a vida da pessoa em crise entra em círculo; 3) perturbação – a pessoa crise perde o equilíbrio intelectual, emocional e/ou volitivo; 4) perda - a pessoa em crise pode ter um sentimento de que algo lhe falta; 5) sofrimento – tanto de ordem moral, como espiritual e física; e 6) pânico – medo sem explicação que se apodera do indivíduo.

3. OS CONSELHOS EM PROVÉRBIOS
O livro de provérbios, caracteristicamente poético, está repleto de conselhos. E, ao mesmo tempo, aborda com bastante maestria a importância de se obter bons conselhos de pessoas mais experientes. Assim, não é possível empreender qualquer análise sobre o conselho sem ponderar a respeito do que diz essa coletânea de pensamentos a esse respeito. A fonte de qualquer conselho é a sabedoria de Deus (Pv. 8.14), a ausência de conselhos pode levar qualquer projeto à ruína (Pv. 15.22), quem ouve bons conselhos torna-se sábio (Pv. 19.20), é a multidão de conselhos que leva à vitória (Pv. 24.6), e, nada mais doce do que conselhos entre amigos (Pv. 27.9). Os conselhos de provérbios, avaliados à luz da revelação do evangelho, trazem contribuições significativas à espiritualidade cristã.

4. ACONSELHAMENTO CRISTÃO
Interessante que o especialista no grego do Novo Testamento A. T. Robertson, definiu o termo noutheteo, de Cl. 3.16, como “pôr sentido em”. Se levarmos em conta a interpretação desse erudito, aconselhar é, primordialmente, uma tarefa de dar sentido a algo que se encontra fora de propósito ou esperança para quem se encontra em condição de desespero. A partir da reflexão em torno da passagem bíblica citada, é possível destacar os elementos básicos para o aconselhamento cristão:

4.1 Considerar a Palavra de Cristo
Tem a Palavra como base, em especial, o ensino, não podemos esquecer que é Palavra de Cristo que deve habitar ricamente em nós. Sem tal palavra, o aconselhamento pode ser enquadrado em qualquer parâmetro, menos no cristão. Portanto, toda crise deve ser avaliada à luz da revelação cristã, percebendo o que a Palavra diz a respeito. Consoante ao exposto, é válido ressaltar que a mensagem cristã geralmente se distancia dos parâmetros anticristãos da sociedade pós-moderna. Assim, problemas como crise financeira, divórcio, tentativa de suicídio, entre outros, precisam ser avaliados com base no evangelho de Cristo. Desse modo, problemas financeiros, divórcio e a morte de entes devem ser vistos no contexto da Palavra. A Bíblia, por exemplo, questiona o amor ao dinheiro (I Tm. 6.9,10), a indissolubilidade do casamento (Mt. 19.7,10) e o desespero perante a morte (I Ts. 4.13-17).

4.2 Confrontar em amor
Essa não é uma tarefa fácil, já que, quando o aconselhamento entra em pauta, surge, também, modos de pensar distintos, como o de Pedro e Jesus (Jo. 21.15-23), e o de Natã e Davi (II Sm. 11 e 12). Por isso, a tarefa de confrontamento precisa ser feita com bondade, a fim de que a pessoa perceba que se trata de um ato de amor, não de controle (I Co. 4.14). Além disso, é preciso que se dê espaço para que o outro expresse seus sentimentos. É sempre bom lembrar que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca, portanto, devemos ouvir mais e falar menos. É claro que o confrontamento só existe porque alguém carece de admoestação por se encontrar distante da visão cristã da realidade. Como exemplo, basta apontar que é possível que alguém esteja supervalorizando uma derrocada financeira de modo a pensar que tudo o mais perdeu o sentido por causa disso. Em situações como essas, e em muitas outras, faz-se necessário levar a pessoa a perceber que nem tudo está perdido e que existem outros valores mais importantes do que a riqueza e as propriedades.

4.3 Provocar mudanças
Todo confrontamento tem como meta levar o indivíduo a uma mudança de estado, possibilitando-o a sair da crise. Como o indivíduo se encontra em situação de desequilíbrio, ele carece de um eixo que o conduza ao norte da vida cristã. O conselho, diante de uma situação de crise, tem como objetivo central, conduzir a pessoa a Cristo. É interessante que, conforme lemos em Cl. 3.16, não se trata de uma imposição, mas de uma partilha, que se dá, coletivamente, no seio da igreja, não precisa ser, portanto, individual, mas na comunhão do partir do pão, nos hinos que são cantados, na exposição da palavra. É bom lembrar que as pessoas podem resistir às mudanças a menos que percebam que carecem delas. Portanto, não devemos obrigar determinada pessoa a pensar como cremos, isso, porém, não quer dizer que devamos deixar de expor no que acreditamos. Mas é preciso ter a sensibilidade necessária para saber até que ponto podemos auxiliar no processo de aconselhamento.

CONCLUSÃO
A vantagem de um aconselhamento bondoso, amoroso e gentil é que o aconselhando percebe que não se trata de hipocrisia, mas de um ato de amor (I Tm. 1.5). Sem amor, não existe conselho, apenas vontade de controlar as pessoas (I Co. 13.1). Aconselhar, por conseguinte, se inicia com a Palavra, mas não finda nele, exige ação e sacrifício pelos outros (II Tm. 4.6). Um conselho genuinamente cristão deve conduzir o indivíduo a atentar para a plena suficiência em Cristo (II Co. 9.8), e que, nEle, podemos tudo, tanto a ter em abundância quanto a passar por necessidade (Fp. 4.13).

- A MISSÃO SOCIAL DA IGREJA


A MISSÃO SOCIAL DA IGREJA
Texto Áureo: Sl. 41.1 – At. 2.42-46; 4.32,34,35-37


Objetivo: Mostrar que fé e obras se complementam inseparavelmente na vida daquele que vive para Jesus.

INTRODUÇÃO
A justiça social, definitivamente, não é o tema central da Bíblia. A revelação de Deus em Jesus Cristo é o objetivo primordial das Sagradas Escrituras. O principal problema do ser humano é o pecado, pois “o salário do pecado é a morte” (Rm. 3.23). Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo (Rm. 6.23). Teríamos muito a dizer a respeito da responsabilidade social da igreja, mas como se trata de um tema bastante controverso no meio evangélico, deixemos que a Bíblia fale:

1. PENTATEUCO
“Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv. 19.14); “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv. 19.19.32); “Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida. Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito” (Lv. 19.35,36). “Não oprimirás o diarista pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que está na tua terra e nas tuas portas. No seu dia lhe pagarás a sua diária, e o sol não se porá sobre isso; porquanto pobre é, e sua vida depende disso; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado” (Dt. 24.14,15).

2. PROVÉRBIOS
“Não digas ao teu próximo: Vai, e volta amanhã que to darei, se já o tens contigo” (Pv. 3.28); “Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer” (Pv. 11.1); “O pobre é odiado até pelo seu próximo, porém os amigos dos ricos são muitos. O que despreza ao seu próximo peca, mas o que se compadece dos humildes é bem-aventurado” (Pv. 14.20,21). “O que escarnece do pobre insulta ao seu Criador, o que se alegra da calamidade não ficará impune” (Pv. 17.5); “O homem pobre que oprime os pobres é como a chuva impetuosa, que causa a falta de alimento” (Pv. 28.3).

3. PROFETAS
“Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra!” (Is. 5.8); “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho” (Jr. 22.13). “Porque sei que são muitas as vossas transgressões e graves os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate, e rejeitais os necessitados na porta” (Am. 5.12); “Ai daquele que, para a sua casa, ajunta cobiçosamente bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar do poder do mal!” (Hc. 2.9).

4. JESUS
“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada”. (Mc. 12.28-34).

5. APÓSTOLOS
“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (At. 4.32-35); “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio” (At. 6.1-7).

6. TIAGO
“Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (Tg. 2.1-4); “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?” (Tg. 2.15-17); “Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos. Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tg. 5.1-6).

CONCLUSÃO
Contrariando à Palavra de Deus, muitas igrejas desprezam o valor da atitude social. Há uma ilustração interessante que narra a visita de um mendigo a casa de um espírita, de um católico e de um evangélico. Dizem que em cada uma das casas o mendigo recebeu respostas diferentes à sua necessidade. Cada um tinha apenas um pão. O espírita, apelando para a filantropia como forma de salvação, deu o pão inteiro ao mendigo e ficou com fome. O católico, na dúvida se a salvação seria somente pela fé, repartiu o pão ao meio e deu a outra parte ao mendigo. O evangélico, crendo na salvação pela graça, por meio da fé, respondeu que somente tinha um pão, e que, por isso, iria orar pelo mendigo.
Essa é apenas uma ilustração que traz verdades fundamentais. O evangélico tem toda razão ao afirmar que a salvação se obtém pela graça, por meio da fé, não vem das obras para que ninguém se glorie (Ef. 2.8.9). Contudo, não pode esquecer que o versículo 10, dessa mesma passagem, alerta para que “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. Isso quer dizer que não somos salvos pelas obras, antes fomos salvos, pelo sacrifício de Jesus na cruz do calvário, para que andássemos nelas. Portanto, ter responsabilidade social é um necessidade de todo crente. Não para ser salvo, mas porque já é salvo.

- A MISSÃO ÉTICA DA IGREJA


Texto Áureo: I Co. 10.32 – Mt. 5.13-16,20; Lc. 14.34,35; 17.20,21.

Objetivo: Mostrar que o comportamento ético da igreja perante o mundo deve ser um referencial na conduta para todas as instituições humanas existentes.

INTRODUÇÃO
A igreja é chamada para estar no mundo, nós, enquanto discípulos de Cristo, a ser modelo no amor, andando como sal da terra e luz do mundo. Na lição de hoje, faremos, inicialmente, uma breve incursão pela definição do termo “ética”, e, por fim, enfocaremos o amor como o princípio ético cristão, enfatizando, também, o texto de Mt. 5.13-16.

1. DEFINIÇÃO DO TERMO
A palavra ética vem do grego ethos e significa “costume e hábito”, e do latim, moris, “vontade, costume, uso e regra”. Em geral, na filosofia, a ética é a teoria da natureza do bem e como ele pode ser alcançado, isto é, o que deve ser ou não feito. Para Aristóteles, a ética seria o alvo da conduta ideal do homem, baseado no desenvolvimento de sua virtude especial para o bem do indivíduo e da sociedade. O princípio ético cristão é o de que Deus se revela ao homem através de Cristo, cujo testemunho se encontra na Escritura, portanto, o bem maior não é resultado das especulações humanas, mas de Deus que sabe o que é melhor para os seres humanos que Ele mesmo criou. Assim, para o cristão, a base é “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (I Co. 12). O bem maior, nesse sentido, para a igreja, significa submeter-se à vontade boa, perfeita e agradável daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (Rm. 12.1-2; Ef. 5.8,13).

2. ÉTICA NO NOVO TESTAMENTO
No Novo Testamento, o pecado é uma realidade e os filhos de Deus não podem mais viver entregue a ele (I Jo. 5.18). A liberdade do pecado se dá através do amor (Gl. 5.22,23) que é o fundamento comportamental para o cristão através do fruto do Espírito. Assim, uma vez salvo pela graça, por meio da fé (Ef. 2.8,9) nos devotamos ao amor que é o cumprimento total da lei (Rm. 13.8; Jo. 4.7). É a lei do amor que nos liberta do pecado e da morte, não há outra saída para o verdadeiro cristão que não seja através do amor a Deus e ao próximo (Mt. 22.37-39). A ética de Cristo proíbe não apenas o matar, mas até o mesmo o odiar (Mt. 5.21). O amor diz que não se deve adulterar, mas nem mesmo cobiçar (Mt. 5.28). O amor não somente diz que não se deve provocar a violência, mas ser uma pacificador ativo (Mt. 5.9). O alvo da ética cristã não é outro senão o próprio Deus (Mt. 5.48). Em amor, podemos alcançar tal perfeição, não se trata de algo que se queira atingir por força humana, mas pelo Espírito de Deus (Rm. 8.12-25; I Jo. 4.18).

3. O SAL DA TERRA E A LUZ DO MUNDO
No texto de Mt. 5.13-16, Jesus nos instrui a respeito de uma ética que deva ser a meta de sua igreja. Antigamente, quando o sal perdia a sua pureza para os ritos do sacrifício, era lançado fora e servia para ser pisado pelos homens. Do mesmo modo, a religião sem amor (I Co. 13; Jo. 3.16; I Jo. 3.16) não tem qualquer serventia. Devemos ser luz, e, como tais, precisamos olhar para a fonte que é Jesus (Jo. 1.9; I Jo. 1.5), nos não passamos de “luzeiros” (Fp. 2.15) daquele que é a verdadeira luz (Jo. 8.12). Como luzeiro do Senhor, a igreja deve brilhar constantemente como uma candeia. Essa luz é refletida através das boas obras (Mt. 5.16). O objetivo das obras não deva ser a vanglória da igreja, a ostentação, mas à glorificação de Deus. Embora sejamos salvos pela graça, por meio da fé, devemos viver andar nas boas obras (Ef. 2.8-10; II Co. 5.17). Lembremos, pois, que somos conhecidos não pelos grandes edificações que somos capazes de erguer, pela poderio político que somos capazes de arregimentar, mas pelos frutos (Mt. 7.16), demonstrados em amor.

CONCLUSÃO
Há um título de um livro antigo do saudoso hinógrafo e escritor assembleiano, Emílio Conde, cujo título é “Igrejas sem brilho”. Infelizmente, algumas congregações locais não mais se constituem luzeiros que seja capaz de iluminar um mundo em trevas. A igreja do Senhor, por outro lado, permanece como baluarte e coluna da verdade (I Tm. 3.15). As portas do inferno não podem resistir ao seu testemunho profético de uma igreja que não compactua com os valores mundanos (Mt. 16.18), antes se apresenta como sal e luz.

- MISSÃO PROFÉTICA DA IGREJA – A PROCLAMAÇÃO DA PALAVRA


Texto Áureo: I Pe. 2.9 – At. 3.18-26


Objetivo: Mostrar que a igreja, na adoração, dirige-se a Deus, no discipulado, aos convertidos, na proclamação da palavra profética, ao mundo.

INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos como a igreja deve exercer seu ministério profético através da proclamação da Palavra.

1. TERMINOLOGIA
Existem, no Novo Testamento, quatro palavras que se referem à pregação – proclamação da Palavra: 1) euangelizesthai – anunciar boas novas – usada cerca de cinqüenta vezes (Mt. 11.5; Lc. 4.18; At. 5.42; 8.4,12; 15.35); 2) katagellein – proclamar, pregar boas novas – dezoito vezes – At. 3.24; 4.2; 13.5,38; 15.36; 16.17,21; 17.3,13,23); 3) kerussein – anunciar, proclamar – ocorre sessenta e uma vezes (Mt. 3.1; 4.17,23; Mc. 1.4,7; 16.15,20; Lc. 3.3; At. 8.5; 9.20); e 4) didaché – ensino – aparece trinta vezes no NT, referindo-se à doutrina de Jesus e seus discípulos (Mt. 7.28; 16.12; 22.33; Mc. 1.22,27; 4.2; 11.18; 12.38; Lc. 4.32; Jo. 1.38; 8.4; 20.16).

2. O CONTEÚDO DA PREGAÇÃO
2.1 Entre os judeus
O proclamação apostólica levava em conta o contexto, sem, contudo, abrir mão dos fundamentos. Para mostrar isso, destacamos, a seguir, dois casos, um no contexto judaico, e outro, gentio. A pregação apostólica, em relação aos judeus, com base na proclamação de Pedro em At. 3.18-26, nos revela: 1) Cristo como o cumprimento das profecias do Antigo Testamento (v. 18); 2) a natureza do pecado, conclamando os homens à conversão e arrependimento (v. 19); 3) a redenção escatológica quando Cristo voltar (v. 20); 4) a morte e ressurreição de Cristo como fundamento (v. 26).

2.2 Entre os gentios
Entre os gentios - embora houvesse judeus presentes - atentemos para a pregação de Paulo em Atenas: 1) os seres humanos não podem devotar sua adoração aos ídolos (v. 16,17); 2) a mensagem do evangelho, por ser revelada, transcende as especulações filosóficas (v. 18, 19); 3) Cristo, enquanto pessoa, está acima da religiosidade humana (v. 22); 4) Deus se revela na natureza e na consciência humana (v. 23, 24), 5) Esse é um Deus transcendente, isto é, não pode ser confundido com a criatura (v. 25, 26, 29); 6) Ele também é um Deus imanente, ou seja, que se identifica com nossas necessidades (v. 27,28); 7) Esse Deus conclama a todos que se arrependam dos seus pecados, pois haverá de julgar a todos no tempo que estabeleceu (v. 30, 31, 32).

3. PREGAÇÃO E ENSINO
A diferença entre pregação e ensino repousa no estilo, e não no conteúdo, como se costuma pensar (Mt. 4.23). Jesus ocupou-se tanto à pregação quanto ao ensino (Mc. 1.29; Lc. 4.44; Lc. 4.15). No grego, o verbo para pregar e ensinar são, algumas vezes, usados de modo indistinto ((Mc. 1.14,15,21,38,39). Os apóstolos deveriam atentar a ambas atribuições (At. 5.42; 28.31; Cl. 1.28). Portanto, a igreja não pode viver apenas da pregação, ela carece, também, do ensino. A pregação não pode deixar de abranger a proclamação total do conselho de Deus (At. 20.20,27; II Tm. 4.2) e a Grande Comissão não exclui a importância do ensino (Mt. 28.20).

CONCLUSÃO
Tanto Pedro quanto Paulo, e os demais apóstolos, se preocuparam com a proclamação do evangelho de Cristo. A realidade desses dois servos de Deus nos ensina que a pregação e o ensino devem se adequar ao contexto no qual é difundido, sem, contudo, abrir mãos dos seus pressupostos fundamentais.

- IGREJA – POVO EXCLUSIVO DE ADORAÇÃO


Texto Áureo: Jo. 4.24 – I Pe. 2.5-10; Rm. 12.1


Objetivo: Mostrar que a igreja existe para adorar a Deus e levar o seu maravilhoso conhecimento às nações.

INTRODUÇÃO
Em Jo. 4.24, a mulher samaritana indaga Jesus a respeito do lugar onde se deveria adorar ao Senhor. Ele a responde que Deus é quem busca os verdadeiros adoradores, os quais deverão adorá-lo em espírito e em verdade. A adoração é uma aspecto fundamental à igreja que se presta a servir ao Senhor, portanto, não poderá ser feita de qualquer modo, mas em conformidade com os parâmetros bíblicos, é o que veremos na lição de hoje.

1. TERMINOLOGIA
No hebraico, a palavra sahar, significa “adorar, prostrar-se, curvar-se”. Aparece pela primeira vez em Gn. 18.2, onde lemos que Abrão “inclinou à terra” diante dos três mensageiros que anunciaram que Sara teria um filho. O termo também aparece em referência ao ato de se curvar diante das autoridade (I Sm. 24.8; Rt. 2.10; Gn. 37.5,7,8). No AT, tanto se referia ao ato de se dobrar fisicamente quanto mentalmente (Ex. 34.8; Is. 2.20; 44.15,17). No grego, proskuneo, tem o sentido de “fazer reverência” e é usado, com muita freqüência, referindo-se a adoração: a) a Deus (Mt. 4.10; Jo. 4.21-24; I Co. 14.25; Ap. 4.10; 5.14; 7.11; 11.16; 19.10); b) Jesus Mt. 2.2,8,11; 8.2; 9.18; 14.33; 15.25; 20.20; 28.9,17; Jo. 9.38; Hb. 1.6); c) um homem (Mt. 18.26); d) um dragão (Ap. 13.4); e) a besta (Ap. 13.4-12; 14.9-11); f) demônio (Ap. 9.20) e a ídolos (At. 7.43). Outras palavras do Novo Testamento relacionada à adoração são: sebomai – venerar – Mt. 15.9; Mc. 7.7; At. 16.14; 18.7,13; At. 19.27; latreuo – fazer homenagem ou prestar serviço religioso – At. 7.42; 24.14; Fp. 3.3; Hb. 10.2; eusebeo – agir piedosamente para com – At. 17.23 e therapeuo – servir, prestar serviço a – At. 17.25.

2. A ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO
No AT, a adoração era, primariamente, individual (Gn. 24.26) como expressão pessoal de gratidão pelo êxito em uma determinada missão, ou como no caso de Moisés (Ex. 34.8), na busca pelo favor divino. Algumas vezes, a adoração tinha uma alcance familiar (Gn. 12.7; 22.5) e até nacional, conforme lemos em I Cr. 29.20. No templo, a adoração consistia de: 1) atos de sacrifício com derramamento de sangue de animais (II Cr. 7.5); 2) atos cerimoniais na busca pelo favor divino (II Cr. 7.6); 3) louvor ministrados por oficiais levitas (II Cr. 5.13: I Cr. 16.36); 4) oração pública (II Cr. 6) quando por ocasião da dedicação ao templo.

3. A ADORAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO
No NT, é possível identificar três tipos de adoração pública tendo, como base, o templo, a sinagoga e na congregação. Em relação à liturgia – isto é – dos elementos práticos do culto religioso – inclui-se: 1) a recitação do shema, de Dt. 6.4-9; 11.13-21; Nm. 15.37-41; 2) oração, geralmente com base nos Salmos; 3) a leitura de membros da congregação de trechos da Tora e dos Profetas, selecionados pelos líderes da sinagoga; e 4) o targum ou explicação condensada das Escrituras na língua vernácula. Considerando o lugar da música na vida religiosa judaica, é possível afirmar, inclusive com base em algumas passagens, que tivesse lugar na adoração cristã.


4. A ADORAÇÃO NA IGREJA PRIMITIVA
A adoração se desenvolveu nas sinagogas, e não no templo, já que, com Cristo, teve fim o sistema de sacrifício judaico. Essa percepção, porém, foi gradual, é válido ressaltar, que, a princípio, o próprio Jesus demonstrou consideração pelo Templo (Mt.21.13). Contudo, Cristo sempre se colocou como maior do que o templo (Mt. 12.6), citando Os. 6.6. Emboras se reconheça a importância do templo, nos dias atuais, para aconchegar e reunir os crentes, é sempre bom destacar que os verdadeiros adoradores transcendem os lugares (Jo. 4.21,22), afinal, a sinagoga funcionava como uma espécie de templo, algo que veio a mudar depois do Pentecoste (Tg. 2.2; At. 2.1ss) devido as perseguições que sucederam a expansão do cristianismo. É bom destacar que Paulo se utilizava das sinagogas enquanto recurso estratégico a fim de proclamar Cristo (At. 20.16; I Co. 16.8).


Em geral, a adoração pública, entre, de acordo com o modelo dos primeiros cristãos, era aberta, informal e missionária, com vista à edificação (I Co. 14.24), composta de: 1) oração congregação; 2) louvor com hinos da autoria dos irmãos, tais como o de Ap. 5.9-13; Rm. 15.3; 11.17; I Tm. 3.16; I Co. 14.16); 3) leitura da Escritura, seguindo o padrão da sinagoga (II Tm. 3.16); 4) instrução, conforme I Co. 2.7; 6.5) para a edificação; e 5) dons espirituais para a edificação do corpo de Cristo (I Co. 12). Havia também uma celebração particular na qual os discípulos se reuniam em determinado lugar para uma refeição que tinha o simbolismo da união, comunhão, que de acordo com o Didaqué - um documento antigo dos apóstolos - era precedida ou seguida de orações e hinos. Em seguida, se celebrava a Ceia do Senhor, seguido as diretrizes de I Co. 11.23-28.

5. A ADORAÇÃO CRISTÃ
A passagem clássica para a adoração cristã é a de Jo. 4.23,24, correlacionada com Fp. 3.3 onde se percebe a condição espiritual e revelacional da adoração. Tais passagens mostram a essência interior como expressão do amor genuíno e devoção a Deus. Deus é Espírito, portanto, deve ser adorado espiritualmente, não através de imagens, produto das mãos humanas (At. 17.25), mas dos nossos lábios (Os. 14.2). Consoante ao exposto e, com base em Rm. 12.1-2, aprendemos que a adoração cristã não se reduz a um momento e um lugar, mas numa disposição espiritual na qual entregamos, a Deus, todo nosso ser. Trate-se de um culto racional, isto é, que se baseia na revelação que nos foi dada por Deus e testemunhada nas Escrituras. É uma pena que haja, nos dias atuais, uma deturpação do conceito de adoração genuinamente cristão. Em muitos cultos de hoje, há pessoas que pensam estar adorando a Deus, mas, como os antigos israelitas, se prostram diante do "bezerro de ouro" da vaidade e providência humana (Ex. 32.1-29). Tais manifestações que enaltecem o ser humano ao invés do Criador está longe do modelo cristão de adoração, "em espírito e em verdade".

CONCLUSÃO
As duas passagens envolvidas, Jo. 4.23;24 e Rm. 12.1-2, nos apresentam o modelo bíblico da adoração cristã que pode ser resumido assim: 1) deve incentivar à santidade (I Ts. 5.23,24); 2) é um sacrifício que trás vida (Hb. 13.15,16; e 3) tem o conhecimento da Palavra como fundamento diligente (II Pe. 1.5).