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* JOSÉ, UM LÍDER PIEDOSO E TEMENTE A DEUS

Textos: Pv. 16.17 – Gn. 39.7-9; 45.4,5

Objetivo: Mostrar que o temor ao Senhor, em piedade, é o princípio da sabedoria por meio da qual, podemos seguir o exemplo de José.

INTRODUÇÃO: O temor ao Senhor e um tema recorrente na Bíblia, enfocado nos livros poéticos (Jó. 28.28; Sl. 2.11; 86.11; 111.10; Pv. 2.5; 8.13; 9.10; 10.27; 14.27; 15.16; 15.33; 16.6; 19.23; 22.4; 23.17; Ec. 3.14). Em relação à piedade, os escritos paulinos são contundente no sentido de que esta seja uma marca no exercício pastoral (I Tm. 2.2; 4.7,8; 6.6,11). Estudaremos a respeito dessas virtudes, ressaltadas na vida de José, um exemplo de liderança piedosa e temente a Deus.

1. DEFINIÇÃO DE TERMOS: A palavra “temor”, no hebraico, é “iare” tem a ver com a reverência com que o homem se apresenta perante Deus (Dt. 10.12-13) e faz paralelo com a obediência aos Seus mandamentos (Dt. 5.29), a andar no caminho de Deus (Dt. 8.6), fazendo o que Ele ordena (Dt. 6.24) e ouvindo a Sua voz (Dt. 13.4). Em Pv. 1.7., entre outras passagens, esse temor é apresentado como algo positivo que pode ser transformado em adoração quando direcionado a Deus. No Novo Testamento, trata do respeito que se tem a Deus, como no caso de Cornélio (At. 10.2,22). Esse tipo de temor é ensinado no NT (Cl. 3.22; I Pe. 2.17; Ap. 11.18; 14.7; 15.4; 19.5). No que tange á piedade, a palavra grega é “eusebeia”, que pode ser traduzida por reverência, respeito e/ou espiritualidade. A referência de I Tm. 4.7,8 aponta para uma prática contínua e disciplinada da piedade, não como os falsos mestres (I Tm. 4.3,8), mas para o bom testemunho (I tm. 6.11,12).

2. JOSÉ, UM HOMEM NO PROPÓSITO DE DEUS: O nome José, significa, em sua origem hebraica, “Ele (Jeová) acrescenta”. O José a que nos referimos, e que serve de lição para nós, foi o filho do patriarca Jacó e de Raquel, que nasceu em Padã-arã (Gn. 28.2; 30.22-24). Por ser o filho predileto de seu pai, acabou sendo odiado pelos seus irmãos (Gn. 37.3,4). Por causa desse ódio, acrescentado por causa dos seus sonhos (Gn. 37.5-7), foi vendido pelos seus irmãos e levado para o Egito, tendo sido comprado por Potifar (Gn. 37.36). Ao ser tentado pela esposa do seu patrão, resistiu (Gn. 39.7-12). Tal atitude o levou à prisão (Gn. 39.19-23), ali, interpretou os sonhos do padeiro e do copeiro do Faraó. Anos depois, interpretaria os sonhos do próprio Faraó (Gn. 41.25-32), o que lhe rendeu participação no governo do Egito (Gn. 41.43). No período da fome na terra de Canaã, seus irmãos partiram em busca de comida no Egito (Gn. 42.6). Após algumas provas, ele se fez conhecer a seus irmãos (Gn. 45.1-28). Reconhecendo que tudo o que havia acontecido havia sido providência de Deus, chamou seu pai e seus irmão para viverem com ele no Egito (Gn. 46.5).

3. LIÇÕES A PARTIR DO CARÁTER DE JOSÉ: A vida de José, em especial a forma como ele trata as adversidades, nos deixam lições preciosas à constituição do caráter cristão. Primeiro, em relação à tentação, vemos que: 1) elas podem ser vencidas, pois o Senhor está conosco, (Gn. 39.2), e não há tentação que não sejamos capazes de superar, pois, com Deus, podemos ter escape (I Co. 10.13); 2) para vencer a tentação, precisamos estar ciente de quem somos (Gn. 39.1), filhos de Deus, é um grande privilégio, e uma razão para não pecar (I Jo. 3.1); 3) além da razão ética para não pecarmos, isto é, não querer magoar o próximo, vitimar alguém com a prática pecaminosa, no caso de José, Potifar (Gn. 39.8), temos, também, razões espirituais, pois tememos a Deus, pois o pecado nos priva do relacionamento com Ele (Gn. 39.9); 4) Mas se tudo isso não for bastante, e formos postos em condição de ameaça de pecar, o melhor é seguir o exemplo de José, e fugir (v. 12), fazendo eco à recomendação de Paulo a Timóteo (II Tm. 2.2). A vida de José também nos oferece ensino sobre como devemos enfrentar as provações: 1) ter consciência de que não estamos sós, Deus está conosco, mesmo em meio às adversidades (Gn. 39.21,22), Ele não nos esqueceu (Gn. 40.1-3), ainda que os homens nos esqueçam (v. 14,15); 2) quando sairmos da dificuldade, devemos estar cientes de que não devemos nos achar maiores do que quem quer que seja, pois estamos cumprindo o projeto de Deus (Gn. 50.20); portanto, 3) não devamos nos envergonhar em mostrar emoção (v. 2), empatia (v. 4), alegria (v. 5) e senso de propósito (v. 5-8); 4) nossa fé deva estar além das circunstâncias, pois, como Paulo, José soube enfrentar tanto a escassez quanto à abundância (Fp. 4.11-14).

CONCLUSÃO: Em nossa vida, estamos sujeitos a passar por tentações, provações e adversidades, elas, de algum modo, servem para moldar o caráter cristão. Diante dos momentos difíceis da vida, precisar agir com sabedoria e serenidade, dependendo do auxílio divino. Se aprendermos a viver nessa dependência, poderemos confiar em Deus, certos de que Ele está no controle de tudo, sendo capaz de transformar as próprias adversidades em benção (Gn. 50.20). Como bem expressa Paulo, em Rm. 8.28, “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. PENSE NISSO!

* ESTER, UMA RAINHA ALTRUÍSTA

Textos: Pv. 31.10 – Et. 3.12,13; 4.13-17

Objetivo: Mostrar que o altruísmo deva fazer parte do caráter cristão, mesmo nas circunstâncias adversas.

INTRODUÇÃO: O que significa altruísmo? É possível que alguém seja altruísta numa sociedade governada pela ambição? Qual a relação entre altruísmo, amor e egoísmo? Essas são algumas perguntas que pretendemos responder, considerando, além do exemplo maior, em Jesus, o da rainha Éster.

1. DEFINIÇÃO DE ALTRUÍSMO: A palavra “altruísmo” vem do latim “alter”, e significa “outro”, assim, já em sua etimologia, altruísmo diz respeito à direção desinteressada que se deva ter pelos outros. No campo da Ética Filosófica, a abordagem altruísta surgiu como resposta ao hedonismo psicológico defendido por Thomas Hobbes (1588-1679). Para este, o homem serve a si mesmo, mediante variadas formas de prazer. Do ponto de vista de Hobbes, toda e qualquer atitude humana, teria, como meta, o prazer pessoal, tornando, assim, o altruísmo improvável. O ponto de vista bíblico se opõe radicalmente a essa perspectiva, uma vez que o altruísmo ocupa lugar central nas virtudes espirituais (Gl. 5.22), na verdade, ele é prova da verdadeira espiritualidade (Jo 14.21; I Jo. 4.7-8), portanto, o altruísmo, no cristianismo, é algo perfeitamente possível, já que temos, em Cristo, o maior exemplo (Jo. 13.15,34; 15.12; 17.23-26 ). Na verdade, as recomendações de altruísmo cristão são vitais e recorrentes no evangelho de Cristo (Rm. 12.10). Ademais, não podemos esquecer que o próprio Cristo viveu para o serviço do próximo, deixando, assim, o exemplo (Mt. 20.28; Mc. 10.45; Jo. 12.26).

2. ALTRUÍSMO, AMOR E EGOÍSMO: O altruísmo, conforme adiantamos acima, tem uma nítida relação bíblica com o amor ágape. Deus nos amou de tal maneira que nos deu Seu Filho Amado em sacrifício pelos nossos pecados, sem que nada fizéssemos por merecê-lo (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Do mesmo modo, devemos nós, também, exercitar esse amor (I Jo. 3.16; I Co. 13). O amor cristão é o gume principal do fruto do Espírito (Gl. 5.22). A alternativa, para o cristão, é, ou viver no Espírito, e andar pelo caminho do altruísmo (ou do amor), ou andar na carne e seguir o caminho do egoísmo (o das obras da carne). Por causa da natureza pecaminosa, existe uma inclinação natural em direção aos interesses próprios. Uma espécie de propensão ao egoísmo, por que não dizer, ao não-altruísmo. É por isso que, como nos instruir Jesus, para seguir o caminho após ele, o do altruísmo, é preciso tomar a cruz, negar a si mesmo (Mt. 16.24), dizer não para o egoísmo, para a ganância e para a inveja. Não é fácil ser altruísta nos dias de hoje, já que a cultura consumista e individualista costuma valorizar mais os que têm muito, ou os que dizem que o tem e não os que servem mais, o que é modelo cristão. Na política, a falta de altruísmo é um problema sério, haja vista que, a meta da política deveria ser o bem comum, não o particular como costuma acontecer. Para se ter um exemplo de não-altruísmo, basta dar uma olhada na política de Absalão (II Sm. 15.1-7).

3. ESTER, UM EXEMPLO DE ALTRÍSMO: Ao longo da Bíblia, temos vários exemplos clássicos de altruísmo. Esses exemplos devem fazer eco, em nossas vidas, pois, na verdade, essa é a marca registrada do cristão (Mt. 7.16-20). Aqueles que ocupam cargos de liderança devem cumprir o desafio que lhe é requerido em relação ao altruísmo. Atualmente, muitos são os que querem obter um cargo que lhes dê reconhecimento público, mostrarem que podem mandar nos outros, mas não querem pagar o preço sacrificial do altruísmo. Fazem tudo em função do desenvolvimento dos seus interesses particulares, do bem-estar pessoal. O altruísmo da rainha Éster serve de provocação para que desenvolvamos uma atitude cristã mais direcionada aos outros, e menos a nós mesmos. Ela se pôs em situação de risco (Et. 7.5-10) a fim de salvar seu povo da destruição iminente, com cautela (Et. 2.10,20) e paciência (Et. 5.2,3,4; 7.1-6). Essa disposição de sofrer pelo seu povo deve inspirar aos cristãos (bem como aos políticos, crentes e não-crentes) a servirem ao seu povo (Et. 4.16). É evidente que, ao servir a Deus, sejamos postos em situação de risco, como aconteceu com Éster e muitos outros, mesmo assim, descansamos na certeza de estar no centro da vontade de Deus e gozar da Sua segurança providencial.

CONCLUSÃO: Somos todos servos de Deus, e um dos outros, em Cristo, portanto, não nascemos para nós mesmos. O alvo principal da vida cristã, e do ministério, não é a felicidade pessoal, mas o amor, e, principalmente, o sacrifício. Sendo assim, é preciso que haja, em nós, “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. (Fp. 2.5-8). Se isso não fosse o bastante, vejamos ainda o que diz o versículo anterior, o 4: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros”. PENSE NISSO!

* ELIAS, UM PROFETA HUMILDE E DETERMINADO

Textos: Tg. 5.17 – I Rs. 17.1; 18.1,2,36,38,39.

Objetivo: Mostrar que ainda hoje, como nos tempos de Elias, a mensagem profética se faz necessária.


INTRODUÇÃO: O contexto atual no qual a igreja se encontra não se distingue daqueles testemunhados pelo profeta Elias. Por esse motivo, iremos aprender, a partir do caráter e da mensagem daquele profeta, a assumir uma posição profética diante do mundo, mesmo ciente de nossas limitações e fragilidades.


1. PROFETAS E PROFECIAS: A palavra “profeta”, no Antigo Testamento, é nabi, que, literalmente, significa “aquele que fala”. O profeta, no AT, estava imbuído de responder, a partir da revelação divina, às questões contemporâneas tais como idolatria (I Rs. 18.25; Ez. 8), o egoísmo da liderança israelita (Ez. 34), e os problemas sociais (Am. 5.7-13). Eles também falavam palavras de julgamento (Mq. 6), e também ofereciam esperança quando houvesse arrependimento (Jo. 2.12-14). Algumas vezes, suas mensagens se referiam a tempos distantes, como as profecias messiânicas (Is. 53; Dn. 7). Os profetas, em geral, apontavam para a vinda de Cristo, aquele que traria a mensagem final (Dt. 18.15-18). No Novo Testamento, “profetes”, era alguém que seria capaz de predizer o futuro, embora sua relação primordial era de alguém que proclama a verdade de Deus. Os escritores do NT, geralmente, usam esse termo grego para se referir aos profetas do AT (At. 3.18; Hb. 1.1; 11.32). O título de profeta é dado, no NT, a João Batista (Lc. 1.76), a Cristo (Mt. 21.11; Jo. 4.44), e mesmo aqueles que tinham o dom espiritual da profecia (At. 13.1; I Co. 12.28; Ef. 3.5; 4.11). No NT, o profeta proclama palavras de encorajamento (At. 15.32), de edificação (I Co. 14.3) e podem mesmo predizer o futuro (At. 21.10,11). Contudo, as mensagens proféticas, nos dias atuais, devem ter o crivo congregacional à luz da Palavra de Deus (I Co. 14.9; I Jo. 4.1).


2. A MISSÃO PROFÉTICA DE ELIAS: O nome Elias significa, literalmente, “somente o Senhor é Deus” (I Rs. 18.39). Seu ministério esteve repleto de milagres, destacam-se: a providência divina ao alimentá-lo em tempos de escassez e o episódio da ressurreição do filho de uma viúva (I Rs. 17.1-24). Elias é amplamente conhecido por ter desafiado os profetas de Baal, pedindo que Deus descesse fogo do céu (I Rs. 18.17-40). Como profeta de Deus, foi chamado para confrontar o rei Acabe e sua esposa Jezabel, que rejeitavam a mensagem do Senhor (I Rs. 21.17-24). Nos seus últimos dias na terra, fora transladado céus numa carruagem de fogo (II Rs. 2), aparecendo, posteriormente, no monte da transfiguração (Lc. 9.28-35). A vida de Elias, em especial o capítulo 19 de I Reis, fornece algumas lições primorosas ao desenvolvimento do caráter cristão: 1) Nunca estamos mais próximos da derrota do que nos momentos de maior vitória; 2) Nunca estamos tão sós quanto podemos pensar ou sentir, Deus está sempre conosco; 3) Deus fala mais por meio de sussurros persistentes do que através de espetáculos mirabolantes; 4) Deus tem tarefas para nos desempenharmos, mesmo quando demonstramos medo e fracasso.


3. ELIAS E O MINISTÉRIO PROFÉTICO DO CRISTÃO: O cristão também precisa desempenhar seu chamado profético na sociedade atual, tanto dentro quanto fora da igreja. Para tanto não podemos deixar de reconhecer nossas limitações e fragilidades (Tg. 5.17; I Rs. 19.1-4). Apesar das limitações, o alvo profético do cristão é a obediência, seguindo o exemplo de Elias (I Rs. 17.2-5; 8-10; 18.1,2). Mesmo quando as circunstâncias nos forem contrárias, não podemos perder a determinação (I Rs. 17.2-7) e a fidelidade à Palavra do Senhor (Js. 1.1-9; Is. 6.8; Mt. 4.18-22; Lc. 1.38; At. 9.11-15). Como o profeta está fadado à impopularidade, faz-se necessário que o profeta seja corajoso (I Rs. 18.10,15; 22-40; 21.19,20). Como aconteceu com Elias, Deus honrará a mensagem do profeta e, de acordo com Sua vontade soberana, enviará fogo do céu (I Rs. 17.1; 18.38; Tg. 5.17,18).


CONCLUSÃO: O ministério profético de Elias nos inspira a proclamar a palavra de Deus a fim de que, como aqueles profeta, possamos ser um arauto de Deus. Não podemos deixar que as limitações e fragilidades humanas nos afastem da missão para a qual o Senhor nos chamou. Jesus disse certa feita que se nos calarmos, as pedras clamariam. Sejamos, pois, profetas de Deus para esta geração, como Elias o foi para a sua. PENSE NISSO!

* DAVI, UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

Textos: Sl. 89.20 – I Sm. 13.13,14; Sl. 51.1-13

Objetivo: Motivar homens e mulheres a viverem, não de acordo com seus interesses egoístas, mas de acordo com o coração de Deus.

INTRODUÇÃO: A Escritura relata que Davi foi um homem segundo o coração de Deus. Mas o que o texto bíblico quer dizer com essa expressão? O que poderemos fazer para viver de acordo com o coração de Deus?

1. DAVI, UM HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS: No contexto da passagem de I Sm. 13, vemos que Saul, de acordo com seus parâmetros, buscou, ambiciosamente, obter a glória do triunfo sobre os seus inimigos adiantando-se e oferecendo os sacrifícios, os que não eram de sua competência. O rei deixou de compreender sua posição e quis, como se costuma dizer, “dar uma de sacerdote”. O defeito de Saul, em tal texto, é o de não perceber suas restrições. Ele tanto quis atuar como governante civil, como também, mostrar poder em relação ao sacrifício sagrado. Samuel pôs Saul a prova, e o rei, nesse particular, fora reprovado, sendo vencido pela impaciência (I Sm. 13.12). É nesse contexto que o Senhor revela sua intenção de que Davi seja ungido como o novo rei de Israel, o qual havia sido previamente escolhido e ungido por Samuel (I Sm. 16.12). Não podemos pensar que Davi tenha sido um homem perfeito. Ele pecou, como bem o sabemos, mas demonstrou arrependimento e confessou seus pecados a Deus (II Sm. 12; Sl. 51). Quando o autor diz que Davi foi um homem “segundo o coração de Deus” está, na verdade, comparando-o com Saul, aquele que agia de acordo com seu próprio coração, não em conformidade com a vontade de Deus (At. 13.22).


2. LIÇÕES A PARTIR DO CARÁTER DE DAVI: Como já o dissemos, Davi não foi um homem perfeito, mesmo assim, não podemos deixar de atentar para sua espiritualidade exemplar que nos serve de modelo ainda hoje. A disposição de Davi em arrepender-se dos seus pecados é uma lição que todo cristão deva seguir (II Sm. 12.9; I Jo. 1.9; 2.1). Quantos estão dispostos a demonstrar gratidão a Deus por tudo que Ele nos tem feito? Davi era grato ao Senhor por tudo (Sl. 9.1,2), temos todos os motivos possíveis para fazer o mesmo (I Co. 15.57; II Co. 9.11,15; Ef. 5.4,20; Fp. 4.6). Davi não confiava nas suas próprias forças, no seu conhecimento, e muito menos em seu poder (Sl. 17.5; 18.21). Na sociedade atual, que se propõe a desconsiderar Deus, nós, os cristãos, precisamos aprender a ser confiantes no Senhor em todos os momentos da vida (I Pe. 5.7; Mt. 6.25-34). Ao contrário de muitos líderes de hoje, Davi era um homem que se colocava abaixo da revelação divina (II Sm. 7.17,18; 12.1-15; Sl. 51). Seguido o seu exemplo, nós, do mesmo modo, devemos nos colocar debaixo da Palavra de Cristo, pois Ele, de fato, é o Senhor, e, independentemente da posição que venhamos a ocupar, não podemos pensar que somos maiores do que a revelação de Deus através da Palavra e do Espírito (Rm. 3.19; Gl. 5.18; Fp. 2.10; Hb. 2.8).


3. A BOA, PERFEITA E AGRADÁVEL VONTADE DE DEUS: O cristão, diante das adversidades do mundo, é também tentado, a viver como Saul, segundo seu próprio coração. O desafio, para obter bom êxito na empreitada para a qual fomos chamados, é viver de acordo com a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm. 12.1,2; Ef. 2.2; Gl. 1.4). Para tanto, o caminho é ter uma mente transformada de glória em glória a cada dia, com o caráter do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (II Co. 3.18). Essa é uma experiência diária, por meio da qual, podemos perceber que a vontade de Deus, a qual o próprio Jesus se referiu, na oração modelo (Mt. 6.10; Lc. 11.2), não é para o mal, mas para o bem daqueles que se comprazem em viver em conformidade com Sua vontade. É uma pena que muitos cristãos, em sua vida carnal, vejam a vontade de Deus como um fardo, quando o Senhor disse que o seu jugo é suave e leve (Mt. 11.28). O desejo de Deus, como o foi para o antigo Israel, e também para as nossas vidas, não são para a morte, mas para que vivamos em paz e em comunhão com Ele que nos chamou (Dt. 30.16,19). A menos que entendamos isto, viveremos como o filho da parábola que ficou em casa, mas não desfrutava de suas riquezas (Lc. 15.30).


CONCLUSÃO: A vida de Davi, o célebre rei e poeta de Deus, nos fornece lições bastante produtivas que podem ser aplicadas ao cristão, dentre elas destacamos: 1) a disposição para admitir honestamente os nossos erros e a lidar com eles; 2) a de que Deus perdoa os nossos pecados, contudo, não nos exime de suas conseqüências; e 3) para nos relacionarmos com Deus, precisamos pôr nossa total confiança nEle. PENSE NISSO!

* A NATUREZA DO CARÁTER CRISTÃO

Textos: Cl. 3.1 – Ef. 4.17-24

Objetivo: Mostrar que somente o poder do Evangelho de Cristo é capaz de transformar e aperfeiçoar o caráter humano.

INTRODUÇÃO: Os desafios que nos são postos, e algumas vezes, impostos, requerem que os cristãos sejam, verdadeiramente, íntegros, com todo o cuidado para não serem levados pela onda do secularismo. Ao longo dos próximo estudos, nos voltaremos para o caráter cristão, com vistas ao reconhecimento de nossa identidade como cristãos. Para tanto, trataremos a respeito do caráter de alguns célebres servos e servas de Deus: Davi, Elias, Éster, José, Noé, Débora, Paulo, Pedro, Sara, Moisés e Abraão, e, singularmente, Cristo, nosso maior modelo.

1. DEFININDO "CARÁTER CRISTÃO: A palavra “caráter” vem do grego e significa, literalmente, marca, sinal gravado, traço distintivo. Em relação ao cristão, diz respeito ao progresso espiritual do crente, na busca constante de transformação, tendo Cristo como maior exemplo a ser imitado (I Co. 4.16; 11.1; Ef. 5.1; Fp. 3.17; I Ts. 2.14; Hb. 6.12). Devemos lembrar que, nos tempos antigos, quando Deus se revelou a Abraão, exigiu, não menos que Ele andasse em Sua presença e que fosse perfeito (Gn. 17.1). Portanto, o alvo do crente não é outro, senão a perfeição absoluta, a qual somente se encontra em Deus. É claro que Deus responderá com graça ao longo da caminhada (II Co. 12.9), mas não admitirá que desistamos de buscar o padrão perfeito que exige de cada um de nós, para que venhamos, ao final, nos identificar com sua natureza em santidade (II Pe. 1.4). A meta do cristão, em todo o momento, é obter a “aprovação divina”, que é, em sua totalidade, a definição do caráter cristão. É possível que, para tanto, tenhamos que passar por muitas tribulações (Rm. 5.3), até que, ao final, recebamos, da boca do Senhor, a mesma aprovação, por Ele, atribuída a Jesus: “Este é o meu Filho, em quem me comprazo (Mt. 3.17). O maior modelo para o caráter cristão, é, sem sombra de dúvida, Cristo, cujos passos devem ser seguidos (I Pe. 2.21).

2. A ORIGEM DO CARÁTER CRISTÃO: A queda do homem o colocou numa condição de desaprovação diante de Deus. A esta condição humana, a Bíblia denomina de pecado (Rm 3.23). Em virtude disto, o homem, distanciado de Deus, encontra-se espiritualmente morto (Rm. 6.23), carecendo da vivificação do Espírito Santo (Rm. 8.12,13), pelo nascimento que vem de cima (Jo. 3.3). O caráter cristão, portanto, tem sua origem no ato da conversão, no momento em que o pecador se volta para Deus, despojando-se do velho homem e se revestindo de Cristo (Ef. 4.17-24). A fonte do caráter cristão, é, nesse sentido, Espírito Santo, o qual, produz, em nós e conosco, o Seu fruto (Gl. 5.22), fora dEle, ficaremos restritos às obras da carne (Gl. 5.19-21). Sendo assim, para que tenhamos um caráter genuinamente cristão, precisamos, a princípio, passar pela experiência do nascimento que vem de Deus, conforme explicitado por Jesus a Nicodemos (Jo. 3), e, depois disto, continuar “andando no Espírito”, não se deixando levar pelas concupiscências da carne (Gl. 5.16).

3. O DESENVOLVIMENTO DO CARÁTER CRISTÃO: O aprimoramento do caráter cristão é uma verdade fundamental do cristianismo (II Co. 3.18). Conforme ressaltamos no tópico anterior, isso não acontece por meio da força humana (Zc. 4.6), mas pelo Espírito de Deus (Gl. 5.16). Por isso, a Escritura nos instrui para que sigamos “a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12.14) como também: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (II Co. 3.18). Como depreendemos dos textos em evidência, o desenvolvimento do caráter cristão não se dá de modo repentino, demanda tempo e, principalmente, contato permanente com Cristo (Jo. 15), a videira verdadeira, pois é enxertados nEle que podemos dar muitos frutos (v. 5). É assim que seremos perfeitos como o é Nosso Pai Celestial (Mt. 5.48), e Nosso Mestre (Lc. 6.40). Essa é a meta de todo cristão genuíno (Ef. 4.13; Fp. 3.12) que somente poderá ser alcançada, enquanto aqui estivermos, em amor (I Jo. 4.12). Em sua plenitude, a perfeição moral, ainda que deva ser nossa meta enquanto aqui estivermos, somente será alcançada no arrebatamento (ou ressurreição do corpo) quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade, então, seremos como Ele é (I Jo. 3.2).

4. O MUNDANISMO E O CARÁTER CRISTÃO: O mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19) e, enquanto estivermos na terra - no mundo físico -, precisamos crescer espiritualmente a fim de que não venhamos a entrar em sua fôrma – mundo espiritual regido por Satanás (Rm. 12.1,2), experimentando a sempre boa, agradável e perfeita vontade de Deus. As aflições do tempo presente (Jo. 16.33; Rm. 8.18) podem afetar o desenvolvimento, e, em alguns casos, desconstruir o caráter do cristão. Aqueles que têm uma caráter frágil, em meio às tribulações, são levados por todo vento de doutrina (Ef. 4.14), pelas forças das trevas (II Pe. 2.17), diferentemente daquele que ouve a voz do Espírito por meio da Palavra do Bom Pastor (Jo. 3.8; 10.16). Aquele que tem o seu caráter cristão desconstruído, que não ouve e não pratica a Palavra é comparado, por Tiago, “ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era” (Tg. 1.23,24). Todo cristão deva cuidar para não se voltar à apostasia (I Tm. 4.1; I Co. 10.12), pois, todo aquele que se distância do Senhor, relutantemente, expõe Cristo novamente ao vetupério (Hb. 6.6). Fica aqui o alerta do profeta Jeremias para que não cavemos cisternas rotas que não retêm água (Jr. 2.13), pois todo aquele que se esquece do Senhor terá seu nome escrito no chão (Jr. 17.3), pois abandonou a fonte das águas vivas.

5. O CULTIVO DO CARÁTER CRISTÃO: O caráter cristão é produzido em contato com o Espírito Santo, para tanto, precisa ser cultivado ao longo do “andar com Ele” (Gl. 5.16). Eis aqui alguns dos princípios fundamentais para o cultivo do caráter cristão (do fruto do Espírito): 1) Leitura constante das Escrituras e de boa literatura cristã que nos confira o desejo de nos achegar, a cada dia mais, a Cristo, o padrão maior de perfeição; 2) Prática contínua da oração, não apenas com vista ao suprimento das necessidades materiais, mas, principalmente, para ter comunhão com o Senhor, relacionando-se com Ele; 3) Meditação, sintonizando o nosso espírito com o Espírito de Deus, acostumando à presença de Deus, para que, por meio da iluminação espiritual, cresçamos na fé; 4) Disciplina a fim de não perder de foco o alvo supremo da santificação no Espírito; 5) Vivência em amor, sabendo que nisto redunda a essência da espiritualidade (I Jo. 4.7,8). A título de ilustração, podemos apelar para a prática dos músicos que, mesmo dominado os instrumentos musicais com os quais trabalham, não se apartam deles, ensaiando, continuamente, a fim de que a execução se realize à contento. Caso um músico venha a negligenciar seu instrumento, cedo ou tarde, as pessoas perceberão que ele já não é mais o mesmo. Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores, dizia que não passava mais do que quinze minutos diários sem pensar em Deus.

CONCLUSÃO: Portanto, para o pleno desenvolvimento do caráter cristão, devemos, como um músico, ou um atleta, exercitar, com disciplina (e amor), a experiência com Deus. Paulo chama a atenção de todos os cristãos para o exercício da piedade (I Tm. 4.8; 6.5,6,11), pois, através deste, a caminhada espiritual se tornará cada vez mais produtiva, sem que se constitua num fardo (Mt. 11.30). Conta-se que um certo homem tinha um cão o qual, constantemente, costumava morder os vizinhos. Certo dia, o proprietário do cão fez uma mordaça e colocou naquele animal para que isso não mais viesse a acontecer. Felizmente, a fera deixou de morder a vizinhança, mas, para tristeza do dono, não deixou de correr atrás. A mordaça posta no focinho do cão não mudou sua natureza. Portanto, não podemos esquecer que o desenvolvimento do caráter cristão diz respeito, sobretudo, a uma transformação não apenas no exterior do indivíduo, mas, primordialmente, uma mudança interior, por meio da qual a natureza pecaminosa é subjugada pelo Espírito do Senhor (Rm. 6.6; Cl. 3.9). PENSE NISSO!