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O MINISTÉRIO DE PASTOR


Textos: Jo. 10.11 – Jo. 10.11,14; Tt. 1.7-11; I Pe. 5.2-4


INTRODUÇÃO
Em continuidade ao estudo dos dons ministeriais de Ef. 4.11, nos dedicaremos está semana ao dom ministerial de pastor. Inicialmente mostraremos a necessidade dos pastores na igreja, dando ênfase a Cristo, o maior exemplo de pastoreio. Em seguida, enfocaremos mais especificamente o dom ministerial, mostrando sua relevância para a edificação da igreja do Senhor. E ao final, destacaremos algumas características do pastor, ressaltando sua atuação para a preservação do rebanho de Deus.

1. A NECESSIDADE DOS PASTORES
Jesus é o maior exemplo de pastor, na verdade Ele é o Pastor dos pastores. Em Jo. 10 Jesus disse ser “o Bom Pastor” que dá a vida pelas ovelhas, contrastando com os mercenários, que buscavam apenas alimentar-se das ovelhas, não alimentá-las. Como Bom Pastor Ele conhece as suas ovelhas (Jo.14), cada uma nominalmente, pois são ovelhas do Seu pastoreio (Sl. 100.3). Como Pastor Jesus conduz as suas ovelhas, levando-as adiante (Jo. 10.3,4). Semelhante ao pastor do Sl. 23, Ele as “guia pelas veredas da justiça por amor do seu nome”. Pedro destacou que Jesus é o Pastor e Bispo das nossas almas, que nutre as nossas vidas com o alimento espiritual, instruindo no caminho que deve ser seguido (Sl. 32.8). Para o autor da Epístola aos Hebreus Jesus é o “Grande Pastor”, que não está sujeitos às limitações, por isso pode cuidar do Seu rebanho, tendo por ele interesse. Pedro denominou ainda Jesus de “Supremo Pastor”, que nos dará, se não desfalecermos, “a imarcescível coroa de glória” (I Pe. 5.4). Somos ovelhas carentes de um cuidado, por isso Cristo é Aquele que pode nos apascentar, considerando Suas credenciais. Ele desempenha essa função por meio dos pastores (gr. poimên), que Ele mesmo deu para a igreja (Ef. 4.11) Na medida em que a igreja foi se organizando, fez-se necessário que os pastores fossem estabelecidos, para supervisionar as igrejas (I Ts. 2.14). Esses pastores eram denominados nas igrejas judaicas de presbíteros, e bispos nas igrejas gregas (At. 11.30; 14.23; 20.17,28). Esses pastores tinham a responsabilidade de “apascentar o rebanho” (I Pe. 5.2). Nessa mesma passagem Pedro deixa claro que a motivação para o pastoreio não deveria ser o lucro, mas “a boa vontade”. Evidentemente digno é o pastor do seu salário (I Tm. 5.18), e aqueles que governam bem, e labutam na pregação e no ensino, são dignos de duplicada recompensa (I Tm. 5.17). 

2. O DOM MINISTERIAL DE PASTOR
O dom ministerial de pastor é necessário por diversos motivos, dentre eles, a importância de manter a decência e ordem no culto, atentando para os elementos litúrgicos da celebração (I Co. 14.40). Além disso existem falsas doutrinas que se proliferam, ameaçando a integridade do evangelho. O pastor tem responsabilidade apologética, de proteger o rebanho dos falsos mestres, os lobos que querem devorar as ovelhas (Tt. 1.11; II Pe. 2.1). Mas é no cuidado individual das ovelhas que o pastor exerce com maior propriedade o seu ministério, principalmente quando alguma delas se encontra enferma (Tg. 5.14). É nesse particular que o ministério de pastor se diferencia dos demais de Ef. 4.11. Cabe ao pastor a tarefa de dar acompanhamento pessoal às suas ovelhas. Em Jo. 21.15-17 Jesus orienta Pedro em relação à adequação do ministério pastoral. Ele deveria apascentar primeiramente instruir as ovelhas no caminho, não deixando de prover alimento apropriado para o crescimento saudável. É triste testemunhar que nos dias atuais muitos procuram o título de pastor, sem qualquer interesse nesse importante ministério. A elitização do pastorado tem causado muitos males à igreja, principalmente depois que se criou a figura dos “pastores-presidentes”. Ninguém quer mais ser um simples pastor, como foi Jesus, que se sacrificou pelo rebanho. Na verdade, a busca desenfreada por posição eclesiástica, tem causado muitos danos à igreja institucionalizada. Individualmente muitos estão feridos em nome de Deus, e carregam marcas profundas advindas daqueles que deveriam curar, ao invés de causar adoecimento. Nada há de errado em manter a relação do título de pastor com o ministério de pastor, contanto que esses de fato apascentem. Devemos considerar também que existem muitos que não têm o título, mas que são verdadeiros pastores, há muitos auxiliares, diáconos e presbíteros que são pastores, no sentido ministerial bíblico. Esses receberão do Senhor a recompensa, ainda que não tenham o devido reconhecimento eclesiástico.

3. CARACTERÍSTICAS DO PASTOR
É imprescindível que o pastor tenha conhecimento da Palavra, pois como irá doutrinar se não tiver fundamentação bíblica? Não podemos esquecer que toda Escritura é divinamente inspirada, e é a partir desta que o obreiro está preparado para toda boa obra (II Tm. 3.16,17). Se quisermos ser obreiros aprovados por Deus, inclusive no ministério pastoral, devemos manejar bem a palavra da verdade ( II Tm. 2.15). Atualmente há muitas exigências para o ofício de pastor, mas que não têm respaldo bíblico, não se fundamentam nas recomendações paulinas (Tt. 1.7-11). Há igrejas que substituíram o modelo pastoral bíblico pela administração empresarial. Alguns pastores são reconhecidos não pela capacidade de apascentar, mas pela produtividade organizacional, pelos lucros que trazem às igrejas. Esse modelo está em declínio, principalmente depois do sucesso editorial do livro O monge e o executivo. Para espantos dos evangélicos, esse estilo de liderança-servidora tem fundamentação bíblica, sendo Jesus o Seu grande modelo (Jo. 13.1-17). Seguindo o exemplo de Jesus, o que mais se espera de um pastor é que esse seja amoroso, que apascente o rebanho com cuidado (I Pe. 5.1-3). Ele deve exercitar a longanimidade, não pode ser tempestivo, levado pelas emoções, o amor sacrificial precisa sustentar seu ministério (At. 20..31; II Tm. 4.2). O ministério de pastor é exercido também através dos cuidados com as necessidades dos irmãos mais pobres (Gl. 2.9,10). O dom de pastor não se concretiza apenas no cuidado com o espírito, é necessário também atentar para as carências materiais (Gl. 6.10). O ministério de pastor é percebido principalmente no cuidado com os enfermos. A sociedade contemporânea tende a descartar as pessoas, a medi-las pela capacidade de produção. Mas o pastor sabe que cada vida tem valor para Deus, por isso visita os enfermos, auxiliando-os em oração (Tg. 5.14,15). Ao proceder desse modo o pastor obterá do Senhor uma posição, não aquela acirradamente disputada nos arraiais evangélicos, mas a de “despenseiro dos mistérios de Deus” (I Pe. 4.1,2).

CONCLUSÃO
Jesus continua sendo o Maior exemplo de Pastor para as igrejas, todos aqueles que são chamados por Deus para esse ministério dão continuidade ao pastoreio do Senhor. A esse respeito é válido lembrar a pergunta de Jesus a Pedro após ressuscitar: “Pedro, tu me amas?” Em seguida o comissionou: “apascenta as minhas ovelhas” (Jo. 21.15-17). Que o Senhor continue dando pastores à sua igreja, e que sejam aprovados nesse importante critério: que amem ao Senhor, e também ao rebanho que Ele lhes confiou, tendo-o adquirido com Seu próprio sangue (At. 20.28-30). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

O MINISTÉRIO DE EVANGELISTA

•Textos: II Tm. 4.5 –  At. 8.26-35; Ef. 4.11


•INTRODUÇÃO
Em continuidade ao estudo dos dons ministeriais, estudaremos esta semana o dom de evangelista. Inicialmente mostraremos o que o Novo Testamento revela a respeito desse importante ministério. Em seguida, ressaltaremos as características do ministério de evangelista. Ao final, abordaremos a atuação do ministério de evangelista nos dias atuais, destacando sua relevância para a igreja.

•1. O DOM DE EVANGELISTA
A palavra evangelista (gr. euaggelistas) ocorre apenas três vezes no Novo Testamento em At. 21.8, em referência a Filipe, o diácono-evangelista; em Ef. 4.11, ao dom ministerial de evangelista; e II Tm. 4.5, orientando Timóteo a fazer o trabalho de evangelista. O significado literal de “anunciador de boas novas”, e nesse sentido, Jesus é o maior dos evangelistas, pois Ele deu testemunho de que havia sido enviado para pregar as boas novas aos quebrantados (Lc. 4.18,19; Is. 61.1-3). Ao que tudo indica essa era uma função ministerial na igreja primitiva, semelhante à de apóstolos, profetas, pastores e mestres. O evangelista, grosso modo, é alguém que tem amor pelas almas perdidas, um desejo de conduzir os perdidos a Cristo. Filipe é o único homem no Novo Testamento a ser denominado de evangelista. Ele era um dos sete diáconos que foram dispersos em virtude da perseguição que resultou na morte de Estevão (At. 6.5; 8.1-5). Filipe se destaca como um verdadeiro evangelista porque mesmo diante da perseguição não foge da responsabilidade de levar o evangelho adiante. Ele desfruta de íntima relação com Deus, ouvindo a Sua voz, com disposição para obedecê-LO. Como evangelista Filipe deixou o exemplo para aqueles que querem ganhar almas para Cristo. Isso somente poderá ser feito se não medirmos esforços para alcançar essa meta. É necessário também seguir as orientações do Espírito Santo. Identificamos o dom de evangelista na igreja sempre que vemos obreiros dedicados à tarefa de ganhar almas. Há pessoas que se gastam a fim de tirar os perdidos do caminho da perdição. Como Filipe, seu mote é a doutrina da salvação, a cruz de Cristo é seu tema central. Fundamentados na Bíblia, como fez Felipe diante do Eunuco, pregam a Cristo, e esse crucificado (At. 8.32-35), loucura e escândalo para alguns, mas o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, como bem expressou Paulo (Rm. 1.16). Felipe foi separado como diácono pela igreja, mas se revelou evangelista em atuação. Isso demonstra a possibilidade das pessoas serem escolhidas para assumirem uma posição eclesiástica, e se destacarem em outra, de acordo com o chamado de Deus.

•2. CARACTERÍSTICAS DO EVANGELISTA
O verdadeiro evangelista tem amor pelas almas perdidas, Paulo assumiu que pesava sobre ele a obrigação de pregar o evangelho (I Co. 9.16). Geralmente a atuação do dom ministerial de evangelista é acompanhada por milagres. Filipe pregou o evangelho, mas certamente os milagres que Deus realizou através dele foram relevantes para a conversão de muitas vidas a Cristo (At. 8.6). É importante ressaltar, no entanto, que o ministério de Filipe não se reduziu a operação de milagres. Existem muitos pregadores atuais, principalmente os televisivos, que não pregam a mensagem. Eles apenas utilizam os milagres como um show, uma espécie de atrativo pessoal, como se fosse um fim em si mesmo. Alguns desses supostos evangelistas estão interessados apenas no dinheiro das pessoas. Elas não querem arrebatar almas da perdição, querem auferir lucros, e enriquecerem ilicitamente. Filipe não apenas fez milagres, o texto bíblico de At. 8.12 diz que as pessoas creram na sua mensagem. Isso quer dizer que elas ouviram a pregação, e foram convencidas e convertidas da necessidade do arrependimento (At. 3.19). Os evangelistas pregam o novo nascimento, a importância de deixar o pecado e se voltar para Deus, em novidade de vida (II Co. 5.17). Um verdadeiro evangelista não se aparta da Bíblia, na verdade ele prega a Palavra de Deus (II Tm. 4.2). Paulo quando esteve entre os coríntios não levou palavras persuasivas de sabedoria humana. Como evangelista, pregou a mensagem da cruz, pelo poder do Espírito Santo (At. 8.13; I Co. 1.4). O evangelista valoriza as vidas individualmente, por isso Deus conduziu Filipe para pregar ao eunuco de Candace. As maiores mensagens de Jesus foram pregadas para uma pessoa. Em João 3 O encontramos pregando para Nicodemos, expondo a doutrina do novo nascimento. Em João 4 nos deparamos com o mesmo Senhor ministrando para uma mulher samaritana, destacando o valor da água da vida. Aqueles que apenas querem pregar para as multidões não são evangelistas, alguns deles querem apenas visibilidade pessoal. O verdadeiro evangelista valoriza cada alma, sabendo o valor que elas têm, individualmente (Lc. 15.3-7).

•3. O MINISTÉRIO DE EVANGELISTA
O evangelista, como todos os dons ministeriais, são interdependentes, isto é, se complementam. Ninguém pode ser obreiro de Deus sozinho, dispensando a contribuição de outros para o seu ministério. Felipe foi usado por Deus como evangelista, pregando a mensagem da cruz, com autoridade espiritual. Mas dependeu do trabalho dos apóstolos, por isso Pedro e João foram enviados para Samaria, a fim de confirmaram o trabalho ali iniciado. Ao que tudo indica Filipe teria batizado Simão (At. 8.13), aquele que posteriormente quis comprar o dom de Deus (At. 8.18-23), sendo repreendido por Pedro. O evangelista, na ânsia de ganhar almas, pode se adiantar, e aceitar a todos, indistintamente, o que é compreensível. Às vezes o evangelista diz “vinde como estás”, mas o pastor-mestre complementa: “como estás não podes permanecer”. A doutrina apostólica é fundamental para orientar aqueles que se decidem por Cristo, por isso o discipulado é tão importante nas igrejas. Outra característica do evangelista é itinerância, é o que atestamos no ministério de Filipe. Após cumprir sua missão em Samaria, é conduzido imediatamente para outro lugar (At. 8.26). Talvez Timóteo achasse cômodo permanecer em Éfeso, como pastor residente, mas Paulo o admoesta para que cumpra o ministério de evangelista (II Tm. 4.5). Para tanto deveria exercitar-se a si mesmo, não tem como ser evangelista apenas na teoria, sem pôr em prática, e fazer o que é preciso (II Tm. 4.7). A negligência é o principal empecilho para que o evangelista se distancie da sua responsabilidade (I Tm. 4.14). O comodismo pode afastá-lo do seu trabalho, a busca por posição eclesiástica também. Por isso a igreja deve apoiar aqueles que exercem esse ministério, reconhecendo seu valor para a expansão do Reino. O evangelista, por outro lado, devem avivar o dom de Deus em suas vidas, buscando experiências com o Senhor, fundamentadas na palavra (II Tm. 1.6).

•CONCLUSÃO
Vivemos dias tenebrosos, as perseguições estão sobrevindo sobre a igreja, mas o evangelho não pode ser calado. Para tanto precisamos do ministério de evangelista, pessoas-dons que são escolhidas por Deus para levar adiante as boas novas de Jesus. Essas pessoas-dons são corajosas, tendo em vista que Deus não lhes deu espírito de covardia, mas de poder, amor e moderação (II Tm. 1.7), para ganharem muitas almas para Cristo. Cumpramos, pois, no poder do Espírito Santo, o ministério de evangelista, para o qual fomos chamados. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

O MINISTÉRIO DE PROFETA


Textos: I Co. 12.28 – II Co. 12.27-29; Ef. 4.11-13


INTRODUÇÃO

No último estudamos o ministério de apóstolo, destacando que esses se tratam de missionários, enviados para pregar o evangelho de Jesus Cristo. No estudo desta semana atentaremos para o ministério de profeta (gr. profetas). Inicialmente mostraremos algumas diferenças entre o dom de profecia e o ministério profético no Novo Testamento. Em seguida, atentaremos para a pregação e predição como elementos desse ministério. Ao final, destacaremos algumas características bíblicas que mostram o aspecto fundador do ministério profético na igreja, e sua atuação na igreja de hoje.

1. DOM E MINISTÉRIO PROFÉTICO NA IGREJA

Existe muita confusão na igreja em relação ao ministério profético nos dias atuais. Isso pode ser justificado porque de fato não estão bem explicitadas no Novo Testamento as atribuições desse ministério. Mas antes de qualquer mal-entendido, gostaríamos de deixar bem claro que o ministério de profeta no Novo Testamento não é igual aquele do Antigo Testamento. O ministério de profeta não deve ser equiparado, sob qualquer hipótese, àquele dos profetas do Antigo Testamento. Isso porque os profetas do Antigo Pacto falavam com autoridade infalível, por isso utilizavam a expressão: “assim diz o Senhor” (Jr. 17.5). Os profetas literários (aqueles que escreveram livros) e os orais (os que expressaram sua mensagem verbalmente) compõem o cânon bíblico. Eles têm um status diferenciado, pois sua enunciação foi inspirada pelo Espírito Santo (II Pe. 1.20,21). Ninguém que é usado no dom de profecia deve se considerar um profeta inerrante, tal como acontecia com os profetas bíblicos, tendo em vista que a profecia, enquanto dom, deve ser julgada (I Co. 14.29). O dom de profecia, conforme já estudamos em lição anterior, deve ser buscado pela igreja (I Co. 12.3). Diferentemente do ministério de profeta que é um dom de Cristo para a edificação da igreja. Qualquer cristão pode buscar o dom de profecia, justamente porque esse é um dom de elocução que visa edificar, exortar e consolar a igreja (I Co. 14.3,4). É importante ressaltar que os ministérios de Ef. 4.11 são ofícios, tem propósito funcional na igreja, não devem ser confundidos com títulos. Por conseguinte, as pessoas que são usadas por Deus, geralmente de forma mais contínua, podem até serem denominadas profetas, mas apenas no que tange à funcionalidade, não à titulação. Elas podem ser reconhecidas como profetas, isso porque trazem uma mensagem do Senhor, fundamentada na Palavra inspirada. Alguns estudiosos defendem que esses se distinguem dos mestres (doutores) pelo seu enfoque mais emocional do que racional. No entanto, discordamos desse ponto de vista, considerando que todo aquele que exerce o ministério de profeta também deve se respaldar na revelação de Deus nas Escrituras.

2. O MINISTÉRIO DE PROFETA COMO PREGAÇÃO E PREDIÇÃO

O ministério de profeta costuma ser realizado por aqueles que atuam na ministração da Palavra de Deus. Essas pessoas ocupam posição de liderança na igreja, por isso tem liberdade de corrigir seus rumos, a partir da revelação de Deus, alicerçada na Bíblia. Tais líderes recebem iluminação durante a meditação da Palavra, ou mesmo durante a ministração, para evitar que a igreja não perca seu foco. Essas pessoas-dons também se dirigem ao mundo, elas demarcam as fronteiras entre o que é e não é do Senhor. Judas e Silas, em At. 15.32, são reconhecidos como líderes que exercitavam o ministério de profetas para a igreja. Uma marca desse ofício, de acordo com o texto, está na capacidade para o uso da palavra, principalmente para o fortalecimento dos irmãos. O fundamento para o ministério de profeta, conforme está registrado em Rm. 12.6, é a fé na revelação de Deus. Ao mesmo tempo em que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir através da Palavra de Cristo (Rm. 10.17). O ministério de profeta, no Novo Testamento, também pode ter um caráter preditivo. Mesmo assim isso não quer dizer que seja inerrante, que o profeta esteja isento de cometer equívocos. Em At. 11.27-30; 21.11 temos o exemplo de Ágabo, um homem que recebeu de Cristo o ministério de profeta. Sempre que alguém é usado por Deus com uma mensagem em relação ao futuro, não se deve pensar que essa mensagem se cumprirá inequivodacamente. O critério de Dt. 18.22 deve ser levado em consideração, o mais viável é guardar a revelação no coração, e esperar seu cabal cumprimento. Existe muita confusão em algumas igrejas locais por causa do uso indevido de pessoas com o título de profeta. Há aqueles e aquelas que saem de casa em casa, e outros e outras que são procurados em suas residências, para entregarem revelações de Deus. Esse procedimento não tem respaldo bíblico, por causa de atitudes semelhantes existem muitas pessoas adoecidas nas igrejas. Devemos ter cuidado para avaliar tudo que ouvimos, julgar se de fato as profecias procedem de Deus (I Jo.4.1), e ponderar sempre à luz da Palavra de Deus (I Ts.5.19-21).

3. O ASPECTO FUNDADOR DO MINISTÉRIO DE PROFETA

O ministério de profeta tinha um aspecto fundador na igreja primitiva, isso porque aqueles que falavam, com base na revelação que haviam recebido, também declaravam com autoridade os desígnios de Deus. A igreja sempre esteve fundamentada na doutrina apostólica, que, por sua vez, se baseava na mensagem dos profetas do Antigo Testamento (At. 13.15,27; 15.15). Em Ef. 2.20 Paulo destaca a importância da mensagem dos profetas, e sua relação com a pregação apostólica, sobre Jesus Cristo, como a pedra fundamental da igreja (Is. 28.16). No entanto, em Ef. 3.5 o apóstolo se refere à outra categoria de profeta, esse com um ofício mais específico na igreja. Esses profetas, tanto no período da igreja primitiva, como dias atuais, são arautos de Deus. Eles partem daquilo que receberam de Deus, e que está revelado nas Escrituras, a fim de orientar os ditames da igreja. Esse ministério é importantíssimo na igreja atual, tendo em vista os perigos que enfrentamos, principalmente no contexto evangélico brasileiro. Felizmente Jesus tem dado pessoas que são profetas de Deus para esta nação, homens e mulheres corajosos que declaram, como fez Paulo entre os efésios, todos os desígnios de Deus (At. 20.27). Esses profetas não se vendem por status ou dinheiro, não estão interessados em posição, o objetivo principal deles é repassar o que receberam do Senhor. Esses homens-dons também se posicionam com ousadia, em alguns casos através da mídia, para denunciar o erro, tanto na igreja quanto no mundo. Eles denunciam os excessos que geralmente testemunhamos na igreja. Eles não se conformam ao ver a igreja ser confundida com empresa, o ministério com profissão, e os cristãos com clientes. Os profetas de Deus a essa nação falam com propriedade quando se trata da cultura da morte, defendendo a cultura da vida, se opondo a práticas como o aborto e a eutanásia. Esses profetas, quando fundamentados na Palavra, fazem as estruturas institucionais estremeceram, pois têm a autoridade de Deus, denunciando inclusive a corrupção.

CONCLUSÃO

Nesses dias, marcados pelo secularismo, em que as igrejas estão se dobrando diante de mamom, precisamos de pessoas que exerçam o ministério de profeta. Que Deus levante homens e mulheres com coragem e ousadia, que não se dobrem diante das instituições humanas, que se respaldam na Palavra de Deus. Estejamos atentos à voz dos profetas dados por Jesus Cristo à igreja. Eles incomodam na maioria das vezes, pois nem sempre dizem o que gostaríamos de ouvir, mas são fundamentais para que não sejamos conduzidos ao engano. Os apóstolos são pioneiros a serem enviados a determinadas regiões para levarem a mensagem de Cristo. Os profetas são homens de Deus que, juntamente com os mestres-doutores, consolidam a fé na Palavra de Deus, apontando para o caminho correto. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

O MINISTÉRIO DE APÓSTOLO


Textos: Ef. 4.7-16


INTRODUÇÃO
Após o estudo dos dons espirituais, nos voltaremos ao longo das próximas para os dons ministeriais, isto é, para a obra do ministério (gr. eis ergon diakonia). Inicialmente destacaremos os propósitos desses dons, comparando-os com os dons espirituais. Em seguida apresentaremos as especificidades do ministério apostólico no Novo Testamento. E ao final, faremos uma apreciação a respeito do ministério do apostolado nos dias atuais.

1. OS PROPÓSITOS DOS DONS MINISTERIAIS
Os ministérios de Deus sempre têm propósitos, conforme estudamos anteriormente em relação aos dons espirituais (I Co. 12.7). Os dons ministeriais são provenientes de Cristo, e destinados à igreja, para o aperfeiçoamento dos santos. Isso quer dizer que esses dons devem edificar os outros, ou seja, para serem compartilhados, para contribuir com a santificação dos irmãos e irmãs. Paulo acrescenta que eles são para o trabalho do ministério (gr. diakonia). Portanto, uma das especificidades desses dons, diferentemente dos espirituais, é que eles são para o serviço, para os que lideram na igreja. Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres trabalham com vistas à edificação do Corpo de Cristo. A atuação dos dons ministeriais acontecerá, no seio da igreja, até que venhamos à unidade da fé em Cristo. É uma pena testemunhar tantas divisões nas igrejas, algumas delas infundadas, por motivos meramente egoístas. Isso acontece por causa dos interesses individuais, geralmente pela busca de títulos. A igreja não pode esquecer que foi chamada para a unidade (Jo. 17.21), não apenas nos aspectos doutrinários, mas, sobretudo, para o amor (gr. agape), que é o vínculo da perfeição que promove a paz (Ef. 4.3; Cl. 3.14). O objetivo primordial do ministério deve ser o crescimento em amor da igreja, e o conhecimento do Filho, Jesus Cristo. Para tanto, devemos ensinar, a partir dos evangelhos, quem foi e é o Senhor. Como Paulo devemos ser imitadores de Cristo, somente assim chegaremos à estatura de perfeição, ou melhor, a completude em Cristo. A intenção de Deus é a maturidade da Sua igreja, infelizmente alguns preferem continuar crianças na fé. Uma das características da infância é a falta de critérios para avaliação. As crianças tendem a ser levadas por todo e qualquer vento de doutrina. O ministério tem uma função primordial nesse sentido, a de evitar que os irmãos sejam enganados por falsas doutrinas de homens, e seguirem segundo os rudimentos do mundo (Cl. 2.4-8).

2. OS APÓSTOLOS DO NOVO TESTAMENTO
O ministério de apóstolos (gr. apóstolos) geralmente está relacionado aos doze, mas tem uma atuação bem mais ampla no Novo Testamento. Existem pelo menos vinte e quatro apóstolos mencionados ao longo do Novo Testamento. O termo grego diz respeito a alguém que foi delegado, ou melhor, enviado com autoridade para agir em lugar de outro. O apóstolo, de acordo com essa definição, é alguém que age não em benefício próprio, mas pelo Espírito Santo, em benefício do Corpo de Cristo. Essa é uma diferença fundamental de alguns apóstolos televisivos, que assim se intitulam, para tirarem benefício do rebanho. Ninguém se faz apostolo, esses são chamados por Deus, para serem enviados. Os apóstolos são mensageiros, arautos do evangelho de Jesus Cristo, que cumprem uma missão (II Co. 8.23; Fp. 2.25). Os apóstolos são listados primeiro, entre os dons ministeriais, porque eles são os plantadores de igreja, aqueles que chegam primeiro ao campo. Barnabé, em I Co. 9.5,6, é também chamado de apóstolo, tendo em vista sua atuação missionária, juntamente com Paulo (At. 14.14). Há outros apóstolos no Novo Testamento, dentre os quais destacamos, Andrônico, Júnia (Rm. 16.7), Apolo (I Co. 4.6,9), Tiago, irmão do Senhor (Gl. 1.19; Tg. 1.1), Silas e Timóteo (I Ts. 1.1; 2.6), Tito (II Co. 8.23) e Epafrodito (Fp. 2.25). A lista de apóstolos no Novo Testamento é muito mais ampla, considerando os setenta, também enviados por Cristo (Lc. 10.1-20). Uma das características marcantes desse ministério é a disposição para desbravar territórios que ainda não foram alcançados. Jesus é o maior exemplo de Apóstolo, pois Ele mesmo foi enviado para a salvação do mundo (Jo. 3.16). Paulo também se reconhece apóstolo, não da parte de homens, mas de Deus, que O chamou para as nações (Gl. 1.1). O ministério apostólico, ou mais precisamente missionário, pode ter direções específicas. Paulo foi chamado por Deus para o apostolado entre os gentios, enquanto que Pedro para os judeus (Gl. 2.8). Um missionário pode ter chamado divino para pregar entre as etnias, outro na zona rural, e outro, por sua vez, na urbana. Esse ministério apostólico tem alguma relação com os doze, tendo em vista que aqueles também foram enviados por Jesus (Mt. 10.2-4). Esse colégio tem destaque no Novo Testamento, já que acompanharam Jesus, e foram testemunhas da Sua ressurreição. Quando Judas traiu Jesus e foi se suicidar resultou em uma lacuna. Lucas, em At. 1.26, registra que a substituição de Judas teria sido feita por Matias, ainda que haja controvérsias em relação à aprovação divina dessa substituição. Há quem defenda que o substituto de Judas na escolha de Deus teria sido Paulo, já que Matias teria sido escolhido por sortes (At. 1.21-26). Essa perspectiva teológica tem fundamento, considerando que Paulo viu Cristo ressurreto (At. 9.5; I Co. 15.8,9), sendo este um critério para que alguém fosse contado entre os doze.

3. O APOSTOLADO NOS DIAS ATUAIS
O ministério apostólico permanece nos dias atuais e é exercido por aqueles que são ou foram pioneiros na obra de Deus, alguém que fora enviado para iniciar um trabalho (I Co. 3.10; Ef. 2.20).  Para tanto, há um preço a ser pago, o qual nem todos estão dispostos. Há uma relação direta entre o ministério apostólico e a obra missionária. Na verdade, o apóstolo dos dias atuais é um missionário, alguém que sai da sua terra, se distancia da sua cultura, para ganhar almas para o reino de Deus. Como aconteceu com Paulo, os apóstolos enfrentam muitas dificuldades, e às vezes, são perseguidos (I Co. 4.9; II Co. 5.14-17). Eles são os plantadores das igrejas, não ficam muito tempo no mesmo lugar, pois precisam levar a mensagem adiante, em alguns casos gemendo e chorando (Sl. 126.6). Para consolidar o trabalho, deixam presbíteros (bispos) e diáconos, a fim de firmarem os irmãos e irmãs na fé (At 14.21-23; Fp. 1.1). Aqueles que são deixados em determinado lugar receberam o dom de governo, para organizar a igreja local (I Co. 12.28). Somente nesse sentido podemos dizer que existem apóstolos nos dias atuais, pois doze apóstolos do Cordeiro já estão estabelecidos (Ap. 21.14). É importante ressaltar que esses apóstolos não pertencem a uma sucessão, a relação com eles está fundamentada na Palavra, que é apostólica. É mais apropriado afirmar que os apóstolos são os missionários, aqueles que são enviados para ganhar almas, dentro e fora de determinado país. Esses servos e servas de Deus receberam uma chamada específica, não têm a vida por preciosa (At.20.24), antes se gastam para a glória de Deus, e por amor às almas perdidas (II Co. 12.15). Como acontecia nos primórdios da igreja, devemos continuar enviando missionários, seguindo a direção do Espírito Santo (At. 13.1-5). Existem pessoas em várias etnias que precisam de Cristo, mas como crerão se o evangelho não for pregado? A responsabilidade da igreja é a de fazer missões, enviar obreiros e obreiras com o coração direcionado às almas perdidas (Rm. 10.14,15).

CONCLUSÃO
O ministério apostólico continua nos dias atuais, mas não como sucessão eclesiástica, como querem defender aqueles que querem status. O apostolado não tem relação com títulos eclesiásticos, que em alguns casos servem apenas para a promoção pessoal. Alguns acham pouco serem “pastores” ou “bispos” por isso querem ser “apóstolos”, se pudessem seriam “deuses”. Se por um lado precisamos ser cautelosos quanto a esses falsos apóstolos, precisamos, por outro, legitimar o verdadeiro ministério apostólico. A igreja deve reconhecer, enviar, orar e contribuir com aqueles que são mensageiros de Deus em terra estranha, que se sacrificam pelo Reino de Deus, que arrebatam as almas perdidas da condenação eterna. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!