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O EVANGELHO PROPAGA-SE ENTRE OS GENTIOS


Textos: At. 10.45 – At. 10.44-48; 11.15-18
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OBJETIVO: Mostrar que Deus não faz acepção de pessoas, de nações ou de raças e que deseja que o evangelho de Jesus Cristo seja anunciado entre todos os povos.

INTRODUÇÃO: A pregação do evangelho, nos primeiros capítulos de Atos, ficou restrita a Jerusalém. No capítulo 8, esse passa a ser enunciado entre os samaritanos, mas fazia-se necessário que esse fosse mais além. No estudo desta semana, veremos respeito da pregação de Pedro entre os gentios, mais especificamente, na casa de Cornélio, ressaltando seus efeitos a todos aqueles que recebem a Cristo como Salvador.

1. CORNÉLIO, UM OFICIAL PIEDOSO: Na cidade de Cesaréia, habitava um oficial romano, por nome Cornélio. Lucas o apresenta como “centurião da coorte, chamada italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa”. Esse homem praticava sua fé em Deus por meio de “muitas esmolas ao povo e de continuo orava a Deus” (At. 10.1,2). O registro lucano demonstra ser esse um homem que buscava agradar a Deus, era sensível à causa dos necessitados e um pai de família exemplar. O texto dá a entender que Cornélio era um convertido ao judaísmo e que tinha a intenção de servir a Deus. Em resposta às suas orações, ele recebeu a visita de um anjo, que veio até ele, não para pregar o evangelho, pois essa não era sua atribuição, mas para indicar onde encontrar um mensageiro da Palavra, o apóstolo Pedro. O oficial romano envia “dois dos seus domésticos e um soldado piedoso” para irem a Jope, a fim de chamar “Simão, que tem por sobrenome Pedro” (At. 10.5). Enquanto esses se dirigiam a Jope, o Senhor deu uma visão a Pedro na qual ele viu um lençol, que representava o mundo, os quatro cantos; apontando para os quatro pontos cardeais da terra; os animais que simbolizavam as raças e que seriam alcançadas pela pregação de Cristo. A visão dada a Pedro pode ter resultado da sua condição espiritual, pois se encontrava em jejum: “estando com fome, quis comer: mas, enquanto lhe preparavam a comida sobreveio-lhe um êxtase” (At. 10.10). Ele ouviu uma voz que dizia “mata e come” (At. 10.13). A resposta do apóstolo foi decisiva: “De modo nenhum, Senhor” e acrescentou “jamais comi coisa alguma comum e imunda” (At. 10.15). A visão do lençol se repetiu “por três vezes, e logo aquele objeto foi recolhido ao céu” (At. 10.16). Aquela visão deva ter deixado Pedro perplexo e confuso, mas enquanto “meditava acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão ai dois homens que te procuram” (At. 10.19). Deus é Senhor das situações, pois Ele preparou Pedro, o judeu, para que esse levasse o evangelho a Cornélio, o gentio.

2. A PREGAÇÃO DE PEDRO EM CESARÉIA: No dia seguinte Pedro partiu com eles, acompanhados por alguns irmãos que habitavam em Jope. Cornélio o esperava, e para ouvi-lo, preparou o ambiente, reunindo “seus parentes e amigos íntimos” (At. 10.24). A atitude de Cornélio deva servir de exemplo para os cristãos dos dias atuais, a fim de que possam abrir portas para que o evangelho de Cristo seja anunciado, entre vizinhos e parentes. Cornélio era tão temente a Deus que ao avistar Pedro prostrou-se aos seus pés e o adorou. Mas Pedro, diferentemente de alguns líderes religiosos, que gostam de ser adorados, “o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem” (At. 10.26). Em seguida, passou a expor a verdade do evangelho, partindo da revelação que o Senhor havia lhe dado: “Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável àquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é justo” (At. 10.34,35). A mensagem de Pedro revela que Deus não faz distinção geográfica de pessoas, isto é, quanto à nacionalidade. Isso não quer dizer que elas podem ser salvas por meio das obras (Ef. 2.8,9). Jesus é o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por Ele (Jo. 14.6) e em nenhum outro há salvação senão no nome de Jesus (At. 4.12). Pedro foi enviado a Jope justamente para proclamar a morte e a ressurreição de Cristo (At. 10.38-40). A mensagem do apóstolo alertou os ouvintes quanto ao juízo: “ele é quem foi constituído por Deus juiz de vivos e mortos” (At. 10.42). Em consonância com o evangelho, declara também “que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At. 10.43). A pregação de Pedro foi genuinamente evangélica, ele anunciou a condição de pecado das pessoas (Rm. 3.23), as conseqüências do pecado (Rm. 6.23), a incapacidade da salvação pelas obras (Ef. 2.8,9), a realidade do juízo vindouro (I Tm. 4.1) e a necessidade de arrependimento para o recebimento do perdão de pecados (At. 2.38). Existem muitos pregadores nos dias de hoje que não tratam mais a respeito desses temas. Como eles não anunciam o evangelho de Cristo, também não podem ser considerados pregadores evangélicos.

3. OS EFEITOS DA PREGAÇÃO DE PEDRO: A genuína pregação do evangelho de Jesus Cristo traz efeitos positivos. Enquanto Pedro anunciava a mensagem, “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a Palavra” (At. 10.44). O verdadeiro pentecostes acontece sempre em consonância com a ministração da Palavra de Deus. O movimento pentecostal não é resultado de mero subjetivismo. Os pioneiros pentecostais eram homens e mulheres que amavam a Palavra de Deus. A maioria deles não teve a oportunidade de obter formação acadêmica, mas, por outro lado, eram estudiosos da Bíblia, tinha prazer em conhecer suas doutrinas. As escolas dominicais e as escolas bíblicas para obreiros tiveram papel fundamental na formação dos pioneiros do movimento pentecostal. Esse é o fator desencadeador do derramamento do Espírito que causou admiração aos “fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios” (At. 10.45). A graça maravilhosa de Deus nos causa espanto, pois Ele prova Seu amor pelo fato de nos ter amado sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). A mensagem de Jesus Cristo é boa nova, ela alcança as pessoas, indistintamente do país, posição social ou formação educacional, basta apenas reconhecer que são pecadoras e necessitadas da salvação. A esses é prometido o recebimento do Espírito Santo, não apenas no ato da regeneração, mas também como revestimento de poder, a fim de que testemunhem de Cristo (At. 1.8). Na casa de Cornélio esses fatos acontecerem simultaneamente, já que as pessoas foram salvas, e ao mesmo tempo, receberam o batismo no Espírito Santo: “Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus” (At. 10.46). O derramamento do Espírito Santo foi motivo suficiente para que Pedro ordenasse o batismo nas águas “mandou que fossem batizados em nome do Senhor” (At. 10.48). O recebimento do Batismo no Espírito Santo não desobriga o cristão de buscar o batismo nas águas, esse é necessário como testemunho de que esse morreu e ressuscitou em Cristo, ainda que não seja condição para a salvação (Cl. 2.11,12).

CONCLUSÃO: O evangelho de Jesus Cristo não é exclusividade de uma nação. Desde o princípio o Senhor ordenou que Sua mensagem fosse pregada a todas as etnias (Mc. 16.15), até aos confins da terra (At. 1.8). Depois da perseguição, os discípulos se espalharam por Samaria, anunciado a Palavra (At. 8.4). Neste capítulo 10 de Atos, estudado esta semana vemos como Deus abriu a porta para a difusão do evangelho entre os gentios, mostrando que Ele não faz acepção de pessoas. Diante dessa verdade, resta a igreja a responsabilidade de fazer discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28.19). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A CONVERSÃO DE PAULO


Textos: At. 9.15,16 – At. 9.1-9
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OBJETIVO: Mostrar que, assim como fez com Paulo, o Senhor continua a convocar e capacitar vasos escolhidos para a Sua seara.

INTRODUÇÃO: Paulo, o perseguidor da igreja, passa, depois de convertido, a ser perseguido. O estudo desta semana é a respeito da conversão daquele que fora separado por Jesus para ser uma testemunha do Seu evangelho. No início do estudo, abordaremos a formação religiosa e cultural de Saulo. Em seguida, estudaremos o relato da sua conversão ao evangelho. Por fim, analisaremos o propósito da conversão do Apóstolo dos gentios.

1. A FORMAÇÃO DE SAULO: Paulo, como é conhecido pelos cristãos, se chamava Saulo. Na verdade, Paulo é o nome romano, cujo significado é “pequeno”. Paulo era genuinamente hebreu, da tribo de Benjamim (Rm. 11.1; Fp. 3.5) e nasceu em Tarso, capital da Cilícia, uma província romana ao sul da Ásia Menor (At. 9.11; 21.39; 22.3). A analise criteriosa dos seus escritos revela que se tratava de alguém educado no contexto do judaísmo. Ainda na adolescência, como era de costuma, deva ter sido enviado a Jerusalém, para aprender de Gamaliel, um dos mais renomados doutores, a fim de ser instruído, conforme ele mesmo declarou, “segundo a exatidão da lei de nossos antepassados” (At. 22.3), fazendo parte da seita dos fariseus. Consoante ao evangelho de Cristo, e a sua formação judaica, era defensor veemente da doutrina da ressurreição (At. 23.6; 26.5; Fp. 3.5). Como excepcional estudante, Saulo se tornou, conforme ele mesmo declara, “extremamente zeloso das tradições dos meus pais” (Gl. 1.14). Aliada a sua formação, Saulo aprendeu a arte de fazer tendas (At. 20.34; I Ts. 2.9). A cidade de Tarso, na qual Saulo cresceu, era um grande centro intelectual, por isso, ele deva, ainda na juventude, ter tido a oportunidade de se aprofundar no conhecimento lingüístico, literário e filosófico. Isso justifica suas citações dos pensadores da época, dentre eles, Aratos e Epimênides (At. 17.28; I Co. 15.35; Tt. 1.12). Mesmo sendo judeu, Saulo, por parte de pai, obteve cidadania romana, como era de costume na época, um pai poderia receber esse título por algum mérito o qual poderia ser repassado ao seu filho. Após sua conversão, Paulo fez uso desse título, sem esquecer, porém, que mais importante que ser cidadão romano era ser cidadão do céu (At. 28.22; Ef. 2.19; Fp. 3.20).

2. A CONVERSÃO DE SAULO: A conversão de Saulo de Tarso à fé cristã é uma das mais famosas da história da igreja. Não podemos esquecer que ele foi um firme perseguidor dos cristãos (At. 8.3) e que tomara parte no apedrejamento de Estevão (At. 7.54), certamente em observância ao mandamento de Dt. 17.7. A fim de perseguir a igreja de Cristo, Saulo se dirigiu para Damasco, na expectativa de encontrar naquela populosa cidade, o maior número de seguidores do “Caminho”, para conduzi-los presos a Jerusalém (At. 9.2). Mas indo no caminho, registra Lucas, “aconteceu que [...] subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe diz: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (At. 9.3-5). Paradoxalmente, Saulo, que pensava estar trabalhando para Deus, na verdade, estava contra Ele. Ele não estava perseguindo apenas os cristãos, mas o próprio Cristo. A conversão de Saulo, ainda que tenha atingido seu ápice no caminho de Damasco, ocorreu paulatinamente, pois este, por causa do seu zelo religioso, deva ter se negado muitas vezes a reconhecer a fé cristã dos mártires, dentre eles Estevão. Ele deva ter passado por momentos de dúvidas antes de se converter, e essas eram aguilhões em sua consciência. Diante da revelação do Senhor, Saulo pergunta: “que queres que faça?” (At. 22.10). A resposta: “Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer”. Em seguida, o Senhor enviou Ananias, ainda que não tivesse compreendido inicialmente o ocorrido, a fim de dar maiores instruções a Saulo e para orar por para que retomasse a vista e fosse cheio do Espírito Santo (At. 9.13-18).

3. O PROPÓSITO DA CONVERSÃO: A conversão de Saulo teve vários propósitos, o primeiro deles foi o de mudar sua percepção a respeito de Deus. Como um fariseu zeloso, seria pouco provável que Saulo tivesse desfrutado de intimidade com Deus, talvez sequer O tivesse chamado de Pai. Mas depois do seu encontro com o Senhor, passou três dias em oração, durante os quais nada comeu ou bebeu (At. 9.11). Essa mudança de relacionamento com Deus resultou em uma maneira distinta de se relacionar com a igreja. Antes da conversão Saulo via os cristãos como inimigos, por isso, os perseguia. O tratamento dado por Ananias a ele demonstrava essa diferença ao chamá-lo de “irmão Saulo” (At. 9.17). Aquele que fora um árduo perseguidor da igreja, a partir de então, passou a ser reconhecido como membro da família de Deus. Esse conhecimento iria mudar radicalmente o posicionamento de Paulo em relação à igreja e ser reproduzido metaforicamente em suas epístolas às igrejas cristãs do primeiro século. Por fim, Saulo, o perseguidor, passou a enfrentar perseguições por amor a Cristo. Os judeus deliberadamente tentaram tirar-lhe a vida (At. 9.23,24). As perseguições enfrentadas por Paulo cumpriram o propósito revelado por Jesus a Ananias a respeito daquele apóstolo: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At. 9.15,16). Paulo sempre esteve ciente do propósito da sua chamada, por isso, declarou em Éfeso: “em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At. 20.24).

CONCLUSÃO: Saulo de Tarso, o perseguidor da igreja, foi chamado por Jesus, para ser perseguido por causa do Seu evangelho. Ainda hoje, o mesmo Senhor continua vocacionando pessoas para cumprir Seu propósito de difundir a mensagem da salvação. Como Saulo, diante da revelação do Senhor, devemos nos dobrar, e “tremendo e atônito”, perguntar: que queres que faça?”. A conversão a Cristo traz implicações para a vida do convertido, por isso, converter-se é mais do que uma mudança de religião, trata-se de uma experiência integral que envolve a totalidade da pessoa, suas emoções, pensamentos e vontades (II Co. 5.17). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

QUANDO A IGREJA DE CRISTO É PERSEGUIDA


Textos: Mt. 5.11 – At. 8.1-8
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OBJETIVO: Mostrar que apesar das perseguições contra a igreja de Cristo, o evangelho de Cristo torna-se, a cada dia, mais universal e influente e que nenhuma perseguição conseguirá deter o seu avanço.

INTRODUÇÃO: A partir do capítulo 8 de Atos, identificamos uma forte oposição à igreja de Cristo. Por meio dessa, o Senhor favorece a expansão do evangelho para outros horizontes. No estudo desta semana veremos a respeito desse período de perseguição. A princípio, destacaremos o papel de Estevão, o primeiro mártir da igreja. Em seguida, refletiremos sobre o que acontece quando a igreja é perseguida. Ao final, mostraremos, à luz da Bíblia, como a igreja deva se portar diante da perseguição.

1. ESTEVÃO, UM MÁRTIR: O relato do caráter de Estevão, nos dado por Lucas, é vibrante: “E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At. 6.8). Quanto maior o poder de Deus atuante na igreja e na vida do cristão, maiores serão as perseguições. Por causa do testemunho corajoso de Estevão, os membros das sinagogas passaram a persegui-lo. Como foram incapazes de detê-lo por meio da argumentação bíblica, apelaram para a violência (At. 6.10). A perseguição pode ficar no campo das ideias, mas quando o perseguidor não consegue responder com base em seus argumentos, geralmente responde na base do falso testemunho (At. 6.13) da força física (At. 7.58). As declarações de Estevão foram firmes, ele se posicionou contra aquilo que era considerado de mais sagrado pelos judeus, o templo (At, 7.30,33,48), por isso eles o acusaram de “proferir palavras blasfemas contra este santo lugar” e de proferir “palavras blasfemas contra Moisés”. A pregação de Estevão, registrada no capítulo 7 de Atos, enfureceu as autoridades religiosas judaicas porque ele mostrou claramente que os líderes israelitas nunca entenderam os planos de Deus. A raiva dos judeus era tamanha que eles, diz Lucas, “enfureciam-se em seus corações e rangiam os dentre contra ele”. A coragem de Estevão não vinha dele mesmo, mas do Senhor, que o encheu com o Seu Espírito Santo (At. 6.5,8). O cristão cheio do Espírito Santo não teme a perseguição, nem mesmo a morte, pois sabe que, como aconteceu com Estevão, o Senhor estará nos céus para recebê-lo (At. 7.55,56). Mesmo sendo apedrejado, Estevão não desejou mal aos seus opositores, antes orou por eles, depois entregou seu espírito a Jesus, semelhantemente o que o Senhor havia feito na cruz (Lc. 23.34).

2. QUANDO A IGREJA É PERSEGUIDA: Após o martírio de Estevão, a igreja passou a enfrentar forte perseguição. A palavra mártir, em grego, significa “testemunho”, aqueles que são mortos por amor a Cristo, estão testemunhando do Seu amor a Ele, por isso são bem-aventurados (Mt. 5.11). Na ocasião em que Estevão foi apedrejado, Saulo de Tarso, “consentiu na morte dele” (At. 8.1). A morte de Estevão resultou numa grande perseguição contra a igreja de Jerusalém, mas essa não conseguiu deter a força do evangelho, pois “todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria (...) mas os que andavam dispersos iam por toda parte anunciando a palavra” (At. 8.1,4). A perseguição pode ser uma estratégia permitida por Deus para retirar a igreja do comodismo. Saulo de Tarso, o perseguidor, “assolava a igreja, entrando pelas casas; e arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At. 8.3). O verbo “assolava”, em grego, é lumaino e expressa “uma crueldade sádica e violenta”. O zelo religioso de Saulo de Tarso o conduzia a perseguição dos enviados por Cristo para pregar o evangelho, esse é o perigo da religiosidade humana, destituída do evangelho de Cristo. Seus líderes perseguem os cristãos sem qualquer respaldo no evangelho, pior ainda, fazem tudo “em nome de Deus”. Sempre foi assim, nos dias da igreja primitiva, no período das “santas” inquisições e ainda hoje. A igreja de Cristo não está imune às perseguições, pois, conforme expressou Paulo a Timóteo, “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (II Tm. 3.12). A menos que a igreja partilhe os valores defendidos pelo mundo, e deixe de ser igreja, essa enfrentará oposições. E essas são de diversas ordens: institucionais – através de leis e decretos que sejam contrários à palavra de Deus; cultural – através da produção televisiva, cinematográfica e literária que se afastam do evangelho; e física – através da prisão, tortura e morte daqueles que apregoam a mensagem de Jesus Cristo.

3. ENFRENTANDO A PERSEGUIÇÃO: Como a igreja não está imune à perseguição, ela precisa saber enfrentá-la com fé e coragem. No capítulo 4 de Atos, está registrada a perseguição que Pedro e João sofreram por causa da cura de um coxo. A partir dessa passagem, é possível extrair alguns ensinamentos a respeito de como a igreja deva lidar com a perseguição. Primeiramente, é imprescindível a busca pelo poder do Espírito Santo (At. 4.8). Uma igreja cheia do Espírito Santo declara com intrepidez, aos perseguidores, que Cristo Jesus é o Senhor. Ela não se cala diante da autoridade suprema da Palavra de Deus, pois ainda que as autoridades queiram silenciá-la, os verdadeiros discípulos não podem deixar de testemunhar do que viram e ouviram (At. 4. 18-20). Paulo testemunhou a respeito dessa verdade “nós cremos também, por isso também falamos” (II Co. 4.13). Diante da perseguição, seja ela de ordem institucional, cultural ou física, temos respaldo do Senhor para a desobediência, pois, conforme expressou Pedro diante das autoridades judaicas, “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At. 5.29). O Senhor prometeu está com a Sua igreja, Ele declarou que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt. 16.18). Diante da perseguição, Ele não a deixará sozinha, pois prometeu estar com ela até a consumação dos séculos (Mt. 28.20). Por isso, devemos estar convictos que Ele agira diante das perseguições, realizará proezas no meio da igreja (Mc. 16.15-18). Se a perseguição continuar, e ainda que se tenha que pagar com a própria vida, a igreja tem a certeza de receber, do Senhor, a herança que está reservada aos mártires (II Tm. 4.8; Ap. 2.10).

CONCLUSÃO: A igreja não pode ter medo de perseguições, na verdade, pior que a perseguição é o comodismo. O Senhor prometeu está ao lado da Sua igreja quando essa for perseguida, Ele mesmo sofre com ela. Por isso, não devemos desvanecer diante das perseguições, precisamos enfrentar com coragem, no poder do Espírito Santo, na autoridade da Palavra de Deus. A igreja que cresce enfrenta perseguição, mas quanto mais essa for perseguida, mais avançará a semente do evangelho de Jesus Cristo. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

ASSISTÊNCIA SOCIAL, UM IMPORTANTE NEGÓCIO


Textos: Hb. 12.11 – At. 5.1-11
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OBJEITOVO: Mostrar a todos que o relacionamento no contexto da igreja não deva estar circunscrito à oração, à pregação e ao ensino, mas que é preciso também atentar para as questões sociais.

INTRODUÇÃO: A igreja cristã primitiva, após experimentar crescimento significativo, começou a lidar com problemas sociais. Para tanto, fez-se necessário a instituição do diaconato, como alternativa para atenuar as dificuldades sociais. A respeito desse assunto estudaremos esta semana, atentando, a princípio, para o papel da assistência social na igreja, em seguida, para o significado do diaconato. Ao final, destacaremos a relevância da assistência social na igreja.

1. ASSISTÊNCIA SOCIAL NA IGREJA: A assistência social precisa ser entendida tanto como profissão quanto prática social. O assistente social é um profissional com formação universitária que atua em diversos contextos a fim de favorecer auxílio institucional às pessoas necessitadas, e também, promover mudança social, com vistas à ruptura com estruturas sociais injustas. A assistência social, em sentido amplo, conforme tomado nesta estudo, diz respeito à atuação direta da igreja cristã, com o intuito de dirimir as dificuldades sociais existentes na igreja. As principais dificuldades sociais com as quais a igreja lida são de ordem financeira, e mais especificamente, com o provimento necessário dos irmãos para o básico, o alimento diário. A igreja cristã não poderá erradicar a pobreza que campeia na sociedade. Na verdade, na situação social controlada pelo pecado, a pobreza continuará existindo (Mt. 26.11). O problema da pobreza é bastante complexo e deva ser analisado à luz das Escrituras e dos estudos sociológicos. Há pobreza que é decorrente do pecado específico de uma pessoa, mas isso não deva ser adotado como regra geral. Existem pessoas que são pobres porque as condições sociais lhes foram desfavoráveis. O mesmo pode ser dito em relação à riqueza, há pessoas que são ricas porque se esforçaram e conseguiram acumular capital, mas outras enriqueceram por meio da exploração dos mais pobres e necessitados. A igreja, sem desprezar a oração, a evangelização e o ensino, tem o desafio de, ao mesmo tempo em que “dar o peixe”, também “ensina a pescar”, isto é, promover coletas para ajudar os pobres, orientar a formação profissional e contribuir com práticas que diminuam a desigualdade social.

2. A INSITUIÇÃO DO DIACONATO NA IGREJA: A igreja de Jerusalém passou por uma experiência singular no tratamento das dificuldades sociais dos irmãos. Lucas registra que “repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (At. 4.35). Essa experiência precisa ser avaliada com critérios bíblico-contextuais, para evitar posições extremas. Há dois versículos: At. 2.44 e 4.32, nos quais está escrito que os discípulos de Jesus tinham tudo em comum. A necessidade era tamanha entre eles que ninguém se considerava dono de coisa alguma, antes colocava tudo à disposição dos apóstolos, para que os bens fossem por eles distribuídos (At. 4.34,35). A entrega dos bens pessoais, conforme depreendemos de At. 2.45; 4.35, era proporcional à necessidade dos irmãos, por isso não havia necessitado entre eles (At. 4.34). Essa prática não deva ser confundida com um comunismo, isto é, o sistema de governo baseado nos pressupostos marxistas, que determina o controle da distribuição de renda pelo Estado. A entrega dos bens na igreja se dava voluntariamente, não era uma imposição apostólica. O princípio permanece para a igreja, no intuito de responder às necessidades dos irmãos. Para isso foram estabelecidos os diáconos, pois, “naqueles dias, multiplicou-se o número dos discípulos”. Os gregos começaram a murmurar contra os hebreus, pois “suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (At. 6.1). Na igreja de Jerusalém já era possível identificar dos grupos: os gregose os hebreus. A solução foi a escolha “de sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos à oração e ao ministério palavra” (At. 6.4). Esses homens receberam o nome de diáconos, cujo significado é “ministério” ou “serviço”. O diácono não era apenas um título, mas uma função, ou seja, aqueles que assim atuavam na igreja, sabiam que seu propósito era o de servir aos irmãos da igreja.

3. INVESTINDO NA ASSISTÊNCIA SOCIAL: O investimento na assistência social na igreja é um ótimo negócio, pois na medida em que os irmãos cuidavam dos necessitados, “crescia a palavra de Deus” (At. 6.7). Para alguns irmãos, a dedicação à obra social é perda de tempo, e até justificam: que “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2.8,9), esquecendo do versículo 10, seguinte: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. O trabalho social da igreja, nesse contexto, não é para obter a salvação, pois, de fato, somos salvos pela graça, por meio da fé, mas após a salvação, devemos nos devotar também às boas obras, dentre as quais, a ajuda aos necessitados. A generosidade é uma prática precisa ser estimulada nas igrejas cristãs, que, infelizmente, por causa do individualismo, e do culto ao sucesso, começa a ser desprezada. Há pessoas que ao invés de demonstrar cuidado com os carentes da igreja, preferem culpá-los por incompetência, e semelhantemente aos “amigos” de Jó, justificam, como causa de necessidade, a existência de algum tipo de pecado. A igreja de Corinto nos deixa um exemplo de generosidade (II Co. 8.7). E essa deva ser exercida em amor, sem alardes, e não apenas com palavras, mas também em atos (Lc. 19.1-10; I Jo. 3.16-18). A preocupação com a pobreza dos irmãos se fundamenta no fato de que Jesus também foi pobre (Lc. 2.7; Lc. 2.24; Lv. 12.6-8); Lc. 9.58).

CONCLUSÃO: A assistência social é um importante negócio, mais que isso, é um investimento da igreja. A pregação, a oração e o ensino devam ter prioridade, mas não podemos deixar de atentar para os necessitados. Não apenas, como dizem alguns, “orar por eles”. É preciso “arregaçar as mangas”, fazer algumas coisas em prol daqueles que carecem de ajuda. A orientação profissional deva ser uma preocupação da igreja, principalmente encaminhando os mais jovens para o trabalho. É tarefa da igreja também a conscientização política, a fim de que os cristãos não se engajem em práticas sociais injustas, que sustentem o aumento da pobreza. Não devemos esquecer que a principal preocupação da igreja deva ser feito em pessoas, pois delas prestaremos contas diante de Deus (Hb. 13.7). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!