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A APOSTASIA NO REINO DE ISRAEL

Textos: I Rs. 16.31 – I Rs. 16.29-34


INTRODUÇÃO: Neste trimestre estudaremos o ministério profético de Elias e Eliseu. Esses dois homens de Deus foram usados com poder em contexto de apostasia. Neste primeiro estudo discorreremos sobre a institucionalização da apostasia no reino de Israel. A principio definiremos o significado bíblico de apostasia, em seguida, seu processo de institucionalização no reino, e ao final, suas consequências.

1. O SIGNIFICADO BÍBLICO DA APOSTASIA: A palavra apostasia vem do grego, e significa “afastamento”, em relação ao abandono da fé. Esse termo é encontrado apenas duas vezes no Novo Testamento, em At. 21.21 e II Ts. 2.3. Trata-se de uma extensão da palavra apostasis que quer dizer “manter-se longe de”. Em II Ts. 2.3 diz respeito ao ato de rebeldia, uma revolta contra os princípios cristãos. A apostasia vai além da mudança de ideias, isto é, da perspectiva doutrinária. Ela revela-se também através de atitudes que não são condizentes com a vontade de Deus. Há no Novo Testamento a distinção entre o apóstata e o herege, este último pode vir a se arrepender, e até voltar-se para Deus (Tt. 3.10). Mas não o primeiro, pois em virtude da sua decisão contra o evangelho, sua situação se torna irreversível (II Ts. 2.10-12; II Pe. 2.17,21; Jd. 11-15; Hb. 6.1-6). Para alguns estudiosos das Escrituras, a apostasia é, de fato, o pecado contra o Espírito Santo, para o qual não existe perdão (Mt. 12.31). Em termos doutrinários, a apostasia se caracteriza pela negação da autoridade bíblica (II Tm. 3.16,17), da realidade do pecado (Rm. 3.23; 6.23), de Jesus como Único caminho para a salvação (Jo. 14.6; At 4.12); e/ou ênfase na salvação pelas obras (Jo. 3.16; Ef. 2.8,9). A apostasia, em termos doutrinários, é uma oposição consciente de alguém que outrora professou a fé cristã, mas que se voltou contra Deus e a Sua palavra, não apenas em teoria, mas também na prática. Ao invés de permanecer na Palavra, o apóstata opta pelas filosofias  e/ou religiões humanas.

2. A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA APOSTASIA: Nos tempos de Elias e Eliseu, a apostasia religiosa grassou o Reino de Israel. O povo, influenciado pelas autoridades político-religiosas, se distanciou de Deus. O casamento misto de Acabe com Jezabel é uma metáfora dessa realidade. Ao desposar essa mulher gentia, o rei de Israel, a fim de agradá-la, “levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria” (I Rs. 16.32). Como se isso não fosse suficiente, Acabe “fez um poste-ídolo, de maneira que cometeu, mas abominações para irritar ao Senhor, Deus de Israel que foram antes dele” (I Rs. 16.33). Acabe e Jezabel representam, nos dias atuais, os governantes que patrocinam práticas perniciosas que desagradam a Deus. Ele “se vendeu para fazer o que era mal perante o Senhor porque Jezabel sua mulher, o instigava” (I Rs. 21.25). A política dos homens, conforme temos acompanhado através da imprensa, serve apenas aos interesses de uma minoria. O povo sofre nas mãos desses governantes que querem apenas enriqueceram através dos cofres públicos. Eles governam com os votos do povo, mas não para o povo, antes contra o povo. Não apenas prefeitos, governadores e presidentes envergonham a nação, os vereadores, deputados e senadores também. Muitas leis desnecessárias são criadas, e que em nada contribuem para o bem social. Há quem se eleja e a única “contribuição” é a de colocar o nome de um parente falecido em uma rua importante da cidade. Eles nada fazem para melhorar a vida das pessoas, destacando ainda aqueles que criam leis desumanas, absurdas e contrárias aos princípios divinos, apenas pelos prazer da contestação.

3. AS CONSEQUÊNCIAS DA APOSTASIA: As consequências da apostasia no tempo de Elias e Eliseu podem ser percebidas na perda da identidade espiritual. O povo de Israel tinha um Pacto estabelecido com Deus, sob o qual deveria se pautar. A ruptura dessa Aliança traria consequências drásticas. O povo de Deus havia se tornado de Baal, não adorava mais o Senhor, e sim ao deus cananeu da fertilidade. Mas não podemos incorrer no equívoco de pensar que Deus tem uma nação preferida nos dias atuais. Na verdade, a nação santa de Deus, o povo escolhido atualmente é a Igreja (I Pe. 2.9). É através dela que Deus manifesta o Seu poder e a Sua glória na terra. O plano de Deus em relação a Israel será retomado na dimensão escatológica, por ocasião do Milênio (Ap. 20). Por enquanto, cabe à igreja agir no mundo, testemunhado do evangelho de Jesus Cristo, cumprindo a Grande Comissão (Mt. 28.19,20). Evidentemente, uma nação que se distancia de Deus, como testificamos em alguns países, inclusive no Brasil, compromete princípios valiosos. Além disso, precisamos perceber que a apostasia, no contexto neotestamentário, é um fenômeno individual, ainda que tenha implicações sociais. Na medida em que as pessoas apostatam da fé, outras são influenciadas pela incredulidade (I Tm. 4.1,2), dentro e fora da igreja. Igrejas outrora fervorosas carecem de avivamentos porque a apostasia se espalhou entre seus membros. A principal consequência da apostasia é o descaso em relação às coisas de Deus. A palavra dos homens se sobrepõe à Palavra de Deus, o ativismo toma o lugar da oração, o amor ao mundo substitui o amor a Deus.

CONCLUSÃO: A apostasia de Israel, patrocinada por Acabe e Jezabel, deve servir de alerta para as igrejas. Muitos cristãos, influenciados pelo mundo, estão se distanciado dos princípios escriturísticos. Os valores difundidos na mídia, alguns deles incitados pelo governo, estão sendo absolvidos na pauta da família cristã. Ainda que essa nação não opte por Deus, ou o faça por mero nominalismo, a igreja deve continuar firme em seus fundamentos, como coluna da verdade (I Tm. 3.15), ciente que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt. 16.18). Por isso, com coragem, deve denunciar o pecado e mostrar profeticamente o caminho da verdade (At. 5.29). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

MALAQUIAS – A SACRALIDADE DA FAMÍLIA



Textos: Gn. 2.24 – Ml. 1.1; 2.10-16


INTRODUÇÃO: A sacralidade(tornar sagradas as coisas profanas) é um dos temas abordados por Malaquias em sua mensagem e que será enfocado no estudo desta semana. Mas outros assuntos são tratados por esse profeta, cujo livro encerra o cânon do Antigo Testamento. A principio destacaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e ao final, sua contextualização para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Malaquias, cujo nome significa “meu mensageiro”, tem como objetivo confrontar o povo em relação aos seus pecados e restaurar o relacionamento com Deus. O destinatário da sua mensagem é o povo de Judá, após o retorno do cativeiro babilônico. Malaquias provavelmente profetizou depois de Ageu e Zacarias, no tempo posterior a Neemias. A data aproximada do escrito é 430 a. C. Mesmo o Templo tendo sido reconstruído, o povo perdeu o ânimo pela adoração ao Senhor. O sentimento comum entre o povo é de apatia e desilusão. O versículo-chave de Malaquias se encontra em Ml. 4.1,2: “Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos e todos os que cometem impiedade serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas; e saireis e crescereis como bezerros do cevadouro”. O estilo linguístico de Malaquias é retórico, apelando para o método de perguntas e respostas, sempre de cunho dramático, como em Ml. 3.7,8. O livro de Malaquias pode ser assim dividido: 1) o amor de Deus pela nação israelita (Ml. 1.1-5); 2) o pecado da nação (Ml. 1.6-3.15); 2.1) o pecado dos sacerdotes (Ml. 1.6-2.9); 2.2) O pecado do povo (Ml. 2.10-3.18); 3) as promessas de Deus para Israel (Ml. 4); 3.1) predição da vinda de Cristo (Ml. 4.1-3); 3.2) predição da vinda de Elias (Ml. 4.4-6).

2. A MENSAGEM DE MALAQUIAS: O mensageiro do Senhor inicia ressaltando o amor de Deus pelo Seu povo, amor esse questionado, tendo em vista as múltiplas adversidades pelas quais passou (Ml. 1.1-5). As provações podem fazer com que as pessoas questionem o amor de Deus, mas Ele as ama, o Seu povo não teria motivos para lamentar, pois o Senhor continuava destinando a ele os seus cuidados (Ml. 1.6-14). O problema estava nos sacerdotes, que espelhavam um comportamento vergonhoso perante o povo como nos dias de hoje. A apatia dos judeus era reflexo do descaso dos sacerdotes, que corrompiam a nação (Ml. 2.1-9). Tal corrupção era concretizada nos relacionamentos conjugais. Ao invés de casarem entre si, os judeus estavam investindo em casamentos mistos. Os divórcios estavam se tornando prática comum entre o povo de Deus. A ausência de convicção doutrinária resulta em práticas morais distanciadas dos princípios divinos. Por causa disso, as orações deixaram de ser respondidas (Ml. 1.10-16). A exortação divina é para que Seu povo esteja atento à mensagem dAquele que será enviado. Um profeta virá e trará confronto e advertência, já que o Messias imporá Sua justiça (Ml. 3.1-5). O profeta que preparará o caminho, conforme a narrativa de Mt. 11.10; Mc. 1.2l Lc. 7.27 se trata de João Batista. Outro descaso dos judeus, em relação aos procedimentos divinos, é manifestado na falta compromisso diante dos dízimos e ofertas (Ml. 3.5-10). O povo não trazia mais suas contribuições para a Casa do Tesouro. Apenas alguns poucos se interessavam pelas coisas de Deus, esses são reconhecidos como “particular tesouro” para Ele (Ml. 3.11-18). Malaquias conclui sua mensagem advertindo o povo quanto ao julgamento vindouro. Deus enviará o profeta Elias antes que venha o Dia do Senhor, quando ferirá “a terra com maldição” (Ml. 4.1-6).

3. PARA HOJE: Infelizmente as desilusões da vida podem nos levar a questionar o amor de Deus. Somos tentados, diante das adversidades, a pensar que Ele não mais se interessa por nós. Quando a noite chega, e não há estrelas no céu, perguntamos: Senhor, Tu me amas? Em algumas situações indagamos: Onde está Deus que não responde? Por que Ele não se manifesta? Mas Ele não se esqueceu de nós, ainda que não sintamos Sua presença. Não devemos confiar em nossos sentimentos quando diz respeito à presença de Deus. O amor de Deus pode ter um aspecto subjetivo, isto é, podemos senti-lo, mas seu fundamento é objetivo, Ele provou, em Cristo, Seu amor para conosco (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Ao invés de questionarmos o amor de Deus, precisamos aprender a enfrentar as adversidades, sobretudo a viver para Ele. Uma vida dedicada a Deus envolve procedimentos morais. Existem pessoas que acreditam em uma coisa e fazem outra, faz parte da natureza pecaminosa (Rm. 7.17), mas o normal é agirmos em conformidade com nossa fé (Tg. 2.12), nossas atitudes devam materializar a fé que esposamos. O relacionamento conjugal deve ser pautado nos princípios escriturísticos: monogâmico, heterossexual e indissolúvel (Gn. 2.24), o amor ágape deve ser o fundamento cristão para a vida conjugal (Ef. Ef. 5.20-33). A esfera financeira também deve ser influenciada pela nossa fé. Quanto mais confiamos em Deus, menos nos tornamos focados na autossuficiência e mais contribuímos com o Seu reino. É preciso que os líderes eclesiásticos levem a sério o evangelho que pregam, e deem exemplo. Assim o povo será motivado a entregar suas contribuições na casa do tesouro, ao invés de retê-los. Mas não devemos entregar apenas nosso dinheiro para a obra de Deus, o ser, integralmente, deve ser apresentado perante Ele (Rm. 12.1). E vivermos diante da realidade do julgamento divino, que sobrevirá no futuro, o ministério de João Batista antecipou a revelação do Messias. Mas é provável que o próprio Elias retorne, por ocasião da Tribulação, a fim de advertir as pessoas quanto ao Dia do Senhor (Ap. 11.1-14).

CONCLUSÃO: O Deus de Israel não mudou, continua admoestando quanto à sacralidade do casamento. Deus, não o homem, criou o casamento, entre macho e fêmea (Gn. 1.27). Ele olhou para o homem, e, em sua singularidade, percebeu que não era bom que aquele estivesse só (Gn. 2.18). Ele também criou a mulher como auxiliadora, para que estivesse ao lado do homem, para que se multiplicassem (Gn. 1.28). O casamento cristão deve ser monogâmico, heterossexual e indissolúvel, sobretudo no Senhor, a fim de evitar os males decorrentes do casamento misto (II Co. 6.14). Por outro lado, não é pecado o relacionamento conjugal com uma pessoa descrente, contanto que este tenha sido concretizado antes da conversão (I Co. 7.12-16).  PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

ZACARIAS – O REINADO MESSIÂNICO


Textos: Jr. 23.5 – Zc. 1.1; 8.1-23


INTRODUÇÃO: Jesus é o Messias Prometido para Israel, ainda que este povo, no tempo em que Ele veio à palestina, não o reconheceu como tal (Jo. 1.11). Mas há esperança para esse povo, pois o Senhor, o Messias Prometido, virá, para estabelecer o Seu reino. No estudo desta semana, a partir da profecia de Zacarias, destacaremos a natureza messiânica de Cristo. A princípio, apontaremos os aspectos contextuais, em seguida, a mensagem de Zacarias, e ao final, sua aplicação para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Zacarias, cujo nome significa “Deus se lembra”, é reconhecido como “o profeta da esperança”. Ele profetizou por volta de 520 a 480 a. C., com o propósito de dar esperança ao povo em relação à libertação futura que o Senhor daria através do Seu Messias. A mensagem é destinada aos judeus que retornaram do exílio babilônico para reconstruir o Templo. Ageu e Zacarias conscientizaram o povo de Deus a prosseguirem com o trabalho de reconstrução, encorajando-o a assumir a responsabilidade. Ele foi chamado ainda jovem para o ministério profético, pela sua genealogia, é possível afirmar que era membro de uma família sacerdotal. Quando mais velho, após o retorno do cativeiro, substituiu seu avô Ido, como patriarca da família (Ne. 12.16). O versículo-chave do seu livro se encontra em Zc. 9.9,10: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um as ninho, filho de jumenta. E destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído; e ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de um mar a outro mar e desde o rio até as extremidades da terra”. Entre os profetas menores, este é o que mais tem cunho apocalíptico e enfoca com maior propriedade o reinado messiânico. Seu livro contem uma série de visões a fim de revelar a vitória definitiva de Deus. Dentre os temas messiânicos destacamos: solidão e humildade (Zc. 6.12), traição (Zc. 11.12,13), divindade (Zc. 3.4; 13.7), sacerdócio (Zc. 6.13), e reinado (Zc. 6.13; 9.9; 14.9,16). O livro pode assim ser dividido: chamado ao arrependimento (Zc. 1.1-6); chamado ao retorno (Zc. 1.7-6.15) e o retorno de Deus (Zc. 6.9-14.21).

2. A MENSAGEM DE ZACARIAS: Zacarias conclama o povo ao arrependimento, exortando-o a dar prioridade a Deus, consoante à mensagem de Ageu (Zc. 1.1-6). A mensagem é apresentada a partir de oito visões, as primeiras relacionadas ao futuro de Jerusalém. O povo desfrutará de paz, bonança do Senhor estará sobre ele (Zc. 1.7-17). Mas no futuro o povo passará por aflição, decorrentes dos chifres e demolidores. Essa mensagem é alusiva à visão de Daniel sobre os quatro reinos mundiais que surgirão diante da chegada do Messias (Zc. 1.18-21). Mas um construtor edificará a Nova Jerusalém, a qual Deus reconstruirá no final da história (Zc. 2.1-13). Zacarias vê o sumo sacerdote com vestes sujas, diante do Anjo do Senhor (Zc. 3.1-3), que receberá vestes limpas do Senhor. Isso diz respeito à purificação do pecado através da chegada do Messias (Zc. 3.4-10). Ele também vê árvores que representam funções reais e sacerdotais. A pessoa do Messias unificará essas duas funções, pois será tanto Rei quanto Sacerdote (Zc. 4.1-14). Há também um rolo, que representa a maldição de Deus sobre o pecado (Zc. 5.1-4). O pecado será removido, Babilônia terá o seu fim, e com ela a história humana (ZC. 5.5-11). Em outra visão dois carros são erguidos de dois montes, os quais devem percorrer toda terra, trata-se da chegada do juízo de Deus (Zc. 6.1-8).  Na oitava visão Zacarias contempla uma coroa, representando o triunfo do Messias, que edificará o Templo do Senhor (Zc. 6.9-15). O povo questiona em Betel a respeito do jejum, como consequência da queda do Templo de Salomão (Zc. 7.1-3). Em tom de censura Deus repreende a tristeza do povo (Zc. 7.4-7) e critica as práticas rituais meramente religiosas (Zc. 7.8-14). Nem tudo está perdido, há esperança no futuro, pois Jerusalém voltará a ser o centro, as nações a ela se dirigirão a fim de suplicar o favor do Senhor (8.1-23). Deus cumprirá Suas promessas em relação ao Seu povo, defenderá Jerusalém do ataque das nações (Zc. 9. 1-8), conquistará os inimigos (Zc. 9.11-10.1), julgará os líderes irresponsáveis (Zc.10.2-12), o reinado messiânico será estabelecido (Zc. 11.1-3), o povo finalmente será unificado (Zc. 11.4.-14), enquanto esse dia não chega, líderes insensatos continuarão enganando o povo (Zc. 11.15-17). Quando a história humana terminar, e o Reino de Deus for plenamente estabelecido, o nome de Yahweh terá prioridade (Zc. 12.10-13.9). Israel se voltará para o Senhor, para Aquele a quem transpassaram, pois não terão outra escapatória diante das nações (Zc. 14.1,2). O Senhor aparecerá com as suas hostes angelicais, isso abaterá o monte das Oliveiras (Zc. 14.3-8). Ele estabelecerá Seu reino (Zc. 14.12-15), os sobreviventes das nações farão um pacto com o Senhor (Zc. 14.16-19), todo o povo será “Santo ao Senhor” (Zc. 14.20,21).

3. PARA HOJE: O povo de Israel, como alguns cristãos da igreja, anda distante do Senhor, desgarrado como ovelhas que se afastaram do Seu Pastor (I Pe. 2.25). O Deus de Israel não se esqueceu do Seu povo, Ele se revelou de muitas formas ao longo da história, nesses últimos tempos através de Cristo (Hb. 1.1). A igreja precisa dar ouvidos ao que o Espírito diz, Sua voz pode ser escutada através da mensagem de Jesus (Ap. 1.20). Ele conduz a história da Sua igreja, para tanto, essa precisa segui-lo (Lc. 9.23), a fim de desfrutar da Sua precisa constante (Mt. 28.20). Ao lado de Jesus a igreja é poderosa, não com armas humanas, mas celestiais, para destruir as forças satânicas (II Co. 10.4,5). Ele é o Senhor da igreja, não apenas na eternidade, mas já, é a glória que ilumina sua atuação (Ap. 21.23,24). No futuro, Cristo virá como messias, para reinar entre as nações, mas hoje Ele já reina na igreja (Ap. 19.7,8). Ele intervém por ela, pois é Seu Sumo Sacerdote, que não precisa mais oferecer sacrifícios, pois o Seu foi perfeito (Hb. 7.26,27; 10.12,14). Por causa do Seu sacrifício, o Espírito do Senhor está à disposição de todos aqueles que se voltam para Cristo (Jo. 14.16,17; 15.26; 16.7-15). Um novo templo foi construído, Cristo é a pedra fundamental dessa edificação (Ef. 2.21). No futuro Ele virá, o Rei de Sião se manifestará, se cumprirão as profecias a Ele alusivas (Mt. 21.5; Jo. 12.15), como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap. 19.11-16). Ele vencerá os poderes satânicos, o império do anticristo, que será instalado durante a Tribulação (II Ts. 2.1-12; . 2.18-27; 4.1-3; II Jo. 7).

CONCLUSÃO: No futuro a ira de Deus será derramada, inclusive sobre Jerusalém (Ap. 14.9,10; 16.19). Mas o destino de Israel, o povo de Deus, continua debaixo do controle divino (Rm. 11.26). Há esperança, pois após a batalha final, Jesus restituirá o reino a Israel (At. 1.11). Todo domínio humano terá o seu fim, o reino de Deus finalmente triunfará (I Co. 15.24). Antecipando esse tempo, que será de santidade, a igreja deve já viver em conformidade com a vontade do Senhor, sendo santa como Ele é Santo (I Pe. 1.15), pois sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb. 12.14). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

AGEU – O COMPROMISSO DO POVO DA ALIANÇA


Textos: Mt. 6.33 – Ag. 1.1-9


INTRODUÇÃO: A ênfase nos interesses pessoais contribuiu significativamente para que as pessoas se esqueçam de Deus. O povo da aliança, depois de retornar do cativeiro, também se esqueceu do seu compromisso com o Senhor. No estudo desta semana, a partir do profeta Ageu, estudaremos a respeito dessa falta descompromisso. Destacaremos, a princípio, os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e por fim, sua aplicação para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Ageu, cujo nome significa “festivo”, profetizou por um período de quatro meses, no ano 520 a. C., após o retorno de Judá do cativeiro babilônico. O templo de Jerusalém havia sido destruído em 586 a. C., mas Ciro permitiu que os judeus o reedificassem  em 538 a. C. O problema principal foi a falta de continuidade do trabalho, que havia sido iniciado há 18 anos. Os profetas Ageu e Zacarias tiveram papel preponderante a fim de despertar o povo da aliança para o engajamento naquela obra. O versículo-chave se encontra em Ag. 1.4: “É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta”. Isso porque o povo, ao invés de se voltar para a obra de Deus, se preocupava apenas com o bem-estar pessoal. Ageu foi o primeiro dos profetas pós-exílicos, os demais foram Zacarias e Malaquias. Naquela época, Zorobabel, o governador de Judá, e Josué, o sumo sacerdote, estavam na liderança, tentando reconstruir o Templo. O altar já havia sido restaurado, mas o trabalho do Templo não prosseguia. As razões para a falta de continuidade do trabalho eram diversas, dentre elas a oposição dos inimigos, mas a principal delas era a hostilidade. A mensagem de Ageu encontrou guarida nos corações do povo da Aliança, que se arrependeu e voltou-se para a reconstrução do Templo. Menor que o anterior, mas esse Templo acabou sendo fundamental para a restauração do culto ao Senhor. O livro de Ageu apresenta a seguinte divisão: 1) a ordem para a reconstrução do Templo (Ag. 1); 2) a glória do Templo reconstruído; (Ag. 2.1-9); 3) as bênçãos da obediência (Ag. 2.10-19); e 4) a promessa de benção de Deus (Ag. 2.10-2.23).

2. A MENSAGEM DE AGEU: A mensagem de Ageu é uma denúncia contra o egoísmo humano. O povo da Aliança retornou do cativeiro, preocupando-se apenas com a edificação das suas casas (Ag. 1.2-4). Por causa disso, o povo passou a enfrentar dificuldades financeiras, adquiria muitas coisas, mas não encontrava satisfação (Ag. 1.5,6). Isso porque de nada adianta juntar dinheiro e não colocá-lo debaixo do governo de Deus. É a mesma coisa que juntá-lo em um “saquitel furado”, muito trabalho, mas pouco proveito, e, às vezes, dívidas. Mas o povo de Judá se arrependeu e deu ouvidos à mensagem do profeta Ageu e durante três semanas, a comunidade inteira trabalhou de forma incansável a fim de completar a reconstrução do Templo (Ag. 1.12-15). A dedicação à obra de Deus não é apenas uma ordenança, mas uma necessidade, o ser humano foi criado para servi-LO. Ageu entregou três mensagens de encorajamento para o povo da Aliança. A primeira dizia respeito a uma promessa de que  templo recém-construído, ainda que fosse menor, em comparação com o de Salomão, sua glória seria maior (Ag. 2.1-9). Não é o tamanho do espaço, muito menos a estética, que determina a presença de Deus, mas a disposição espiritual. Esse “segundo Templo”, ainda que tivesse sido reformado por Herodes, teve maior glória, pois Cristo, o Senhor, nele ministrou. A segunda mensagem de Ageu é uma parábola viva. O profeta faz algumas indagações a respeito da lei. Ele pretendia mostrar que a presença de um lugar sagrado não garante a santidade do povo (Ag. 2.10-19). A última mensagem é destinada a Zorobabel, representante da linhagem de Davi, que exercerá autoridade sobre a terra, quando Cristo voltar para reinar.

3. PARA HOJE: Nesses dias tão difíceis para a igreja cristã precisamos ouvir mais mensagem de restauração. A teologia da ganância está formando uma geração de “cristão” que somente pensa neles mesmo. Estão pouco interessados na obra de Deus, a prioridade é a compra da mansão ou do carro importado. Nada há de errado em buscar satisfazer as necessidades familiares com equilíbrio e modéstia. Não é pecado adquirir uma casa ou um veículo, de acordo com os rendimentos da família. Mas é preciso ter cuidado para não ostentar, os bens materiais não podem ter como objetivo a glorificação pessoal. Por causa do consumismo que adentrou as igrejas, muitos cristão estão deixando de viver em paz por causa das dívidas, contraídas a fim de satisfazer o status exigido pela sociedade. A obra de Deus também sofre, pois os projetos eclesiásticos são relegados a segundo plano. É verdade que não dependemos de um templo para adorar a Deus (Jo. 4.21-24), mas isso não exime sua relevância enquanto espaço de encontro para ministração da palavra, oração e adoração (At. 2.44-47). Muitas igrejas locais estão tomadas pelo marasmo, o egoísmo está solapando a comunhão e a unidade. Alguns cristãos estão fracos, outros se tornaram “desigrejados”. A fraqueza desses não deve ser motivo para perder o ânimo, antes devemos ser fortes no Senhor (Ef. 6.10).

CONCLUSÃO: O compromisso da igreja é com o Reino de Deus, que já está no meio de nós, na expectativa por Sua completude (Lc. 17.20,21; 19.11-27). Muitos evangélicos estão interessados apenas no reino deste mundo, não têm interesse de investir no Reino dos Ceús (Mt. 13.44). Essa é uma questão de prioridade, pois Jesus nos ensinou a buscar primeiro de Deus e a Sua justiça, e que as outras coisas (alimento e vestimenta), não “as demais”, seriam acrescentadas (Mt. 6.33). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

SOFONIAS – O JUÍZO VINDOURO


Textos: Mt. 24.24 – Sf. 1.1-10


INTRODUÇÃO: A injustiça campeia na sociedade, por toda parte predomina a violência. Mas Deus não permitirá que essa realidade subsista para sempre. O juízo vindouro sobrevirá sobre as nações (Mt. 25.31-46), e por fim, no trono branco, para condenação (Ap. 20.11-15). No estudo desta semana veremos a respeito do julgamento futuro com base na mensagem profética de Sofonias. A princípio destacaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e por fim, aplicação para hoje.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Sofonias, cujo nome significa “escondido pelo Senhor”, destinou sua mensagem ao povo de Judá, a fim de despertá-lo para o julgamento vindouro, e, ao mesmo tempo, convidarem a retornar para o Senhor. Essa mensagem foi proferida por volta de 640 a 621 a. C., quando foram iniciadas as grandes reformas de Josias. Naquele tempo esse monarca judeu se esforçou para modificar a situação deixada pelos reis anteriores, especialmente Manassés e Amom. Josias tinha apenas oito anos de idade quando começou a reinar em Judá. A principal preocupação do jovem rei foi a de despertar o povo para que se conduzisse no propósito de Deus. Seu reino pode ser dividido em três fases: a pré-reforma (640-628 a. C); a reforma propriamente dita (692-622 a. C.); e a pós-reforma (622-609 a. C.). A profecia de Sofonias teve papel fundamental na concretização das reformas espirituais da nação. Este profeta foi contemporâneo de Jeremias e Habacuque, e tal como eles, fez menção ao juízo que sobreviria sobre Judá. Pouco se sabe a seu respeito, apenas, a partir de Sf. 1.1, que se tratava de alguém da linhagem aristocrática, por isso desfrutava de alguns privilégios. Mas ao invés de se acomodar com sua posição, preferiu se posicionar contra a situação moral e religiosa da sua nação. O versículo-chave de Sofonias se encontra em Sf. 2.3: “Buscai o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que pondes por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, sereis escondidos no dia da ira do Senhor”. O livro apresenta a seguinte divisão: 1) O Dia do Senhor (Sf. 1.1-3.8) – o julgamento de Deus sobre a terra (Sf. 1.1-3), o julgamento de Deus sobre Judá (Sf. 1.4-18); o julgamento de Deus para arrependimento (Sf. 2.1-3); o julgamento das nações (Sf. 2.4-15); o julgamento de Jerusalém (Sf. 3.1-7), o julgamento de toda terra (Sf. 3.8); e 2) A Salvação no Dia do Julgamento (Sf. 3.9-20).

2. A MENSAGEM DE SOFONIAS: O profeta de família nobre recebe do Senhor a incumbência de levar adiante a mensagem de juízo, a fim de revelar que o mundo estaria prestes a ser destruído (Sf. 1.1-3). O Senhor é o Juiz de toda terra, por isso todos serão punidos, a começar por Judá, o primeiro reino a receber o peso da mão de Deus (Sf. 1.4-9). Ele destaca que o Dia do Senhor se aproxima, e que ninguém escapara do Seu julgamento (Sf. 1.10-18). A condição para a salvação é o arrependimento, somente assim o povo será preservado da ira de Deus (Sf. 2.1-3). O juízo virá porque Judá optou pela infidelidade ao Senhor (Sf. 1.4-9), todas as camadas sociais serão punidas, pois todos pecaram (Sf. 1.10-13), e triste será esse Dia, tendo em vista a intensidade dos seus horrores (Sf. 1.14-18). A expressão “Dia do Senhor”, no texto profético, diz respeito ao julgamento de Deus. O cumprimento desse Dia se deu em algumas ocasiões do passado sobre Israel, Judá e outras nações. Mas também tem uma dimensão futura, quando o Senhor, por fim, julgará todas as nações da terra, na batalha do Armagedom (Ap. 16.16). No tempo de Sofonias algumas nações seriam julgadas, dentre elas a Filistia (Sf. 2.4-7), Moabe e Amom (Sf. 2.8-11), Cusi (Sf. 2.12) e a Assíria (Sf. 1.13,14). Apesar do juízo iminente, Jerusalém, no futuro, terá papel fundamental (Ez. 48.35). Ela é a capital do Messias, Aquele que descendeu de Davi (II Sm. 7. 4-17; I Cr. 17. 3-15). Mas antes disso, durante o cativeiro babilônico, e por ocasião da Tribulação, Jerusalém será oprimida (Sf. 3.1-8; Mt. 24.15,16). Deus não quer destruir o Seu povo, o propósito de juízo é conduzi-lo ao arrependimento, a dispersão tem o objetivo de trazê-lo de volta para Ele (Sf. 3.9-20).

3. PARA HOJE: O mundo perdeu a dimensão do juízo, as pessoas vivem como se não tivessem a quem prestar contas. Uma célebre declaração de um dos personagens de Dostoievski ilustra bem a situação atual. Se Deus não existe, então tudo é permitido, ninguém a temer, até porque a impunidade humana prevalece. Mas a voz de Sofonias ecoa no tempo presente a fim de chamar a atenção para o julgamento vindouro que se aproxima. Deus julgará a idolatria, os deuses do presente século serão destronados. Ao invés de adorarem o Senhor, as pessoas se voltam ao culto às personalidades, principalmente às riquezas materiais. Não podemos, no entanto, esquecer do grande e antigo mandamento, o de que devemos amar somente ao Senhor (Mt. 22.37) e que não podemos ter outro Deus além dEle (Ex. 20.3). Ainda que as pessoas vivam como se Deus não existisse, a verdade é que o juízo virá (Mt. 3.7), os que se distanciam de Deus têm razões para temê-lo, mas não para os que creem e vivem em santidade (II Pe. 3.11,12). Para os incrédulos, o escape, como nos tempos de Sofonias, é o arrependimento, voltar-se para o Senhor, e para Aquele que Ele enviou (Jo. 6.28,29). O Deus que julga as nações executará seu juízo também sobre as pessoas individualmente, por meio dAquele que instituiu como Juiz (Jo. 5.22-30; At. 17.31). Citamos os trechos de um poema clássico para dizer que somos os mestres das nossas almas, capitães do nosso próprio destino. Mas a verdade é que não temos em que nos gloriar, é tolice acharmos que não precisamos de Deus. A exaltação humana resulta em ruína, a Bíblia, e a própria história, assim o revelam (Is. 14.12-15). Devemos vivem em submissão à Palavra de Deus, para sermos achados de acordo com Sua vontade (Mt. 21.33-40).

CONCLUSÃO: No Sl. 24.3 o poeta sacro indaga: "Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo?" A resposta, no versículo seguinte é: "Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente". Considerando que todos são pecadores (Rm. 3.23; I Jo. 1.10) e que o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), não há outra salvação senão se arrepender (At. 3.19) e se voltar para o Senhor em obediência amorosa (Jo. 14.15). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

HABACUQUE – A SOBERANIA DIVINA SOBRE AS NAÇÕES



Textos: Hc. 1.13 – Hc. 1.1-6 2.1-4

INTRODUÇÃO: O Deus da Bíblia é soberano, isto é, todas as coisas estão sob o Seu governo e controle. Nada acontece sem Sua direção e/ou permissão (Ef. 1.11), Seus propósitos não podem ser frustrados (Is. 46.11). No estudo desta semana veremos a respeito dessa doutrina com base no livro do profeta Habacuque. A princípio, destacaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e por último, sua aplicação para hoje.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Habacuque, cujo nome significa abraço, teve como propósito mostrar que Deus ainda está no controle do mundo, apesar do aparente triunfo do mal. O profeta destinou sua mensagem à Juda, o Reino do Sul, provavelmente entre os anos 612 a 589 a. C, durante o reinado de Josias. Esse foi um rei de Judá bastante piedoso e que exerceu papel fundamental na restauração da nação. Alguns estudiosos defendem que Habacuque foi um levita que participou das reformas desse rei. Naquela época a Babilônia tornava-se a maior potência mundial, e Judá logo sentiria sua força destruidora. No cenário nacional, o povo de Judá estava sendo solapado por problemas internos, tais como crime, ódio, corrupção e divisão. Habacuque se angustia com essa situação, principalmente com as respostas dadas pelo Senhor. O versículo-chave se encontra em Hc. 3.2 “Ouvi, SENHOR, a tua palavra e temi; aviva, ó SENHOR, a Tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na tua ira lembra-te da misericórdia”. O livro apresenta a seguinte subdivisão: Questionamentos a Deus (Hc. 1,2): Pergunta 1: Por que os pecados de Judá ainda não foram julgados? e Pergunta 2: Como pode Deus punir Judá usando uma nação mais ímpia ainda? Habacuque adora a Deus (Hc. 3): o profeta lembra a misericórdia de Deus e confia no Senhor para a salvação.

2. A MENSAGEM DE HABACUQUE: O profeta não compreende a razão de tanta injustiça e violência em Judá, principalmente porque Deus não manifesta a Sua justiça diante daquela situação (Hc. 1.1-4). A resposta do Senhor deixa Habacuque ainda mais contrariado, pois não entende o motivo dEle usar uma nação ímpia para executar a disciplina sobre Seu povo (Hc. 1.5-12). Habacuque teme que os babilônios, após subjugarem Judá, se tornem arrogantes, e menosprezem mais ainda o povo de Deus (Hc. 1.13-17). O questionamento de Habacuque se parece com muitos que ouvimos: por que Deus não se posiciona diante de tanta maldade? Por que Ele não resolve o problema do mal e do sofrimento humano? Deus responde as questões de Habacuque, suas revelações são incômodas (Hc. 2.1-3). Ele revela ao profeta que as nações que arvoram grandeza, que se fiam em seu poderio, cairão no futuro (Hc. 2.4-20). Os impérios humanos sobem e descem, nenhum governo persiste para sempre, as impiedades serão julgadas. Ninguém deve julgar a espiritualidade de um povo com base em seu desenvolvimento econômico. Habacuque, após ouvir as respostas de Deus, as aceita pela fé, que o conduz à oração e a pedir ao Senhor que avive Sua obra no decorrer dos anos (Hc. 3.1,2). Deus contraria mais uma vez o profeta, ao mostrar que os próximos anos serão de juízo (Hc. 3.3-15). Ele sente a miséria da nação, angustia-se pela dor do seu povo, e se nega a ser conduzido pelas circunstâncias. Ao contrário, reafirma a sua fé em Deus, independentemente do que venha a acontecer (Hc. 3.17,18). Apesar do perigo iminente, Habacuque sabe que pode confiar na soberania de Deus, por isso, se deixa guiar pela Sua palavra, através da fé (Hc. 3.19).

3. PARA HOJE: Onde está Deus quando as pessoas estão sofrendo? Esta é uma pergunta que tem incomodado a muitos. Alguns céticos inclusive negam a existência de Deus a partir dessa indagação. A resposta de Deus ao sofrimento humano é o Seu próprio sofrimento, em Cristo, na cruz do calvário (Mt. 27.30-34). Deus sabe o que é sofrer, mais que isso, Ele continua sofrendo com aqueles que padecem e são perseguidos (At. 9.4). Quando não compreendemos os desígnios de Deus, devemos aceita-los soberanamente, ciente de que Ele tem os Seus propósitos (Rm. 8.28). Perguntamos a Deus “por que?”, mas na maioria das vezes, não temos acesso aos Seus “porquês”. Diante dessa realidade, o melhor é saber que Deus tem um “para que” em tudo o que faz. É nesse contexto que o justo viverá da e pela fé, como afirma Habacuque (Hc. 2.4) e é reafirmado por Paulo (Rm. 1.17; Gl. 3.11) e o autor da Epístola aos Hebreus (Hb. 10.38). Essa declaração resultou na Reforma Protestante, pois através desse texto Lutero compreendeu que o homem é justificado por Deus, quando decide acreditar nEle. Essa fé não é meramente intelectiva, ou seja, não se trata apenas na crença em um conjunto de doutrinas, mas na disposição existencial de ir após Cristo, negando-se a si mesmo (Mt. 16.24; Lc. 9.23). Viver pela fé é estar disposto a aceitar a soberania de Deus, a não retornar, mesmo quando as coisas não fazem sentido (Hb. 10.37-39; 11.1,6). Com Habacuque devemos aprender a orar com confiança em Deus, não apenas para receber o que desejamos, mas para aceitar Sua vontade soberana (I Jo. 5.14).

CONCLUSÃO: Deus é soberano, Ele está no controle de todas as coisas. Às vezes não compreendemos porque acontece tanta maldade no mundo.  Deus responde que no mundo teremos aflições (Jo. 16.33), Ele mesmo padeceu na cruz do calvário (Mt. 27.39-43). Mas Deus, soberanamente, estabeleceu um tempo em que o mal não mais triunfará (Ap. 20.4). Enquanto esse dia não chega, aprendamos, com Habacuque, a confiar em Deus, independentemente as circunstâncias (Hc. 3.17-19). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

NAUM - O LIMITE DA TOLERÂNCIA DIVINA


Textos: Gn. 18.32 – Na. 1.1-3; 9-14


INTRODUÇÃO: Esta na moda uma teologia bastante condescendente, que supervaloriza a misericórdia e o amor divino em detrimento do julgamento. No estudo desta semana servirá para reestabelecer o equilíbrio bíblico a esse respeito. O Deus da Bíblia é amor (I Jo. 4.8), mas também é fogo consumidor (Hb. 12.29). O livro de Naum ressalta essa verdade, a respeito da qual trataremos neste estudo. A princípio apontaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e por último, a aplicação para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Naum, cujo nome significa “confortador”, era da Galileia e pronunciou o juízo de Deus contra a Assíria, na medida em que também confortou Judá por causa da opressão daquele inimigo. Sua profecia é destinada, especificamente, aos judeus, às tribos do Sul, provavelmente entre 663 a 612 a. C. O cumprimento da profecia da destruição da Assíria, se deu por volta de 663 a. C., após a queda de Tebas. O versículo-chave do livro se encontra em Na. 1.7-9: “O SENHOR é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que cofiam nele. E com uma inundação transbordante acabará de uma vez com o seu lugar; e as trevas perseguirão o seus inimigos. Que pensais vós contra o SENHOR? Ele mesmo vos consumirá de todo; não se levantará por duas vezes a angústia”. Os livros de Naum e Jonas se complementam, pois os dois tratam do julgamento sobre a Assíria, e têm Nínive, a capital do império, como foco. O Reino do Norte, Israel, já havia caído nas mãos dessa potência mundial em 722 a. C., que agora assolava o Reino do Sul, Judá. Naum foi levantado por Deus para proclamar a ira do Senhor sobre essa nação, que viria a cair diante da Babilônia. Através das profecias de Naum, sabemos que Deus não é apenas o Senhor de Israel, mas de toda a história. Ele está no comando das nações, o mundo está sobre a Suas mãos, pois “o SENHOR é Deus zeloso e vingador (...) tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado” (Na. 1.2,3). O livro de Naum apresenta a seguinte divisão: A terrível ira de Deus – os princípios do julgamento divino (Na. 1.1-7); a ira pessoal de Deus – o julgamento de Deus sobre Nínive e Senaqueribe (Na. 1.8-15); a ira de Deus manifesta – a destruição de Nínive (Na. 2.1-3.11) e a ira irresistível de Deus – a destruição de Nínive foi inevitável (Na. 3.12-19).

2. A MENSAGEM DE NAUM: A mensagem de Naum começa em Deus, pois Ele é zeloso e vingador, que tem ciúme do Seu povo, por isso exercerá justiça sobre os inimigos do Seu povo (Na. 1.2,3). Os inimigos de Deus, nos tempos do profeta, estavam materializados na Assíria, que representavam o mal contra a Israel e Judá (Na. 1.9-11). Como consequência, a ira de Deus sobreviria sobre aquela nação (Na. 1.12-14), que resultaria em paz para Judá (Na. 1.15). Nínive iria cair, “como palha mais seca” (Na. 1.10), o jugo sobre Israel seria quebrado (Na. 1.12,13). Aquela destruição seria motivo de júbilo e celebração, pois não haveria mais razão para medo (Na. 1.15). Sendo Deus o Senhor, e estando Ele no comando da situação, de nada adiantaria a Assíria lançar mão das suas armas poderosas (Na. 2.1). Todo artifício humano cai por terra quando Deus determina a Sua vontade. As forças humanas não podem ir de encontro aos desígnios de Deus, pois Ele é soberano. As promessas feitas ao Seu povo se cumprirão, para tanto, destruirá as fortalezas dos inimigos (Na. 2.2-19). Quatro imagens são apresentadas por Naum para denunciar a culpa dos ninivitas: a cidade é um leão que causa pavor à vizinhança (Na. 2.11,12); uma prostituta que escraviza os outros com feitiçaria (Na. 3.4); uma cidade egípcia de Tebal, que acaba sendo destruída pela Assíria (Na. 3.8-10); e gafanhotos que destruíram o campo (Na. 2.15-17). Mas Deus não admite a opressão de nações que abusam do poder para tirar vantagem e oprimirem as mais pobres. Ele acompanha as situações de injustiça entre as nações, e como fez com a Assíria, agirá em relação às nações no futuro (Na. 2.13; 3.5). A queda daquele império, e de tantos outros que oprimem as nações ainda hoje, foi e será motivo de júbilo, pois aliviará o fardo daqueles que se encontram debaixo de jugo pesado (Na. 3.14-19).

3. PARA HOJE: Nenhum império é absolutamente grande perante Deus, nações subiram e depois desceram, um exemplo disso é a queda de Roma no quinto século da era cristã. A queda de Nínive, bem como da Babilônia, é uma demonstração de que somente o Reino de Deus permanece para sempre (Sl. 45.6). Desde o princípio os seres humanos querem construir suas torres, tal como o império de Nimrode, que queria se instituir permanentemente sobre a terra (Gn. 10.8; 11.11). Mas o julgamento de Deus virá, não apenas sobre as pessoas, mas também sobre as nações (Mt. 25.31,32). Deus não quer que as pessoas pereçam, pois é misericordioso, e rico em perdoar (II Pe. 3.9,10), mas estabeleceu um dia de julgamento, no qual destruirá as nações que não se arrependerem, e que perseguiram Israel na Tribulação (Ap. 20.4). O conforto, que é o significado do nome Naum, será não para os inimigos, para aqueles que oprimem, mas para os que são oprimidos, pois serão confortados pelo Senhor. O Deus de Israel, e da Igreja, é de vingança, Ele não deixará impune aqueles que se opõem à Sua palavra, e que perseguem o Seu povo (Dt. 32.35; Rm. 12.19). Nínive, como império fundado por Nimrode, continua sendo símbolo dos governos humanos que se opõem a Deus (Ap. 17.5). Mas o império dos homens tem data marcada para terminar, ainda que não saibamos quando será o dia e a hora. Durante a Tribulação, Babilônia, o império do Anticristo, cairá por terra (Ap. 18.2). Os governantes da terra lamentarão a queda desse último império (Ap. 18.16-18). Os súditos do reino de Deus celebrarão, cantarão louvores a Deus, pois a glória terrena findará, dando lugar ao poder de Deus (Ap. 19.1-4; 6-9).

CONCLUSÃO: Jonas recebeu a incumbência de ir para Nínive proclamar a Palavra do Senhor (Jn. 1.1,2; 3.1,2). Na ocasião, a cidade se arrependeu, mas não persistiu em obediência, antes se entregou à vaidade. Por causa disso, aproximadamente duzentos anos depois, foi destruída. Isso mostra que Deus tolera o pecado, pois não deseja que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam (II Pe. 2.9). Caso contrário, Seu julgamento virá (I Ts. 5.2,3), por isso, é preciso ter cuidado para não recair no pecado da apostasia, que resultará em destruição eterna (Hb. 1.9; 6.6; 10.26). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

MIQUÉIAS – A IMPORTÂNCIA DA OBEDIÊNCIA


Textos: I Sm. 15.22 – Mq. 1.1-5; 6.6-8


INTRODUÇÃO: Uma das declarações comumente repetidas da Bíblia se encontra em I Sm. 15.22 “eis que obedecer é melhor do que o sacrificar”. Miquéias, através da mensagem profética, chama a atenção a esse respeito. Para aprendermos a respeito desse assunto, estudaremos esta semana, sobre a importância da obediência. Inicialmente apontaremos os aspectos contextuais de Miquéias, em seguida sua mensagem, e por último, a aplicação para a igreja contemporânea.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Miquéias, cujo nome significa “quem é como Deus?”, natural de Moresete, nas proximidades de Gate, cerca de 32 quilômetros a sudoeste de Jerusalém, profetizou para Israel (Reino do Norte) e Judá (Reino do Sul). Miquéias foi contemporâneo do profeta Isaias, o estilo inclusive assemelham-se. O propósito central do seu livro é mostrar ao povo que o julgamento de Deus estaria próximo, bem como o perdão divino para aqueles que se arrependessem dos seus pecados e se dispusessem a obedecer a Palavra do Senhor. O versículo-chave do livro se encontra em Mq. 6.8: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?”. O livro foi escrito por volta de 742 a 687 a. C., durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, em um período de prosperidade sem precedentes, mas politicamente conturbado, registrado em II Rs. 15-20 e II Cr. 26-30. Israel e Judá viviam com base na ostentação, davam pouco interesse a Deus. Enquanto isso Tiglate-Pileser III (745-727) expandia o território da Assíria, que viria a se tornar uma potência mundial. A mensagem é caracteristicamente poética, constituindo-se em um clássico da literatura hebraica, repleta de paralelismos. O livro pode ser assim dividido: 1) o julgamento que virá sobre o povo e a liderança (Mq. 1-3); 2) a restauração que virá através do reino do Messias (Mq. 4-5); e 3) dois apelos ao arrependimento e a promessa de salvação de Deus (Mq. 6,7).

2. A MENSAGEM DE MIQUÉIAS: O profeta inicia sua mensagem descrevendo o julgamento que sobreviria sobre Samaria, a capital de Israel. Ainda que este seja temível, deveria ser visto como parte da justiça divina, pois Seus atos são corretos (M1.1.1-16). Um dos pecados do povo era social, pois os ricos defraudavam os mais pobres, arrebatavam as suas terras, causando fome e necessidade (Mq. 2.1-5). Os falsos profetas se levantaram contra o profeta de Deus, motivados por interesses financeiros, já que recebiam salários dos líderes corruptos (Mq. 2.6-11). Essa liderança corrupta, juntamente com os religiosos, ignorava a justiça divina, e proclamava uma paz aparente (Mq. 3.1-12). Mesmo assim, o juízo de Deus sobreviria sobre a nação, mas Ele não permitiria que Seu povo fosse totalmente destruído. Haveria esperança, pois no futuro haverá um mundo onde reinará a verdadeira paz, em que não haverá mais guerra (Mq. 4.1-4). Um Rei, que nasceria em Belém (Mq. 5.1-4), triunfará, depois que o povo for purificado pelo castigo, uma alusão ao período da Tribulação (Mq. 5.5-15). Esse Rei é Jesus, que nasceu em Belém (Lc. 2.4-7), e que no futuro virá como o Príncipe da Paz (Is. 6.9; Ap. 19-22). Antes disso Israel precisará se arrepender dos seus pecados (Mq. 6.1-2), fazer o bem e andar humildemente diante do Senhor (Mq. 6.3-8), pois Deus não terá o culpado por inocente (Mq. 6.9-16). Miquéias lamentou a derrota de Israel e a corrupção da sociedade na qual vivia (Mq. 7.1-7), mas concluiu com uma mensagem de esperança, pois um dia a nação se voltará para o Senhor (Mq. 7.11-17). O Deus de Israel é compassivo e perdoador, e fiel para cumprir as Suas promessas (Mq. 7.18-20).

3. PARA HOJE: Miquéias tem muito a dizer para a igreja destes dias, a começar pelo seu nome: Quem é igual a Deus?. Essa é uma pergunta que as igrejas cristãs precisam fazer constantemente. De vez em quando esquecemos que Deus exige exclusividade, e O substituímos por ídolos (Mt. 4.10). As seduções do presente século estão conquistando muitas igrejas, que estão se distanciando dos princípios bíblicos (Gl. 1.7-9). A corrupção está invadindo muitas igrejas, a liderança, a fim de tirar proveito financeiro, está fazendo concessões com a verdade (Ap. 2.10,15). A mensagem de Deus continua sendo a mesma, por isso não podemos deixar de fazer o bem (Gl. 6.9). Esta geração volúvel precisa aprender a se manter firme e constante na obra do Senhor, ciente que tudo o que fazemos para Ele não é vão (I Co. 15.58). A sociedade moderna endeusou o dinheiro, não busca outra coisa senão a prosperidade financeira (Mt. 6.24). Mas a igreja, em obediência à Palavra de Deus, deve ser rica perante Deus (Lc. 12.16-21), e não se fundamentar nas riquezas materiais (Ap. 3.17,18). Ao invés de pactuar com a corrupção, deverá denunciá-la, somente assim estará cumprindo seu ministério profético (I Tm. 3.15). O reino da igreja não é deste mundo, pois Jesus, o Rei dos reis, que nasceu em Belém, já governa sobre seus súditos (Jo.18.36). Ele também é o Bom Pastor, pois entregou Sua vida pelas ovelhas, e as conhece individualmente, chamando-as pelo nome (Jo. 10.11-14). Suas ovelhas O obedecem, pois escutam a Sua voz, nela se comprazem, sabem que nEle há vida abundante (Jo. 10.4,10).

CONCLUSÃO: O Senhor é o nosso Pastor, por isso de nada temos falta, Ele nos é suficiente (Sl. 23.1). Essa agradável revelação nos motiva à obediência, não como um fardo pesado a ser carregado, mas por amor (Jo. 14.21). A obediência a Deus é resultado de um andar constante com Deus, por meio do qual o Espírito Santo produz o Seu fruto (Gl. 5.22). Aqueles que seguem por esse caminho não estão imunes ao pecado, mas quando pecam, se arrependem e o confessam, buscando o Senhor, que é misericordioso para perdoar (I Jo. 1.9; 2.1). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

JONAS – A MISERICÓRDIA DIVINA


Textos: Jn. 3.10 – Jn. 1.1-3,15,17; 3.8-10; 4.1,2


INTRODUÇÃO: A misericórdia de Deus incomoda a muita gente, os religiosos não admitem que um Deus condescendente com o pecador. Há até cristãos que não conseguem conviver com a graça – o favor imerecido de Deus – aos pecadores. No estudo desta semana, a partir de Jonas, aprenderemos a aceitar o princípio da misericórdia. A princípio trataremos a respeito de alguns aspectos do livro, em seguida, sua mensagem, e por último, sua aplicação para hoje.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Jonas, o filho de Amitai, o “profeta patriota”, residente em Jerusalém, um dos profetas de Deus em Israel, chamado para profetizar contra Nínive, a capital do império Assírio. O propósito do seu livro é mostrar a extensão da misericórdia (Deus não trata o pecador como merece) e da graça divina (Deus oferece ao pecador o que não merece). A data provável do livro é 785 – 760 a. C., no tempo de Jeroboão II (II Rs. 14.25), época em que a Assíria era o maior inimigo de Israel e conquistou a nação em 722 a.C. O versículo-chave se encontra em Jn. 4.11 “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?”. Esse livro apresente uma característica especial em relação aos outros profetas, ele traz apenas uma mensagem profética, que se encontra em Jn. 3.4. Trata-se, portanto, de um gênero narrativo, mas que não deixa de ter um caráter profético, pois revela a mensagem de Deus em relação aos pecadores, independentemente da nação. Alguns teólogos argumentam que a narrativa de Jonas seria apenas uma parábola, por conseguinte, não conteria fatos históricos. Mas não existem evidências que comprovem tal afirmação. O testemunho de Cristo a respeito da história de Jonas mostra que se trata de uma história verídica (Mt. 12.38-42). O livro apresenta a seguinte estrutura: Deus comissiona Jonas para ir a Nínive, e este O desobedece, sendo engolido por um grande peixe, (Jonas 1,2); Deus reenvia Jonas para Nínive, a cidade se arrepende dos pecados, por isso o profeta fica amargurado (Jn. 3,4).

2. A MENSAGEM DE JONAS: Jonas recebeu a missão de Deus para pregar em Nínive, mas foge e segue para Tarsis (Jn. 1.1-4). Por causa da fuga, o navio no qual o profeta se encontra é ameaçado por terrível tempestade. Diante de tal ameaça, Jonas testemunha da sua relação com o Deus de Israel e sugere que seja lançado ao mar (Jn. 1.5-16). Eles obedecem a orientação do profeta, mas depois que está na água, Jonas é engolido por um grande peixe, este preparado por Deus (Jn. 1.17). Do interior do animal, denominado por ele de “ventre do abismo” (Jn. 2.2), Jonas ora a Deus e se rende, reconhecendo sua desobediência, e lembrando-se do Senhor (Jn. 2.7), e propondo-se a obedecê-lo (Jn. 2.9). Após sua oração de rendição, por ordem soberana de Deus, o peixe lança Jonas em terra seca (Jn. 2.10). Em obediência a Deus, mesmo contra a vontade própria, Jonas segue para Nínive, por onde caminha anunciando a destruição iminente da cidade (Jn. 3.1). O profeta não desejava que as pessoas se arrependessem, pois se tratavam de inimigos de Israel. Mas o povo, atemorizado com a mensagem, se volta para Deus, o próprio rei decreta jejum (Jn. 3.3.5-9). Acontece justamente o que Jonas temia, o povo deu ouvido à palavra de Deus, o profeta patriota ficou amargurado, pois por causa do arrependimento dos ninivitas Deus exerceu misericórdia (Jn. 4.1-4). Enquanto Jonas se encontra fora da cidade, Deus ordena a uma vinha que cresça para dar sombra ao profeta (Jn. 4.5,6). Mas no outro dia um verme consome a planta, fazendo com que o profeta fique deprimido, desejoso de morrer (Jn. 4.7,8). Deus dá uma lição a Jonas, revelando Sua misericórdia aos pecadores (Jn. 4.9-11).

3. PARA HOJE: Os cristãos receberam do Senhor uma missão, na verdade, uma Grande Comissão, da qual não podem fugir, a de fazer discípulos de todas as nações (Mt. 28.19-20). Uma igreja genuinamente cristã não foge da responsabilidade de testemunhar do evangelho de Jesus Cristo até aos confins da terra (At. 1.8). O evangelho de Cristo é a verdade de que a salvação vem do Senhor, pois Jesus é a salvação dos pecados (Mt. 1.9,21). Ciente dessa missão, devemos levar adiante a palavra de Deus, que é mais afiada que espada de dois gumes, que penetra nas divisões da alma e do espírito, juntas e medulas, e que julga os pensamentos e atitudes do coração (Hb. 4.12). Não poucas vezes queremos colocar Deus dentro do nosso escopo, queremos que Ele julgue de acordo com nossas vontades. Jesus se deparou com esse problema na religiosidade da sua época. Os fariseus não admitiam que Ele estivesse entre os pecadores (Lc. 5.30-32). Aqueles religiosos achavam que apenas eles eram dignos de Deus, mas Jesus os surpreende afirmando que publicanos e prostitutas o precederiam no Reino dos céus (Mt. 21.32). Esse é o principal entrave da religião humana, ela está fundamentada na auto justiça, não atenta para a verdade evangélica de que todos são pecadores, necessitados salvação pela graça divina (Rm. 3.23; Ef. 2.8,9). As pessoas que pensam que são boas perante Deus, e que por isso não precisam de arrependimento, tendem à hipocrisia (Lc. 18.11; 23.27-28). E esta, por sua vez, pode fazer com que as pessoas não se apercebam dos seus pecados, convivam com eles como se tudo estivesse normal, mesmo dentro das igrejas (Ap. 3.17,18).

CONCLUSÃO: A mensagem do evangelho de Jesus Cristo é de salvação, devemos levá-la a todos, indistintamente, arrebatando-os do fogo (Jd. 23). Deus, em sua misericórdia, não tem em conta o tempo da ignorância, antes anuncia a todos, em todo lugar, que se arrependam (At. 17.30). Mas devemos também lembrar que não há nenhum justo, nenhum sequer, portanto, todos se fizeram inúteis perante Deus (Rm. 3.10-12). Por isso, tenhamos cuidados para não agir como os fariseus, e deixarmos de exercitar a misericórdia (Mt. 23.23), pois graças a esta podemos nos aproximar de Deus (Ef. 2.3-5; I Tm. 1.13-16; Hb. 4.16). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

OBADIAS – O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO


Textos: Ob. 1.15 – Ob. 1.1-4, 15-18


INTRODUÇÃO: Vivemos em um mundo marcado pela injustiça, não poucas vezes as pessoas que seguem a Deus são alvo de perseguições. No estudo desta semana, através das palavras de Obadias, aprenderemos que o Senhor é Aquele que julga com retidão. A principio destacaremos aspectos contextuais do livro de Obadias, em seguida, sua mensagem, e ao final, sua aplicação para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Obadias foi um profeta de Judá que pronunciou o castigo de Deus contra a nação de Edom. Existem duas datas prováveis para sua mensagem profética: 855 e 840, durante o reinado de Jeorão em Judá, ou talvez durante o ministério de Jeremias, por volta de 627 e 586 a. C. Pouco se sabe a respeito de quem foi Obadias, sabemos apenas que seu nome significa “servo” ou “adorador”. O propósito é mostrar que Deus é Aquele que julga os que afligem o Seu povo. O versículo-chave se encontra em Ob. 1.15: “porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se faça contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça”. O estilo literário do livro se assemelha a um cântico fúnebre de condenação, e está repleto linguagem poética. A mensagem se dirige aos edomitas, uma nação vizinha de Judá, ao sul, que tinham fronteiras comuns. Isso acirrava a disputa entre essas nações, os edomitas não gostavam de Judá. Nessa época a capital de Edom era Sela, uma cidade considerada invencível, tendo em vista sua localização em penhascos, com acesso apenas por meio de um desfiladeiro sinuoso. Por causa disso os edomitas eram orgulhosos e presunçosos. Eles achavam que jamais seriam vencidos por qualquer poderio inimigo. A autossuficiência os conduziu à ruina, a segurança se mostrou aparente quando lhe sobreveio o juízo divino. O livro de Obadias, que é o menor do Antigo Testamento, contendo apenas um capítulo, pode ser assim estruturado: O julgamento pronunciado contra Edom (Ob. 1-14); O resultado do julgamento (Ob. 15-18); e a possessão de Edom por Judá (Ob. 19-21).

2. A MENSAGEM DE OBADIAS: A mensagem de Obadias destaca a inimizade entre Judá e Edom e prefigura, através da destruição desta nação, o julgamento que sobrevirá sobre todas as nações que se oporão a Israel. Obadias denuncia a soberba humana das nações, tendo em vista que essa soberba – zadon em hebraico – alimenta a falsa esperança nos métodos humanos (v. 3,4). A soberba é decorrente da prosperidade humana, da crença de que é possível subsistir sem a providência divina. A posição social dos edomitas fez com que eles achassem que jamais seriam destruídos. Mas “naquele dia” ou, “no Dia do Senhor”, quando Deus julgar as nações, no tempo vindouro, a opulência da nação terá o seu fim. A causa desse julgamento será a violência – hamas em hebraico - “feita a seu irmão Jacó” (v. 10). Israel sofreu vários ataques ao longo da história, destacamos alguns deles: pelo Egito (I Rs. 14.25-28), pelos filisteus e árabes (II Cr. 21.16,17), pelos sírios (II Cr. 24.23,24); por Edom (II Rs. 14.7-14); por vários inimigos na época de Acaz (II Cr. 29.8,9), pela Assíria(II Rs. 18-19) e pelos babilônicos (II Cr. 36.15-22). O ataque dos inimigos produziu regozijo nos edomitas, eles celebravam as invasões sobre Judá. Por causa disso, o Senhor estabelece o princípio da retribuição: “como tu fizeste, assim se fará contigo”. Há ainda uma promessa para o futuro, na dimensão escatológica, virá a paz sobre o povo de Deus. A salvação se espalhará desde o monte Sião, quando, ao final, o Senhor restabelecerá o Reino na terra. Essa é mais uma alusão profética ao período do milênio, que se concretizará quando Cristo volta, com poder e grande glória, para reinar (Ap. 19).  

3. PARA HOJE: O orgulho é a destruição de todo ser humano, e muitas igrejas também padecem desse terrível mal. Jesus alertou a igreja de Laodiceia porque essa se achava autossuficiente (Ap. 3.17). Algumas igrejas ostentam a sua riqueza, do seu número de membros, influência política, entre outros males. Não sabem elas que Jesus está do lado de fora, batendo à porta, sem oportunidade para entrar. Não podemos esquecer que o pecado de Satanás foi exatamente o do orgulho, pois este quis subir até o lugar do Altíssimo, o final foi a sua queda (Is. 14.14). A orientação de Deus, para o Seu povo, é a de humildade, como demonstração da nossa dependência dEle. Conforme está escrito em II Cr. 7.14: “e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. Esse é um texto específico para Israel, mas com aplicação para a Igreja dos dias atuais. Se confiarmos menos em nossas potencialidades humanas e dependermos mais de Deus, veremos as coisas grandiosas que Ele realizará através de nós. Para tanto, precisamos voltar a orar (I Ts. 5.17), pois a falta de oração é uma das manifestações mais concretas do distanciamento de Deus. Não podemos esquecer que sem Cristo nada poderemos fazer (Jo. 15.5). Ao invés de desejarmos o mal aos nossos irmãos, e até mesmo aos inimigos, devemos edificar uns aos outros em amor (Ef. 5.12; Gl. 6.1) e orar por aqueles que nos perseguem (Mt. 5.44).

CONCLUSÃO: Em mundo repleto de injustiças, somos tentados, a todo instante, a desejar o mal aos outros. Os salmos imprecatórios chegam à ponta da nossa língua, a fim de desejar que o pior aconteça àqueles que nos perseguem. Não devemos sequer nos alegrar com a ruína do inimigo, antes orar por ele e desejar que tenha a oportunidade de voltar-se para Deus (Pv. 24.17,18). Como cristãos devemos saber que a vingança pertence a Deus (Dt. 32.35; Rm. 12.19), pois Ele, em tempo oportuno, nos livrará da perseguição e retribuirá o mal de acordo com Sua justiça (Pv. 20.22). A lei “olho por olho e dente por dente” está debaixo da soberania divina, e do “porém” de Jesus (Mt. 5.38,39).PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!