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E DEU DONS AOS HOMENS

Textos: 12.3-8; I Co. 12.4-7



INTRODUÇÃO

Ao longo deste trimestre estudaremos os dons espirituais e ministeriais, uma oportunidade ímpar para conhecer os dons que Deus disponibiliza para o serviço cristão. No estudo desta semana, apresentaremos os dons espirituais (charismata/pneumatikon) e ministeriais (diakonia). Mas antes, destacaremos os doadores: o Espírito Santo e Jesus Cristo. Ao final, mostraremos a necessidade de que homens e mulheres sejam capacitados para o serviço, e que isso acontece por meio desses dons que são disponibilizados por Deus.

1. E ELE DEU

Há um equívoco entre os cristãos evangélicos, mas propriamente entre os pentecostais. Alguns acreditam que são proprietários dos dons, ou seja, donos deles, mas os dons são de Deus, disponibilizados para a igreja.  Ele é o doador, que concede, aos homens, para o serviço cristão no Corpo de Cristo. Outro equívoco é o de pensar que os dons são para dar status eclesiástico àquele que os utiliza. Na verdade, os dons são funcionais, ou melhor, têm serventia para cumprir um proposito, mais especificamente a edificação da igreja (Ef. 4.12-16). Há também o equívoco de pensar que os dons espirituais são dispensados por méritos pessoais. Ninguém é usado por Deus, através dos dons espirituais ou ministeriais, por que é digno (Rm. 12.6; I Pe. 4.10), não podemos esquecer que fomos salvos pela graça de Deus (Ef. 4.9,10). Os dons procedem de Deus, Ele é a fonte dos dons, tanto os espirituais (charismata/penumatikon) quanto os ministeriais (diakonia). Mas a distribuição dos dons é um trabalho da Trindade, o Pai enviou Cristo, e depois o Espírito Santo (Jo. 14.6; 20.21). A concessão dos dons espirituais e ministeriais vem de Deus, sendo que existem os dons do Espírito (I Co. 12.4-7), e os dons de Cristo (Ef.4.11). É importante destacar que há mais de nove dons espirituais, não apenas aqueles listados por Paulo em I Co. 12.8-11. Em Rm. 12.3-8 encontramos uma lista, diferente da de I Co., no tocante aos dons: profecia, ministério, ministração, ensino, exortação, partilha, presidência e misericórdia. Esses dons, de acordo com o texto, são todos provenientes de Deus. Os dons, grosso modo, partem de Deus para a igreja, a fim de constituir uma unidade na diversidade (Rm. 12.5). A dispensação dos dons, tanto os espirituais quanto ministeriais, é de Deus, mas há também participação humana. No texto de Rm. 12.3-8, Paulo instrui os cristãos a desenvolverem os dons. Diferentemente dos dons de I Co. 12.8-11, que têm caráter mais instantâneo, e aspecto notadamente sobrenatural.

2. DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Há diferentes palavras para dons em hebraico, destacamos: berekah, minhah, korban e teruma. Berekah é geralmente traduzida por benção, e diz respeito aos pronunciamentos de coisas boas em relação a outros (I Sm. 25.27; II Rs. 5.15-18). A palavra minhah traz o significado de oferta, geralmente entregue como parte do culto. Korban também significa oferta ou dádiva, trata-se de um dos termos mais gerais no hebraico para a oferta. Teruma pode ser traduzido como oferta, porção, dom ou contribuição. O verbo dar é natan em hebraico, que comunica a ação de entregar algo a alguém (Lv. 26.4; Dt. 11.14). No grego do Novo Testamento, temos as palavras doreá, no sentido de dádiva, sendo Cristo a maior dádiva de Deus (II Co. 9.15; Rm. 5.15; Ef. 3.4). O próprio Espírito Santo é uma dádiva de Deus, depois que o pecador se arrepende dos seus pecados (At. 2.38; 8.20; 10.45; 11.17). O termo dóron também transmite o significado de dádiva, relacionado especificamente às ofertas a Deus (Mt. 5.23,24; Lc. 21.1-4). Outra palavra grega associada às dádivas é eleemosuné, de conotação mais social, relacionada à contribuição aos necessitados (Mt. 6.2; Lc. 11.41; At. 9.36; 10.2). Palavras de bênçãos também podem ser pronunciadas na Nova Aliança, são as eulogias, cujo significado é o de expressar nosso desejo de que Deus abençoe os outros. A palavra charisma, em grego, está associada aos dons do Espírito Santo (I Co. 12). Mas tem uma dimensão mais ampla, tendo em vista que Timóteo recebeu um charisma, quando lhe impuseram as mãos, um dom para o exercício ministerial (I Tm. 4.14; II Tm. 1.6). Dentre os charisma que Paulo recebeu, destacamos o do celibato, tratando-se, portanto, de uma capacitação de Deus, não de uma imposição humana (I Co. 7.7). As palavras gregas relacionadas aos dons espirituais são charismata e pneumatikon, o primeiro diz respeito aos aspectos da graça na capacitação dos dons, e o segundo, ressalta o Espírito Santo como a fonte dos dons (I Co. 12.11).

3. AOS HOMENS

Os dons espirituais e ministeriais foram destinados aos homens e mulheres da igreja, com vistas ao serviço (diakonia), e mais especificamente, à edificação do Corpo de Cristo. Os dons espirituais e ministeriais não devem ser ignorados, é necessário que os membros da igreja se interessem por eles, mas é preciso usá-los com equilíbrio (I Co. 12.1). Os homens e mulheres de Deus, quando usados pelo Espírito, através dos dons, devem exercitá-los com responsabilidade, sobretudo com zelo e amor (I Pe. 5.2,3). Há igrejas ditas pentecostais que estão se distanciando dos dons espirituais, algumas delas sequer ensinam a respeito do batismo no Espírito Santo, bem como pela busca dos dons espirituais. Uma pesquisa feita recentemente nos Estados Unidos constatou que cada vez mais pentecostais estão falando menos em línguas. Se uma pesquisa desse tipo for feita no Brasil talvez o resultado não seja diferente. Os pentecostais estão se envergonhado dos fundamentos da sua fé. O batismo no Espírito Santo, como virtude de poder, para testemunhar de Cristo, precisa ser resgatado (At. 1.8). Os dons espirituais também devem ser estimulados, não devemos proibir os membros da igreja de buscá-los (I Co. 14.9), a responsabilidade pastoral é a de instrui-los à utilização, com decência e ordem (I Co. 14.40). Todos devem buscar os dons, visando sempre o outro, a valorização de um dom, repousa justamente na capacidade de edificação dos membros (I Co. 12.31; 14.1). Os dons, tanto espirituais quanto ministeriais, devem ser exercidos em amor, considerando que esse – agape - é o caminho sobremodo excelente (I Co. 13). Muitos dons, sem amor, e mais apropriadamente, sem o fruto (Gl. 5.22), pode resultar em desequilíbrio espiritual. A igreja de Corinto era muito fervorosa, mas deficiente na espiritualidade,  com demonstração de carnalidade, implicando nas dissenções no seio da igreja (I Co. 3.3-5).

CONCLUSÃO

Os dons espirituais e ministeriais são fundamentais para o desenvolvimento espiritual das igrejas locais. Os membros do Corpo de Cristo devem desejar e buscar os dons, para a edificação (I Co. 12.31; 14.1). Os dons espirituais de I Co. 12.8-10) se caracterizam por serem instantâneos, enquanto que os dons de Rm. 12.6-8, e de Ef. 4.11 são desenvolvidos ao longo de um processo. Teologicamente os dons espirituais, com base na lista de I Co. 12.8-10, são categorizados em 1) Sabedoria: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento e discernimento de espírito; 2) Poder: fé, curas e operação de maravilhas; e 3) Elocução: profecia, variedade de línguas e interpretação de línguas. Busquemos, pois, os melhores dons, mas sem esquecer-se de cultivar o amor cristão. Em relação aos dons ministeriais, conforme Ef. 4.11, são: 1) apóstolos, 2) profetas, 3) evangelistas, 4) pastores e mestres, todos para o aperfeiçoamento dos santos. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

O LEGADO DE MOISÉS


Textos: Dt. 34.10-12; Hb. 11.23-29

INTRODUÇÃO

Moisés, o menino que foi retirado da água, morreu muito tempo depois, e deixou-nos um legado considerável. Esse será o assunto da ultimo estudo do trimestre. A princípio, apontaremos como se deu seus últimos dias, antes de morrer. Em seguida, destacaremos sua fé, que deve servir de exemplo para todos os cristãos. E ao final, mostraremos sua dedicação ao Senhor e generosidade, virtudes necessárias a todos aqueles que seguem os passos do Senhor Jesus Cristo.

1. OS ÚLTIMOS DIAS DE MOISÉS

O Salmo 90 é da autoria de Moisés, no versículo 12 ele ora ao Senhor: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio”. No final do livro de Deuteronômio nos deparamos com os últimos dias de Moisés na terra, um homem que realmente alcançou um coração sábio. Mas antes, em um primoroso cântico, ele declama sua benção sobre Israel. Nesse texto o homem de Deus declara a glória de Deus, recebida através da revelação (Dt. 33.1-5). Como Moisés, devemos também glorificar o nome do Senhor, com hinos e cânticos (Ef. 5.19; Cl. 3.16). A graça maravilhosa de Deus, em Cristo, é motivo suficiente para tributarmos a Ele louvor, glória e adoração (II Co. 5.21). O Deus de Israel é o nosso Deus, nenhum outro pode ser igualado a Ele (Ex. 33.29).  Em seguida Moisés se volta para as tribos de Israel, a fim de direcionar a elas as bênçãos do Senhor (Dt. 33.6-25). Após declarar as bênçãos ao povo de Israel, Moisés aponta para o verdadeiro Deus, que deveria ser reconhecido por aquela nação (Dt. 33.26-29). Em seguida, o servo de Deus toma consciência da sua morte, tema que é repetido nesses capítulos de encerramento (Dt. 31.1-16; 32.48-52; 33.1; 34.1-12). Como Moisés, todos nós, a menos que sejamos arrebatados (I Ts. 4.13-17), passaremos pela morte física (Hb. 9.27). Mas devemos manter a fé no Senhor, mesmo quando esta se aproximar. Não precisamos nos desesperar como aqueles que não conhecem a Cristo, e não têm esperança (I Ts. 4.13-17). Muito pelo contrário, temos a convicção que quando esse tabernáculo se desfizer, partiremos para estar com Cristo, o que é consideravelmente melhor (II Co. 5.1; Fp. 1.23). Moisés foi deixado fora da terra prometida, por não ter cumprido as orientações estabelecidas pelo Senhor (Dt. 1.37-40; Nm. 20.12,13). Mesmo tendo orado a esse respeito, o Senhor , soberanamente, não o atendeu (Dt. 3.23-26). Moisés apenas viu a terra no Monte Nebo, que fica cerca de dez quilômetros da Terra Prometida. Após ter visto a terra, Moisés faleceu, e o Senhor e o arcanjo Miguel (Jd. 9) o sepultaram no monte Nebo, em local que ninguém jamais identificou. Mas na transfiguração de Cristo, registrada em  Mt. 17.1-3 e Lc. 9.28-31, temos conhecimento de Moisés no alto do monte, na Terra Prometida.

2. MOISÉS, SUA FÉ E EXEMPLO PARA OS FIÉIS

Moisés faleceu em cumprimento à Palavra do Senhor (DT. 34.5), isso mostra que Deus é Aquele que tem a vida e a morte em Suas mãos (Sl. 139.16). Não temos motivos para ficar apavorados diante da morte, pois essa, mesmo nas condições mais adversas, é preciosa aos olhos do Senhor (Sl. 116.15). Nossa maior expectativa não deve ser a de viver muitos anos, mais importante ainda é viver para o Senhor, e deixar um legado espiritual para aqueles que nos veem. Moisés foi um exemplo de fidelidade, pois foi comparado a Cristo, um homem que se manteve firme na palavra do Senhor (Hb. 3.1-6). Ele também foi um homem que buscou ter intimidade com Deus, não se conformou com a mediocridade espiritual (Ex. 33.11; Nm. 12.7,8). Moisés não dependeu da sua formação acadêmica, ainda que essa tenha sido útil ao seu ministério, o segredo do seu êxito repousava na orientação de Deus (At. 7.22). Os cristãos deste tempo precisam reaprender a passar mais tempo na presença de Deus. Os momentos devocionais através da oração e meditação na palavra precisam ser resgatados, principalmente por aqueles que exercem posição de liderança. Moisés era um homem dedicado à oração e ao ministério da palavra (At. 6.4). Por isso se destacou, tornando-se “poderoso em palavras e obras”, isto é, demonstrando equilíbrio entre o que dizia e fazia. Como Moisés, e o Senhor Jesus, devemos agir coerentemente com as nossas palavras. Como disse certo pensador, devemos pregar, utilizando as palavras se necessário. Em suma, como Moisés, devemos recusar tudo àquilo que nada tem a ver com Deus, abrir mãos do engano do mundo, preferindo e considerando a posição para a qual o Senhor nos escolheu (Hb. 11.24-26); se necessário for, devemos deixar a zona de conforto, “abandonar o Egito”, perder o medo, a fim de alcançar a recompensa invisível (Hb. 11.27); e confiar nas orientações de Deus, mesmo que essa pareçam não fazer sentido (Hb. 11.28).

3. MOISÉS, SUA DEDICAÇÃO E GENEROSIDADE

Moisés mostrou-se dedicado ao povo de Israel, sobretudo generoso, intercedendo, sempre que necessário pela salvação daquela nação (Ex. 32.9-14; Nm. 14.10-25). Tenhamos cuidado com os falsos obreiros, muitos que dizem ser pastores na atualidade não passam de mercenários. O maior exemplo de pastor é o Senhor Jesus Cristo, ao entregar Sua própria vida pelas ovelhas (Jo. 10.12-14). Moisés, em sua identificação com o povo, passou por muitos sofrimentos (Hb. 11.24-27). Muitos obreiros modernos não querem mais sofrer, relacionam o ministério ao status, não podem dizer com Paulo, que não tinha sua vida por preciosa, e se gastava pelo rebanho (At. 20.24; II Co. 12.15). Moisés abriu mão de tudo que tinha, seus status social, seu conhecimento acadêmico, até mesmo das suas posses (Hb. 11.24). O desapego às coisas materiais deve ser uma das marcas registradas do obreiro cristão (I Tm. 6.10). Jesus abriu mãos dos tesouros terrenos, e se tornou pobre a fim de nos enriquecer espiritualmente (II Co. 8.9). Essas características de Moisés estavam atreladas a sua mansidão, ele foi reconhecido como um dos homens mais mansos da terra (Nm. 12.3). Jesus também foi um homem manso, e que por isso atraiu para Si os que carregavam o fardo do pecado (Mt. 11.28-30; I Pe. 2.21). Diante da morte iminente, Moisés deixou-nos o legado da escolha do seu sucessor. Ele não era um cratomaníaco, isto é, um líder aficionado pelo poder, receoso de perder seu cargo para outros. Moisés preparou Josué para assumir o restante da jornada, delegando a este a condução do povo para entrar na Terra Prometida. Os líderes do nosso tempo precisam investir na formação de sucessores. É triste quando a obra de Deus sofre porque aqueles que estão diante dela não querem soltar o cajado. Pior ainda é quando o cajado é passado para as mãos erradas, por critérios definidos pela politicagem eclesiástica. Seguido a orientação de Paulo a Timóteo, precisamos identificar homens fiéis, que se enquadrem no perfil cristão, para conduzirem o rebanho de Deus (II Tm. 2.1,2).

CONCLUSÃO

Ao autor da Epístola aos Hebreus dedicou seis versículos, em sua galeria de homens que serviram de exemplo de fé, a Moisés. Isso porque a vida desse homem continua servindo de modelo para todos aqueles que querem seguir piedosamente a Cristo. Ele não se deixou conduzir pelos seus sentimentos, antes dependeu da sua fé no Deus de Israel. Quando foi criticado, fundamentou suas decisões na âncora da fé. Diante das adversidades, devemos lembrar que a fé o firme fundamento das coisas que se esperam, mas que se não veem (Hb. 11.1). PENSE NISSO! 

Deus é Fiel e Justo!

A CONSAGRAÇÃO DOS SACERDOTES

Textos: Hb. 9.22 – Ex. 29.1-12



INTRODUÇÃO

Estudamos na semana passada a respeito da escolha dos filhos de Arão para ministrarem no tabernáculo, como sacerdotes. No estudo desta semana nos voltaremos para a consagração dos sacerdotes, destacando os procedimentos rituais pelos quais esses passavam durante esse processo. Em seguida, mostraremos como acontecia a ministração por parte dos sacerdotes na tenda do Senhor. Ao final, ressaltaremos que Cristo, o Sumo-Sacerdote, é Aquele que ofereceu sacrifício perfeito pelos nossos pecados.

1. A CONSAGRAÇÃO SACERDOTAL

Os sacerdotes deveriam participar do culto público no qual passariam por um processo de consagração. Durante essa celebração eles deveriam ser lavados (Ex. 29.4; Lv. 8.6), e para esse fim Moisés conduziu Arão e seus filhos à porta do tabernáculo. O ato de lavar representava a purificação dos sacerdotes para o ofício. Eles deveriam lavar as mãos e os pés na bacia, demonstrando, assim, que estavam sendo purificados diante do Senhor. Os cristãos do Novo Pacto passaram por esse processo de purificação ao aceitarem a Cristo como Salvador (I Co. 6.9-11). Dando continuidade ao ritual, os sacerdotes eram vestidos com a indumentária especificada em Ex. 28, não podemos deixar de ressaltar que essa vestimenta destacava a dignidade do ministério (Ex. 29.5-9). Como cristãos, devemos deixar de lado as vestes imundas, e nos revestirmos dos trajes da graça em Cristo (Ef. 4.17-32; Cl. 3.1-15). Depois os sacerdotes eram ungidos com um óleo especial (Ex. 29.7,21; 30.22,23). O óleo no Antigo Testamento é símbolo do Espírito Santo para ter poder e servir (Is. 61.1-3). O ministério de Cristo foi conduzido pelo poder do Espírito Santo (Lc. 4.17-19). A igreja também deve buscar o poder de Deus para testemunhar com eficácia a respeito da morte e ressurreição de Cristo (At. 1.8). Os cristãos, individualmente, precisam ser cheio do Espírito Santo (Ef. 5.18). Como parte do procedimento, o pecado dos sacerdotes era perdoado, isso porque um touro era imolado para sacrifício, o que era repetido ao longo da semana (Ex. 29.10-14). Aqueles que ministram diante de Deus, e para o povo, precisam antes passaram pelo novo nascimento, da água e do Espírito (Jo. 3.3). Os sacerdotes eram, em seguida, consagrados a Deus, para dependerem integralmente do ministério (Ex. 29.15-18). Como cristãos, precisamos também nos entregar incondicionalmente à vontade de Deus, em culto santo e agradável (Rm. 12.1,2; I Tm. 4.15). Posteriormente os sacerdotes eram marcados pelo sangue, que apontava para uma vida de sacrifício, a serviço do Senhor (Ex. 29.22-28). É uma pena que alguns que ministram na casa de Deus querem apenas satisfazer seus interesses (I Sm. 2.17-17).

2. A MINISTRAÇÃO SACERDOTAL

Os sacerdotes tinham a responsabilidade de ministrarem diante do Senhor, para tanto durante a semana teriam que ficar dentro dos limites do tabernáculo (Lv. 9.33-36). Esse era um processo de concentração, isto é, de preparação para a ministração no culto. Os pastores precisam atentar para a preparação na ministração da palavra. Há obreiros que dependem apenas de seus esboços, alguns deles extraídos da internet, ou de esboços de livros. Não há mais consagração na vida de alguns pastores antes da ministração, de modo que seus ouvintes percebem que estão tão somente repassando informações. Falta vida em muitos sermões nas igrejas, simplesmente porque os pastores deixaram de orar, de se consagrarem para o ministério. A burocracia eclesiástica, pautada pelo ativismo, está minando a espiritualidade de muitos obreiros. Na Antiga Aliança o sacerdote começava o dia sacrificando um cordeiro como holocausto, significando consagração total a Deus. Ao final do dia ele apresentava outro cordeiro em sacrifício pelo povo. Como os sacerdotes, precisamos começar o dia, e termina-lo, em consagração ao Senhor. Cada cristão deve viver, integralmente, 24 horas por dia, 31 dias por mês, 366 dias do ano para o Senhor. O culto no templo é importante, mas a vida cristã é uma questão de estilo, que se concretiza em todo tempo e nos vários lugares. É importante também separarmos momentos silenciosos para estar na presença do Senhor (Mt. 6.7-15). O sacerdote também oferecia sacrifícios de manjares, colocando uma porção simbólica de farinha no altar e usavam o restante para suas refeições. A farinha, bem como o vinho, representavam o fruto do trabalho do povo, e a providência divina para alimentá-lo (Dt. 6.6-18). Devemos aprender a ser gratos ao Senhor pelo pão nosso de cada dia, por sua graça maravilhosa, que tem nos suprido com o sustento necessário (I Co. 10.31).

3. O SACERDÓCIO DE CRISTO

Cristo é o nosso Sumo-sacerdote, que penetrou os céus, e que se identifica com nossas fraquezas (Hb. 4.14-16). A função do sacerdote era interceder e oferecer sacrifícios pelo povo. Ele poderia entrar no Santo dos santos, com o sangue do cordeiro, uma vez ao ano, para purificação do pecado povo (Hb. 9.22). Jesus, o Sumo Sacerdote, “penetrou os céus” e onde se encontra continuamente para interceder pelos pecadores arrependidos (I Jo. 2.10). Ele não era da tribo de Levi, por isso sua ordem é a de Melquisedque, “sem pai, sem mãe, sem genealogia”, portanto, superior, eterno e imutável (Gn. 14.18; Hb. 7.3). Por esse motivo “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb. 7.25). Jesus entrou no lugar santo não com sangue de cordeiros e bodes, mas com Seu próprio sangue, “uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hb. 9.11-15). O sacerdócio de Cristo é perfeito, por isso os sacrifícios não precisam mais ser repetidos, foi único, perfeito e perpétuo (Hb. 7.25-28). Assim, se andarmos na luz, como Ele está na luz, “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I Jo. 1.7). Essa doutrina nos inspira, portanto, a um viver santo, em novidade de vida, a fim de agradar a Deus, não para sermos salvos, mas porque Ele nos salvou (Ef. 2.8-10). Essa é também uma mensagem de esperança, pois podemos guardar “firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hb. 10.23). É importante destacar que temos, em Cristo, um Sumo Sacerdote que se identifica conosco, que conhece nossas limitações (Hb. 4.15; 5.1,2). Por isso podemos nos achegar, confiadamente, junto ao trono da graça, não por méritos próprios, mas pela graça manifestada em Cristo, na cruz do calvário (Hb. 4.16), temos intrepidez para entrar nos Santos dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou (Hb. 10.19,20).

CONCLUSÃO

Os sacerdotes da Antiga Aliança eram consagrados ao serviço do Senhor. Para isso, passavam por um ritual, por meio do qual eram reconhecidos, publicamente como ministros separados para o serviço. Como líderes no ministério, devemos consagrar nossas vidas diante de Deus, em sacrifício vivo, santo e agradável. Cristo é o nosso exemplo, pois carregou sobre Si o sofrimento pelos nossos pecados, sendo Ele também a propiciação pelas transgressões. Por causa da perfeição do Seu sacrifício, e Sacerdócio, podemos nos aproximar com confiança de Deus, chamando-O de Aba, Pai (Mt. 6.9,10; Gl. 4.4-6).  PENSE NISSO!

Deus é Fiel Justo!

DEUS ESCOLHE ARÃO E SEUS FILHOS PARA O SACERDÓCIO

Textos: Ap. 5.10 – Ex. 28.1-11


INTRODUÇÃO
A escolha dos sacerdotes, na família de Arão, tinha o propósito do serviço, eles também tinham a responsabilidade de representar a Deus diante do povo. No estudo desta semana atentaremos para a importância do serviço sacerdotal diante de Deus e do Seu povo. Ao final, mostraremos que esse ofício deveria ser exercitado com temor ao Senhor, e que, no Novo Pacto, formos escolhidos para sacerdotes, ministros na igreja de Cristo.

1. SACERDÓCIO: SERVIÇO PARA DEUS
A expressão “para que me ministre”, nesse texto, ocorre cinco vezes, ressaltando a relevância do ofício sacerdotal. Antes de ministrar ao povo, os sacerdotes deveriam ministrar, isto é, servir, diante de Deus. Essa é uma valiosa lição para aqueles que ministram na igreja de Cristo, não podem se esquecer de que estão diante de Deus. A burocratização na administração eclesiástica tem feito com que muitos obreiros deixem de levar o ministério cristão. Isso acontece principalmente no contexto de igrejas que são tratadas como empresas, e em alguns casos, como grandes negócios. A escolha de Arão, e da sua família, para ministrar como sacerdotes, foi um ato gracioso de Deus. Ele é soberano, e escolhe as pessoas para o Seu trabalho, conforme Lhe apraz (Jo. 15.16). Após a morte de Arão, Eleazar tornou-se seu sucessor (Nm. 20.22-29), o trabalho prossegue, as pessoas passam, mas a obra continua. Ninguém deve se achar insubstituível, mesmo depois do cativeiro babilônico, os descendentes de Itamar deram continuidade ao ministério sacerdotal (Ed. 8.1,2). Nós, obreiros e obreiras no trabalho do Senhor, devemos buscar, primordialmente, agradá-Lo. Como escreveu Paulo a Timóteo, não devemos ter do que nos envergonhar, manejando bem a palavra da verdade (II Tm. 2.15). O Amor ao Senhor deve ser o grande crivo na escolha de obreiros para a seara do Senhor, isso porque antes de partir, Jesus perguntou a Pedro se esse O amava, responsabilizando-o para o ministério (Jo. 21.17). Há obreiros que amam a obra, o dinheiro que obra dar, até as pessoas da obra, mas não amam a Deus, por isso fracassam. Quando amamos a Deus, tudo o mais flui naturalmente, não precisamos fazer esforço, acabamos parecendo artificial (Mt. 22.34-40) Em relação às vestes sacerdotais, essas tinham um papel importante na identificação do serviço. As vestimentas davam dignidade e glória (Ex. 28.1), distinguindo-os do restante do povo, o uso daquelas roupas os colocava em posição de risco, caso as instruções não fossem obedecidas (Ex. 28.35,43). Como cristãos, devemos estar revestidos da justiça de Deus em Cristo (Gl. 3.27,28), para nos apresentarmos diante de Deus de acordo com Sua vontade.

2. SACERDÓCIO: SERVIÇO PARA O POVO
As peças da vestimenta sacerdotal não eram meros adereços, elas tinham uma simbologia própria, representavam o ministério diante do povo. As peças de roupas eram sete: calções (Ex. 28.42,43), uma túnica branca (Ex. 28.39), e por cima desta uma sobrepeliz azul, com campainhas e romãs na orla (Ex. 28.3-35); a estola sacerdotal, que era composta por uma veste sem mangas, feita de ouro, estofo azul, púrpura e carmesim e presa por ombreiras incrustadas de joias, e um cinto; e um peitoral com joias, colocado por cima da sobrepeliz com correntes de ouro presas às ombreiras (Ex. 28.9-30), com uma lâmina de ouro em que estava escrito: “Santidade ao Senhor” (Ex. 28.36). A estola era uma veste simples de linho, sem mangas, que ia até os calcanhares. Juntamente com o cinto era feita de linho branco, bordado com estofo azul, púrpura e fios carmesins. Nas ombreiras da estola tinha os nomes de seis tribos de Israel, de acordo com sua ordem de nascimento, gravados em uma pedra ônix. Isso mostra que o sumo sacerdote entrava na presença do Senhor em nome do povo. As duas pedras de ônix revelam a importância do povo, uma lição primorosa para os líderes eclesiásticos. Parece redundante, mas o povo de Deus a Ele pertence, e a Ele prestaremos contas da forma como conduzimos o rebanho (At. 20.28-31). Não apenas os líderes, mas toda a igreja está no mundo para servir ao Senhor, e também às pessoas, Cristo é o maior exemplo de liderança servidora (Lc. 22.27; Jo. 13.12-17). O peitoral era um pedaço de tecido quadrado e duplo, com muitos bordados, que tinha um palmo de cumprimento, e um de largura, localizado no peito do sacerdote, pendurado por duas correntes de ouro. Nesse peitoral havia doze pedras, cada uma delas representando uma tribo de Israel. O sacerdote, por conseguinte, carregava o povo no peito, próximo ao coração. Os obreiros do Senhor devem ter o povo no coração, amá-lo como fez Cristo, e se necessário, entregar a vida por ele (I Jo. 3.16-18), como também fez Paulo (Fp. 1.7). Como as pedras eram diferentes, as pessoas da igreja também as são, e devem ser respeitadas na sua diversidade. Ainda dentro do peitoral ficavam o Urim e o Tumim, que quer dizer “luzes e perfeições”, eram usadas para determinar a vontade de Deus. Não existem informações detalhadas como elas eram utilizadas, mas era de responsabilidade do sacerdote identificar a revelação de Deus através delas (Ex. 28.30). O Urim e o Tumim da igreja do Senhor é a Sua palavra (Sl. 119.105), ela revela a vontade de Deus, a qual deve ser obedecida (J. 7.17; Sl. 25.8-11; Rm. 12.1,2).

3. SACERDÓCIO: NO TEMOR DO SENHOR
A sobrepeliz azul, usada por baixo da estola, não tinha costuras, representando a perfeição. O colarinho em torno da abertura para a cabeça era tecido de modo que não se rasgasse, isso diz respeito à reputação do sacerdote, ninguém poderia desabonar sua conduta. Na orla de suas vestes existiam romãs, feitas de estofo azul, púrpura e carmesim, que ficavam dependuradas. Essas romãs apontavam para a abundância de frutos, que deveriam ser produzidos pelos sacerdotes. Junto a essas romãs ficavam as campainhas, que indicavam a ministração do sacerdote no Lugar Santo. As campainhas indicam que devemos demonstrar ao mundo que estamos ministrando não para nós mesmos, antes para o Senhor, e para o povo. A mitra era usada pelo sumo sacerdote, os demais sacerdotes usavam apenas turbantes de linho, com a mensagem: “Santidade ao Senhor”. Essa é uma mensagem na qual devemos meditar, muitos cristãos atualmente pensam que foram chamados para serem felizes. Mas, na verdade, o chamado de Deus para nós é para a santificação (Lv. 11.44,45), esse ensinamento foi enfatizado por Pedro aos cristãos do Sec. I, e serve também para nós hoje (I Pe. 1.15,16). O sacerdote carregava a mitra para demonstrar seu temor diante da santidade de Deus, o sacrifício de Cristo nos torna aceitável diante do Senhor (I Pe. 2.5). Os sacerdotes morreriam se não observassem as orientações de Deus em relação as vestes, sobretudo a purificação (Ex. 28.35,43). Como cristãos devemos demonstrar reverência ao Senhor, e santo temor (Hb. 12.28). Isso não significa que devemos estar tristes, muito pelo contrário, o temor a Deus deve nos conduzir à alegria (Sl. 2.11). Temor nada tem a ver com medo, é bem verdade que estremecemos diante da grandeza de Deus, mas podemos nos aproximar dEle, pelo caminho que Cristo nos consagrou (Hb. 9.1-14).

CONCLUSÃO
A igreja do Senhor Jesus é, neste mundo, sacerdócio santo, e um sacerdócio real, adquirido pelo Seu sangue, derramado na cruz (I Pe. 2.5,9). Para tanto, deve ser fiel na proclamação das virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). Como cristãos no mundo, devemos ministrar às pessoas, debaixo da orientação da Palavra, e conduzidos pelo Espírito, com temor e tremor (Fp. 2.12). O mundo precisa do sacerdócio da igreja, ainda que não saiba, e a igreja, não pode se identificar com o mundo, sob pena de deixar de ser sal e luz (Mt. 5.13,14). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

AS LEIS CIVIS ENTREGUES POR MOISÉS AOS ISRAELITAS

Textos: Sl. 94.15 – Ex. 21.1-12



INTRODUÇÃO
O livro de Êxodo contem algumas leis básicas que visavam à proteção da vida e da propriedade humana. Isso mostra que o Pacto com Deus implicava em um posicionamento ético, em um relacionamento diferenciado das demais nações (Ex. 24.3-8). No estudo desta semana atentaremos para algumas dessas leis, ressaltando a necessidade de segui-las, confiando nas instruções de Deus, que são sempre para o nosso bem individual e coletivo. Inicialmente faremos uma apresentação geral das leis civis entregues por Moisés aos israelitas, em seguida, mostraremos a importância de esses as seguirem, e ao final, ressaltaremos a lei de Cristo, enquanto valor ético a ser observado.

1. AS LEIS DE DEUS
As leis humanas, por seu caráter impositivo, não podem mudar as pessoas, elas apenas regulam os comportamentos. Mas elas têm sua serventia, pois nada há mais perigoso para uma sociedade do que o caos, nenhum povo subsiste se decidir viver em anarquia. O povo de Israel experimentou dias difíceis na sua história, quando cada homem decidiu agir de acordo com o que achava correto aos seus próprios olhos (Jz. 17.6; 18.1; 19.1; 21.25). A sociedade contemporânea, influenciada pelas abordagens da psicologia moderna, optou pelo relativismo cultural. Ao invés de se dobrarem diante da Palavra de Deus, muitos estão se voltando para seus próprios intentos, dando vasão à natureza pecaminosa. As leis de Deus, inicialmente direcionadas ao povo de Israel, apontavam para princípios de justiça, tendo em vista que o Senhor ama a retidão e a justiça (Sl. 33.5; Is. 30.18; 61.8). Existe muita injustiça na sociedade atual, o direito dos pobres e necessitados está sendo vituperado, mas chegará o dia em que o Salvador julgará a todos (At. 17.31). O povo de Israel recebeu leis em relação aos servos, considerando que era permitida, no contexto da época, a propriedade de escravos de outras nações. Mas existiam restrições, a fim de preservar o direito à sobrevivência dos servos (Ex. 21.1-11). Ninguém deverá se assenhorar sobre o indivíduo de modo a oprimi-lo, a riqueza não poderia resultar da exploração do trabalho do seu próximo. Deus também deu leis em relação aos crimes capitais, tendo em vista que somos a imagem de Deus, ninguém deveria tirar a vida do outro (Gn. 9.6). Os crimes eram dignos de julgamento, testemunhas deveriam ser ouvidas a fim de validar o homicídio (Nm. 35.30,31). Havia, já naquele tempo, orientações quanto às mortes acidentais, que garantiam segurança (I Rs. 2.29), o próprio Deus instituiu seis cidades de refúgios para tais casos (Nm. 35; Dt. 19; Js. 20). As pessoas devem ser julgadas, e se forem o caso, penalizadas, mas nunca sem que tenham amplo direito à defesa. E essas, por sua vez, não devem ser feitas para priorizar privilegiados, em detrimento dos mais necessitados, que mais carecem de amparo (Is. 10.1,2).

2. SEGUINDO AS LEIS DE DEUS
Algumas leis eram mais específicas, como as que tratavam da desobediência aos pais (Ex. 21.15-17; Lv. 20.9; Dt. 27.16). Mas a lei também favorecia ao filho pródigo (Ex. 21.18-21), dando a esse a oportunidade de arrependimento. A orientação aos filhos, em meio a essa sociedade permissiva, que perdeu a afeição pelos seus pais (Ef. 6.2; II Tm. 3.3), é a de que honrem seus pais, dando-lhes o devido respeito. A propriedade privada deveria ser preservada, ninguém deveria se apropriar daquilo que não lhe pertencia (Ex. 21.16; Dt. 24.7). O povo de Israel não poderia se exasperar a ponto de causar dano ao próximo (Ex. 21.18-32), sob o risco de sofrer pena capital. Alguns países aplicam a pena capital em casos de homicídios hediondos, nos quais fique comprovada a impossibilidade de reversão do comportamento do criminoso. Para tanto alguns cristãos remetem às leis do Antigo Pacto (Ex. 21.12-16), bem como às palavras de Jesus (Mt. 26.52) e Paulo (Rm. 13.4). Mas é preciso cautela na interpretação dessas passagens, considerando que o governo humano é injusto, portanto, pode punir indevidamente. Os cristãos devem promover a vida, e como acreditam no arrependimento, devem defender a oportunidade para que a pessoa venha a se voltar para Deus, tal como fez Jesus com a mulher flagrada em adultério (Jo. 8.1-11). A orientação geral de Jesus é a do perdão (Mt. 5.38-44; I Pe. 2.19-21), como cristãos temos o direito de abdicar dos direitos legais para glória de Deus, não demandando compensação (I Co. 6.1-8). Além disso, para Jesus, alguém pode assassinar o próximo não apenas fisicamente, mas também através das palavras (Mt. 5.21,22). Em relação à ecologia, no contexto de uma sociedade dependente da agricultura, Israel deveria saber tratar bem a terra, para evitar desgaste (Ex. 21.33,34). De igual modo, nós os cristãos, diante da selvageria consumista, devemos ter cuidado para não degradar a natureza. Os cristãos devem cuidar da terra, pois ela, e tudo que nela existe, pertence ao Senhor (Sl. 24.1). Como foi o projeto inicial de Deus, devemos agir com responsabilidade diante da criação (Gn. 2.15).

3. A CONFIANÇA NAS LEIS DE DEUS
As leis de Deus não são para o mal, antes para o bem daqueles que as observam, por esse motivo o Senhor as instituiu para o Seu povo no Sinai. Deus preparou um lugar para o Israel, mas para que esse povo chegasse à terra prometida, deveriam trilhar um longo caminho. Jesus também foi preparar lugar para aqueles que creem nEle (Jo. 14.1), até chegarmos lá devemos nos voltar para os mandamentos do Senhor. Agora somos filhos de Deus, e como tais, precisamos viver com responsabilidade, tanto em relação a Deus quanto ao próximo. O cumprimento da lei é o amor, a partir dele os cristãos demonstram sua confiança nas leis de Deus (Rm. 13.9,10). O próprio Senhor Jesus Cristo estabeleceu um princípio ético que fundamenta a observância a todas as leis. Devemos fazer aos outros o que desejamos que seja feitos a nós (Mt. 7.12). Esse é o novo mandamento, a Lei de Cristo, que exercitemos o amor (Jo. 13.34). A sociedade contemporânea desconhece essa lei, pois está pautada no princípio da causa-efeito, da ação-reação. Mas em Cristo somos chamados para um discipulado diferenciado, que não se pauta na forma como os outros nos tratam, mas em nosso relacionamento com Cristo, que nos amou primeiro (I Jo. 4.19). A lei do pecado, que impulsiona o ser humano para a desobediência, é mortificada na medida em que, o novo homem, se deixa conduzir pelo Espírito (II Co. 5.17; Gl. 5.16-17). Essa é a lei que se sobrepõe às tendências pecaminosas, fundamentadas na natureza carnal, e que as leis civis apenas coíbem. A base do relacionamento com outros, de acordo com Ef. 5.26-27, é o exemplo de Cristo, que a si mesmo se entregou por Sua igreja. Certamente o mundo não compreende esse ensinamento, pois o amor de Cristo excede todo o entendimento (Ef. 3.19). O evangelho é loucura, tanto para os judeus quanto para os gregos, pois os primeiros querem sinais, e os últimos, sabedoria. Mas nós pregamos, e somos chamados a pregar e viver a partir do Cristo Crucificado, essa é a dimensão que deve conduzir os relacionamentos humanos (I Co. 1.18-21).

CONCLUSÃO
As leis existem para controlar os comportamentos humanos em virtude da natureza caída, e nesse sentido, se tornaram necessárias, a fim de evitar a anarquia. O próprio Deus, em seu tratamento inicial com Israel, deu-lhe normas que deveriam ser obedecidas. No entanto, em Cristo, temos contato com uma nova dimensão legal, o amor encarnado em Sua pessoa para um viver em graça (Mt. 18.21.22). Esse é o desafio para a sociedade contemporânea, que desconhece a lei do amor de Deus, enquanto que nós somos desafiados a vivê-la, como discípulos do Cristo Crucificado (Mt. 16.24-28). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

UM LUGAR DE ADORAÇÃO A DEUS NO DESERTO

Textos: Ex. 25.8 – Ex. 25.1-9


INTRODUÇÃO
A adoração deveria ser prioridade do povo de Israel, na verdade, a partida do Egito tinha justamente esse objetivo (Ex. 10.8-11). No estudo desta semana veremos a respeito do lugar que Deus estabeleceu para Sua adoração no deserto. Inicialmente, destacaremos o processo de construção desse lugar, em seguida, atentaremos para a presença de Deus nesse lugar, e ao final, para o propósito desse lugar. Destacamos, a princípio, que adorar não é apenas uma obrigação, mas uma necessidade, para Deus nos criou, e não nos realizamos nada mais, a não ser nEle.

1. A CONSTRUÇÃO DO LUGAR
Fomos chamados para a adoração a Deus, essa mensagem foi reforçada por Jesus, ao responder à mulher samaritana, destacando que Deus busca adorador, que O adorem em espírito e em verdade (Jo. 4.23,24). A adoração cristã não está limitada a um espaço físico específico, mas esse também não pode ser descartado, afinal de contas, somos seres no tempo e no espaço. O povo de Israel, no período de constituição da sua fé, precisou de um lugar para adorar a Deus. Para tanto, Moisés, Arão, Nadabe e Abiú e os setenta ancião subiram a um lugar mais alto, para se encontrarem com o Senhor (Ex. 24.9-11). Moisés e Josué precisaram subir um pouco mais, a fim de ouvirem as instruções de Deus (Ex. 24.13,14). Finalmente, Moisés teve que subir mais ainda para ver a glória do Senhor (Ex. 24.15-17), isso revela a necessidade de ir mais acima, em direção aos lugares altos, para desfrutar das grandezas de Deus. Atualmente dispomos de um vivo caminho, que nos foi consagrado por Jesus, na cruz do calvário (Hb. 10.19-25). Os israelitas receberam, através de Moisés, e providenciado por Deus, um projeto para a construção de um lugar para adoração. Esse lugar foi o tabernáculo, uma espécie de templo móvel, que deveria ser construído de acordo com as especificações dadas a Moisés, no monte (Ex. 25.40). A adoração a Deus, conforme nos Jesus nos ensinou, não pode ser realizada de qualquer modo, mas em verdade, que é próprio Cristo, e em Espírito, considerando que Deus é Espírito (Jo. 4.24). Para a construção do tabernáculo, Deus providenciou o material, a partir das ofertas do povo, que superabundou (Ex. 36.6,7). O Senhor também capacitou os construtores pelo Espírito Santo, dando a Bezalel e Aoliabe a sabedoria necessária para conduzir o trabalho. Ainda hoje recebemos do Senhor os dons, espirituais (I Co. 12.1-13) e ministeriais (Ef. 4.11-16), para a edificação do Corpo de Cristo.

2. A PRESENÇA DE DEUS NO LUGAR
No tabernáculo deveria ser colocado a arca da aliança, uma peça de madeira que media em torno de um metro e quinze de cumprimento, setenta centímetros de altura, e setenta centímetros de largura, que deveria ficar no Santos dos santos (Ex. 25.10-22). Essa arca simbolizava a presença de Deus naquele lugar, a shekinah. Essa arca apontava para Jesus, pois era de madeira (a natureza humana) e revestida de ouro (a natureza divina). De acordo com Hb. 9.4 havia, dentro da arca, as tábuas da lei (Ex. 25.16), um vaso com maná (Ex. 16.32-34) e o bordão de Arão que floresceu (Nm. 16-17). Jesus é a revelação de Deus, Cristo obedeceu à lei (Hb. 10.5-9), Ele mesmo é o Pão da Vida (Jo. 6.32). Por meio dEle temos livre acesso à presença de Deus, pelo Seu sangue derramado na cruz do calvário, pois Ele é nossa propiciação (Hb. 10.19-25). Naquele lugar havia também os pães da preposição, antecipando, como já destacamos, que Cristo é o Pão da Vida (Jo. 6.26), acompanhado com incenso, sugerindo uma oferta ao Senhor (Ex. 25.29). Havia também um candelabro, feito de aproximadamente trinta e oito quilos de ouro batido, com seis hastes, acesas com óleo, e que deveriam queimar continuamente (Ex. 27.20,21). O incenso também representa a oração que sobe à presença de Deus, o fogo do candelabro a Palavra de Deus (Sl. 119.105, 130). De fato, a oração e a palavra de Deus devem andar juntas. Há pessoas que oram demais, mas leem pouco a Bíblia, outros, leem demais, mas não oram. É preciso equilíbrio espiritual nesse sentido, para evitar os extremos do fanatismo ou do intelectualismo. O óleo é símbolo do Espírito Santo (Zc. 4.1-7), devemos depender dEle para a construção de um relacionamento profícuo com Deus. Sem o poder do Espírito Santo não podemos nos aproximar de Deus, e dar glória a Cristo, pois Ele é o Consolador (Jo. 16.14), que veio para estar sempre conosco. É Aquele que nos capacita para testemunhar a respeito da morte e ressurreição do Senhor Jesus (At. 1.8).

3. O PROPÓSITO DO LUGAR
O tabernáculo não deveria ser apenas um espaço adornado, deveria ter um sentido para ser criado. Muitos querem transformar as construções eclesiásticas em um fim em si mesmo, distanciando-as do seu intento, a oração e a ministração da palavra. Aquele deveria ser um lugar para a oração, o incenso apontava para essa necessidade. Devemos lembrar que nossas orações devem subir, como incenso, à presença de Deus (Sl. 141.2). Quando o sacerdote queimava incenso, na Antiga Aliança, chamava o povo à oração (Lc.  1.8-10). Os cristãos estão esquecendo-se de orar, o pragmatismo moderno está distanciando muitos do altar. Mas precisamos retornar à oração, adorando a Deus, confessando nossos pecados, em ação de graças, fazendo petições e intercessões (I Tm. 2.1; Fp. 4.6), seguindo os princípios orientados por Jesus (Mt. 6.5-15). O tabernáculo também era um lugar de sacrifício, sangue de animais era derramado, para expiar o povo dos seus pecados (Lv. 1.1-9). Nos dias atuais não precisamos mais derramar sangue de animais, pois o sacrifício de Jesus foi perfeito, Ele se tornou o único caminho para a salvação (Jo. 14.6) e em nenhum outro há salvação, senão nEle (At. 4.12). Como cristãos, devemos prestar a Deus um culto racional, e entragá-LO as nossas vidas, em obediência a Sua boa, perfeita e agradável vontade (Rm. 12.1,2). O cristão não tem prazer em pecar, Ele se compraz na santidade, mas se pecar tem um Advogado, perante o Pai, Jesus Cristo (I Jo. 1.5-2.2). Os sacerdotes do Senhor, durante a ministração, passavam pelo ritual de purificação, lavando os pés com a bacia de água. A água também é símbolo de pureza na Bíblia (Sl. 51.1,2; Is. 1.16). Jesus é a Água da Vida (Jo. 4.14; 7. 37), que nos purifica, pela palavra (Jo. 15.3), a partir do novo nascimento (Jo. 3.5). Mas temos também a responsabilidade de buscar a purificação, deixando toda impureza, aperfeiçoando-nos em santidade (II Co. 7.1).

CONCLUSÃO
O povo de Israel dispunha de uma construção, denominada Tabernáculo, para adorar a Deus. Os cristãos, no tempo presente, se aproximam de Deus por Jesus Cristo, nEle encontramos o caminho para viver para o Senhor (II Pe. 1.3). Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento de Deus (Cl. 2.9), nEle temos todas as bênçãos espirituais (Ef. 1.3). A adoração cristã não está restrita a um lugar, muito menos ao tempo, precisamos viver, a todo tempo, e em todo lugar, para a glória de Deus (Rm. 14.6-8; I Co. 10.31; II Tm. 3.16), isso não descarta a existência de espaços específicos, em templos e nas casas, para a adoração ao Senhor e a comunhão entre irmãos e irmãs (At. 5.42). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!