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O CULTIVO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Texto Áureo: Rm. 16.27  Leitura Bíblica: Rm. 16.27

INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea está marcada pelo individualismo, parafraseando um provérbio popular, tem sido “cada um por si e o diabo contra todos”. Na aula de hoje, a conclusão da Epístola aos Romanos, nos voltaremos para a importância do cultivo das relações interpessoais na igreja. Inicialmente, destacaremos os perigos às relações iniciais no âmbito eclesiástico. E ao final, apontaremos orientações bíblicas com vistas ao investimento nas relações interpessoais da igreja.

I – AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

As conclusões das Epístolas de Paulo, dentre elas a de Romanos, identificamos a preocupação do Apóstolo com as relações interpessoais na igreja cristã. No capítulo 16 nos deparamos com uma longa lista de pessoas engajadas no ministério de Paulo. As palavras graciosas do Apóstolo revelam o cuidado que esse tinha com as pessoas da comunidade de fé. Essa atitude deve inspirar os crentes contemporâneos, sobretudo os líderes eclesiásticos, para não se esquecerem que estão lidando com pessoas, não apenas com coisas. Há pastores que se preocupam demasiadamente com os templos, mas não atentam para as pessoas que estão dentro dele. É importante ressaltar que as pessoas são mais importantes que as coisas, até mesmo que os rituais religiosos. Esse foi o pecado daqueles religiosos que desmereceram o homem jogado à beira do caminho, na parábola do Samaritano, contada por Jesus (Lc. 10.25-37). Uma das características principais do cristianismo deve ser a inclusão. A igreja em Roma era formada por crentes judeus e gentios, homens e mulheres, e todos foram instados por Paulo a viverem em união, mesmo com suas diferenças (Rm. 16.1,2). As mulheres tiveram papel importante no ministério de Paulo, ele destaca a atuação da irmã Febe, uma das servas do Senhor no Corpo de Cristo. Como demonstra Lucas em sua narrativa, as mulheres também foram importantes no ministério de Jesus, principalmente para o sustento financeiro (Lc. 8.3). Priscila, que não por acaso seu nome é citado antes do nome do esposo, foi uma mulher dedicada ao ministério (At. 18.2,18,26; I Co. 16.19; II Tm. 4.19).

II – PERIGOS ÀS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

A igreja deve ser um ambiente para o envolvimento pessoal, por isso somos chamados de irmãos e irmãs. Fazemos parte da família de Deus, por isso devemos nos tratar como membros de uma irmandade. Por causa do individualismo predominante na sociedade contemporânea, muitas igrejas locais estão sendo solapadas. Os crentes não se envolvem uns com os outros, eles têm receio de mostrar suas limitações, sobretudo a normalidade. Há congregações em que as pessoas não se envolvem, elas se reúnem durante a celebração do culto, mas depois não sabem mais quem são. Esse individualismo reflete também no descaso em relação às necessidades dos outros, quando alguém não consegue ter o suficiente, pode até ser julgado por não ter se esforçado o suficiente. Esse cristianismo, influenciado pela filosofia neocapitalista, está adoecendo não apenas a sociedade, mas também as igrejas. A koinonia está em perigo, como no tempo dos judaizantes, cada um olha para seu umbigo, ou como diz o ditado, “puxa a brasa para sua sardinha”. O partidarismo está sendo normalizado na igreja, tendo também a política como fonte de intrigas e interesses. Como nos tempos de Paulo, há os “que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes” (Rm. 16.17). Naqueles tempos havia duas filosofias que estavam se infiltrando dentro das igrejas. O legalismo, que proibia tudo, e buscava orientar os crentes para as práticas judaicas; e o gnosticismo, que era permissivo, incitando os crentes ao antinomismo. O objetivo da igreja é glorificar a Deus (Rm. 11.36), para tanto os crentes devem aprender a conviver, a se aceitarem em suas diferenças, mas sem fazer concessões com a verdade do evangelho. 

III – O CULTIVO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
O cultivo das relações interpessoais é fundamental para o crescimento, principalmente o espiritual da igreja. Para tanto, cada crente precisa passar por um processo de autoconhecimento, a fim de identificar suas falhas, fraquezas e imperfeições (Rm. 12.3). Isso é possível por meio de uma experiência cotidiana com o Senhor (Hb. 4.14-16), demonstrando sinceridade diante dEle (II Co. 3.17-18), na busca constante pela maturidade espiritual (Rm. 8.29; I Pe. 1.23-25). Esse é o princípio para perdoar os outros, e ser ministro da reconciliação (Ef. 4.1-6), mantendo a unidade do Espírito, pelo vínculo da paz. Deus perdoou a todos nós, e nos tratou com Sua graça maravilhosa. De igual modo, devemos perdoar uns aos outros (Cl. 3.13), e fundamentar nossos relacionamentos em humildade, seguindo o modelo de Cristo (Fp. 2.6). Os crentes da igreja de Jerusalém aprenderam essa lição desde cedo, pois todos os que criam estavam unidos, e tinham tudo em comum (At. 2.44). Isso somente acontecia porque os crentes sabiam o que era o amor-agape, a base do relacionamento fraternal (Rm. 12.10). Eles também se respeitavam, sobretudo os mais jovens em relação aos mais velhos, em especial os que exerciam liderança (Rm. 13.7; I Ts. 5.12,13). Viver em paz, exercitando graça e misericórdia, deve ser o alvo de todo cristão (Rm. 12.18; 14.19; II Co. 13.11). É interessante observar que Jesus sempre tinha compaixão das pessoas, ou para usar uma expressão mais contemporânea, ele “se colocava no lugar do outro” (Mc. 8.2). O mundo não sabe, mais precisa ansiosamente da igreja, pois essa, se souber a que veio, poderá fazer toda a diferença. Por outro lado, devemos permanecer alerta, para não nos deixar contagiar pela doença do individualismo, que está se naturalizando na sociedade, inclusive na igreja.

CONCLUSÃO
Fomos chamados por Deus para viver em comunhão – koinonia – e essa deve ser continuamente experimentada pela igreja. Para isso precisamos aprender a conviver com as diferenças, e a nos aceitar como um em Cristo. Precisamos, sempre que possível, criar oportunidades na igreja, a fim de cultivar os relacionamentos interpessoais. Não podemos ser apenas assistentes de cultos, mas pessoas engajadas, envolvidas umas com as outras, assumindo a posição de membros do mesmo corpo, o de Cristo (Rm. 12.4,5; I Co. 12.27).

COSMOVISÃO MISSIONÁRIA

Texto Áureo: Rm. 15.20 Leitura Bíblica: Rm. 15.20-29


INTRODUÇÃO
A igreja que é Cristã tem responsabilidade missionária, sua atuação precípua é levar o evangelho de Jesus até os confins da terra. Na aula de hoje estudaremos a respeito da visão missionária de Paulo, bem como seu planejamento para execução da obra, e a atuação missionária. Inicialmente destacaremos que a obra missionária parte de Deus. Em seguida, essa precisa ser feita de acordo com a orientação dEle, e por fim, a igreja deve se envolver em missão, caso contrário, comprometerá sua condição de igreja.

I – A COSMOVISÃO MISSIONÁRIA
A sociedade contemporânea, sob a égide do politicamente correto, e da tolerância religiosa, tem se oposto à evangelização. Mas essa cosmovisão está equivocada, primeiramente porque todas as pessoas buscam defender seus princípios, mesmo que esses não sejam religiosos. Mesmo nas academias os pesquisadores buscam convencer e recrutar adeptos para seus paradigmas científicos. No tocante à fé cristã, a evangelização e a obra missionária, é um mandamento do próprio Cristo, que comissionou sua igreja para fazer discípulos (Mt. 28.19,20), em todas as etnias (Mc. 15.15,16), pregando a mensagem da morte e ressurreição de Cristo (Lc. 24.5,6), sob a autoridade de Jesus (Jo. 20.21), no poder do Espírito (At. 1.8). Paulo foi um dos primeiros, e um dos mais atuantes, missionário da igreja cristã. Ele foi chamado por Cristo para essa missão e a cumpriu cabalmente (At. 9), levando o evangelho até os confins da terra, através de três viagens missionárias. Conforme ele mesmo informa aos Romanos, Deus lhe deu a oportunidade de levar o evangelho desde Jerusalém até ao Ilírico. Como um missionário desbravador, não tinha a pretensão de levar o evangelho a lugares em que outros já tinham pregado (Rm. 15.20,21). O missionário verdadeiramente chamado por Deus não entra nesse sistema de competitividade eclesiástica, antes se preocupa com a salvação das almas. Uma igreja que busca investir no reino de Deus não enfoca os lucros que irá obter através da pregação. Onde estiver uma alma necessitada de salvação, ali deverá está um missionário amoroso que se sacrifica por Cristo.

II – O PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO
Para faz fazer, e ser missões a contento, a Igreja precisa planejar suas atividades. Paulo, como exemplo de dedicação a essa obra, estabeleceu bases em pontos de apoio. Para esse fim, Roma, por se tratar de uma metrópole, deveria se tornar uma base de apoio. A intenção do Apóstolo era ir a Roma: “quando partir para a Espanha, irei ter convosco; pois espero que, de passagem, vos verei e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia”. Isso demonstra também que o missionário precisa de apoio financeiro, pois não se pode fazer missões são contribuições. As igrejas que enviam missionário devem avaliar as condições, sobretudo porque são responsáveis pelas famílias que enviam. Por outro lado, os missionários enviando devem compreender que essa é uma obra desafiadora. Paulo foi um missionário experiente, e principalmente, não buscava glória própria, antes o crescimento do reino de Deus. Ele pretendia prosseguir com a obra missionária, mas antes deveria concluir a que havia iniciado (Rm. 15.26). Outra necessidade missionária é a de fazer intercâmbios, as igrejas devem se ajudar, principalmente diante dos trabalhos mais desafiadores. Paulo também dependeu de cobertura espiritual, ele pediu para que a igreja intercedesse por ele: “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus” (Rm. 15.30). Não podemos deixar de orar pela obra missionária, principalmente por aqueles obreiros que se encontram em zona de conflito, e que estão pondo suas vidas em risco pelo evangelho. Sempre que possível devemos nos identificar com suas adversidades, e servir de refrigério para eles. A visita ao campo missionário, o envio de uma mensagem, pode ter muito significado para aqueles que estão distantes.

III – A ATUAÇÃO MISSIONÁRIA
Ao longo da sua vida, Paulo fez três viagens missionárias, e uma quarta, já preso, quando foi conduzido a Roma. A primeira viagem missionária de Paulo está registrada em Atos 13.1 a 14.28. Essa foi uma missão para os gentios e o Apóstolo partiu de Antioquia. Do Porto da Selêucia, Ele seguiu juntamente com seus companheiros. Ao retornar para Antioquia, Paulo passa, então, a ser como o Apóstolo do evangelho da incircuncisão” (At. 15.22-26; Gl. 2.7). Durante essa viagem missionária Paulo escreveu a Epístola aos Gálatas. A segunda viagem missionária de Paulo se encontra registra em At. 15.36 s 18.22. Essa pretendia ser uma viagem para visitar as cidades nas quais o evangelho de Cristo havia sido pregado (At. 15.36). Após uma rápida visita a Éfeso, Paulo seguiu viagem, prometendo retornar se essa fosse à vontade do Senhor, e logo retornou para Antioquia (At. 18.19-21). Durante essa segunda viagem missionária Paulo escreveu duas cartas: I e II Epístolas aos Tessalonicenses. A terceira viagem missionária de Paulo se encontra registrada em At. 18.23 a 21.14. O Apóstolo segue mais uma vez em direção a região da Galácia e da Frigia. Em seguida, segue rumo a Ásia, para sua principal cidade, Éfeso. Enquanto era recebido por Tiago e os anciãos da igreja, alguns judeus da Ásia, que estavam presentes em Jerusalém, para celebrar a Festa de Pentecoste, acusaram Paulo de profanar a área do templo (At. 21.27-36), o que resultou em sua prisão pelo capitão romano da cidade. Nessa viagem missionária, além da Epístola aos Romanos, Paulo escreveu I e II Coríntios.

CONCLUSÃO
A igreja deve assumir a responsabilidade de fazer, e sobretudo, de ser missão. Uma igreja que não se envolve em levar o evangelho está fugindo do seu chamado. O desafio da evangelização é o de propagar a mensagem, simultaneamente, em Judeia, Samaria e até aos confins da terra (At. 1.8). Em se tratando especificamente de Roma, Paulo sabia que aquela cidade serviria de base missionária, a fim de que esse objetivo fosse alcançado.

A TOLERÂNCIA CRISTÃ

Texto Áureo: Rm. 14.17  Leitura Bíblica: Rm. 14.1-17 


INTRODUÇÃO
Hoje, como nos tempos em que Paulo escreveu sua Carta aos Romanos, existem crentes fracos na fé, que têm consciência limitada em relação à sua liberdade cristã. Diante disso, e a partir das instruções que nos dá o Apóstolo, precisamos de discernimento espiritual para sermos tolerantes para com eles a fim de que não venham a ser destruídos, mas edificados em amor. Ao mesmo tempo em que devemos ser instrumentos de Deus para a maturidade dos crentes mais débeis na fé.

I – TIPOS DE CRISTÃOS
Os fracos na fé em Roma, pelo que podemos depreender contexto, eram os cristãos judeus, cuja fraqueza cultural (não moral), os deixava duvidosos quanto ao que fazer ou deixar de fazer em suas consciências, e por conseguinte, em suas práticas. Pelo que depreendemos do contexto, eles permaneciam comprometidos com as regras judaicas, especialmente, no que tange às dietas e a guarda de dias religiosos (Rm. 14.14.20). Paulo, ao longo de sua exposição, se põe ao lado dos fortes na fé, ele, inclusive, se apresenta como um dos fortes (Rm. 15.1). Contudo, por causa do amor, e talvez, considerando a decisão do Concílio de Jerusalém (At. 15.19), ensina aos fortes a serem tolerantes para os cristãos mais fracos. A recomendação de Paulo é que coisas como seguir uma determinada dieta e a escolha de dias religiosos, contanto que não comprometam a doutrina da salvação pela graça, por meio da fé em Cristo (Ef. 2.8,9; Gl. 1.8,9), devem ser postos como assuntos secundários e não devem ser motivo para alguém vir a julgar seu irmão (Rm. 14.3,4). Não recebemos do Senhor a incumbência para ser juízes dos nossos irmãos, tal somente pertence ao Supremo Juiz, por isso, Paulo cita Is. 45.23. Não sirvamos, portanto, de pedra de tropeço para os nossos irmãos, antes os encaminhemos, em amor, à maturidade.

II – VIVENDO A VERDADEIRA LIBERDADE EM CRISTO
Conforme apontamos anteriormente, Paulo se coloca a favor dos fortes, e ele mesmo se considera um dos tais. Mas, conforme escreve aos Coríntios (I Co. 6.12), embora tudo nos seja lícito, nem tudo nos convém, a fim de que os mais fracos não sejam escandalizados (literalmente, não venham a tropeçar). Nesse sentido, podemos dizer que nossa liberdade em Cristo é redimensionada pelo amor aos nossos irmãos fracos, já que, para eles, se agirem contra suas consciências, estarão pecando. Isso não quer dizer que nossa consciência seja infalível, ela pode, inclusive ser cauterizada (I Tm. 4.2), mas nós, os mais fortes, não podemos deixar de respeitar as consciências fracas dos irmãos que pecam contra seus princípios se agirem contra eles (Rm. 14.23). Por causa desses irmãos mais fracos, Lutero, lembrava que "o cristão é o mais livre senhor de todos, não sujeito a ninguém, e ao mesmo tempo, o cristão é o mais dócil servo de todos, sujeito a todos". Evidentemente, isso não quer dizer que devemos aceitar evangelhos contrários àquele revelado nas Escrituras (Gl. 1.7-9). A tolerância se dá no contexto daquilo que é secundário à doutrina cristã. A esse respeito, é válido destacar a célebre declaração de Agostinho: “nas coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; em tudo, a caridade”.

III – DEVEMOS NOS ACEITAR MUTUAMENTE
Com vistas à unidade do corpo de Cristo, precisamos cultivar o amor cristão (Rm. 12.10) a fim de que possamos desenvolver o mesmo sentimento de Cristo (Rm. 12.16). Para isso, aqueles que são mais fortes na fé não podem ser orgulhosos, mas condescendentes com os mais francos. Para esse fim, faz-se necessário que suportemos, que, em grego, dá ideia também de “sustentar” e “transportar” (Rm. 15.1). Isso remete ao que está escrito em Gl. 6.2: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”. Visando a harmonia da igreja, pode haver casos em que tenhamos não só que tolerar, mas também, sofrer, enfrentando pacientemente as privações. Seguindo o exemplo do que nos ensinou o Mestre em Mt. 5.40,41, mesmo libertos em Cristo, precisamos, em alguns casos, caminhar a “segunda milha”. Assim, por causa do amor a Cristo e aos nossos irmãos, nos, os mais fortes, nos tornamos servos dos mais fracos, a fim de conduzi-los ao Senhor (I Co. 8.9; 9.22). Como o Filho do Homem, não estamos aqui para sermos servidos, mas para servir (Mc. 10.45), e seguindo Seu exemplo, devemos nos compadecer das fraquezas dos outros (Hb. 4.15).

CONCLUSÃO
Os cristãos fortes, em relação aos fracos, precisam, inicialmente, suportar suas fraquezas, e, diante delas, não podemos ser egocêntricos, antes devemos buscar agradar o próximo, para o bem dele a fim de edificá-lo (Rm. 14.15). Para isso, não devemos colocar tropeços em sua vida (Rm. 14.13,20,21), nem destruí-lo (Rm. 14.20) ou prejudica-lo (Rm. 14.15). Como o objetivo é a edificação, isso inclui, também, o ensino amoroso a fim de que a fé do fraco seja fortalecida, bem como sua consciência. E, assim, o fraco também passará a ser forte, como certamente fez Paulo quando a Carta aos Romanos foi lida entre os irmãos.

DEVERES CIVIS, MORAIS E ESPIRITUAIS


Texto Áureo: Rm. 6.14  Leitura Bíblica: Rm. 6.1-12


INTRODUÇÃO
Como deve ser o relacionamento do cristão, ou, da igreja com o Estado? Essa não é uma pergunta fácil de responder. Certos cristãos acham que devemos ser totalmente subordinados ao Estado, enquanto outros, acreditam que devemos nos opor a ele. Diante desses extremos, resta-nos saber o que a Bíblia realmente tem a dizer a esse respeito e como esses ensinamentos devem ser avaliados à luz do contexto democrático no qual estamos inseridos. Em seguida, nos voltaremos para os deveres morais e espirituais dos cristãos, sobretudo na prática do amor, e o uso apropriado do tempo.

I – A RELAÇÃO DO CRISTÃO COM O ESTADO
Com base em Cavalcanti (2002), a análise de Rm. 13 nos permite chegar as seguintes conclusões: 1) não há autoridade que não venha de Deus (1b); 2) as autoridades que existem foram por Ele estabelecidas (1c); e 3) consequentemente, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus institui (2a). É preciso, porém, destacar que essa não é a única passagem da Bíblia que trata dessa questão. Seria interessante, por exemplo, comparar Rm. 13 com Ap. 13 a fim de entender que, cada situação deve ser analisada em seu contexto. Nos tempos de Paulo (Rm 13), o Estado se mantinha como servo de Deus, detentor da autoridade divina, mas trinta anos depois, João (Ap. 13) testemunha outro contexto, em que o Estado não mais é visto como servo de Deus. De forma bastante conclusiva a esse respeito, pode-se dizer que o evangelho tanto é inimigo da tirania quanto o é da anarquia. A respeito dessa passagem, destacamos ainda que: 1) Romanos 13 não é a única passagem que trata da relação do cristão com o Estado; 2) essa questão precisa ser entendida à luz de todo o capítulo, que o vê dentro da comunidade cristã; 3) os cristãos devem avaliar, inicialmente, o tipo de Estado que têm, sendo assim, é preciso reconhecer quando o Estado é bom (como em Rm. 13) ou mal (como em Ap. 13); 4) o cristão que aceita sua sujeição (não obediência irrestrita) ao governo deve saber que ele retém sua independência em relação aos julgamentos morais; por isso; 5) o que Paulo exige, a esse respeito, é subordinação (gr. hupotasso), não obediência, pois o verbo grego faz distinção entre os dois. Somente para ilustrar, o cristão que se recusa a adorar César, mas permite que César o condene à morte, estão sendo subordinados, mesmo que não o obedeçam. Sobre I Pedro 2.13-17, justificamos que tanto em Rm. 13, quanto nessa passagem, o objetivo não é, necessariamente, discutir a natureza do Estado, mas as relações dos cristãos com os poderes públicos. Por isso, nenhuma doutrina ou prática cristã deve ser tirada isoladamente deles, os quais devem ser entendidos no contexto político do Império Romano e à luz de outros textos bíblicos que também se referem ao assunto, em particular, aos escritos de João, posterior a Rm. 13 e I Pe. 2.13-17. Consideremos, então, que se faz necessário que 1) devemos pagar impostos, pois disse Jesus: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”; e 2) orar por todos os homens, com súplicas e ações de graça, inclusive, “Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (I Tm. 2.2). Atentemos ainda que o posicionamento de Paulo e Pedro, diante do Sinédrio, como vemos nos capítulo de Atos do Apóstolos, não ensinam que devemos obedecer sempre as autoridades. Isso quer dizer que existe limites para a obediência ao Estado, principalmente, quando a posição do Estado for contrária à vontade de Deus. Quando isso acontecer, disse Pedro em At. 5.29: “importa obedecer a Deus do que aos homens”.

II – O CRISTÃO E O ESTADO NO OCIDENTE
No ocidente, vivemos em um Estado influenciado pela democracia, onde se afirma que o primado da lei emana do povo. Por essa razão, é bom lembrar que: 1) autoridade inclui os ramos Executivo, Legislativo e Judiciário do poder político. Autoridade não é só o presidente da República e seus ministros, mas os magistrados dos Tribunais Superiores, os senadores e deputados; 2) autoridade inclui, em uma federação, tanto os órgãos (e seus ocupantes) da União Federal, como os dos Estados e município (governadores, secretários, deputados estaduais, desembargadores, prefeitos, vereadores, juízes, etc.); 3) governo é o conjunto desses órgãos, de seus ocupantes, com suas diretrizes. A competência e as atribuições desses órgãos são delimitadas pela Constituição Federal, pelas Constituições Estaduais e outras Leis Ordinárias e Complementares. Governantes e governados, os quais devem obediência à lei, que assegura os direitos dos cidadãos, os quais devem obediência à lei, e não aos governantes, quanto eles a infringem. O mesmo se diga de um ramo do poder em relação ao outro; 4) por ser a democracia intrinsecamente pluripartidária, os partidos de oposição e situação legalmente constituídos integram o governo, ou seja, fazer oposição é parte da tarefa governativa. Fazer oposição não é insubmissão contra o Estado, mas discordância dos que eventualmente ocupam a direção da coisa pública. Um deputado de oposição é uma autoridade que discorde de outra autoridade: o presidente da República, por exemplo. Garantindo a democracia a alternativa partidária, a oposição de ontem, como aconteceu no Brasil, é o governo de hoje; e  5) quando algo errado for transformado em lei em uma democracia, o cristão poderá tomar duas atitudes: a) desobedecer caso a lei atinja o ministério cristão ou a vida humana (campos de concentração, genocídio, etc.); b) obedecer, protestando e lutando, pelos canais legais, para que a lei seja revogada ou alterada, quando estiver relacionada a valores do reino (liberdade, justiça e paz). Seguindo a máxima de Jesus, em Mt. 22.21: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, o cristão, deve, entre outras obrigações, pagar impostos se discordar, mesmo pagando, pode lutar pela reforma tributária). Deve servir às Forças Armadas (quando ele for um pacifista por dever de consciência, dependendo do país, poderá prestar serviços cívicos não militares ou requerer isenção). Deve obedecer à legislação penal, por sua coincidência com as normas da Revelação (não matar, não furtar, etc.). E deve, no possível, obedecer à legislação civil (família, sucessão, comercial, etc.) e às deliberações de cunho político, em tudo, porém, mantendo-se informado, analisando, apoiando ou discordando, participando sempre. No seu julgamento, perante Pilatos, Jesus deixou claro que nenhum ser humano detém autoridade se não vier de Deus (Jo. 19.11). Isso porque, na verdade, Deus é a fonte de toda autoridade, por isso, Jesus, após sua ressuscitar disse que tinha toda a autoridade nos céus e na terra (Mt. 28.18). Como cristãos, devemos viver em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, e, em uma democracia, isso se torna possível através das leis. Essa é a razão de, como cristãos, e em obediência ao que nos instrui Rm. 13.1-7, devemos buscar viver em conformidades com o que as autoridades determinam com base nas leis. Isso, porém, não quer dizer que somos obrigados a obedecer sempre, afinal, há momentos em que é melhor obedecer a Deus do que aos homens. A fim de vivermos melhor, devemos orar pelas autoridades e, como cidadãos, votar escolhendo com sabedoria nossos representantes a fim de que as leis e execuções sejam aplicadas com vistas ao bem comum e, se principalmente, ao reino de Deus.

III – O AMOR CRISTÃO E O APROVEITAMENTO DO TEMPO
Nos versículos 7 e 8, Paulo nos instrui para que não devamos nada ao próximo a não ser o amor. Isso quer dizer que não podemos deixar de quitar nossas dívidas, tanto em relação ao Estado quanto ao próximo. Mesmo assim, há uma dívida que jamais conseguiremos pagar, embora, não podemos deixar de nela investir, é a dívida do amor. Pois se Deus nos amou e sacrificou seu único filho, conforme Jo. 3.16, devemos, também “dar a vida pelos irmãos” (I Jo. 3.16) e “se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” (I Jo.4.12). A lei é cumprida através do amor, como destaca o apóstolo, “porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (v. 8). É preciso, porém, atentar para o fato de que o amor não é o fim da lei, mas o “cumprimento da lei”. Por isso Jesus ensinou em Mt.22.39: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” e em Mc. 12.31: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não podemos ainda confundir a lei com o amor, pois a lei costuma ser tomada no sentido negativo: ‘não faça isso’, ‘não pode aquilo’, e o amor, no sentido positivo ‘faça isso’ e ‘faça aquilo’, sempre a favor do seu irmão. Essa é a lei régia (real) de Tg. 2.8 e o único preceito (palavra) de Gl. 5.14. Assim, quem ama não prejudica seu próximo, sabendo que o adultério rouba a paz da família, a morte tira a vida das pessoas, o furto retira, das pessoas, suas propriedades, o falso testemunho rouba o bom nome das pessoas e a cobiça priva a sociedade dos ideais de simplicidade e contentamento. O amor, por conseguinte, busca o bem supremo na medida em que se quer servir ao próximo. É por isso que o amor é o cumprimento da lei. Se amarmos aos próximo como a nós mesmos, certamente, iremos querer sempre o bem dele e nunca o seu mal. Nisso se resume toda a ética cristã e essa será sempre nossa eterna dívida, que, embora não consigamos jamais pagá-la totalmente, não podemos, por outro lado, deixar de investir. O apóstolo Paulo, em suas epístolas, sempre chama a atenção para a vigilância espiritual. Em I Ts. 5.4, por exemplo, está escrito: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão”. Aqui, é preciso entender que a salvação do crente se concretiza em três tempos: 1) passado – fomos salvos da condenação do pecado (Rm.8.2; 6.6; Tt. 3.5); 2) presente – somos salvos do poder do pecado pela santificação através do Espírito (Gl. 5.22; Fp. 2.12); e 3) futuro – seremos salvos – quando alcançarmos a glorificação do corpo por ocasião da vinda de Cristo (I Pe. 1.3-9; Hb.9.27,28). Cientes disso, devemos, portanto, lançar fora as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Paulo trata a respeito disso em I Ts. 5.8 “Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação” e Ef. 6.13-17: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça; E calçados os pés na preparação do evangelho da paz; Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”. Para avaliarmos o que é melhor no cotidiano da vida cristã, Paulo instrui, em Rm. 13.14 que devemos nos revestir de Cristo. É algo diferente do que ensina aos Gálatas, em 3.27, quando diz “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo”. Enquanto que o revestimento de Gl. 3.27 é algo já consumado, através da justificação, manifestada no batismo, em Rm. 13.14, esse revestimento se dá progressivamente, como uma espécie de proteção contra o pecado a fim de que não fiquemos premeditando situações para dar ocasião aos desejos desenfreados da carne. Assim, conforme está escrito em Rm. 8.13: “se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis”. Ao contrário do que pensam os incrédulos, o cristão não deseja pecar porque Deus o obriga a não faze-lo, mas porque a vida em pecado não trás outra coisa senão morte (Rm.3.23).

CONCLUSÃO
Como cristãos, não podemos perder o foco de nossa chamada que é agradar ao Deus que nos salvou da condenação do pecado, nos tem santificado pelo Seu Espírito, produzindo, conosco, o fruto do Espírito, e que, por fim, nos glorificará quando o nosso corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade. Enquanto isso não acontece, devemos nos revestir de Cristo, a fim de que não mais reine, em nosso corpo mortal, o pecado, e como Paulo, possamos dizer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl. 2.20).

A NOVA VIDA EM CRISTO

Texto Áureo: Rm. 12.1 Leitura Bíblica: Rm. 12.1-12
 INTRODUÇÃO
A partir do capítulo 12, o apóstolo Paulo passa a tratar não apenas do “crer”, como vinha fazendo até agora, e passa, então, ao ético, isto é, ao “fazer” da vida cristã. Inicialmente, ele faz um apelo para que os crentes tenham uma vida consagrada a Deus, e em seguida, apresenta algumas recomendações a respeito do uso dos dons espirituais na igreja, o corpo de Cristo. As orientações do Apóstolo nessa seção da Epístola demonstra sua preocupação não apenas com a ortodoxia, mas também com a ortopraxia.

I – UM APELO À CONSAGRAÇÃO PESSOAL (Rm. 12.1,2)

Interessante que Paulo não ordena, mas apenas “roga”, isto é, “admoesta, solicita, encoraja”, que é o sentido de parakaleo, em grego. O apelo do apóstolo tem como base a grande misericórdia de Deus, não os princípios legalistas dos judaizantes. O amor de Deus por nós nos motiva a viver em total consagração a Ele, esse é o sacrifício que O agrada, não mais o sangue de animais, como no Antigo Pacto (Hb. 13.15-19), esses sacrifícios são denominados por Pedro, de “espirituais” (I Pe. 2.5), equivaleria ao que Paulo denominou de “culto racional”. Para que isso se efetive, não mais podemos nos conformar, ou seja, “entrar na forma” desse mundo. O mundo, aqui, é perverso ou mal (Gl. 1.4) e dominado por Satanás, o seu príncipe, que cega a mente dos incrédulos (II Co. 4.4). Não podemos mais pactuar com esse sistema anti-Deus que prevalece no presente século, haja visto que “as coisas antigas se passaram e eis que tudo se fez novo” (II Co. 5.17). Somos instruídos, portanto, a sermos transformados, literalmente, transfigurados (ver Mt. 17.2; II Co. 3.18), pela renovação da nossa mente. Essa renovação somente pode acontecer na medida em que passamos a pensar com a mente de Cristo, e não com a nossa natureza pecaminosa (II Co. 11.3; Ef. 1.18; I Co. 2.16). Assim, experimentaremos quão boa, agradável e perfeita é a vontade de Deus, não apenas para Ele, mas também para nós, assim, reconheceremos que não vale a pena pecar.

II – A IGREJA COMO CORPO DE CRISTO (Ef. 1.22,23; I Co. 12.12-23)

A igreja é o corpo, do qual, Cristo é o cabeça (Ef. 1.22; Cl. 1.18,24). Como corpo, a igreja tem muitos membros, mas continua sendo um só corpo (I Co. 12.12). Com essa analogia, o Apóstolo pretende ressaltar o aspecto de unidade (não de uniformidade) da igreja. Isso demonstra a necessidade da dependência mútua entre os membros do corpo, sendo eles diferentes e ocupando lugares distintos, todos são nobres, tanto a mão quanto o pé - os mais ativos, tanto a orelha quanto o olho – os mais contemplativos (I Co.12.15,16). É preciso, todavia, considerar que Deus colocou os membros no corpo como quis (I Co. 12.18). Isso quer dizer que o próprio Deus dispôs, no corpo de Cristo, a diversidade de dons - tanto espirituais quanto ministeriais (sobre esses ver Ef. 4.11) - com objetivo de “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef. 4.3), “querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef. 4.12,13).


III– O USO DOS DONS ESPIRITUAIS

É comum os cristãos pensarem que os dons espirituais se restringem aqueles de I Co. 12.8-10, no entanto, Paulo nos apresenta  outra lista, essa se encontra em Rm. 12.6-8. Existem, de fato, algumas diferenças entres essas duas listas, no entanto, em se tratando de dons ambos são espirituais, ou seja, partem do sobrenatural ainda que se considere, especialmente em relação aos de Romanos, uma participação mais efetiva do lado humano, e, menor, no de I Coríntios. Além dessa diferença, os dons de I Co parecem ter uma atuação mais temporária, e porque não dizer, instantânea, enquanto que os de Romanos, é mais duradoura.
 
I Coríntios 12.8-10
1) Palavra da Sabedoria – este dom, geralmente, transmite uma palavra de sabedoria para orientar a igreja, assim como em Jo. 4.17,18; At. 6.10; 15.13-22.
2) Palavra do Conhecimento – esse dom vem da revelação de um conhecimento antecipado de uma determinada verdade espiritual, como aconteceu em Jo. 4.23,24; At. 5.1-10; I Co. 14.24,25.
3) Fé – esse dom tem como objetivo a operação de milagres, não se trata, portanto da fé para a salvação (Ef. 2.8,9), e muito menos da fé como aspecto do fruto do Espírito (Gl. 5.22). Essa é a fé dada instantaneamente por Deus para a realização de curas e milagres (Mt. 17.20; Mc. 11.22-24; Lc. 17.6).
4) Curas – no plural, são concedido para à restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais (At. 3.6-8; 4.30). O plural (dons) indica curas de diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de Deus.
5) Operação de milagres – atos sobrenaturais de poder que intervêm nas leis da natureza com o objetivo de glorificar a Deus (At. 9.40; 13.9-11; 20.10; 27.43; 28.5).
6) Profecia – capacita o crente a transmitir uma mensagem uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo (I Co. 14.24-31), a igreja não pode ter essas mensagens como infalíveis, pois há falsos-profetas (I Jo. 4.1), por isso, toda profecia deve ser julgada (I Co. 14.29,32; I Ts. 5.20,21).
7) Discernimento de espíritos – para discernir e julgar corretametne as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não. Esse dom é fundamental na medida em que existem muitas distorções dos ensinos cristãos (I Tm. 4.1), eis alguns exemplos: At. 5.3; 8.20-23; 16.16-18.
8) Variedade de línguas – não se trata de uma língua aprendida, e, geralmente, não é entendida nem pelo que fala (I Co. 14.14) nem pelo que a ouve (I Co. 14.16). Quem fala em línguas edifica-se a si mesmo, por isso, quem fala línguas ore para que haja interpretação (I Co. 14.3,27,28).
9) Interpretação de línguas – capacidade concedida pelo Espírito Santo, não através do conhecimento prévio de determinado idioma, para que o portador do dom compreenda e transmita o significado de uma mensagem dada em línguas (I Co. 14.6,13,16).
 
Romanos 12.6-8
10) Serviço – disposição, capacidade e poder, dados por Deus, para alguém prestar assistência prática ao membros e aos líderes da igreja, a fim de ajuda-los a cumprir suas responsabilidades para com Deus (At. 6.2,3).
11) Ensinar – disposição, capacidade e poder, dados por Deus, para o crente examinar e estudar a Palavra de Deus, e de esclarecer, expor, defender e proclamar suas verdades para que as pessoas cresçam em graça e piedade (I Co. 2.10-16). É preciso que haja dedicação para o desenvolvimento desse dom (Rm. 12.7; I Tm. 4.14-16).
12) Exortar – disposição, capacidade e poder, dados por Deus, para que, através da proclamação da Palavra de Deus, as pessoas sejam estimuladas a se dedicaram mais a Deus e se separarem do mundo (At. 11.23; 14.22; 15.30-32).
13) Repartir – disposição, capacidade e poder, dados por Deus, para que o crente contribua livremente a fim de suprir as necessidades da obra ou do povo de Deus (II Co. 8.1-8; Ef. 4.28; At. 2.44,45; 4.34,37).
14) Presidir (Governar) – disposição, capacidade e poder, dados por Deus, para o crente conduzir e administrar as várias atividades da igreja, visando o bem espiritual de todos (Ef. 4.11,12: I Tm. 3.1-7: Hb. 13.7,17,24).
15) Misericórdia – disposição, capacidade e poder, dados por Deus, para o crente ajudar e consolar os necessitados e aflitos, não levando em conta o merecimento (Ef. 2.4; At. 9.36-39).
 
CONCLUSÃO
Os dons espirituais, conforme nos instrui o apóstolo, são dados para “cada um para o que for útil” (I Co. 12.7) e visam, sobretudo, a edificação e a santificação da igreja (I Co. 12.7). Tantos os dons de I Co. 12.8-10 quanto os de Rm. 12-6-8 são espirituais, contudo, esses últimos se diferenciam dos primeiros pelo fato de terem um caráter mais permanente, como também acontece com os dons ministeriais de Ef. 4.11, enquanto que os de I Co. 12.8-10 são dados instantaneamente, de acordo com a vontade do Espírito (I Co. 12.11) para satisfazer os anelos dos crentes em consonância com as necessidades da igreja (I Co. 12.31; 14.1).