A IGREJA DE CRISTO

Texto Áureo: Mt. 18.20 – Texto Bíblico Básico: Rm. I Co. 12.12-27

 

INTRODUÇÃO

A palavra igreja, no grego, é ekklesia, formade de ek, “para fora de” e klesis, “chamado”, era usado entre os gregos para descrever um corpo de cidadãos reunidos, uma assembleia, com a finalidade de discutir os assuntos do estado (At. 19.39). No cristianismo, diz respeito: 1) ao grupo inteiro dos redimidos ao longo de toda história, do qual Cristo se referiu como “minha igreja”, Mt. 16.18, que, mais tarde, é definida por Paulo como “a igreja, que é o seu corpo” (Ef. 1.22,23; 5.23); 2) no singular, como em Mt. 18.17, refere-se a um grupo formado por crentes professor (At. 20.28; I Co. 1.2; Gl. 1.13; I Ts. 1.1; II Ts. 1.1; I Tm. 3.5), quando no plural, diz respeito às igrejas de uma região.

1. A NATUREZA DA IGREJA
O termo ekklesia, conforme mostrado acima, se refere, portanto, a 1) todo o corpo de cristão em uma cidade (At. 11.22; 13.1); 2) uma congregação (I Co. 14.19,35; Rm. 16.5); e 3) todo o corpo de crentes na terra (Ef. 5.32). Os cristão, por sua vez, são chamados de 1) irmãos – já que ela é uma fraternidade ou comunhão espiritual, no qual foram abolidas as divisões que separam a humanidade (Cl. 3.11; Gl. 3.28); e 2) os do Caminho – já que seguir a maneira especial daquele que assim se identificou (Jo. 14.6), vivendo de acordo com Ele (At; 9.2). É possível que também os irmãos sejam denominados de crentes (por depositarem sua fé nos ensinamentos de Cristo), santos (por terem sido separados por Ele para servirem-no), eleitos (por terem sido escolhidos para um ministério glorioso), discípulos (por se predisporem a ser aprendizes do Mestre) e cristão (já que sua devoção se fundamenta não apenas em ensinamentos, mas na pessoa de Cristo). A igreja é ilustrada, ao longo do Novo Testamento, como 1) corpo de Cristo (I Co. 12.13); 2) templo de Deus (I Pe. 2.5,6); e 3) noiva de Cristo (II Co. 11.2; Ef. 5.25-27; Ap. 19.7; 21.2; 22.17).

2. OS MEMBROS DA IGREJA
A condição bíblica para ser membro da igreja de Jesus é, primordialmente, a fé explícita no Evangelho e confiança sincera e de todo coração na salvação vicária (At. 16.31), além disso, a submissão ao batismo como testemunho simbólico da fé em Cristo, confessando, verbalmente, essa fé (Rm. 10.9,10). É interessante distinguir, aqui, a igreja visível, constituída de todos os verdadeiros cristão de todas as denominações, cujos nomes estão elencados no livro de membros das igrejas, da igreja invisível, composta daqueles cujos nomes estão registrados no céu. Os muitos membros da igreja, constituem, na verdade, um corpo (Cl. 1.18), tendo Cristo como Cabeça (Ef. 4.15), o qual, deu “uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef. 4.11). A igreja, como organização, tem Presbíteros/ bispos (At. 14.23; 20.28 a fim de cuidar ou supervisionar (I Tm. 3.1), presidir (I Tm. 5.17), defender a sã doutrina (Tt. 1.9), escolhidos de acordo com especificações (I Tm. 3.1-6; Tt. 1.7-9) como critério para a ordenação (I Tm. 4.14; Tt. 1.5) e os diáconos, que tinham como objetivo servirem aos necessitados da igreja e as mesas, para os quais, também, se observavam algumas qualificações (I Tm. 3.8-10,12-13) para auxiliarem os presbíteros (pastores) At. 6.1-6).

3. A MISSÃO DA IGREJA
Tudo isso tem como objetivo central: 1) a evangelização (Mt. 28.19; At. 1.8) a todas as nações, para isso, Jesus prometeu estar com aqueles que seguiam levando a mensagem do evangelho (Mt. 28.20); 2) a edificação dos crentes (Ef. 4.12), com vistas “ao aperfeiçoamento dos santos”, para isso, deve ter os dons espirituais (I Co. 12). Mas não deve ficar restrita a esses dons, precisa também investir no ensino (Ef. 4.11); 3) a adoração, por meio das ofertas (I Co. 16.2), a fim de desenvolver a comunhão entre os membros (Hb. 10.25), com orações, músicas e ações de graças; 4) o auxílio aos mais necessitados, principalmente, aos órfãos e as viúvas (Tg. 1.27), sensível a carência dos mais pobres (Tg. 2.1-11). Mas é preciso ter em mente que o foco central da igreja é o evangelho de Cristo, para isso, não podemos fugir da mensagem da salvação pelo sacrifício vicário de Jesus, o qual morreu pelos nossos pecados (I Co. 15.3), ressuscitou dentre os mortos (I Co. 15.20; Rm. 1.3,4) para livrar os seres humanos do julgamento vindouro (II Ts. 1.8). Não podemos esquecer que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo que crê (Rm. 1.16), por isso, ai de nós se não pregarmos o evangelho (I Co. 9.16).

4. AS ORDENANÇAS DA IGREJA
1) o batismo – palavra usada na fórmula de Mt. 28.19,20 em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, na autoridade de Jesus, quando enviou sua igreja (At. 2.38). Todos aqueles que recebem a Cristo como salvador podem ser batizados, por meio da profissão de fé (At. 8.37), da oração (At. 22.16) e do voto de consagração (I Pe. 3.21). O motivo central do batismo é o testemunho (Gl. 3.27). 2) a santa ceia – é uma comemoração em memória de Cristo (Lc. 22.19; I Co. 11.24,25) que expõe a encarnação do Verbo (Jo. 1.14; Jo. 6.33), a aliança com Cristo, no seu sangue (I co. 11.25); Hb. 9.14-24; Rm. 3.25,26; I Pe. 1.2), que nos conclama à responsabilidade (I Co. 11.20-34), mas isso não quer dizer que precisemos ser perfeitos para participar da ceia, pois somente são dignos aqueles que se consideram indignos (I Tm. 1.15), isso, porém, não deva dar margem a vida em pecado (Rm. 6.1,2). O pecado mais grave, na ceia do Senhor, é não discernir o valor da sua morte e ressurreição pelos nossos pecados, no caso de Corinto, muitos se reuniam, não para celebrar esse memorial, mas para se embriagarem e se empanturrarem de comida.

CONCLUSÃO
A igreja é o corpo de Cristo, a habitação de Deus através do Espírito. Portanto, cada crente, nascido de cima, é parte da igreja universal, isto é, daqueles que estão inscritos no céu (Ef. 1.22,23; 2.22; Hb. 12.23). A igreja existe, como razão prioritária, a fim de 1) ser agência de Deus para a evangelização do mundo (Mt. 28.19,20; Mc. 16.15,16; At. 1.8); 2) ser um corpo coletivo no qual o homem possa adorar a Deus (I Co. 12.13); 3) ser canal do propósito divino de edificar um corpo de santos aperfeiçoados segundo a imagem de Seu Filho (I Co. 12.28; 14.12; Ef. 4.11-16)

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO


Texto Áureo: Jo. 3.16 – Texto Bíblico Básico: Rm. 3.1-12


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos uma das doutrinas fundamentais da fé cristã, nem sempre considerada nos arraiais evangélicos, sobretudo nesses tempos atuais. Trata-se do novo nascimento, a experiência da regeneração, pela qual passa aqueles que têm um encontro com Jesus. Inicialmente refletiremos sobre Nicodemos, a autoridade religiosa que procurou Jesus de noite, tendo sido informado sobre a necessidade de nascer do alto. Ao final, meditaremos sobre a conversão de Saulo, um modelo de alguém que realmente nasceu do Pai.

1. NICODEMOS, O RELIGIOSO
Nicodemos, pelo que sabemos do Evangelho, era um fariseu, um membro dessa religião, sendo membro do sinédrio (Jo. 7.50). A fim de se preservar dos críticos, esse homem decidiu se aproximar de Jesus, mas o fez a noite, para não ser identificado. Ao que tudo indica, era uma pessoa de boa índole, extremamente religioso, e como a maioria dos fariseus, moralista. Os fariseus era um grupo separatista dentro do judaísmo, que buscava agradar a Deus através dos rituais religiosos (At. 26.5; Gl. 1.14; Fp 3.5). O problema dessa religião, como todas as demais, é a tentativa de autojustificação perante Deus. Mas conforme já destacamos em aulas anteriores, o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23), e ninguém pode se justificar através de méritos próprios (Ef. 2.8,9). Nicodemos ficou bastante perplexo com a declaração de Jesus, de que era necessário nascer de novo, pois ele acreditava que sua religião era suficiente. A religião acomoda o ser humana, tira-lhe a responsabilidade, isenta-o da preocupação com o outro. A maioria das pessoas religiosas se fiam em seus preceitos, e acham que agradarão a Deus simplesmente pelo que fazem, ou deixam de fazer. Nicodemos reconheceu que os sinais que Jesus realizava eram provenientes de Deus, mas Jesus não se deixou levar pelo elogio, antes o advertiu quanto a necessidade premente do novo nascimento. A religião é uma torre de Babel, não passa de uma construção meramente, incapaz de levar o homem a Deus.

2. A NECESSIDADE DO NOVO NASCIMENTO
Como o ser humano é incapaz de salvar a si mesmo, necessita passar pela experiência do novo nascimento. Jesus foi enfático a esse respeito: “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo. 3.3). Esse novo nascimento é diferente do nascimento na carne, pois todas pessoas nasceram do ventre de uma mãe. Mas o novo nascimento é de natureza sobrenatural, na verdade, é espiritual, e procede do Pai. É uma obra do Espírito Santo, que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.3.5;16.8). Essa experiência também é denominada de regeneração, pois acontece quando somos gerados de novo pela palavra de Deus (I Pe. 1.23). O termo “novo”, no grego neotestamentário, é anothen, pode ser mais precisamente traduzido por “de cima”. Essa ideia faz oposição ao nascimento biológico, assegurando que é uma obra divina, pela agência do Espírito Santo, pois o vento sopra, através da Palavra. Ainda que as pessoas sejam boas, tais como Nicodemos e tantos outros moralistas, fato é que todos precisam nascer de cima. As boas ações não podem salvar as pessoas, para efeito salvífico, não têm qualquer valore (Is. 41.29). Não podemos esquecer que “todos pecaram” (Rm. 3.23), por conseguinte, todos precisam nascer de cima. Esse nascimento traz implicações éticas para a vida daquele que passou por essa experiência, isso porque passa a ser nascida de Deus (I Jo. 2.29), e é identificada como nova criatura (II Co. 5.17).

3. SAULO DE TARSO, UM EXEMPLO

Saulo de Tarso, que ficou mais conhecido como Paulo, é um exemplo de alguém que nasceu de Deus. Antes de ter um encontro pessoal com Cristo, não passava de um religioso zeloso, um dos principais entre os fariseus. Ele mesmo assumiu que era um dos mais cuidadosos entres os praticantes da religiosidade judaica (At. 26.5; Gl. 1.14; Fp. 3.5). Até que na estrada de Damasco, enquanto seguia para perseguir os cristãos, foi alcançado pela graça de Deus, e prostrado em terra, sem poder ver, ouviu a voz que bradou: “Saulo, Saulo, por que me persegues? ” (At. 9.4). A partir de então, aquele que era um perseguidor inveterado dos cristãos, passou a ser um deles e a pôr em risco sua própria vida, por amor do Senhor Jesus Cristo. A religião de Paulo, ainda que bem-intencionada, estava limitada em relação a Deus. Ninguém é salvo por seguir uma ou outra religião, somente aqueles que seguem a Cristo, podem ter a segurança da vida eterna (I Jo. 1.2). Por causa desse encontro com Jesus, a vida de Paulo foi totalmente transformada. Ele passou a pautar sua vida pela direção do Espírito Santo, e não fazia mais o que queria, antes a vontade de Deus. Ao escrever sua Epístola aos Gálatas, Paulo mostra a interdição da religião humana. Por méritos religiosos ninguém consegue agradar a Deus, isso somente pode ser feito no Espírito, quando andamos nEle e permitimos que produza em nós o Seu fruto (Gl. 5.22).

CONCLUSÃO
A religião, ainda que bem-intencionada, é incapaz de salvar o homem. O pecado distancia-o do Seu criador, e o reduz a uma condição desumana (Rm. 3.23). Por causa disso, Deus providenciou um plano para salvar os pecadores, através do sacrifício de Cristo na cruz do calvário (Jo. 3.16; Rm. 6.23). Quando o pecador crer em Cristo, e tem um encontro pessoal com Ele, passa pelo processo da regeneração, e nasce de novo, ou melhor, de cima.

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

A PECAMINOSIDADE HUMANA E A SUA RESTAURAÇÃO A DEUS


Texto Áureo: Jo. Rm. 3.23 – Texto Bíblico Básico: Rm. 5.12-21


INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito da pecaminosidade humana, a esse respeito, como bem destacou Chesterton, se há uma doutrina bíblica que pode ser comprovada essa é a do pecado. Inicialmente apresentaremos a origem do pecado, em seguida, sua natureza, e por fim, suas consequências. Destacaremos também que Deus preparou um plano para a restauração da humanidade, e que esse se concretizou em Cristo, através do Seu sacrifício expiatório na cruz do calvário.

1. A ORIGEM DO PECADO
O pecado originou-se na livre escolha das criaturas de Deus (Ap. 12.9), tanto de Satanás, a antiga serpente, quando por Adão e Eva (Gn. 3). Depois da queda de Adão e Eva, os homens tornaram-se pecadores por natureza e vivem num mundo em que forças poderosas os induzem a pecar. Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar que o pecado do homem não tem sua origem em Deus (Tg. 1.13-14). O pecado é, antes de tudo, resultante da escolha da pessoa que o comete (Gn. 3.4,5). Depois da queda de Adão, existe, no ser humano, uma natureza, que Paulo denomina de carnal (Rm. 7.18; Gl. 5.16-24) que se opõe ao espírito. Essa natureza é a vida egocêntrica, a negação ou a rejeição de Deus, é portanto, uma inclinação, uma tendência, uma predisposição para o pecado e para deixar de fazer a vontade de Deus.

2. A NATUREZA DO PECADO
No Antigo Testamento, o pecado significa: 1) errar o alvo (Gn. 4.7), isto é, ser achado em falta diante de Deus; 2) egoísmo que leva os homens a oprimirem seus semelhantes (Gn. 6.11; Ez. 7.23; Pv. 16.29); 3) transgressão contra a Lei da Santidade (Sl. 37+38; 51.13; Is. 53.12). No Novo Testamento, o pecado é: 1) uma dívida (Mt. 6.12) a qual o homem é incapaz de pagar por si mesmo; 2) iniquidade, que literalmente, é desordem (I Jo. 3.4); 3) desobediência (Hb. 2.2; Lc. 8.18); 4) transgressão, ou ir além do limite estabelecido por Deus (Rm. 4.15); 5) queda no padrão de conduta (Ef. 1.7); 6) impiedade, que se concretiza no descaso a Deus e às coisas sagradas (Rm. 1.18; II Tm. 2.16) e 7) erro – pecados cometidos por ignorância (Hb. 9.7).

3. AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO

Como consequência, o pecado leva o homem a fragilidade espiritual, na medida em que: 1) acontece uma desfiguração da imagem divina (Gn. 9.6; Tg. 3.9); 2) a transmissão da natureza pecaminosa aos descendentes (Sl. 51.5); 3) discórdia interna – disputa interior que leva o homem à fragmentação do eu (Rm. 7.24); 4) a morte física e espiritual (Gn. 2.17; Rm. 3.23; 6.23). Conforme o relato de Gn. 3, o pecado trouxe conseqüências: 1) para a serpente (Gn. 3.14), 2) sobre Satanás (Gn. 3.15);  3) sobre Eva e as mulheres (Gn. 3.16); 4) sobre Adão e os homens (Gn. 3.17-19); 5) sobre toda a humanidade (Gn. 3.20-24).

4. O PECADO NA VIDA DO CRENTE

O crente não está isento de pecar (I Jo. 1.8-10), contudo, seu padrão de vida deve ser andar na luz (I Jo. 1.7). Para que isso aconteça, precisa meditar na Palavra de Deus (Sl. 119.11). Ao viver em pecado, o cristão: 1) perde a comunhão com Deus (I Jo. 1.6); 2) é excluído da comunhão com os irmãos da igreja local (I Co. 5.4-5); 3) recebe a disciplina de Deus (Hb. 12.6) e, em alguns casos, 4) a morte física (I Co. 11.30). É preciso portanto, que o crente dê lugar ao arrependimento, confesse o seu pecado a Deus, e o abandone (I Jo. 1.9).

5. A RESTAURAÇÃO DO PECADOR
O pecado é universal, Paulo é enfático ao declarar que todos pecaram (Rm. 3.23), mas nem tudo está perdido, pois Deus preparou um plano para restaurar a humanidade. O mesmo Paulo assegura que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo (Rm. 6.23). Essa é uma demonstração da graça de Deus, pois Ele prova seu amor Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores, e indignos desse favor (Rm. 5.8). Em Jo. 3.16 encontramos o plano de resgate de Deus, através do sacrifício de Jesus Cristo, pelos pecadores.

CONCLUSÃO
O homem foi criado como um ser bom e reto, como depreendemos da declaração de Gn. 1.26-31, contudo, por transgressão voluntária, o homem caiu, incorrendo não somente na morte física, mas também na morte espiritual, isto é, na separação de Deus (Gn. 1.26,27; 2.17; Rm. 5.12-19). Apesar de tudo, podemos ter a certeza que a provisão do Senhor em Jesus Cristo é suficiente para salvar a todos que nEle confiam, pois Ele, como bem expressou João Batista, é o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

A IDENTIDADE DO ESPÍRITO SANTO




Texto Áureo: Jo. 14.6 – Texto Bíblico Básico: Jo. 1.1-14


INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito da identidade do Espírito Santo, inicialmente destacaremos a identidade do Espírito Santo, enfatizando seus símbolos, e sua atuação na experiência humana. Ao final, abordaremos um dos temas mais controvertidos em relação a essa doutrina, o pecado contra o Espírito Santo. Nesse contexto, é importante defender que o Espírito Santo não é apenas uma força ativa, ou mesmo uma energia, mas uma pessoa que faz parte da Trindade.  

1. A IDENTIDADE DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo tem nomes divinos, atributos divinos lhe são aplicados, Ele é eterno, onipresente, onipotente e onisciente (Hb. 9.14; Sl. 139.7-10; Lc. 1.35; I Co. 2.10,11), obras divinas lhe são atribuídas tais como criação, regeneração e ressurreição (Gn. 1.2; Jó. 33.4; Jo. 3.5-8; Rm. 8.11). Há quem defenda que o Espírito Santo não passa de uma força ou influência, algo contrário à revelação das Escrituras, onde vemos que Ele tem personalidade: pensa (Rm. 8.27); tem vontade (I Co. 12.11), sentimento (Ef. 4.30); revela (II Pe. 1.21); ensina (Jo. 14.26); clama (Gl. 4.6); intercede (Rm. 8.26); fala (Ap. 2.7); ordena (At. 16.6,7); testifica (Jo. 15.26), entristece (Ef. 4.30), contra ele se pode mentir (At. 5.3) e blasfemar (Mt. 12.31,32). Além de Espírito Santo, Ele é chamado de Espírito de Cristo (Rm. 8.9), Consolador (Jo. 14.6), Espírito da Promessa (Ez. 36.7; Jl. 2.28), Espírito da graça (Hb. 10.29; Zc. 12.10), Espírito de vida (Rm. 8.2; Ap. 11.11) e Espírito de adoção (Rm. 8.15).

2. OS SÍMBOLOS DO ESPÍRITO SANTO E A EXPERIÊNCIA HUMANA
Ao longo da Bíblia, o Espírito Santo nos é apresentado por meio de símbolos. Um símbolo, de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “aquilo que, por um princípio de analogia formal ou de outra natureza, substitui ou sugere algo”. Os símbolos bíblicos que apontam para o Espírito Santo, são: fogo (Is. 4.4; Jr. 20.29); vento (Ez. 37.7-10; Jo. 3.8; At. 2.2); água (Ex. 17.6; Ez. 36.25-27; 47.1; Jo. 3.5; 4.14; 7.38, 39); selo (Ef. 1.13; II Tm. 2.19); pomba (Mt. 3.16). É o Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.7-11), afinal, a regeneração é um ato do Espírito (Jo. 3.3; I Co. 6.17-19; Rm. 8+9), o qual passa a habitar no crente após sua conversão (Jo. 14.17; Rm. 8.9; I Cr. 6.19; II Tm. 1.14; I Jo. 2.27; Cl. 1.27; I Jo. 3.24; Ap. 3.20). A atuação do Espírito efetua a obra da santificação, já que aqueles que nasceram da Palavra de Deus (I Pe. 1.23) devem desejar o crescimento (I Pe. 2.2), quando, com o crente, é produzido o Fruto do Espírito (Gl. 5.22). O Espírito Santo também nos reveste de poder para sermos testemunhas de Cristo (At. 1.8; 2.1-4).

3. PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
Como o Espírito Santo tem personalidade, podemos pecar contra Ele. Os pecados que nos são apresentados na Bíblia são os seguintes: resistência (At. 7.51) – quando as pessoas se dispõem a dar ouvidos à Palavra de Deus; agravo (Hb. 10.29) – quando alguém que creu no evangelho vem a se distanciar, apostatando; entristecimento (Ef. 4.30,31); - efetivado pelo crente quando dar lugar ao pecado ao invés do Espírito; a mentira (At. 5.3) – quando alguém, dominado por Satanás, tenta enganar Espírito; a extinção (I Ts. 5.19) – quando o crente abafa a manifestação do Espírito Santo para a edificação do corpo de Cristo; e a blasfêmia (Mt. 12.31) – que é a negação continua da operação de Deus por intermédio de Cristo. É comum as pessoas ficarem preocupadas se pecaram contra o Espírito Santo, quando isso acontece é uma demonstração de que esse pecado não aconteceu. Isso porque o pecado contra o Espírito Santo é uma negação obstinada da sua atuação, que impede o pecado de arrepender-se, e de se voltar para o Pai, através do Filho, Jesus Cristo.

CONCLUSÃO
O Espírito Santo não é uma mera força, mas uma pessoa divina, cujos atributos de eternidade, onipotência, onipresença e onisciência mostram ser, Ele, a terceira Pessoa da Trindade. A Bíblia está repleta de símbolos que apontam para a manifestação do Espírito Santo na experiência humana, no convencimento, na regeneração, na santificação e na ministração no corpo de Cristo. Devemos ter o cuidado de não pecarmos contra o Santo Espírito, decaindo da graça, e entrando pelo caminho da apostasia, para que isso não venha a acontecer, o segredo é, sempre, andar no Espírito (Gl. 5.22).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

O SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO




Texto Áureo: Jo. 14.6 – Texto Bíblico Básico: Jo. 1.1-14


INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito da identidade do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Inicialmente destacaremos sua natureza, ressaltando Sua deidade, senhorio, pré-existência e humanidade. Em seguida, abordaremos os ofícios de Cristo, a partir do Antigo Testamento, como Profeta, Sacerdote e Rei. E ao final, a obra que o Senhor Jesus realizou, em Sua morte, ressurreição e ascensão.

1. A NATUREZA DE CRISTO
Deidade – Ele é o Filho de Deus em sentido único, a) Ele tinha consciência de sua deidade (Mt. 3.17; 4.3; 16.15-17; 26.63-65); b) fez reivindicações a respeito (Jo. 16.28; 20.21; Mt. 11.27; Jo. 17.25; 14.9-11; Mt. 18.20; Mc. 2.5-10; Jo. 6.39,40, 54; 11.25; 10.17,18; Jo. 5.22; Mt. 25.31-46); c) demonstrou autoridade divina nos seus ensinamentos (Mt. 7.24); d) impecabilidade de sua alma (Jo. 8.46); e) testemunho dos discípulos (Mt. 28.19; Jo. 1.1-3; 20.28; At. 2.33,36; 4.125.31; 10.42; Tt. 2.3; Cl. 2.9; 1.17; II Co. 13.14). Pre-existência – Ele é o Logos, a Palavra, que expressa o poder, a inteligência e a vontade Deus (Jo. 1.1,14; Hb. 1.3; Cl. 1.5); Senhorio – Ele é chamado de kurios, é exaltado na eternidade (Fp. 2.9; At. 2.36; 10.36; Rm. 14.9; Ap. 1.5), soberano (I Co. 6.20; II Co. 5.15). Humanidade – Ele é o Filho do homem, designado como participante da natureza e das qualidade humanas, e como sujeito às fraquezas humanas (Mc. 2.10; 2.28; Mt. 8.20; Lc. 19.10); por um ato milagroso, o Verbo se faz carne (Jo. 1.14), tendo nascido de uma virgem (Is. 7.14; At. 1.9; Rm. 8.34). Jesus é o Unigênito – monogenés no grego – o único de um tipo, por isso, como diz o Credo Niceno, cremos “em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância com o Pai”.

2. OS OFÍCIOS E A IDENTIDADE DE CRISTO
Na época do Antigo Testamento havia três classes de mediadores entre Deus e o povo: o profeta, o sacerdote e o rei. Como perfeito mediador (I Tm. 2.5), Cristo reúne esses três ofícios: 1) Profeta – revelando a vontade de Deus em relação ao presente e ao futuro (Mc. 6.15; Jo. 4.19; 6.14; 9.17; Mc. 6.4; 1.27): a) da salvação (Lc. 19.41-44; Mt. 26.52); b) do reino (Mt. 4.17; Mt. 13); do futuro (Mt. 24,25); 2) Sacerdote – consagrado para representar o homem diante de Deus e para oferecer dons e sacrifícios (Hb. 2.14-16; Ef. 1.6); 3) Rei – em Cristo repousa o governo perfeito, em uma perspectiva escatológica (Is. 11.1-9; Sl. 72; Mt. 25.31) e nos dias atuais (Jo. 18.36; Mt. 28.18; Ap. 3.21; Ef. 1.20-22). Quando afirmamos que “Jesus é o Senhor”, sendo esta uma das primeiras confissões de fé do cristianismo, reconhecemos que Ele tem domínio sobre nossas vidas. Existem muitas pessoas que querem um Cristo apenas Salvador, mas se negam a obedecer Sua palavra, e a se submeter ao Seu senhorio. Por ser Ele Senhor, devemos nos dobrar diante dEle, antecipando o que acontecerá no futuro, quando todo joelho se curvará perante Ele (Fp. 2.10). A obediência a Cristo é também uma demonstração de amor, pois todos aqueles que obedecem aos Seus mandamentos demonstram que O amam (Jo. 14.21). Na verdade, os mandamentos de Cristo não são pesarosos, pois Seu jugo é suave, e Seu fardo é leve (Mt. 11.28-30).

3. A OBRA SALVÍFICA DE CRISTO
Cristo realizou muitas obras, a suprema foi a de morrer pelos pecados do mundo (Mt. 1.21; Jo. 1.29), incluindo nela, a ressurreição e ascenção (Rm. 8.34; 4.25; 5.10). 1) Morte – é uma  doutrina de importância central do Novo Testamento (I Co. 15.3; Hb. 5.9); 2) Ressurreição – é um fato milagroso, cujo significado remete à sua deidade (Rm. 1.4), e à libertação dos pecados (Rm. 8.34; Hb. 7.25), nos dando a certeza da imortalidade (I Ts. 4.14; II Co. 4.14; Jo. 14.19; At. 17.31); 3) Ascensão – Ele é o Cristo que subiu ao céu (At. 1.9); para preparar o caminho (Jo. 12.26) para o fim da separação entre Cristo e sua Igreja na terra; mesmo que, em sentido espiritual, ela esteja sentada nos lugares celestiais com Cristo (Ef. 2.6), até o dia em que ocorrerá a ascensão literal da igreja (I Ts. 4.17; I Co. 15.52); Ele intercede por nós (Rm. 8.34; Hb. 7.25; I Jo. 2.1). A abra de Cristo foi concretizada através da encarnação do Verbo, pois através dela Ele assumiu a forma humana, esvaziando-se da Sua glória, não da sua divindade (Fp. 2.8,9). Cristo nunca deixou de ser Deus, mesmo sendo homem, nEle habitava corporalmente a plenitude da divindade (Cl. 2.9). O ato da encarnação se fez necessário porque Jesus precisava se tornar sujeito ao pecado, ainda que nunca tivesse pecado (Rm. 8.3). E por ser plenamente humano (I Tm. 2.5), Ele se identifica conosco, inclusive em nossas tentações, pois temos um Deus que foi tentado em tudo (Hb. 4.15). Por esse motivo, sabemos que Ele conhece nossa estrutura, e sabe que somos pó (Sl. 113.14).

CONCLUSÃO
O Senhor Jesus Cristo é o eterno Filho de Deus. As Escrituras declaram: a) seu nascimento virginal (Mt. 1.23; Lc. 1.31,35); b) Sua vida impecável (Hb. 7.26; I Pe. 2.22); c) Seus milagres (At. 2.22; 10.38); d) Sua obra vicária sobre a cruz (I Co. 15.2; II Co. 5.21); e) Sua ressurreição corporal dentre os mortos (Mt. 28.6; Lc. 24.39; I Co. 15.4); e f) Sua exaltação à mão direita de Deus (At. 1.9,11; 2.33; Fp. 2.9-11; Hb. 1.3).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

A SANTÍSSIMA TRINDADE: UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS

Texto Áureo: Mt. 28.19 - Texto Bíblico Básico: I Co. 12.4-6; II Co. 13.13


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, dando continuidade ao estudo das doutrinas que exposamos, nos voltaremos para a Trindade, uma das verdades fundamentais da fé cristã. Inicialmente mostraremos os aspectos históricos dessa doutrina, em seguida, explicitaremos sua fundamentação bíblico-teológica. Ao final, depois de reconhecer que essa se trata de um mistério para a razão humana, ressaltaremos a atuação do Deus-Trino, que coexiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

1. A DOUTRINA DA TRINDADE, ASPECTOS HISTÓRICOS
A trindade é definida, teologicamente, como o entendimento de Deus como trino e uno, significando que a natureza divina é uma unidade de três pessoas e que Deus se revela como três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. A base suprema da doutrina cristã da trindade está na manifestação divina em Jesus, que, com Filho, revelou o Pai e derramou o Espírito Santo. Não há, como se sabe, a palavra “trindade” na Bíblia, mas não que quer dizer que ela deixe de ser uma doutrina bíblica. Seria a mesma coisa de dizer que a água não é composta de H2O simplesmente porque não podemos ler essa fórmula na água. No período antes da Reforma Protestante, Tertuliano (160-220 d.C.), um dos pais da igreja, foi o primeiro a empregar o termo “trindade” e a formular a doutrina, seu ensinamento, porém, punha o Filho em subordinação ao Pai. Em sequência a esse ensinamento, Orígenes (185-254 d. C.) defendia que não só o Filho era, em essência, subordinado ao Pai, mas que o Espírito Santo era subordinado ao Filho. A igreja começou a formular a doutrina da trindade no quarto século, quando o Concílio de Nicéia (325 d. C.), declarou que o Filho é coessencial com o Pai. Após acirrada disputa, no Concílio de Constantinopla (381 d. C.), prevaleceu a concepção de Atanásio (193-373 d. C.), afirmando a divindade do Espírito Santo. A formula de Constantinopla dizia que a trindade era “uma ousia (substância) em três hipostases (pessoas)”, sendo, portanto, uma identidade de natureza nas três hipostases”. Um outro pai da igreja que se dedicou com intensidade e equilíbrio à doutrina da trindade foi Agostinho (354-430), o qual eliminou os elementos de subordinação ainda comuns na defesa de alguns pais da igreja.

2. A EXPLICITAÇÃO DA DOUTRINA TRINITÁRIA
Após a Reforma, os teólogos que se voltaram mais propriamente à trindade foram Brunner (1889-1966) e  Barth (1886-1968). Ele perceberam a importância de tal doutrina que havia sido relegada a segundo plano pelo liberalismo teológico. Barth deriva da Escritura o ensinamento da trindade, mostrando que “Deus fala”, portanto, Ele é revelador (Pai), Revelação (Filho) e Revelatura (Espírito Santo). Ele se revela, é a Revelação e é também o conteúdo da Revelação. Deus e sua revelação se identificam. Em sua revelação Ele continua sendo Deus, absolutamente livre e soberano. Barth não admite nenhuma subordinação, diz ele: “ao mesmo Deus, em unidade incólume, é Revelador, Revelação e Revelatura, também se atribui, em Sua variedade incólume, precisamente este modo tríplice de existência”. A doutrina da Trindade, conforme exposta nas Escrituras, assume uma Unidade na Trindade, ou seja, existe um Deus que coexiste em três pessoas. Em I Co. 12.4-6, Paulo declara que cada pessoa da Trindade é Deus, ainda que esses não possam ser contabilizado como três deuses. A benção apostólica, que se encontra em I Co. 13.13, revela que os cristãos do primeiro século estavam conscientes dessa importante doutrina bíblica, ainda que essa não tivesse sido sistematizada. A sistematização dessa doutrina aconteceu a fim de responder às ameaças das heresias, que começaram a se difundir ainda nos primeiros séculos da Era Cristã. O modalismo tentou negar a coexistência entre o Pai, Filho e Espírito Santo, argumentando que esses eram na verdade apenas uma pessoa, que se utilizou de três máscaras, essa proposição de certo modo também foi defendida pelo unicismo. Uma das principais ameaças a ortodoxia trinitária foi o arianismo, doutrina defendida por Aria, bispo de Alexandria, argumentou que Cristo era apenas uma criatura, uma classe divina inferior. O Concílio de Niceia e Constantinopla, que se realizou em 381, com base nos trabalhos de Atanásio, combateu o arianismo, enfatizando a doutrina bíblica da Trindade.

3. DEUS COMO TRINDADE EM UNIDADE
A Bíblia ensina a sobre a trindade, já no Antigo Testamento, Deus fala de si mesmo no plural (Gn. 1.26; 11.7). Há também menção ao Anjo de Javé, que, se por um lado é identificado com Ele, também é distinto dele (Gn. 16.7-13; 18.1-21; 19.1-28; Ml. 3.1). No Novo Testamento, há uma revelação mais nítida da trindade, pois vemos o Pai enviando Seu Filho ao mundo (Jo.3.16; Gl. 4.4; Hb. 1.6; I Jo. 4.9) e do Pai e o Filho enviando o Espírito (Jo. 14.26; 15.26; 16.7; Gl. 4.6). Vemos o Pai dirigindo-se ao Filho (Mc. 1.11; Lc. 3.22); o Filho comunicando-se com o Pai (Mt. 11.25,26; 26.29; Jo. 11.41; 12.27,28 e o Espírito Santo orando a Deus no interior do crente (Rm. 8.26). Temos, assim, uma demonstração da separação, nas nossas mentes, das pessoas da Trindade. No batismo do Filho o Pai fala, ouvindo-se do céu a Sua voz, e o Espírito descendo na forma de pomba (Mt. 3.16,17). Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas (Mt. 28.19). Nas epístolas Paulo (I Co. 12.4-6; II Co. 13.13), Pedro (I Pe. 1.2) e João (I Jo. 5.7) fazem referência a trindade, essa última passagem, em específico, salienta a tri-unidade. Uma comparação de textos tomados de todas as partes das Escrituras mostra que: cada uma das três Pessoas é Criador, embora se declare que há um só Criador (Jo. 33.4; Is. 44.24); cada uma é chamada de Javé (Dt. 6.4; Jr. 23.6; Ez. 8.1); de Senhor (Rm. 10.12; Lc. 2.11; II Co. 3.18), de Deus de Israel (Mt. 15.31; Lc. 1.16,17; II Sm. 23.2; Legislador (Rm. 7.25; Gl. 6.2; Rm. 8.2; Tg. 4.12), onipresente (Jr. 23.24; Ef. 1.22; Sl. 139.4; a Fonte de Vida (Dt. 30.20; Cl. 3.4; Rm. 8.10). Ao mesmo tempo, foi Deus quem fez o homem (Sl. 103.3; Jo. 1.3; Jó. 33.4); vivifica os mortos (Jo. 5.21; 6.33); levantou Cristo (I Co. 6.14; Jo. 2.19; I Pe. 3.18), comissiona o ministério (II Co. 3.5; I Tm. 1.12; At. 20.28), santifica o povo de Deus (Jd. 1; Hb. 2.11; Rm. 15.16) e faz manifestações espirituais (I Co. 12.6; Cl. 3.11; I Co. 12.11).

CONCLUSÃO
As Escrituras ensinam que Deus é Um, e que, não existe outro Deus além dEle (Dt. 6.4), mas, ao mesmo tempo, essa unidade divida é composta por três pessoas distintas, cada uma delas é a Divindade. Não que se está dizendo que sejam três deuses, na verdade, os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no sentido pleno do termo, são UM. Assim, o Pai cria, o Filho redime e o Espírito Santo santifica, contudo, em cada uma dessas operações os três estão presentes. O Pai testificou do Filho (Mt. 3.17), o Filho testificou do Pai (Jo. 5.19) e o Filho do Espírito (Jo. 14.26), que, posteriormente, testificou do Filho (Jo. 15.26).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

O ÚNICO DEUS VERDADEIRO E A CRIAÇÃO



Texto Áureo: Mt. 12.29 – Texto Bíblico Básico: Gn. 1.1; Dt. 6.4

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje daremos continuidade ao estudo das doutrinas fundamentais da fé cristã, com destaque, nesta aula, para a doutrina de Deus, considerando que Ele é verdadeiramente o Criador e Sustentador de todas as coisas. Inicialmente trataremos a respeito da Sua existência, destacando algumas das principais teorias a esse respeito. Em seguida, mostraremos algumas crenças equivocadas a respeito de Deus. E ao final, alguns dos seus atributos e características.

1. A EXISTÊNCIA DE DEUS
É sabido que os autores bíblicos não se empenharam, em qualquer lugar das Escrituras, em provar a existência de Deus. Eles partem do pressuposto básico de que Deus existe e ocupam-se em descrever Suas ações e Seu caráter (Gn. 1.1; Hb. 11.3). Contudo, em virtude do racionalismo que minou a fé de muitas pessoas nesses últimos tempos, alguns pensadores se esforçaram para apresentar algumas provas da existência de Deus. A existência de Deus, na Bíblia, é declarada, é um fato auto evidente, por isso, aquele que não acredita em Sua existência é chamado de “néscio” (Sl. 14). Como muitas pessoas estão no terreno da razão, é preciso, em algumas situações, apelar para tal recurso a fim de mostrar-lhes que a existência de Deus é algo racional, vejamos, portanto, alguns argumentos: 1) Argumento antropológico (Tiele) – nunca existiram povos ateus, o ateísmo é um fenômeno individual; 2) Argumento ontológico (Anselmo) – o conceito de Deus implica sua existência necessária; 3) Argumento cosmológico (Aquino) – cada movimento tem uma causa motriz, Deus é a causa não-criada; o motor imóvel que tudo move; 4) Argumento da aposta (Pascal) – quando se compara perdas e ganho potenciais de acreditar ou não na existência de Deus, quem acredita sai ganhando; 5) Argumento teleológico (Paley) – o universo tem um propósito, isso demonstra a existência de Deus; 6) Argumento moral (Kant) – a necessidade da existência de Deus, como legislador e juiz, é o fundamento da ordem moral. Na Bíblia, há o testemunho da existência de Deus: 1) como o Criador (Sl. 19.1-4; At. 14.15-17); 2) na consciência (Rm. 1.20; 2.15); 3) na fé do crente (Hb. 11.1-6); na revelação em Cristo e nas Escrituras (Jo. 1.1,14; II Tm. 3.16); no viver diário do cristão (Rm. 12.1)

2. CRENÇAS EQUIVOCADAS A RESPEITO DE DEUS
2.1 Agnosticismo – nega a capacidade humana de conhecer a Deus, a Bíblia, porém, nos dia que Deus se fez conhecer, ainda que, em parte (Ex. 33.20; Jó.11.17; Rm. 11.33,34; I Co. 13.9-12); 2.2 Politeísmo – baseia-se na ideia de que o universo é governado, não por uma força só, mas por muitas, as Escrituras mostram que essa é uma consequência do paganismo (Rm. 1.25); 2.3 Panteísmo – é o sistema de pensamento que identifica Deus com o universo, mas em Rm. 1.20-23, Paulo nos ensina que não podemos confundir a criatura com o Criador; 3.4 Materialismo – nega que haja qualquer influência ou manifestação espiritual na matéria, mas Jesus justamente nos mostra que Deus é Espírito (Jo. 4.24); 3.5 Deismo – admite que a existência de Deus, mas não sua em sua intervenção, tudo estaria à mercê de leis naturais, esquecem que Deus é tanto transcendente (Is. 6.1) quando imanente (At. 17.28; Ef. 4.6). O Deus da Bíblia se interessa pela sua criação, na verdade, Ele intervém na história. Desde a revelação hebraica, Ele é Aquele que se revela como o SENHOR, o YHWH, Aquele que se tornou conhecido. Os nomes de Deus, ao longo das Escrituras, manifestam Seu poder, e mais que isso, Seus atributos. A partir do Shemá, de Dt. 6.4, compreendemos que Ele é ÚNICO, Ele é um SÓ, que se manifesta em três: Pai, Filho e Espírito Santo. A doutrina trinitária é bíblica, ainda que não encontremos o termo Trindade nas Escrituras. A esse respeito Paulo dá o seguinte testemunho, diante dos ouvintes atenienses: “Ele é o Deus que fez o mundo, e tudo que nele há... nele vivemos, nos movemos e existimos” (At. 17.24-28).

3. A NATUREZA E OS ATRIBUTOS DE DEUS
Em relação à natureza de Deus, isto é, aos seus atributos incomunicáveis ao ser humano, Deus é apresentado na Bíblia como infinitamente perfeito (Dt. 18.13; Mt. 5.48), Sua obra é, portanto, perfeita (Dt. 32.4) bem como os Seus caminhos (Sl. 18.30). Deus é Santo por natureza enquanto que o homem somente pode sê-lo por participação (Rm. 1.4; II Co. 7.1; I Ts. 3.13). Esse Deus, que tudo pode (Jó. 42.2), somente faz o que lhe apraz (Sl. 115.3). Existem apenas algumas coisas que o Onipotente não pode fazer: 1) mentir (Nm. 23.19; Tt. 1.2; Hb. 6.18); 2) negar-se a si mesmo (II Tm. 2.13); 3) fazer injustiça (Jó. 8.3; 34.12; Sl. 145.17); 4) fazer acepções de pessoas (II Cr. 19.7; Rm. 2.11). Os atributos naturais de Deus são: 1) Onipresença – Deus se relaciona com tudo e com todos ao mesmo tempo (Sl. 139.7-10); 2) Onisciência – conhece todas as coisas (Mt. 10.30; Is. 46.9,10); e 3) Onipotência – tudo pode fazer (Ap. 4.1,2; Gn. 17.1). Esses atributos revelam a grandeza de Deus, e nos direcionam a nos dobrar perante Ele, reconhecendo Sua supremacia e soberania não apenas sobre nossas vidas, mas também sobre terra, céus e mares. Contudo, não podemos deixar de ressaltar que Esse é também um Deus que se aproxima dos seres humanos, e que um dos mais importantes atributos é o AMOR, pois está escrito que “Deus é amor” (I Jo. 4.8). Esse atributo nos é comprovado na pessoa de Cristo, pois Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas que tenha vida eterna (Jo. 3.16). Deus prova seu amor para conosco pelo fato de ter nos amado, sendo nós ainda pecadores e de andarmos à revelia da Sua vontade (Rm. 5.8).

CONCLUSÃO
O Deus Único e Verdadeiro revelou-se como o eterno e autoexistente “Eu sou”, o Criador dos céus e da terra, e o Redentor da humanidade. Ele também se revelou como aquele que incorpora os princípios de relação e associação como Pai, Filho e Espírito Santo (Dt. 6.4; Is. 43.10,11; Mt. 28.19; Lc. 3.22). Segundo Paulo, Ele é “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” (I Ts. 6.16). E mais que isso, Ele é Aquele que nos ama (Ap. 1.5).

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

A INSPIRAÇÃO DIVINA E A AUTORIDADE DA BÍBLIA


                                 Texto Áureo: II Pe. 1.21 Texto Bíblico:  II Tm. 3.14-17

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da Bíblia, considerando que essa é a Palavra de Deus, e como tal deve ser abordada. Inicialmente apresentaremos sua constituição, tendo em vista que sua composição não se deu no mesmo período. Em seguida, destacaremos sua importância, pois ela é a revelação escrita de Deus, e que visa transformar nossas vidas, e nos conduzir à santificação. Ao final, destacaremos sua interpretação, pois dessa depende a apropriada aplicação na vida do crente.

1. A IMPORTÂNCIA DA BÍBLIA
A palavra Bíblia é uma tradução portuguesa do grego “bíblia” que significa “”livros”, nome que, a partir do Séc. V, se começou a chamar a coleção completa de livros sagrados. A Bíblia é constituída de sessenta e seis livros diferentes, compostos por vários autores, em três línguas diferentes, hebraico, aramaico e grego, sob as mais distintas circunstâncias, por autores de diferentes classes sociais ao longo de um período de 1600 anos. Em meio a todas essas distinções, a Bíblia chama a atenção por ser um livro com tema único: a redenção do ser humano. Ela está dividida em duas partes: Antigo e Novo Testamento, a primeira, contêm trinta e nove livros, e a segunda, vinte e sete. Na Bíblia, esses escritos são chamados de: 1) escrituras (Mt. 21.42), 2) escritura (II Pe. 1.20); 3) as santas escrituras (Rm. 1.2); 4) a Lei (Jo. 12.34); 5) a lei de Moisés, os profetas e os salmos (Lc. 24.44); 6) a lei e os profetas (Mt. 5.14); e 7) velho testamento (II Co. 3.14). Há um intervalo de 400 anos entre o Antigo e o Novo Testamento. Deus, em sua soberania, poderia não ter qualquer contato com suas criaturas, contudo, Ele nos criou para o relacionamento. Diante disso, Ele decidiu, livremente, em graça, falar aos seres humanos. Em Hb. 1.1, lemos que “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”. Os autores da Bíblia testemunham desse falar de Deus ao longo da história, que se deu repetitivamente e de modos distintos a diferentes pessoas. Por fim, nos falou por seu Filho, Jesus Cristo, em quem repousa a plenitude histórica da revelação divina, sendo este o “verbo que se fez carne” (Jo. 1.1). Deus, de fato, se revela aos seres humanos: 1) pela natureza (Rm. 1.18-21; Sl. 19); 2) pela providência (Rm. 8.28; At. 14.18-17); 3) pelos milagres (Jo. 2.11); e 4) atreves de Cristo (Jo. 1.14), mas é na Bíblia que confiamos por sua sobrenaturalidade e testemunho da revelação especial de Deus (I Jo. 5.9-12).

2. A INSPIRAÇÃO E INFALIBILIDADE DA BÍBLIA
A respeito do conceito de inspiração e inerrância, faz-se necessário analisar os textos de II Tm. 3.16,17 e II Pe. 1.21. Em II Tm. 3.16, Paulo diz que “Toda Escritura é inspirada por Deus” e não que “Toda Escritura, inspirada por Deus, é”, como dizem as traduções baseadas na Vulgata. Um outro aspecto que merece destaque é o termo Escritura, graphê, em grego, que fala do material como um todo (pasa), dizendo ser toda ela, theopneustos, ou seja, soprada por Deus, que seria a tradução mais literal para inspirada. Em consonância a isso, em II Pe. 1.21, Pedro afirma que “homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo”. Entendemos, então, que “homens falaram”, assim, Deus não desconsiderou suas personalidades (Rm. 10.20; I Co. 2.13; 14.37), impelidos, que em grego é pheromene, uma metáfora marítima usada para se referir a um navio levado pelo vento. No que diz respeito ao Novo Testamento, Paulo tinha consciência de que as cartas que escrevia deviam ser lidas e obedecidas (Cl. 4.16; II Ts. 3.14). Além do mais, não podemos esquecer da promessa do Espírito Santo que lembraria, ensinaria e guiaria os apóstolos a toda a verdade (Jo. 14.26; 15.26; 16.13). João, no Apocalipse, declara que aquilo que escreve é a palavra de Deus, a qual não se pode acrescentar ou subtrair (Ap. 1.1,2,11; 22.18,19). Consoante ao exposto, concluímos que a Bíblia não é resultante da mera inspiração humana, mas é, de fato, a Palavra verdadeira de Deus (Jo. 17.17), cabe a nós, portanto, ler o livro e obedecê-lo. No mais, conforme nos adverte Pedro em II Pe. 3.14-18, o problema não se encontra nas Escrituras, mas nos falsos mestres e sua compreensão errônea da Bíblia.

3. A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA
A Bíblia interpreta a si mesma, essa é uma regra áurea, portanto, devemos lembrar que não podemos torcer o sentido do texto a fim de confirmar pressupostos. Uma interpretação honesta leva em conta os pontos a seguir: 1) Enquanto for possível, é necessário tomar as palavras no seu sentido usual e ordinário; 2) É absolutamente necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase; 3) É necessário tomar as palavras no sentido que indica o contexto, isto é, os versos que precedem e seguem o texto que se estuda; 4) É preciso considerar em consideração o desígnio ou objetivo do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras; 5) É indispensável consultar as passagens paralelas explicando as coisas espirituais pelas espirituais (I Cor 2:13). (I Cor 2:13); 6) Um texto não pode significar aquilo que nunca poderia ter significado para seu autor ou seus leitores; 7) Sempre quando compartilhamos de circunstâncias comparáveis (isto é, situações de vida específicas semelhantes) com o âmbito do período quando foi escrita, a Palavra de Deus para nós é a mesma que Sua Palavra para eles. Devemos ter o máximo cuidado na interpretação da Bíblia, ciente que dependemos não apenas da compreensão humana, ainda que essa não deve ser desprezada, considerando que o próprio Deus deu inteligência ao ser humano, e esse deve fazer uso apropriada desta, sobretudo para a glória de Deus. A Bíblia deve ser lida com apreço, e disposição para a obediência, pois ela é autoritativa, e através dela podemos ter acesso à boa, agradável e perfeita vontade de Deus, evitando se coadunar aos princípios deste mundo tenebroso (Rm. 12.1,2). A interpretação apropriada da Bíblia deve considerar a atuação do Espírito Santo, pois as coisas de Deus são discernidas espiritualmente (I Co. 12.15).

CONCLUSÃO
As Sagradas Escrituras, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, são inspiradas (sopradas) por Deus. Elas são a revelação de Deus à humanidade, e nossa infalível e autorizada regra de fé e conduta (I Ts. 2.13; II Tm. 3.15,16; II Pe. 1.21). Por isso, se quisermos viver de acordo com a vontade de Deus, não podemos desprezar o estudo da Sua Palavra, pois essa, pelo poder do Espírito Santo, é suficiente para nos conduzir à santidade.

BIBLIOGRAFIA
BARBOSA, J. R. A. O Cremos da Assembleia de Deus. São Paulo: Reflexão, 2017.
SOARES, E. A razão da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. 

JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER

Texto Áureo Mt. 1.24  – Leitura Bíblica: Lc. Mt. 1.18-25


INTRODUÇÃO
Jesus é o Filho de Deus, mas não podemos desprezar que, na condição de totalmente homem, foi filho de José. Na aula de hoje estudaremos a respeito desse servo de Deus, que se sacrificou, a fim de preservar sua família. Inicialmente destacaremos sua biografia, com destaque para sua relação com filho e esposa. Ao final, apontaremos algumas virtudes do caráter de José que são dignas de destaque, e servem de exemplo para os cristãos da atualidade.

1. JOSÉ, O PAI DE JESUS
Existem várias pessoas nas Escrituras com o nome de José, sendo este o significado de “Deus faz prosperar”. O José ao qual nos referimos é o marido de Maria, a mãe de Jesus. Este entrou na genealogia de Jesus contribuindo para o cumprimento das profecias, que indicavam o nascimento do Messias da descendência de Davi (II Sm. 7.12,16). Conforme já estudamos anteriormente, Jesus não teve um pai biológico, considerando que Aquele foi gerado pelo Espírito Santo, no ventre de Maria (Lc. 1.35). Por esse motivo, assumimos que José foi o pai adotivo de Jesus, tendo sido aquele da descendência real de Davi (Lc. 1.27). De acordo com as tradições daquela época, Maria estava prometida para se casar com José. Mas este, ao saber que aquele se encontrava grávida, tratou logo de se afastar da moça, resguardando-a para que não viesse a ser incriminada. Essa atitude de José mostra seu caráter, sua disposição para perdoar as pessoas. Ele não teve a intenção de prejudicar Maria, ainda que as ordenanças fossem favoráveis. Isso nos ensina que, na maioria das vezes, não precisamos agir com base naquilo que está estabelecido nas leis. Podemos muito bem depender de Deus, permitindo que Ele mesmo aja em nosso favor. E foi justamente isso que aconteceu, pois ao pensar em deixar Maria em segredo, Deus lhe deu um sonho, no qual revelou que Aquele que se encontrava no ventre daquela mulher não era outro, mas o Salvador prometido a Israel, e que Ele havia sido gerado pelo Espírito Santo. É maravilhoso perceber como Deus age em nossas vidas, Ele é capaz de fazer muito mais do que pensamos (Ef. 3.20).

2. JOSÉ, UM HOMEM OBEDIENTE
José se destacou pela obediência, pois ao receber a ordem de Deus para não deixar Maria, acreditou que tudo estava acontecendo de acordo com a vontade do Senhor (Mt. 1.24). Nem sempre é fácil acreditar na Palavra que Deus dirige a nós, principalmente quando as circunstâncias não são favoráveis. O sonho que recebeu não foi mera especulação, resultado de um significado latente, mas a revelação do Senhor. Precisamos, a partir das Escrituras, atentar para a voz de Deus, pois Ele continua falando conosco. No princípio Ele falou aos pais pelos profetas, e nesses últimos tempos, tem nos falado pelo Seu Filho, Jesus Cristo (Hb. 1.1,2). Mesmo assim, não podemos descartar a manifestação profética. A doutrina escrituristica inclui o dom de profecia, que está incluída dentro dos dons de revelação. É nesse contexto que acreditamos que Deus pode se revelar através de sonhos. Mas é preciso ter cuidado para não construir uma teologia baseada exclusivamente em sonhos. Alguns deles, conforme ressalta a autor sacro, não passam do resultado de muitas preocupações (Ec. 5.3). Os sonhos devem ser confirmados pela Palavra de Deus, e mais importante, nem todo sonho pode ser considerado uma revelação. Por esse motivo, há sonhos que somente podem ser interpretados como elucubrações humanas, e necessariamente não têm significado espiritual. É preciso ter cuidado com aqueles que querem aplicar um significado para todo e qualquer tipo de sonho. Pior ainda, há aqueles que querem controlar a vida das pessoas por meio de supostos sonhos espirituais.

3. JOSÉ, UM PAI E MARIDO
Muito embora tenhamos poucas informações a respeito desse José nas Escrituras, as informações são suficientes para atestar que se tratava de um homem piedoso, e que revelou ser bom pai e marido. Nos momentos mais difíceis na vida de Maria, José esteve ao lado da sua esposa, ajudando-a tanto no período da gravidez quando do nascimento de Jesus (Lc. 2.4-7). Os maridos devem aprender com o exemplo de José, e a partir das orientações de Paulo, a se sacrificarem por suas esposas (Ef. 5.25). Nos dias atuais, muitos casamentos estão fundamentados apenas em interesses particulares, alguns deles são pautados pela influencia midiática. Há maridos que casam com mulheres jovens, mas começam a descartá-las quando o tempo passa. E mais, substituem o termo “amor” por um sentimento aventureiro, que nada tem a ver com o ágape bíblico. O amor-agape é muito mais do que um sentimento, é uma decisão que se toma para a vida, uma disposição a viver e se sacrificar pelo outro. Além de ser um marido exemplar, José também nos deixa um legado em relação à criação de filhos. Ao que tudo indica, este e sua esposa Maria, se responsabilizaram pelo ensino da Palavra de Deus aos filhos. Essa era uma atribuição que não poderia ser esquecida pelos pais, a orientação bíblica deveria ser diária (Dt. 11.18-21). O evangelista destaca que todos os anos os pais de Jesus iam a Jerusalém, à festa da Páscoa, indo Jesus com eles (Lc. 2.41,42). As Escrituras são enfáticas ao destacar que devemos ensinar os filhos no caminho que devem andar, para que esses não venham a se desviar dele no futuro (Pv. 22.6). Evidentemente, no contexto do livro de Provérbios, não se trata de uma promessa, mas de uma orientação prática para a vida.

CONCLUSÃO
A vida de José, o pai adotivo de Jesus, aponta um modelo de caráter que deve ser imitado. Ele, como um piedoso homem de Deus, estava aberto à revelação do Senhor, e se dispôs a obedecer Sua vontade. Nessa disposição, se prontificou ao sacrifício, a fim de preservar a reputação de Maria, sua futura esposa. E mais que isso, ao saber que Jesus era o Salvador, tomou as diligências necessárias para que esse fosse preservado, e também para que crescesse no conhecimento da Palavra do Senhor.

BIBLIOGRAFIA
DURHAM, F. Joseph: the carpenter from Nazareth. Bloomingtom: Westbow Press, 2015.
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.