JOSÉ, O PAI TERRENO DE JESUS – UM HOMEM DE CARÁTER

Texto Áureo Mt. 1.24  – Leitura Bíblica: Lc. Mt. 1.18-25


INTRODUÇÃO
Jesus é o Filho de Deus, mas não podemos desprezar que, na condição de totalmente homem, foi filho de José. Na aula de hoje estudaremos a respeito desse servo de Deus, que se sacrificou, a fim de preservar sua família. Inicialmente destacaremos sua biografia, com destaque para sua relação com filho e esposa. Ao final, apontaremos algumas virtudes do caráter de José que são dignas de destaque, e servem de exemplo para os cristãos da atualidade.

1. JOSÉ, O PAI DE JESUS
Existem várias pessoas nas Escrituras com o nome de José, sendo este o significado de “Deus faz prosperar”. O José ao qual nos referimos é o marido de Maria, a mãe de Jesus. Este entrou na genealogia de Jesus contribuindo para o cumprimento das profecias, que indicavam o nascimento do Messias da descendência de Davi (II Sm. 7.12,16). Conforme já estudamos anteriormente, Jesus não teve um pai biológico, considerando que Aquele foi gerado pelo Espírito Santo, no ventre de Maria (Lc. 1.35). Por esse motivo, assumimos que José foi o pai adotivo de Jesus, tendo sido aquele da descendência real de Davi (Lc. 1.27). De acordo com as tradições daquela época, Maria estava prometida para se casar com José. Mas este, ao saber que aquele se encontrava grávida, tratou logo de se afastar da moça, resguardando-a para que não viesse a ser incriminada. Essa atitude de José mostra seu caráter, sua disposição para perdoar as pessoas. Ele não teve a intenção de prejudicar Maria, ainda que as ordenanças fossem favoráveis. Isso nos ensina que, na maioria das vezes, não precisamos agir com base naquilo que está estabelecido nas leis. Podemos muito bem depender de Deus, permitindo que Ele mesmo aja em nosso favor. E foi justamente isso que aconteceu, pois ao pensar em deixar Maria em segredo, Deus lhe deu um sonho, no qual revelou que Aquele que se encontrava no ventre daquela mulher não era outro, mas o Salvador prometido a Israel, e que Ele havia sido gerado pelo Espírito Santo. É maravilhoso perceber como Deus age em nossas vidas, Ele é capaz de fazer muito mais do que pensamos (Ef. 3.20).

2. JOSÉ, UM HOMEM OBEDIENTE
José se destacou pela obediência, pois ao receber a ordem de Deus para não deixar Maria, acreditou que tudo estava acontecendo de acordo com a vontade do Senhor (Mt. 1.24). Nem sempre é fácil acreditar na Palavra que Deus dirige a nós, principalmente quando as circunstâncias não são favoráveis. O sonho que recebeu não foi mera especulação, resultado de um significado latente, mas a revelação do Senhor. Precisamos, a partir das Escrituras, atentar para a voz de Deus, pois Ele continua falando conosco. No princípio Ele falou aos pais pelos profetas, e nesses últimos tempos, tem nos falado pelo Seu Filho, Jesus Cristo (Hb. 1.1,2). Mesmo assim, não podemos descartar a manifestação profética. A doutrina escrituristica inclui o dom de profecia, que está incluída dentro dos dons de revelação. É nesse contexto que acreditamos que Deus pode se revelar através de sonhos. Mas é preciso ter cuidado para não construir uma teologia baseada exclusivamente em sonhos. Alguns deles, conforme ressalta a autor sacro, não passam do resultado de muitas preocupações (Ec. 5.3). Os sonhos devem ser confirmados pela Palavra de Deus, e mais importante, nem todo sonho pode ser considerado uma revelação. Por esse motivo, há sonhos que somente podem ser interpretados como elucubrações humanas, e necessariamente não têm significado espiritual. É preciso ter cuidado com aqueles que querem aplicar um significado para todo e qualquer tipo de sonho. Pior ainda, há aqueles que querem controlar a vida das pessoas por meio de supostos sonhos espirituais.

3. JOSÉ, UM PAI E MARIDO
Muito embora tenhamos poucas informações a respeito desse José nas Escrituras, as informações são suficientes para atestar que se tratava de um homem piedoso, e que revelou ser bom pai e marido. Nos momentos mais difíceis na vida de Maria, José esteve ao lado da sua esposa, ajudando-a tanto no período da gravidez quando do nascimento de Jesus (Lc. 2.4-7). Os maridos devem aprender com o exemplo de José, e a partir das orientações de Paulo, a se sacrificarem por suas esposas (Ef. 5.25). Nos dias atuais, muitos casamentos estão fundamentados apenas em interesses particulares, alguns deles são pautados pela influencia midiática. Há maridos que casam com mulheres jovens, mas começam a descartá-las quando o tempo passa. E mais, substituem o termo “amor” por um sentimento aventureiro, que nada tem a ver com o ágape bíblico. O amor-agape é muito mais do que um sentimento, é uma decisão que se toma para a vida, uma disposição a viver e se sacrificar pelo outro. Além de ser um marido exemplar, José também nos deixa um legado em relação à criação de filhos. Ao que tudo indica, este e sua esposa Maria, se responsabilizaram pelo ensino da Palavra de Deus aos filhos. Essa era uma atribuição que não poderia ser esquecida pelos pais, a orientação bíblica deveria ser diária (Dt. 11.18-21). O evangelista destaca que todos os anos os pais de Jesus iam a Jerusalém, à festa da Páscoa, indo Jesus com eles (Lc. 2.41,42). As Escrituras são enfáticas ao destacar que devemos ensinar os filhos no caminho que devem andar, para que esses não venham a se desviar dele no futuro (Pv. 22.6). Evidentemente, no contexto do livro de Provérbios, não se trata de uma promessa, mas de uma orientação prática para a vida.

CONCLUSÃO
A vida de José, o pai adotivo de Jesus, aponta um modelo de caráter que deve ser imitado. Ele, como um piedoso homem de Deus, estava aberto à revelação do Senhor, e se dispôs a obedecer Sua vontade. Nessa disposição, se prontificou ao sacrifício, a fim de preservar a reputação de Maria, sua futura esposa. E mais que isso, ao saber que Jesus era o Salvador, tomou as diligências necessárias para que esse fosse preservado, e também para que crescesse no conhecimento da Palavra do Senhor.

BIBLIOGRAFIA
DURHAM, F. Joseph: the carpenter from Nazareth. Bloomingtom: Westbow Press, 2015.
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

MARIA, IRMÃ DE LÁZARO, UMA DEVOÇÃO AMOROSA


                         Texto Áureo Jo. 12.3  – Leitura Bíblica: Jo. 12.1-11

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito de Maria, uma das irmãs de Lázaro, que habitava em Betânia. Nesta lição nos voltaremos para a vida dessa mulher que nos legou o exemplo de devoção, e de desprendimento ao Senhor Jesus. Inicialmente faremos uma comparação sobre as atitudes das duas irmãs, Marta e Maria, em relação a Cristo. Em seguida, destacaremos a atitude de liberalidade de Marta, ao lavar os pés do Mestre, e enxugá-los com seus cabelos. Ao final, refletiremos sobre a necessidade de cultivar a devoção de Maria, em um mundo conturbado, como o de Marta.

1. MARTA E MARIA, IRMÃS DE LÁZARO
Marta e Maria eram irmãs de Lázaro, um amigo do Senhor, que residia em Betânia, uma aldeia que distava a três quilômetros de Jerusalém, na estrada que leva a Jericó. Ao que tudo indica, sempre que Jesus por ali passava, aproveitava a oportunidade para ficar na casa de Lázaro. Em uma dessas vezes, conforme relato de Lucas, Maria se pôs aos pés do Mestre, a fim de ouvir Seus ensinamentos. O evangelista narra que Maria estava absorta diante daquelas verdades, o mesmo não aconteceu com Marta, que estava bastante atarefada. Lucas diz que “Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude (Lc. 10.40). É compreensível que Marta estivesse ocupada, pois os discípulos de Jesus ali estavam, e todos deveriam participar da refeição. Não que a tarefa que ela estava desenvolvendo não tivesse importância, mas o tempo para o que ela estava fazendo, e a prioridade que lhe dava, não era adequada. Muitas vezes estávamos envoltos pelo ativismo eclesiástico, fazemos muitos trabalhos para a obra de Deus, mas não para o Deus da obra. Marta pensou mesmo que estivesse correta, pois pediu ao Senhor que censurasse Maria. Mas Jesus sabia que esta havia escolhido “a boa parte, a qual não lhe será tirada” (Lc. 10.41,42). Como diz o sábio de Eclesiastes, há tempo para todo propósito debaixo do céu, e não podemos desprezar as oportunidades de estar aos pés de Jesus. Às vezes, estamos por demais atarefados, e sob a justificativa do trabalho, não temos mais tempo para orar, e meditar na Palavra de Deus. Precisamos avaliar nossas prioridades, e considerar se estamos desprezando o exercício da piedade (I Tm. 4.8).

2. MARIA, A MULHER QUE UNGIU OS PÉS DE JESUS
Além de ser uma mulher piedosa, Maria demonstrou também liberalidade, ao se desfazer de um vaso de nardo puro, despejando-o nos pés do Senhor, e enxugando-os com seus cabelos (Jo. 1.21,2). Certa feita, provavelmente na casa de Lázaro, “fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele” (Jo. 12.2). Maria tomou uma decisão de desprendimento, “tomando uma livra de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (Jo. 12.3). Certamente aquela mulher estava antecipando a morte do Senhor, reconhecendo que Ele viria a ser sacrificado. Aquele perfumo custava cerca de “trezentos denários”, um valor altíssimo para a época, equivalendo a vários meses de trabalho. Isso nos inspira à consagração dos nossos bens para o reino de Deus. Os bens materiais não devem servir apenas aos nossos interesses pessoais. Mas é preciso também ter cuidado com a assistência social hipócrita. Há pessoas que, como Judas Iscariotes, querem “ajudar os pobres”, a fim de tirarem proveito “do dinheiro”, que pode ser desviado para fins pessoais. Existem muitos judas traindo o país, pessoas que com um discurso da assistência social, estão surrupiando o dinheiro público, que deveria ser investido em saúde, educação e segurança. Jesus atenta não apenas para os atos, mas para as intenções daqueles que agem. Em uma sociedade midiática, há muitos que estão fazendo apenas para aparecer, por isso o Mestre advertiu: “Tu, porém, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda, o que faz a direita” (Mt. 6.3). Boas ações, que são propaladas aos quatro ventos, geralmente têm intenções escusas, por isso não agradam a Deus.

3. A DEVOÇÃO DE MARIA, EM UM MUNDO DE MARTA
A vida devota de Maria, e sua liberalidade, devem motivar a todos os cristãos, principalmente na sinceridade das ações. Vivemos em um mundo que enseja a hipocrisia, e que está contaminado pela autojustiça, e sentimento de ostentação. Precisamos ter cuidado com o fermento dos fariseus (Lc. 12.1). As igrejas evangélicas estão repletas de pessoas que não têm compromisso com o reino de Deus. Há aqueles que aderem às igrejas evangélicas, mas não ao evangelho de Jesus Cristo. Elas querem apenas tirar proveito dos cristãos, assim como pensou Judas, diante da atitude de Maria. Como esta mulher piedosa, devemos nos aproximar cada vez mais de Cristo, e não nos deixar controlar pela preocupação, e ansiedade dos tempos modernos (Mt. 6.24,25). Algumas pessoas transformaram o dinheiro em um Deus, se prostram com facilidade diante de Mamom, e profanam por causa dele o nome do Senhor. Não podemos esquecer que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, por isso devemos aprender a viver contentes (I Tm. 6.6-10). Como bem destacou o Senhor, em uma das suas preciosas lições: de que adianta ganhar o mundo inteiro, e perder a alma pela ganância desenfreada? (Mt. 8.36). O cristianismo ocidental foi cooptado pelo materialismo naturalizado pela sociedade, de tal modo que muitos cristãos estão consumindo suas vidas, agindo a partir da cosmovisão de Marta. Há aqueles que correm tanto que não têm mais tempo para Deus. Ganhar dinheiro, em muitos casos, é a principal motivação da existência. Essas pessoas não sabem o que é desfrutar da presença de Cristo, não conseguem ficar aos seus pés, e parar para ouvir suas palavras.

CONCLUSÃO
Vivemos em um mundo conturbado, o frenesi da modernidade está levando muitos à angústia, e por fim, ao desespero. Precisamos tomar cuidados para não nos deixar controlar pelos “muitos serviços” que nos são impostos, principalmente nessa sociedade tecnológica. Quase não encontramos mais tempo para Deus, e já não sabemos mais o que significa desfrutar da Sua presença. Que Deus nos guarde da inversão de prioridades, que saibamos, como Maria,  valorizar os momentos com Jesus.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WEAVER, J. Como ter o coração de Maria em mundo de Marta. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

HULDA, A MULHER QUE ESTAVA NO LUGAR CERTO


Texto Áureo II Cr. 34.24  – Leitura Bíblica: II Cr. 34.22-28



INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito de mais uma mulher da Bíblia, desta feita a profetiza Hulda. Essa será uma oportunidade para destacar a atuação feminina direcionada por Deus, principalmente quando a pessoa que Ele escolhe se encontra no lugar certo. Inicialmente apresentaremos algumas informações a respeito dessa mulher; em seguida, sua contribuição para o avivamento espiritual em Judá. E por fim, destacaremos como Hulda foi usada por Deus, e se tornou um instrumento para que o povo se voltasse para o Deus que o escolheu.

1. HULDA, UMA MULHER DE DEUS
Hulda foi uma daquelas mulheres de Deus que demonstrou caráter firme, principalmente em tempos difíceis, quando o povo havia se desviado dos caminhos do Senhor. De acordo com o relato bíblico ela era esposa de Salum, filho de Tocate, que era guardador das vestimentas, e habitava Jerusalém (II Rs. 22.14). Ela é comumente conhecida como uma profetiza, ou seja, uma mulher que recebia os oráculos de Deus. Hulda testemunhou a ascensão e a queda do reino de Ezequias, bem como a decadência de Judá, nos tempos tumultuados de Manassés e Amom (II Cr. 33.11-25). Hulda foi colocada por Deus no cenário judaico entre os anos de 639 a 609 a. C., a fim de tornar conhecido o desígnio do Senhor. Nesse período foi levantado um jovem rei, denominado Josias, que foi usado para favorecer um grande avivamento. É válido destacar que Hulda foi contemporânea de Jeremias, mesmo assim, Josias enviou emissários a Hulda, para que essa revelasse o propósito de Deus. A atuação de Hulda como profetiza em Israel é uma demonstração de que Deus, mesmo em uma sociedade patriarcal, como aquela dos tempos antigos, usava mulheres para cumprir seus intentos. Destacamos que antes de Hulda, Miriã profetizou (Ex. 15.20). Hulda teve papel preponderante no avivamento de uma nação, chamando a atenção do povo para seu pecado, e a necessidade de arrependimento. Deus tem levantado muitas mulheres para o ministério eclesiástico. Mulheres de oração, e do ensino da palavra, têm cumprido uma missão no reino de Deus, foi assim desde o princípio da Igreja. É bem verdade que não há respaldo explícito na Bíblia para o pastorado feminino, mas isso não quer dizer que as mulheres não podem ser usadas por Deus, como tem acontecido nas Escolas Bíblicas Dominicais.

2. HULDA, UM CHAMADO PARA O AVIVAMENTO
Ao receber a consulta do rei Josias, Hulda trouxe uma mensagem contundente, a fim de que o povo se voltasse para Deus. Ele profetizou a respeito da destruição da destruição de Judá por causa da idolatria (II Rs. 22.14-17). Em seguida, antecipou a restauração do reinado de Josias (II Rs. 22.28-20), e que esse seria um instrumento de Deus, para a instauração de um avivamento espiritual em Judá. É digno de destaque que as autoridades se dirigiram até essa profetiza para saber o que Deus haveria de realizar em Judá. Como mensageira de Deus, declarou: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Dizei ao homem que você enviou a mim: Assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre este lugar e sobre os seus habitantes (II Cr. 34.23). Certamente se referia aos tempos futuros, nos quais o povo seria levado para a Babilônia, que aconteceu por volta de 586 a. C. A respeito do ministério profético de Hulda, é preciso ponderar que esse não dá margem para uma atuação profética da mesma natureza nos dias atuais. Não existe mais profetas e profetizas nos moldes do Antigo Testamento. Aqueles traziam uma mensagem diretamente de Deus, expresso na declaração “Assim diz o Senhor”. Na atualidade dispomos do dom de profecia, que está à disposição de toda a igreja (I Co. 12.7). E essa precisa ser avaliada à luz das Sagradas Escrituras, não tendo mais a prerrogativa de ser infalível (I Co. 14.29). A Palavra de Deus é o crivo para o dom de profecia nos dias atuais, e esse deve ser exercido na Igreja, a fim de evitar os excessos que temos testemunhado em alguns arraiais evangélicos.

3. HULDA, NO LUGAR ESCOLHIDO POR DEUS
Hulda foi usada por Deus naquele momento crucial para a história do povo judeu. Ela percebeu como Josias, o rei de Judá, se dobrou diante da Lei do Senhor, reconhecendo o perigo de se encontrar distante da vontade de Deus. Após ouvir a mensagem profética, o rei convocou toda a nação para a mudança, a começar pela liderança. É importante destacar que não nos encontramos mais debaixo de uma monarquia. Por isso, não podemos esperar que o avivamento aconteça por ordem de um governante. Em tese o estado é laico, e o sistema é democrático, portanto, o povo escolhe seus governantes. O avivamento, no contexto neotestamentário, deve partir da igreja, que deve influenciar o mundo, sendo sal e luz (Mt. 5.13-16). O exemplo de Josias, nesse contexto, deve ser seguido pela igreja, que deve se dobrar diante da Palavra do Senhor: “e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na Casa do Senhor” (II Cr. 34.30). Não existe verdadeiro avivamento sem a exposição das Sagradas Escrituras, é através dela que o povo se envergonha dos seus pecados, como aconteceu nos tempos de Esdras e Neemias (Ne. 8.2). No contexto daquela monarquia teocrática, o rei deu o exemplo: “E pôs-se o rei em pé em seu lugar e fez concerto perante o Senhor [...] com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro (II Cr. 34.31). E o povo seguiu seu exemplo, pois “todos quantos se acharam em Jerusalém e em Benjamim; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o concerto de Deus, do Deus de seus pais”. (II Cr. 34.32). A liderança cristã deve ser um exemplo para seus liderados, e um modelo para toda a igreja.  

CONCLUSÃO
Hulda foi uma mulher usada por Deus no ministério profético, e contribuiu para levar seu povo ao avivamento através da Palavra. Nos dias atuais o mesmo Deus tem chamado mulheres valorosas para o ministério do ensino, algumas delas também sendo instrumentos de Deus no dom de profecia. Como Hulda, devemos nos colocar na disposição de Deus, e nos aprofundar na Sua Palavra, para que possamos manifestar os desígnios de Deus, nestes tempos tão trabalhosos.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WEIRSBE, W. W. Be distinct: 2 Kings & 2 Chronicles. Colorado Springs: David C. Cook, 2010. 

ABGAIL, UM CARÁTER CONCILIADOR



Texto Áureo Pv. 15.1 – Leitura Bíblica  I Sm. 25.28-28


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito de uma mulheres mais importantes da Bíblia, ainda que nem sempre esta seja lembrada. Abgail, conforme veremos na lição, deixou sua marca na história do povo de Israel. Muito embora tenha sofrido bastante, por viver com um homem cujo nome era Nabal, não deixou de tomar atitudes acertadas, e de se mostrar conciliadora. O exemplo de Abgail inspira a todos nós, para que também venhamos a desenvolver o ministério da reconciliação.

1. ABGAIL, UMA MULHER SOFREDORA
Abgail foi uma mulher sofredora, pois fora desposada por um homem tolo, cujo nome revelava seu caráter: Nabal. Ele era um proprietário de terra, um fazendeiro avarento, que a ninguém prestava benefícios. Eles habitavam nas proximidades do Carmelo, próximo ao deserto de Parã, em uma cidade chamada Maom. Os pastores de Davi se aproximaram dos de Nabal, demonstrando a necessidade de alimento. O próprio Davi buscou comida para seus soldados famintos com Nabal. Mas ao invés de demonstrar sensibilidade, Nabal preferiu ficar irada, e se irritar com a solicitação de Davi. A condição de Abgail, conforme depreendemos dessa narrativa, não era fácil, pois seu marido, ao que tudo indica, era um homem colérico. E mais, certamente deve ter encontrado suas justificativas para não ajudar ao rei. Se avaliarmos na perspectiva da propriedade privada, é bem possível que fiquemos do lado de Nabal. Afinal, a riqueza ela dele, exclusivamente dele, e ele não teria obrigação de ajudar. É muito comum as pessoas acharem que o acúmulo de propriedade é normal, e que esse não demanda qualquer responsabilidade. Mas Nabal se revelou um insensato, talvez como aquele louco a quem Jesus se referiu na parábola, que colocou seus bens acima do valor da sua alma (Lc. 12.20,21). As pessoas que colocam as propriedades em primeiro plano correm o risco de se dobrarem diante de Mamom (Mt. 6.24). Nabal, ainda que fosse um homem poderoso, que tinha “três mil ovelhas e cabras” (I Sm. 25.2), era malvado e suas atitudes certamente causavam sofrimento para Abgail. Como essa, muitas mulheres sofrem abusos de maridos maldosos, alguns deles chegam ao cúmulo de espancarem suas esposas.

2. ABGAIL, UMA MULHER DE CARÁTER
Por causa das palavras duras de Nabal contra Davi, este decidiu ir até aquele homem, a fim de responder àquela afronta. Davi conduziu seu exército, composto de quatrocentos homens, com o propósito de atacar Nabal (I Sm. 25.22). Evidentemente, não podemos apoiar a atitude de Davi, pois esse estava abusando da sua autoridade. Aqueles que estão em posição de governo não podem utilizar essa prerrogativa para perseguir as pessoas. Os gestores públicos têm a responsabilidade de buscarem o melhor para o bem-estar comum. Mas infelizmente não é isso que acontece, muitos se utilizam dos seus cargos para se locupletarem, e buscarem enriquecimento ilícito. E o pior, por causa desses excessos, os direitos fundamentais dos trabalhadores ficam comprometidos. A saúde, educação e segurança pública, por causa desses desmandos, não funcionam. Abgail representa as mulheres sensatas, que têm caráter e buscam fazer o que é certo. Diante da ameaça na qual se encontrava o seu marido, resolveu agir com prudência, e com diligência e sabedoria, se antecipou e foi até Davi. Naquele momento difícil, Abgail revelou competência para administrar conflitos. Existem cristãos que não agem da mesma forma, eles preferem incitar a discórdia e a contenda, ao invés de investir na pacificação. Não podemos esquecer que devemos cultivar a paz, enquanto virtude do fruto do Espírito (Gl. 5.22). É Deus quem julga, e o foi o que aconteceu com Nabal, por causa da sua intemperança, ficou doente e morreu (I Sm. 25.37). Muitas pessoas trazem sobre si dores por causa da ganância, como bem lembrou Paulo, “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Tm. 6.6-10).

3. ABGAIL, UMA MULHER CONCILIADORA
O exemplo de Abgail deve ser seguido pelos cristãos dos tempos atuais, considerando que fomos chamados para o ministério da reconciliação (II Co. 5.18). Os cristãos devem viver a partir do genuíno amor cristão. Para tanto, devem, se possível, buscar viver em paz com todos (Hb. 12.14). Paulo destaca, em sua Epístola aos Filipenses, o caso de duas irmãs da igreja que se desentenderam (Fp. 4.2). O Apóstolo roga para que elas vivam em paz, e que cultivem o entendimento. Os cristãos precisam aprender a conviver e a administrar suas diferenças, sobretudo nesses dias atuais. O objetivo primordial da igreja é a promoção da paz, essa deve exceder “todo o entendimento”, que, ao mesmo tempo “guardará vosso coração e a vossa mente em Cristo” (Fp. 4.7). Como o rei Saul, há crentes que insistem em alimentar contendas, e mais perseguem as pessoas, mesmo que não estejam com razão. A humildade deve ser a marca registrada de todo cristão. Ao invés de semear a discórdia, os cristãos deveriam proporcionar a paz, como se costuma dizer: ao invés de construir muros, é mais produtivo edificar pontes. Existem vários exemplos bíblicos, além do de Abgail, que nos ensinam a resolver conflitos interpessoais. Um dos mais conhecidos é o de Abraão e seu sobrinho Ló, no qual o patriarca demonstra sabedoria ao lidar com a situação, e espírito de desprendimento (Gn. 13.5-18). Como cristãos, devemos lembrar sempre que fomos salvos para viver em unidade, e para viver como um corpo (Ef. 4.16). Uma das formas de evitar conflitos, é tratando sempre os outros como se esses fossem superiores (Fp. 2.3). O exercício do perdão, uma marca do cristão, pode evitar ressentimentos, e doenças que podem destruir o corpo e a alma (Pv. 15.1).

CONCLUSÃO
Abgail, em um momento bastante tenso da sua vida, mostrou que a mulher sábia edifica a sua casa (Pv. 14.1). A fim de preservar sua casa, diante da fúria de Davi, contra seu esposo, ela preferiu se antecipar, e mostrar espírito de conciliação. O exemplo dessa mulher deve ser seguido, a fim de não nos tornamos instrumentos de contenda, essa que é, conforme Gn. 5.17, uma das obras da carne. Andemos, pois, no Espírito, com amor, paz e mansidão, demonstramos que seguimos a Cristo, o modelo maior de conciliação.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WEIRSBE, W. W. Be succefull: 1 Samuel. Colorado Springs: David C. Cook, 2010. 

RUTE, UMA MULHER DIGNA DE CONFIANÇA


Texto Áureo Rt. 1.16 – Leitura Bíblica  Rt. 1.11-18

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, daremos continuidade aos estudos sobre o caráter do cristão, desta feita, nos voltaremos para Rute, uma mulher de Deus. Inicialmente, apresentaremos algumas informações a respeito dos desafios pelos quais ela e Noemi, sua sogra, passaram. Em seguida, ressaltaremos a aliança que essas duas mulheres fizerem, com destaque para a decisão de Rute, de ficar ao lado de Noemi, mesmo diante da adversidade. E por fim, mostraremos que Rute foi uma mulher que foi agraciada por Deus, passando a fazer parte da linhagem do Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

1. RUTE, UMA MULHER DE DEUS
O nome de Rute significa “amizade”, e na verdade, foi isso que ela demonstrou ser ao longo da sua vida, especialmente em sua aliança com Noemi. Ela era uma mulher moabita, um povo que historicamente era adversário de Israel. É paradoxal que uma mulher que fazia parte dos inimigos de Israel tenha participado da história da salvação. Essa é uma demonstração da graça de Deus, não apenas para os israelitas, mas para todos os povos. A história de Rute está no contexto de uma família judaica que precisou sair de Belém a fim de fugir da seca. Elimeleque, que era o esposo de Noemi, e seus dois filhos, Malom e Quiliom, partiram para a terra de Moabe, a fim de sobreviverem a escassez. Essa família tomou uma série de decisões equivocadas, além de terem saído do seu lugar, os filhos desse casal se casaram com mulheres moabitas. Malom se casou com Rute, e Quiliom casou-se com Orfa. Tempos depois, os maridos dessas mulheres vieram a falecer, não por causa da desobediência. Pelo menos não temos fundamento bíblico para fazer esse tipo de afirmação. Fato é que por causa da morte deles, elas ficaram desamparados, considerando que o próprio Elimeleque também faleceu. Após dez anos, o povo de Israel passou a desfrutar de fartura, favorecendo o retorno de Noemi para sua terra (Rt. 1.6). A viúva de Elimeleque decidiu desobrigar as duas noras, caso elas desejassem poderiam ir para Belém, mas se preferissem poderiam ficar em Moabe (Rt. 1.7). Vale a pena ressaltar que Belém, em hebraico, significa “casa de pão”, e justamente nessa cidade nasceu o Pão da Vida (Jo. 6.30.-34).

2. RUTE, UM PACTO DE FIDELIDADE
Em Rt. 1.14, está escrito que, depois de Noemi dispensar suas noras, “levantaram a sua voz e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra; porém Rute se apegou a ela”. É bastante compreensível, da perspectiva humana, a decisão de Orfa, pois ela recorreu a lógica, por isso seguir “aos seus deuses” (Rt. 1.15). Mas Rute pôs sua confiança no Deus de Noemi, por isso declarou: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu (Rt. 1.16). Essa também é uma demonstração de identificação de Rute com a sua sogra, e de respeito pela experiência que tiverem juntas, sobretudo nos tempos difíceis. É bem provável que Noemi já estivesse com a idade avançada, carecendo de maiores cuidados de uma pessoa mais jovem. Como ela não tinha mais marido e filhos, Rute tomou a decisão acertada de ficar ao seu lado. O exemplo de Rute deve inspirar todo aqueles que convivem com pessoas idosas, que se encontram em condição de dependência. Há uma tendência de descartar as pessoas na sociedade individualista e pragmática na qual estamos vivendo. Aquelas que não mais produzem, às vezes, são tratadas como escória. Rute nos lega um modelo de sensibilidade, principalmente de empatia para com as pessoas mais necessitadas. Ela identificou-se não apenas com o sofrimento de Noemi, mas com o seu Deus: “o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt. 1.16). Precisamos de pessoas de princípios nesses dias tão difíceis, e que estejam alinhadas com a Palavra de Deus, e que se identifiquem com aqueles que sofrem. Rute estava realmente decidida, por isso afirmou: “onde quer que morreres, morreirei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt. 1.17).

3. RUTE, NA LINHAGEM DO SALVADOR
A decisão acertada de Rute fez com que ela viesse a fazer parte da genealogia do Salvador e Senhor Jesus Cristo (Mt. 1.5). Depois de chegar em Belém, Rute foi alcançada pela providência divina, que a ninguém desampara. Ela mostrou ser uma mulher proativa, e começou a trabalhar, a fim de encontrar uma alternativa. A esse respeito é importante lembrar que a providência de Deus trabalha em conjunto com a atuação humana. O trabalho deve ser visto como uma benção divina, considerando que o próprio Deus trabalhou (Jo. 5.17). Paulo foi enfático ao declarar aos tessalonicenses que aqueles que não querem trabalhar também não devem comer. E mais, que devemos trabalhar sempre para não servir de fardo para os irmãos da igreja (II Ts. 3.2). Contudo, devemos também lembrar que existem pessoas que não estão trabalhando por causa do desemprego que grassa nosso país. Por direção de Deus, Rute foi rebuscar espigas no campo de Boaz, sendo este “da geração de Elimeleque” (Rt. 2.3). Havia uma lei em Israel que possibilitava a remissão de um parente, para que a posteridade desse fosse preservada, através do casamento com alguém da família do falecido. Boaz desposou Rute, a moabita mulher de Malom, para que o falecido suscitasse descendência. O casamento entre Boaz e Rute seguiu todo o ritual legal estabelecido para que essa viesse a dar filhos ao marido. Como resultado, Rute se tornou mãe de Obede, sendo esse o pai de Jessé, que foi pai de Davi. Por conseguinte, essa mulher determinada se tornou a avó daquele que seria o rei mais amado de Israel. E muito mais importante, comporia a genealogia de Jesus, o prometido para salvar Israel, e a todos que nEle creem, dos seus pecados.

CONCLUSÃO
A vida de Rute serve de inspiração para todos aqueles que passam por situações de adversidades, e que decidem confiar em Deus, ainda que as circunstâncias não sejam favoráveis. E mais, que Deus nos surpreende com a Sua providência, de modo que pode transformar em comédia situações que sejam aparentemente trágicas. De igual modo, nós que outrora estávamos distantes dos planos de Deus, fomos agraciados em Jesus Cristo, e alcançados por Sua maravilhosa graça.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WEIRSBE, W. W. Be commited: Ruth & Esther. Colorado Springs: David C. Cook, 2008. 

JÔNATAS, UM EXEMPLO DE LEALDADE


                   
Texto Áureo I Sm. 18..3  – Leitura Bíblica  I Sm. 18.3,4; 19.1,2; 20.8-32



INTRODUÇÃO
Lealdade é uma qualidade cada vez mais escassa na sociedade individualista na qual vivemos. Por isso, na aula de hoje, estudaremos a respeito de Jônatas, o filho do primeiro rei de Israel, como um exemplo de lealdade a ser seguido. Aprenderemos que a amizade genuína e sincera deve ser cultivada, principalmente nos momentos de adversidades. Destacaremos, nesta lição, as qualidades de Jônatas, sua coragem, humildade e lealdade.

1. JÔNATAS, O FILHO DE SAUL
Jônatas foi o filho primogênito do primeiro rei de Israel, Saul. Ao invés de seguir o exemplo do pai, que começou servindo ao Senhor, mas depois se distanciou dEle, Jônatas percebeu, desde cedo, que seria preciso aprender a identificar a vontade de Deus. Seu nome, em hebraico, significa “dado por Deus” ou “presente de Deus”. Ainda jovem, começou a batalhar pelo exército de Israel, a fim de defende-lo das ameaças dos inimigos, especialmente dos filisteus. Em I Sm. 14.1-14, há um registro da bravura deve homem de Deus, que lutou, apenas com seu escudeiro, contra os filisteus em Micmás. Isso mostra que ele sabia como lutar, e o valor das habilidades na guerra, por isso ficou impressionado com a desenvoltura de Davi, o jovem pastor de rebanhos, que lutou contra o gigante Golias (I Sm. 17.1-3). Aquele gigante filisteu afrontou o exército do Deus Vivo, e nenhum entre os soldados teve coragem suficiente para enfrenta-lo. Davi, ao chegar naquele campo de batalha, percebeu a humilhação pela qual o povo de Deus estava passando, e se dispôs a lutar contra o inimigo. A armadura de Saul lhe foi oferecida, mas essa não serviu para ele, certamente porque estava preparado com as armas que Deus havia lhe dado. Ele usou apenas sua funda, e com uma pedra certeira, acertou a cabeça do gigante, que veio por terra, sendo decapitado pelo próprio Davi, como troféu. O povo de Israel ficou deslumbrado com a coragem daquele jovem, Jônatas reconheceu, por meio daquele ato heroico, que Deus tinha um plano na vida de Davi.

2. UM EXEMPLO DE LEALDADE
Desde então, Jônatas decidiu ser leal a Davi, isso mesmo, a lealdade é um ato de decisão, não apenas de sentimento. Uma pessoa leal, de acordo com a definição dicionarizada, é alguém que tem probidade, isto é, que honra com seus compromissos, que não se distancia dos seus princípios. Essa é a uma qualidade cada vez mais rara na sociedade contemporânea, as pessoas se tornam volúveis diante das ofertas que se apresentam. A amizade, em uma conjuntura na qual as pessoas apenas veem interesses pessoais, está cada vez mais difícil. Há quem tenha cinco mil amigos nas redes sociais, mas não possa contar cinco nos dedos das mãos. Existem várias passagens bíblicas no livro de Provérbios que ressaltam a importância da amizade. O autor ressalta que o amigo ama em todos os momentos, é um irmão na adversidade (Pv. 17.17). Existe casos em que há amigos que são mais achegados do que um irmão de sangue (Pv. 18. E mais, que quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos (Pv. 27.5-6). Davi e Jônatas foram verdadeiros amigos. O narrador bíblico declara a respeito dessa amizade que “sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou com à sua própria alma” (II Sm. 18.1,3,4). Como demonstração de uma aliança entre eles, Jônatas entregou a suas vestes e equipamentos de combate a Davi (I Sm. 18.3,4). Por ocasião da morte de Jônatas, na batalha com seu pai Saul, Davi declarou que o amor daquele ultrapassava o das mulheres (II Sm. 1.26). Há quem queira comprovar, através dessas passagens, que existia um relacionamento homoafetivo entre Davi e Jônatas. Mas não há qualquer comprovação exegética a esse respeito, considerando que essa era uma prática considerada pecaminosa em Israel (Lv.  18.22; 20.13). Além disso, os termos hebraicos usados em tais passagens não fazem alusão ao ato sexual, mas a um relacionamento amigável, com demonstração de lealdade.

3. A SER SEGUIDO POR NÓS HOJE
A lealdade de Jônatas a Davi é um exemplo a ser seguido, especialmente no contexto do individualismo contemporâneo. Mesmo sendo o príncipe de Israel, o provável sucessor do trono, filho do rei Saul, Jônatas demonstrou ser humilde, e soube reconhecer os desígnios de Deus para a vida de Davi (I Sm. 16.1,12,13). Existem muitas desavenças no meio evangélico, até mesmo entre os obreiros, por causa da disputa por cargos e posições. A política partidária, bem como a eclesiástica, atrapalha mais do que ajuda a igreja e a sociedade. Os políticos, em sua vasta maioria, pensam apenas neles mesmos, não estão interessados no bem-estar da população. Dentro das igrejas, há pessoas que querem apenas obter posição, a fim de tirarem algum proveito material. Pastores se digladiam nos tribunais, servindo de escândalo aos descrentes, buscando posição e benefícios financeiros. Precisamos cultivar a humildade, não se deixa levar por aquilo que Paulo denominou de “torpe ganância” (I Tm. 6.6). A lealdade não deve ser um fim para se conseguir atingir algum interesse particular. Jônatas, ao advertir Davi, a respeito dos riscos que corria, por causa das ameaças de Saul, estava cumprindo um desígnio de Deus, para o bem do povo de Israel (I Sm. 19.1-3; 20.11-17; 32.33). Precisamos aprender a cultivar a lealdade, sobretudo a Deus, a quem deveremos prestar contas no final. Nosso maior compromisso é com Ele, quem nos aprova na vida e no ministério (II Tm. 2.15). Como consequência, devemos ser leais ao próximo, buscar construir amizades duradouras, pautadas na lealdade.

CONCLUSÃO
Jônatas é um exemplo bíblico de lealdade, a ser seguido por todos aqueles que servem ao Senhor. Ele foi um amigo leal, alguém que reconheceu o propósito de Deus na vida de Davi, e por isso, se dispôs a servi-lo. Devemos ter esse mesmo sentimento, sabendo que nosso maior exemplo de lealdade continua sendo Jesus, pois Ele é o amigo que nos encontrou, perdoou os nossos pecados, e nos compreende, em todas as circunstâncias. Como diz o hino sacro: “achei um bom amigo, Jesus o Salvador, o escolhido dos milhares para mim”.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WEIRSBE, W. W. Be successful: 1 Samuel. Colorado Springs: David C. Cook, 2010. 

JACÓ, UM EXEMPLO DE UM CARÁTER RESTAURADO


                  
Texto Áureo  Rm. 9.13  – Leitura Bíblica  Gn. Gn. 25.28-34 32.24-27


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito do caráter de Jacó, veremos que esse se tornou um príncipe de Deus, ainda que antes tenha sido um suplantador. A mudança no caráter de Jacó, conforme estudaremos na lição de hoje, somente se tornou possível porque esse teve um encontro com Deus. Quando nos deparamos diante dAquele que transforma vidas, nosso caráter é transformado. Destacaremos esses três momentos na vida de Jacó: o suplantador, o lutador e o príncipe de Deus.

1. JACO, O SUPLANTADOR
Jacó, cujo nome hebraico é Yakoov, significa “Deus protege”, foi um dos principais patriarcas da história de Israel. Ele faz parte da linhagem oficial dos patriarcas, sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Ele era gêmeo com seu irmão mais velho Esaú, os dois digladiavam ainda no ventre da mãe (Gn. 25.22). Por ter nascido depois, e ter segurado no calcanhar do irmão ao sair, ficou reconhecido como “o suplantador”. A família de Isaque, como a maioria daquelas que conhecemos, era bastante problemática. Um pai que tinha favoritismo pelo filho mais velho, e uma mãe que tinha predileção pelo filho mais novo. Esaú, talvez pelo seu temperamento aguerrido, e voltado para a vida selvagem, chamava mais a atenção de Isaque. Jacó, era mais caseiro, e estava mais próximo da mãe. Apesar desses percalços, essa família se tornou uma benção na linhagem da história de Israel. Aprendemos, a partir dessa lição, que Deus pode trabalhar nas famílias, apesar das suas imperfeições. Essa era uma família na qual predominava o engano, e essa, ao que tudo indica, era uma prática comum entre eles. Rebeca, Labão, e o próprio Jacó, demonstraram estar acostumados às atitudes enganadoras. Essa é uma cultura que predomina em algumas famílias e acaba sendo naturalizada. Rebeca, a mãe de Jacó, tratou de enganar o próprio marido, a fim de que seu filho Jacó recebesse a benção, e o direito da primogenitura (Gn. 27.1-11). Esaú ficou furioso, ainda que não tenha dado o devido valor a primogenitura, e quis se vingar do Seu irmão, e perseguiu a fim de mata-lo (Gn. 27.41). O engano de um caráter maldoso traz implicações, e resultados diretos ou indiretos, que mesmo que sejam perdoados, podem carregar marcas, até ao final da vida.

2. JACÓ, O ENCONTRO COM DEUS
Por orientação da sua mãe, Jacó decidiu habitar entre os seus familiares, para não ser morto por Esaú. A vida daquele patriarca se tornou bastante complicada, ele mesmo passou a duvidar que Deus tivesse alguma aliança com ele. Mas para sua surpresa, em uma noite bastante angustiante, enquanto usava uma pedra como travesseiro, recebeu do Senhor um sonho, no qual o Deus de Abraão renova sua aliança com Jacó. Ele vê uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus, e os anjos subiam e desciam por ela. Ele concluiu que Deus estava reiterando Sua promessa, e que a aliança do Senhor estava com ele (Gn. 28.13-15). Naquele lugar, que anteriormente se chamava Luz, Jacó erigiu um altar ao Senhor, e reconheceu que aquela era a porta dos céus, portanto deveria se chamar Betel. Aquela foi uma demonstração de que Deus continuava agindo com graça e misericórdia, e não havia abandonado ao seu servo. A eleição de Jacó tanto tem um caráter individual quanto coletivo. No entanto, não podemos concluir que Deus desprezou Esaú apenas por um capricho. A eleição e a predestinação divina é um ato soberano, mas que considera o interesse humano pelo perdão. Todos receberam de Deus uma porção de fé, a fim de aceitaram ou rejeitaram a salvação de Deus. A vontade de Deus é que todos tenham pleno acesso à salvação, mas faz-se necessário que as pessoas se arrependam dos seus pecados. A igreja, assim como aconteceu com Israel, está predestinada à salvação, mas é preciso que cada um se arrependa dos seus pecados, e aceitem o sacrifício de Jesus na cruz do calvário, pela fé (Ef. 2.8,9).

3. JACÓ, O PRÍNCIPE DE DEUS
Jacó teve um encontro pessoal com Deus no vau de Jaboque, o patriarca lutou com o anjo do Senhor, e ficou marcado para sempre. Depois daquela batalha, ele passou a se chamar Israel, e não mais Jacó. Ele deixou de ser um suplantador, e ficou reconhecido como o príncipe de Deus. Podemos comparar o caráter de Jacó nessas duas circunstâncias, antes e depois de ter tido um encontro com Deus. Antes ele era um oportunista, planejou de forma fria e calculista com iria se apropriar do direito de primogenitura do seu irmão. Esaú chegou bastante cansado, certamente depois de um dia sem êxito. Ele se aproximou, e de forma interesseira, abordou: “vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn. 25.31). Esaú não deu a devida seriedade àquela condição, e talvez não acreditava que fosse perder aquele direito por um prato de lentilhas. Mas Jacó sabia o que estava fazendo, por isso foi bastante enfático: “Jura-me hoje” (Gn. 25.33). Esaú, por sua vez, não deu o devido interesse àquele direito (Hb. 12.16). Jacó perseguiu aquele direito, pois sabia que se tratava de algo valioso. Mas aquele pacto não teria qualquer efeito, se o próprio Deus não o tivesse endossado. O encontro de Jacó com Deus foi definitivo para que seu caráter fosse transformado. Ele se tornou mais agradecido, e se dispôs a adorar a Deus, dispondo-se, inclusive, a dar o dízimo de tudo (Gn. 28.20-22). Seu caráter se tornou mais resignado, ele passou a enfrentar os desafios com mais resistência, tendo sido enganado por Labão, seu sogro. Jacó trabalhou bastante, tanto pela sua esposa, quanto para manter seus filhos. Por fim, teve que reparar sua condição de desavença com seu irmão Esaú, e para isso foi preparado pelo Senhor (Gn. 32.7-12).

CONCLUSÃO
Jacó é um exemplo do que Deus pode fazer na vida de uma pessoa, que outrora tinha um caráter vergonhoso. Aquele que era oportunista, mentiroso, enganador, e que confiava apenas na sua esperteza, depois de ter sido encontrado por Deus, mudou radicalmente. Ele passou a se fundamentar na verdade, a ser mais paciente diante das adversidades, e o mais importante, a confiar em Deus em todas as circunstâncias da vida. Cada um de nós, como Jacó, precisamos ter um encontro com Deus, a fim de que nossas vidas sejam definitivamente modificadas.

BIBLIOGRAFIA
LIMA, E. R. de. O caráter do cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
WEIRSBE, W. W. Be Basic: Genesis. Colorado Springs: David C. Cook, 2010. 

ISAQUE, UM CARÁTER PACÍFICO


                           

Texto Áureo  Gn. 17.19  – Leitura Bíblica  Gn. 26.12-25


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje nos voltaremos para a narrativa bíblica a respeito de Isaque, e seu relacionamento com Deus. Inicialmente destacaremos que esse foi prometido a Abraão, quando já em idade avançada. Em seguida, atentaremos para o relacionamento do patriarca com seu filho, especialmente por ocasião do pedido de sacrifício. Ao final, ressaltaremos a benção de Deus sobre a vida de Isaque, para as orientações do Senhor a esse patriarca.

1. ISAQUE, O FILHO PROMETIDO
Abraão e Sara, como muitos outros casais ao longo da Bíblia, tiveram que lidar com a esterilidade. Ainda que o patriarca tivesse recebido a promessa que se tornaria “pai de uma multidão”, o cumprimento da palavra não se deu imediatamente. Apesar de ter passado por momentos adversos, decorrentes de atitudes precipitadas, o patriarca aprendeu a esperar em Deus. Isso porque muito antes, quando Deus chamou Abraão, prometeu fazer dele uma grande nação (Gn. 12.1,2), que daria a terra de Canaã aos seus descendentes (Gn. 17.7), e que os multiplicaria (Gn. 13.15-17). A promessa do nascimento de Isaque, por causa da esterilidade de Sara, tornou-se algo engraçado, provocando riso ao ouvirem a mensagem divina. O nome Isaque, em hebraico, significa “riso”, esse foi o sentimento experimentado por Abraão e Sara. O patriarca estava com 99 anos de idade, e sara se aproximava dos 90. A Palavra de Deus pode parecer absurda, e às vezes, ir além da racionalidade humana, mas sabemos, pela fé, que podemos confiar nas promessas de Deus (Hb. 6.12). Sabemos disso porque Deus honrou a fé de Abraão, cumprimento no tempo certo sua promessa (Hb. 11.8-11). A Palavra de Deus sempre se cumpre, mas não no tempo dos homens, por isso faz-se necessário cultivar a paciência (Tg. 1.1-8). Nesse particular Abraão precisou amadurecer espiritualmente, por causa da precipitação dele e da sua esposa, decidiram que o patriarca teria um filho com a serva. Em termos aplicativos, o nascimento de Ismael, o filho de Abraão com a escrava, representa o nascimento carnal do ser humano. O nascimento de Isaque, por sua vez, representa o nascimento espiritual do crente. Essa alegoria, umas poucas na Bíblia, é construída por Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (Gl. 4.28,29), a fim de admoestar os crentes à santificação espiritual (Gl. 5.22).

2. ISAQUE, UM FILHO A SER SACRIFICADO
Mas o filho prometido a Abraão foi pedido em sacrifício, para que Deus desse ao patriarca a oportunidade de amadurecer na fé. A prova é algo normal na vida dos crentes, e tem propósitos diversos: purificar nossa fé (I Pe. 1.6-9), aperfeiçoar nosso caráter (Tg. 1.1-4), ou proteger do pecado (II Co. 12.7-10). A prova de Abraão seria uma demonstração, para ele mesmo, da sua capacidade para confiar em Deus. O Senhor pediu ao patriarca que oferecesse seu filho em sacrifício, e esse obedeceu, crendo que Deus haveria de ressuscitá-lo (Gn. 22.5; Hb. 11.17-19). Abraão caminhou vários dias até chegar ao Monte Moriá, durante essa jornada teve a oportunidade de se aproximar de Deus. O Senhor permitiu que o patriarca cumprisse o ritual, amarrasse o filho e o preparasse para o sacrifício. Mas não que o sacrifício fosse consumado, pois Deus já havia provido um cordeiro para o holocausto (Gn. 22.14). É possível extrair algumas lições espirituais dessa relação entre o pai (Abraão) e o filho (Isaque), “ambos caminharam juntos” (Gn. 22.6), fazia-se necessário que o pai se desprendesse do filho (Gn. 22.16). Esse texto tem relação com Cristo, o filho de Deus, que foi sacrificado pelos nossos pecados. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo. 1.29), Ele levou o fardo do pecado por nós (I Pe. 2.24). No que tange à prova de Isaque, há sempre um depois (Hb. 12.11; I Pe. 5.10), pois dela resulta o amadurecimento. De igual modo, precisamos estar cientes da realidade das aflições na terra, o próprio Jesus advertiu Sua igreja a esse respeito (Jo. 16.33). O sofrimento tem um caráter pedagógico, dependendo da maneira que for abordado, poderá oportunizar amadurecimento espiritual (II Co. 4.17).

3. ISAQUE, UM FILHO PACIFICADOR
Isaque demonstrou ter aprendido com seu pai Abraão a viver em pais, principalmente em relação ao episódio da contenda entre os pastores desse patriarca e os de Ló (Gn. 13.5-18). O filho de Abraão foi um homem esforçado nos trabalhos, mas isso encodou os filisteus, que o perseguiam (Gn. 25.15,16). Quando mais era perseguido pelos invejosos, mais se dedicava a fazer aquilo que Deus havia projetado para sua vida. Às vezes, fugiu para outras localidades, direcionadas por Deus, para evitar conflitos (Gn. 26.17). Abrir poços era uma necessidade para aquele patriarca, considerando que a seca era uma realidade. Seus inimigos sabotaram os poços que ele mesmo cavou, a fim de preservar sua família e rebanho. Mas ele continuou abrindo novos poços, alargando o projeto de Deus para ele (Gn. 26.22-29). Aprendemos, com o caráter de Isaque, a desenvolver o fruto do Espírito, especialmente a virtude da pacificação. Eirene, em Gl. 5.22, é uma paz que se produz com Deus, através do Espírito Santo. Essa paz não é compreendida pelo mundo, pois as pessoas esperam o enfrentamento, principalmente diante das perdas materiais. Com Cristo aprendemos que a paz não depende das circunstâncias, antes está firmada nas promessas de Deus (Jo. 14.27). Devemos, portanto, fazer nosso trabalho, cumprir nossas obrigações, respeitar nossos empregadores, e esperar o resultado do trabalho (Ef. 6.5-8). Faz-se necessário esclarecer, no entanto, que os empregados agem em conformidade com as leis trabalhistas, e essas devem ser respeitadas tanto por empregadores quanto empregados. É nesse contexto que podemos ter a convicção de que se formos trabalhadores fieis, o Senhor, como fez com Isaque, nos dará o suficiente para viver, e com isso devemos ficar contentes (I Tm. 6.6-10).

CONCLUSÃO
A narrativa bíblica sobre a vida de Isaque é relevante não apenas para os judeus. Através desses capítulos de Gênesis, compreendemos os propósitos de Deus para a humanidade. Ele sempre cumpre suas promessas, seus planos jamais serão frustrados. E mais, sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, e que são chamados segundo o Seu desígnio (Rm. 8.28). Faz-se necessário, portanto, crer contra toda descrença (Rm. 4.18-21), e se fundamentar na Palavra de Deus (Hb. 4.12), convictos da sua fidelidade, com esperança na mensagem profética (II Pe. 1.21).

BIBLIOGRAFIA
KIDNER, D. Gênesis: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1981.
WEIRSBE, W. W. Be Basic: Genesis. Colorado Springs: David C. Cook, 2010.