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A EFICÁCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO

Textos: At. 1.8 – Mt. 5.13-16; Rm. 12.1,2
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OBJETIVO: Mostrar que não fomos chamados apenas para usufruir dos benefícios da salvação, mas também para testemunhar do Salvador a um mundo que jaz no Maligno.

INTRODUÇÃO: O mundo jaz no Maligno, por isso, resta a igreja a tarefa de testemunhar, em tal contexto, do evangelho de Cristo. No estudo desta semana atentaremos para a importância do testemunho cristão eficaz. A principio, ressaltaremos o caráter da igreja nesse particular, já que foi enviada por Jesus para tal. Em seguida, meditaremos sobre a igreja, enquanto sal da terra e luz do mundo, salgando e iluminado o mundo. Ao final, destacaremos que o amor é fundamento para o testemunho cristão eficaz.

1. TESTEMUNHAR, UMA TAREFA DA IGREJA: O verbo testemunhar, no grego, é martyreo que significa “confirmar, testificar de algo a partir da experiência”. Testemunho (martyria em grego) denota o ato de testificar ou do próprio conteúdo a partir de uma convicção (Jo. 3.11, 32; 5.31; I Jo. 5.9,10; II Jo. 12; Ap. 1.2). No Novo Testamento, o testemunho está relacionado a Deus e a Jesus (Mc. 13.9), no tocante à igreja, essa não pode se envergonhar de testemunhar de nosso Senhor (Mt. 24.14; At. 4.33; I Co. 1.6; 2.1; II Tm. 1.8). Isso porque Jesus é “o testemunho” (I Tm. 2.6), Ele é a Verdade (Jo. 14.6), o Único Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5), e em nenhum outro há salvação (At. 4.12), o próprio Pai confirma que o testemunho de Cristo é verdadeiro (Jo. 8.12-18). Assim como Jesus foi enviado do Pai para dar testemunho, Ele também envia a Sua igreja, a fim de que essa de testemunho dEle (Jo. 20.21). Mas antes que os primeiros discípulos iniciassem o testemunho a Seu respeito, fazia-se necessário que esses permanecessem em Jerusalém, até que fossem revestidos do poder do alto (Lc. 24.49). Jesus lhes prometeu que eles receberiam poder, ao descer a virtude do Espírito Santo, a fim de que fossem testemunhas, em Jerusalém, Judéia e Samaria, e até os confins da terra (At. 1.8). Essa é a tarefa de Igreja, testemunhar da morte e ressurreição de Cristo, proclamando a realidade do pecado, conclamando as pessoas ao arrependimento (Lc. 24.47), a fim de que sejam retirados das trevas para a Sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). A obra missionária é tarefa exclusiva da igreja, essa não pode ficar circunscrita às quatro paredes, mas deve obedecer ao Senhor, fazendo discípulos em todas as nações (Mt. 28.19,20), levando o evangelho a toda criatura, quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc. 16.15).

2. A IGREJA, SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO: No contexto do Sermão do Monte, ou mais especificamente, do Reino de Deus, Jesus declara aos seus discípulos: “vós sois o sal da terra” (v. 13) e mais adiante “vós sois a luz do mundo” (v. 14). Como sal da terra, a igreja tem a missão de preservá-la da corrupção, isso acontece por meio do contato, não fomos chamados para vivermos longe da sociedade, mas para estar inserido nela, sem, no entanto, se deixar contaminar pelos seus valores invertidos (Jo. 17.15-17). A igreja deve ser sal, quando isso não acontece, ela se torna insípida, sem sabor, perde sua relevância. Ainda que o mundo não saiba, somente a Igreja pode temperá-la, através da Palavra de Deus, a Verdade (Cl. 4.6). Em Mc. 9.50 fica evidenciado que é a paz entre os cristão que restaura o sabor do sal que se tornou insípido. O sal que perde o seu sabor para nada presta senão para ser lançado fora e pisado pelos homens, transformado em asfalto. Muitas igrejas estão perdendo o sabor, ao invés de influenciarem o mundo, são totalmente influenciadas por ele. Essas igrejas não conseguem mais fazer a diferença entre o sagrado e o profano. Tais igrejas se envolveram tanto em politicagem que perderam a natureza profética; fizeram tantas concessões morais que não sabem mais o que é pecado; estão tão centradas no material que perderam a esperança no futuro. A Igreja também deva ser luz do mundo, mas somente poderá fazê-lo se refletir a Luz, que é o próprio Cristo (Jo. 8.12; 9.5). A Igreja deva agir em conformidade com os padrões do Senhor, a fim de que, conforme aponta Paulo, seja irrepreensível e sincera, no meio de uma geração corrompida e perversa, e resplandecer como luzeiro no mundo (Fp. 2.15). Jesus deu testemunho de João Batista, declarando que ele era uma lâmpada que ardia e iluminava (Jo. 5.35). Do mesmo modo, cada discípulo deve ser luz, por onde quer que ande, uma luz para que as pessoas vejam, em nós, o resplendor da glória de Cristo. O discípulo não pode ficar em baixo de um balde (alqueire), que era usado para medir alimentos, mas no velador, uma espécie de suporte para sustentar a lâmpada. Com essa afirmação o Senhor destaca a importância de ocupar os lugares adequados para dar testemunho. Quando o discípulo de Cristo ocupa os lugares apropriados para dar testemunho diante dos homens, e esses vêem as suas boas obras, glorificam ao Pai que está nos céus (v. 16).

3. A EFICÁCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO: Para dar testemunho eficaz, o cristão não pode se conformar com esse mundo, antes experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm. 12.1). O inconformismo é um das características principais dos verdadeiros discípulos do Senhor. Eles não se enquadram dentro dos paradigmas estabelecidos pela sociedade anticristã. O cristão sabe que foi chamado para ser santo, pois o Senhor diz repetidamente “Sede santos porque eu sou santo” (Lv. 11.45; I Pe. 1.15-16). Essa santidade nada tem a ver com uma fuga da realidade, ou mesmo da sociedade, mas de uma transformação, que começa pela mente, pelo modo de ver o mundo (Rm. 12.2). Dentre os modelos mundanos com os quais não podemos nos conformar destacamos: 
 
1) Pluralismo – a antiga declaração de que todos os caminhos levam a Roma não se coaduna com os princípios cristãos, pois declaramos, veementemente, que somente Jesus é o Caminho para o Pai, Ele é, portanto, singular, não é apenas um grande, mas o Único (I Tm. 2.5); 
2) Materialismo – esse não apenas nega a realidade espiritual, mas o próprio Deus, pois Deus é Espírito (Jo. 4.24). Não que a matéria seja ruim, muito pelo contrário, pois o próprio Deus se fez carne, mas não podemos pautar nossas vidas no materialismo, mas na simplicidade, generosidade e contentamento (Fp. 4.11; I Tm. 6.6); 
3) Relativismo – a ética moderna tende a negar os absolutos da verdade cristã, negando até mesmo a possibilidade da verdade (Is. 5.20), mas o cristão sabe que a vontade de Deus é soberana, mas que isso, é boa, perfeita e agradável, por isso, a obedece por amor (Lc. 6.46; Jo. 14.21); 
4) Narcisismo – o homem facilmente centra-se no “eu”, um dos sinais dos últimos tempos é que as pessoas se tornariam “amantes de si mesmas” (II Tm. 3.2), em resposta ao egocentrismo moderno, o cristão ama, não apenas em palavras, mas em ação, cujo expoente é Deus (Jo. 3.16; Rm. 5.8; I Jo 3.16).

CONCLUSÃO: O amor é o maior testemunho do cristão, nenhum testemunho é eficaz, a menos que seja feito em amor. Sem amor, diz Paulo aos coríntios, nada faz sentido (I Co. 13), a matemática de Deus é diferente, pois 1 + 1 + 1 +1 – 1 é igual a 0. Alguém pode até falar línguas, profetizar, conhecer mistérios, toda a ciência, mas se não tiver amor, de nada adianta. Jesus disse que seríamos conhecidos pelos frutos (Mt. 7.16), e um dos aspectos do fruto do Espírito é o amor (Gl. 5.22), por isso, como disse certo pensador cristão: “testemunhe, se preciso for use as palavras”. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

O REINO DE DEUS ATRAVÉS DA IGREJA

Textos: Mc. 11.5 – Lc. 17.20,21; Mt. 18.1-5; Mc. 10.42-45
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OBJETIVO: Destacar a importância da Igreja do Senhor Jesus manifestar o Reino de Deus neste mundo, através da proclamação do Evangelho de Cristo.

INTRODUÇÃO: A Igreja não é o Reino de Deus, mas exerce papel preponderante neste. Por isso, no estudo desta semana, destacaremos a relevância da Igreja na manifestação do Reino de Deus neste mundo. A princípio, faremos uma análise da Igreja e sua relação com Israel e o Reino de Deus. Em seguida, apontaremos o papel representativo da Igreja no Reino de Deus. E por fim, apresentaremos alguns aspectos éticos do Reino de Deus.

1. ISRAEL, A IGREJA E O REINO DE DEUS: No meio teológico há uma confusão entre o Reino de Deus, Israel e a Igreja. Isso acontece porque a Escritura não apresenta explicitamente essa relação. Conforme estudamos anteriormente, e com base no Novo Testamento, o Reino de Deus é a obra redentora de Deus ativa na história para derrotar seus inimigos e trazer aos homens as bênçãos do reinado divino. Inicialmente o Reino foi disponibilizado a Israel. Quando Jesus enviou Seus discípulos, os orientou para que fossem antes “às ovelhas perdidas de Israel” (Mt. 10.6). Mas aqueles que ouviram a mensagem do Rei a rejeitaram, por isso, no dia do juízo haverá menor rigor para Sodoma do que para aquela geração (Mt. 11.24). Por conseguinte, o convite de Jesus foi estendido a todos, a fim de que venham até Ele, todos que os que estão cansados e sobrecarregados (Mt. 11.28,29). Os Judeus queriam um reino político, por meio do qual poderiam vencer seus inimigos, mas Jesus negou-se a ser coroado (Jo. 6.15), e ofereceu-lhes, ao invés de um reino terreno, o pão espiritual (Jo. 6.52-57). Em Mt. 16 está registrado o propósito do Senhor ao formar um novo povo de Deus, a Igreja. A mensagem do Reino de Deus pode ser confundida, não por acaso, ainda nos tempos de Jesus, já que “muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo” (Jo. 6.66), certamente porque esperavam um reino terreno imediato. Apenas alguns poucos, conforme expresso por Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt. 16.16). A igreja recebeu as chaves do Reino, por isso, “o que ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus” (Mt. 16.18,19). A parábola de Mt. 21.33-42 revela com clareza que Deus confiara sua vinha a Israel, mas que o “Reino de Deus será tirado de vocês e será dado a um povo que dê os frutos do Reino” (v. 43). Por esse motivo Pedro destacou que esse novo povo, a Igreja, é “geração eleita, sacerdócio real, nação santa” (I Pe. 2.9), isso porque, agora, “os que são da fé são filhos de Abraão” (Gl. 3.7).

2. IGREJA, REPRESENTANTE DO REINO: O Reino de Deus impera atualmente por intermédio da Igreja de Jesus Cristo, a ela compete à tarefa de pregar o evangelho do Reino no mundo, por esse motivo Felipe foi para Samaria, a fim de pregar as “boas novas do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo” (At. 8.12) e Paulo para Roma onde pregou primeiro aos judeus e, depois, aos gentios, o Reino de Deus (At. 28.23,31). Os que crêem nessa mensagem são libertos do domínio das trevas e transportados para o Reino do Filho amado de Deus (Cl. 1.13). Assim, ainda que a Igreja não seja o Reino de Deus, o Reino de Deus cria a Igreja e opera no mundo por meio dela, de modo que o Reino de Deus é proclamado pela Igreja. A igreja nada tem a ver com Israel, pois essa teve o seu início no dia de Pentecostes (At. 2; I Co. 12.13). Essa mesma Igreja que deve influenciar a sociedade através da pregação da Palavra de Deus, ela não pode se escusar da responsabilidade de transformar a história, como sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13-16). O mundo precisa que a Igreja seja igreja, mas, infelizmente, existem “igrejas” que preferem ser como o mundo. Cada cristão, nesse contexto, é chamado para representar Cristo ao mundo, tendo, assim, autoridade delegada (II Co. 5.19,20; Mt. 28.19). É importante lembrar ainda que em Gn. 1.28, no tange à Comissão Cultural, Deus chamou Adão para ser Seu representante para multiplicação e para difundir os princípios do reino de Deus sobre a terra. A Igreja precisa estender seus horizontes a fim de influenciar o mundo, para tanto, ela deve ocupar espaços na sociedade, os membros da Igreja devam ser exemplo no padrão bíblico de família, no trabalho honesto, nos princípios econômicos, na execução de leis, na produção científica, na literatura, na música, no cinema e nas artes em geral. Vários cristãos deixaram suas marcas na sociedade, esses servem de exemplo: Martin Luther King Jr. (política), Johannes Sebastian Bach (música), John Donne (literatura), C. S. Lewis (literatura), Jacques Ellul (sociologia), Francis Collins (ciência), Soren Kierkegaard (filosofia), entre muitos outros.

3. O MAIOR E O MENOR NO REINO DE DEUS: Nos reinos (ou governos) terrenos predominam a competitividade, por isso, todos querem ser o maior, ninguém quer ser o menor. O vereador almeja o senado, o prefeito a presidência da república, mesmo na instituição eclesiástica, o diácono aguarda ansiosamente pelo dia em que será consagrado a pastor. Mas no Reino de Deus não é assim, não há espaço para orgulho ou ambição (Mc. 9.33-37). Jesus percebeu imediatamente o perigo da busca pela grandeza, tendo por base o reino dos homens. Por isso, ensinou aos seus discípulos sobre humildade e simplicidade, enquanto características fundamentais dos súditos do Reino de Deus (Mt. 18.2,4). No reino dos homens vale mais quem acumula riquezas materiais, no Reino de Deus vale mais quem é mais humilde, quem se entrega à simplicidade. Por isso, quem quiser ser o maior deva ser identificado com uma criança, não pela condição moral, isto é, sua pureza, mas pelo pouco valor que se costumava dar a essas na sociedade antiga (Mt. 19.13-15). O maior no Reino de Deus é o servo de todos (Lc. 22.26,27), esse é o verdadeiro sentido da palavra “ministro”, todo súdito do Reino é um diácono, na expressão da palavra grega. O próprio Cristo é o maior exemplo de humildade, pois assumiu a condição humana para sacrificar-se pelos nossos pecados (Fp. 2.5-11). O padrão de servidão de Jesus, como modelo para o súdito do Reino de Deus, pode ser destacado a partir das seguintes características: 
 
1) Humildade – Jesus deu o maior exemplo de serventia, lavando os pés dos Seus discípulos, ordenando-lhes que fizessem o mesmo (Jo. 13.12-17); 
2) Simplicidade – Jesus orientou aos Seus discípulos para que esses não estivessem demasiadamente preocupados com cargos e posições (Mt. 20.20.27);
3) Prudência – Jesus avaliava as circunstâncias antes de agir, ele pensava antes de tomar decisões (Mt. 10.16); 
4) Diligência – Jesus não perdia tempo, Ele fazia o que devia ser feito, sabia escolher as prioridades (Jo. 4.34; 9.4); 
5) Amor – Jesus amou aos Seus discípulos incondicionalmente, permanecendo ao lado deles até o fim (Jo. 13.1; Gl. 5.13); 
6) Sacrifício – Jesus sacrificou seus interesses em prol dos outros, essa era a Sua missão (Lc. 9.51-56); 
7) Misericórdia – Jesus foi misericordioso com os pecadores, tornando-os filhos de Abraão (Lc. 19.1-10); 8) Obediência – Jesus não fazia a Sua vontade, Seu propósito era obedecer à vontade do Pai (Mt. 26.42; Lc. 2.47; Hb. 5.8); 
9) Paciência – Jesus sabia o momento certo de agir. Ele usou a expressão “não é chegada a minha hora” para demonstrar essa característica (Jo. 2.4); 
10) Dependência – Jesus dependeu do Espírito Santo para realizar grandes feitos para Deus (Lc 4.18).

CONCLUSÃO: A igreja faz parte do Reino de Deus, na verdade, esta é representante do Reino de Deus na terra. Essa revelação é um privilégio, mas, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, nos somos enviado por Ele como embaixadores (Jo. 20.21) para manifestar Seu plano e propósito visível e invisível (Mt. 13.11; Ef. 1.9; 3.9-11). Tal responsabilidade nos conclama a um padrão de justiça que exceda a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20), tendo Jesus, o Senhor do Reino, como modelo a ser seguido (I Co. 11.1). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A COMISSÃO CULTURAL E A GRANDE COMISSÃO

Textos: Mt. 28.19 – Gn. 1.26-30; Mc. 16.15-18,20
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OBJETIVO: Refletir sobre o caráter integral da evangelização, envolvendo tanto a Grande Comissão quanto a Comissão Cultural.

INTRODUÇÃO: A igreja de Jesus Cristo, por sua própria constituição, é evangelizadora. Nesse particular, não podemos adotar uma atitude “politicamente correta”, ainda que o mundo queira que “cada um fique na sua”. Em obediência à Palavra do Senhor, devemos cumprir a tarefa missionária, pregar o evangelho, difundir as doutrinas do Reino. No estudo desta semana, veremos a respeito das duas comissões com as quais a Igreja deva estar envolvida, a Grande Comissão e a Comissão Cultural.

1. AS DUAS COMISSÕES: A palavra “comissão”, de acordo com o Dicionário Aurélio, significa “encargo, incumbência, tarefa e missão”. Cabe à Igreja do Senhor a tarefa de cumprir sua comissão, com um detalhe especial para o prefixo “co” na composição do vocábulo. Não podemos desempenhar essa missão sozinhos, precisamos depender dEle, sem Ele nada podemos fazer (Jo. 15.5), por essa razão Ele orientou aos seus discípulos para que aguardassem o poder do alto (Lc. 24.49), e para que recebesse o poder do Espírito Santo a fim de testemunhar dEle em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra (At. 1.8). No sentido de tarefa ou ordenança existem várias comissões dadas à Igreja, mas, em relação à obra de evangelização, destacamos as duas principais: a Grande Comissão e a Comissão Cultural. A primeira diz respeito à tarefa de levar a mensagem de salvação para todo o mundo, cumprindo a ordenança missionária. A segunda alude à tarefa dada por Deus ao homem a fim de difundir os valores do Reino na cultura, de modo a refletir o projeto original de Deus, em todos, na família, na ciência, nas artes, na política, na economia etc. Atentemos, a princípio, para o conceito de cultura a partir de uma abordagem antropológica, distinta daquele que as pessoas utilizam no cotidiano, quanto afirmam que alguém tem ou não tem cultura. A cultura é um padrão nos comportamentos humanos e as práticas dele decorrentes, refletidos nos modos de pensar e viver de uma sociedade. A cultura, nesse contexto, é uma produção humana, são os valores que a comunidade atribui às suas crenças, e as vivências a partir delas. Por isso, alguns estudiosos costumam associar a cultura à ideologia, isto é, ao modo de ver a realidade. O cristão, por sua vez, se posiciona diante dessa realidade a partir de um prisma diferenciado, já que tem a mente de Cristo (I Co. 2.16), por conseguinte, leva todo entendimento cativo à obediência a Cristo (II Co. 10.5).

2. A GRANDE COMISSÃO: A igreja de Jesus não pode ficar circunscrita às quatro paredes, ela precisa ir adiante, levar a mensagem do evangelho de Cristo. A análise dos textos finais dos evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João, e do início de Atos, revela a teologia bíblica da Grande Comissão. Tais textos não se encontram em oposição, antes se complementam, a partir deles a Igreja aprende a obedecer ao imperativo missionário. Em Mt. 28.19, diz Jesus, “indo”, na verdade o ide, poreoumai em grego não está no imperativo, mas no particípio. O Senhor sabia que a Igreja iria, já que essa é a condição de ser Igreja, ela não pode ficar estagnada, acomodada em um mesmo lugar. O imperativo está no “fazei discípulos”, que está atrelado à instrução de Cristo, haja vista que compete à Igreja ensinar aos discípulos a “guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”. Nos dias atuais, em que a preocupação de muitas igrejas é tão somente aumentar o número de membros, a orientação de Jesus é para façamos discípulos, que neguem a si mesmos, tomem a sua cruz e sigam após Ele (Mt. 16.24). De acordo com o registro de Marcos, o alcance da Igreja, ao fazer missões, deva ser “toda criatura” (Mc. 16.15), ou melhor, a qualquer pessoa, em qualquer lugar, não existem fronteiras demarcadas, onde estiver um pecador, ali estará um necessitado da graça de Deus, lá deva chegar a boa nova da Palavra de Deus, certos de que “quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc. 16.16). Lucas, em sua narrativa, ressalta o conteúdo a ser propagado, “o arrependimento e a remissão dos pecados” (Lc 24.47). Essas verdades não podem ser abolidas, nem mesmo minimizadas, o pecado é uma realidade constatável no cotidiano, e, por causa dele, o ser humano se encontra alienando de Deus (Rm. 3.23), por outro lado, o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo (Rm. 6.23), o arrependimento dos pecados é uma condição necessária (Mt. 3.2; At. 2.38). O exemplo a ser seguido, na execução da Grande Comissão, é o do próprio Cristo, que tinha convicção do Seu chamado, a certeza de estar no centro da vontade do Pai, e que havia sido por Ele enviado (Jo. 20.21), para essa tarefa, que, pela sua natureza espiritual, deva ser desenvolvida pelo poder do Espírito Santo (At. 1.8) que resultará em autoridade para fazer proezas para o Reino de Deus.

3. A COMISSÃO CULTURAL: A Grande Comissão e a Comissão Cultural estão interligadas, já que Cristo nos enviou para “fazer discípulos” (Mt. 28.19). Na medida em que fazemos discípulos para Cristo, levamos adiante Seus ensinamentos, difundimos valores que provêem de Deus. No princípio, conforme registrado no livro do Gênesis, o projeto inicial de Deus era estabelecer o Seu governo sobre os homens. No capítulo 3, versículo 28, diz o Senhor a Adão: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. Essa é uma comissão cultural, Deus chamou a humanidade para a mordomia da terra, talvez os termos traduzidos para o português não reflitam a especificidade dessa ordenança. Para “sujeitar” e “dominar” a terra, o ser humano não precisa destruí-la, como tem acontecido ao longo desses últimos anos. A relação da humanidade com a terra precisa ser responsável, a natureza geme, e sofre, desde a Queda (Gn. 3), ela passa por dores de parto até agora (Rm. 8.22), essa talvez seja uma das razões de tantas catástrofes mundiais que testemunhamos atualmente. Como súditos do Reino de Deus, fazemos parte do processo de redenção da natureza, por isso, devemos atentar para o cuidado com o meio-ambiente. Essa é apenas uma das dimensões da Comissão Cultural, em Gn. 1.28, o pronome “todo” ressalta uma dimensão mais ampla. Como cidadãos do Reino do Senhor Jesus, devemos atuar nas diversas esferas da sociedade, sejam elas, educacionais, artísticas, médicas, jurídicas, políticas, sociais e econômicas, ensinado a obedecer todas as coisas que Cristo ordenou (Mt. 28.19). Essa comissão dessa tarefa não será bem sucedida a menos que os imbuídos de tal responsabilidade conheçam a mensagem do Reino. Caso contrário, a Igreja poderá assumir padrões culturais que nadam têm de cristão, que, muitas vezes, são normas mundanas travestidas de supostos fundamentos bíblicos. O ponto de partida para a obediência da Comissão Cultural é a desconstrução de um paradigma vigente no contexto cristão, a diferenciação equivocada e antibíblica entre o “sagrado” e o “secular”. A Palavra de Deus nos orienta a fazer distinção entre o “sagrado” e o “profano”, não entre o “sagrado” e o “secular”, pois todas as coisas, quer sejam feitas na igreja, em casa, na escola, no trabalho, ou em qualquer lugar, em obediência à Palavra, são sagradas e glorificam a Deus (I Co. 10.31).

CONCLUSÃO: A sociedade mundana vai de mal a pior, distante dos valores do Reino de Deus. Como súditos do Senhor, devemos levar adiante a Sua mensagem. Não podemos deixar de atentar para a evangelização, o cumprimento da ordenança de “fazer discípulos”. Mas não podemos restringir a mensagem apenas a Grande Comissão, essa precisa ser ampliada na dimensão da Comissão Cultural, propagando valores que percebam o ser humano em sua integralidade, “corpo, alma e espírito” (I Ts. 5.23). Em um contexto relativista, a Igreja deva ser a coluna e a firmeza da Verdade (I Tm. 3.15) em todas as esferas da sociedade, considerando a Soberania de Cristo, já que “nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl. 1.26). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A VIDA DO NOVO CONVERTIDO

Textos: II Co. 5.17 – II Co. 5.17; Tt. 2.11-13; 3.3-8
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OBJETIVO: Refletir sobre a vida do novo convertido, enquanto nova criatura, que, a partir do novo nascimento, passa a viver em plena comunhão com Deus, reconhecendo o Senhorio de Cristo.

INTRODUÇÃO: O novo nascimento, ou o nascimento de cima, conforme expresso por Jesus a Nicodemos em Jo. 3.3, é condição para ver o Reino de Deus. O cristão recém-nascido na igreja é comumente denominado de novo convertido. No estudo desta semana veremos a respeito desse primeiro passo na caminhada cristã. A princípio, atentaremos para a posição de nova criatura em Cristo, em seguida, para a vida dessa nova criatura, e, ao final, para a condição do novo convertido.

1. NOVO CONVERTIDO, NOVA CRIATURA: A doutrina do novo nascimento, ou o nascimento de cima, se tornou amplamente impopular nas igrejas cristã, especialmente entre o movimento pseudopentecostal (comumente chamado de neopentecostal). Essa, no entanto, é uma revelação bíblica, expressa pelo Senhor Jesus, quando condicionou a entrada no Reino de Deus ao novo nascimento. Em II Co. 5.17 Paulo reforça esse ensinamento ao dizer que, “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. A nova criatura, kaine ktisis em grego, é uma realidade que não está restrita aos primeiros dias de fé, mas ao fato de o ser humano, em Cristo, ter assumido uma nova posição. O versículo 17 está em conexão com o 16, por esse motivo, há um elemento de relação gramatical: “assim que”. Para Paulo, o fato de Jesus ter morrido e ressuscitado ensejou a construção de outra dimensão, isto é, a vivemos sempre de bom ânimo (II Co. 5.6), não mais pelo que vemos, mas pela fé (II Co. 5.7), na expectativa do tribunal de Cristo, quando as obras dos crentes serão julgadas (II Co. 5.10); constrangidos pelo amor de Cristo (II Co. 5.14), por isso, “as coisas velhas já passaram”. É nesse contexto que, diz Paulo aos Gálatas, “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl. 6.15) e os que andam assim, “paz e misericórdia” (Gl. 6.16). Isso porque fomos criados em Cristo Jesus (Ef. 2.10), para tanto, revestidos do novo homem, a fim de sermos segundo a imagem daquele que o criou (Cl. 3.10).

2. A VIDA DA NOVA CRIATURA: O motivo para essa nova realidade é que a graça de Deus, isto é, Seu favor imerecido, se manifestou em Cristo, a fim de trazer salvação à humanidade (Tt. 2.11). Paulo diz, em Cl. 1.26-28: “O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo”. Porque Cristo se manifestou, em graça, a bendita esperança da nova criatura é a revelação gloriosa do “grande Deus e nosso Senhor” (Tt. 2.13). Enquanto essa não acontece, devamos permanecer nos ensinamentos do Mestre, sendo educado, nos cultos de instrução, nos estudos bíblicos, na Escola Bíblica Dominical, a fim de que vivamos, “renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas”, a presença do aoristo grego, nessa declaração, intensifica o caráter dessa decisão, que deva ser definitiva, sem fazer concessão ao pecado, negando peremptoriamente em palavras e obras a impiedade, asebeia em grego que pode também significar a irreverência em relação às coisas de Deus e as concupiscências mundanas, tas kosmikas epithumias em grego, os desejos desenfreados que governam as vidas daqueles que estão distanciados de Deus. Neste presente século, vivamos não mais para nós mesmos, para Aquele que por nós morreu e ressuscitou (II Co. 5. 15), do seguinte modo: sobriamente (sophronos) – com a mente sã, moderada, discretamente; justamente (dikaios) – honestamente, retamente; e piamente (eusebos) – em disciplina espiritual. A esse respeito diz o Apóstolo aos Romanos, aplicável a todos os crentes atuais, sejam novos ou velhos convertidos: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12.1,2).

3. A CONDIÇÃO DA NOVA CRIATURA: Anteriormente éramos “insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros” (Tt. 3.3). Felizmente apareceu um “mas” em nossas vidas, uma conjunção adversativa, um “porém”, isso aconteceu “quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens”. A manifestação de Cristo traz uma implicação ético-existencial para a nova criatura, essa não pode mais continuar vivendo como antigamente, cometendo os mesmos pecados de outrora. Não fomos salvos pelas obras próprias, pois a salvação é pela graça, por meio da fé (Ef. 2.8,9), no entanto, depois de salvos, devemos praticar boas obras, as quais Deus mesmo preparou para que andássemos nelas (Ef. 2.8,10), a maioria dos cristãos lembram bem dos versículos 8 e 9 do capítulo 2 da Epístola de Paulo aos Efésios, mas esquecem do importante versículo 10. As obras não conduzem à salvação, mas devam acompanhar a salvação, elas manifestam, perante a sociedade, que de fato somos nascidos de Deus (I Jo. 5.1,4,18). Afinal, conforme expressou Tiago, a fé sem as obras é morta (Tg. 2.14-26), é por meio delas que as pessoas que nos cercam podem ver que pertencemos a Deus. Essa não é uma palavra de homens, mas de Deus, portanto, “fiel e digna de aceitação” (I Tm. 4.9), portanto, devemos dizer “amém”, a Palavra de Deus é inspirada pelo Espírito, é a partir dela que a nova criatura pauta a sua vida, ela é “proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (II Tm. 3.16,17).

CONCLUSÃO: Aplicar-se às boas obras deva ser a meta principal de todo cristão, novo ou antigo convertido, o motivo, diz o Apóstolo, é que estas coisas são “boas e proveitosas” (Tt. 3.8), os temos gregos são kalos, que quer dizer excelentes, nobres e ophelimos, lucrativas. Nesse tempo em que as pessoas somente pensam no ter, o desafio do cristão é o ser, buscar a vontade de Deus, vivendo a partir dos princípios do Reino de Deus, distintos dos valores dessa era presente. Os que são novas criaturas em Cristo, portanto, vivem a partir de uma nova realidade, as coisas velhas se passaram tudo se fez novo. A partir de então, seu olhar sobre o mundo e suas atitudes em relação à vida devem estar em conformidade com aqueles que são súditos do Reino de Deus. PENSE NISSO!
 
Deus é Fiel e Justo!

A MENSAGEM DO REINO DE DEUS

Textos: Mc. 1.15 – Mc. 1.14,15; Mt. 5.3-12; Rm. 14.17
 e-mail:irmaoteinho@irmaoteinho.com
Twitter: cdkm

OBJETIVO: Mostrar que o comportamento do cristão dever ser pautado pela mensagem do Reino de Deus.

INTRODUÇÃO: O Reino de Deus se revela em Cristo, uma Pessoa, o próprio Rei. Mas para ser súdito desse Reino é preciso conhecer e obedecer a Sua mensagem. Por isso, no estudo desta semana, veremos a respeito dos ensinamentos essenciais àqueles que fazem parte do Reino de Deus. A princípio, destacaremos que esse é um Reino espiritual, em seguida, abordaremos a mensagem desse Reino, e por fim, o significado espiritual desse Reino para os cristãos de todos os tempos.

1. O REINO DE DEUS É ESPIRITUAL: Ao longo da história, a igreja confundiu-se sempre que acreditou que o Reino de Deus era material. No Século IV, por ocasião da constantinização do cristianismo, e por conseguinte, do romanismo, alguns cristãos se empolgaram com a implantação da religião cristã através do Império. O resultado consta nos anais da história e entristecem a todos aqueles que amam a verdade do Evangelho de Cristo. A igreja que deveria influenciar o mundo, como sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13-16), deixou-se conduzir pelos benefícios estatais, e, por fim, redeu-se totalmente às barganhas do poder temporal. Jesus sabia muito bem que a relação igreja-estado precisa ser bem demarcada. A igreja precisa influenciar o Estado, mas não pode confundir-se com ele. O Estado sempre terá interesse de ter domínio sobre a Igreja, a fim de diminuir sua força profética. Por esse motivo o Senhor declarou para Pilatos: “O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui” (Jo. 18.36). Os valores do Reino de Cristo não se afinam com aqueles apresentados pela política secular. Os políticos agem por meio da barganha, ao invés de se comprometerem com o próximo (Lc. 9.57-62). Os políticos não amam pessoas, vêem apenas potenciais eleitores, tudo fazem na expectativa do retorno, de receberem um voto em troca, não há graça, pois não existe favor imerecido, não há possibilidade para o perdão (Mt. 18.26,27). Os políticos tudo fazem para aparecer, dependem da projeção pessoal (Mt. 20.20-28), da visibilidade que dão ao que produzem, caso contrário, não conseguirão votos, por isso, não são humildes, uma das características dos cidadãos do Reino de Cristo (Mt. 18.4). O Reino de Deus é um governo espiritual, nada tem a ver com os governos humanos. Mesmo assim, devemos contribuir com a sociedade na qual estamos inseridos, e orar pelos representantes democraticamente eleitos (I Tm. 2.1,2), e quando for o caso, nos opormos quando ferirem aos princípios do Reino (At. 5.29), não apenas no tocante à agenda moral, mas também à social, esta geralmente esquecida pelos cristãos.

2. A MENSAGEM DO REINO DE DEUS: Não podemos apartar o Reino da mensagem do Rei Jesus, a Pessoa de Cristo é fundamental à constituição do Reino, mas não podemos desprezar Seus ensinamentos, caso contrário, reduziremos a fé cristã a puro subjetivismo e experiencialismo religioso. Os princípios do Reino de Deus estão registrados nas páginas dos evangelhos, especialmente no Sermão do Monte, nos capítulos 5 a 7 do Evangelho segundo Mateus. No capítulo 5, versículos 3 a 12 o Senhor Jesus destaca algumas características dos súditos do Reino: 
 
1) Pobreza de espírito – a riqueza é um empecilho para entrar no Reino de Deus (Mt. 19.16,17), mas existem aqueles que são ricos, mesmo sendo pobres, isto é, estão imbuídos do espírito de grandeza, não têm humildade para reconhecerem a necessidade de Cristo; 
2) Choro pela condição – para entrar no Reino, é preciso reconhecer a condição espiritual na qual se encontra nascer de novo (Jo 3.3), chorar diante de Deus, arrepender-se dos pecados, receber o consolo através do perdão; 
3) Mansidão – esse é um dos aspectos do fruto do Espírito (Gl. 5.22), diz respeito à disposição espiritual para reder-se a Deus, não buscar represálias pela força humana, estar disposto a perdoar aqueles que causam dano, Jesus é o grande exemplo, Ele disse ser manso e humilde de coração (Mt. 11.29); 
4) Famintos e sedentos de justiça – no mundo campeia a injustiça, as pessoas agem em conformidade com seus interesses egoístas. O pobre é menosprezado, suas necessidades são desconsideradas, os súditos do Reino de Deus não podem compactuar com tais atitudes, deve clamar por justiça (Tg. 5.4), mas não podem esquecer que também são pecadores, carentes da justificação de Deus em Cristo, para salvação dos pecados (Rm. 3.24-26); 
5) Misericordioso – disposição para não levar em conta a ofensa do outro, deixando de tratá-lo como merece (Cl. 3.13; Ef. 4.32), antes demonstrando misericórdia, lembrando que devemos perdoar, pois também fomos perdoados (Lc. 6.37; Tg. 5.9); 
6) Pureza de coração – a justificação através do sacrifício vicário de Cristo é a base para a pureza de coração, ninguém pode ser santo, a menos que tenha sido justificado (Hb. 9.14; I Jô. 1.6,7), mas isso não deva isentar o súdito do Reino da busca pela santificação (Gl. 5.16; Hb. 12.14); 
7) Pacificadores – os súditos do Reino não promovem a guerra, nem mesmo as chamadas guerras “justas”, agem sempre com vistas à pacificação, pois nosso Deus é de Paz (Hb. 13.20) que em Cristo nos reconciliou com Ele mesmo (II Co. 5.19,20) e nos dá a Sua paz, que o mundo desconhece (Jo. 14.27), e que é aspecto do fruto do Espírito (Gl.s 5.22); 8) perseguidos – os súditos do Reino não temem a perseguição, pois sabem que essa é uma consequência do discipulado (Jo. 7.7; 15.19; II Tm. 3.12), mas não devem desanimar (I Pe. 3.14), antes alegrarem-se, certos do galardão nos céus (Mt. 5.12).

3. O SIGNIFICADO DO REINO DE DEUS: Vemos, desde o estudo passada, várias definições de Reino, mas cabe ainda perguntar: O que é o Reino de Deus, e mais importante ainda: qual o significado do Reino de Deus? Paulo responde em Rm. 14.17: “Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”. Esse versículo precisa ser compreendido no contexto da passagem, na qual o Apóstolo trata sobre a liberdade cristã diante das censuras entre os crentes do primeiro século, sobre o que poderiam ou deveriam deixar de comer. Ele destaca, como em I Co. 8.8, que o que comemos ou deixamos de comer não nos caracteriza como partícipes e súditos do Reino de Deus. Na verdade, algumas práticas religiosas e legalistas existentes em algumas igrejas, apenas servem para desvirtuar o verdadeiro significado da fé cristã (Hb. 9.10; 13.9), em alguns casos, servem apenas para a ostentação humana, pura carnalidade (Cl. 2.21-23). O significado do Reino de Deus é: 
 
1) Justiça – o pecador recebe a justificação em Cristo quando se arrepende dos seus pecados (Rm. 3.21-25; 5.1; 8.33,34). É o Espírito Santo, por meio da Palavra, que convence o homem e a mulher do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.8). A justiça dos homens é falha, muitos veredictos são dados contra os mais pobres e necessitados, para beneficiarem os poderosos; 
2) Paz – em virtude da justiça de Deus, podemos ter a paz que excede a todo e qualquer entendimento (Fp. 4.7), antes estávamos distanciados de Deus, por causa dos pecados, mas Ele, pela Sua graça, nos atraiu para Si (Rm. 5.1-3), resultante dessa paz, podemos, agora, ter paz uns com os outros (Rm. 12.18; Hb. 12.14) e com nós mesmos (Cl. 3.15);
3) Alegria – o fundamento da alegria, tal como o da paz, é o Espírito Santo, produzindo o Seu fruto em nós (Gl. 5.22), tal fruto é cultiva a partir do relacionamento com o Pai (II Pe. 3.1; 4.4,10). Mesmo em meio às provações, na Prisão em Roma, Paulo escreveu uma Epístola aos Filipenses, comumente denominada de Carta da Alegria, apesar de tudo, Ele se regozijava no Senhor (Fp. 4.4).

CONCLUSÃO: Os súditos do Reino de Deus precisam estar atentos à mensagem do Reino, cuidando para que essa não se transforme em meras exterioridades. O Reino de Deus não é uma religiosidade fundamentada na aparência, não é constituída pelo poder mundano. O Reino de Deus é Espiritual, portanto, deve ser assumido como tal. Todos aqueles que são cidadãos do Reino de Deus passaram pela experiência do novo nascimento e vivem como filhos de Deus, em justiça, paz e alegria, sendo, por esse motivo, bem-aventurados, isto é, mais do que felizes, mesmo em meio às perseguições. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!