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* A IGREJA DE JESUS CRISTO É VITORIOSA

Texto: I Co. 15.57 – Rm. 8.18-37; Jo. 14.1; I Ts. 4.13-17

Objetivo: Mostrar que a igreja de Cristo triunfa e sempre triunfará em todos os campos de batalha, vencendo a todos os desafios.

INTRODUÇÃO: O que será da igreja nesses tempos trabalhosos? O que lhe reserva o futuro? Essas foram algumas das muitas perguntas que tentamos responder ao longo deste trimestre. Em mais uma série de estudos, nos deteremos, prioritariamente, nas aflições do tempo presente, da relação do crente com Cristo, e da certeza de sua vitória tanto nos dias atuais quanto no futuro.

1. AS AFLIÇÕES DO TEMPO PRESENTE: A palavra sofrimento, no versículo 18, de Rm. 8, é pathema e diz respeito aos infortúnios que se pode padecer por amor a Cristo. A perseguição, no tempo presente, faz parte do discipulado cristão (Mt. 16.24). Aqueles que são perseguidos por amor a Cristo devem se regozijar por serem vituperados com Ele (Mt. 5.11,12; At. 20.24; I Pe. 1.6,7). Pois, como bem nos lembra Paulo, todos aqueles que piedosamente seguem a Cristo padecerão perseguições (II Tm. 3.12). Há, porém, uma comparação nesse versículo. É dito que as aflições do tempo presente não se comparam à glória a ser revelada em nós (ver. Cl. 3.4; II Ts. 1.7-12; 2.14; I Pe. 1.13; 4.14; I Jo. 3.2). O futuro que está reservado, à igreja de Jesus Cristo, conforme vemos nos textos apontados, face às aflições do tempo presente, é o arrebatamento, no qual, se dará à glorificação (I Co. 15.21-58).

2. NADA NOS SEPARÁ DO AMOR DE CRISTO: É nessa bendita esperança que podemos descansar, convictos de que nada nos separará do amor de Cristo (Rm. 8.35). As tribulações, angústias, perseguições, fome, nudez, perigo ou espada. As circunstâncias do tempo presente nada podem contra aqueles que estão guardados em Cristo Jesus (Jr. 31.3; Jo. 10.28; 13.1; II Ts. 2.13-16). O amor de Cristo nos é revelado em seu sacrifício vicário na cruz pelos pecados (Jo. 3.16). Ele é, na verdade, a prova cabível do grande amor de Deus para conosco, sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). Isso não quer dizer que formos predestinados, individualmente, para a salvação. Cada um de nós precisa receber a Cristo como salvador pessoal (Jo. 1.12). E não apenas isso, precisamos, também, permanecer nEle (Jo. 15.2-8) para dar muitos frutos. A menos que mantenhamos a comunhão constante, com Cristo e com os irmãos, redundaremos na apostasia (I Tm. 4.1; Hb. 6.1-6). Feita essa ressalva, é importante destacar que, o objetivo da mensagem de vitória, é o conforte e a esperança, não a angústia e o medo de perder a salvação (I Ts. 4.13, 18).

3. MAIS DO QUE VENCEDORES: Vencedores, no vs. 37, em grego, é hupernikao, e diz respeito “a uma vitória inigualável”. Que, no contexto da passagem, está associada à vitória sobre as perseguições e às aflições do tempo presente. Essa vitória não vem de nós mesmos, dos méritos pessoais, mas por meio dAquele que nos amou e venceu por nós (Gl. 2.20; Ef. 5.26,27; II Ts. 2.16; I Jo. 4.10,19; Jd. 24; Ap. 1.5). É uma pena que esse versículo, como muitos outros vistos isoladamente do seu contexto, seja tão mal interpretado. O texto, dentro do seu contexto, nos ensina que, independentemente do que venha a acontecer, mesmo perante as aflições e perseguições, nada deveremos temer, pois, em Cristo, somos mais do que vencedores. E, essa vitória, se realiza, no tempo presente, na batalha do crente contra a natureza pecaminosa, pelo Espírito (Rm. 8.1-5), da vivificação dos corpos mortais por ocasião do arrebatamento (Rm. 8.11), à semelhança da ressurreição de Cristo, da filiação divina, por adoção, em Cristo, (Rm. 8.15,16), na intercessão do Espírito, na oração (Rm. 8.26) e na certeza de que Deus está no controle de nossas vidas (Rm. 8.28). Em tudo isso, somos mais do que vencedores em Cristo Jesus. Aleluia!

CONCLUSÃO: Os tempos atuais, conforme estudamos ao longo deste trimestre, são bastante trabalhosos. As perseguições são as mais diversas, tanto dentro quanto fora do arraial evangélico. Contudo, nada temos a temer, pois temos a promessa de Cristo que, se vivermos como sal e luz (Mt. 5.13,14), as portas do inferno não prevalecerão contra Sua igreja (Mt. 16.18). Diante disso, podemos nos confortar na certeza de que um futuro glorioso nos aguarda (Jo. 14.1,2; I Ts. 4.13-17). PENSE NISSO!

* A FALTA DE AMOR

Textos: Mt. 24.12 – Mt. 22.34-40; 24.10,12.

Objetivo: Mostrar que é impossível o cristianismo subsistir sem amor, simplesmente, porque Deus é amor (I Jo. 4.8).

INTRODUÇÃO: O que é o amor? Muitos poetas já apresentaram definições bastante primorosas. Camões disse que “o amor é contentamento descontente, é dor que desatina sem doer”. Na linguagem do cotidiano confunde-se amor com paixão desatinada, ou mesmo com sexo, quando se diz que se vai “fazer amor”. Mas qual o real significado do amor para o cristão? Por que não é tão fácil encontra-lo atualmente?

1. DEFINIÇÕES DE AMOR: A palavra “amor”, refere-se ao relacionamento marital entre um homem e uma mulher (Gn. 24.67). Essa mesma palavra, como se depreende do próprio texto anterior, e de I Rs. 11.1; pode ter conotações sexuais. Mas essa mesma palavra é usada para mostrar o amor entre pais e filhos (Gn. 22.2; 25.28) ou entre amigos (I Sm. 16.21; 18.1,3). Pode ser usada, inclusive, para “gostar” de objetos, tais como Jerusalém (Gn. 27.4,9,14), uma vida longa (Sl. 34.12). É de maior interesse saber que essa palavra é apresentada, no AT, tanto para o amor de Deus pelo homem quanto do homem para Deus (Dt. 5.10; 6.5; 7.9; 10.12; Js. 22.5; 23.11). No grego do Novo Testamento, o significado para “amor” é desmembrado em vários vocábulos. O mais específico é ágape, que, em Jo. 3.16, revela o grandioso amor de Deus pelos homens, e, em I Jo. 3.16, o amor entre os cristãos. Esse é um amor sacrificial, desinteressado, que não busca obter vantagem própria (I Co. 13). Outro verbo é fileo, cujo sentido reflete o sentimento de amizade (Jo. 5.20; Mt. 10.37; Jo. 11.3; Tt. 3.15). Uma outra palavra para “amor”, no grego, que não se encontra no Novo Testamento (apenas na versão grega do AT, a septuaginta), é eros. Os estudiosos costumam dar uma conotação negativa a esse tipo de amor, por associa-lo ao sexo. Contudo, numa perspectiva bíblica, o “eros”, dentro do casamento, é um componente do amor (Hb. 13.4).

2. A FALTA DE AMOR: Nos dias atuais vemos uma ausência de amor, e, Jesus, mostrou que esse seria um sinal dos últimos dias que antecediam a tribulação (Mt. 24.12). Por extensão, entendemos, pelo texto, que um dos principais motivos para falta de amor, tanto dentro quanto fora da igreja, é a multiplicação da iniqüidade. Quanto mais o homem se volta para ele mesmo, dando lugar ao egoísmo, menos chance haverá para o amor. É válido destacar que em Gl. 5.19-22 o amor, como fruto do Espírito, é posto em oposição contra as obras da carne. Assim, é possível afirmar que a ausência do amor é resultado de uma vida distanciada do Espírito. Aqueles que andam na carne, seguindo os princípios da iniqüidade, colherão os frutos que plantarem. É por isso que temos testemunhado uma ausência gritante do genuíno amor, inclusive entre os cristãos. Superabunda o pecado: Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, onde deveriam superabundar amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Todos esses aspectos do fruto do Espírito estão encapsulados pelo amor, a maior, senão a virtude do cristianismo, as demais apenas o acompanham (Jo. 15.10-13; Rm. 12.10; 13.8-10; Gl. 5.13; Ef. 3.17,19; 4.2; 5.2; Fp. 2.7; Cl. 3.14; I Ts. 4.9; II Ts. 3.5; II Tm. 2.2).

3. EM BUSCA DO AMOR INTEGRAL: O amor cristão precisa é sustentado por um tripé: Deus – próximo – a si mesmo. Não se pode privilegiar um detrimento do outro, sob pena deturpação. Aqueles que dizem amar somente a Deus tendem ao fanatismo. Os que dizem amar apenas ao próximo tendem a filantropismo antibíblico. E os que amam apenas a si mesmos tendem ao egoísmo. Por isso, aprendamos, com o Senhor Jesus, o modelo perfeito do amor integral, a amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos. 1) a Deus (Dt. 6.5; Sl. 103.1; Mt. 22.37; Mc. 12.30; Lc. 10.27) – devemos amá-LO com todas as nossas faculdades, inclusive com a mente, isso quer dizer que amar a Deus é também meditar, refletir, pensar, com base na revelação que Ele nos proporcionou. Não podemos esquecer que se podemos amá-lo, hoje, é porque Ele nos amou primeiro (Jo. 3.16; I Jo. 4.9); 2) ao próximo (Lv. 19.18; Mt. 19.19), considerando que este, tanto pode ser um de fora, como o samaritano da parábola (Lc. 10.29-37) quando um doméstico da fé (Rm. 15.2; Gl. 6.10). É válido sempre lembrar a advertência de João como critério para avaliar quem ama verdadeiramente a Deus e ao próximo (I Jo. 4.20); e 3) a si mesmo – não é pecado ter amor próprio, é desejo de Deus que zelemos pela nossa integridade física, psíquica e espiritual (Ef. 5.29; III Jo. v. 2). No entanto, é preciso ser cuidadoso para que o amor próprio não se transforme em egoísmo, o que resultará em carnalidade (Rm. 7.5,18; 8.7-13; Gl. 3.3; 5.13-17,24).

CONCLUSÃO: O amor é característica fundamental do cristão, é justamente por ele que somos conhecidos (Mt. 7.16-20). Mas para que este se concretize, é preciso que haja sacrifício, afinal, Deus provou seu amor quando entregou Seu Filho pelos nossos pecados (Rm. 5.8; Jo. 3.16). Não devemos, porém, pensar que o amor se reduz à caridade, pois, como bem nos alerta Paulo, ainda que entreguemos tudo que tenhamos, e doemos aos pobres, se não tivermos amor, de nada vale (I Co. 13). Quem ama não apenas doa o que têm, doa, sobretudo, a si mesmo. PENSE NISSO!

* MORNIDÃO ESPIRITUAL

Texto: Ap. 3.14-20

Objetivo: Mostrar que a mornidão espiritual leva o cristão à soberba, à iniqüidade e à apostasia.

INTRODUÇÃO: Estudaremos a respeito da mornidão espiritual, tendo, como base, a carta do Senhor à igreja de Laodicéia, suas causas e conseqüências, e, ao mesmo tempo, extraindo princípios para que não sejamos levados ao mesmo equívoco.

1. A IGREJA DE LAODICÉIA: A cidade de Laodicéia estava localizada ao sudoeste da Frigia, na Ásia Menor, não muito distante de Colosso. Conta-se que foi destruída por um terremoto em 62 a. C., e, que, mesmo assim, foi reconstruída com facilidade, em virtude da riqueza exuberante dos seus cidadãos. De acordo com os historiadores, naquela cidade, já se encontrava, naqueles tempos, um tipo de colírio para os olhos, tecidos de linho de qualidade, entre outros artefatos. Ao que tudo indica, essa riqueza levou a igreja à ostentação material, e, por conseguinte, à mornidão espiritual (Ap. 3.17). A título de curiosidade, é possível que esta igreja tenha recebido alguma epístola de Paulo (Cl. 4.16). Os estudiosos concordam que tal epístola, na verdade, seria a mesma aos Efésios, que havia sido dirigida às duas igrejas: a de Éfeso e a de Laodicéia. A essa igreja, Jesus se apresenta, no Apocalipse, como o Amém (v. 14), mostrando ser a Verdade, aquele em que não há sombra de inconstância ou dúvida, opondo-se à instabilidade dos laodicenses, a qual o Senhor denominou de “mornidão”.

2. A MORNIDÃO DOS LAODICENSES: A palavra “morno”, no grego, é chliaros, e significa, prioritariamente, indiferença, ou, em sentido metafórico, a condição humana que flutua inconstantemente e indignamente entre o fervor e o desdém espiritual. O sentimento da Igreja de Laodicéia, em relação ao Senhor, era de extrema inconstância, apelando aos tempos do profeta Elias, poderia se dizer que coxeava entre dois pensamentos (I Rs. 18.21). O coração oscilava, ora na igreja, servindo a Deus, ora no mundo, servindo a Mamon (Mt. 6.24 ver também II Rs. 17.41). O mente dos laodicenses estava dividida não sabia se o correto seria buscar ao Senhor, ou como quiseram os israelitas no deserto, voltar ao Egito e se deliciar com os mangares (Nm. 11.5) ao invés de seguir à Terra Prometida. Jesus chamou a atenção dos seus discípulos a fim de que não mais olhassem para traz (Lc. 9.62), atentando para o exemplo da mulher de Ló (Lc. 17.32). A situação dos laodicenses, como a de muitas igrejas atuais, era preocupante, pois Cristo, o cabeça da igreja, se encontrava do lado de fora (Ap. 3.20). Esse versículo é comumente usado para a pregação evangelística, mas, no contexto da passagem, ele é dirigido a uma “igreja”.

3. AS CAUSAS DA MORNIDÃO ESPIRITUAL: Quando analisamos as condições históricas da igreja de Laodicéia e as declarações do Senhor a seu respeito, é possível observar, nitidamente, as causas da mornidão espiritual, daquela igreja, resultava da sensação de auto-suficiência proveniente de suas riquezas materiais (v. 17). A ostentação dos bens fez com que os membros daquela comunidade perdessem um dos elementos fundamentais à fé cristã, o fervor (Lc. 24.32; At. 18.25; Rm. 12.11). Na confiança de suas riquezas, e sem fervor espiritual, a fama da igreja local se restringe á autoglorificação, a um marketing de suas realizações materiais, o pior é quando toda a ostentação tem como objetivo principal ocultar o pecado (Os. 12.8). Conta-se que após o período da perseguição do Império Romano, quando a igreja institucionalizada se filiou ao Império, Agostinho fora convidado por um bispo para visitar Roma. Após mostrar-lhe toda a grandeza da Igreja, o bispo disse, com entusiasmo, que a igreja agora não precisava mais dizer que não tinha mais prata nem ouro. Agostinho acrescentou que, em compensação, também não poderia dizer ao paralítico que se levantasse e andasse. Aquela igreja, como muitas de hoje em dia, perdeu o seu brilho, não mais é. Pensam que são ricos, mas por esquecerem de onde vem o poder que lhe dirige (At. 1.8), para nada servem, senão para serem pisadas pelos homens (Mt. 8.13). Essa é uma metáfora que se relaciona à ameaça do Senhor de vomitar a igreja de Laodicéia (v.16).

CONCLUSÃO: O Senhor apresenta um conselho para a Igreja de Laodicéia (v. 18) que se aplica a todas as igrejas atuais que se encontram na mesma condição. A principio, faz-se necessário que haja arrependimento (v.19) da auto-suficiência, percebendo que, sem Jesus (Fp. 3.7,8), a igreja é pobre, cega, miserável e nua (v. 17). Ao invés de supervalorizamos a riqueza material, invistamos nas riquezas de Cristo (Ef. 3.8), revestindo-se, também, das características do novo homem (Cl. 3.10-14). Não devemos esquecer que a repreensão do Senhor é uma demonstração do Seu amor (v. 19), para que não sejamos condenados com o mundo (I Co. 11.32; II Tm. 4.10). PENSE NISSO!

* INOVAÇÕES E MODISMOS RELIGIOSOS

Textos: II Sm. 6.3 – Gl. 1.8-10; I Pe. 1.13-16

OBJETIVO: Mostrar que as inovações e modismos atuais precisam ser avaliados à luz dos critérios bíblicos.

INTRODUÇÃO: Aos termos inovações e modismos, de acordo com os dicionaristas, podem-se atribuir os seguintes sentidos: aquilo que é novidade, modo de falar que é aceito no uso, mas não pela gramática. No contexto eclesiástico, essas palavras têm, pelo menos, duas conotações distintas: 1) práticas que não se incorpora com as Escrituras; e 2) atitudes que não se apropriam às tradições de um determinado grupo. Veremos neste estudo, que a Bíblia é o critério que avalia as inovações e modismos, ao mesmo tempo em que destacaremos algumas das práticas atuais que ameaçam a saúde da igreja local.


1. RESTAURACIONISMO JUDAICO: De vez em quando surge um movimento evangélico propondo uma restauração aos princípios originais da Igreja. Nos dias atuais, temos testemunhado a ascensão de um restauracionismo judaico. Seus adeptos justificam que a igreja primitiva era eminentemente judaica, e, por conseguinte, as igrejas, em qualquer parte do mundo, devem assumir práticas judaicas tais como: a guarda do sábado, o ritual da circuncisão e as festas de Israel. Aqueles que defendem esse posicionamento não atentam para o ensinamento bíblico de que o sábado era um concerto exclusivo para o povo israelita (Ex. 31.14-17; Lv. 23.31,32; Ez. 20.12,13). No tocante à circuncisão física, essa é uma prática desconsiderada pelo evangelho (Hb. 8.13; 9.15-17; Mt. 9.16,17; Rm. 2.28,29; I Co. 7.18,19; Gl. 5.6; 6.15). As celebrações das festas judaicas também não fazem qualquer sentido para a igreja cristã. Afinal, Cristo é a nossa páscoa (I Co. 5.7; I Co. 11.20). A festa a que somos instados a celebrar, em comemoração à morte e ressurreição de Cristo, é a Ceia (I Co. 11.20,25; At. 2.42). Ainda nos tempos da igreja primitiva, quiseram atrelar a fé cristã aos rituais judaicos, e, por causa disso, fez-se necessária a instalação de um concílio em Jerusalém (At. 15). Os discípulos de Cristo foram decisivos em não impor maiores encargos sobre a igreja (v. 10,11,28). Em oposição a esse movimento, denominado de judaizante, Paulo escreveu sua Epístola aos Gálatas, na qual ele admoesta a respeito dos perigos de retornar aos rudimentos antigos (Gl. 1.6-9; 3.1-3; 4.9).


2. PROSPERIDADE MATERIAL: As igrejas neopentecostais (e algumas pentecostais) estão aderindo a uma doutrina que, embora pretenda ser bíblica, é, na verdade, resultante de uma visão capitalista do mercado livre. A teologia da prosperidade material chegou ao Brasil sob a influência do estilo de vida americano. Em seu bojo doutrinário, citam passagens isoladas das Escrituras, especificamente, aquelas do Antigo Testamento, nas quais se fala da prosperidade material que Deus havia prometido a Israel (especialmente, a Abraão). Essa teologia, quando analisada a fundo, nem tem qualquer apoio evangélico. A visão de Jesus a respeito do dinheiro é bastante realista, principalmente, ao referir-se a este como um deus-pagão (Mt. 6.24; Lc. 16.13), revelando a insensatez daqueles que se fiam nos seus pertences (Lc.16.1-13), indicando aonde devemos entesourar (Mt. 6.19-21). Paulo também admoesta os cristãos para que não se deixem levar pelo amor ao dinheiro (I Tm. 6.10) e Tiago chama a atenção para aqueles que são controlados pela cobiça (Tg. 4.2,3). O cristão pode buscar alcançar uma condição favorável de vida em gratidão (I Tm. 4.4; 6.17). Mas, diferentemente da visão mundana, não vivemos ansiosos por coisa alguma, fazemos a nossa parte, sem ansiedade (Mt. 6.25-34), tendo o contentamento como meta (I Tm. 1.8), cientes, também, de que precisamos auxiliar aos necessitados (I Ts. 1.11; Ef. 4.28). Afinal, fomos chamados não para acumular riquezas, mas para o amor em sacrifício (I Co. 13; I Jo. 3.16).


3. DESVIOS MINISTERIAIS: A razão de ser do ministério é o evangelho de Cristo (At. 5.42; 8.12,35; 11.20; 17.18; gl. 1.16), tendo, a cruz (I Co. 1.17-25; 2.2) e sua ressurreição (I Co. 15.3,4) como temas centrais. Infelizmente, como nos tempos antigos em que se conduziu a arca do Senhor incorretamente (II Sm. 6.3), vemos, nos dias atuais, uma série de desvios ministeriais que se distanciam do modelo bíblico. Ao invés da pregação da Palavra de Deus (Hb. 4.12), os “animadores de auditório”, diferentemente do apóstolo Paulo, utilizam palavras persuasivas de sabedoria humana a fim de convencer os incautos (I Co. 2.4). As mensagens, ou “tristemunhos” que põem em evidência muito mais a experiência do que a revelação bíblica, estão longe do cristocentrismo que vemos na mensagem evangélica (Mc. 8.45; 10.29; I Co. 1.18; Cl. 2.14,15). Esses supostos pregadores nada conhecem de Bíblia, por conseguinte, apelam para o discurso mundano da auto-ajuda, não atentando para a doutrina da santificação (II Co. 5.17; I Ts. 4.4; II Tm. 2.20,21). Postulam também que os crentes não podem sofrer, mas esquecem que Cristo (Jo. 16.33) e Paulo (II Tm. 3.12) ensinam que as perseguições fazem parte do discipulado. Diferentemente de Jesus, esses pretensos ministros trabalham com vistas à promoção pessoal, visando lucros e cobrando “cachês” exorbitantes, sem levar em conta que devemos dar, de graça, o que de graça recebemos (II Co. 11.7). Ainda que, não devemos esquecer que a igreja do Senhor deva contribuir, de bom grado, com o ministério daqueles que militam, com amor e dedicação à causa do Mestre, principalmente, no que diz respeito à palavra e à doutrina (I Tm. 5.17,18).


4. LITURGIA DO ENTRETENIMENTO: A palavra liturgia diz respeito ao conjunto de elementos e práticas do culto religioso. Cada religião tem seu sistema próprio de adoração. Após a saída do Egito, os israelitas quiseram copiar a liturgia do culto daquele povo, construindo um bezerro de ouro (Ex. 32.4). Nos dias atuais, algumas igrejas locais também estão copiando o mundo, imitando seu hedonismo(prazer individual imediato), provendo um tipo de liturgia que enfatiza muito mais o entretenimento do que a adoração a Deus. A maioria dos hinos(músicas), está muito longe daqueles de que fala Paulo em Cl. 3.16; Fp. 4.8 e I Co. 10.31. Têm como objetivo celebrar a criatura ao invés do Criador. Temos testemunhado uma verdadeira dessacralização(tirar o carater sagrado), isto é, uma apostasia da fé através da música (I Tm. 4.1). O púlpito está sendo transformado em show, o artista em deus, sem falar que muitos ainda pagam para participar. Será que uma análise dos shows, tão em moda atualmente, resiste a um confrontamento bíblico com I Co. 14.26? Será que todos os elementos do culto podem ser encontrados nos show: cântico, Palavra e dons do Espírito? Essas celebrações litúrgicas, na verdade, resultam do pragmatismo pós-moderno, na tentativa de facilitar as coisas (Mt. 7.13,14). Por não suportarem a sã doutrina (II Tm. 4.3), não há mais espaço para a exposição continuada da Escritura, fonte de iluminação para a igreja (II Tm. 4.3); Sl. 119.130; Rm. 10.17). Deus nos livre de nos rendermos ao pragmatismo de Arão, construindo, com a aprovação do povo, um bezerro de ouro para ser adorado. Antes sejamos como Moises que, em seu zelo santo, se opôs aquela liturgia do entretenimento (Ex. 32.19,20).


CONCLUSÃO: A igreja local, deva pedir sabedoria a Deus para não adotar atitudes extremadas em relação às mudanças. Para tanto, faz-se necessário avaliar os movimentos que se instauram no seio da congregação à luz da viva e eficaz Palavra de Deus (Hb. 4.12). Só assim estaremos preservando a sã doutrina, o ensinamento genuinamente cristão (I Tm. 4.16; 6.3,4; II Tm. 4.2,3; Tt. 2.1; Hb. 6.1). PENSE NISSO!