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OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO


Texto áureo: Nm. 3.45 – Leitura Bíblica: Lv. 8.1-13

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito do ministério sacerdotal levítico, ressaltaremos seu chamado para o serviço. Ao mesmo tempo, não poderemos deixar de destacar que o sacerdócio levítico era uma sombra do sacerdócio eterno de Cristo. E ao final, mostraremos que Jesus quando ressuscitou deu dons aos homens, favorecendo o ministério cristão, tanto em sentido amplo quanto específico, com vistas à edificação do corpo de Cristo.

1. OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO
O culto israelita era ministrado pelos sacerdotes levitas, esses eram responsáveis por estar diante do Senhor, intermediando pelo povo. Levi foi um dos filhos de Lia, uma das esposas de Jacó, e seu próprio nome ter a ver com “estar ligado”. Por isso, se reconhece que essa era a tarefa dos levitas, deveriam estar sempre “ligado no Senhor”, zelando pelo serviço divino. Por ocasião da divisão das terras entre as tribos de Israel, aos levíticas não coube território, eles deveriam depender da providência divina, por isso Arão e seus descendentes deveriam ser separados para um trabalho específico (Ex. 6.14-27; Nm. 3.45). Por esse motivo, o sumo sacerdote de Israel deveria ser descendente de Arão (Ex. 6.15-23), constituído como mediador entre os homens e Deus (Lv. 10.10,11), assumindo essa função de forma vitalícia (20.23-28), não se esquecendo que eram servos de Deus, não dos homens (Ex. 28.43). Por esse motivo, deveriam viver do altar, dedicando-se exclusivamente ao ministério (Lv. 7.35), e viverem de maneira santificada, a fim de agradar ao Senhor que os chamou para cumprir uma missão (Ex. 28.36), caso profanasse o ofício do Senhor, seriam punidos severamente (Lv. 10.1-3). Esperava-se que os sacerdotes levíticos fossem um exemplo de espiritualidade para o povo, tendo em vista que deveria zelar pela Lei do Senhor, e serem puros aos olhos de Deus, ainda que não fossem perfeitos. Vários sacerdotes tiveram problemas, inclusive para que seus descendentes dessem sequência ao trabalho para o qual foram comissionados. Os filhos de Eli é um exemplo de sacerdotes que não levaram a sério o serviço divino, como consequência disso foram punidos com rigor (I Sm. 2.25).

2. O MINISTÉRIO ETERNO DE JESUS
O autor da Epístola aos Hebreus apresenta algumas especificidades em relação ao sacerdócio de Cristo, em comparação com o sacerdócio levítico. Para que o sacerdócio levítico fosse aprovado por Deus, bem como o próprio sacerdócio de Cristo, fazia-se necessário que algumas qualificações fossem consideradas. A esse respeito, é preciso destacar que a “ordem” do sacerdócio de Cristo se difere daquele dos sacerdotes levíticos. Em ambos os casos, um homem foi escolhido, para representar o povo, na presença de Deus. Por isso, como sacerdote, Jesus foi “tomado dentre os homens” (Hb. 5.1). E seguindo a prática sacerdotal judaica, “para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb. 5.1). Como Sumo Sacerdote, Jesus “pode compadecer-se”, isso mostra que Ele não desconsidera nossa condição humana, e mais que isso, que ele tem simpatia, no sentido etimológico do termo”, sofre conosco. Ele conhece nossa natureza, e sabe que somos pó, e que dependemos de Deus, inclusive para vencer as tentações/provações. Uma das qualificações de Cristo, em comparação ao sacerdócio levítico, é que o sacerdote levítico deveria oferecer sacrifícios “tanto pelo povo como também por si mesmo” (Hb. 5.3). Por oposição, o sacerdócio de Cristo tinha procedência divina, para tanto o autor recorre a Sl. 2.7 e ao 110.4, a fim de mostrar que Jesus, diferentemente do sacerdócio aaronico, seguia a ordem de Melquisedeque. Este foi um sacerdote-rei da cidade estado de Salém – antiga Jerusalém – nos tempos em que Abraão resgatou Ló do cativeiro. E seguindo essa ordem, Jesus mostrou ser superior, pois Ele não apenas morreu pelos pecados da humanidade, também ressuscitou vindo a ser “a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb. 5.9). A obediência é importante no contexto da Epístola aos Hebreus, pois o próprio Cristo “aprendeu a obediência”, e todos aqueles que O seguem também devem aprendê-la.

3. O MINISTÉRIO E OS DONS CRISTÃOS
Na Nova Aliança fomos feitos sacerdotes (I Pe. 2.9), de modo que não dependemos mais de um sacerdote humano. Temos Jesus Cristo que é o Supremo Sacerdote (Hb. 7.13-17). Mesmo assim, sabemos que Jesus deu dons aos homens, e ministros para a edificação da Sua igreja. Ele é o doador, que concede, aos homens, para o serviço cristão no Corpo de Cristo. Esses dons, descritos em Ef. 4.11-12, são funcionais, ou melhor, têm serventia para cumprir um proposito, mais especificamente a edificação da igreja (Ef. 4.12-16). Há também o equívoco de pensar que os dons espirituais são dispensados por méritos pessoais. Ninguém é usado por Deus, através dos dons espirituais ou ministeriais, por que é digno (Rm. 12.6; I Pe. 4.10), não podemos esquecer que fomos salvos pela graça de Deus (Ef. 4.9,10). Os dons procedem de Deus, Ele é a fonte dos dons, tanto os espirituais (charismata/penumatikon) quanto os ministeriais (diakonia). A distribuição dos dons é um trabalho da Trindade, o Pai enviou Cristo, e depois o Espírito Santo (Jo. 14.6; 20.21). A concessão dos dons espirituais e ministeriais vem de Deus, sendo que existem os dons do Espírito (I Co. 12.4-7), e os dons de Cristo (Ef.4.11). É importante destacar que há mais de nove dons espirituais, não apenas aqueles listados por Paulo em I Co. 12.8-11. Em Rm. 12.3-8 encontramos uma lista, diferente da de I Co., no tocante aos dons: profecia, ministério, ministração, ensino, exortação, partilha, presidência e misericórdia. Esses dons, de acordo com o texto, são todos provenientes de Deus. Os dons, grosso modo, partem de Deus para a igreja, a fim de constituir uma unidade na diversidade (Rm. 12.5). A dispensação dos dons, tanto os espirituais quanto ministeriais, é de Deus, mas há também participação humana. No texto de Rm. 12.3-8, Paulo instrui os crentes a desenvolverem os dons. Diferentemente dos dons de I Co. 12.8-11, que têm caráter mais instantâneo, e aspecto notadamente sobrenatural.

CONCLUSÃO
Os dons espirituais e ministeriais foram destinados aos homens e mulheres da igreja, com vistas ao serviço (diakonia), e mais especificamente, à edificação do Corpo de Cristo. Os dons espirituais e ministeriais não devem ser ignorados, é necessário que os membros da igreja se interessem por eles, mas é preciso usá-los com equilíbrio (I Co. 12.1). Os homens e mulheres de Deus, quando usados pelo Espírito, através dos dons, devem exercitá-los com responsabilidade, sobretudo com zelo e amor (I Pe. 5.2,3).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

A BELEZA E A GLÓRIA DO CULTO LEVÍTICO

Texto áureo: Lv. 9.23 – Leitura Bíblica: Lv. 9.15-24

INTRODUÇÃO
Os levitas foram separados por Deus para o serviço ao Senhor, manifestado através do culto, e dos seus rituais. Na lição de hoje estudaremos a respeito da beleza e glória desse culto, ressaltando seu simbolismo em relação ao culto cristão. Ao longo da aula, é importante destacar que a beleza e a glória do culto cristão não se comparam com a glória revelada em Cristo Jesus, pois nEle habita a plenitude da divindade, e nEle o Pai manifestou a Sua glória.

1. O CULTO NA ANTIGA ALIANÇA
O culto divino foi realizado antes mesmo da Antiga Aliança, dada a Deus por Moisés. Os patriarcas adoraram a Deus, com destaque para o sacrifício de Abel, que foi recebido pelo Senhor, em detrimento do sacrifício de Caim, rejeitado por Deus (Gn. 4.3-7). Depois de Abel, outros construírem altares, como símbolo de culto e adoração ao Senhor, dentre eles, Noé e Abraão (Gn. 8.20;12.7; 26.5). No período mosaico, o povo de Israel recebeu instruções expressas a respeito de como deveria ser o culto levítico (Ex. 12.21-26). A adoração ao Deus que havia retirado o povo do Egito fazia parte da aliança estabelecida entre YHWH e Israel. Por sua vez, o culto não poderia ser realizado de qualquer maneira, antes deveria seguir os procedimentos determinados pelo Senhor. Inicialmente, esse culto era prestado no Tabernáculo, a estrutura móvel construída por Moisés, e posteriormente, no governo de Salomão, um templo foi edificado para esse fim (I Cr. 23.5; II Cr. 7.6). Salomão ofereceu a Deus aquele templo, destacando que a glória não estava naquela edificação, mas no próprio Senhor que ali estaria presente. Depois de Salomão vários reis governaram tanto em Israel quanto em Judá, alguns deles consolidaram e fortaleceram o culto, no contexto da monarquia teocrática. Mas a maioria deles preferiu seguir seus próprios caminhos, por isso Deus levantou seus profetas, a fim de reestabelecer o culto, em conformidade com a Palavra de Deus. Após o cativeiro babilônico, quando os judeus retornaram para sua terra, Esdras e Neemias revitalizaram o culto ao Senhor, através da exposição da Torah (Ne. 12.22-30).

2. O CULTO NA NOVA ALIANÇA
Na Nova Aliança, o culto a Deus é realizado por meio de Jesus Cristo, que é o próprio fundamento do culto. O autor da Epístola aos Hebreus, ao longo de sua exposição apologética, destaca que a glória do culto da Antiga Aliança feneceu, diante da glória do sacerdócio eterno de Cristo, sendo esse superior ao levítico (Hb. 7.17-24). Por esse motivo, não temos mais razões para imitar o culto levítico, ou como queriam fazer os cristãos hebreus do primeiro século, e retornarem as práticas litúrgicas da Antiga Aliança. Atualmente existem igrejas evangélicas que estão adorado ao culto judaico, algumas estão substituindo os elementos do culto cristão por utensílios e práticas judaicas. Esse caso se torna ainda mais grave quando o culto se torna judaizante, semelhante aquele que estava sendo inserido entre os gálatas, contra o qual Paulo se posicionou em sua Epístola (Gl. 1.8,9). É preciso ter cuidado para não inserir elementos judaico no culto cristão, pois mesmo reconhecendo que a fé vem dos judeus, não podemos aculturar nossa adoração, substituindo a liturgia da Nova Aliança pelos rudimentos da Antiga. É bem verdade que existem elementos semelhantes nos cultos Judaico e Cristão, dentre eles destacamos: os cânticos, a exposição da Palavra, a oração, a leitura bíblica e a benção final. O culto cristão deve ter esses elementos, com as devidas especificidades, sem esquecer que se trata de um culto espiritual, fundamentado na verdade divina (Jo. 4.23,24). Como nos tempos da Antiga Aliança, corremos o risco de perder a essência do culto, ao transferir glória para os elementos materiais, ao invés de compreender sua natureza espiritual, deixando de atentar para seu simbolismo, e em alguns casos, adorando os próprios objetos, ao invés da realidade para os quais apontam.

3. O CULTO CRISTÃO NOS PRIMÓRDIOS
O culto cristão, ainda nos primórdios da Igreja, tinha suas bases divinas. Em At. 2.42-47, compreendemos que o culto estava fundamentado na koinonia, e se alicerçava na doutrina dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. A partilha, que também era manifestada na celebração da Ceia do Senhor (I Co. 11.20-22), é uma demonstração do espírito comunitária da igreja do primeiro século. Os cultos eram realizados tantos nas casas como no templo (At. 2.46; 5.42; 20.7), era importante que os cristãos estivessem unidos, e não deixassem de se congregar (Hb. 10.24,25). Não podemos desconsiderar o aspecto comunitária do culto cristão, é por meio deles que ressaltamos nossa unidade, e reforçamos nossa dependência mutua. É nesse espírito comunitário que podemos ler a pregar a Palavra de Deus (Cl. 3.16; II Tm. 4.2), explicando e aplicando as verdades da fé; também nos dirigimos a Deus em oração (Ef. 5.20; I Tm. 2.8; At. 2.42), pois a oração é uma demonstração de dependência divina, também podemos interceder pelos irmãos e agradecer pelas dádivas do Senhor. Há espaço para hinos e cânticos espirituais (Cl. 3.16; Hb. 13.15), mas esses devem glorificar a Deus, e não aos homens, devem servir para expressar nossa relação com Deus, e contribuir para a proclamação do evangelho (Ef. 5.19). Um dos aspectos mais importantes do culto cristão é a consagração a Deus, por isso devemos oferecer nossos corpos como sacrifício vivo ao Senhor, sendo esse o nosso culto racional, por meio do qual experimentamos a agradável, boa e perfeita vontade de Deus (Rm. 12.1,2).

CONCLUSÃO
O culto levítico teve sua beleza e glória, que ainda resplandecem, mas não podem ser imitados pelos cristãos, a menos que seus elementos expressem a glória do culto cristão, cuja expressão maior é Cristo, o ápice da revelação divina (Jo. 1.1; Hb. 1.1,2). Por causa dEle, podemos nos achegar com ousadia ao trono do Pai, e adorá-lo na beleza da Sua santidade, tributando a Ele a glória e o louvor que lhe é devido: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; pois tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap. 4.11).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

LEVÍTICO, ADORAÇÃO E SERVIÇO AO SENHOR

Texto áureo: Lv. 26.11 – Leitura Bíblica: Lv. 27.28-34

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos o livro de Levítico, um dos compêndios do Pentateuco. Esse é um manual de adoração para o povo judeu, e que oportuniza aplicações para o culto cristão. Nesta primeira aula o contextualizaremos, destacando o gênero literário, a data e autoria. É importante, nesses estudos, que não fiquemos apenas na descrição da religiosidade judaica, mas que também atentemos para sua dimensão espiritual, e possibilidades práticas para a adoração cristã, desde que estejam fundamentadas no evangelho.

1. AUTORIA, DATAÇÃO E GÊNERO
O livro de Levítico, bem como os demais livros do Pentateuco é atribuído a Moisés, cuja autoria é reconhecida pelo próprio Jesus (Mt. 5.17). A maioria dos estudiosos concorda que o material da Torah foi escrito por volta de 1445 a. C., no período em que Moisés levantou o tabernáculo no deserto. Alguns teólogos liberais modernos, fundamentados na crítica literária, tentaram questionar a autoria mosaica, mas essa tem sido cada vez mais consolidada, tanto pelas evidências externas quanto internas da obra. Entre os gêneros bíblicos, essa obra pode ser categorizada como um manual do culto divino, ou uma espécie de  estatuto para a purificação religiosa nacional, considerando que o povo de Israel vivia debaixo de uma aliança, sendo uma nação governada por Deus. Quanto ao propósito de Levítico, podemos ressaltar que se trata de uma orientação para os sacerdotes no seu ofício, em conformidade com a aliança de Deus e Israel. É importante ressaltar que o santuário havia sido construído, por isso Deus apresenta os fundamentos da adoração judaica. Essa é uma demonstração de que Deus não pode ser adorado de qualquer jeito, mas em conformidade com suas especificações. No contexto da aliança israelita, o próprio YHWH apresenta os termos pelos quais deveria ser adorado. Ao assim fazê-lo, o povo hebreu seria preservado, e ao obedecer às leis do Senhor, não seria contaminado pelas práticas pecaminosas das nações vizinhas. À luz do evangelho, sabemos que Deus tabernaculou no meio dos homens, pois o Verbo se fez carne e habitou no meio de nós (Jo. 1.1,14). Por esse motivo, podemos ter a certeza de que fazemos parte de uma nova aliança, consagrada por Cristo no calvário. Nessa nova aliança, fomos feitos sacerdotes com Aquele que é o Sumo-Sacerdote Eterno (Hb. 7.17).

2. A ESPECIFICIDADE DE LEVÍTICO
Levítico é o terceiro livro dos cinco livros da Torah, a palavra inicial do livro é wayyiqra, expressão hebraica que significa “e Ele chamou”, se referindo aos sacerdotes, que foram chamados pelo Senhor. A versão grega do Antigo Testamento – Septuaginta – optou por denominá-lo de leutikon, cuja tradução é “a respeito dos levitas”. A versão latina da Bíblia – Vulgata – traduziu com o título de Leviticus, do qual derivou o nome dado na língua portuguesa. Esse é um Manual de Regulamentos e Procedimentos Sacerdotais, de modo que identificamos a predominância de considerações rituais e legais. É preciso considerar também que há uma relação imediata do livro de Êxodo com o de Levítico, por isso o próprio título em hebraico trazer uma vav conjuntivo, uma espécie de conjunção aditiva. Isso mostra que o ofício sacerdotal deveria ser realizado dentro do contexto da religiosidade hebraica. A função sacerdotal, por conseguinte, tinha a ver com a instrução do povo na Torah, servindo como manual de orientação para o serviço, e adoração no tabernáculo do Senhor. Em linhas gerais, deve ser considerado um Código de Santidade, destacando a importância do sacrifício, a fim de que os sacerdotes recém-consagrados soubessem se portar no santuário, e conduzindo-se de maneira a agradar ao Senhor, pautando o modo de viver do povo, para que não esquecessem que era uma nação separada por Deus. A esse respeito, o livro de Levítico encontra eco no Novo Testamento, na medida em que destacamos que somos uma nação santa, um povo separado por Deus, chamado das trevas para sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). A igreja do Senhor Jesus é “os chamados para fora” – ekklesia – por isso deve viver em adoração, não mais em meros rituais religiosos, mas em espírito e verdade (Jo. 4.22-24).

3. A TEOLOGIA DE LEVÍTICO
A teologia fundamental de Levítico é a da “santidade ao Senhor”, e “sede santos porque eu sou santo” (Lv. 10.13), pois o Deus que retirou o povo de Israel do Egito é Santo (Lv. 11.44). Ele não é uma mera divindade nacional, mas o Único Deus Verdadeiro, que resgatou o povo da servidão. Desse modo, se a nação permanecesse debaixo dessa aliança, teria a certeza de que esse mesmo Deus o guardaria, e o preservaria dos seus inimigos. Outro enfoque que merece destaque no livro é o da adoração, podemos afirmar que o Deus de Israel é digno de ser adorado, e que esse apresenta as especificações rituais, para que a adoração aconteça. Os sacrifícios se faziam necessários por causa da condição pecaminosa do ser humano, e ao mesmo tempo, ressalta a gravidade do pecado, diante da santidade de Deus. Algumas dessas temáticas são reafirmadas no Novo Testamento, principalmente a de que nenhum ser humano é capaz de salvar a si mesmo (Rm. 3.23; Ef. 2.8,9), e que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo (Rm. 6.23). Na verdade, alguns temas que se encontram em Levítico foram reafirmados por Jesus, dentre eles, o do supremo mandamento do amor, primeiramente a Deus, e ao próximo como a nós mesmos (Lv. 19.18; Mt. 22.39). Paulo também fez referência a essa “regra áurea” em Rm. 13.9 e Gl. 5.14, de modo que, nesse contexto, os crentes são sacerdotes consagrados ao serviço do Senhor. O sacerdócio dos crentes, diferentemente daquele levítico, é dura para sempre e em todos os lugares A santidade, por sua vez, não está atrelada apenas a rituais externos, mas a um estilo de vida, tendo o próprio Deus como padrão (I Pe. 1.15). Nessa nova condição, nos tornamos habitação de Deus pelo Espírito Santo, que também opera em nós a santificação (Gl. 2.11).

CONCLUSÃO
Na condição de crentes santos e santificados por Cristo, temos diante de nós a responsabilidade de viver em santidade, agradando ao Deus Vivo e Verdadeiro (I Ts. 4.1-12). E para isso, devemos reconhecer que temos uma nova mentalidade, somos templo e morada do Espírito Santo (I Co. 6.19), e como tal, não podemos mais nos conformar a esse mundo, antes vivermos de acordo com a vontade boa, perfeita e agradável de Deus, que é nosso culto racional (Rm. 12.1,2).

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Levítico: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2011.
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.

ÉTICA CRISTÃ E REDES SOCIAIS

Texto áureo: I Co. 6.12 – Leitura Bíblica: Pv. 4.10-15

INTRODUÇÃO
As redes sociais, através do avanço da internet nesses últimos anos, passaram a fazer parte da vida cotidiana das pessoas. Mas nem todos sabem usar com sabedoria, sobretudo com ética, essas ferramentas tecnológicas. Diante dessa realidade, estudaremos, nesta última lição, a respeito da importância do uso moderado, e mais importante, da sabedoria espiritual para que esses recursos possam está a serviço, e não contra o reino de Deus, que sejam usados para a glória dEle, não contra Ele, e por sua vez, contra nós mesmos.

1.  INTERNET E REDES SOCIAIS
Desde a difusão da internet, comumente conhecida como a Rede Mundial de Computadores, as pessoas passaram a ter contato com as mídias sociais, que estão cada vez mais próximas da maioria da população.  Ferramentas como Facebook, Instagram, Twitter e YouTube são facilmente identificadas, até mesmo pelos símbolos que as representam. Qualquer pessoa pode se apropriar de uma dessas mídias nos dias atuais, basta tão somente fazer um perfil, e a partir de então, poderá postar textos, imagens e/ou vídeos. Por meios desses recursos, essas pessoas materializam suas identidades e, às vezes, acabam por se excederem em suas postagens. É preciso considerar as implicações que a postagem de conteúdos podem ter na vida daqueles que as divulgam. Isso porque o compartilhamento rápido e fácil pode difundir uma informação em segundos, fazendo com que essa seja viralizada. As palavras de Salomão, no livro de Provérbios, se aplicam muito bem em relação ao uso indevido das redes sociais. A postagem depois de feita nem sempre pode ser apagada, e quando isso acontece pode ser que já tenha sido compartilhada (Ec. 5.1-7). Há cristãos que não medem as consequências de suas postagens nas redes sociais, não conseguem fazer a distinção entre o público e o privado. Existem fotos e vídeos que são de conhecimento familiar, e não podem ir a público, sob o risco de macular nossa imagem. Além disso, é preciso ter cuidado para que as redes sociais não se transformem em instrumento para a ostentação. As disputas e querelas devem ser evitadas nesse meio,  para que o evangelho não venha a ser desqualificado. Muitos casamentos cristãos também estão em risco, por causa do envolvimento de um dos cônjuges em relacionamentos virtuais, é preciso manter a vigilância a esse respeito, deixando claro que “se encontra em um relacionamento sério” e que é "casado", de preferência ter sempre uma foto com o cônjuge. 

2. O RISCO DOS RELACIONAMENTOS DESCARTÁVEIS
Como declarou John Donne (1572-1631), clérigo e poeta britânico, “nenhum homem é uma ilha”. Essa verdade pode ser atestada no livro de Gênesis, no qual encontramos a narrativa de que “não é bom que o homem esteja só” (Gn. 1.28,29). Com o advento das redes sociais, se tornou possível ter não apenas amigos reais, mas também virtuais. Há pessoas que não têm 5 amigos reais, mas chegam a 5.000 mil nas redes sociais. E esses amigos, podem ser descartados rapidamente, basta que a pessoa cancele sua conta. O perigo é o de fundamentar os relacionamentos reais nos parâmetros dos relacionamentos virtuais. Sobretudo nos dias atuais, os quais Zygmunt Bauman (1925-2017) denominou de “tempos líquidos”. Em seu clássico Modernidade Líquida destacou que os relacionamentos entre as pessoas estão cada vez mais descartáveis. As redes sociais expressam esse tipo de relacionamento, muitas pessoas vivem sozinhas, não tem companhias reais, e por isso, se tornam dependentes dos relacionamentos virtuais. Através dessas, querem impressionar os outros, maquiam sua imagem, não apenas com cosméticos, também com uma identidade falseada. Os ambientes virtuais se tornam o rio de narciso, a personagem da mitologia que contemplou demasiadamente seu rosto, e ficou abismado com sua beleza, e por isso mesmo veio a definhar. As redes sociais podem ensejar as pessoas a deixarem de ver os outros e contemplarem apenas a elas mesmas.. A Palavra de Deus nos orienta a amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos, mas há pessoas que estão amando mais a elas mesmas (Mc. 12.30,31).

3. ÉTICA NAS REDES SOCIAIS
A ética nas redes sociais é um desafio, sobretudo os cristãos devem dar exemplo, para evitar escândalo. Alguns cuidados devem ser tomados, precauções devidas, para não denegrir a imagem própria, bem como a dos outros. Estamos em uma época de muitas notícias forjadas, informações que circulam rapidamente, sem que tenha sua veracidade atestada. Por isso, os cristãos devem ser cautelosos, não devem compartilhar informações, sem antes ter convicção da sua veracidade. Fotos em ambientes que possam causar escândalo não devem ser postadas, evidentemente os cristãos devem avaliar os lugares para os quais podem ir, e mais ainda, se podem ou não postar fotos e vídeos em determinados contextos. É nesse particular que se aplica a declaração de Paulo: “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém, todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (I Co. 6.12). Postagens com trajes indevidos, roupas que causem escândalos, não podem cair na rede. Vídeos familiares, ou mesmo fotos íntimas, podem cair nas mãos de pessoas sem escrúpulos, que podem denegrir a imagem de alguém. As redes sociais devem ser usadas para nossa formação intelectual, e inclusive bíblico-teológica. Existem vários sites e vídeos disponíveis da internet que servem para a edificação dos cristãos. E preciso ter cuidado a quem estamos seguindo, não podemos esquecer que somos seguidores de Cristo, e como tais devemos nos comportar, sabendo renunciar interesses que não agradem a Ele (Mt.16.24). As redes sociais podem ser usadas para a evangelização, para a propagação das boas novas (Mt. 28.19,20), desde que seja feito de maneira criativa, e sem desmerecer os outros, principalmente a religião das pessoas.

CONCLUSÃO
Nesses tempos de relacionamentos líquidos, não esqueçamos que precisamos uns dos outros, nem desprezemos o contato real, a começar a congregação como é costume de alguns (Hb. 10.25). Temos liberdade para usar com sabedoria as redes sociais, desde que essas sirvam para glorificar a Deus, e não se transformem em instrumento para denegrir a imagem de quem quer que seja. É bom avaliar se estamos fazendo uso adequado dessas redes, caso contrário, o melhor mesmo é ficar longe delas (Mt. 18.9)

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016