QUEM AMA CUMPRE PLENAMENTE A LEI DIVINA


Leitura Bíblica: Pv. 16.32 – Texto Áureo: I Jo. 2.17-17


INTRODUÇÃO
Dando sequência aos estudos sobre o fruto do Espírito, na aula de hoje nos voltaremos para o amor, aquele aspecto que é propulsor de todas as virtudes espirituais. Na verdade, o amor-agape, expressão maior da fé cristã, e uma das virtudes capitais de I Co. 13, é a demonstração mais sublime do caráter cristão. Inicialmente, definiremos o amor cristão, em seguida mostraremos como ele é identificado, e ao final, ressaltaremos exemplos, com destaque para Jesus, como o Modelo do genuíno amor.

1. AMOR-AGAPE, A VIRTUDE DAS VIRTUDES
A vida cristã é um chamado para o amor, sem esse é impossível nos identificarmos com Jesus. Na verdade, é no amor que demonstramos que pertencemos a Ele, pois está escrito que o Mestre se dispôs a amar os Seus discípulos até o fim (Jo. 13.1). Por isso deixou a seguinte ordenança para Seus seguidores: “que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo. 15.12). A palavra mais sublime no Novo Testamento Grego para amor é agape, com o significado de “amor desinteressado, profundo e constante”. Essa é a mesma palavra que encontramos em Jo. 3.16, por meio do qual sabemos que Deus amou o mundo de maneira tal que entregou Seu Filho Unigênito para morrer pelos que nEle creem”. João afirma, em I Jo. 4.19, que nós somente amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro”. Mas existem outras palavras gregas para expressar o amor: philia – que carrega o sentido de amor fraternal, e eros – que emana dos sentidos naturais. O maior desses amores certamente é o AGAPE, por possuir uma dimensão vertical – em direção a Deus, horizontal – em direção ao próximo, e interior – em direção a nós mesmos. É importante que essas dimensões do amor-agape sejam consideradas, pois alguém que se fia demasiadamente no amor a Deus pode se tornar um fanático, o que busca apenas o amor ao próximo se torna um mero filantropo; e o amor somente a si mesmo, favorece ao egocentrismo. Por isso Jesus foi enfático ao ressaltar a natureza tríplice do amor-agape (Mc. 12.28-34; Mt. 22.34-40). A observância aos mandamentos de Cristo passa inclusive pelo amor, pois somente aqueles que O amam podem guardar Seus ensinos (Jo. 14.15).

2. A IDENTIFICAÇÃO ESPIRITUAL DO AMOR-AGAPE
O amor-agape é identificado com maior propriedade em I Co. 13, que ressalta esse como uma característica da vida genuinamente cristã. Nesse texto Paulo também faz um contraponto entre o amor-agape e os dons espirituais,  abordados nos capítulos 12 e 13. Nada há de errado em buscar os dons espirituais, mas é preciso que esse esteja em consonância com o amor-agape (I Co. 14.1). A partir desse texto depreendemos que o amor é sofredor – que se sacrifica pelo outro; é benigno – demonstrado através de ações; não é invejoso – não se ressente com o sucesso dos outros; não trata com leviandade, não se ensoberbece – não se coloca acima dos demais; não se porta com indecência – não destrata as pessoas, principalmente em público; e não busca seus interesses -  mostra disposição para o serviço; não se irrita – não se chateia com as pessoas; não suspeita mal – não guarda rancor das pessoas; não folga com a injustiça – antes se deleita com a verdade. Paulo concluiu esse trecho da sua Epístola assegurando que “permanecem a fé, a esperança e o amor, estres três; porém, o maior deste é o amor” (I Co. 13.13). É interessante observar que os cristãos geralmente se lembram de Jo. 3.16, mas poucos guardam na memória I Jo. 3.16, que diz: Conhecemos o amor nisto: que Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.

3. EXEMPLOS PARA O VIVER NO AMOR-AGAPE
Existem vários exemplos bíblicos de amor-agape, certamente o mais emblemático entre eles é o de Jesus, que amou Seus discípulos, e entregou a Sua vida pelos pecadores. Ele é a expressão maior do amor divino, na verdade, Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8). Entre aqueles que serviram ao Senhor no primeiro século, muitos se destacaram na manifestação do genuíno amor. Os cristãos de Colossos desenvolveram essa virtude do fruto do Espírito, pelo qual foram elogiados por Paulo (Cl. 1.3-8). A Igreja de Éfeso também era amorosa, tendo recebido com cuidado o Apóstolo Paulo (At. 20.20-31), ainda que, em Ap. 2.4, são advertidos pelo Senhor, por terem esquecido o primeiro amor. Uma igreja é realmente promissora quando cresce no amor-agape, o restante é apenas adereço, e não pode ser supervalorizado. Cada discípulo de Jesus deve cultivar o amor-agape, como fez João que ficou reconhecido como o discípulo do amor (Jo. 19.25,26). Antes de partir, Jesus também desafiou Pedro, como um daqueles que seriam colunas da igreja, para que amasse a Cristo, bem como as Suas ovelhas (Jo. 21.15-17). O amor-agape é um critério fundamental para aqueles que desejam servir no ministério cristão. Muitos líderes foram reprovados nesse particular, pois amam mais o presente século do que a Cristo, e as ovelhas servem apenas para que delas tirem proveito. Jesus é o exemplo de Pastor, que conhece cada uma das Suas ovelhas, e que se sacrifica por elas, e lhes mostra o caminho correto (Jo. 10.1). Cada cristão deve estar disposto a se entregar a Deus, e a servir o próximo em amor, somente assim mostraremos que somos dEle. 

CONCLUSÃO
Muitos querem ser identificados como seguidores de Jesus, mas somente aqueles que O servem em amor podem assim serem vistos. Em Jo. 13.35 o próprio Cristo afirma que somente podem ser classificados como seguidores dEle aqueles que O seguem em amor. A verdade evangélica, comumente defendida com muita veemência em alguns arraiais, especialmente os televisivos, deve ser mostrada em amor e mansidão (I Pe. 3.15). É assim que o nome de Jesus é glorificado, e a Igreja é vista como instrumento de graça, e alcança o mundo distanciado de Deus (At. 2.47).  

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

VIVENDO DE FORMA MODERADA



Leitura Bíblica: Pv. 16.32 – Texto Áureo: I Jo. 2.17-17


INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento ao estudo das obras da carne e do fruto do Espírito, estudaremos na aula de hoje a prostituição e a glutonaria, opondo a essas a moderação ou o domínio próprio, que é a própria temperança, pois se trata de uma demonstração de equilíbrio espiritual, produzido pelo Espírito Santo. Inicialmente abordaremos essas duas obras da carne, em seguida, mostraremos a necessidade de cultivar o domínio próprio, ou melhor, o domínio que vem de Deus, para não vir a perder o controle espiritual. Ao final, defenderemos que fomos chamados para a santidade, e que essa deve ser buscada integralmente: corpo, alma e espírito (I Ts. 5.23).

1. A PROSTITUIÇÃO E A GLUTONARIA
O vocábulo prostituição, no grego do novo testamento, é porneia e seria melhor traduzido como “imoralidade sexual”. A sexualidade humana é uma dádiva de Deus, e deve ser desfrutada dentro do casamento (Gn. 2.24; Hb. 13.4). O homem caído, por causa da sua natureza pecaminosa, deturpa a sexualidade. Vivemos em uma cultura sexualizada, de modo que tudo gira em torno do sexo. A mídia favoreceu essa explosão, principalmente no que tange à pornografia. A facilidade de acesso a vídeos dessa natureza, e aos sites de relacionamentos, tem contribuído consideravelmente para os casos de fornicação e adultério. Mas essas práticas pecaminosas não são recentes, Paulo teve sérios problemas a esse respeito na igreja de Corinto (I Co. 5.1). O Apóstolo orientou para que os pecados sexuais fossem disciplinados, a fim de que o transgressor se arrependesse, e se voltasse para Deus (I Co. 5.6-8). Ele foi bastante enfático, advertindo aos crentes de Corinto para que fugissem da prostituição (I Co. 6.13). Além da prostituição, os crentes são orientados por Paulo para que não se entreguem à glutonaria. A palavra grega para esse pecado é truphe ou gaster e está relacionada a uma série de práticas. Algumas pessoas estão literalmente “morrendo pela boca”, pois se entregam dissolutamente ao pecado da gula. Não é pecado se alimentar bem, mas é preciso ter cuidado, pois o corpo é templo e morado do Espírito Santo (I Co. 6.19). É preciso ser moderado na escolha dos alimentos, o excesso de sal e açúcar, por exemplo, pode causar danos à saúde, a curto, médio ou longo prazo. A alimentação saudável deve ser equilibrada, priorizando frutas e verduras, e evitando gorduras.

2. CULTIVANDO O DOMÍNIO PRÓPRIO
Os crentes foram salvos para viver de forma moderada, desenvolvendo a virtude da temperança (Gl. 5.21). O termo grego para esse aspecto do fruto do Espírito é engkrateia, que aparece na forma substantivada somente em três passagens: Gl. 5.22, At. 24.25 e II Pe. 1.6. Em todos esses textos fica evidente o sentido de domínio sobre o eu. Como um atleta que disciplina seu corpo, a fim de chegar ao propósito desejado, também os crentes devem fazê-lo, para alcançarem o prêmio espiritual (I Co. 9.24,25). Esse tipo de autocontrole tem relação direta com os pecados sexuais, bem como a moderação no comer e no beber. A vontade de Deus é que o crente tenha uma vida equilibrada, que não se deixar dominar pelos excessos. Isso começa pelo controle da língua, para que não venhamos a tropeçar em palavras (Tg. 3.2). Os impulsos sexuais também devem ser freados, aqueles que são casados devem fugir do adultério, e os solteiros da fornicação. Paulo esclarece aos crentes coríntios que é melhor casar que abrasar-se (I Co. 7.9), os jovens devem fugir das tentações sexuais, e não se entregarem aos desejos da mocidade (II Tm. 2.22). Jesus nos deixou o exemplo de vida moderada, controlada e equilibrada no Espírito, pois sendo tentado em tudo, não pecou (Hb. 4.15). A liderança espiritual deve seguir esse modelo, considerando que o pastor deve ser temperado (I Tm. 3.1,2), santo e equilibrado (Tt. 1.7.8). O domínio próprio é um processo, e se inicia com pequenas atitudes, que serão aprimoradas ao longo da vida cristã. Conforme defende um determinado grupo, é preciso evitar o contato inicial com o pecado, e lutar diariamente contra a tentação, sem nunca desistir.

3. ANDANDO EM SANTIDADE
Para andar em santidade, não há outra saída, senão andar com Cristo, e ser cheio do Espírito (Ef. 5.18). A vontade de Deus é nossa santificação (I Ts. 4.3-8), Ele espera que tenhamos uma vida totalmente consagrada. Essa é uma disciplina cristã, que começa pelo controle da mente (Fp. 4.8). Muitos cristãos permitem que suas mentes vagueiem por lugares perigosos, que acaba por distanciá-los da vida piedosa. O autor da Epístola aos Hebreus destaca que devemos buscar a santificação, sem a qual ninguém poderá ver a Deus (Hb. 12.14). O cristianismo, ao contrário do que defendem alguns críticos, não nega a dimensão física, muito pelo contrário, concebe o valor do corpo. Mas é preciso que esse seja utilizado com responsabilidade, para glória de Deus, e preservação da própria vida. De modo que, conforme adverte Paulo, “cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra” (I Ts. 4.4). Uma vertente da filosofia helenista negava o corpo, e defendia que esse poderia ser desgastado, pois Deus valorizava apenas a parte espiritual. Essa perspectiva nada tem de bíblica, é contrária ao plano de Deus para o corpo, que tem seu devido valor, inclusive no ato da ressurreição (I Co. 15.22,23). Por desconsiderarem o valor do corpo muitas pessoas estão sofrendo com enfermidades, e tantas outras atraindo problemas sobre elas mesmas, por causa da falta de moderação. A esse respeito adverte Paulo: "os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito". E mais, “a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rm. 8.5.-8).

CONCLUSÃO
A vontade de Deus é que vivamos em santidade, sem nos deixar controlar pelos desequilíbrios carnais. Aqueles que alimentam a natureza pecaminosa, e se entregam dissolutamente aos prazeres pecaminosos, trarão sobre eles mesmo consequências drásticas. A santificação é o plano de Deus para nosso próprio bem, a fim de que venhamos a desfrutar da boa, agradável e perfeita vontade de Deus. As advertências de Deus, para que fujamos do pecado, é com vistas à maturidade espiritual, para que desfrutemos de uma vida saudável, na presença do Senhor.

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016. 

MANSIDÃO TORNA O CRENTE APTO PARA EVITAR PELEJAS



Leitura Bíblica: Ef. 4.1,2 – Texto Áureo: Ef. 4.1-7


INTRODUÇÃO
Dando prosseguimento ao estudo do Fruto do Espírito, e em comparação com as obras da carne, nos voltaremos na aula de hoje para a mansidão, a fim de evitar as pelejas. Nestas redunda a causa das discórdias, dentro e fora da igreja local. Inicialmente, destacaremos as consequência das pelejas. Em seguida, refletiremos a respeito do cultivo da mansidão enquanto aspecto do fruto do Espírito. Ao final, daremos orientações e exemplos para o desenvolvimento da mansidão na vida cristão.

1. PELEJAS, SUAS CONSEQUÊNCIAS 
As discórdias e pelejas são características de pessoas que vivem debaixo da égide das obras da carne. A palavra grega para as discórdias é eritheiai, termo que também é utilizado para descrever desavenças. Caracteriza-se também por um desejo de colocar-se sobe os demais, através de um sentimento partidário e faccioso, demonstrando rancor. A esse respeito Tiago destaca que a sabedoria terrena que se opõe à sabedoria do alto é da natureza humana e diabólica, e essa se manifesta por meio da inveja (Tg. 3.14,15). Existem muitas pelejas na sociedade contemporânea, as pessoas estão se tornando cada vez mais competitivas, a meritocracia nem sempre funciona, e os mais fracos não têm vez. Até mesmo dentro das igrejas as pelejas prevalecem, como já acontecia nos tempos de Paulo. Há quem esteja disputando apenas cargos eclesiásticos, muitas coisas estão mudando nas comunidades de fé, não apenas os usos e costumes. A ganância foi institucionalizada, a politicagem foi assumida naturalmente, os obreiros perderam a simplicidade. Paulo denunciou esse tipo de comportamento entre os “obreiros” da sua época. Alguns deles pregavam a Cristo por “eritheias”, apenas por interesse pessoal. A política eclesiástica está maculando a imagem dos discípulos de Cristo, isso porque as discórdias e pelejas, manifestação de carnalidade, é uma chaga que corrói a unidade da igreja. Evidentemente existe espaço para a discórdia, e até mesmo para o debate, mas não para o desrespeito e a corrupção. As pessoas nas igrejas estão cada vez mais afeitas aos cargos, principalmente se deles puderem tirar proveito financeiro. Poucas querem realmente ser servos e servas, e se gastarem para a expansão do reino de Deus (II Co. 12.15).

2. CULTIVANDO A MANSIDÃO DO ESPÍRITO
A palavra mansidão no grego no Novo Testamento é praotes, e diz respeito à pessoa que se submete à vontade de Deus. A esse respeito o próprio Jesus dá testemunho: “Tomais sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mt. 11.29). Essa virtude também tem a ver com disponibilidade para aprender, de tal modo que aqueles que assim procedem, recebem “com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tg. 1.21). Os crentes devem cultivar essa virtude do fruto do Espírito, considerando que “se alguém chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão, olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado” (Gl. 6.1). A partir do exemplo de Jesus, depreendemos que a mansidão não se trata de aceitação passiva do engano, pois o próprio Senhor foi contundente ao contrariar o erro (Jo. 2.13-16). Paulo também foi enfático ao declarar que podemos até nos irar contra as coisas erradas, mas não podemos permitir que sejamos conduzidos pelo ódio (Ef. 4.26). A mansidão é uma virtude que se manifesta na disposição para aceitar os desígnios de Deus, foi o que Jesus fez quando aceitou a cruz do calvário, e entregou a Sua vida como um cordeiro (Mt. 27.14). Aqueles que são mansos agem com benignidade (II Co. 10.1), são humildes diante do semelhante (Ef. 4.2), e demonstram sabedoria (Tg. 3.13), sobretudo diante das perseguições (I Pe. 3.1-6). Por isso, ao invés de revidar, ou tratar “na mesma moeda”, devemos aceitar o dano, e perdoar até mesmo aqueles que nos perseguem (Mt. 5.43,44).

3. VIVENDO EM MANSIDÃO
Há vários exemplos bíblicos de pessoas que foram guiadas por Deus para viverem em mansidão. Abraão talvez seja o mais destacado, pois decidiu não pelejar contra seu sobrinho Ló, antes decidiu perder, sabendo que poderia ganhar mais com Deus (Gn. 13.8,9). Por ter aprendido com seu pai Abraão, Isaque também não quis contender com seus inimigos. Ele preferiu não disputar os poços, ainda que saísse no prejuízo (Gn. 26.20-26), justamente por isso recebeu a benção do Senhor (Gn. 26.24). Moisés é outro exemplo de mansidão, reconhecido no texto bíblico como um “varão mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm. 12.3). Paulo é um exemplo de mansidão, tendo em vista que aprendeu, através de um espinho na carne, a depender de Deus e da Sua graça, mesmo em tempos difíceis (II Co. 12.7). Espera-se dos pastores que ajam de igual modo, que não sejam rancorosos, que não incitem a contenda, que não se entreguem às pelejas. Antes que sejam “mansos para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade” (II Tm. 2.23-25). A abordagem predominante na sociedade, inclusive no ministério eclesiástico, é a de que as pessoas devem ser fortes. E se possível, devem se sobrepor às demais, justificando pelos seus méritos. Mas no reino de Deus deve ser diferente, os mais fortes são os mais fracos, são aqueles que aprenderam a depender de Deus, que não se impõem sobre os outros. Esse cristianismo moderno, fabricados pelas filosofias contemporâneas, distanciado das Escrituras, nada tem de cristão. As pelejas não podem ser naturalizadas, elas precisam ser combatidas, antes que envergonhem o evangelho.

CONCLUSÃO
O salmista declara que “os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Sl. 37.11), e Jesus reforça que “os mansos herdarão a terra”, se referindo àqueles que são súditos do Reino de Deus. Precisamos cultivar urgentemente essa virtude do Fruto do Espírito, antes que venhamos a nos engolir uns aos outros (Gl. 5.15). A espiritualidade de uma igreja local é medida pela disposição de conviver com os diferentes, e de se aceitarem mutuamente no amor de Jesus Cristo. 

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, A. G. Os frutos do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
OLIVEIRA, F. T. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Reflexão, 2016.