UMA SALVAÇÃO GRANDIOSA


Texto Áureo: Hb. 2.3 – Texto Bíblico: Hb. 2.1-18


INTRODUÇÃO
Os cristãos hebreus arriscavam-se, caso deixassem de atentar para a grandiosa salvação, providenciada por Deus. Por isso, conforme estudaremos na lição de hoje, fazia-se necessário persistir, mesmo diante do sofrimento, tendo Jesus como Expoente. Isso porque, através do Seu sacrifício, nos proveu a libertação, dando-nos, também, pelo Seu Espírito, a capacidade para vencer as provações.

1. UMA TÃO GRANDE SALVAÇÃO
A salvação que nos foi favorecida em Cristo é superior a atuação dos anjos, por isso não pode ser ignorada, ou mesmo esquecida. Essa “tão grande salvação” não foi trazida por intermédio dos anjos, como se acreditava ter ocorrido no judaísmo (Dt. 33.2; Gl. 3.19). A salvação tem relação direta com sua mensagem, não se trata, portanto, apenas de uma experiência subjetiva, distanciado do conteúdo bíblico. E essa mensagem foi declarada inicial pelo Senhor, e se encontra registrada nos Evangelhos, mas que também foi confirmada por aqueles que a ouviram, e pode ser conferida no texto neotestamentário. O testemunho desses é confirmado pelo próprio Deus, que se revelou nesses últimos dias através do Seu Filho (Hb. 1.1,2). Jesus é o Logos que se fez carne, e por esse motivo, nenhuma revelação pode ser comparada a Ele, pois nEle habita a plenitude da divindade, sendo Ele a Palavra Definitiva de Deus à humanidade (Jo. 1.1,14; Cl. 2.9). Por esse motivo, aqueles que se apartam dessa “grandiosa salvação” correm grave risco, pois se colocam debaixo da justa retribuição divina. Nesses tempos de lassidão evangélica, que não leva a sério a mensagem salvífica de Deus em Cristo, é preciso lembrar que há um juízo para aqueles que desconsideram o evangelho.

2. ALCANÇADA PELO SOFRIMENTO DE CRISTO
Conforme ressaltamos anteriormente, os anjos eram estimados naquela comunidade, por isso são abordados pelo autor, principalmente para ressaltar a supremacia de Cristo sobre eles. A fim de mostrar essa distinção e superioridade, o autor recorre a várias passagens do Antigo Testamento, que apontam para a autoridade de Cristo. Com base no Sl. 8, enfatiza não apenas que Jesus assumiu nossa humanidade, mas que também é o Homem Ideal, o projeto inicial de Deus (Hb. 2.9). E digno de destaque, para concretizar a salvação da humanidade, precisou adentrar pelo caminho do sofrimento (Hb. 2.10). Devemos atentar para essa condição, sobretudo nos dias atuais, nos quais os cristãos querem a glória, antes de carregarem a cruz. Aqueles que são discípulos de Jesus devem saber que existe uma cruz a ser carregada, e essa é uma demonstração de que nos identificamos com Ele (Mt. 16.24). O slogan evangélico “pare de sofrer” nada tem a ver com a mensagem genuinamente cristã. O próprio Cristo disse: “no mundo tereis aflições” (Jo. 16.33), e Paulo declarou que: “todos aqueles que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (II Tm. 3.12). O cristianismo sem sofrimento, que não admite uma cruz, é um cristianismo sem Cristo.

3. NOSSO LIBERTADOR
Uma das principais necessidades do homem é a de um Libertador, ainda que esse o busque onde não pode ser encontrado. Uma das maiores ilusões da filosofia moderna é a política, pois promete aquilo que não pode oferecer à humanidade. O grande mal que assola a sociedade é o pecado, com seu poder destrutivo, além de corromper os relacionamentos humanos, ainda distancia o pecador dAquele que o criou (Rm. 3.23). O salário desse é terrível, e o conduz à angústia extrema, por não saber como lidar com a morte (Rm. 6.23). Esta certamente era temida por alguns daqueles crentes hebreus, que estavam sendo perseguidos, e não sabiam o que lhes aconteceria, depois que a morte os alcançasse. Muitos cristãos, influenciados pela cultura moderna, também vivem assustados diante da morte, desconsiderando que essa é uma inimiga vencida no calvário (I Co. 15.54,55). Reconhecemos, no entanto, que essa vitória será consumada em sua plenitude no futuro, por ocasião da vinda de Jesus para ressuscitar e arrebatar os Seus (I Ts. 4.13-17). Enquanto esse dia não chega, devemos permanecer firmes nas promessas divinas, não podemos vacilar diante das perseguições. E temos motivos para perseverar, pois temos um Sacerdote que se idêntica com nossos sofrimentos, “sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb. 2.18). A palavra peirazo, no grego do Novo Testamento, tanto pode significar “tentação” quanto “provação”. Nessa passagem, é mais apropriado considerar que Jesus foi provado, que sabe o que é ser testado, por isso se identifica com nossas dores.

CONCLUSÃO
Jesus é superior aos anjos, a mensagem por Ele anunciado, e confirmada pelos discípulos, é digna de crédito. Ela nos liberta dos medos, especialmente da morte, pois Ele é a ressurreição e a vida (Jo. 11.24,25). A grandiosa salvação que nos foi favorecida, através do sacrifício vicário de Cristo, é a garantia de que seremos alcançados por Sua misericórdia, sendo Ele nosso Sacerdote. E mais, nos dará forças para prosseguir, e sermos mais do que vencedores (Rm. 8.37).

BIBLIOGRAFIA
BROWN, R. The message of Hebrews. Downers Grove: IVP, 1982.
KISTEMAKER, S. HebreusSão Paulo: Cultura Crista, 2003.

A CARTA AOS HEBREUS E A EXCELÊNCIA DE CRISTO


TEXTO ÁUREO
Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho(Hb 1.1).

VERDADE PRÁTICA
Por meio de Cristo, Deus revelou-se de uma forma especial e definitiva ao seu povo.

LEITURA DIÁRIA
Segunda — 2Tm 3.16
Hebreus, uma carta inspirada como as demais do Novo Testamento
Terça — 1Tm 3.16
Cristo, manifestado em carne
Quarta — Hb 1.1
A revelação profética na Antiga Aliança
Quinta — Hb 1.2,3
Cristo, a revelação final de Deus
Sexta — Hb 1.4,5
Cristo, superior aos anjos em natureza e essência
Sábado — Hb 1.6-8
Cristo, superior aos anjos em majestade e deidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Hebreus 1.1-14.
1 — Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho,
2 — a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
3 — O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas;
4 — feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
5 — Porque a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?
6 — E, quando outra vez introduz no mundo o Primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
7 — E, quanto aos anjos, diz: O que de seus anjos faz ventos e de seus ministros, labareda de fogo.
8 — Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino.
9 — Amaste a justiça e aborreceste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.
10 — E: Tu, Senhor, no princípio, fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos;
11 — eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão,
12 — e, como um manto, os enrolarás, e, como uma veste, se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.
13 — E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?
14 — Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

HINOS SUGERIDOS
306, 439 e 561 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL
Apresentar as características da Carta aos Hebreus e a superioridade de Cristo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

  • I. Pontuar a autoria, o destinatário e o propósito da Carta de Hebreus;
  • II. Expor a superioridade de Cristo em relação aos profetas;
  • III. Mostrar a superioridade de Cristo em relação aos anjos.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), iniciaremos mais um trimestre pela graça de Deus. A carta de Hebreus é o objeto do nosso estudo nestes próximos três meses. Antes de iniciar o estudo da primeira lição em classe, apresente o comentarista deste trimestre: pastor José Gonçalves, escritor, conferencista, comentarista de Lições Bíblicas Adultos da CPAD, membro da Comissão de Apologética da CGADB e líder da Assembleia de Deus em Água Branca — PI.

INTRODUÇÃO
Nesta lição introdutória do nosso estudo da Carta aos Hebreus, queremos iniciar dizendo que assim como todos os escritos da Bíblia, esta carta é um documento especial. Em nenhum outro documento do Novo Testamento encontramos um apelo exortativo tão forte. Isso possuía uma razão de ser — os crentes hebreus davam sinais de enfraquecimento espiritual e até mesmo o risco de abandonarem a fé! Era, portanto, urgente admoestá-los a perseverarem. Jesus, a quem o autor mostra ser maior do que os profetas, maior do que todas as hostes angélicas, maior do que Arão, Moisés, Josué e até mesmo os céus, é nosso grande ajudador nessa jornada.

PONTO CENTRAL
A carta de Hebreus é uma mensagem de instrução e exortação que serve à Igreja de Cristo ao longo dos séculos.

I. AUTORIA, DESTINATÁRIO E PROPÓSITO
1. Autoria. A Carta aos Hebreus não revela o nome do seu autor. Esse fato fez com que surgissem inúmeras controvérsias em torno de sua autoria. É certo que os cristãos primitivos sabiam quem realmente a escreveu; todavia, já por volta do segundo século da nossa era não havia mais consenso quanto a isso. Clemente de Alexandria, no final do segundo século, atribuiu ao apóstolo Paulo a sua autoria, contudo, ao afirmar que Paulo a escreveu em hebraico e que Lucas a teria traduzido para o grego, passou a ser duramente questionado. As razões são basicamente duas: O texto de Hebreus, um dos mais rebuscados do Novo Testamento grego, não parece ser uma tradução. Por outro lado, o estilo usado na carta não parece ser de forma alguma de Paulo. Outros nomes surgiram como possíveis autores de Hebreus: Barnabé, Apolo, Lucas, Clemente Romano, etc. O certo é que somente Deus sabe quem é o seu autor. Por outro lado, o fato de ter sua autoria desconhecida em nada diminui a sua autoridade.
2. Destinatários. Não há dúvida de que a Carta aos Hebreus foi escrita para cristãos judeus. Deve ser observado que essa carta foi endereçada a uma comunidade específica de cristãos e não a um grupo indeterminado. O autor conhece o público a quem endereça o seu texto e espera até mesmo encontrar-se com eles (Hb 13.19,23). Onde viviam esses crentes é um ponto debatido pelos teólogos. Baseados na expressão “os da Itália vos saúdam” (Hb 13.24), muitos eruditos argumentam que esses crentes se encontravam fora de Roma, capital do Império Romano. A data da carta é motivo de disputa, mas as evidências internas permitem-nos situá-la antes da destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 d.C.
3. Propósito. O escritor I. Howard Marshal observa que Hebreus combina instrução com exortação. De fato, essa carta possui uma grande carga exortativa. Ela exorta os crentes a terem ânimo, confiança e fé em um tempo marcado pela apostasia. Muitos pareciam estar desanimados com a oposição que a nova fé vinha sofrendo e em razão disso estavam voltando às antigas práticas judaicas. A carta, portanto, exorta esses crentes a suportarem as pressões e perseguições, lembrando-os que não haviam ainda derramado sangue pela sua fé (Hb 12.4). Essas palavras continuam ecoando nesses dias quando muitos crentes demonstram apatia e falta de fervor espiritual diante de um mundo hostil.

SÍNTESE DO TÓPICO (I)
A autoria de Hebreus é desconhecida; seus destinatários eram cristãos judeus; seu propósito, exortar os cristãos a terem ânimo e fé.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor(a), para introduzir o primeiro tópico desta lição, se possível, reproduza o quadro-resumo que se encontra abaixo. O objetivo é pontuar as questões de autoria, destinatário e propósito da carta em estudo.

CONHEÇA MAIS
Hebreus: Inigualável e não convencional
“Com relação à sua forma inigualável e não convencional, Orígenes observou: ‘Começa como um tratado, prossegue como um sermão e termina como uma carta’. Ao invés de iniciar com uma saudação, o primeiro parágrafo de Hebreus é semelhante às palavras de abertura de um tratado teológico formal (1.1-4). Então, o livro prossegue mais como um sermão do que como uma carta convencional do Novo Testamento, alternando-se entre um argumento cuidadosamente construído (baseado em uma exposição do Antigo Testamento) e uma séria exortação”. Para conhecer mais leia Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD, pp.1529-39.

II. CRISTO — A PALAVRA SUPERIOR A DOS PROFETAS
1. A revelação profética e a Antiga Aliança. Ao falar da supremacia de Jesus, o autor de Hebreus primeiramente o faz em relação aos profetas. Deus falou no passado pelos profetas e no presente pelo Filho (Hb 1.1). A revelação profética no antigo Israel fez com que esse povo se distinguisse dos demais. O autor mostra um Deus que se revela, que se comunica com os seus. Ele fala de uma forma direta a seu povo, não é um Deus mudo! Os advérbios gregos polymerôs (“muitas vezes”) e polytropos (“muitas maneiras”), que modificam o verbo falar, mostram a intensidade dessa comunicação. Deus, em nenhum momento da história, deixou o seu povo sem orientação. Ele fala, e fala sempre o que é necessário.
2. A revelação profética e a Nova Aliança. Aos cristãos da Nova Aliança, Deus falou por intermédio do seu Filho (Hb 1.1). O uso das expressões “havendo falado” ou “depois de ter falado” (Hb 1.1,2) por parte do autor mostra que essa ação de Deus foi um fato consumado. Isso tem levado alguns intérpretes a dizer que a partir daquele momento, Deus não falaria mais diretamente com ninguém. Mas isso é ir além daquilo que o autor tencionava dizer. O uso dessa expressão é mais bem entendida como significando que Deus falou de forma completa nos dias do autor, todavia, sem a conotação temporal de que não falaria mais no futuro. O Espírito profético, que é o Espírito de Cristo (1Pe 1.11; Rm 8.9,10), continua dando à Igreja hoje a percepção do plano e vontade de Deus para o seu povo (Jo 14.26; 15.26; 16.13). E isso sempre em consonância com as Escrituras.
3. Cristo: a revelação final. O objetivo do autor aqui, evidentemente, é mostrar que Cristo é o clímax da revelação profética. Ele é a revelação final! O ministério profético na Antiga Aliança era de importância ímpar. O Senhor disse que falaria por intermédio de seus profetas: “Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). O silêncio profético, portanto, era a pior forma de castigo que poderia vir ao antigo Israel. Os profetas eram importantes, mas a relevância deles estava muito longe daquela possuída por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Os profetas eram apenas servos, mas o Filho era o herdeiro de Deus e o agente da Criação (Hb 1.2). Ele é o redentor do mundo! Nenhum profeta morreu de forma vicária pelo povo de Deus.

SÍNTESE DO TÓPICO (II)
Da Antiga à Nova Aliança, Cristo é a revelação plena de Deus Pai, por isso, Ele é superior aos profetas.

SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO
REVELAÇÃO — [Do gr. apokalupsis; do lat. revelatio, tirar o véu] Manifestação sobrenatural de uma verdade que se achava oculta. Tendo em vista o caráter e a urgência das profecias do último livro da Bíblia, Apocalipse é considerado a revelação por excelência (Ap 1.1-3).
REVELAÇÃO BÍBLICA — Conhecimento divino preservado nas Sagradas Escrituras, e posto à disposição da humanidade. Consta do Antigo e do Novo Testamento. É a nossa única regra de fé e prática.
REVELAÇÃO PROGRESSIVA — Evolução progressiva e dispensacional das verdades divinas que, tendo a sua gênese no Antigo Testamento, culminaram e se completaram no Novo. O texto-áureo da revelação progressiva acha-se em Hebreus 1.1,2” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. RJ: CPAD, 1999, pp.255,56).

III. CRISTO — SUPERIOR AOS ANJOS
1. Cristo: superior em natureza e essência. Devemos ter sempre em mente que o autor de Hebreus tenciona mostrar a superioridade de Cristo em relação às demais ordens da criação. O seu foco aqui são os anjos. A cultura judaica via os anjos como seres de uma ordem superior e mediadores da revelação divina (At 7.53; Gl 3.19; Hb 2.2). Mesmo cercados de força e poder, os anjos eram inferiores ao Filho (Hb 1.4). Jesus é o reflexo da glória de Deus e possuidor da mesma essência divina (Hb 1.3). O autor usa dois vocábulos gregos que deixam isso bem definido: apaugasma e character, que significam respectivamente “radiância” e “reflexo”, traduzidos aqui como resplendor e “caráter”, com o sentido de expressão exata do seu ser. Embora sendo pessoas diferentes, tanto o Filho como o Pai possuem a mesma essência. Cristo é o Deus revelado!
2. Cristo: superior em majestade e deidade. O autor passa então a mostrar a supremacia de Cristo em relação aos anjos por meio de vários fatos documentados nas Escrituras. Os anjos são criaturas, o Filho é Criador. O filho é gerado, não criado. C. S. Lewis observa que o que Deus gera é Deus; assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus; da mesma forma que o que o homem faz não é homem. Daí a razão de os homens não serem filhos de Deus no mesmo sentido que Cristo. Eles podem assemelhar-se a Deus em certos aspectos, mas não pertencem à mesma espécie. O mesmo se pode dizer dos anjos. Eles não possuem a mesma essência divina que o Filho. É por essa razão que o autor destaca que o Filho é chamado de “Deus” (v.8) e que por isso merece adoração (v.6). A Ele toda honra e glória!

SÍNTESE DO TÓPICO (III)
Jesus Cristo é superior aos anjos em relação à natureza, essência, majestade e deidade.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
ANJOS. A palavra ‘anjo’ (hb. Malak; gr. angelos) significa ‘mensageiro’. Os anjos são mensageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.13.14), criados por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7; Sl 148.2,5; Cl 1.16).
(1) A Bíblia fala em anjos bons e em anjos maus, embora ressalte que todos os anjos foram originalmente criados bons e santos (Gn 1.31). Tendo livre-arbítrio, numerosos anjos participaram da rebelião de Satanás (Ez 28.12-17; 2Pe 2.4; Jd 6; Ap 12.9; Mt 4.10) e abandonaram o seu estado original de graça como servos de Deus, e assim perderam o direito à sua posição celestial.
(2) A Bíblia fala numa vasta hostes de anjos bons (1Rs 22.19; Sl 68.17; 148.2; Dn 7.9,10; Ap 5.11), embora os nomes de apenas dois sejam registrados nas Escrituras: Miguel (Dn 12.1; Jd 9; Ap 12.7) e Gabriel (Dn 9.21; Lc 1.19,26). Segundo parece, os anjos estão divididos em diferentes categorias: Miguel é chamado de arcanjo (lit.: ‘anjo principal’, Jd 9; 1Ts 4.16); há serafins (Is 6.2), querubins (Ez 10.1-3), anjos com autoridade e domínio (Ef 3.10; Cl 1.16) e as miríades de espíritos ministradores angelicais (Hb 1.13,14; Ap 5.11)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.386).

CONCLUSÃO
O autor de hebreus não quis se identificar, mas isso em nada compromete a autoridade desse documento. Desde os primórdios, a igreja valeu-se dos ensinos dessa carta para fortalecer a fé dos crentes. Clemente de Alexandria fez amplo uso das exortações encontradas nessa carta e, ao assim fazer, reconhecia o profundo valor espiritual de Hebreus. Nesses últimos dias, onde os joelhos de muitos cristãos parecem vacilantes, faz-se necessário atentarmos diligentemente para o conselho encontrado em Hebreus, “se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais o vosso coração” (3.7).

PARA REFLETIR
A respeito de a Carta aos Hebreus e a Excelência de Cristo, responda:

Quem é o autor da carta aos Hebreus?
A carta aos Hebreus não revela o nome do seu autor.
Para quem a carta foi escrita e por quê?
Ela foi escrita para os cristãos judeus. O propósito da carta foi para exortar aos cristãos a terem ânimo e fé em tempos de apostasia.
Segundo as Escrituras, o Espírito de Deus deixou de falar nos dias atuais?
Não. Deus, em nenhum momento da história, deixou o seu povo sem orientação.
Qual a pior forma de castigo que poderia vir ao antigo Israel?
O silêncio profético.
Por que o escritor da Carta aos Hebreus diz que os anjos são inferiores ao Filho?
Porque os anjos são criaturas, o Filho é Criador.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

A Carta aos Hebreus e a excelência de Cristo
O tema deste 1º trimestre é sobre uma importante epístola, Hebreus, por isso, leve em conta algumas sugestões abaixo:
• Estude com afinco a Carta aos Hebreus, lendo quantas vezes puder, e for necessário, os 13 capítulos da carta;
• Faça uma análise histórico-cultural da carta. Para essa atividade, leia a introdução da Bíblia de Estudo Pentecostal (editada pela CPAD) da Carta aos Hebreus e a introdução do Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento (editado pela CPAD). Por meio desse exercício é possível complementar mais informações importantes como: o propósito do autor, o contexto histórico dos destinatários da epístola.
• Faça uma análise teológica da carta. Aqui o assunto “Lei e Evangelho” tem grande relevância. Nesse aspecto, as obras mencionadas acima, bem como outras editadas pela CPAD, muito o ajudarão.
Ao iniciar seus estudos, tenha sempre em mente os objetivos gerais da lição, por exemplo, os da primeira lição: (I) Objetivo Geral: Apresentar as características da Carta aos Hebreus e a superioridade de Cristo; (II) Objetivos específicos: [1] Pontuar a autoria, o destinatário e o propósito da Carta de Hebreus; [2] Expor a superioridade de Cristo em relação aos profetas; [3] Mostrar a superioridade de Cristo em relação aos anjos.
Note como os objetivos específicos obedecem rigorosamente cada Tópico e subtópico da lição. E que o objetivo geral é o resultado do desdobramento de todos esses tópicos e subtópicos: ou seja, as características da carta e superioridade de Cristo. É importante ter toda essa estrutura da lição bem construída e compreendida na mente, pois esse entendimento é essencial para elaborar uma aula objetiva e com conteúdo.

Sugestão Pedagógica
Ao introduzir o conteúdo da primeira lição, é importantíssimo reproduzir e explicar resumidamente o esboço da Epístola aos Hebreus. Faça isso conforme as suas possibilidades. Você garantirá maior eficiência no processo de ensino-aprendizagem. Bom trimestre!

Material didático, visete: http://livroserevistasdaebd.blogspot.com.br/

VIVENDO COM A MENTE DE CRISTO


TEXTO ÁUREO
Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo(1Co 2.16)
VERDADE PRÁTICA
Diante de um mundo marcado pelos dias maus, não podemos viver sem ter a mente de Cristo.
LEITURA DIÁRIA 
Segunda — Mt 5.1-12
As bem-aventuranças trazem bom senso para a vida
Terça — Mt 5.13-16
Sendo sal para temperar e luz para iluminar 
Quarta — Mt 5.21-26
Sabedoria no relacionamento interpessoal 
Quinta — Mt 5.38-42
Guardando o coração do ódio e do mal 
Sexta — Mt 6.1-4
Fazendo o bem com a motivação correta 
Sábado — Mt 6.9-15
Orando a Deus com sabedoria
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE 
1 Coríntios 2.12-16.

12 — Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.
13 — As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.
14 — Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entend?-las, porque elas se discernem espiritualmente.
15 — Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
16 — Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.
HINOS SUGERIDOS
159, 463 e 620 da Harpa Cristã.
OBJETIVO GERAL
Explicar porque não podemos viver sem ter a mente de Cristo. 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos. 
  • I. Mostrar que somos peregrinos neste mundo tenebroso;
  • II. Compreender que precisamos viver em esperança e com a mente de Cristo. 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), chegamos ao final da nossa série de estudos a respeito da salvação. Com certeza, a sua fé e a de seus alunos foram fortalecidas mediante o estudo de cada lição. Aprendemos a respeito da maior e melhor dádiva divina que alguém pode receber: a salvação pela fé em Jesus Cristo. Não somos merecedores de tão grande dom, mas Ele, pela sua graça, nos salvou e fez de nós novas criaturas. Que venhamos louvar a Deus pela nossa salvação e partilhar deste presente com aqueles que ainda não receberam a Cristo como Salvador. 
INTRODUÇÃO
A doutrina da glorificação dos salvos, estudada na lição anterior, traz esperança à nossa vida. Ela nos lembra que somos peregrinos e forasteiros neste mundo e, por isso, devemos sempre ter a consciência da fugacidade da vida. A melhor maneira de viver com essa consciência é ter a mente de Cristo. 

PONTO CENTRAL
Somos peregrinos em terra estranha. 

I. PEREGRINOS NESTA TERRA

1. Peregrinos na terra. O peregrino está de passagem por uma terra que não lhe pertence, ele caminha em direção a um país cujo coração almeja. Para isso, o peregrino se torna nômade, não se apega ao local de estadia porque sabe que ele é provisório. Por onde caminha não experimenta conforto, pois carrega o mínimo de bagagem possível a fim de tornar o trajeto mais leve.
O patriarca Abraão é o modelo bíblico dessa imagem peregrina. O nosso pai da fé saiu da sua terra, deixou sua parentela, foi ao encontro da Terra Prometida e fez da peregrinação um estilo de vida (Hb 11.9). Da mesma forma, nós os cristãos somos peregrinos neste mundo. Por isso, não podemos nos embaraçar com as coisas desta vida nem permitir que ocupem o lugar que pertence ao Senhor em nosso coração (1Tm 2.4). Isso não significa irresponsabilidades com o trabalho, os estudos e a família, mas uma motivação correta do coração para priorizar “as coisas que são de cima” (Cl 3.1).
2. Cidadãos celestiais. A Bíblia se refere ao fato de que os crentes não são deste mundo (Jo 17.16) e anseiam por sua pátria celestial (Fp 3.20). Dessa forma, não podemos nos conformar com este mundo, pois o nosso estilo de vida deve refletir o exemplo de Jesus revelado nos Evangelhos: uma vida marcada pela prática da justiça, do acolhimento aos sofredores, da libertação dos oprimidos pelo Diabo e, especialmente, da prática de amar o próximo, uma virtude eterna (1Co 13.13). Nesse sentido, podemos viver um pouco do Reino de Deus nesta Terra (Mt 6.33), embora haja uma tensão entre o tempo presente e a esperança da glória futura a ser manifestada brevemente (Rm 8.18,19,25).

SÍNTESE DO TÓPICO (I) 
Estamos neste mundo de passagem, o nosso destino é o céu.
SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO

Parepidemos, adjetivo que significa ‘peregrinar num lugar estranho, longe do próprio povo’ (formado de para, ‘de’, expressando uma condição contrária, e epidemeõ, ‘peregrinar’; cognato de demos, ‘povo’), é usado acerca dos santos do Antigo Testamento (Hb 11.13, ‘peregrinos’, tanto com o termo xenos, ‘estrangeiro’); dos cristãos (1Pe 1.1, ‘estrangeiros [dispersos]’; 1Pe 2.11, ‘peregrinos’, junto com o termo paroikos, ‘estrangeiro, forasteiro, hóspede’); a palavra é usada metaforicamente acerca daqueles a quem o céu é a sua pátria, e que são peregrinos na terra” (Dicionário Vine. 14ª Edição. RJ: CPAD, 2011, p.869).

II. VIVENDO EM ESPERANÇA COM A MENTE DE CRISTO

1. Passando pelas provações com a mente de Cristo. Enquanto vivermos neste mundo, seremos afetados pelas fraquezas e circunstâncias difíceis. Por isso devemos aprender a viver com a sabedoria do alto (Tg 3.17; Fp 4.8). Nesse aspecto, o apóstolo Paulo exorta a igreja de Filipos a ter o mesmo sentimento de humildade de Cristo, esvaziando-se da prepotência, do orgulho, do apego aos títulos e posições, para cumprir o celestial propósito de servir (Fp 2.5-8). Ora, se temos a mente de Cristo, como ensina o apóstolo dos gentios, logo, sabemos discernir bem as coisas espirituais das materiais; por isso, escolhemos priorizar o Reino de Deus e a sua justiça na esperança de que Deus cuidará de nossas vidas (Mt 6.33).
2. Um olhar para além das circunstâncias. Neste tempo presente, com os olhos focados em Cristo, podemos viver em esperança (Hb 11.1). Quando o nosso pensamento está de acordo com os ensinos do nosso mestre, podemos voltar os nossos olhos para além das circunstâncias difíceis. Isso não significa escapismo ou fantasia, mas uma alegre motivação e encorajamento para enfrentarmos as batalhas com a convicção de que Deus nos fortalecerá. Quando temos esperança em Cristo, e por intermédio dEle aprendemos a viver melhor, buscamos uma vida mais simples parecida com Jesus (Mt 6.19-21) e nos lançamos aos seus pés na certeza de que Ele tem cuidado de nós (1Pe 5.7). Assim, a vida fica mais leve (Mt 11.28-30).

SÍNTESE DO TÓPICO (II) 
Para manter a nossa esperança viva precisamos ter a mente de Cristo.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Como ovelhas para o matadouro (Rm 8.36)
As adversidades alistadas pelo apóstolo nos versículos 35,36 de Romanos 8, têm sido experimentadas pelo povo de Deus através dos tempos. Nenhum crente deve estranhar o fato de experimentar adversidades, perseguição, fome, pobreza ou perigo. Aflições e calamidades não significam, decerto, que Deus nos abandonou, nem que Ele deixou de nos amar. Pelo contrário, nosso sofrimento como crentes, abrir-nos-á o caminho pelo qual experimentaremos mais do amor e do consolo de Deus (2Co 1.4,5). Paulo nos garante que venceremos em todas essas adversidades e que seremos mais que vencedores por meio de Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1714).

CONCLUSÃO

Somos peregrinos em terra estranha. Sentimos saudades de uma terra que ainda não conhecemos, como canta o poeta: “Oh! que saudosa lembrança / tenho de ti, ó Sião” (Harpa Cristã, nº 2). Portanto, vivamos sabiamente com a mente de Cristo até o nosso Salvador voltar para nos buscar. Maranata!
PARA REFLETIR 
A respeito de vivendo com a mente de Cristo, responda:

Conceitue a palavra “peregrino”.
Peregrino significa andante, alguém que está caminhando fora da sua terra, estrangeiro.

Quem é o modelo bíblico de uma vida peregrina?
O patriarca Abraão é o modelo bíblico dessa imagem peregrina.

O que o nosso estilo de vida deve refletir?
O nosso estilo de vida deve refletir o exemplo de Jesus revelado nos Evangelhos: uma vida marcada pela prática da justiça, do acolhimento aos sofredores, da libertação dos oprimidos pelo Diabo e, especialmente, da prática de amar o próximo, uma virtude eterna.

Qual a consequência de termos a mente de Cristo?
Se tivermos a mente de Cristo, como ensina o apóstolo dos gentios, logo, sabemos discernir bem as coisas espirituais das materiais.

Você tem esperança?
Resposta pessoal. Mas neste tempo presente, com os olhos focados em Cristo, podemos viver em esperança. Quando o nosso pensamento está de acordo com os ensinos do nosso Mestre, podemos voltar os nossos olhos para além das circunstâncias difíceis. 
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO 
Vivendo com a Mente de Cristo

A fim de vivermos sabiamente neste mundo é preciso compreender algumas verdades bíblicas fundamentais: (1) Como discípulos de Cristo, somos peregrinos nesta Terra (Tg 4.14); (2) conscientes de nossa provisoriedade terrena, precisamos ter a mente de Cristo (1Co 2.16). Essas duas verdades bíblicas nos farão compreender melhor o mundo onde que vivemos.
A marca do mundo hodierno é a prática de uma vida sem moderação, bom senso equilíbrio e ordem. No contexto desse mundo que os discípulos de Cristo são chamados por Deus para “salgar” e “iluminar” a Terra (Mt 5.13,14) —, apresentando as virtudes do Reino de Deus em cada relacionamento que estabelecemos na sociedade.
Saber quem somos e discernir que tipo de mundo está diante de nós, só é um exercício possível tendo a mente de Cristo, isto é, uma vida norteada pelos valores que o nosso Senhor ensinou nos Evangelhos. Quando temos a mente de Cristo, mesmo diante da provisoriedade da vida, da decadência do mundo e das crises humanas, mantemos a esperança, pois focados em Cristo, podemos ter um olhar muito além das circunstâncias (Hb 11.1).