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CARTA AOS EFÉSIOS – SAUDAÇÃO AOS DESTINATÁRIOS

Texto Base: Ef.1:1,2; Atos 19:1-7
05/04/2020
“A vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo” (Ef.1:2).

Efésios 1:
1.Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus:
2.a vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.
Atos 19:
1.E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos,
2.disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.
3.Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de João.
4.Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.
5.E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.
6.E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam.
7.Estes eram, ao todo, uns doze varões.

INTRODUÇÃO

Estamos iniciando mais um trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical, esta que é a mais icônica instituição discipuladora, ao longo de sua existência, de forma contínua, das Assembleias de Deus no Brasil, quiçá, do mundo; milhões de pessoas foram e estão sendo beneficiadas espiritualmente e moldado o seu caráter nos padrões que o Espírito Santo requer ao um verdadeiro cristão. Sem dúvida, a EBD tem cumprido cabalmente a grande comissão estabelecida por Jesus Cristo, antes de Sua ascensão, e que foi registrada por Mateus – “Portanto, ide, ensinai todas as nações [...]; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado[...]” (Mt.28:19,20). Como bem diz o Pr. Caramuru Afonso Francisco, “A EBD é a igreja reunida, ensinando enquanto evangeliza, e evangelizando enquanto ensina”.
Neste Trimestre letivo trataremos do seguinte tema: “A Igreja Eleita – Redimida pelo Sangue de Cristo e selada com o Espírito Santo da Promessa”. Teremos como base a Epístola aos Efésios, esta que é considerada pelos estudiosos da Bíblia como uma síntese de todo o cristianismo. As principais doutrinas básicas da Igreja de Cristo estão contidas neste inspirado compêndio doutrinário, como a que estudaremos neste trimestre letivo – a Eleição da Igreja. Nesta obra prima, Paulo é contundente e claro em suas palavras: a Igreja, o povo de Deus da Nova Aliança, é a Eleita de Deus em Cristo Jesus. Enfim, Efésios é uma combinação da doutrina cristã (capítulos 1 a 3) com o dever cristão (capítulos 4 a 6).
Devo acreditar que os estudos deste trimestre nos trarão revelações espirituais que devem conduzir-nos à verdadeira adoração, gratidão, e maior maturidade cristã e espiritual. Nesta primeira Aula trataremos dos aspectos introdutórios da Epístola, tais como: autoria, data que foi escrita, os destinatários, propósito e mensagem.

CAPA DO TRIMESTRE

A capa do trimestre traz um rolo selado, sendo este selo vermelho com uma figura de um leão coroado, a nos mostrar que a escolha divina foi de salvar o ser humano pelo sangue de Jesus, o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi (Ap.5:5), bem como que, por meio de Cristo, passamos a ser propriedade do Senhor (1Co.1:30), sendo, por isso, selados pelo Espírito Santo, algo que também é afirmado pelo apóstolo nesta Epístola aos efésios (Ef.1:13).
Além da cor vermelha do selo, há, também a coroa de espinhos, a nos lembrar o sacrifício de Cristo, que tomou o lugar do pecador, para satisfazer a justiça divina e, deste modo, permitir que passasse a existir um povo de Deus na face da Terra, que se aproxima de Deus pelo derramamento do sangue de Cristo (Ef.2:13). Na carta aos Efésios é dito claramente que a redenção do homem vem pelo sangue de Jesus (Ef.1:7) (Fonte: PortalEBD).

DIVISÃO EM BLOCOS

O trimestre está dividido em três blocos, a saber:
-Primeiro bloco (Lição 01). Neste bloco é feita a apresentação da Epístola como também uma análise das saudações iniciais, com a identificação do remetente e dos destinatários.
-Segundo bloco (Lições 2 a 10). As lições deste bloco dizem respeito à parte doutrinária da Epístola, onde são registrados os ensinamentos relacionados com o que significa ser Igreja, as bênçãos de que é alvo, o significado da salvação, a natureza da Igreja, além da oração que Paulo faz em favor da Igreja.
-Terceiro bloco (Lições 11 a 13). As lições deste bloco dizem respeito à parte prática da Epístola, onde é registrada a conduta que devem ter os salvos em Cristo Jesus em sua peregrinação terrena (Fonte: PortalEBD).

I. AUTORIA E DATA

1. Autoria

Sem dúvida, esta Epístola reclama a autoria paulina de forma explícita (Ef.1:1; 3:1). Praticamente todos os eruditos, desde o primeiro século, apontam o apóstolo Paulo como o autor de Efésios. Já no segundo século depois de Cristo, os pais da igreja atribuíram esta Epístola a Paulo de Tarso. Inácio de Antioquia (martirizado em 115 d.C.) conhecia a Epístola aos Efésios e atribuía a sua autoria ao apóstolo dos gentios, que também é sustentada por outros líderes cristãos do segundo século, incluindo Irineu de Lyon, Clemente de Alexandria e Tertuliano de Cartago. O próprio apóstolo se apresenta como o remetente de Efésios - “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef.1:1).
Muitas expressões que são comuns em outras Epístolas de sua autoria são encontradas com frequência em Efésio. A linguagem e o estilo de Efésios são diferentes em alguns aspectos quando comparadas com outras epístolas/cartas de Paulo; ainda assim, parecem-se tanto com Paulo que mesmo se a Epístola não tivesse o seu nome, seria difícil imaginar que a Igreja creditasse sua autoria a qualquer outra pessoa.

2. A assinatura apostólica

O Novo Testamento contém 13(treze) Epístolas/Cartas escritas pelo apóstolo Paulo, e em todas elas o autor deixou a sua assinatura. Efésios, em alguns sentidos, é uma Epístola típica de Paulo: contém a saudação, as ações de graça, o desenvolvimento da doutrina seguida de sua aplicação e as saudações finais. Por duas vezes, o autor diz que se chama Paulo (Ef.1:1; 3:1), e o conteúdo é tão parecido com o da Epístola aos Colossenses (em alguns aspectos) que dá a entender que ambas devem ter sido escritas quase ao mesmo tempo. Portanto, a estrutura de Efésios é tipicamente paulina e a sua assinatura apostólica é assaz perceptível e inconfundível.
O pastor Douglas Baptista chama a nossa atenção para uma curiosidade na saudação da Epístola aos Efésios, o que ocorre em todas as demais epístolas paulinas: “a identificação pelo seu nome romano, Paulo, e nunca pelo nome judeu, Saulo, provavelmente por considerar que Paulo era mais apropriado para evangelizar o mundo gentílico (Rm.11:13). Outro detalhe relevante é que, em sete das suas Epístolas (1Coríntios; 2Cocoríntios; Gálatas; Efésios; Colossenses; 1Timóteo e 2Timóteo), Paulo reivindica explicitamente a sua autoridade apostólica com a ressalva: ‘pela vontade de Deus’. Isso significa que o seu chamado e apostolado ‘não era da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos’ (Gl.1:1)” (Douglas Baptista. A Igreja eleita).

3. Uma Epístola da prisão

Pelo que se percebe pelos próprios escritos de Paulo, ele escreveu 05(cinco) Epístolas na prisão: sendo 04 (quatro) por ocasião da primeira prisão e 01(uma) por ocasião da segunda prisão em Roma, sendo esta a última que ele escreveu, na antessala do martírio.
Paulo foi preso várias vezes. O Livro de Atos revela sua prisão em Filipos, em Jerusalém, em Cesaréia e em Roma. Paulo ficou preso boa parte da sua atividade apostólica. Ele podia estar encarcerado, mas a Palavra de Deus não estava algemada, como ele mesmo afirmou: “pelo que sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está Presa” (2Tm2:9). Ele era um embaixador em cadeias; jamais se sentiu prisioneiro de homens, mas sempre prisioneiro de Cristo.
Epístolas da Primeira Prisão, em Roma: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom
Depois de três meses que estava na Grécia, o apóstolo resolveu voltar à Judeia. Nesse contexto houve uma revolta popular em Jerusalém que culminou na prisão de Paulo em Cesareia por dois anos (Atos 20:1-24:27). Por ser cidadão romano, Paulo solicitou uma audiência com o imperador.
Após apelar para o tribunal de César, o apóstolo foi conduzido a Roma, onde permaneceu em prisão domiciliar por dois anos inteiros (Atos 28:30). A julgar pelas condições favoráveis na casa alugada para esse fim, tais como: ausência de restrições para receber visitas e o não cerceamento da liberdade para escrever e ensinar (Atos 28:31), ratifica-se que a prisão em Roma foi o local de redação das chamadas “Epístolas da Prisão”.
Foi durante esse cárcere em Roma que provavelmente Paulo escreveu as Epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e a Carta a Filemom. Por isso, estas são chamadas de “epístolas da prisão”. Alguns comentaristas sugerem que pelo menos uma dessas Epístolas talvez tenha sido escrita durante o tempo de prisão em Cesareia.
Epístola da Segunda Prisão, em Roma: 2Timóteo
O texto bíblico não explica exatamente o que aconteceu com Paulo após sua primeira prisão em Roma, registrada no final do livro de Atos dos Apóstolos. Provavelmente, ele foi libertado e talvez tenha saído numa nova viagem missionária; é possível que ele tenha conseguido chegar até a Espanha e depois visitado as cidades da região do mar Egeu (cf. Rm.15:24; 1Tm.1:3; Tito 1:5; 3:12). Caso isto esteja correto, então é possível que as chamadas epístolas pastorais (1Timóteo, Tito e 2Timóteo) tenham sido escritas durante esse período final de seu ministério.
Primeiramente, ele teria escrito as Epístolas de 1Timóteo e Tito; depois, já encarcerado novamente em Roma, na metade da década de 60 d.C., conforme afirma a tradição, ele teria escrito a Epístola de 2Timóteo, pouco antes de ser executado (cf.2Tm.4:6-18). Certo é que, depois de enxergar tamanha dedicação do apóstolo à causa do Evangelho, facilmente podemos entender a conclusão que ele próprio fez acerca de sua vida e ministério, ao dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé” (2Tm.4:7).
Este grande bandeirante do Evangelho, escreveu estas Epístolas de sua prisão em Roma; mas, antes de chegar à capital do império, Paulo já tinha passado por provas e tribulações terríveis: ele tinha sido perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém e esquecido em Tarso; já tinha sido apedrejado em Listra, açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica, enxotado de Beréia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto; já tinha sido fustigado três vezes com varas pelos romanos e recebido 195 açoites dos judeus (2Co.11:24,25); enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém e acusado em Cesareia; enfrentou um naufrágio avassalador ao dirigir-se a Roma e foi picado por uma cobra altamente venenosa em Malta.
O velho apóstolo chegou a Roma preso e algemado. Ficou sendo vigiado pela guarda pretoriana - a guarda de elite do palácio imperial composta de 16 mil soldados de escol. A despeito disso, encorajou os crentes de Roma e escreveu epístolas/cartas às igrejas das províncias da Macedônia e da Ásia Menor. Apesar de estar preso em Roma, ele não se considerava prisioneiro de César, mas prisioneiro de Cristo Jesus (Ef.3:1), prisioneiro no Senhor (Ef.4:1) e embaixador em cadeias (Ef.6:20).
Como bem afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a vida de Paulo foi um milagre; seu sofrimento, um monumento; suas cicatrizes, seu vibrante testemunho. Ele foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado; mas, em vez de fechar as cortinas da vida com pessimismo, amargura e ressentimento, termina erguendo ao Céu um tributo de louvor ao Senhor: "eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia" (2Tm.1:12).
Em Roma, na antessala do martírio, de forma imperturbável, impressionante e com alegria na alma, Paulo ergue ao Céu sua última doxologia: “combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé; desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos aqueles que amarem a sua vinda” (2Tm.4:7,8). "a Ele [o Senhor Jesus Cristo], glória pelos séculos dos séculos. Amém" (2Tm.4:18b).
Paulo tombou na terra, pelo martírio, mas ergueu-se no Céu para receber a recompensa, como o mais vitorioso e destacado bandeirante da fé. Glórias sejam dadas a Jesus Cristo!

4. Data

Conforme está registrado no Livro de Atos, Paulo realizou três viagens missionárias. Após estas viagens e ter implantado várias igrejas por onde passou, principalmente na Ásia e na Macedônia, ele foi preso em Cesareia por um período de dois anos, entre 58 e 60 d.C. (Atos 24:27).
Em razão de as datas serem aproximadas, a estimativa da chegada de Paulo em Roma fica entre 60 e 62 d.C. Partindo dessa premissa, a data provável da escrita aos Efésios ocorreu por volta dos anos 61 e 62 d.C. Tíquico foi o portador das Epístolas aos Efésios e aos Colossenses, que, possivelmente, foram despachadas na mesma ocasião que a carta a Filemom (Ef.6:21,22; Cl.4:7-9).

5. Contexto e Tema

a) Contexto. John Stott afirmou:
-Efésios é uma síntese maravilhosamente concisa, mas abrangente, das boas-novas e suas implicações. Ninguém pode ler Efésios sem ser levado a se maravilhar e adorar, e desafiado a levar uma vida de santidade e fidelidade. A Epístola concentra-se no que Deus fez por meio da obra de Jesus Cristo e o que Ele faz por meio do Seu Espírito, hoje, para edificar sua ‘nova sociedade’ em meio à ‘velha sociedade’.
-Efésios conta como Jesus Cristo derramou Seu sangue em uma morte sacrificial pelo pecado, foi ressuscitado da morte pelo poder de Deus e exaltado, acima de tudo que competia com Ele, ao lugar supremo, tanto no universo como na Igreja. Mais do que isso, nós, que estamos ‘em Cristo’, unidos a Ele pela fé, compartilhamos esses grandes eventos. Fomos ressuscitados da morte espiritual, exaltados ao Céu e lá nos assentaremos com Ele. Também fomos reconciliados com Deus e uns com os outros. Consequentemente, por meio de Cristo e em Cristo, somos a nova sociedade de Deus, a nova humanidade singular que Ele está criando, a qual inclui judeus e gentios em igualdade de condições. Somos a família de Deus Pai, o Corpo de Jesus Cristo, seu Filho, e o Templo ou morada do Espírito Santo.
Portanto, devemos demonstrar clara e visivelmente a realidade desta novidade que Deus fez: em primeiro lugar, pela unidade e diversidade de nossa vida comum; segundo, pela pureza e pelo amor de nossa conduta diária; em seguida, pela submissão mútua e cuidado de nossos relacionamentos em casa; e, por último, pela estabilidade na luta contra os principados e potestades do mal. Então, na plenitude do tempo, o propósito de unificação de Deus será completo sob a liderança de Jesus Cristo” (John Stott. Lendo Efésios).
b) Tema. Os grandes temas da fé cristã adornam a coroa de Efésios. Os capítulos mais destacados da soteriologia e da eclesiologia podem ser encontrados nessa obra-prima. Contudo, o foco de Efésios é o “mistério”, dantes guardados no coração de Deus, e que agora fora revelado.
A verdade sublime que compõe o tema da Epístola aos Efésios é o anúncio de que os crentes, tanto judeus como gentios, formam agora uma unidade em Cristo Jesus; são membros lado a lado da mesma Igreja, o Corpo de Cristo. No presente momento estão assentados em Cristo nos lugares celestiais; no futuro, vão compartilhar da Sua glória como Cabeça de todas as coisas.
O tema central, portanto, da Epístola é: “a nova sociedade de Deus”. Eu diria: “A Igreja, o novo povo eleito de Deus”. Enfim, em Efésios, a Igreja é:
  • A nova humanidade de Deus, uma colônia onde o Senhor da história estabeleceu uma amostra da unidade e dignidade renovada da raça humana (Ef.1:10-14; 2:11-22: 3:6,9-11; 4:1-6:9).
  • Uma comunidade onde o poder de Deus de reconciliar as pessoas a si próprio é experimentado e compartilhado através de relacionamentos transformados (Ef.2:1-10; 4:1-16; 4:32-5:2; 5:22-6:9).
  • Um novo templo, uma construção feita de pessoas, fundada na revelação segura do que Deus tem feito na história (Ef.2:19-22; 3:17-19).
  • Um organismo onde o poder e a autoridade são exercidos segundo o padrão de Cristo (Ef.1:22; 5:25-27), e a sua mordomia é uma maneira de servi-lo (Ef.4:11-16; 5:22-6:9).
  • Um posto avançado num mundo tenebroso (Ef.5:3-17), buscando o dia da redenção final.
  • Acima de tudo, a Igreja é a Noiva que se prepara para a chegada do seu amado esposo (Ef.5:22-32).

II. DESTINATÁRIOS

1. Destinatários

Alguns eruditos consideram Efésios uma Epístola circular dirigida às igrejas da Ásia, e não apenas uma Epístola dirigida particularmente à Igreja de Éfeso, uma vez que Paulo não trata ali de problemas locais como o faz nas outras epístolas. Mesmo que isso seja um fato, isso em nada deslustra a integridade e a pertinência de sua mensagem.
Efésios também é considerada uma Epístola gêmea de Colossenses. Escritas do mesmo local, no mesmo período e levadas às igrejas pelo mesmo portador, Tíquico, ambas tratam basicamente das mesmas coisas.
Primeiramente, a Epístola é endereçada “aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef.1:1). “Santos e fiéis em Cristo Jesus”, que excelente reputação! O que seria necessário para que outrem nos caracterizassem como um santo e fiel seguidor de Cristo Jesus? Certamente, manter-nos firmes em nossa fé, continuamente. Agindo assim, ficaremos conhecidos com santo e fiel seguidor do Senhor Jesus Cristo, como os cristãos de Éfeso.
a)    “Aos santos”. A palavra “santo” não quer dizer uma pessoa que não peca. Também não são pessoas mortas canonizadas, mas pessoas vivas separadas por Deus para viver uma vida diferente; são pessoas que foram separadas do mundo por Deus. A palavra grega hagioi, "santos", quer dizer separados, é um nome que se aplica no Novo Testamento a todos os que são nascidos de novo, “novas criaturas” (2Co.5:17).
Basicamente a palavra se refere à posição do crente “em Cristo”, mais do que ao que ele é em si mesmo. Em Cristo todos os crentes são “santos”, mesmo quando não se comportam de maneira santa. Por exemplo, Paulo chama os crentes de Corinto de santos (1Co.1:2), porém, pelo que há nessa Epístola fica evidente que a vida deles não era rigorosamente santa. Entretanto, a vontade de Deus é que a vida prática do crente seja condizente com a sua posição em Cristo: “santos” de vida santa.
Segundo Russell P. Shedd:
-“Nos dias do Antigo Testamento, o tabernáculo, o templo, o sábado e o próprio povo eram santos por ser consagrados, separados para o serviço de Deus. Uma pessoa não é "santa" nesse sentido por mérito pessoal; ela é alguém separada por Deus e, por conseguinte, é chamada a viver em santidade.
-“No Novo Testamento, através do Espírito de santificação, santo é ‘alguém separado para pertencer exclusivamente a Deus’, são os nascidos de novo. Paulo envia a Epístola aos Efésios com a pressuposição de que os seus leitores são pessoas realmente convertidas e separadas para o reino de Cristo”.
b)    Aos “fiéis em Cristo Jesus”. “Fiéis”, aqui, significa “aqueles que se comprometeram com Cristo, que aceitaram o convite de sair do mundo perdido para o reino do Filho do seu amor”; em outras palavras: significa aqueles que creem, sendo, portanto, uma descrição dos cristãos verdadeiros. Esse comportamento dos cristãos de Éfeso é uma decisão definitiva e clara; é uma mudança de posição, não geográfica, mas mental, quanto a quem é Jesus Cristo e quanto a todos os outros senhorios do mundo, inclusive o de César. Dando esse passo, tornam-se fiéis. A palavra “fiéis” também carrega a ideia de fidelidade: eles não apenas deram aquele passo, quando se batizaram e se identificaram com Cristo, mas continuavam se identificando permanentemente. É verdade que os crentes também devem ser fiéis no sentido de fidedignidade, ou seja, devem ser merecedores de confiança. Porém, a ideia principal é que são pessoas que aceitaram Cristo Jesus como o seu único Senhor e Salvador.

2. Breve painel da Cidade de Éfeso.

a) A Cidade de Éfeso. A cidade de Éfeso era uma das cinco maiores cidades do Império Romano, ao lado de Roma, Corinto, Antioquia e Alexandria. Era um importante centro comercial, político e religioso de toda a Ásia Menor. Nesta cidade estava situado o templo dedicado ao ídolo grego Ártemis (Diana para os romanos) - “Então, o escrivão da cidade, tendo apaziguado a multidão, disse: Varões efésios, qual é o homem que não sabe que a cidade dos efésios é a guardadora do templo da grande deusa Diana e da imagem que desceu de Júpiter?” (Atos 19:35).
Éfeso abrangia uma extensa área, ela ficava localizada no território da Lídia entre as cidades antigas de Esmirna e Mileto. Era uma cidade portuária cujo Porto desaguava no mar Egeu. Por causa dessas boas instalações portuárias e das várias estradas que ligavam a cidade ao vasto Império Romano, Éfeso alcançou a posição de grande metrópole com cerca de 500 mil habitantes; era a sede do procônsul romano e da confederação de cidades da Ásia Menor.
b) A religiosidade em Éfeso. Esta cidade foi o centro de culto ao ídolo “Diana”, a chamada deusa da fertilidade, cujo templo, localizado a cerca de 1.600 metros da cidade, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo e constituía o principal motivo de orgulho para Éfeso. Quatro vezes maior do que o Partenon de Atenas, o templo de Éfeso levou, segundo a tradição, 220 anos para ser construído. Corria, na época, um dito popular de que "o Sol nada via mais belo no seu trajeto do que o templo de Diana”.
No argumento do Pr. Douglas Baptista, “o livro de Atos informa que a imagem adorada no templo havia ‘caído do céu’ (Atos 19:35). Provavelmente algum meteorito fora recolhido e talhado para moldar a imagem. Essa crendice sinaliza que a religiosidade dos efésios era permeada de superstições. O cortejo do templo, que abrangia sacerdotes, sacerdotisas, assistentes e escravos eunucos que cultuavam por meio de atos sexuais, indica o nível de depravação e imoralidade daquela cidade.
A maior fonte de renda da cidade era o comércio de nichos de prata do ídolo Diana, que eram comercializados no templo. A prostituição, a pornografia e as artes mágicas também auferiam lucros financeiros. Sendo o centro de vários outros cultos pagãos, inclusive o culto aos imperadores romanos deificados, a cidade era conhecida como arch paganismi, que quer dizer ‘o cúmulo do paganismo’”.
O culto idólatra também era estimulado pela crença e pela prática do ocultismo referendado por inúmeros livros de artes mágicas, encantamentos, amuletos, sacrilégios e feitiços. O temor dos fenômenos sobrenaturais ou supranormais, mantinha a cidade espiritualmente cega e escravizada. Com a mensagem do Evangelho, muitos dos que receberam a Cristo ‘trouxeram os seus livros e os queimaram na presença de todos’ (Atos 19:18,19).
John Stott ressalta que o fato de os recém-convertidos estarem dispostos a jogar seus livros no fogo, em vez de converterem o seu valor em dinheiro, vendendo-os, era uma evidência notável da sinceridade de suas conversões, era um sinal claro de que o povo de Éfeso estava desistindo da magia e abraçando o Evangelho de Jesus Cristo. Esse exemplo levou a outras conversões, pois “assim a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (Atos 19:20).
Segundo alguns estudiosos, o valor total daqueles livros correspondia a cinquenta mil denários, ou seja, a 150 anos de salário de um trabalhador comum, levando em consideração que o salário de um trabalhador era de um denário por dia.
Somente o Evangelho tem o poder de mudar o caráter do ser humano, a sua cultura pervertida, a sua religiosidade infame, fazendo com que esse ser humano seja santo e fiel em Cristo Jesus.
Segundo Simon Kistemaker:
“Éfeso se tornou a depositaria da literatura sagrada que formou o cânone do Novo Testamento. Durante o tempo em que Paulo viveu em Éfeso, ele escreveu suas Epístolas aos Coríntios. Quando Paulo ficou em prisão domiciliar em Roma, ele enviou sua carta aos Efésios. Nos anos posteriores, quando Timóteo era pastor em Éfeso, Paulo despachou as duas epístolas que levam o nome de Timóteo. Algumas décadas mais tarde, o apóstolo João compôs seu Evangelho e suas três epístolas de Éfeso. De certa maneira, pode-se dizer que assim como o Antigo Testamento fora confiado aos judeus (Rm.3:2), da mesma forma os efésios se tornaram os guardiães do Novo Testamento” (KISTEMAKER, Simon. Atos. Vol.2).

3. A Igreja em Éfeso

O apóstolo Paulo visitou Éfeso pela primeira vez em sua segunda viagem missionária (Atos 18:19-21). Ela foi a igreja que João pastoreava quando foi desterrado para a solitária Ilha de Patmos, segundo a tradição Cristã dos primeiros séculos.
Na terceira viagem missionária, Paulo permaneceu nessa cidade por quase três anos (Atos 20:31). Ao chegar em Éfeso, ele encontrou doze discípulos, os quais batizou nas águas e conduziu-os a receber o batismo com o Espírito Santo (Atos 19:5-7). Em seguida, evangelizou os judeus na sinagoga por um espaço de três meses (Atos 19:8); e como alguns judeus resistiram ao Evangelho, ele se dedicou a pregar e a ensinar aos gentios num salão alugado na escola de Tirano (Atos 19:9). Ali, ele plantou uma pujante igreja, que se tornou influenciadora em todos os rincões da Ásia Menor.
Em Éfeso, Deus usou Paulo poderosamente. A Bíblia diz que até os lenços e aventais do apóstolo foram usados para curar os enfermos e expulsar os demônios (cf. Atos 19:12); e, assim, a Igreja crescia geometricamente. Mais tarde Paulo encontrou-se novamente com os anciãos da Igreja em Éfeso na cidade de Mileto (Atos 20:16-38).
A Igreja de Éfeso tem dois endereços: ela é cidadã do mundo (está em Éfeso) e cidadã do Céu (está em Cristo). O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que toda a vida do cristão deve estar em Cristo Jesus; como a raiz enterrada na terra, o ramo ligado à videira, como o peixe está no mar e o pássaro, no ar, também o lugar da vida do cristão é em Cristo Jesus.
A Igreja de Éfeso foi muito bem estabelecida na doutrina apostólica. Todos os ensinos básicos lhe foram ministrados. Paulo disse: “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de deus”(Atos 20:27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios, observa-se que aquela igreja era bastante espiritual; porém, as severas advertências de Jesus às sete igrejas da Ásia Menor começaram exatamente pela Igreja em Éfeso (cf.Ap.2:1-7).
1.Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
2.Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;
3.e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.
4.Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade.
5.Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
6.Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.
7.Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus.
Esta era a situação da Igreja de Éfeso logo depois da morte dos apóstolos. Jesus exortou os crentes dessa igreja a atentar para o que “o Espírito diz às igrejas” (Ap.2:7). Em seguida, o vencedor recebe uma promessa. Quem é este vencedor? Será uma pessoa superdotada ou alguém muito diferente? Não; o vencedor é aquele que ouve e coloca em prática a Palavra de Deus. Afirma o apóstolo Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”(Tg.1:22). Quando ouvimos o que o Espírito Santo fala através da Palavra de Deus, nos tornamos vencedores -“... Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (Ap.2:7).
Em Éfeso, portanto, o vencedor seria aquele que demonstrasse autenticidade de sua fé ao se arrepender por haver abandonado o primeiro amor. Quem assim procedesse, poderia se alimentar “da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”.
O fato de a pessoa ser vencedora comprova a realidade de sua experiência de conversão. As pessoas são salvas única e exclusivamente pela graça mediante a fé em Cristo. Todos os salvos se alimentarão “da árvore da vida”, ou seja, entrarão na plenitude da vida eterna celestial.

4. A Saudação Epistolar (Ef.1:2)

Esta era a saudação costumeira de Paulo a todas as igrejas: “a vós graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo”.
“Graça e Paz”, estas eram as palavras usuais de destaque em suas saudações. Na tradição judaica usava-se apenas a palavra “paz” (shalom, no hebraico), mas Paulo por inspiração divina adicionou a palavra “graça” a já conhecida “paz” e deu a saudação cristã um sentido muito especial: “graça e paz”. Os crentes em Cristo têm agora a “paz” da parte de Deus Pai, mas obtiveram a “graça” por Jesus Cristo.
Nesta saudação de Paulo, cada palavra é carregada de significado espiritual, diferentemente das saudações vazias de hoje.
- “Graça”. É o favor de Deus para nossa vida diária. Os leitores da Epístola já haviam sido salvos pela graça de Deus, seu favor imerecido para com os perdidos; porém, agora precisavam da força vinda de Deus para poder enfrentar os problemas, provações e tristezas da vida. Isto é o que o apóstolo lhes deseja aqui.
- “Paz”. Esta “paz” descreve um espírito tranquilo em todas as circunstâncias transitórias da vida. Os “santos” de Éfeso experimentaram “paz” com Deus quando foram convertidos; porém careciam da “paz” de Deus no dia-a-dia, isto é, repouso calmo e seguro que independe das circunstâncias e resulta do hábito de levar tudo a Deus em oração (Fp.4:6,7).
William Macdonald afirma que “que em primeiro lugar vem a ‘graça’ e depois a ‘paz’. A ordem é sempre essa. Só depois que a ‘graça’ trata do problema do pecado é que pode haver ‘paz’; e é somente através da força imerecida, que Deus dá diariamente, que o crente experimenta ‘paz’, perfeita ‘paz’, em todas as vicissitudes da vida”.
- “Da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo”. O apóstolo Paulo não hesitou em colocar o Senhor Jesus no mesmo pé de igualdade com Deus Pai; ele honrou o Filho da mesma forma que honrou o Pai. E todo crente deve fazer o mesmo (João 5:23) – “para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou”.
Na observação inteligível de William Macdonald, o título completo do nosso Salvador é: “Senhor Jesus Cristo”.
  • Como “Senhor”, Ele é o nosso mestre absoluto, com autoridade sobre tudo o que somos e temos.
  • Como “Jesus”, Ele é o nosso Salvador que nos livrou do pecado.
  • Como “Cristo”, Ele é o nosso Profeta, Sacerdote e Rei divinamente ungido.
Que nome precioso é o de nosso “Senhor Jesus Cristo”! Aos crentes de Filipos Paulo profere esta linda doxologia:
“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp.2:9-11).

III. PROPÓSITO E MENSAGEM DA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

1. O Propósito

Analisando com cuidado o seu conteúdo percebe-se que o propósito da Epístola foi dar aos crentes da Igreja de Éfeso e das igrejas circunvizinhas ensinos profundos sobre como manter a unidade do Corpo de Cristo e adverti-los a respeito do propósito da Igreja. Paulo sentia-se enormemente responsável pela saúde espiritual das igrejas locais que tinha fundado, e como naquele momento estava preso, a sua preocupação o motivou a escrever cartas e a enviar outros mestres e líderes para ajudar os cristãos e fortalecê-los na sua fé em Cristo.
Nas palavras de despedida de Paulo aos anciãos de Éfeso, no final de sua terceira viagem missionária, ele os incentivou a permanecerem alertas contra os falsos mestres (Atos 20:28-31). Paulo sabia que os novos crentes, como ovelhinhas, seriam presas fáceis para os falsos mestres e pregadores ambiciosos, que destruiriam o rebanho. Desta feita, Paulo escreveu esta Epístola para fortalecer e amadurecer os seus irmãos e irmãs cristãos na fé, explicando o objetivo da Igreja e convocando os crentes à sã doutrina e a uma vida santificada.
Hoje, muitos cristãos aceitam a fé em Cristo e a sua igreja como algo natural. Mas, com o passar do tempo, eles começam a criticar os seus irmãos na fé, os cultos de adoração, e os líderes da igreja local, e frequentemente se tornam suscetíveis às falsas doutrinas. Ao ler Efésios, devemos examinar as nossas atitudes à luz da descrição que Paulo faz da igreja, o corpo de Cristo, e consideremos como poderíamos incentivar e fortalecer outros irmãos na fé.

2. A Mensagem

Alguém disse que a Epístola aos Efésios alcança um campo mais vasto do que qualquer outra Epístola do Novo Testamento, com exceção, talvez, da Epístola aos Romanos. Ela abrange os judeus e os gentios, o céu e a terra, o passado, o presente e os tempos futuros. A sua mensagem principal é apresentar a Igreja como o Corpo de Cristo; é mostrar o que Deus fez por meio de Jesus Cristo e que continua fazendo pelo Seu Espirito Santo ainda hoje, a fim de edificar uma nova sociedade – a Igreja.
Depois de uma calorosa saudação (Ef.1:1,2), Paulo afirma a natureza da Igreja: o fato glorioso de que aqueles que creem em Cristo foram banhados com a bondade de Deus (Ef.1:3-8), escolhidos para participar da grandeza de Cristo (Ef.1:9-12), marcados com o Espírito Santo (Ef.1:13,14), cheios do poder do Espírito (Ef.1:15-23), libertados da maldição e da escravidão do pecado (Ef.2:1-10), e trazidos para perto de Deus (Ef.2:11-18). Como se dominado pela emoção ao se lembrar de tudo o que Deus fez, Paulo desafia os efésios a viverem próximos a Cristo, e inicia espontaneamente uma oração (Ef.3:14-21).
A seguir, Paulo volta a sua atenção às implicações de fazer parte do Corpo de Cristo, a Igreja. Os crentes devem ter unidade no seu comprometimento com Cristo e no uso dos dons espirituais ((Ef.4:1-16). Eles devem ter os padrões morais mais elevados (Ef.4:17-6:9). Para o indivíduo, isto significa rejeitar as práticas pagãs (Ef.4:17-5:20); para a família, significa a submissão e o amor mútuos (Ef.5:21-6:9).
A seguir, Paulo os lembra de que a igreja está em uma batalha constante contra as forças das trevas, e que eles devem usar todas as armas espirituais que estiverem à sua disposição (Ef.6:10-17).
Ele conclui pedindo as suas orações, dando uma missão a Tíquico, e proferindo uma bênção (Ef.6:18-24).
“Ora, para que vós também possais saber dos meus negócios e o que eu faço, Tíquico, irmão amado e fiel ministro do Senhor, vos informará de tudo, o qual vos enviei para o mesmo fim, para que saibais do nosso estado, e ele console os vossos corações. Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo. A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém!” (Ef.6:21-24).

CONCLUSÃO

Concluímos esta Aula inicial afirmando que a Epístola de Éfeso é uma magnifica combinação de doutrina e dever cristãos, fé e vida cristãs, o que Deus fez por meio de Cristo e o que devemos ser e fazer em consequência disso. “Suas exortações nos impelem a viver em santidade e, alicerçados em Cristo – a Cabeça da Igreja (Ef.1:22) -, a batalhar contra as forças das trevas”. Lembrando que: “há um só corpo e um só Espírito...; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos” (Ef.4:4-6).

O NOVO HOMEM EM JESUS CRISTO

Texto Base: João 3:1-16
29/03/2020
"Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Ef.4:13).
João 3:
1-E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2-Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
3-Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.
4-Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?
5-Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espirito não pode entrar no Reino de Deus.
6-O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espirito é espirito.
7-Não te maravilhes de ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
8-O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
9-Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como pode ser isso?
10-Jesus respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes isso?
11-Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos, e não aceitais o nosso testemunho.
12-Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
13-Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.
14-E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15-para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
16-Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

INTRODUÇÃO

Nesta última Aula do 1º trimestre letivo de 2020 trataremos do “novo homem em Jesus Cristo”. Pela Bíblia, um “velho homem” só poderá se tornar um “novo homem” através do Novo Nascimento, que é o ato divino através do qual a criatura humana experimenta uma mudança radical no seu interior; é a mais importante e a mais urgente necessidade na vida de um ser humano; é a única maneira pela qual o “velho homem”, morto em ofensas e pecados (Ef.2:1) pode voltar a viver para Deus. Em Jesus Cristo, nossa velha natureza renasce para a vida eterna. Sem o Novo Nascimento, a vida é vã, a esperança é vã e a religião praticada é vã. Sem o Novo Nascimento, Deus estará contra a pessoa no dia do juízo. Sem o Novo Nascimento, o Céu estará de portas fechadas para a pessoa; foi Jesus quem disse: “…aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (João 3:3). O ser humano nascido de novo recebe de Deus a justificação, a santificação e, por fim, a glorificação, livre para sempre da presença do pecado. Você nasceu de novo? Tire sua conclusão após este estudo.

I. O NASCIMENTO DO NOVO HOMEM

Certa feita, um renovado mestre da Lei judaica, por nome Nicodemos, esteve com Jesus, no período da noite, para um diálogo; esse diálogo revelou a necessidade do Novo Nascimento para entrar no Reino dos Céus. A sua condição social e a sua formação intelectual farisaica lhe haviam aconselhado uma certa reserva em relação ao interlocutor, e por isso decidira ver Jesus de noite, longe dos olhares indiscretos, na penumbra iluminada por uma lamparina. Nicodemos se aproximou de Jesus à noite, mas a noite de Nicodemos era mais escura do que ele pensava.
Nicodemos ficou impressionado com os milagres que Jesus fizera na Judeia e em Jerusalém, e quando se dirigiu a Jesus disse que "ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele" (João 3:2). Embora Nicodemos tivesse reconhecido Jesus como um mestre vindo da parte de Deus, com capacidade de operar grandes sinais, sua fé era deficiente, pois se baseava apenas no testemunho dos milagres (João 3:2). Isso significa que Jesus não aceita uma fé superficial como suficiente para a salvação. Então, nesse momento, Jesus profere uma das verdades doutrinárias mais relevantes das Escrituras Neotestamentárias: o Novo Nascimento. Jesus destacou a necessidade da fé salvadora que produz a transformação da vida. Jesus disse que, se alguém não nascer de novo, não poderá ver o reino de Deus (João 3:3). Se alguém não nascer da água e do Espirito, não poderá entrar no reino de Deus (João 3:5).
A pessoa pode ser rica, culta, respeitável e religiosa como Nicodemos, mas se não nascer de novo, estará perdida. A pessoa pode ser zelosa, conservadora e observadora dos preceitos religiosos como Nicodemos, mas, se não nascer de novo, não haverá esperança para a alma dela. A pessoa pode praticar muitas boas obras, dar esmolas, ter uma vida bonita e até fazer orações que são ouvidas no Céu, como Cornélio fazia, mas, se não nascer de novo, não poderá entrar no reino de Deus. Jesus é enfático: “Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).
O que é nascer de novo?

1. Não é nascer do sangue nem da carne nem da vontade do homem (João 1:12,13)

João, inspirado pelo Espírito Santo, afirmou: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Portanto, nascer de novo não é nascer do “sangue” nem da “carne” nem da “vontade do homem”.
-“Não do sangue” – Isto significa que uma pessoa não se torna cristão por ter pais cristãos. A salvação não é passada de pais para filhos através da corrente sanguínea.
-Não “da vontade da carne” – Em outras palavras, a pessoa não tem o poder na sua carne de produzir o novo nascimento. Embora precise estar disposto a ser salvo, sua vontade não é o suficiente para salvá-lo. Jesus disse a Nicodemos: “O que é nascido da carne é carne…” (João 3:6). Carne, aqui, tem o sentido da natureza do ser humano separado de Deus.
-Não “da vontade do homem” – Nenhum outro homem pode salvar uma pessoa. Um pregador, por exemplo, pode estar muito ansioso para ver uma pessoa nascer de novo, mas ele não tem o poder de produzir essa maravilhosa experiência.
O Novo Nascimento, portanto, não é uma reforma do velho homem, não é apenas uma fina camada de verniz religioso; não é algo que o ser humano possa fazer. Há muitas pessoas decentes que nunca nasceram de novo. Há muitas pessoas honradas da sociedade, como Nicodemos, que nunca se entregaram aos vícios, mas nunca viram o reino de Deus e jamais nele entraram. Não dê descanso à sua alma até ter certeza de que você já nasceu de novo.

2. Não é conhecer profundamente as Escrituras Sagradas (João 3:10)

“Jesus respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes isso?”. Nicodemos era mestre das Escrituras em Israel; era um rabi, um doutor em Bíblia; mas ele não estava salvo. Há muitas pessoas que conhecem a verdade, mas nunca foram transformadas por essa verdade. Há muitas pessoas que pregam, expulsam demônios e profetizam, mas nunca entrarão no Céu (cf.Mt.7:22,23). Talvez a pessoa seja intelectual, conheça muitas coisas e tenha muitos diplomas, mas todo esse conhecimento não pode salvar a sua alma. Nicodemos era mestre das Escrituras Sagradas do Antigo Testamento, mas estava perdido.

3. Não equivale a ser uma pessoa profundamente religiosa (João 3:1)

“E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus” (João 3:1). Nicodemos era membro do grupo mais radical e conservador da religião judaica, ele era um fariseu. Os fariseus se levantaram fortemente contra a helenização da religião judaica; eram separatistas que consideravam indignos do reino de Deus aqueles que deles discordavam. Nicodemos era um fariseu zeloso da sua religião: ele jejuava duas vezes por semana; frequentava a sinagoga regularmente; dava o dízimo de tudo quanto ganhava; mantinha uma vida moralmente irrepreensível, mas não estava salvo. Ele precisava ser regenerado. Portanto, ser religioso não basta, é necessário nascer de novo (João 3:7).

4. É Regeneração

-Regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Trata-se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador. Neste ato sobrenatural o ser humano é gerado por Deus para ser filho (João 1:12) e participante da natureza divina (2Pd.1:4). O homem regenerado recebe de Deus coração e espírito novos (2Co.5:17), podendo assim ter comunhão com Deus e a garantia de viver com Ele na eternidade.
-Regeneração significa:
·         Vida renovada (1João 3:13,14) – “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte”.
·         Mente renovada (Rm.12:2) – “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.
·         Transformação: o velho homem numa nova criatura (2Co.5:17) – “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.
·         Despir-se do velho homem (1Co.6:20) – “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.
É somente o Espírito Santo quem pode operar no homem o milagre da Regeneração. Foi o que afirmou Paulo: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

5. É ser nascido de Deus (João 1:13, final)

O Novo Nascimento é descrito como o ato de nascer de Deus (João 1:13, final) - “[...], mas de Deus”. Portanto, nascemos não do sangue, não da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. Nascemos de cima, do alto, de Deus, do Espírito Santo.
Só o Espírito de Deus pode dar vida ao que está morto. Só o Espírito de Deus pode soprar num “vale de ossos secos”. Só o Espirito de Deus pode abrir nosso coração, convencer-nos do pecado, regenerar-nos, batizar-nos no corpo de Cristo e selar-nos para o Dia da redenção.
Os seres humanos não são filhos de Deus pela natureza humana; somente ao receberem Cristo, é que eles obtêm o direito de se tornarem filhos de Deus. Fica patente que o nascimento na família de Deus é bem diferente do nascimento físico. Esse direito do nascimento divino não tem nada que ver com laços raciais, nacionais ou familiares. O nascimento espiritual, a entrada na família cujo Pai é Deus, depende de fatores bem diferentes – a aceitação, pela fé, do plano de Salvação que o Pai Celeste elaborou bem antes da fundação do mundo (Ap.13:8), implica a recepção pela fé daquele a quem Deus enviou. Portanto, novo nascimento é nascer de Deus, e nascer de Deus é tornar-se filho de Deus pela fé (João 1:12) – “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”: aos que creem no seu nome”.

6. É ser nascido da Água (João 3:5)

“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água...não pode entrar no Reino de Deus”. Aqui, Jesus usa uma figura conhecida por Nicodemos - a “água”. Nicodemos estava bem familiarizado com o batismo de João e os ritos similares com a água. Jesus tinha falado a respeito das talhas de água para a purificação e do batismo de arrependimento pregado por João. Nascer da agua, portanto, é arrepender-se do pecado e ser purificado. Ninguém pode ser salvo a menos que seja interiormente purificado, assim como a água nos lava externamente.

7. É ser nascido do Espírito Santo (João 3:5)

“Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer [...] do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”. Para alguém capacitar-se a entrar no reino de Deus é preciso, necessariamente, haver arrependimento, confissão, perdão e purificação do pecado. Deve, porém, haver mais que isso: é preciso que o poder renovador e transformador do Espirito de Deus intervenha. Sem a purificação da alma, operada pelo Espírito Santo (Tt.3:5), mediante a Palavra de Deus (Ef.5:26), ninguém pode entrar no reino de Deus. Nascer do Espírito, portanto, é nascer de cima, do alto, de Deus; é ser transformado pelo Espírito Santo (Ez.36:25-27; Is.44:3); é ser nova criatura (2Co.5:17).
Portanto, nascer de novo não é algo superficial; não é uma mera reforma moral; é uma mudança completa do coração, do caráter e da vontade; é uma ressurreição, uma nova criação; é passar da morte para a vida; é uma mudança tão radical que você passa a ter uma nova natureza, novos hábitos, novos gostos, novos desejos, novos apetites, novos julgamentos, novas opiniões, nova esperança, novos temores. Só o Espírito Santo pode operar tudo isto na vida de uma pessoa que nasceu de novo.

II. A JUSTIFICAÇÃO DO NOVO HOMEM

A Justificação é o ato pelo qual a culpa do homem é transferida para Jesus, que já a pagou através de Seu sacrifício expiatório da cruz, e pode cobrir o homem com sua justiça. É por isto que Paulo diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é....” (2Co.5:17). Portanto, quando a pessoa, pela fé, recebe Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, Deus lhe concede não somente o mero perdão de todos os pecados dantes cometidos, mas concede-lhe o status de justificado – declarado justo -, pois a justiça de Cristo muda por completo a "situação jurídica" do réu (1Co.6:11) - “..., mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus”.

1. A inutilidade da justiça humana

Ninguém é justificado pelos seus próprios méritos. O apóstolo Paulo é contundente quanto a este aspecto: “Sendo, pois, justificados pela fé...” (Rm.5:1). Portanto, a fé é o único meio de obtermos a salvação e de nos justificarmos perante o Justo Juiz (Ef.2:8) – “Porque pela graça dois salvos, por meio da fé...”.
Mas, é preciso entender que a base da Justificação não é a fé, e sim, o sangue do Cordeiro de Deus. A fé é o meio, e não o fim. A fé, em si mesma, não salva, quem salva é Jesus. A fé é o meio, é o mover do homem, é como uma mão que se estende para tomar posse da bênção. Se essa mão não se estender, a bênção não é entregue, automaticamente.
Paulo, em Romanos 4:1-8, cita Abraão como exemplo de que a justificação pela fé é o único meio pelo qual Deus garante a salvação, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tanto para os judeus como para os gentios. É, portanto, um erro acatar a tese de que no Antigo Testamento as pessoas eram salvas pelas obras, e no Novo Testamento, pela fé, ou que hoje a missão cristã deve limitar-se aos gentios, com base no pressuposto de que os judeus têm a sua forma distinta de salvação.
Afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes: “a Justificação não é uma conquista humana, mas uma dádiva divina; não resulta do mérito, é obra da graça. A justificação não é o que recebemos por mérito próprio, mas o que recebemos pelos méritos de Cristo. A salvação não é um troféu que ostentamos como prêmio do nosso mérito, mas um dom que recebemos apesar do nosso demérito. A justificação pelas obras coloca a glória da salvação no homem e não em Deus. A pretensa e tola ideia da justificação pelas obras exalta o homem e dá a ele o direito de se gloriar por causa da sua própria salvação. Essa vã pretensão faz do homem o autor de sua própria salvação. Se Abraão tivesse sido justificado pela obediência às obras da lei, teria tido motivo de gloriar-se, mas não diante de Deus. Nenhum pecador pode ostentar seus troféus diante do trono de Deus. Nenhum pecador pode achegar-se à presença de Deus com arrogância. Aqueles que aplaudem a si mesmos e se ostentam de seus pretensos méritos jamais serão justificados. A vanglória diante de Deus é a mais consumada loucura, a mais repudiada tolice. Aliás, conforme afirma o profeta Isaias, todas as nossas justiças são como trapo da imundícia (Is.64:6)”.
Alguém poderá indagar: “por que Tiago afirma que somos justificados pelas obras?” (cf. Tg.2:24). Quando Tiago ensina que uma pessoa é justificada por obras, não está dizendo que ela é salva por suas boas obras, nem pela fé acrescida de boas obras. Antes, somos salvos pelo tipo de fé que redunda em boas obras. Em outas palavras, as boas obras não nos tornam merecedores da justificação, mas evidenciam que somos justificados.

2. A maravilhosa doutrina da Justificação

“Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm.5:1).
A Doutrina da Justificação é um dos principais pilares do cristianismo. Sem a Justificação a Igreja cai. Na Epístola aos Romanos, capítulo 3, Paulo defende a tese da necessidade absoluta da justificação pela fé, uma vez que se julgado pelas obras o homem está irremediavelmente perdido, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.
Em Romanos, capítulos 3 e 4, Paulo argumenta que a justificação: não é pelas obras, mas pela graça; não por merecimento nosso, mas pelos méritos de Cristo; não é por aquilo que fazemos para Deus, mas por aquilo que Deus fez por nós. A justificação, portanto, é um ato exclusivo de Deus (Rm.3:21-31).
No capítulo 5, o apóstolo Paulo trata acerca dos benefícios que a justificação traz à vida do cristão, quanto ao passado, presente e futuro. Todos os que estão justificados em Cristo: estão livres da ira vindoura (capítulo 5); estão livres do pecado (capítulo 6); estão livres da morte eterna (capítulo 8).
Para Paulo, a justificação não significa somente perdão e absolvição da culpa do pecado, também traz dentro de si a esperança da glória de Deus (Rm.5:2) e a promessa da salvação final (Rm.5:9,10), a glória futura, a vida eterna com Deus, a nossa glorificação, a plenitude da nossa salvação. Portanto, a justificação é o grande tema, o núcleo, a essência do cristianismo.
É importante entender que a justificação é um ajuste de contas que ocorre na mente de Deus. Não se trata de algo que o cristão sente; ele sabe que é justificado porque a Bíblia assim o diz. Segundo C.I. Scofield, “a Justificação é o ato de Deus por meio do qual Ele declara justo todo aquele que crê em Jesus. É algo que ocorre na mente de Deus, e não no sistema nervoso ou nas emoções do cristão”.
Quando Deus justifica o pecador que crê em Cristo, não apenas o absorve da culpa como também o reveste com a justiça divina e, desse modo, torna-o perfeitamente adequado para o Céu.
William Macdonald escreveu que “a justificação vai além da absolvição e consiste em aprovação; vai além do perdão e consiste em promoção. Na absolvição, a pessoa é apenas liberada de uma acusação. Na justificação, uma justiça positiva lhe é imputada. Deus declara justos os pecadores iníquos porque, por meio de sua morte e ressurreição, o Senhor Jesus Cristo pagou toda a dívida decorrente desses pecados. Os pecadores são justificados quando aceitam Cristo pela fé”.

3. O novo homem é declarado justo

Justificar não significa tornar alguém justo – “como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” (Rm.3:10). Deus não torna a pessoa cristã impecável ou justa em si mesma. Antes, Deus lhe confere justiça. Ao justificar os pecadores, Deus deixa de imputar-lhes os pecados que eles têm e imputar-lhes justiça que eles não têm. Paulo diz em Romanos 3:21: “Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos profetas”.
Observe a conjunção adversativa neste texto: “mas”. Paulo, depois de provar a tese de que todos os seres humanos, de todas as raças, de todas as culturas, de todos os credos e de todos os estratos sociais - tanto gentios como judeus - são culpados diante de Deus; depois de colocar todos os homens sob a maldição e a condenação da lei, ele abre os portais da graça e aponta o caminho da salvação em Cristo, revelando que a salvação é uma obra exclusiva de Deus por meio de Cristo.
O termo “justiça”, no referido texto, traduz a palavra grega dikaiosyne, muito comum no contexto de um tribunal; a imagem é de alguém que é inocentado por um juiz, mesmo sendo culpado pelos seus atos.
Podemos concluir, então, que, mesmo culpados, Deus quis nos perdoar e nos justificar; mas, isto só foi possível mediante o sacrifício de Cristo na cruz do calvário. A Bíblia declara que não poderíamos ser redimidos sem o sacrifício de Cristo (Hb.9:22; Lv.17:11).
Na Cruz do Calvário, quando Ele declarou “está consumado”(João 19:30), o preço da redenção foi pago, a Justiça de Deus foi satisfeita. A punição exigida pela Justiça de Deus foi concretizada sobre Jesus; agora, mediante a redenção que há nEle, o ser humano é justificado – “sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm.3:24).
Justificados, passamos a ser vistos por Deus como se jamais tivéssemos cometidos qualquer injustiça; de agora em diante, somos declarados justos diante de Deus. Afirma o apóstolo Paulo: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm.8:1).
- Ao ser declarado justo por Deus, o ser humano passa a ter paz com Deus (Rm.5:1) – “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo”.
Ao ser declarado justo por Deus, por causa do sacrifício de Cristo Jesus na cruz do Calvário, o homem passa a ter comunhão com o Senhor, passa a ser amigo de Deus, ou seja, não há mais separação entre Deus e o homem, vez que os pecados foram removidos. Em virtude disto, como o Senhor havia prometido no Éden, cria-se uma inimizade entre o homem e o pecado, e inimizade com o pecado representa amizade com Deus (Tg.4:4). Estabelece-se, portanto, a paz entre Deus e o homem (Ef.2:15).
- Ao ser declarado justo por Deus, o ser humano passa ter esperança da glória de Deus (Rm.5:2) – “...nos gloriamos na esperança da glória de Deus”.
A pessoa passa a ter uma nova perspectiva de vida, a sua razão de viver passa a ser a esperança da glória de Deus. O homem justificado sabe que seu destino é estar para sempre com o Senhor e passa a almejar este dia, quando o Senhor arrebatará a Igreja; é este o seu principal anelo. Não que se esqueça da vida terrena, como, habilmente, o adversário tenta incutir na mente dos incrédulos, mas sabe que esta vida terrena é passageira e que o objetivo do homem e da mulher está além das coisas desta vida. Disse o apóstolo Paulo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co.15:19).
- Ao ser declarado justo por Deus, o ser humano é salvo da ira divina (Rm.5:9) – “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”.
Porque fomos justificados em virtude da morte de Cristo, o Senhor faz com que escapemos da ira que há de vir sobre o mundo. A ira de Deus não mais se volta contra nós, que passamos a estar sob a graça de Deus. Assim como o povo de Israel, conquanto no deserto, não sofria o calor escaldante durante o dia, porque era protegido pela nuvem, nem o frio intenso da noite, porque era protegido pela coluna de fogo, assim também nós, ainda que vivamos no mundo, estamos desfrutando da graça divina, do favor imerecido do Pai e não mais da ira de Deus. Como disse Davi no salmo 32, a mão pesada do Senhor se tornou misericórdia e orientação para o justificado.
- Ao ser declarado justo por Deus, o ser humano é reconciliado com Deus (Rm.5:11) – “E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação”.
A nossa reconciliação com Deus custou-lhe um preço infinito: a morte do seu próprio Filho. A cruz de Cristo foi o preço que Deus pagou para nos reconciliar consigo. A cruz de Cristo é a ponte entre a terra e o Céu. Nenhuma pessoa pode chegar até Deus a não ser por meio dessa ponte. Deus nos amou e nos deu seu Filho(João 3:16). Deus nos amou e Cristo morreu por nós. Na verdade, não foi a cruz de Cristo que gerou o amor de Deus; foi o amor de Deus que gerou a cruz(Rm.5:8;8:32). A cruz é o maior arauto do amor de Deus por nós. A cruz é a prova cabal de que Deus está de braços abertos para nos receber de volta ao lar.

III. A SANTIFICAÇÃO DO NOVO HOMEM

A palavra “Santificação” é empregada no processo pelo qual, depois da justificação, o cristão desenvolve um caráter que o qualifica ao Céu. Ela começa por ocasião da conversão, e continua através de toda a vida do crente, até chegarmos à glorificação, última fase do processo da salvação, aonde alcançaremos a estatura de varão perfeito.
Ao contrário da regeneração, que é um ato instantâneo, a Santificação é um processo de desenvolvimento espiritual, auxiliado pelo Espírito Santo, para que o homem possa prestar verdadeiro culto (serviço) ao Pai (ler Rm.12:1). Segundo a Bíblia, o propósito da santificação é que o velho homem deixe de viver e Cristo viva nele.

1. A santificação como posicionamento

Ao ser regenerado, o ser humano é declarado justo pelo Justo Juiz, e não somente isto, mas também é visto por Deus e pela Igreja como um santo, posicionalmente falando. Vejamos o que o apostolo Paulo, em sua saudação inicial, diz com relação aos cristos da Igreja de Corinto: ”à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos…” (1Co.1:2). Aqui, Paulo descreve o que essa igreja era em Cristo, a santificação posicional. Todo crente é santificado em Cristo; nesse caso, “santificados” significa separados do mundo para Deus e descreve a “posição” de todos os que pertencem a Cristo
Toda pessoa que crê em Jesus, e o aceita como Senhor e Salvador, é santa. Santificação em Cristo é posicional; é um ato e não um processo. Já separado do mundo, torna-se propriedade exclusiva do Senhor (Êx.19:5; 1Pd.2:9). Portanto, ser santo é estar em Cristo; esta é a santificação posicional.
Posicionalmente, os crentes em Cristo são santos, embora estejam ainda em processo de santificação, isto é, quanto à sua condição prática, eles devem separar-se dia após dia levando uma vida de santidade; é o que Paulo afirma com relação aos crentes de Corinto e que se aplica a todos nós hoje (1Co.1:2) – “[...] aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos…”.
Parece contraditório, pois se já é santo, então por que ser chamado para se santo? É que a primeira santificação é posicional e a segunda é processual. Quem está em Cristo é chamado para andar com Cristo. Quem está em Cristo precisa ser transformado contínua e progressivamente à imagem de Cristo; essa é a santificação processual. Essa santificação é progressiva e só terminará com a glorificação.

2. A santificação como processo

A Santificação é processo contínuo e progressivo, ou seja, o salvo vai se santificando a cada dia, a cada instante, e a cada momento de sua vida vai se distanciando do pecado e se aproximando do Senhor; é o que as Escrituras denominam de “aperfeiçoamento dos santos” (Ef.4:12). A cada instante devemos buscar mais da glória do Senhor, brilhar mais e mais, pois ainda não é dia perfeito. Por isso, não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na volta do Senhor.
Parar, estacionar, nada mais é que regredir, é recuar, é retirar-se para a perdição, e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39) – “Ora, amados, pois, que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundície da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus”(2Co.7:1).
Esta realidade da santificação é um dos pontos que nos permitem entender que a salvação não é algo que já esteja conquistado de antemão pelo ser humano, como defendem os adeptos da “doutrina da predestinação”, pois seria totalmente inexplicável tal recomendação divina, tantas vezes repetida no texto bíblico, se fosse impossível alguém perder a salvação uma vez obtida. A Santificação depende da atitude, da decisão de cada ser humano. Por isso, alguns, não vigiando, desviam-se da fé (Sl.119:118; Jr.5:5; Ez.18:26; 33:18; Lc.8:13; 1Tm.6:10; Tt.1:14; 2Tm.2:3,4,10).
No processo da salvação, a Santificação ocorre após a Justificação. A Justificação acontece fora de nós, é um ato de Deus, que ocorre em Sua mente; a Santificação ocorre dentro de nós, é um processo de cooperação entre o crente e o Espírito Santo que se inicia no momento da Justificação do salvo, isto é, Deus vê o crente como santo, ainda que a santidade dele precise ser aperfeiçoada (Ef.4:12). Por este processo, o crente se afasta (separa) do pecado para viver uma vida inteiramente consagrada a Deus, desenvolvendo nele a imagem de Cristo (Rm.8:29).

3. A santificação é a vontade de Deus no novo homem

A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo. No Pátio do Tabernáculo, no deserto, Deus exigiu que se colocasse uma Pia de bronze. Os sacerdotes para aproximar-se de Deus e preparar-se para ministrar as coisas sagradas era necessário se purificar nessa Pia de bronze. Ali, os sacerdotes se lavavam antes de oficiar as coisas sagradas. Apresentar-se diante de Deus sem atentar para a exigência da purificação podia custar aos sacerdotes a vida – “para que não morram” (Êx.30:20). Isto demonstra que é necessário purificar-se para servir a Deus, pois “sem santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).
Na Nova Aliança é inaceitável que um obreiro na Casa do Senhor queira ministrar sem santificação. Quão triste é quando um ministro de valor, que é usado por Deus, por causa de grandes expectativas e pressões esquece a exigência de Deus de que ele "mantenha suas mãos e pés limpos". As consequências são: uma vida e um ministério arruinados, o nome do Senhor levado a desrespeito, e aquele mensageiro outrora flamejante é agora abatido e esmagado.
O cristão precisa ser limpo “com a lavagem da água, pela Palavra” (Ef.5:26) e pela “regeneração”, e “renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5). Peçamos ajuda a Deus para passar bastante tempo junto à Pia da Palavra de Deus para termos certeza, em primeiro lugar, se nossas mãos – que são os nossos atos de adoração - e nossos pés – que significa o nosso andar perante Deus - estão puros à sua vista. Está escrito:
“mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pd.1:15,16). “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).
Os que não conhecem a Bíblia pensam que para ser santo é preciso estar morando no céu. Pensam que é lá que vivem os santos. Porém, pela Palavra de Deus sabemos que Deus exigiu que Israel fosse santo durante a peregrinação através do deserto. Foi lá no Monte Sinai que Deus disse: “...Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo”(Lv.19:2). Naquele deserto, Israel teria que andar com Deus. Porém, o profeta Amós pergunta: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”(Amós 3:3). Deus é Santo, e só existe uma maneira de poder andar com ele: sendo santo.
Devemos ser santos porque no Céu, no santuário de Deus, só entra santos - “Senhor, quem habitarás no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo Monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração” (Salmo 15:1,2). O Senhor Deus diz: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá”(Salmo 101:6). Somente os santos é que podem ser fiéis; só os santos morarão no Céu. Pense nisso!

CONCLUSÃO

O novo homem em Jesus Cristo, como pessoa regenerada, justificada e santificada, deve demonstrar ao mundo perdido, com suas atitudes, que somente Jesus pode salvar e transformar o pecador.
Se todos os crentes tivessem uma plena visão da salvação, se pudessem ver plenamente ao longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam atitudes diferentes no seu dia-a-dia; teriam tanto regozijo, tanta motivação, tanto entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo céu, que não haveria na Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado com as coisas desta vida e deste mundo. Pensemos nisto e oremos como orou o profeta Habacuque: “... aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica...” (Hc.3:2).