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ISRAEL NO PLANO DA REDENÇÃO


Texto Áureo: Rm. 11.36 Leitura Bíblica: Rm. 9.1-5; 10.1-8; 11.1-5
 
 
INTRODUÇÃO
Em Rm. 11.1 vemos uma pergunta crucial a respeito de Israel: “Teria Deus rejeitado o Seu povo”? O próprio Paulo nos dá a resposta: “De modo nenhum”. Nos capítulos 9, 10 e 11 o Apóstolo procura argumentar, e ao mesmo tempo refutar conceitos errados a respeito do futuro de Israel. Veremos, nesta lição, que Deus, em sua perfeita justiça e soberania, criou uma saída para o problema da rejeição de Israel. Ao mesmo tempo, fez um povo, a quem agraciou, denominando de Igreja, aquela que foi edificada por Cristo, composta de judeus e gentios (Mt. 16.18).

I – A ALIENAÇÃO DE ISRAEL

Israel, como nação insitucionalizada, se distanciou de Deus. Essa, porém, não foi a primeira vez. O apóstolo lembrou dos dias do profeta Elias em que através de uma apostasia nacional, o povo escolheu Baal, o deus da fertilidade fenícia, ao invés de Yahweh. Elias, cujo nome significa, “somente o Senhor é Deus”, exerceu o seu ministério profético em meio ao descaso do povo israelita. Ao longo do Antigo Testamento, Deus, com o seu amor infindável, busca ser correspondido pelo seu povo. A alienação de Israel aos desígnios de Deus é um tema recorrente na Bíblia. No livro de Juízes, por duas vezes, está escrito que o povo de Israel: “fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz. 17.6; 21.25). Esse é o retrato da rebeldia desse povo, que, ao mesmo tempo, não deixa de ser amado por Deus. Em tom de tristeza, Ele diz: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is. 1.3). Na parábola viva do amor de Oséias por sua esposa, Gomer, testemunhamos do amor de Deus que não desiste do amor do seu povo (Os. 1.2).


II – A ELEIÇÃO DE ISRAEL

Nos versos de 17 a 24, no capítulo 11, Paulo, por meio de uma parábola, diz que Israel é a oliveira (Jr. 11.16, Os. 14.6), cuja raiz são os patriarcas e cujo tronco representa sua continuidade ao longo dos séculos. Agora, alguns ramos foram cortados – os judeus incrédulos que foram descartados, enquanto que, os gentios, sendo oliveira brava, foram enxertados no remanescente dos judeus. Por isso, os gentios não devem tratar os judeus com descaso, pois foi pela graça de Deus que ele foram enxertados no Seu povo e feitos “concidadãos dos santos” (Ef. 2.19). A vida nova que os capacita a produzir frutos para Deus é a vida do velho tronco de Israel, no qual foram enxertados. Assim, Israel nada deve aos gentios, mas nós, somos devedores por que, como está escrito, “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus” (Jo. 4.22). Alguns ramos, de fato, foram cortados, mas o Apóstolo nos lembra de Elias e os profetas de Baal, que: Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal. “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça” (Rm. 11.4,5). Não pensem, porém, que essa eleição se dá pelo simples fato daqueles judeus serem judeus. Esse remanescente, como o fez Abraão, não se fiou no poder da circuncisão, mas no da fé, e isso, também lhe foi imputado para justiça (Rm. 4.3,9).


II – DEUS NÃO REJEITOU SEU POVO

A cegueira de Israel não durará para sempre, é apenas por algum tempo a fim de que viesse a salvação dos judeus, a riqueza do mundo (Rm. 11.11,12). A restauração de Israel há muito foi profetizada, por Isaias: “E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o Senhor” (Is. 59.20), por Jeremias: “Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Jr. 31.33). Isso mostra que, apesar de seu distanciamento temporário, Israel continua sendo objeto do amor eletivo de Deus. Não podemos esquecer que as promessas de Deus, uma vez feita aos patriarcas, não podem ser revogadas, por isso, Ele estabeleceu um momento no qual levará a cabo tudo aquilo que está determinado para o Seu povo, será o momento em que o Senhor soprará sobre o vale de ossos secos e eles tornarão a viver (Ez. 37). Isso acontecerá depois dos dias da grande tribulação (Mt. 24.21; Ap. 7.14), no dia em que todas as nações se ajuntarão contra Israel (Zc. 12.3; 14.2), até que, nos céus, aparecerá o Senhor com poder e muita glória (Mt. 24.30; Zc. 14,4,5; Zp. 1.7; 19.11-16).


III – O FUTURO GLORIOSO DE ISRAEL
Atentemos para a pergunta profética de Is. 66.8: “Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos”. O futuro de Israel já começou, pois, o que seria improvável, uma nação nascer de um só vez, aconteceu em 1948, quando foi criado o Estado de Israel. Esse, porém, foi apenas o começo, pois o Israel escatológico de Deus virá, de fato, à tona, por ocasião do Milênio (Ap. 20.1-6). Naquele período Israel ocupará toda a terra que lhe pertence e será posta como cabeça entre as nações (Gn. 15.18; I Cr. 16.15-18; Is. 11.10). Então, se cumprirão as profecias a respeito do reino do Messias (Dn. 9.24; At. 3.20,21). O templo milenar será construído (Za. 6.12-13; Ez. 43.4-9, Jerusalém será estabelecida e ampliada (Sl. 102.16; Jr. 31.38-40). Israel, no Milênio, será uma benção para o mundo (Is. 27.6) e terá Jerusalém como a sede do governo mundial (Is. 2.3; 60.3; 66.20; Jr. 3.17; Zc. 8.3,22,23; 14.16), pois dali sairá tanto a lei como a palavra do Senhor (Is. 2.2; Mq. 4.2). No período milenar não mais haverá guerras (Mq. 4.3; Zc. 9.10; Is. 2.4), nem injustiça social (Is. 11.4). Israel desfrutará de um pleno derramamento do Espírito de Deus (Ez. 39.29; Zc. 12.10).
 
CONCLUSÃO
O povo de Israel rejeitou a Deus, mas como tem aconteceu ao longo do relato do Antigo Testamento, Deus não se esqueceu do seu povo. A rejeição de Israel, na verdade, serviu para benefício dos gentios, haja vista que, agora, fomos enxertados na oliveira. Deus reservou um futuro glorioso para Israel, no qual, o Rei, Jesus, estabelecerá seu trono, em Jerusalém, para reinar sobre todos os povos. Até lá, todos, independemente da nação, podem ser integrados ao Corpo de Cristo, a Sua Amada Igreja, comprada com Seu precioso sangue.

A VIDA SEGUNDO O ESPÍRITO




Texto Áureo: Rm. 8.16  Leitura Bíblica: Rm. 8.1-17

INTRODUÇÃO
Em Gl. 5.17 Paulo nos dá um vislumbre do tema da santificação, que é abordado nos capítulos 7 e 8 de sua carta aos Romanos. Diz ele: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”. Na lição de hoje, trataremos a respeito da luta entre a carne e o Espírito, e mais especificamente, da santificação como resultado da atuação do Espírito na vida do crente.

 

I – A NATUREZA DA CARNE

1.1 Definição do termo

A palavra carne (sarx, em grego) apresenta diferentes significados dependendo dos contextos em que é utilizada. Nos escritos paulinos o termo carne se refere: 1) ao corpo físico/personalidade: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl. 2.20); 2) a natureza humana pecaminosa: “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne (Gl. 5.16). Equivocadamente, alguns cristãos confundem esses dois significados e pensam que, o corpo, por si mesmo, é mal. Essa é, na verdade, uma deturpação do doutrina cristã proveniente do platonismo. Nesse sentido é preciso considerar o que escreveu o apóstolo aos crentes de Corinto: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Portanto, não se pode confundir “carne”, no sentido de corpo de “carne” no sentido de natureza pecaminosa.

 

1.2 Andar segundo a carne

Não é normal que o cristão continue andando segundo a carne. Em I Jo. 5.18, está escrito que “todo aquele que é nascido de Deus não peca” (I Jo.18). Uma tradução mais aproximada ao texto grego diria que “todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando”, ou, parafraseando: “não se alegra em continuar na prática do pecado”. As obras da carne, conforme vemos em Gl. 5.19-21, são: “adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias”. Os que estão na carne, diz Paulo em Rm. 8.8, “não podem agradar a Deus”.

 

1.3 Andar segundo o Espírito

Essa verdade está muito bem explicitada em Rm. 8.5: “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito”. O homem carnal, distanciado de Deus, não consegue pensar em outra coisa, senão em satisfazer seus desejos carnais, sua propensão é para a carne, enquanto que o homem espiritual tende para as coisas espirituais, sua satisfação está em Deus, isto é, ele se alegra na produção do fruto do Espírito em sua vida (Gl. 5.22). Como filhos da luz, estamos decididos a fazer o que “é agradável ao Senhor” (Ef. 5.10). Essa é uma obra do Espírito, não do homem, pois é Ele, não nós, quem nos vivifica (Rm. 8.11).

 

II – A VERDADE SOBRE A SANTIFICAÇÃO

2.1 Definição de santificação
Santificação vem, literalmente, de ‘fazer santo’ ou ‘consagrar’, que, basicamente, vem de ‘separar’. Trata-se, assim, da separação daquilo que é profano e mundano. Por isso, o conceito bíblico de santificação implica em uma dedicação total a Deus a fim de cumprir os propósitos santos para os quais foi separado ao mesmo tempo em que reconhece o próprio Deus como o autor do processo de santificação. A meta para a santificação se encontra bem explicitada em I Ts. 5.23: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”
 
2.2 Aspectos da santificação
A santificação, conforme depreendemos de diversas passagens bíblicas, tem dois aspectos: posicional e experimental. Isto quer dizer que ela é tanto uma posição que o crente ocupa em relação a Deus e é também uma experiência constante na sua vida. A santificação posicional é uma mudança de posição pela qual um pecador é imputado como santo diante de Deus. A esse respeito vejamos o que escreveu Paulo em I Co. 1.30: “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”. Em acréscimo a esse aspecto posicional da santificação podemos também ler I Co. 6.11: “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus”. No que tange ao aspecto progressivo ou experimental, temos vários textos, um dos mais conhecidos é Hb. 12.14: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” e Rm. 12.2: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. No aspecto posicional somos chamados de ‘santos’ enquanto que no aspecto progressivo somos chamados a ‘sermos santos’.

2.3 O meio para a santificação
A santificação, como já estudamos em lições anteriores, não é algo que se obtêm a partir da observância de um conjunto de regras exteriores previamente estabelecidas. A santificação é uma obra do Espírito Santo, considerando que: “se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm. 8.13). Isso acontece quando o Espírito produz em nós o Seu fruto: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei”. (Gl. 5.22,23). O propósito da santificação é, nesse sentido, fazer com que o crente continue a crescer e a progredir, tornando-o, cada vez mais, semelhante a Cristo. Como diz Paulo em II Co. 3.18: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor”.
 
CONCLUSÃO
O viver cristão é um andar contínuo no Espírito em total consagração (separação) para Deus. Essa é uma obra que não é por força nem por violência, mas pelo Espírito do Senhor (Zc. 4.6). A menos que nos deixemos guiar pelo Espírito, dificilmente seremos capazes de vencer a natureza adâmica. Uma motivação para viver essa santidade espiritual, diferente daquela proposta pelo legalismo, é o amor a Deus, primeiramente o amor de Deus, provado em Sua entrega a nós, mesmo que não mereçamos (Rm. 8.38,39).

A LEI, A CARNE E O ESPÍRITO

Texto Áureo: Rm. 7.25  Leitura Bíblica: Rm. 7.1-15

INTRODUÇÃO
O capítulo 7 da Epístola aos Romanos é bastante complexo, por isso precisamos analisá-lo com cautela, atentado para os princípios hermenêuticos. Inicialmente, consideraremos a analogia de Paulo da Lei com o casamento, em seguida, ressaltaremos que a Lei é boa, santa e justa, que o problema está na natureza humana. Ao final, antecipando o tema a ser estudando na lição seguinte, destacaremos a necessidade de andar em Espírito, a fim de não cumprir as concupiscências da carne.

I – ESTAMOS LIVRES DA LEI

No início dessa seção Paulo trata com os legalistas a respeito do significado da Lei, fazendo uma alusão ao casamento. Em seguida, se volta para os antinomistas, ressaltando a necessidade de se considerar o valor da Lei. A alternativa ressaltada pelo Apóstolo é permitir que a vida seja guiada pelo Espírito Santo. Para mostrar essa verdade, Paulo apela para a analogia do casamento, destacando que não estamos mais debaixo do jugo da Lei. Faz-se necessário ressaltar que esse trecho da Epístola não deve ser usado para respaldar a doutrina do casamento e do divórcio, pois esse não é o tema principal dessa passagem das Escrituras. Paulo defende que quando da morte de um dos cônjuges, é possível que o cônjuge que ficou possa contrair novas núpcias, sem impedimento. De igual modo, os crentes não precisam mais depender da Lei, pois essa caducou, tornando possível que esses passem a ser conduzidos pela fé em Jesus. A Lei morreu para aqueles que seguem a Cristo, de modo que a partir do momento que esses têm um encontro pessoal com Ele, passam a condição de esposa do Noivo. Essa metáfora do relacionamento do crente com Cristo enquanto noivado e casamento é recorrente na Bíblia. Isso fundamenta a natureza desse enlace, não mais conduzir por regras religiosas, mas por amor Àquele que se sacrificou para nos atrair para Si. Enquanto estávamos na Lei, não conseguíamos agradar ao Esposo, porque estávamos fundamentados na regra. As exigências da Lei, ao invés de motivar para a obediência, causavam frustração, e esgotamento espiritual. Mas como novas criaturas em Cristo, podemos viver a partir de uma nova perspectiva, não mais pela carne, mas no Espírito, que nos inspira à obediência, pautada no amor. A frase de Agostinho é elucidativa a esse respeito: “ame a Deus e faça o que quiser”. Na verdade, todos aqueles que amam a Cristo, obedecem a Seus mandamentos, tem satisfação de fazer a Sua vontade (Jo. 14.21).

II – A LEI É SANTA, JUSTA E BOA

Por outro lado, Paulo mostra aos legalistas e antinomistas que a Lei não é má, muito pelo contrario, ela é santa, justa e boa (Rm. 7.12). Na verdade a Lei reflete o caráter de Deus, se corretamente compreendida, revela o caminho de Deus para a preservação da humanidade. O problema não está na Lei, mas nos próprios seres humanos, que não conseguem obedecê-la. Apelando à analogia do casamento, não falhamos porque o primeiro marido não prestava, mas por causa das nossas fraquezas. O pecado que habita no ser humano é o mal residente, a força que o impulsiona a fazer o contrário do que é correto. Essa latência tem sido amplamente estudada pela psicanálise de Freud, mas foi descrita com maestria por Paulo, pela inspiração do Espírito Santo. Mas a Lei não pode retirar o pecado, tem apenas o poder de torná-lo evidente (Rm. 7.8). É por meio da Lei que vem o pleno conhecimento do pecado, e por conseguinte, a morte (Rm. 6.23). Isso acontece porque a Lei não apenas mostra a realidade do pecado, ela também dá seu veredito, sentenciando o pecador à morte. O pecado, como dizia Chesterton, é a doutrina bíblica que pode ser mais facilmente comprovada. Em todos os lugares, nas mais distintas condições sócias, é possível identificar o pecado. Os jornais o declaram todos os dias, corrupção, egoísmo, a lista é imensa. A pena do pecado a morte, não apenas a física, mas, sobretudo, a espiritual. A humanidade segue de mal a pior, pois decidiu viver longe dos padrões divinos. Mas a igreja, mesmo com suas imperfeições, foi agraciada pelo Noivo Amado, que se entregou Sua vida por ela. Esse amor sacrificial desperta em Sua noiva a inspiração para obedecê-lo, e viver para Ele, até o dia do enlace conjugal.

III – SE ANDARMOS NO ESPÍRITO
A Lei, conforme destacamos reiteradas vezes, é limitada para conduzir o ser humano à santidade, e quando esse fica à mercê dos seus desejos desenfreados o resultado é a morte. Paulo exemplifica essa condição colocando-se como alguém que vive na tensão entre a vida e a morte. Isso acontece porque a pessoa sabe que a Lei é boa, e mais que isso, que está entregue ao pecado, mas não consegue se desvencilhar da força do pecado, que habita dentro dela (Rm. 7.14-25). Existe um conflito interno dentro das pessoas, forças que militam dentro dos indivíduos, contrariando seus interesses (Gl. 5.17). Certo jovem testemunhou ao seu pastor que não conseguia obedecer, e justificou que havia poderes antagônicos dentro dele. O pastor reconheceu que essa era uma realidade atestada nas Escrituras. Ele orientou o jovem  para alimentar o espírito para que esse tivesse vitória sobre os poderes da carne. Se andarmos em espírito, não teremos dificuldade para fazer a vontade boa, agradável e perfeita de Deus (Rm. 12.1,2). Mas se nos entregarmos às obras da carne, o resultado será a ruina, mas aquilo que o homem e a mulher plantarem também ceifarão. Se semearmos no Espírito, colheremos seu fruto, principalmente o amor, que nos conduz à obediência (Gl. 5.22). A religião não tem poder para levar a obediência, pois quanto mais o ser humano se esforça, menos consegue fazer o que deve ser feito (Rm. 7.19-21). Ela pode ser ilustrada através da narrativa da mulher que fez uma focinheira para impedir que seu cão mordesse a vizinhança, mas não impediu que esse continuasse perseguindo as pessoas. A alternativa evangélica, conforme estudaremos mais adiante, será viver no Espírito, e se deixar controlar pela vontade de Deus, não cumprindo as concupiscências da carne (Gl. 5.16).

CONCLUSÃO
A vontade de Deus, expressa inclusive em sua Lei (Torah), não é para destruição das pessoas, muito pelo contrário, ela é sempre boa, agradável e perfeita, pois é a vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Mas como o ser humano é incapaz de obedecê-la, essa mesma Lei o coloca em posição de réu, sujeito à condenação. A saída é testemunhada nas palavras do hino 15 (Conversão) da Harpa Cristã: “Mas um dia senti, meu pecado e vi, sobre mim a espada da Lei, apressado fugi, em Jesus me escondi, e abrigo seguro nEle achei”.