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FOGO ESTRANHO DIANTE DE DEUS

Texto Áureo: Lv. 10.3  – Leitura Bíblica: Lv. 10.1-11

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito do capítulo 10 de Levítico, com destaque para os sacerdotes Nadabe e Abiu, que mesmo sendo participantes de uma família tradicional, pecaram por oferecer fogo estranho diante do Senhor. Inicialmente destacaremos os perigos de cair nas mãos do Deus vivo, e ao final mostraremos a importância da decência e ordem no culto divino. Deixaremos também um alerta aos pastores, para que esses sejam criteriosos na indicação de seus filhos ao ministério, sob o risco de por precipitação e desejo de que esses se firmem no pastorado, lhes falte maturidade e venham a oferecer "fogo estranho" diante do altar de Deus. 

1. FOGO ESTRANHO NO ALTAR
Paulo adverto os crentes gálatas que Deus não se deixa escarnecer (Gl. 6.7), foi justamente o que acontece com Nadabe e Abiu, que mesmo sendo membros da família sacerdotal, desonraram a Deus através do seu ofício. Eles ignoraram a presença de Deus, não levaram a sério o ministério sacerdotal. De igual modo, muitos não cuidam do seu ministério pastoral, e por isso pagam um preço alto. Como aqueles sacerdotes, há líderes evangélicos que estão permitindo, e alguns deles até mesmo oferecendo, fogo estranho diante do altar divino. O culto levítico, conforme já estudamos em outras ocasiões, deveria ser realizado em conformidade com as especificações divinas (Ex. 30.9; Lv. 16.12). Nadabe e Abiu foram mortos porque não deram a devida importância ao ofício sacerdotal, e mais que isso, por não dar a Deus a glória que Lhe era devida (Lv. 10.2). Nos arraiais evangélicos existem muitos que se dizem levitas, mas que estão oferecendo “fogo estranho” ao Senhor. Há hinos evangélicos que se assemelham mais as músicas mundanas, não refletem o conteúdo escriturísticos, e não dão a Deus a glória que Ele merece. Alguns pregadores também estão fazendo o mesmo, são verdadeiros animadores de auditório, não expõem as Sagradas Escrituras, não ministram a genuína Palavra de Deus. Precisamos atentar para as bizarrices que estão sendo incluídas no meio evangélico, e considerar que o pragmatismo não pode substituir os fundamentos do culto a Deus.

2. O PERIGO DA DESERÇÃO DA FÉ
O autor da Epístola aos Hebreus adverte os crentes em relação aos riscos da apostasia, especialmente no capítulo 6.  Esse texto trata a respeito daqueles que “uma vez foram iluminados” (Hb. 6.4), por conseguinte, aqueles que tiveram uma experiência real de fé. Há elementos bíblicos suficientes para fazer essa afirmação, considerando que tais crentes: “provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra d Deus e as virtudes do século futuro” (Hb. 6.4,5). Esse é um texto cujo significado é disputado por calvinistas – aqueles que acreditam na segurança eterna dos salvos; e arminianos – que defendem a possibilidade da apostasia, mesmo para aqueles que foram salvos. A esse respeito, é preciso ter cuidado para evitar qualquer tipo de extremo. Por um lado, podemos ter convicção de que temos a segurança da salvação, e não podemos viver instáveis em relação à providência divina para a vida eterna. A salvação não depende de nós, é um ato divino do início até ao fim, de modo que temos firmeza que Aquele que iniciou a boa obra a concluirá (Fp. 1.6). De outro modo, não podemos negar a possibilidade da apostasia, inclusive para aqueles que uma vez professaram a fé cristã, esse é justamente o significado da apostasia - deserção. Esse, na verdade, é o pecado contra o Espírito Santo, resultando na impossibilidade do arrependimento, tendo em vista que é o Espírito que convence do pecado (Lc. 12.8-10; Mt. 12.31; Mc. 3.29; Jo. 16.8). Em relação ao pecado, não podemos naturaliza-lo, pois conforme afirma o autor da Epístola aos Hebreus, “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus Vivo” (Hb. 10.31).

3. DECÊNCIA E ORDEM NO CULTO DIVINO
O culto cristão, diferentemente do levítico, está pautado na adoração em Espírito e em Verdade (Jo. 4.24). Além disso, esse deve ser realizado para a glória de Deus, tendo como base a doutrina dos apóstolos e a comunhão sincera (At. 2.42-47). A Igreja de Corinto também estava “oferecendo fogo estranho” nos cultos, até mesmo na celebração da Ceia do Senhor. Por esse motivo, Paulo orienta quanto à decência e ordem no culto, que deveria ser realizado no Espírito, mas sem os excessos que acontecem em alguns contextos eclesiásticos. O culto, por assim, dizer, não pode se restringir a um “festival” de línguas estranhas. O dom de línguas, que parecia ser um problema em Corinto, deveria ser motivado quando os crentes estiverem sozinhos em suas devoções particulares. O mais importante, no entanto, seria buscar amadurecimento espiritual, saber quando se deveria ou não falar línguas (I Co. 14.20). Quanto à profecia, Paulo orienta que falem dois ou três e outros julguem (I Co. 14.29-31-32), isso mostra que o dom profético não é canônico, como a escritura, infalível, por isso, deva ser julgado à luz da Escritura. Existe “fogo estranho” no uso inadequado que alguns indivíduos fazem dos dons espirituais, quando ao invés de serem usados pelos dons, passam a usar “os dons” para controlar a vida das pessoas. Existem cultos evangélicos que estão muito longe dos ensinamentos bíblicos, a concessão de algumas lideranças está comprometendo a liturgia bíblica, alicerçada na Palavra de Deus, por meio da qual o Espírito flui para a vidas dos crentes.

CONCLUSÃO
A guisa de conclusão, deixamos uma palavra aos pastores, para que orientem seus filhos no ministério, e casos sejam separados para o serviço no altar, não venham a “oferecer fogo estranho”. Há pastores que na ânsia de integrar seus filhos no ministério atribuem funções e cargos para que esses ministrem na casa de Deus. Mas é preciso ter cautela, e avaliar se esses estão alinhados à Palavra de Deus, somente assim poderão desenvolver o ministério divino a contento.  

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

A DOUTRINA DO CULTO LEVÍTICO

Texto Áureo: Sl. 24.1  – Leitura Bíblica: Lv. 9.1-14

INTRODUÇÃO
O culto levítico estava fundamento na doutrina divina, o próprio Deus deu orientações expressas em relação à adoração. Na lição de hoje estudaremos a respeito da necessidade humana de adorar a Deus, também nos voltaremos para o culto genuinamente cristão, com destaque para a devoção pessoal e coletiva do crente. Ao final, enfatizaremos que a adoração a Deus, consoante aos ensinamentos de Jesus, deve ser centrada na Palavra e no Espírito.

1. O CULTO LEVÍTICO
O culto levítico tinha por objetivo central lembrar que Deus é o Criador de todas as coisas, do céu e da terra (Gn. 1.1). Também tinha um objetivo memorial, a lembrança de que Deus foi o libertador de Israel, Aquele que retirou o povo da escravidão do Egito (Ex. 23.25). Esse povo foi separado por Deus para ser uma teocracia, seria governado não por homens, mas pelo Senhor que orientaria a nação (Lv. 20.26). O sacrifício de animais fazia parte do culto levítico, esses eram entregue como libação (Lv. 1.2). Os animais deveriam ser escolhidos com critérios, os melhores separados para o culto, como uma demonstração do valor que o culto deveria ter a Deus. Não apenas animais, também os frutos da terra serviam para louvor e adoração a Deus (Lv. 23.10). O próprio ser humano deveria lembrar que foi criado por Deus, conforme Sua imagem e semelhança, portanto, o corpo seria dedicado ao Senhor, tendo o cuidado devido (Lv. 20.7). Essa cosmovisão israelita ressaltava a dignidade do corpo, e a dignidade da vida humana, que seria responsável pela natureza, expressão da beleza de Deus (Lv. 23.4). O culto a Deus, no contexto do livro de Levítico, deveria ser voluntário, fundamentado no amor a Deus (Sl. 100.2), uma demonstração de genuína gratidão pelos feitos de Deus (Lv. 7.11-17).

2. O CULTO CRISTÃO
O culto cristão, ainda nos primórdios da Igreja, tinha suas bases divinas. Em At. 2.42-47, compreendemos que o culto estava fundamentado na koinonia, e se alicerçava na doutrina dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. A partilha, que também era manifestada na celebração da Ceia do Senhor (I Co. 11.20-22), é uma demonstração do espírito comunitária da igreja do primeiro século. Os cultos eram realizados tantos nas casas como no templo (At. 2.46; 5.42; 20.7), era importante que os cristãos estivessem unidos, e não deixassem de se congregar (Hb. 10.24,25). Não podemos desconsiderar o aspecto comunitária do culto cristão, é por meio deles que ressaltamos nossa unidade, e reforçamos nossa dependência mutua. É nesse espírito comunitário que podemos ler a pregar a Palavra de Deus (Cl. 3.16; II Tm. 4.2), explicando e aplicando as verdades da fé; também nos dirigimos a Deus em oração (Ef. 5.20; I Tm. 2.8; At. 2.42), pois a oração é uma demonstração de dependência divina, também podemos interceder pelos irmãos e agradecer pelas dádivas do Senhor. Há espaço para hinos e cânticos espirituais (Cl. 3.16; Hb. 13.15), mas esses devem glorificar a Deus, e não aos homens, devem servir para expressar nossa relação com Deus, e contribuir para a proclamação do evangelho (Ef. 5.19).

3. O CULTO ESPIRITUAL
Em Rm. 12.1,2 Paulo não ordena, apenas “roga”, isto é, “admoesta, solicita, encoraja”, que é o sentido de parakaleo, em grego aos irmãos. O apelo do apóstolo tem como base a grande misericórdia de Deus, não os princípios legalistas dos judaizantes. O amor de Deus por nós nos motiva a viver em total consagração a Ele, esse é o sacrifício que O agrada, não mais o sangue de animais, como no Antigo Pacto (Hb. 13.15-19), esses sacrifícios diferentes são denominados por Pedro de “espirituais” (I Pe. 2.5), equivaleria ao que Paulo denominou de “culto racional”. Para que isso se efetive, não mais podemos nos conformar, ou seja, “entrar na fôrma” desse mundo. O mundo, aqui, é perverso ou mal (Gl. 1.4) e dominado por Satanás, o seu príncipe, que cega a mente dos incrédulos (II Co. 4.4). Não podemos mais compactuar com esse sistema anti-Deus que prevalece no presente século, pois “as coisas antigas se passaram e eis que tudo se fez novo” (II Co. 5.17). Somos instruídos, portanto, a sermos transformados, literalmente, transfigurados (ver Mt. 17.2; II Co. 3.18), pela renovação da nossa mente. Essa renovação somente pode acontecer na medida em que passamos a pensar com a mente de Cristo, e não com a nossa natureza pecaminosa (II Co. 11.3; Ef. 1.18; I Co. 2.16). Assim, experimentaremos quão boa, agradável e perfeita é a vontade de Deus, não apenas para Ele, mas também para nós, assim, reconheceremos que não vale a pena pecar. O culto, consoante a expressão paulina, deve ser espiritual, e como Jesus ensinou, não depende de um lugar específico, mas da adoração espiritual a Deus, fundamentada na Palavra (Jo. 4.24).

CONCLUSÃO
Deus busca adoradores e esses devem adorá-LO em Espírito e em Verdade (jo. 4.23,24). O culto cristão, diferentemente daquele israelita, não está alicerçado no lugar, mas na disposição espiritual, alicerçada no relacionamento com Deus, tendo a liberdade de chamá-lo de Pai (Mt. 6.9-13), de modo que temos ousadia para nos achegar ao trono da graça (Hb. 4.16). Por outro lado, não podemos desprezar a vida comunitária da igreja, deixando de se congregar como é costume de alguns (Hb. 10.25), pois Jesus se faz presente sempre que pessoas se reúnem em Seu nome (Mt. 18.20).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

SANTIDADE AO SENHOR

Texto Áureo: Lc. 20.26  – Leitura Bíblica: Lv. 20.1-10

INTRODUÇÃO
Santidade deveria ser uma característica fundamental dos sacerdotes, esses deveriam responder a ordem divina: “sede santos como eu sou santo” (Lv. 11.44). Na lição de hoje, estudaremos a respeito do significado da santidade, inicialmente no contexto do sacerdócio levítico. Em seguida, trataremos sobre o aspecto posicional e progressivo da santificação, e por fim, a importância de dependermos do Espírito, a fim de chegarmos à santidade, sem a qual ninguém verá a Deus (Hb. 12.2).

1. SANTIDADE, A MARCA DOS SACERDOTES
Os sacerdotes deveriam ser separados para o Senhor, por essa razão deveriam portar uma lâmina de ouro, que trazia em sua mitra o seguinte dizer: “Santidade ao Senhor” (Ex. 28.36). A santidade dos sacerdotes deveria inspirar o povo de Israel a fazer o mesmo, a trilhar o caminho separado por Deus, ciente de que era um povo peculiar do Senhor (Ex. 13.21.22). Por causa disso, deveriam obedecer a Palavra de Deus (Lv. 9.6), e não poderiam seguir o exemplo das nações vizinhas. Uma prática comum entre aqueles povos era a de sacrificar seus filhos ao deus-moloque (Lv. 20.1-4). O povo de Israel, diferentemente do que faziam, sabia que os filhos são herança do Senhor. A descendência israelita era uma dádiva de Deus, por isso os filhos eram dedicados ao Senhor, para que vivessem para Ele. A vida conjugal dos israelitas também deveria ser diferenciada, o Senhor proibiu a infidelidade conjugal e o adultério (Lv. 20.10). A santidade, de acordo com os parâmetros levíticos, é uma identidade para o povo de Deus. Os israelitas poderiam ser identificados como o povo que estava separado para o Senhor. Especificamente em relação ao sacerdócio levítico, esperava-se que esses dessem exemplo perante o povo, e que procedessem em conformidade com a Torah, a fim de que o nome do Senhor fosse honrado.

2. SANTIDADE POSICIONAL, PROGRESSIVA E FUTURA
A palavra santificação (hagiasmos, em grego), de acordo com o Dicionário Vine, é usada para significar: a) a separação para Deus (I Co. 1.30; II Ts. 2.13; I Pe. 1.2); b) o curso de vida adequando aos que assim são separados (I Ts. 4.3,4,7; Rm. 6.19,22; I Tm. 2.15; Hb. 12.14). A santificação é, portanto, a relação com Deus na qual os homens entram pela fé em Cristo (At. 26.18; I Co. 6.11), e à qual o seu direito exclusivo é a morte de Cristo (Ef. 5.25,26; Cl. 1.22; Hb. 10.10,29; 13.12). Existem três aspectos na satificação: 1) Posicional – em Hb. 10.10, o autor diz que “Temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez”. Isso quer dizer, então, que, de certo modo, já somos santos. Por isso, nas epístolas o Paulo se dirige aos seus destinatários como santos (Rm. 12.13; I Co. 14.33; Fp. 4.21). 2) Progressivo – embora sejamos declarados imediatamente e legalmente santos, pelo ato da regeneração e da justificação, somos instruídos a seguir adiante, em santificação (Fp. 3.13,14). Assim, espera-se que cresçamos até o ponto de podermos digerir alimento sólido (Hb. 5.12-14; I Pe. 2.1-3). Esse processo de transformação se dá em amor (Cl. 3.7-14) no contato com Espírito do Senhor (II Co. 3.18; I Co.10.13). e 3) Futura – em Fp. 3.11 Paulo fala da ressurreição dos mortos, isto é, o momento da glorificação do corpo, esse é o aspecto futuro da santificação. A passagem bíblica de I Co. 15.51,52 detalha como isso acontecera. Com essa esperança, temos a fé de “as aflições do tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm. 8.18).

3. SANTIDADE, COM O FRUTO DO ESPÍRITO
É preciso, portanto, esclarecer que ao mesmo tempo em que “somos santos”, também devemos “buscar a santificação”. Por esse motivo não apenas precisamos da contínua purificação pelo sangue (I Jo. 1.7), como jamais chegaremos ao ponto de não precisarmos dela enquanto vivermos aqui. Por isso, precisamos ser realistas, e atentar para o que está escrito em I Jo. 1.10: “Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que não podemos viver na prática contínua do pecado (I Jo. 3.8-10). Isso porque a rejeição persistente à voz do Espírito Santo poderá levar à rebelião e à perda definitiva da salvação, ou para ser mais específico, à apostasia (Gl. 5.21; Hb. 6 e 10). Devemos levar em conta a recomendação de Paulo: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”. Diante dos fracassos ao longo do caminho, não devemos nos sentir derrotados, pois temos um Advogado junto ao Pai, um Amigo, Jesus Cristo (I Jo. 1.7). A santificação, enquanto processo, é o ato de separar-se do mal e devotar-se a Deus (Rm. 12.1,2; I Ts. 5.23; Hb. 13.12). As Escrituras põem a santificação posicional, e, por conseguinte, a progressiva, como condição futura para se ver a Deus (Hb. 12.14). Mas uma vida de santidade, conforme exigida em I Pe. 1.15,16), somente pode ser efetivada pelo Espírito Santo, que produz em nós, e conosco, o Seu fruto (Rm. 6.1-11,13; 8.1,2,13; Gl. 2.20; Fp. 2.12,13; I Pe. 1.5).

CONCLUSÃO
A santidade, que era uma marca identitária do sacerdócio levítico, deve ser o objetivo de todo cristão genuíno. Não podemos nos conformar com o mundo, antes devemos experimentar a agradável, boa e perfeita vontade de Deus (Rm. 12.1,2). Para tanto, devemos viver cada vez mais na dependência do Espírito (Gl. 5.22), buscando agradar a Deus em todo momento, cientes de que a santificação é a vontade de Deus para as nossas vidas (I Ts. 4.13).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

A FUNÇÃO SOCIAL DOS SACERDOTES


Texto áureo: Lc. 5.14  – Leitura Bíblica: Lv. 13.1-8

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, com base no livro de Levíticos, iremos destacar a função social dos sacerdotes. Mostraremos também que a atuação social desses aponta para o serviço de Cristo, que se envolveu em questões sociais, e inspirou a Igreja a fazer o mesmo. Concluiremos a aula mostrando que a Igreja Primitiva, ainda no primeiro século, preocupava-se com os problemas sociais, sobretudo no contexto da própria igreja.

1. A FUNÇÃO SOCIAL DOS SACERDOTES
Os sacerdotes tinham várias funções sociais, uma delas era a de inspecionar clinicamente o povo. A lepra era uma das doenças mais temidas pelo povo, principalmente por causa do contágio (Lv. 13.2; Dt. 7.14). Era competência do sacerdote inspecionar, e quando a doença fosse identificada, deveria separa o enfermo da comunidade, para evitar o contágio. O sacerdote também tinha função sanitarista, seria uma espécie de especialista em saúde pública, por isso deveria inspecionar as casas e roupas de Israel (Lv. 14.34-57). O objetivo seria evitar qualquer tipo de contaminação, principalmente em relação à lepra, considerando que essa doença resultaria em outros tipos de moléstias (Dt. 24.8). O sacerdote também tratava das questões jurídicas, em relação à proteção da família, proibindo o sacrifício infantil (Lv. 20.2), as relações incestuosas (Lv. 18.6-9), o abuso sexual doméstico (Lv. 18.10), a exposição das filhas à prostituição (Lv. 19.29), a homossexualidade e práticas semelhantes (Lv. 18.22,23). Além disso, deveriam zelar pelo direito da propriedade privada, mas sem esquecer do cuidado com os pobres (Lv. 23.22), bem como com a preservação do meio ambiente (Lv. 25.3,4). Outra função social do sacerdote era de proteger a vida, para tanto deveria inspecionar a edificação das casas (Dt. 22.8), a criação de animais (Ex. 21.36), a preservação da mulher grávida e do filho no ventre (Ex. 21.22). Essas atribuições são compreensíveis no contexto da sociedade teocrática israelita, mas não se aplicam mais à igreja, devemos saber que há instituições públicas, que tratam dessas especificidades.

2. A FUNÇÃO SOCIAL NO MINISTÉRIO DE JESUS
No Evangelho segundo Lucas, Jesus é Aquele que tem poder sobre as doenças e a morte. Há passagens em sua narrativa que explicam o poder do Senhor sobre a doença e a morte. Em Lc. 4.38,  Jesus curou a sogra de Simão, que estava enferma com muita febre, de modo que essa pode começar a servi-LO. Indo a cidade chamada Naim, Jesus encontrou uma mãe angustiada, com a morte de seu único filho, sendo esta também viúva. Jesus, movido de íntima compaixão, a consolou, em seguida tocou o esquife, e ressuscitou o seu filho (Lc. 7.11-13). Em Lc. 8 lemos a respeito de Jairo, um oficial da sinagoga, que sofria com a doença e possibilidade de morte da sua filha, de apenas doze anos (Lc. 8.40). Mesmo sendo uma autoridade, Jairo se humilhou aos pés de Jesus, implorando para que Ele resolvesse sua situação (Lc. 8.40-42). Ao mesmo tempo, uma mulher que estava próxima de Jesus, tinha uma doença, que causava sangramento, e que duravam doze anos (Lc. 8.43). A situação dessa mulher era de desespero, ela já havia gastado muito dinheiro com os médicos, nenhum deles havia conseguido curá-la (Mc. 5.26; Lc. 8.43). Aquela enfermidade a tornava impura, por causa do cerimonial de purificação judaico. Mesmo assim, ela decidiu tocar em Jesus, e encontrou cura nEle. Jairo também recebeu a providência divina diante da doença da sua filha, ainda que o pensamento humanista da época, dizia que o Mestre não deveria ser incomodado, pois a menina já estava morta (Lc. 8.49,50). Mas Jesus, que tem poder sobre as doenças e a morte, ressuscitou a menina (Lc. 8.51-53). Jesus não curou a todos que se aproximaram dEle, mas os tratou com dignidade, não apenas aos doentes, mas aos pobres e marginalizados. A forma como Jesus tratou as pessoas socialmente vulneráveis deve motivar os cristãos a fazerem o mesmo.

3. A FUNÇÃO SOCIAL DA IGREJA
Há um profeta no Antigo Testamento que denunciou a injustiça social, se opondo aos pecados de opressão (Am. 5.12,13). De igual modo, Tiago chama a atenção daqueles que acumulam riquezas como um fim em si mesmo. Evidentemente isso nada tem a ver com o cuidado previdente, associado à manutenção da família (II Co. 12.14; I Tm. 5.8; Mt. 25.27). Mas devemos ser cautelosos para não confiarmos nas riquezas, o cristão não pode colocar seu coração no dinheiro. Jesus censurou o rico insensato que pensou ser o dono da própria vida (Lc. 12.15-21). A vida é passageira, e as riquezas não podem garantir vida eterna (I Tm. 6.17). Tiago lembra que as riquezas são passageiras (Tg. 5.2,3), com Paulo assume que nada trouxemos para esse mundo, e que dele nada levaremos (I Tm. 6.7). Portanto, devemos investir na piedade com contentamento (I Tm. 6.6). Há pessoas que estão sendo devoradas pelas próprias riquezas, a paixão pelos bens do presente século está correndo as suas almas (Tg. 5.3). Patrões, sejam eles evangélicos ou não, prestarão contas a Deus quanto à maneira que trataram seus empregados. Os empregadores cristãos têm a responsabilidade de tratar com justiça seus empregados. Eles não podem abusar financeiramente dos seus trabalhadores, atentando para as normas trabalhistas do nosso país. Ao invés de exercitar a ganância, somos orientados pela Palavra a viver com generosidade (II Co. 6.10). E mais que isso, devemos também trabalhar para modificar as estruturas sociais arraigadas neste país. Não podemos acatar com naturalidade práticas que são consideradas normais. Existem pessoas que não fizeram opção pela pobreza, elas se encontram em tal condição por causa da injustiça social. Os cristãos devem dar o exemplo, não apenas “dando o peixe”, mas também “ensinando a pescar”. E quando necessário, denunciar atitudes que cerceie o direito dos pobres e necessitados.

CONCLUSÃO
Os sacerdotes exerceram sua função social no Antigo Testamento, no contexto da Aliança com Israel. Nós os cristãos da Novo Testamento devemos imitar o modelo de Cristo, que se aproximou de todos, inclusive daqueles que foram acometidos de lepra. A identificação de Jesus com os mais vulneráveis inspirou a igreja primitiva, para que também se preocupasse com os necessitados. As igrejas evangélicas precisam investir mais em obras sociais e atentar mais para os marginalizados, especialmente entre os domésticos na fé (Gl. 6.10).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010. 

OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO


Texto áureo: Nm. 3.45 – Leitura Bíblica: Lv. 8.1-13

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos a respeito do ministério sacerdotal levítico, ressaltaremos seu chamado para o serviço. Ao mesmo tempo, não poderemos deixar de destacar que o sacerdócio levítico era uma sombra do sacerdócio eterno de Cristo. E ao final, mostraremos que Jesus quando ressuscitou deu dons aos homens, favorecendo o ministério cristão, tanto em sentido amplo quanto específico, com vistas à edificação do corpo de Cristo.

1. OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO
O culto israelita era ministrado pelos sacerdotes levitas, esses eram responsáveis por estar diante do Senhor, intermediando pelo povo. Levi foi um dos filhos de Lia, uma das esposas de Jacó, e seu próprio nome ter a ver com “estar ligado”. Por isso, se reconhece que essa era a tarefa dos levitas, deveriam estar sempre “ligado no Senhor”, zelando pelo serviço divino. Por ocasião da divisão das terras entre as tribos de Israel, aos levíticas não coube território, eles deveriam depender da providência divina, por isso Arão e seus descendentes deveriam ser separados para um trabalho específico (Ex. 6.14-27; Nm. 3.45). Por esse motivo, o sumo sacerdote de Israel deveria ser descendente de Arão (Ex. 6.15-23), constituído como mediador entre os homens e Deus (Lv. 10.10,11), assumindo essa função de forma vitalícia (20.23-28), não se esquecendo que eram servos de Deus, não dos homens (Ex. 28.43). Por esse motivo, deveriam viver do altar, dedicando-se exclusivamente ao ministério (Lv. 7.35), e viverem de maneira santificada, a fim de agradar ao Senhor que os chamou para cumprir uma missão (Ex. 28.36), caso profanasse o ofício do Senhor, seriam punidos severamente (Lv. 10.1-3). Esperava-se que os sacerdotes levíticos fossem um exemplo de espiritualidade para o povo, tendo em vista que deveria zelar pela Lei do Senhor, e serem puros aos olhos de Deus, ainda que não fossem perfeitos. Vários sacerdotes tiveram problemas, inclusive para que seus descendentes dessem sequência ao trabalho para o qual foram comissionados. Os filhos de Eli é um exemplo de sacerdotes que não levaram a sério o serviço divino, como consequência disso foram punidos com rigor (I Sm. 2.25).

2. O MINISTÉRIO ETERNO DE JESUS
O autor da Epístola aos Hebreus apresenta algumas especificidades em relação ao sacerdócio de Cristo, em comparação com o sacerdócio levítico. Para que o sacerdócio levítico fosse aprovado por Deus, bem como o próprio sacerdócio de Cristo, fazia-se necessário que algumas qualificações fossem consideradas. A esse respeito, é preciso destacar que a “ordem” do sacerdócio de Cristo se difere daquele dos sacerdotes levíticos. Em ambos os casos, um homem foi escolhido, para representar o povo, na presença de Deus. Por isso, como sacerdote, Jesus foi “tomado dentre os homens” (Hb. 5.1). E seguindo a prática sacerdotal judaica, “para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb. 5.1). Como Sumo Sacerdote, Jesus “pode compadecer-se”, isso mostra que Ele não desconsidera nossa condição humana, e mais que isso, que ele tem simpatia, no sentido etimológico do termo”, sofre conosco. Ele conhece nossa natureza, e sabe que somos pó, e que dependemos de Deus, inclusive para vencer as tentações/provações. Uma das qualificações de Cristo, em comparação ao sacerdócio levítico, é que o sacerdote levítico deveria oferecer sacrifícios “tanto pelo povo como também por si mesmo” (Hb. 5.3). Por oposição, o sacerdócio de Cristo tinha procedência divina, para tanto o autor recorre a Sl. 2.7 e ao 110.4, a fim de mostrar que Jesus, diferentemente do sacerdócio aaronico, seguia a ordem de Melquisedeque. Este foi um sacerdote-rei da cidade estado de Salém – antiga Jerusalém – nos tempos em que Abraão resgatou Ló do cativeiro. E seguindo essa ordem, Jesus mostrou ser superior, pois Ele não apenas morreu pelos pecados da humanidade, também ressuscitou vindo a ser “a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hb. 5.9). A obediência é importante no contexto da Epístola aos Hebreus, pois o próprio Cristo “aprendeu a obediência”, e todos aqueles que O seguem também devem aprendê-la.

3. O MINISTÉRIO E OS DONS CRISTÃOS
Na Nova Aliança fomos feitos sacerdotes (I Pe. 2.9), de modo que não dependemos mais de um sacerdote humano. Temos Jesus Cristo que é o Supremo Sacerdote (Hb. 7.13-17). Mesmo assim, sabemos que Jesus deu dons aos homens, e ministros para a edificação da Sua igreja. Ele é o doador, que concede, aos homens, para o serviço cristão no Corpo de Cristo. Esses dons, descritos em Ef. 4.11-12, são funcionais, ou melhor, têm serventia para cumprir um proposito, mais especificamente a edificação da igreja (Ef. 4.12-16). Há também o equívoco de pensar que os dons espirituais são dispensados por méritos pessoais. Ninguém é usado por Deus, através dos dons espirituais ou ministeriais, por que é digno (Rm. 12.6; I Pe. 4.10), não podemos esquecer que fomos salvos pela graça de Deus (Ef. 4.9,10). Os dons procedem de Deus, Ele é a fonte dos dons, tanto os espirituais (charismata/penumatikon) quanto os ministeriais (diakonia). A distribuição dos dons é um trabalho da Trindade, o Pai enviou Cristo, e depois o Espírito Santo (Jo. 14.6; 20.21). A concessão dos dons espirituais e ministeriais vem de Deus, sendo que existem os dons do Espírito (I Co. 12.4-7), e os dons de Cristo (Ef.4.11). É importante destacar que há mais de nove dons espirituais, não apenas aqueles listados por Paulo em I Co. 12.8-11. Em Rm. 12.3-8 encontramos uma lista, diferente da de I Co., no tocante aos dons: profecia, ministério, ministração, ensino, exortação, partilha, presidência e misericórdia. Esses dons, de acordo com o texto, são todos provenientes de Deus. Os dons, grosso modo, partem de Deus para a igreja, a fim de constituir uma unidade na diversidade (Rm. 12.5). A dispensação dos dons, tanto os espirituais quanto ministeriais, é de Deus, mas há também participação humana. No texto de Rm. 12.3-8, Paulo instrui os crentes a desenvolverem os dons. Diferentemente dos dons de I Co. 12.8-11, que têm caráter mais instantâneo, e aspecto notadamente sobrenatural.

CONCLUSÃO
Os dons espirituais e ministeriais foram destinados aos homens e mulheres da igreja, com vistas ao serviço (diakonia), e mais especificamente, à edificação do Corpo de Cristo. Os dons espirituais e ministeriais não devem ser ignorados, é necessário que os membros da igreja se interessem por eles, mas é preciso usá-los com equilíbrio (I Co. 12.1). Os homens e mulheres de Deus, quando usados pelo Espírito, através dos dons, devem exercitá-los com responsabilidade, sobretudo com zelo e amor (I Pe. 5.2,3).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

A BELEZA E A GLÓRIA DO CULTO LEVÍTICO

Texto áureo: Lv. 9.23 – Leitura Bíblica: Lv. 9.15-24

INTRODUÇÃO
Os levitas foram separados por Deus para o serviço ao Senhor, manifestado através do culto, e dos seus rituais. Na lição de hoje estudaremos a respeito da beleza e glória desse culto, ressaltando seu simbolismo em relação ao culto cristão. Ao longo da aula, é importante destacar que a beleza e a glória do culto cristão não se comparam com a glória revelada em Cristo Jesus, pois nEle habita a plenitude da divindade, e nEle o Pai manifestou a Sua glória.

1. O CULTO NA ANTIGA ALIANÇA
O culto divino foi realizado antes mesmo da Antiga Aliança, dada a Deus por Moisés. Os patriarcas adoraram a Deus, com destaque para o sacrifício de Abel, que foi recebido pelo Senhor, em detrimento do sacrifício de Caim, rejeitado por Deus (Gn. 4.3-7). Depois de Abel, outros construírem altares, como símbolo de culto e adoração ao Senhor, dentre eles, Noé e Abraão (Gn. 8.20;12.7; 26.5). No período mosaico, o povo de Israel recebeu instruções expressas a respeito de como deveria ser o culto levítico (Ex. 12.21-26). A adoração ao Deus que havia retirado o povo do Egito fazia parte da aliança estabelecida entre YHWH e Israel. Por sua vez, o culto não poderia ser realizado de qualquer maneira, antes deveria seguir os procedimentos determinados pelo Senhor. Inicialmente, esse culto era prestado no Tabernáculo, a estrutura móvel construída por Moisés, e posteriormente, no governo de Salomão, um templo foi edificado para esse fim (I Cr. 23.5; II Cr. 7.6). Salomão ofereceu a Deus aquele templo, destacando que a glória não estava naquela edificação, mas no próprio Senhor que ali estaria presente. Depois de Salomão vários reis governaram tanto em Israel quanto em Judá, alguns deles consolidaram e fortaleceram o culto, no contexto da monarquia teocrática. Mas a maioria deles preferiu seguir seus próprios caminhos, por isso Deus levantou seus profetas, a fim de reestabelecer o culto, em conformidade com a Palavra de Deus. Após o cativeiro babilônico, quando os judeus retornaram para sua terra, Esdras e Neemias revitalizaram o culto ao Senhor, através da exposição da Torah (Ne. 12.22-30).

2. O CULTO NA NOVA ALIANÇA
Na Nova Aliança, o culto a Deus é realizado por meio de Jesus Cristo, que é o próprio fundamento do culto. O autor da Epístola aos Hebreus, ao longo de sua exposição apologética, destaca que a glória do culto da Antiga Aliança feneceu, diante da glória do sacerdócio eterno de Cristo, sendo esse superior ao levítico (Hb. 7.17-24). Por esse motivo, não temos mais razões para imitar o culto levítico, ou como queriam fazer os cristãos hebreus do primeiro século, e retornarem as práticas litúrgicas da Antiga Aliança. Atualmente existem igrejas evangélicas que estão adorado ao culto judaico, algumas estão substituindo os elementos do culto cristão por utensílios e práticas judaicas. Esse caso se torna ainda mais grave quando o culto se torna judaizante, semelhante aquele que estava sendo inserido entre os gálatas, contra o qual Paulo se posicionou em sua Epístola (Gl. 1.8,9). É preciso ter cuidado para não inserir elementos judaico no culto cristão, pois mesmo reconhecendo que a fé vem dos judeus, não podemos aculturar nossa adoração, substituindo a liturgia da Nova Aliança pelos rudimentos da Antiga. É bem verdade que existem elementos semelhantes nos cultos Judaico e Cristão, dentre eles destacamos: os cânticos, a exposição da Palavra, a oração, a leitura bíblica e a benção final. O culto cristão deve ter esses elementos, com as devidas especificidades, sem esquecer que se trata de um culto espiritual, fundamentado na verdade divina (Jo. 4.23,24). Como nos tempos da Antiga Aliança, corremos o risco de perder a essência do culto, ao transferir glória para os elementos materiais, ao invés de compreender sua natureza espiritual, deixando de atentar para seu simbolismo, e em alguns casos, adorando os próprios objetos, ao invés da realidade para os quais apontam.

3. O CULTO CRISTÃO NOS PRIMÓRDIOS
O culto cristão, ainda nos primórdios da Igreja, tinha suas bases divinas. Em At. 2.42-47, compreendemos que o culto estava fundamentado na koinonia, e se alicerçava na doutrina dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. A partilha, que também era manifestada na celebração da Ceia do Senhor (I Co. 11.20-22), é uma demonstração do espírito comunitária da igreja do primeiro século. Os cultos eram realizados tantos nas casas como no templo (At. 2.46; 5.42; 20.7), era importante que os cristãos estivessem unidos, e não deixassem de se congregar (Hb. 10.24,25). Não podemos desconsiderar o aspecto comunitária do culto cristão, é por meio deles que ressaltamos nossa unidade, e reforçamos nossa dependência mutua. É nesse espírito comunitário que podemos ler a pregar a Palavra de Deus (Cl. 3.16; II Tm. 4.2), explicando e aplicando as verdades da fé; também nos dirigimos a Deus em oração (Ef. 5.20; I Tm. 2.8; At. 2.42), pois a oração é uma demonstração de dependência divina, também podemos interceder pelos irmãos e agradecer pelas dádivas do Senhor. Há espaço para hinos e cânticos espirituais (Cl. 3.16; Hb. 13.15), mas esses devem glorificar a Deus, e não aos homens, devem servir para expressar nossa relação com Deus, e contribuir para a proclamação do evangelho (Ef. 5.19). Um dos aspectos mais importantes do culto cristão é a consagração a Deus, por isso devemos oferecer nossos corpos como sacrifício vivo ao Senhor, sendo esse o nosso culto racional, por meio do qual experimentamos a agradável, boa e perfeita vontade de Deus (Rm. 12.1,2).

CONCLUSÃO
O culto levítico teve sua beleza e glória, que ainda resplandecem, mas não podem ser imitados pelos cristãos, a menos que seus elementos expressem a glória do culto cristão, cuja expressão maior é Cristo, o ápice da revelação divina (Jo. 1.1; Hb. 1.1,2). Por causa dEle, podemos nos achegar com ousadia ao trono do Pai, e adorá-lo na beleza da Sua santidade, tributando a Ele a glória e o louvor que lhe é devido: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; pois tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap. 4.11).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.

LEVÍTICO, ADORAÇÃO E SERVIÇO AO SENHOR

Texto áureo: Lv. 26.11 – Leitura Bíblica: Lv. 27.28-34

INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos o livro de Levítico, um dos compêndios do Pentateuco. Esse é um manual de adoração para o povo judeu, e que oportuniza aplicações para o culto cristão. Nesta primeira aula o contextualizaremos, destacando o gênero literário, a data e autoria. É importante, nesses estudos, que não fiquemos apenas na descrição da religiosidade judaica, mas que também atentemos para sua dimensão espiritual, e possibilidades práticas para a adoração cristã, desde que estejam fundamentadas no evangelho.

1. AUTORIA, DATAÇÃO E GÊNERO
O livro de Levítico, bem como os demais livros do Pentateuco é atribuído a Moisés, cuja autoria é reconhecida pelo próprio Jesus (Mt. 5.17). A maioria dos estudiosos concorda que o material da Torah foi escrito por volta de 1445 a. C., no período em que Moisés levantou o tabernáculo no deserto. Alguns teólogos liberais modernos, fundamentados na crítica literária, tentaram questionar a autoria mosaica, mas essa tem sido cada vez mais consolidada, tanto pelas evidências externas quanto internas da obra. Entre os gêneros bíblicos, essa obra pode ser categorizada como um manual do culto divino, ou uma espécie de  estatuto para a purificação religiosa nacional, considerando que o povo de Israel vivia debaixo de uma aliança, sendo uma nação governada por Deus. Quanto ao propósito de Levítico, podemos ressaltar que se trata de uma orientação para os sacerdotes no seu ofício, em conformidade com a aliança de Deus e Israel. É importante ressaltar que o santuário havia sido construído, por isso Deus apresenta os fundamentos da adoração judaica. Essa é uma demonstração de que Deus não pode ser adorado de qualquer jeito, mas em conformidade com suas especificações. No contexto da aliança israelita, o próprio YHWH apresenta os termos pelos quais deveria ser adorado. Ao assim fazê-lo, o povo hebreu seria preservado, e ao obedecer às leis do Senhor, não seria contaminado pelas práticas pecaminosas das nações vizinhas. À luz do evangelho, sabemos que Deus tabernaculou no meio dos homens, pois o Verbo se fez carne e habitou no meio de nós (Jo. 1.1,14). Por esse motivo, podemos ter a certeza de que fazemos parte de uma nova aliança, consagrada por Cristo no calvário. Nessa nova aliança, fomos feitos sacerdotes com Aquele que é o Sumo-Sacerdote Eterno (Hb. 7.17).

2. A ESPECIFICIDADE DE LEVÍTICO
Levítico é o terceiro livro dos cinco livros da Torah, a palavra inicial do livro é wayyiqra, expressão hebraica que significa “e Ele chamou”, se referindo aos sacerdotes, que foram chamados pelo Senhor. A versão grega do Antigo Testamento – Septuaginta – optou por denominá-lo de leutikon, cuja tradução é “a respeito dos levitas”. A versão latina da Bíblia – Vulgata – traduziu com o título de Leviticus, do qual derivou o nome dado na língua portuguesa. Esse é um Manual de Regulamentos e Procedimentos Sacerdotais, de modo que identificamos a predominância de considerações rituais e legais. É preciso considerar também que há uma relação imediata do livro de Êxodo com o de Levítico, por isso o próprio título em hebraico trazer uma vav conjuntivo, uma espécie de conjunção aditiva. Isso mostra que o ofício sacerdotal deveria ser realizado dentro do contexto da religiosidade hebraica. A função sacerdotal, por conseguinte, tinha a ver com a instrução do povo na Torah, servindo como manual de orientação para o serviço, e adoração no tabernáculo do Senhor. Em linhas gerais, deve ser considerado um Código de Santidade, destacando a importância do sacrifício, a fim de que os sacerdotes recém-consagrados soubessem se portar no santuário, e conduzindo-se de maneira a agradar ao Senhor, pautando o modo de viver do povo, para que não esquecessem que era uma nação separada por Deus. A esse respeito, o livro de Levítico encontra eco no Novo Testamento, na medida em que destacamos que somos uma nação santa, um povo separado por Deus, chamado das trevas para sua maravilhosa luz (I Pe. 2.9). A igreja do Senhor Jesus é “os chamados para fora” – ekklesia – por isso deve viver em adoração, não mais em meros rituais religiosos, mas em espírito e verdade (Jo. 4.22-24).

3. A TEOLOGIA DE LEVÍTICO
A teologia fundamental de Levítico é a da “santidade ao Senhor”, e “sede santos porque eu sou santo” (Lv. 10.13), pois o Deus que retirou o povo de Israel do Egito é Santo (Lv. 11.44). Ele não é uma mera divindade nacional, mas o Único Deus Verdadeiro, que resgatou o povo da servidão. Desse modo, se a nação permanecesse debaixo dessa aliança, teria a certeza de que esse mesmo Deus o guardaria, e o preservaria dos seus inimigos. Outro enfoque que merece destaque no livro é o da adoração, podemos afirmar que o Deus de Israel é digno de ser adorado, e que esse apresenta as especificações rituais, para que a adoração aconteça. Os sacrifícios se faziam necessários por causa da condição pecaminosa do ser humano, e ao mesmo tempo, ressalta a gravidade do pecado, diante da santidade de Deus. Algumas dessas temáticas são reafirmadas no Novo Testamento, principalmente a de que nenhum ser humano é capaz de salvar a si mesmo (Rm. 3.23; Ef. 2.8,9), e que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo (Rm. 6.23). Na verdade, alguns temas que se encontram em Levítico foram reafirmados por Jesus, dentre eles, o do supremo mandamento do amor, primeiramente a Deus, e ao próximo como a nós mesmos (Lv. 19.18; Mt. 22.39). Paulo também fez referência a essa “regra áurea” em Rm. 13.9 e Gl. 5.14, de modo que, nesse contexto, os crentes são sacerdotes consagrados ao serviço do Senhor. O sacerdócio dos crentes, diferentemente daquele levítico, é dura para sempre e em todos os lugares A santidade, por sua vez, não está atrelada apenas a rituais externos, mas a um estilo de vida, tendo o próprio Deus como padrão (I Pe. 1.15). Nessa nova condição, nos tornamos habitação de Deus pelo Espírito Santo, que também opera em nós a santificação (Gl. 2.11).

CONCLUSÃO
Na condição de crentes santos e santificados por Cristo, temos diante de nós a responsabilidade de viver em santidade, agradando ao Deus Vivo e Verdadeiro (I Ts. 4.1-12). E para isso, devemos reconhecer que temos uma nova mentalidade, somos templo e morada do Espírito Santo (I Co. 6.19), e como tal, não podemos mais nos conformar a esse mundo, antes vivermos de acordo com a vontade boa, perfeita e agradável de Deus, que é nosso culto racional (Rm. 12.1,2).

BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Levítico: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2011.
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.

ÉTICA CRISTÃ E REDES SOCIAIS

Texto áureo: I Co. 6.12 – Leitura Bíblica: Pv. 4.10-15

INTRODUÇÃO
As redes sociais, através do avanço da internet nesses últimos anos, passaram a fazer parte da vida cotidiana das pessoas. Mas nem todos sabem usar com sabedoria, sobretudo com ética, essas ferramentas tecnológicas. Diante dessa realidade, estudaremos, nesta última lição, a respeito da importância do uso moderado, e mais importante, da sabedoria espiritual para que esses recursos possam está a serviço, e não contra o reino de Deus, que sejam usados para a glória dEle, não contra Ele, e por sua vez, contra nós mesmos.

1.  INTERNET E REDES SOCIAIS
Desde a difusão da internet, comumente conhecida como a Rede Mundial de Computadores, as pessoas passaram a ter contato com as mídias sociais, que estão cada vez mais próximas da maioria da população.  Ferramentas como Facebook, Instagram, Twitter e YouTube são facilmente identificadas, até mesmo pelos símbolos que as representam. Qualquer pessoa pode se apropriar de uma dessas mídias nos dias atuais, basta tão somente fazer um perfil, e a partir de então, poderá postar textos, imagens e/ou vídeos. Por meios desses recursos, essas pessoas materializam suas identidades e, às vezes, acabam por se excederem em suas postagens. É preciso considerar as implicações que a postagem de conteúdos podem ter na vida daqueles que as divulgam. Isso porque o compartilhamento rápido e fácil pode difundir uma informação em segundos, fazendo com que essa seja viralizada. As palavras de Salomão, no livro de Provérbios, se aplicam muito bem em relação ao uso indevido das redes sociais. A postagem depois de feita nem sempre pode ser apagada, e quando isso acontece pode ser que já tenha sido compartilhada (Ec. 5.1-7). Há cristãos que não medem as consequências de suas postagens nas redes sociais, não conseguem fazer a distinção entre o público e o privado. Existem fotos e vídeos que são de conhecimento familiar, e não podem ir a público, sob o risco de macular nossa imagem. Além disso, é preciso ter cuidado para que as redes sociais não se transformem em instrumento para a ostentação. As disputas e querelas devem ser evitadas nesse meio,  para que o evangelho não venha a ser desqualificado. Muitos casamentos cristãos também estão em risco, por causa do envolvimento de um dos cônjuges em relacionamentos virtuais, é preciso manter a vigilância a esse respeito, deixando claro que “se encontra em um relacionamento sério” e que é "casado", de preferência ter sempre uma foto com o cônjuge. 

2. O RISCO DOS RELACIONAMENTOS DESCARTÁVEIS
Como declarou John Donne (1572-1631), clérigo e poeta britânico, “nenhum homem é uma ilha”. Essa verdade pode ser atestada no livro de Gênesis, no qual encontramos a narrativa de que “não é bom que o homem esteja só” (Gn. 1.28,29). Com o advento das redes sociais, se tornou possível ter não apenas amigos reais, mas também virtuais. Há pessoas que não têm 5 amigos reais, mas chegam a 5.000 mil nas redes sociais. E esses amigos, podem ser descartados rapidamente, basta que a pessoa cancele sua conta. O perigo é o de fundamentar os relacionamentos reais nos parâmetros dos relacionamentos virtuais. Sobretudo nos dias atuais, os quais Zygmunt Bauman (1925-2017) denominou de “tempos líquidos”. Em seu clássico Modernidade Líquida destacou que os relacionamentos entre as pessoas estão cada vez mais descartáveis. As redes sociais expressam esse tipo de relacionamento, muitas pessoas vivem sozinhas, não tem companhias reais, e por isso, se tornam dependentes dos relacionamentos virtuais. Através dessas, querem impressionar os outros, maquiam sua imagem, não apenas com cosméticos, também com uma identidade falseada. Os ambientes virtuais se tornam o rio de narciso, a personagem da mitologia que contemplou demasiadamente seu rosto, e ficou abismado com sua beleza, e por isso mesmo veio a definhar. As redes sociais podem ensejar as pessoas a deixarem de ver os outros e contemplarem apenas a elas mesmas.. A Palavra de Deus nos orienta a amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos, mas há pessoas que estão amando mais a elas mesmas (Mc. 12.30,31).

3. ÉTICA NAS REDES SOCIAIS
A ética nas redes sociais é um desafio, sobretudo os cristãos devem dar exemplo, para evitar escândalo. Alguns cuidados devem ser tomados, precauções devidas, para não denegrir a imagem própria, bem como a dos outros. Estamos em uma época de muitas notícias forjadas, informações que circulam rapidamente, sem que tenha sua veracidade atestada. Por isso, os cristãos devem ser cautelosos, não devem compartilhar informações, sem antes ter convicção da sua veracidade. Fotos em ambientes que possam causar escândalo não devem ser postadas, evidentemente os cristãos devem avaliar os lugares para os quais podem ir, e mais ainda, se podem ou não postar fotos e vídeos em determinados contextos. É nesse particular que se aplica a declaração de Paulo: “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém, todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (I Co. 6.12). Postagens com trajes indevidos, roupas que causem escândalos, não podem cair na rede. Vídeos familiares, ou mesmo fotos íntimas, podem cair nas mãos de pessoas sem escrúpulos, que podem denegrir a imagem de alguém. As redes sociais devem ser usadas para nossa formação intelectual, e inclusive bíblico-teológica. Existem vários sites e vídeos disponíveis da internet que servem para a edificação dos cristãos. E preciso ter cuidado a quem estamos seguindo, não podemos esquecer que somos seguidores de Cristo, e como tais devemos nos comportar, sabendo renunciar interesses que não agradem a Ele (Mt.16.24). As redes sociais podem ser usadas para a evangelização, para a propagação das boas novas (Mt. 28.19,20), desde que seja feito de maneira criativa, e sem desmerecer os outros, principalmente a religião das pessoas.

CONCLUSÃO
Nesses tempos de relacionamentos líquidos, não esqueçamos que precisamos uns dos outros, nem desprezemos o contato real, a começar a congregação como é costume de alguns (Hb. 10.25). Temos liberdade para usar com sabedoria as redes sociais, desde que essas sirvam para glorificar a Deus, e não se transformem em instrumento para denegrir a imagem de quem quer que seja. É bom avaliar se estamos fazendo uso adequado dessas redes, caso contrário, o melhor mesmo é ficar longe delas (Mt. 18.9)

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016

ÉTICA CRISTÃ E POLÍTICA

Texto áureo: Rm. 13.7 – Leitura Bíblica: Rm. 13.1-7

INTRODUÇÃO
A relação entre o cristão e a política é um dos temais mais controvertidos no meio evangélico. Em virtude dos vícios da política brasileira, alguns evangélicos absorveram as práticas pecaminosas da sociedade. Diante dessa realidade, faz-se necessário fazemos alguns esclarecimentos bíblicos, a fim de orientar os cristãos evangélicos para que esses saibam lidar com a questão política, de maneira ética e com sabedoria divina. Caso contrário, poderão servir aos interesses mundanos da política partidária, e serem manobrados pela politicagem.

1.  POLÍTICA, PARA QUE?
A palavra política vem do grego “polis” e diz respeito à cidade, trata-se, portanto, de uma orientação humana com vistas à convivência social. Biblicamente, a origem da política remete também a da cidade, com a construção de Babel, a torre da confusão (Gn. 11). Em virtude daquele fatídico episódio, Deus entregou o governo nas mãos dos homens, de maneira que esses passaram a conduzir os ditames das suas cidades. Em tese, a política deveria buscar o bem-estar comum da sociedade, infelizmente isso não acontece por causa da condição pecaminosa do ser humano. A organização política como conhecemos atualmente é inspirada nos gregos e romanos, que fundamentaram a democracia. Por causa da natureza pecaminosa, os cristãos trataram de “aperfeiçoar” a democracia, criando os poderes constituídos, que deveriam fiscalizar uns aos outros. Esperava-se que, através da independência dos três poderes: executivo, legislativo e judiciário, a democracia seguisse seu rumo, e favorece aos cidadãos, sobretudo aos mais necessitados. Porém, por causa da concentração de riquezas nas mãos de poucos, o Estado acabou por ser dominado por interesses econômicos, que determinam inclusive a escolha dos governantes. Estudiosos contemporâneos defendem que cada vez mais a democracia está em perigo. E mais, que o sonho de organização social, postulado pelo liberalismo político-econômico, não está cumprindo o que prometeu. Diante desse quadro, os cristãos evangélicos precisam ser cautelosos, para não se tornarem presa fácil das armadilhas da politicagem, que se infiltram nos arraiais evangélicos, e são naturalizadas como se normais fossem. Por causa da ingenuidade de alguns evangélicos, políticos evangélicos e não evangélicos interesseiros se aproveitam, citando, às vezes, versículos bíblicos descontextualizados, a fim de angariar votos.

2. EQUÍVOCOS EVANGÉLICOS SOBRE A POLÍTICA
Existem alguns equívocos no meio evangélico em relação à política, os quais precisam ser esclarecidos, o principal deles é o mito da nação evangélica. Alguns evangélicos falham na interpretação bíblica quando confundem a teocracia israelita com a atuação da igreja no Novo Testamento. Versículos tais como “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl. 33.2 ) não podem ser aplicados a qualquer país na atualidade, pois Deus não trata mais com uma nação específica, mas com uma nação santa, um povo adquirido, pelo sangue de Jesus (I Pe. 2.9 ). Não devemos nos iludir com a pretensão de que teremos um dia uma nação evangélica, pois o Estado não deve professar uma religião, antes deve garantir a liberdade de culto religioso. Como cristãos, devemos escolher representantes, inclusive aqueles que professam a fé cristã, desde que exerçam seus mandatos buscando o bem-estar social comum. Outro equívoco é o de pensar que o político evangélico é eleito para defender a moral evangélica, ou mesmo para obter recursos para as igrejas. Existem práticas politiqueiras dentro do contexto evangélico que favorecem a corrupção e contribuem para a falência do próprio Estado. Os políticos evangélicos, tal como William Wilberforce, que contribuiu para o fim da escravidão na Inglaterra, deve se envolver em projetos que façam a diferença para a sociedade como um todo. Outro equívoco diz respeito à interpretação equivocada em Rm. 13, que geralmente é interpretada de maneira descontextualizada. Nessa passagem Paulo expõe a função do Estado, mas não está endossando suas ações injustas. O próprio Paulo apelou para seu direito romano, quando ilegalmente açõitado em Filipos (At.  16.16-40). Pedro deixou margem para a desobediência civil, quando o Estado agir injustamente, e contrariar os padrões da Palavra de Deus (At. 5.29). Dietrich Bonhoeffer é um exemplo de cristão moderno que resistiu à política nazista, por reconhecer que essa servia a interesses outros, não aqueles que favorecem o bem-estar comum das pessoas em geral. Uma interpretação política do Apocalipse revelará a existência de um componente diabólico na política dos homens, que já antecipa a operação do Anticristo nos últimos dias (Ap. 13).

3. A POLÍTICA DE DEUS E DOS HOMENS
A política do cristão é a política de Jesus, o poder a ser buscado não é o temporal, mas o poder que vem do alto (At. 1.8). Os políticos cristãos prestarão serviço à fé evangélica se derem exemplo, tanto de vida ilibada, quanto de amor ao próximo. Caso contrário, se adentraram a política – principalmente a brasileira, acostumada a corrupção endêmica - macularão seu testemunho, perderão a oportunidade de ser sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.  13-16). Como cristãos, não podemos perder o escatos de vista – a esperança na plenitude do reino de Deus – que se dará quando Cristo vier para reinar. Enquanto esse dia não chega, estaremos debaixo da política dos homens, que dependendo dos seus ditames, influenciará para bem ou para mal, implicando diretamente na vida das pessoas. A Igreja não deve se misturar com o Estado, aquela sempre será tentada a fazê-lo, desde os tempos de Constantino, o imperador romano do Sec. IV, que institucionalizou o cristianismo como religião oficial. Na verdade, essa relação tem trazido mais prejuízos que ganhos, se considerarmos a piedade como fonte de maior lucro, do que as riquezas e o patrimônio terreno. Ainda nos tempos do Antigo Testamento, os reis tinham interesse de cooptar os sacerdotes, a fim de que esses ficassem ao seu favor, e defendessem suas atitudes mesquinhas. Mas Deus sempre levantou seus profetas, a fim de denunciar o pecado, e a corrupção que se instalava na monarquia teocrática. De igual modo, a igreja deve assumir seu caráter profético, e deve denunciar o pecado, não apenas em sua condição individual, mas também coletiva. O pecado que reside nas estruturas sociais, e que leva a morte de pessoas em hospitais precários, o comprometimento da educação, por causa de escolas sucateadas, e a falta de segurança pública, com um policiamento limitado.

CONCLUSÃO
Os cristãos precisam saber se posicionar com sabedoria no contexto da política, não podem trata-la com ufanismo, acreditando que essa resolverá os problemas da sociedade. Por outro lado, devemos escolher nossos representantes, a fim de que tenhamos paz e vida sossegada, e o mais importante, para que o Estado possa cumprir seu papel, e a atender as necessidades daqueles que mais precisam. Enquanto cristãos, devemos reconhecer nossa dupla cidadania, tanto somos cidadãos do céu quanto cidadãos da terra (Fp. 3.20), por esse mesmo motivo, devemos saber fazer a diferença, e dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César (MT. 22.21).

BIBLIOGRAFIA
BOYD, G. The myth of a Christian nation. Grand Rapids: Zodervan, 2005.
ELLUL, J. Política de Deus e política dos homens. São Paulo: Fonte Editorial, 2006.