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ÉTICA CRISTÃ E SEXUALIDADE

                       
Texto Áureo: Hb. 13.4 
  – Texto Bíblico: I Co. 7.1-16


INTRODUÇÃO
Existem muitos equívocos na sociedade a respeito da sexualidade humana, a cultura disseminou uma visão distorcida do sentido bíblico do sexo. Por isso, na aula de hoje, estudaremos sobre o sexo à luz da Bíblia, destacando os limites éticos para sua utilização. Inicialmente, destacaremos o conceito de sexualidade, em seguida, nos voltaremos mais especificamente para a sexualidade na Bíblia, e ao final, apontaremos os limites éticos para a sexualidade, sobretudo para os cristãos.

1. O CONCEITO DE SEXUALIDADE
A palavra sexo tem vários significados na sociedade, dependendo do que se quer dizer e do contexto no qual se encontra. Na biologia, o sexo é definido como um conjunto de características orgânicas. Na mídia, em sentido mais geral, as pessoas falam de “fazer amor”, se referindo ao ato de “fazer sexo”, nesse caso, à prática do ato sexual. A sexualidade é um conceito mais amplo, e diz respeito à própria constituição humana, que se capacita não apenas para o ato sexual, mas também para o envolvimento sexual. A esse respeito, é importar destacar que a sexualidade não é apenas fazer sexo, mas estar envolvido com outrem, com destaque para os comportamentos, ações e práticas dos seres humanos na busca pela satisfação sexual. Na perspectiva naturalista, a sexualidade não passa de um instinto, um desejo que na maioria das vezes é contido pelos padrões sociais. Com base nessa abordagem, há uma tendência a liberalidade sexual, que teve seu ápice nos anos 60, com a “revolução sexual”. O resultado dessa tendência foi a objetificação do ser humano, através da animalização do ato sexual, acarretando inclusive problemas sociais.

2. A SEXUALIDADE HUMANA NA BÍBLIA
A visão bíblica da sexualidade é distinta daquela proposta pelos estudos da psicologia e psicanálise moderna. Tudo começa no livro de Gênesis, no qual aprendemos que Deus fez o homem e a mulher para desfrutarem do sexo, atestando que esse era bom (Gn. 1.31). É importante ressaltar que o fruto proibido nada tinha a ver com o sexo, pois antes mesmo da queda Deus já havia dito: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn. 1.28), e mais “deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn. 2.24). Portanto, a sexualidade a partir do Gênesis é uma dádiva divina, que deve ser desfrutada, não apenas para a reprodução, mas também para o prazer sexual. Há um livro na Bíblia, o de Cantares, que exalta a beleza do amor conjugal, com destaque inclusive para o ato sexual. Em virtude da influência helenista, o catolicismo absorveu uma visão negativa do sexo, e assumiu que esse deveria ser feito apenas para reproduzir. Esse ponto de vista foi enfatizado no Concílio de Trento, ao disciplinar o ato sexual com o objetivo exclusivo da reprodução. Mas Paulo, ao escrever aos Coríntios, orienta aos irmãos da igreja a usufruírem do sexo, inicialmente para fugir de práticas sexuais ilícitas (I Co. 6.16), evitando que o corpo seja usado para a promiscuidade (I Co 6.13).

3. A ÉTICA NA SEXUALIDADE CRISTÃ
O desejo sexual é uma realidade atestada tanto pela Bíblia quanto pela experiência. Mas esse tem sido usado de maneira indiscriminada pela sociedade sexualizada. Nós, os cristãos, devemos viver a partir das orientações bíblicas, a fim de desenvolver uma sexualidade sadia, em conformidade com a vontade de Deus. A fornicação, o ato sexual antes do casamento, bastante comum entre os jovens, é uma prática pecaminosa (I Co. 7.2). Por isso, os jovens devem se casar, principalmente se estiverem abrasados, a fim de evitar que caiam em pecado. Outra prática pecaminosa que Paulo adverte é o adultério, muitos casais evangélicos estão caindo nesse pecado, sobretudo nesses dias atuais, em virtude do fácil acesso à internet, por meio das mídias sociais. O acesso facilitado à pornografia também está destruindo a beleza do ato sexual. Muitos casais, por causa da pornografia, estão deixando de experimentar a naturalidade do sexo, e se voltando para atos que maculam o leito conjugal (Hb. 13.4). Desde que seja dentro dos parâmetros cristãos, o sexo deve ser usufruído pelos casais, tendo o cuidado de que um esteja satisfazendo o outro (I Co. 7.5). O corpo do homem e da mulher têm características distintas, e essas devem ser consideradas no ato sexual. Os homens devem ser mais pacientes, e investir em preliminares, a fim de que as mulheres também desfrutem da sexualidade.

CONCLUSÃO
A sexualidade é uma dádiva divina, espera-se que os cristãos, a partir dos fundamentos bíblicos, a usufruam dentro da vontade de Deus. Os jovens, a fim de evitar o abrasamento, devem ter cuidado com a fornicação, e procurar casarem-se. Os casados devem vigiar, evitando o pecado do adultério, bastante comum nos dias atuais. E assim, a sexualidade será motivo de alegria, e não de tristeza para as pessoas envolvidas. Assim, com o sábio, podemos aconselhar: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Pv. 5.18,19).

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

ÉTICA CRISTÃ E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Texto Áureo: Jo. 10.10   – Texto Bíblico: I Sm. 31.1-6

INTRODUÇÃO
O transplante de órgãos e tecidos tornou-se uma realidade como consequência do avança da medicina moderna. Diante desse contexto, a igreja precisa se posicionar, e a partir de princípios bíblicos, estimular essa prática entre os cristãos. Por isso, na lição de hoje, estudaremos a respeito da ética cristã e a doação de órgãos, com intuito de orientar os crentes a se envolverem nesse gesto de solidariedade, e mais precisamente, de amor ao próximo.

1. O TRANSPLANTE DE ORGÃOS E TECIDOS
A doação de órgãos e tecido é uma realidade no contexto da modernidade, como resultado dos avanços da ciência. Esse recurso tem sido amplamente usado em todo mundo, com vistas a recuperação de pacientes que enfrentam doenças terminais. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) explica que podem ser transplantados órgãos como o coração, o fígado, o pâncreas, os rins, os pulmões, entre outros. Há também a possibilidade de transplante de células-tronco, inclusive com células-tronco embrionárias, sendo que este último procedimento não é apoiado pelos cristãos, considerando o descarte dos embriões. Por esse motivo, as igrejas cristãs apoiam a pesquisa e os tratamentos com células-tronco, desde que essas não sejam embrionárias, por interromper a vida do embrião. E conforme estudamos anteriormente, defendemos que a vida humana tem seu início da fecundação. Mas em geral, as igrejas evangélicas não são contrárias à doação de órgãos, reconhecemos inclusive que se trata de um gesto de amor e solidariedade, e que deve ser estimulado nas comunidades cristãs.

2. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: PRINCÍPIOS BÍBLICOS
Por se tratar de um procedimento recente no campo da medicina, é pouco provável que se encontre respaldo direto nas Escrituras para a doação de órgãos. O que podemos identificar em várias passagens são princípios que norteiam os cristãos em relação a essa possibilidade. Jesus é o maior exemplo de doação, pois Ele não apenas doou um órgão, mas o fez por inteiro a fim de salvar os pecadores (Jo. 10.18). O próprio Deus provou Seu amor gracioso por nós ao entregar Seu Filho Unigênito pelos nossos pecados (Rm. 5.8). A ética cristã, a respeito da doação de órgãos, parte do pressuposto cristão: “tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mt. 7.12). Portanto, devemos considerar que podemos em algum momento da vida precisar receber os órgãos de alguém, por esse mesmo motivo devemos estar dispostos a fazer o mesmo pelas pessoas. Em uma sociedade individualista, as pessoas tendem a achar que jamais precisarão receber um órgão doado, mas devemos nos colocar no lugar do outro, e estar disponível para colaborar com aqueles que se encontram em necessidade.

3. A IGREJA E A DOEÇÃO DE ÓRGÃOS
A igreja evangélica tem muito a contribuir nesse processo, e agir como os irmãos da Galácia, que se dispuseram a doar os próprios olhos a Paulo em razão da sua enfermidade (Gl. 4.14,15). Naqueles tempos, esse procedimento seria cientificamente improvável, mas nos dias atuais é possível doar um órgão, em vida ou depois da morte. Os cristãos devem ser esclarecidos a esse respeito, inicialmente da necessidade de manifestar interesse aos familiares, para que essa vontade se concretize, no momento necessário. É importante também que os mitos a respeito da venda de órgãos, bastante popularizada na sociedade, sejam desconstruídos. Existe uma fila única para o uso dos órgãos doados, e essa é rigorosamente respeitada, sem dar margem para desvio, ou uso indevido dos órgãos doados. A dúvida escatológica, em relação à ressurreição dos mortos não deve ser usada como impedimento para a doação de órgãos. Paulo deixa claro, ao escrever aos coríntios, que o corpo ressuscitado é espiritual, portanto, glorificado. Não há dependência dos órgãos para a ressurreição do corpo, se assim o fosse, as pessoas que perderam um membro, em virtude de algum acidente, teriam problemas na ressurreição. Ao invés de incitarmos as especulações teológicas a esse respeito, antes devemos motivar os cristãos a exercitarem o amor cristão, através da doação de órgãos.

CONCLUSÃO
A doação de órgãos é uma demonstração de genuíno amor cristão, por isso deve ser estimulado entre os cristãos. As igrejas devem promover campanhas de conscientização, a partir da doação de sangue. É preciso que os evangélicos se envolvem em práticas dessa natureza, a fim de também demonstrar a sociedade nosso compromisso com o bem-estar de todos. E assim seremos conhecidos pelo amor de cristão, por estar dispostos a nos entregar pelos irmãos, e por todos indistintamente (I Jo. 3.16).

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

ÉTICA CRISTÃ E SUICÍDIO


Texto Áureo: Jo. 10.10   – Texto Bíblico: I Sm. 31.1-6

INTRODUÇÃO
A sociedade moderna considera o suicídio um tema bastante desafiador, e esse não pode ser desconsiderado pela igreja cristã. Na aula de hoje trataremos a respeito desse assunto, ressaltando, inicialmente, sua complexidade, seu enfoque bíblico, e o mais importante, a atuação da igreja diante do suicídio. É preciso ressaltar, a princípio, que a igreja não pode antecipar o julgamento, e não pode afirmar que determinada pessoa foi ou não para o céu, por ter praticado suicídio.

1. O PROBLEMA DO SUICÍDIO
O suicídio é um desafio de proporção sociológica, e que tem preocupado as autoridades, em virtude da sua alta incidência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou que o número de mortes por suicídio aumentou 60% nas últimas décadas. O suicídio não alcança apenas as camadas mais baixas – em termos socioeconômicos, países com índice de desenvolvimento elevado estão no topo das ocorrências. Existem fatores diversos para o suicídio, dentre eles, as próprias condições climáticas. Existem sociedades que têm maiores propensões ao suicídio, por causa da vergonha ou mesmo de frustração diante do fracasso. Não podemos negar que vivemos em uma sociedade adoecida, marcada pela competitividade, e descaso em relação aos mais vulneráveis. Estamos fomentando a cultura do desespero, a ausência de expectativas em relação ao futuro pode levar pessoas a optar pelo suicídio. O índice de suicídio está relacionado, por exemplo, à perda repentina de bens materiais. O secularismo, e o apego às coisas materiais, faz com que as pessoas percam as esperanças quanto ao futuro. Em 1929, em decorrência da queda brusca da bolsa de valores nos Estados Unidos, várias pessoas cometeram suicídio, por terem perdido quantias vultosas em dinheiro. Mas existem outros fatores que não podem ser desconsiderados, tais como doenças mentais que estão acometendo várias pessoas ultimamente, tanto fora quanto dentro das igrejas. É recomendável ter cautela, e evitar generalizações em relação as causas do suicídio, bem como das suas implicações eternas.

2. O SUICÍDIO NO TEXTO BÍBLICO
Não existem textos bíblicos que tratem doutrinariamente a respeito do suicídio, podemos apenas nos valer de alguns casos nos livros históricos, que tão somente constatam que pessoas, diante de situações adversas, apelaram para essa prática. Podemos citar o caso de Saul que se lançou sobre a espada, a fim de não ser morto pelos seus inimigos, o que seria considerado uma vergonha (I Sm. 31.4,5). Há outros casos, tais como o de Aitofel, conselheiro de Absalão, que não suportou a rejeição (II Sm. 17.23) e o rei Zinri, que foi derrotada e ficou apavorado, tirando a própria vida (I Rs. 16.18,19). No Novo Testamento, Judas Iscariotes é o caso mais emblemático, que depois de ter traído Jesus, e ser tomado pelo sentimento de remorso, lançou-se de um penhasco, tendo suas entranhas derramadas (At. 1.18). Esse é o único caso que atestamos de suicídio no Novo Testamento, e não há menção direta a respeito do assunto, nos posicionarmos a respeito sempre a partir de inferências de outras passagens bíblicas. Se assumirmos uma posição honesta em relação ao tema, a partir de uma visão bíblica, reconheceremos que temos poucas passagens para fazer qualquer avaliação em relação ao futuro daquele que o cometeu. Costuma-se apelar para Ex. 20.13, a fim de determinar que o suicídio é um tipo de assassinato, e aplicar a eles todas as penalidades decorrentes. A discussão, no entanto, recairá no campo semântico, a fim de avaliar até que ponto o suicídio pode ser considerado especificamente um assassinato. E se assim for, do mesmo jeito que existem casos nos quais o assassinato é justificado, poderia-se dizer o mesmo a respeito de alguns casos de suicídio?

3. A IGREJA DIANTE DO SUICÍDIO
A igreja cristã se equivoca ao fazer juízo antecipado em relação ao futuro daquele que cometeu suicídio. Inicialmente, devemos deixar bem claro que não devemos ser favoráveis a essa opção, muito menos defender que esse solucionará o problema. Afirmar que as pessoas foram para o céu ou para o inferno porque comentaram suicídio também não fará muita diferença, principalmente no contexto de uma sociedade que se torna cada vez mais secularizada, e cada vez menos acredita que esses existam. O suicídio se instaurou na sociedade por causa da cultura da morte que predomina, tendo em vista que as pessoas estão cada vez mais destituídas de alguma esperança. Os cristãos podem contribuir para diminuir a onda de suicídio, mas para isso precisam se engajar na cultura da vida, considerando que o próprio Jesus é a Vida Abundante (Jo. 10.10). Devemos fazer eco às propostas sociais que estão lutando pela vida, inclusive ao Setembro Amarelo, levando a mensagem de esperança que se encontra no Evangelho de Cristo. Mais uma vez, criminalizar ou mesmo julgar em relação ao suicídio aumenta mais do que resolve o problema. Com isso não defendemos ir ao outro extremo, o de defender que aqueles que o cometem também estão salvos. Na verdade, nada podemos dizer a esse respeito, podemos apenas silenciar e “chorar com os que choram”, compete somente a Deus avaliar, e julgar soberanamente cada caso, até porque nunca saberemos, com propriedade, o que levou determinada pessoa a cometer esse ato.

CONCLUSÃO
Há alguns anos, o filho do pastor americano Rick Warren, autor do aclamado Uma Vida com Propósitos, depois de várias tentativas frustradas, conseguiu uma arma e pôs fim a sua vida. Ao invés de fazer qualquer julgamento a respeito daquele ato, a igreja decidiu apoiar aquele casal, e ajudar a atenuar a dor daquela perda tão traumática. Esse é o papel da igreja, e isso é o que significa ser igreja, precisamos ser as mãos de Cristo, estendidas para ajudar os que sofrem.

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

ÉTICA CRISTÃ, PENA DE MORTE E EUTANÁSIA

Texto Áureo: I Sm. 2.6  – Texto Bíblico: Rm.13.33-5; I Sm. 2.6,7; Jo. 8.3-11

INTRODUÇÃO
Ao longo dessas lições sobre ética cristã, temos sempre nos posicionado favoráveis à vida. Nessa perspectiva, convém manter a coerência bíblico-teológica, argumentando de maneira contrária à pena de morte e a eutanásia. Na aula de hoje, destacaremos, a princípio, o valor da vida humana, em seguida, atentaremos para os aspectos legais e teológicos a respeito do assunto, e ao final, faremos uma análise ética, e mais importante, bíblica a respeito desses assuntos.

1. A SACRALIDADE DA VIDA HUMANA
Deus é o Doador da vida humana, e somente Ele pode retirá-la, considerando o que está escrito em I Sm. 2.6: “O Senhor é o que tira a vida e a dá, faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela”. Com base nessa orientação, devemos sempre ser favoráveis à preservação da vida humana, seja antes de nascer, durante a existência, e até mesmo nos momentos finais. Em Gn. 1.27, constatamos que o ser humano é a coroa da criação divina, e por isso, deve ser tratada com dignidade (II Pe. 1.3). O pragmatismo e utilitarismo moderno, em alguns contextos, têm tratado a vida de maneira banal, deixando de dar à existência da pessoa o valor que Deus atribuiu. Nós os cristãos devemos sempre defender a vida, não temos motivos para abraçar a lógica da contemporaneidade, quando se trata de descartar uma vida. Os cristãos também precisam defender a dignidade da pessoa que vive, por isso devemos defender que as pessoas também tenham vidas dignas. Preocupa-me observar que muitos cristãos se posicionam de maneira contundente em relação ao aborto, a pena de morte, e da eutanásia. No entanto, nada dizem ao ver pessoas que são tratadas como objetos nos hospitais, e que não têm as condições mínimas para a sobrevivência. Devemos defender a vida, e nesse aspecto, nos posicionar contra o aborto, a pena de morte e a eutanásia, mas também defender melhores condições para a vida humana.

2. ASPECTOS LEGAIS E HISTÓRICOS DA PENA DE MORTE E DA EUTANÁSIA
A pena de morte, enquanto modelo de punição, era aplicada desde a antiguidade, conhecida como a lei de talião, registrada no Código de Hamurabi (1750 – 1730 a. C.): “olho por olho e dente por dente”. Na contemporaneidade, os Estados Unidos da América adotaram-na, inspirada no modelo britânico. A primeira execução ocorreu em 1608, mas cada estado tem seus critérios, e métodos de execução. Uma das demonstrações da limitação dessa lei é que entre 1975 a 2015, 151 pessoa foram condenadas à pena capital nos EUA, e inocentadas posteriormente. Os estados americanos estão paulatinamente abolindo essa opção, aproximadamente 20 estados não optam mais por esse modelo. O Brasil inicialmente também adotou a pena de morte, e essa foi aplicada até o ano de 1876, ficando oficialmente proibida após ser retirada do Código Penal, com a Proclamação da República em 1889. Mas ainda hoje ela pode ser aplicada em crimes de guerra, é o que diz o inciso 47 do artigo 5º da Constituição: “não haverá pena de morte, salvo em caso de guerra declarada”. Em relação à eutanásia, alguns países da Europa têm feito opção pela autorização desse procedimento em casos de doenças terminais, se essa for a vontade do doente e se tiver comprovação médica de que o caso é irreversível. Mas no Brasil, a Constituição assegura a “inviolabilidade do direito à vida” (Art. 5º), não há no dispositivo legal brasileiro o direito à morte. Por isso, conforme afirma a Carta Magna, no At 122: “Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena – reclusão, de dois a seis anos, se suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se de tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave”.

3. UMA AVALIAÇÃO BÍBLICA DESSES TEMAS
A pena de morte, ou também denominada de capital, é uma prática bastante antiga, e remete aos tempos do Antigo Testamento. Em Gn. 9.6, ainda antes da Lei Mosaica, essa é instituída no pacto com Noé: “sangue por sangue e vida por vida” (Gn. 9.6). O objetivo central da pena de morte, tanto nos escritos bíblicos, quanto na história antiga, era punir àqueles que cometiam assassinato premeditado (Ex. 21.12). Alguns estudiosos, com base na premissa de que essa foi uma orientação dada na Antiga Aliança, com vistas à punição de assassinato, deve ser defendida e praticada ainda hoje. Reconhecemos que há respaldo bíblico, a partir do Antigo Testamento, para a pena de morte. No entanto, a teologia do Novo Testamento, ainda que reconheça essa possibilidade (Rm. 13.4), não a torna prescritiva. Muito pelo contrário, os ensinamentos de Jesus, em sua orientação para a preservação da vida, são sempre no sentido de perdoar aquele que transgrediu, ainda que esse tenha cometido assassinato. Ele perdoou seus algozes, aqueles que o crucificaram (Lc. 23.34), e orientou Pedro a guardar a espada (Jo. 18.11). A eutanásia, ou etimologicamente do grego, “boa morte”, não tem respaldo bíblico, pois a vida humana é digna até o final, mesmo que a pessoa esteja enfrentando uma doença terminal, ou doença que a coloque em condição de incapacidade física ou mental.

CONCLUSÃO
Os cristãos devem se posicionar contra a pena de morte e a eutanásia. Devem influenciar a sociedade na qual vivem, e defender o direito à vida, no contexto de uma sociedade que elegeu a morte como opção cultural. Em relação ao Brasil, a adoção desse modelo de punição reforçaria a marcante desigualdade social, pois apenas os mais pobres seriam executados. A melhor alternativa é investir em melhorias sociais, sobretudo educacionais, a fim de diminuir a criminalidade, enquanto a igreja cumpre o seu papel, de levar a mensagem transformadora a todos os pecadores, independentemente do pecado – ou crime – que tenham cometido.

BIBLIOGRAFIA
GEISLER, N. Ética cristã: opções e questões contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 2010.
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.

ÉTICA CRISTÃ E ABORTO

Texto Áureo: Sl. 139.16  – Texto Bíblico: Sl. 139.1-18

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito de um dos assuntos mais polêmicos da ética contemporânea, o aborto. É preciso esclarecer, a princípio, que a disputa cultural não está em realizar ou não o aborto, mas em se ter ou não o direito de abortar. Por isso, devemos considerar os aspectos principais da discussão, daqueles que se dizem pró-escolha, e dos que se apresentam como pró-vida. Para tratar sobre o assunto, destacaremos inicialmente os aspectos legais do aborto, em seguida, algumas considerações científicas, e ao final, as orientações bíblicas.

1. ASPECTOS LEGAIS SOBRE O ABORTO
A palavra aborto significa privação do nascimento, vem do latim abortus, diz respeito, portanto, a interrupção do nascimento, provocando a morte do embrião ou do feto. O código de Hamurabi, que remete a 1810 a. C., já condenava essa prática, sendo proibida pela legislação de vários países, dentre eles, o Brasil, que o colocou no Código Criminal do Império em 1830. Neste país são permitidos atualmente a realização do aborto em três casos: 1) anencefalia – quando há má formação do tubo neural, constituindo em limitação existencial. Existem críticas em relação a essa prática abortiva porque revela eugenia, ou seja, opção pelo nascimento apenas de crianças saudáveis e fortes; 2) estupro – quando a mulher engravida como resultado desse tipo de violência, dando-lhe a opção de retirar a criança do ventre. A igreja não endossa o aborto nesses tipos de casos, mas também não pode decidir pela família que tem a opção de fazê-lo. Há casos em que algumas igrejas orientam ao acompanhamento psicológico, e se propõe a conduzir a criança ao processo de adoção, caso a mulher decida por manter a gravidez até o fim; 3) terapêutico – quando a vida da mãe é posta em risco durante a gravidez, de modo a levar o médico a tomar uma decisão técnica, com base em constatações científicas em relação à necessidade de preservar a vida da mãe, em detrimento da vida da criança, avaliando o tempo de gestação. Nesses casos, não compete a igreja fazer qualquer julgamento, senão orar e pedir para que dê sabedoria aos médicos, para que esses ajam da melhor maneira possível.

2. CONSIDERAÇÕES CIENTÍFICAS SOBRE O ABORTO
Uma das questões cruciais, que tem alimentado o debate sobre o aborto, diz respeito ao início da vida. Existem diferentes abordagens a esse respeito, cada uma delas com as devidas justificativas. Há cientistas, por exemplo, que argumentam que a vida tem início na fecundação, quanto o espermatozoide e o óvulo se fundem gerando uma nova célula, denominada “zigoto”. Outros especialistas preferem defender que a vida se inicia com a fixação do óvulo no útero, onde recebe o nome de embrião – período entre o sétimo e o décimo mês de gestação. Mas há outros cientistas que preferem defender que o começa da vida se dá por volta do décimo quarto diz, quando ocorre a formação do sistema nervoso da criança. Uma percepção mais radical assume que o teto tem vida quando tem chances de se desenvolver fora do útero, por volta da vigésima quinta semana da gestação, e mais radical ainda são aqueles que dizem que a vida somente tem início quando a criação realmente nasce. A igreja precisa ser bastante criteriosa em relação a esses posicionamentos científicos, e estar ciente de que não depende da ciência para fazer suas alegações em relação à vida. Como cristãos, não devemos nos posicionar “contra o aborto”, mas “em favor da vida”. E nesse sentido, é preferível assumir que potencialmente a vida inicia logo após a fecundação, e que a vida humana deve ser preservada desde o princípio. Por isso, mesmo a pílula do dia seguinte não pode ser recomendada pelos cristãos, somos favoráveis ao controle de natalidade como forma de evitar a gravidez, mas não apoiamos a interrupção dessa, seja em que estágio for.

3. ORIENTAÇÕES BÍBLICAS SOBRE O ABORTO
A mensagem bíblica é sempre pró-vida, nunca em favor da morte de quem quer que seja. Na Lei Mosaica, em Ex. 21.22-23, a interrupção da gravidez de uma mulher seja era considerado um ato criminoso. No sexto mandamento encontramos a orientação expressa para que não se cometa assassinato, por conseguinte, temos princípios bíblicos suficientes para defender a vida do nascituro. A revelação bíblica nos orienta a valorizar a vida humana, mesmo que essa esteja ainda informe (Sl. 139.16). Quando a igreja se posiciona pró-vida, está assumindo a dignidade da pessoa humana, e o direito de nascer da criança. A sociedade contemporânea está se tornando cada vez mais utilitarista, as pessoas não querem mais se sacrificar pelos outros. Por causa disso, a criação de filhos, em alguns contextos, está se tornando um fardo. O hedonismo pode fazer com que as pessoas queiram retirar do ventre uma vida que está em curso. Em relação a ideologia do direito de abortar, parece-nos bastante complexa, considerado que à pessoa que decide pelo aborto está tomando uma decisão no lugar de outra pessoa, que não tem a condição de fazê-lo. Por isso, o Estado optou por criminalizar essa prática, ainda que reconhecemos que ela continua sendo praticada, sobretudo pelas pessoas que têm condições financeiras mais abastadas. Somente criminalizar não é a solução, é preciso evitar uma gravidez indesejada. As pessoas devem ser educadas para prevenir a gravidez, a fim de não optar pelo aborto, como uma maneira de remediar.

CONCLUSÃO
A igreja deve manter-se sábia em relação ao assunto, e ter cautela ao abordar o assunto, optando sempre pela vida humana. Também não pode dogmatizar em relação às especificidades, como por exemplo, quando a mulher foi vítima de estupro, ou diante da decisão médica de abortar. É importante avaliar cada caso individualmente, sempre optando pela preservação da vida, e ao mesmo tempo, colaborando para que as pessoas envolvidas possam superar seus traumas pessoais.  

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

ÉTICA CRISTÃ E DIREITOS HUMANOS

                     
             Texto Áureo: Ex. 22.21 – Texto Bíblico: Is. 58.6-12



INTRODUÇÃO
Uma das características centrais do cristianismo bíblico é a dignidade atribuída ao ser humano. A demonstração máxima da dedicação divina à humanidade é o fato de Deus ter-se feito homem (Jo. 1.1,14). Por isso, na lição de hoje, dando continuidade aos estudos sobre ética cristã, nos voltaremos para a importância dos cristãos defenderem os direitos humanos, não apenas por meio de palavras, também em atitudes. A princípio, iremos destacar o princípio dos direitos humanos, em seguida, nos voltaremos para o papel desses na Bíblia, e por fim, ressaltar a atuação da igreja na defesa dos direitos humanos

1. A ORIGEM DOS DIREITOS HUMANOS
Os Direitos Humanos remetem à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada pela primeira vez em 1789, na França. Ela é resultante do Iluminismo, que pretendia, por meio da razão, defender os direitos inalienáveis da pessoa humana. Um documento exponencial que reflete essa defesa é a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Ela assume que “todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre esses estão: a vida, a liberdade e a busca pela felicidade”. A Declaração do Homem e do Cidadão tornou-se um documento histórico, e um divisor de águas, passando a ter alcance universal. Em dezembro de 1948, após a Segunda Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou uma Declaração Universal dos Direitos Humanos, reconhecendo os direitos fundamentais e universais do ser humano. Mais especificamente no Brasil, após o processo de democratização, principalmente depois das torturas do período da Ditatura Militar, fez-se necessário que se pautasse a luta pelos direitos humanos. Os Direitos Humanos devem ser preservados indistintamente, a pessoa humana deve ter seus direitos garantidos, e o direito de defesa deve ser mantido até as últimas instâncias, resguardando a presunção da inocência. Não podemos deixar de destacar que alguns servos de Deus foram injustamente incriminados, alguns deles condenados entre os pecadores, como aconteceu com Jesus (Lc. 22.37), e o próprio Apóstolo Paulo, mesmo sendo cidadão romano (At. 16.19-23).

2. OS DIREITOS HUMANOS NAS ESCRITURAS
As Escrituras são criteriosas na preservação dos direitos humanos, desde os tempos da Antiga Aliança. A preservação da vida humana e a manutenção dos seus direitos fundamentais estão elencados no Pentateuco (Ex. 22; Dt. 6). Ninguém deveria ser julgado injustamente, as testemunhas deveriam ser fieis, os juízes deveriam agir com retidão, e não poderiam atribuir valoração demasiada, além do que fora estabelecido para a pena. A justiça desigual era comum nos tempos dos profetas, por esse motivo Isaias chama a atenção dos juízes: “ai dos juízes injustos e dos que decretam leis injustas, que não deixam haver justiça para os pobres, para as viúvas e para os órfãos” (Is. 10.1). Os evangélicos precisam se dedicar um pouco mais a leitura dos profetas, e reconhecerem que há espaço para a denúncia da injustiça. Devemos defender principalmente os direitos dos pobres, para que esses possam defenderem-se das acusações que lhes são atribuídas. Em um país com desigualdade social gritante, os ricos corruptos podem pagar advogados, e alguns deles são soltos imediatamente após a prisão, a maioria deles sequer é presa. Enquanto isso, os mais pobres “apodrecem” em prisões que a ninguém reforma, não passam de depósitos de pessoas, “fábricas” de delinquentes. A esse respeito, devemos lembrar que Paulo foi acoitado e punido injustamente, sendo criminalizado tão somente porque pregava o evangelho de Jesus Cristo. Dependendo dos padrões sociais de justiça, qualquer pessoa que defenda um pensamento diferenciado da maioria poderá ser criminalizada. Por isso, precisamos ter cuidado para resguardar sempre o direito pleno à defesa. Paulo defendeu seu direito de defesa, ao ser acoitado sem ser ouvido, como era de praxe a um cidadão romano (At. 22.25-29). Não há respaldo bíblico para o jargão que circula na sociedade, inclusive entre alguns cristãos que “bandido bom é bandido morto”. Qualquer pessoa deve ter seu direito de defesa preservado, e após ser julgada deverá responder justamente pelos seus delitos. 

3. A IGREJA E OS DIREITOS HUMANOS
O papel da Igreja, na defesa dos direitos humanos, é o de reconhecer que o ser humano, independentemente da sua condição socioeconômica, é valioso aos olhos de Deus. Tiago denunciou o favoritismo dentro e fora da igreja (Tg. 2.1), sobretudo em relação àqueles que nada têm. Os direitos humanos exigem um posicionamento equilibrado da igreja, a defesa que tanto o rico quanto o pobre tenham tratamento igualitário. Isso tem a ver também com os direitos trabalhistas, reformas têm sido aprovadas a fim de garantir a concentração cada vez maior de riqueza, e a condição servil de muitos trabalhadores, em alguns casos eles sequer têm a garantia dos seus salários, atitude já denunciada por Tiago (Tg. 5.4-6). A preocupação com aqueles que estão encarcerados também deve estar na pauta da Igreja, precisamos visitar aqueles que se encontram nessa condição, e conduzi-los ao evangelho de Jesus Cristo (Hb. 13.3). Não importa o que essa pessoa tenha feito no passado, existe sempre a possibilidade de arrependimento, e de dedicação da vida ao Senhor Jesus. Há vários obreiros nas igrejas cristãs que outrora estavam entregues à criminalidade, mas foram resgatados das trevas pela graça maravilhosa de Jesus. É preciso também considerar que algumas dessas pessoas, mesmo sendo responsáveis pelos seus atos, também foram influenciadas por um sistema injusto, que as mantem abaixo da linha da pobreza, e não lhes dá igualdade de oportunidades. Não eximimos as pessoas da responsabilidade, mas também não podemos deixar de ter uma visão mais ampla, e considerar que as condições sociais também determinam as atitudes dos seres humanos, sobretudo quando há baixo investimento social em educação, e poucas oportunidades de trabalho.

CONCLUSÃO
Não podemos ter a ilusão de que teremos um estado cristão (II Cr. 7.14), Israel foi a única nação teocrática, no contexto das Escrituras, e essa voltará a assumir esse papel no futuro, quando Jesus vier para reinar. A nação de Deus nos dias atuais é a Igreja (I Pe. 2.9), e essa deve influenciar positivamente a sociedade, buscando garantir os direitos humanos. Como enfatizamos anteriormente, a plenitude da justiça acontecerá somente no plano escatológico, por enquanto devemos nos posicionar sempre para que o Estado esteja a serviço de todos, principalmente daqueles que mais precisam.

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

ETICA CRISTÃ E IDEOLOGIA DE GÊNERO

Texto Áureo: Gn. 2.17 – Texto Bíblico: Is. 5.18-24


INTRODUÇÃO
Nesses últimos anos, o embate se acirrou entre evangélicos e ativistas homossexuais, tal confronto tem resultado em excessos de ambos os lados. A fim de tentar moderar esse conflito, discutiremos a respeito do assunto, evitando os extremos comuns nessa disputa ideológica. Inicialmente, discorreremos sobre o gênero, e suas ideologias; em seguida, refletiremos sobre o drama daqueles que lutam contra a homossexualidade, especialmente seus familiares; e ao final, destacaremos a importância de demonstrar amor, ao invés de ódio pelos homossexuais.

1. O GÊNERO E AS IDEOLOGIAS
O conceito de gênero é bastante complexo, e é percebido de maneira diferente no contexto das ciências sociais. Para tratar sobre a categoria de gênero, faz-se necessário contextualizar, para melhor orientar a discussão. O gênero pode ser gramatical, biológico e/ou sociológico. O gênero gramatical diz respeito à flexão dos substantivos, se esses são masculino, feminino, em algumas línguas, neutro. Biologicamente, o gênero pode ser masculino ou feminino, determinado pelo órgão sexual, sendo macho ou fêmea. O gênero sociológico está relacionado à identificação, ou seja, a como as pessoas se veem e são percebidas pelos outros. A religiosidade judaico-cristã assume que o gênero é biológico-sociológico, e não concorda com aqueles que defendem um contínuo diversificado do gênero sociológico. É preciso considerar que ambas as posições têm algum fundamento, pois inicialmente Deus criou homem e mulher, o plano original no Gênesis é o da heterossexualidade. No entanto, por causa da queda, relatada em Gn. 3, a sexualidade humana, independentemente do sexo biológico, foi afetada resultando em pecado, tanto entre os homossexuais quanto heterossexuais. Os cristãos se contrapõem à defesa sociológica pela diversidade sexual denominando-a de “ideologia de gênero”. Essa opção semântica tem suas limitações, tendo em vista que ideologia é qualquer posicionamento a respeito de um assunto. Por conseguinte, a defesa dos cristãos também pode ser classificada, na perspectiva dos homossexuais, como uma “ideologia judaico-cristã”.

2. IDEOLOGIAS: CONFLITOS E EQUÍVOCOS
A pauta ideológica em defesa das questões de gênero tornou-se um ponto central nos movimentos sociais mais à esquerda no Brasil. É bem verdade que essa proposta tem forte influência marxista, por outro lado, não deve servir a generalizações. Nem todos aqueles que se alinham mais à esquerda são defensores da denominada “ideologia de gênero”. Nem todos aqueles que defendem a justiça social, e se alinham ao socialismo, são “esquerdopatas”. Existem cristãos sinceros, que inclusive leem Karl Marx, e conseguem extrair pontos positivos da sua teoria. Não podemos negar, a esse respeito, que o capitalismo selvagem também é outro extremo, e não cumpre o que promete, pois nem sempre os que mais lucram dividem suas riquezas com os que nada têm. O capitalismo teórico foi projetado no contexto do iluminismo de Adam Smith, e concebia um ser humano “iluminado”, capaz de lucrar e dividir com o próximo. O plano, porém, se frustrou, por desconsiderar a realidade do pecado, e a ganância do homem caído. Por isso, como cristãos, não podemos nos identificar nem como de Direita, e muito menos de Esquerda, antes de CIMA, pois somos cidadãos dos céus (Fp. 3.20). Podemos e devemos participar das decisões políticas, mas com bom senso, visando o bem-comum da polis, sem agressões e desrespeitos. Nosso posicionamento está fundamentado na Palavra de Deus, no ápice da revelação que nos chegou através de Cristo (Jo. 1.1; Hb.1.1). Todas as ideologias humanas devem ser avaliadas pelo crivo da Palavra, e essa deve ser interpretada apropriadamente, respeitando os princípios hermenêuticos, apelando sempre ao contexto. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado para não ser agressivo, principalmente no tratamento apologético, e lembrar que também devemos pastorear, sobretudo os familiares daqueles que lidam com o drama de entes que se identificam com a homossexualidade. Os pais devem ser pacientes, e amarem seus filhos, mesmo que esses deixem de professar a fé cristã, se quiserem ter alguma chance de ganhá-los para Cristo.

3. UM CAMINHO EXCELENTE
Os homossexuais, que não professam a fé cristã, podem buscar seus direitos civis, desde que respeitem e sejam tolerantes também com a visão bíblica. Há um conflito de posicionamentos tanto de um lado quanto do outro. Os cristãos querem privar os homossexuais dos seus direitos civis, e os homossexuais querem que os cristãos deixem de professar sua fé. O respeito é fundamental para o convívio, se possível, pacífico entre cristãos e homossexuais. Aqueles têm o direito de se posicionarem dentro da esfera da fé, e com base em várias passagens bíblicas, que a prática homossexual é pecaminosa. Os homossexuais, por sua vez, precisam ponderar a respeito da compreensão cristã da família. Ao Estado, por meio da sua difusão cultural, inclusive educacional, compete orientar ao respeito, e a liberdade de pensamento, sem fazer apologia a qualquer um dos lados, pautado no princípio da laicidade. Os evangélicos precisam ponderar mais no que tange à interpretação de algumas passagens bíblicas, que são abordadas de maneira descontextualizada, incitando ao ódio, e em alguns casos, à homofobia. O texto de Rm. 1.25-32, por exemplo, é uma constatação paulina de que Deus entregou o homem caído à dissolução, não um mandato para os cristãos se envolverem em uma disputa cultural. Jesus não fez alusão direta à homossexualidade, e quando o fez indiretamente, ressaltou que alguns nasceram eunucos, outros assim se fizeram por causa do reino de Deus (Mt. 19.12). Portanto, nem todos aqueles que têm traços homossexuais o são, alguns foram influenciados pelo contexto no qual foram criados. Outros têm a tendência, mas não a praticam, preferem se dedicar à fé. A igreja precisa buscar sabedoria do alto para tratar cada caso, demonstrando amor tanto pelos de dentro quanto pelos de fora.

CONCLUSÃO
Se não ganharmos os homossexuais por amor, dificilmente o faremos por meio da agressão. Há líderes televisivos, alguns deles por interesse político, que estão incitando a guerra entre homossexuais e cristãos. Devemos ponderar a respeito, e evitar excessos nessas discussões, respondendo sempre "com mansidão" a razão da nossa fé (I Pe. 3.15) . O desvio dos padrões bíblicos é o cumprimento dos últimos dias da igreja (II Tm. 3.1-5), mas não compete a esta legislar sobre os padrões do mundo, considerando que esse jaz no maligno (I Jo. 5.19). Devemos pregar a boa nova de Jesus Cristo, e dar o exemplo em amor, principalmente no casamento, como foi no princípio: heterossexual, monogâmico e indissolúvel (Gn. 1.27; Mt. 19.3-9).

BIBLIOGRAFIA
CÉZAR, M. C. Entre a cruz e o arco-íris: a complexa relação dos cristãos com a homoafetividade. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.
MOURA, L. Cristão homoafetivo? Um olhar amoroso à luz da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 2017.

O QUE É ÉTICA CRISTÃ


Texto Áureo: I Co. 10.23 – Texto Bíblico: I Co. 10.1-13


INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos um dos assuntos mais controvertidos no contexto de uma sociedade pluralista e relativista, a ética cristã. Nesta aula nos voltaremos para os fundamentos, inicialmente para o conceito de ética cristã, e em seguida, para os fundamentos dessa ética. Ao final, destacaremos, como também o faremos ao longo das lições, que essa é uma ética que diz respeito àqueles que vivem em Cristo, alicerçados na Sua Palavra.

1. ÉTICA QUE É CRISTÃ
A palavra ética vem do grego ethos, e remete aos tempos de Aristóteles, filósofo que amplamente discutiu o tema. O conceito de ética costuma ser confundido com o de moral, a primeira palavra é de origem grega, enquanto que a segunda é de origem latina. A ética, na perspectiva filosófica, diz respeito aos fundamentos dos comportamentos humanos, enquanto que a moral está associada aos costumes propriamente ditos. A ética diz respeito aos pressupostos, às razões pelas quais alguém é e age, a moral, por sua vez, é a expressão concreta da ética. A ética que é cristã, como a própria terminologia explicita, tem como pressuposto os ensinamentos de Cristo. As bases que determinam, ou pelo menos que deveriam determinar, o agir dos cristãos deveriam está alicerçados nas palavras de Jesus. A esse respeito, é preciso ter cuidado para não confundir a Ética Cristã com uma Ética Evangélica. Há tradições no seio da religiosidade cristã, mesmo entre as doutrinas evangélicas, que necessariamente não estão fundamentadas em Cristo. Um exemplo prático desse equívoco ocorreu quando passagens do Antigo Testamento, sem uma interpretação apropriada, foram usadas a fim de legitimar o preconceito racial em alguns países. A ética que é cristã precisa se fundamentar em Cristo, e não depende de pressupostos humanos, antes dAquele que se fez carne, e habitou no meio de nós (Jo. 1.1,14).

2. OS FUNDAMENTOS DA ÉTICA CRISTÃ
De certo modo, antecipamos no tópico anterior que a base da ética que é cristã é o próprio Cristo. Existem muitos pressupostos éticos na sociedade, a maioria deles se fundamenta na racionalidade, no materialismo, ou mesmo na tradição. O pluralismo e relativismo ético se sustentam porque o ser humano decidiu viver a revelia de Deus. Por causa disso, temos testemunhado muitas atrocidades na sociedade, tendo em vista que o próprio Deus entregou o gênero humano a sua própria dissolução (Rm. 1.26). Por esse motivo, temos testemunhado nas diversas esferas sociais a maldade que se prolifera em todos os contextos, desde os familiares até os políticos. O homem moderno “matou” Deus em seus corações, alguns deles até acreditam que Ele existe, mas vivem como se não existisse. Na medida em que o tempo passa, a sociedade está serrando o galho sobre o qual ela mesma esta sustentada. O tombo sobrevirá de repente, e as consequências serão drásticas. Os cristãos, fundamentados na Palavra de Deus, devem alertar em relação aos riscos, mas não podemos impor nossa visão sobre a sociedade. Precisamos também ter cuidado para não eleger alguns pecados em detrimento de outros. Alguns evangélicos se posicionam com veemência contra a sexualidade fora dos padrões bíblicos, mas não fazem o mesmo em relação à injustiça social.

3. NÓS, PORÉM...
O fundamento ético para os cristãos é a Palavra de Deus, faz-se necessário que essa seja interpretada apropriadamente, a fim de evitar excessos e pressupostos a priori. Toda Escritura é divinamente inspirada, é Palavra de Deus (II Tm. 3.16), mas nem todos os textos têm o mesmo valor revelacional. Jesus é a chave-hermenêutica das Escrituras, Ele mesmo afirmou que essas serão compreendidas a partir dEle (Lc. 24.32). A utilização indevida de passagens bíblicas, algumas delas sem fundamento doutrinário, e em alguns casos descontextualizadas, pode resultar em posicionamentos éticos que não se sustentam biblicamente. Em I Co. 10.1-13, por exemplo, Paulo faz um contraponto entre a ética que é cristã - a maneira como os cristãos devem viver - e a ética daqueles que se apartaram de Deus. O Apóstolo faz a diferença entre “nós” – os cristãos que devemos viver a partir da Palavra – e “eles” – os israelitas que seguiram seus próprios caminhos, e não atentaram para a orientação divina. Semelhantemente, nós os cristãos devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13-16), vivermos como cidadãos dos céus e súditos do reino de Cristo (Mt. 5-7). A ética que é cristã impõe mais responsabilidade sobre aqueles que seguem a Cristo, considerando que nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20).

CONCLUSÃO
A sociedade contemporânea, regida pela natureza pecaminosa, está envolvida em uma confusão ética, uma verdadeira torre de Babel (Gn.11). Cada um segue seu rumo, de acordo com aquilo que acha que é melhor, ninguém se entende (Jz. 21.25). Nós, porém, não devemos nos apartar das Sagradas Letras, pois elas nos farão sábios para a salvação, e nos conduzirão à santificação (II Tm. 3.14-17), atentando para os sadios princípios interpretativos, tendo Cristo com a chave-hermenêutica.

BIBLIOGRAFIA
HAYS, R. B. The moral vision of the New Testament. New York: HarperOne, 1996.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

EXORTAÇÕES FINAIS NA GRANDE MARATONA DA FÉ


Texto Áureo: Hb. 12.1 – Texto Bíblico: Hb. 12.1-8; 13.15-18


INTRODUÇÃO
Nas palavras finais da Epístola aos Hebreus o autor compara a vida cristã a uma maratona. A partir dessa perspectiva, destacaremos na aula de hoje a importância de seguir adiante, imitando o exemplo do Autor e Consumador da nossa fé. E mais, que precisamos também respeitar as regras ao longo da jornada, respeitando um ao outro em amor, e dando a devida consideração àqueles que ministram entre nós. Ao final, o autor apresenta uma série de exortações, a fim de que cresçamos no conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo.

1. A LARGADA NA MARATONA CRISTÃ
A caminhada cristã não é algo solitário, isso porque “estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas” (Hb. 12.1), certamente o autor se refere àqueles heróis da fé (Hb. 11). Isso quer dizer que estamos todos na maratona da fé, alguns daqueles que correm conosco chegaram mais cedo, nós precisamos continuar o trajeto. Para alcançarmos a linha de chegada, precisamos deixar “todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia”, e correr “com paciência, a carreira que nos está proposta”. O êxito na maratona depende da resistência daquele que corre, e da sua disposição para superar seus limites. Não podemos olhar para trás, nem mesmo para os lados, antes devemos olhar para Jesus, “autor e consumador da fé”, Ele é nosso maior exemplo, pois “suportou a cruz, desprezando a afronta” (Hb. 12.2). Paulo também nos deixou seu exemplo, pois demonstrou ter confiança naquele que O comissionou, e tinha esperança de alcançar sua coroa (II Tm. 1.12). É preciso saber que a disciplina de Deus nos conduz à maturidade, e nos torna mais fortes para resistir os desafios. Na verdade, “toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitando por ela” (Hb. 12.10).

2. AS REGRAS NA MARATONA CRISTÃ
A vida cristã, como qualquer maratona, tem suas regras, e precisam ser observadas, sob o risco de sermos desqualificados. Uma das principais é: “segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12.14). A comunidade cristã, diferentemente do mundo, não deve ser um ambiente individualista, antes devemos ter “cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus” (Hb. 12.15). E não devemos nos deixar controlar pelo egoísmo, segundo o exemplo de Esaú que, “por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb. 12.16). Devemos levar a corrida a sério, e não podemos nos enganar, pois ainda que muitos não acreditem, “porque o nosso Deus é um fogo consumidor”. Por esse motivo, devemos cultivar o genuíno amor fraternal (Hb. 13.1), e exercitar a hospitalidade, “porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (Hb. 13.2). A preocupação com os outros deve ser uma prática comum entre os cristãos, devemos nos lembrar dos “presos, como se estivésseis presos com eles” e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo” (Hb.13,3).

3. A LINHA DE CHEGADA NA MARATONA CRISTÃ
Em relação aos pastores, devemos reconhecer que nos dias atuais, por causa dos escândalos, o ministério se tornou desacreditado. Mas não devemos deixar de reconhecer que existem pastores comprometidos com o reino de Deus, que se fundamentam na Palavra, e que amam as ovelhas. Por isso precisamos lembrar dos “pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitais, atentando para a sua maneira de viver” (Hb. 13.7), e mais, devemos obedecê-los, “porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria inútil” (Hb. 13.17). Os pastores nos orientam, a fim de que não sejamos levados pelos ventos de doutrinas falsas, para as quais devemos também permanecer atentos: “não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com a graça” (Hb. 13.9). A vida na igreja deve ser saudável, tendo sempre motivo de ser grato a Deus, e oferecendo a Cristo “sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb. 13.15). E por fim, não esqueçamos de orar, principalmente pelos obreiros, para que tenham boa consciência, e certamente, “o Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande Pastor das ovelhas” (Hb. 13.20), nos conduzirá até o fim da maratona.

CONCLUSÃO
A palavra de Deus não é para prejuízo, antes para preservação da nossa alma, portanto, devemos atentar para a exortação do Senhor, e confiar em Jesus que opera em nós, e que nos aperfeiçoa “em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém” (Hb. 13.21)

BIBLIOGRAFIA
BROWN, R. The message of Hebrews. Downers Grove: IVP, 1982.
PFEIFFER, C. The Epistle to the Hebrews. Chicago: Moody Press, 1962.