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A SUTILEZA DA RELATIVIZAÇÃO DA BÍBLIA


 Texto Base: 2 Timóteo 3.14-17
“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm.3:16).

2 Timóteo 3:

14.Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem tens aprendido.
15.E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.

16.Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça,

17.para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre os ataques do inimigo contra a Igreja, trataremos nesta Aula sobre a “Sutileza da Relativização da Bíblia”. Relativização “é a desconstrução das verdades pré-determinadas, buscando o ponto de vista do outro”. Os perseguidores da Bíblia Sagrada têm se posicionado ferozmente em todas as camadas sociais contra as verdades absolutas da Bíblia Sagrada; afirmam que a Bíblia precisa ser atualizada e se amoldar aos modelos culturais da sociedade atual, principalmente quando se trata de questões de natureza social e comportamental. Os inimigos querem a qualquer custo desconstruir os ditames das Escrituras Sagradas, e implementar um “outro evangelho” para adequar-se ao novo modelo cultural, que apregoa o relativismo moral e a desconstrução do modelo judaico-cristão. Paulo, porém, exorta dizendo: “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl.1:8).

Uma sociedade, como a que o mundo de hoje suporta, que se recusa a aceitar a Deus, é uma sociedade onde não haverá como se estabelecer uma noção do que é certo e do que é errado e, por isso, é uma sociedade que caminha, cada vez mais, para o relativismo moral, onde a única máxima existente é a de que “tudo é relativo”. Crer em verdades e valores absolutos, em princípios imutáveis oriundos de Deus, é algo que é repelido e rechaçado pela grande parte da humanidade decaída dos nossos dias. Os verdadeiros servos de Deus são tachados de “fanáticos”, “atrasados”, “preconceituosos”, “fundamentalistas”. Contudo, a Igreja precisa, a qualquer custo, resistir aos ataques do inimigo e a sutileza da relativização da Bíblia.

I. A BÍBLIA E O ESPÍRITO DESTA ERA

1. A desconstrução

“Desconstrução” é uma expressão que, juntamente com outras do gênero, tais como “a era do vazio”; “pós-verdade”, “o fim das certezas”, “cultura líquida”, está em moda. Estes termos estão sendo muito utilizados nos dias hodiernos, e que avançam como um novo normal na sociedade moralmente degradante. O novo modelo ou paradigma cultural visa tão somente desconstruir, não apenas a herança cultural costumeira do cristianismo, mas, sobretudo, seu conjunto de valores éticos morais e espirituais.

A desconstrução está a serviço de um plano de poder ideológico. Pessoas “desconstruídas” são alvos fáceis de ideólogos das mais diversas linhas. Vemos por todo lado pessoas falando sobre desconstruir a sexualidade humana, desconstruir os dois gêneros biológicos que existem, desconstruir a moralidade, desconstruir o casamento tradicional, desconstruir a interpretação bíblica e tudo mais que a Bíblia exara como regra de fé e prática do cristão.

Entretanto, como afirma Felipe Amorim, em seu artigo “Desconstrução”, não existe processo de desconstrução nas Escrituras; o que existe é o processo de transformação, e esse processo envolve construção dos conceitos bíblicos na pessoa que foi “desconstruída” pelo pecado. Uma pessoa convertida a Cristo estar em constante construção, e os “tijolos” são os princípios morais e éticos da Bíblia. Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2Tm.3:16,17). Isaías escreveu: “Vocês reconstruirão as antigas ruínas, levantarão os fundamentos de muitas gerações e serão chamados de ‘Reparadores de brechas’ e ‘Restauradores de veredas’, para que o país se torne habitável" (Isaías 58:12 - NAA). Portanto, não caiamos na moda satânica da desconstrução; pelo contrário, permitamos que Cristo nos construa diariamente através da Sua Palavra.

2. O Relativismo

O Relativismo é a doutrina filosófica que nega a existência de verdades universais absolutas, seja na área do conhecimento, da moral ou da religião. Segundo essa Doutrina Filosófica, não existe verdade e nem valor moral absoluto. Cada pessoa tem a sua própria verdade, bem como a medida dos seus valores morais. Assim, o que é correto ou certo, ou moral, para um, necessariamente não precisa ser para outro. O conceito de certo e errado, de bem e mal, pode variar de pessoa para pessoa, bem como de lugar para lugar, podendo, ainda, modificar-se no tempo. Caso isso fosse verdade, não haveria como conceituar o que é e o que não é pecado; cada pessoa seria livre para escolher sua maneira de viver, e essa maneira seria vivida de acordo com a filosofia hedonista, que tem como princípio o viver com o máximo de prazer possível e empregando o mínimo de esforço. Há muito tempo que o relativismo ético moral vem se insurgindo na sociedade e de forma sorrateira nas igrejas locais.

Muitos dos que defendem o relativismo moral alegam a questão referente à cultura, ou seja, dizem que as sociedades das pessoas têm valores diversos, não sendo, pois, possível haver valores absolutos desta ou daquela natureza. Entretanto, apesar da cultura de cada povo ser diferente, isto, de modo algum, significa que não haja a noção de pecado em cada cultura. Disto há provas evidentes na Bíblia Sagrada como, por exemplo, as questões culturais e religiosas que os líderes no princípio da Igreja trataram, questões das diferenças de costumes entre judeus e gentios, num reconhecimento de que a ética do relacionamento com Deus está acima das culturas dos povos, como, aliás, ficou evidenciado no chamado “concílio de Jerusalém” (At.15).

Para se chegar ao princípio de que tudo é relativo, até mesmo no campo moral, Satanás induziu os homens, que “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm.1:22), a admitirem a hipótese da inexistência de Deus, ou fazendo outros crerem na sua existência, porém, excluindo-O do convívio dos homens e do controle de tudo que é aparente. Pensando assim, então o homem sentindo-se livre de Deus, passou a pensar ser ele próprio o senhor de si mesmo, estabelecendo a liberdade de decidir sobre o bem e o mal, sobre o certo e o errado, o moral e o imoral, sobre a existência ou não do pecado. Consequentemente, o homem passou a decidir sobre sua própria maneira de viver, de pensar, de agir e do é proibido proibir.

Porém, não concordamos, ou acompanhamos o pensamento desses incrédulos que negam a existência de Deus e de sua Palavra, e que pregam a libertinagem sem se importar com as consequências eternas. Assim é que, enquanto o mundo pós-moderno consagra o princípio do relativismo moral, para nós que cremos em Deus e em sua Palavra, os valores morais emanados de Deus são Absolutos, Imutáveis e Universais. Estes valores morais estão consubstanciados na Lei Moral de Deus.

II. A BÍBLIA E O POLITICAMENTE CORRETO

1. A criação de uma narrativa

Atualmente há uma obsessão persistente em desconstruir os fundamentos absolutos do modelo judaico-cristão. Os fundamentos do cristianismo autêntico estão sendo derrubados, destruídos; sendo “destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?” (Sl.11:3 – NAA), interroga o salmista.

A rebeldia contra Deus faz com que os homens se arroguem no direito de dizer o que é bom e o que é mau, de criar narrativas ou histórias ardilosas com o fim de desconstruir os valores cristãos e substitui-los por outros. Está em voga hoje a narrativa “politicamente correto”, cujo intento é impedir a utilização de discursos, pregações, que venham de encontro aos interesses escusos de pessoas, ideologias, cujos comportamentos a Bíblia Sagrada reprova. Reprovar publicamente a sodomia ativa e passiva (1Co.6:10), o feticídio, a poligamia, a ideologia de gênero, a sacanagem homossexual diante das crianças, é tachado de fundamentalista, homofóbico, racista, extremista, radical, inflexível, intolerante, fascista, entre outros adjetivos reprovativos. Dentro dessa narrativa do politicamente correto, é proibido ler a Bíblia em espaços púbicos, mas é válido se fazer aborto, praticar livremente e publicamente a homossexualidade, dentre outras aberrações. Criou-se dentro desse modelo uma ética e moralidade transviadas, e, portanto, uma nova forma de dizer o que é certo e o que é errado, como também vigora, na atualidade, o entendimento de que “certo e errado” são noções sociais, estabelecidas pelos próprios homens, conceitos que variam de tempo para tempo, de lugar para lugar, de cultura para cultura. Todavia, não é o homem quem diz o que é certo ou o que é errado, mas, sim, o Senhor Deus Todo Poderoso.

2. A Criminalização da opinião

Aqui no Brasil e em quase todos os países do mundo a liberdade de expressão está praticamente banida, a despeito de defender a democracia. Há uma feroz criminalização da opinião, principalmente quando esta opinião está ancorada nos ditames indeclináveis das Escrituras Sagradas. Como afirma o pr. José Gonçalves, “há uma formação de narrativa a respeito da Bíblia para criminalizar a opinião ancorada nos antigos postulados da fé cristã”.

Dentro do espectro cultural pós-moderno a opinião é bem-vinda; afora disso, deve-se se conter ao politicamente coreto. Não há, portanto, espaço para cristãos conservadores na ditadura do politicamente coreto. Concordo com o pr. José Gonçalves ao afirmar que “o Cristianismo, que no ocidente é a cultura majoritária, está sendo banido para a periferia, transformando-se numa contracultura. No mundo todo vemos sites cristãos conservadores sendo censurados e banidos”. Jesus vaticinou esta situação: “Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mt.10:22).

De forma audível e clara, tudo isto nos alerta que estamos nos últimos dias da Igreja na Terra. O Anticristo muito breve concretizará de vez a sua ditadura feroz e destrutiva, e proibirá de vez tudo e todos que pregam e professam o nome de Deus. É claro que antes do reinado do Anticristo, Jesus voltará para buscar a sua Igreja. A volta de Jesus é a mais sublime esperança dos crentes em Cristo. Preparemo-nos, pois, para esse evento sublime e glorioso!

III. A BÍBLIA E O OUTRO EVANGELHO

1. Uma nova metodologia

Dentro da cultura do politicamente correto está inserido o desconstrutivismo derridiano, que “é uma crítica aos limites impostos aos conceitos, a fim de criar uma forma de pensamento que vá além desses limites”. Dentro dessa esfera, querem estabelecer uma nova metodologia de interpretação das Escrituras Sagradas, aonde o leitor, e não o autor bíblico, passa a ser o personagem mais importante; em outras palavras, não importa o que o autor do texto bíblico disse, o que importa é o que o leitor hodierno acha que está certo. Insistem, portanto, na necessidade de ressignificar a Bíblia, de atualizá-la para que ela expresse a mesma linguagem dentro dessa nova configuração cultural; ou seja, querem estabelecer um outro evangelho, que Paulo terminantemente condenou (Gl.1:9), um evangelho que promova novas metodologias de leitura e de interpretação da Bíblia. Essa nova configuração cultural vai se estabelecendo e se aprimorando rapidamente para se adequar, certamente, ao modelo que o Anticristo implementará sobre a Terra, e que toda pessoa deverá acatar, sobe pena de ser brutalmente impedida de existir. Mas, a Igreja deve reprovar e resistir a tudo isso.

2. Novas teologias

O “outro evangelho” que os adeptos desta Era insistem implementar, promovem novas teologias e modismos. Nesse “outro evangelho” há uma nova configuração teológica, onde o liberalismo é aplaudido e a liberdade sem limite considerada normal. Nesta nova configuração, os valores morais absolutos exarados nas Escrituras Sagradas são descartados, dando lugar ao relativismo moral; assim sendo, os relacionamentos homoafetivos são considerados iguais aos dos heterossexuais; também, a poligamia, a poliandria, e outros comportamentos do gênero, têm tido seu espaço sem nenhuma objeção. Qualquer entendimento que seja destoante dessa nova configuração teológica é classificado como fundamentalista, fascista, homofóbico e defensores do discurso de ódio. Há uma incansável insistência à implementação da falaciosa “teologia inclusiva”. Muitos cristãos ortodoxos e conservadores das doutrinas originais da Bíblia, como Deus as estabeleceu, estão tendo dificuldade de pregar o evangelho publicamente e estão sofrendo ameaças e censura pública.

A partir da perspectiva da denominada “teologia inclusiva”, uma nova configuração sexual e familiar está sendo considerada. Por falar em “inclusiva”, está circulando em algumas livrarias a “Bíblia de Estudo Teologia Inclusiva”, uma publicação promovida pelo movimento LGBT para confundir os incautos e satisfazer sua ideologia infame. Nela não existe mais as proibições que dizem respeito à homossexualidade e ao casamento poligâmico, e dá espaço para a ideologia de gênero. A família como Deus instituiu foi totalmente desconstruída nesta falaciosa bíblia. Precisamos resistir a esse lixo, e estar alerta para não sermos engodados nas teias das sutilezas de satanás.

IV. A BÍBLIA, SEMPRE ATUAL PALAVRA DE DEUS

1. Revelada por Deus

A Bíblia é a Palavra de Deus porque foi revelada e inspirada por Ele. Ela mesma assim se define, e o cumprimento exato de tudo quanto nela está desde os primórdios da história da humanidade é a prova irrefutável de que ela é, sem sombra de dúvida, a Palavra de Deus, a revelação de Deus à humanidade (2Pd.1:16-21). Deus se revelou através das páginas da Bíblia Sagrada (2Tm.3:16,17). Muitos têm tentado, ao longo dos séculos, levantar-se contra o Divino Livro, mas todos têm fracassado em seu intento de calá-la ou desacreditá-la, precisamente porque não se trata de uma obra feita pela mente, vontade ou imaginação humana, mas tem sua origem, sua concepção e o zelo pelo seu cumprimento diretamente em Deus. Portanto, qualquer tentativa de “ressignificar” ou “atualizar” a Bíblia, fazendo com que ela se ajuste a essa cultura tresloucada e desviada da verdade, deve ser rejeitada e tratada como mera heresia. E todos aqueles que se dizem pregadores do evangelho, que aprovam a atualização da Bíblia, devem ser tradados como falsos profetas, não devendo a eles nenhuma credibilidade, pois são lobos vestidos de ovelhas, propagadores de doutrinas de demônios (1Tm.4:1).

2. Inspirada por Deus

A Bíblia é plenamente inspirada por Deus, e sua inspiração é única; nenhum outro livro foi produzido de igual forma. Ela é a obra-prima por excelência para a raça humana. Paulo afirma: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2Tm.3:16,17). Aqui, a palavra “inspirada” (gr. theopneustos) provém de duas palavras gregas: theos, que significa “Deus”, e pneuo, que significa “respirar”. Sendo assim, “inspirado” significa “respirado por Deus”. Toda a Escritura, portanto, é respirada por Deus; é a própria vida e Palavra de Deus; é a expressão da sabedoria e do caráter de Deus, e que pode transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé em Cristo (João 6:63; 2Tm.3:15; 1Pd. 2:2).

Quis Deus que a Bíblia fosse escrita pelos homens, embora se tratasse da própria Palavra do Senhor, para que as Escrituras fossem, elas mesmas, a demonstração da comunhão que se pretendeu restabelecer entre Deus e o homem. Mas, como pode o homem, cujos pensamentos estão tão distantes dos de Deus (Is.55:8,9; 1Co.2:9), escrever a Palavra de Deus, reduzir a escrito aquilo que é próprio da divindade? Somente de uma maneira: através da inspiração (2Tm.3:16; 2Pd.1:21). Deus, na sua ação de inspirar os escritores pelo seu Espírito Santo, sem violar a personalidade deles, agiu neles de tal maneira que escreveram sem erro (2Tm.3:16; 2Pd.1:20,21; ver 1Co.2:12,13).

“Alguém pode receber de Deus alguma iluminação para dizer ou escrever algo, mas ninguém pode dizer que foi ‘inspirado’ por Deus da mesma forma que os escritores bíblicos foram. Isso é o que faz a Bíblia ser diferente como obra literária. É um livro com uma mensagem especial e atual porque espelha a mente de Deus”.

CONCLUSÃO

A Bíblia é o código de ética divino. Os seus valores absolutos são irremovíveis. Aquilo que ela diz ser pecado, permanece sendo pecado, pois a Bíblia é uma verdade absoluta e imutável. Em Deus se encontra o verdadeiro padrão moral e, portanto, para os diversos dilemas morais vividos pelo homem, existe uma única resposta: a Bíblia Sagrada, a inerrante verdade tanto espiritual quanto moral. Satanás tem feito de tudo para obscurecer ou até mesmo debelar os seus valores absolutos, mas nunca conseguiu. Os defensores do novo modelo cultural dizem que ela, a Bíblia, é um livro antigo, que foi escrito para uma época distante e para um povo de cultura arcaica e muito diferente da nossa, e que, portanto, precisa ser atualizada para se adequar às exigências da sociedade contemporânea seguidora desse novo modelo cultural; mas, a Bíblia é a Carta de Deus aos homens, e, portanto, atemporal. Deus é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente (Hb.13:8), e Sua Palavra, com seus valores eternos e absolutos, também permanece para sempre (1Pd.1:25). Portanto, “não podemos aceitar nada que mutile a Bíblia por conta do politicamente correto. Não podemos rejeitar o que ensina a ortodoxia cristã ou trocá-la pelas novas teologias. A Bíblia é a Palavra de Deus e, por isso, sempre será atual e relevante para a humanidade”.

Salmos 119:89, 97-105:

Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu.

Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!

Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sempre comigo.

Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.

Sou mais prudente que os idosos, porque guardo os teus preceitos.

De todo mau caminho desvio os pés, para observar a tua palavra.

Não me aparto dos teus juízos, pois tu me ensinas.

Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca.

Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade.

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos”.

A SUTILEZA DAS IDEOLOGIAS CONTRÁRIAS A FAMÍLIA

 


Texto Base: Gênesis 2:18-24 

“E disse O Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe–ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn.2:18).

Gênesis 2:

18. E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.

19. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra, todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

20. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele.

21. Então, o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar.

22. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.

23. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.

24. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.

INTRODUÇÃO

Trataremos nesta Aula a respeito da família, instituição criada por Deus, cujos fundamentos principais - monogamia, heterossexualidade e indissolubilidade – têm sido alvo de ataques por parte do vil tentador, que pertinaz tem buscado desestabilizá-la, desmoralizá-la, por que não dizer, destruí-la. Há um esforço concentrado do inferno para desestabilizar e destruir a família. Há uma clara conspiração de forças hostis que se mancomunam para desacreditar essa vetusta instituição divina. Há um bombardeio cerrado, com arsenal pesado, em cima da família. Torpedos mortíferos têm sido despejados sobre ela, provocando terríveis desastres.

Testemunhamos, estarrecidos, o naufrágio de muitas famílias. Casamentos outrora fincados no solo firme da confiança mútua estão afrouxando as suas estacas. Casais que viveram juntos sob os auspícios de um amor comprometido e fiel, arvoraram suas bandeiras para o lado da infidelidade. Cônjuges que outrora defendiam a indissolubilidade do matrimônio agora zombam dos votos conjugais e aviltam a aliança que um dia selaram diante de Deus. Até casais que outrora ensinavam com vivo entusiasmo os princípios de Deus para um casamento feliz, voltam-se contra esses mesmos princípios, transgredindo-os e justificando seus deslizes morais. Estamos chocados e perplexos com o declínio de tantos casamentos que a sociedade considerava paradigmas. Estamos aturdidos com o alto índice de líderes que se rendem a essa avalanche, arrastados pela fúria de enxurradas pestilentas. Os mourões estão caindo. As cercas estão arrebentadas. A família está com seus muros derrubados e suas portas foram queimadas a fogo. A igreja precisa se soerguer e defender os seus pilares sustentadores, e se armar contra as sutilezas das ideologias contrárias à família, que não dão trégua nem por um instante, pois, destruindo a família, consequentemente, a Igreja Local estará arruinada.

I. FAMÍLIA, PROJETO DE DEUS

1. Uma instituição divina

A Família é uma instituição criada por Deus. A primeira Família, formada pelo próprio Deus, teve como princípio a formação de um casal, ou seja, Deus uniu, com a sua bênção, um homem e uma mulher - “E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele uma auxiliadora que seja semelhante a ele” (Gn.2:18 - NAA). “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a” (Gn.1:28). Estava, assim, realizado, pelo próprio Deus, o primeiro casamento, e determinado uma de suas três funções: a perpetuação da raça humana através da geração de filhos. Portanto, segundo o plano de Deus, o modelo para formação de uma Família é a união de um casal, de um homem e de uma mulher, ou seja, de um macho e de uma fêmea - “Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn.2:24). Qualquer tentativa de formar uma Família contrariando este princípio estabelecido por Deus, está indo de encontro à Bíblia Sagrada. O Senhor Jesus Cristo fez questão de confirmar este princípio declarando: “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher. E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne” (Mc.10:6-8). Portanto, pelo casamento entre um homem e uma mulher, forma-se uma Família; essa Família poderá, ou não, ter filhos. Os filhos são um complemento da Família, porém, a família pode subsistir sem eles.

Ao criar a Família, Deus teve os seguintes propósitos:

a) proporcionar ao ser humano abrigo e relacionamento. O texto bíblico de Gênesis 2:18 mostra isso: “Far-lhe-ei uma adjutora, que esteja como diante dele”. Segundo o pr. Elinaldo Renovato, “atualmente temos visto e vivido um tempo de escassez na área dos relacionamentos. Estamos ficando cada vez mais superficiais, frios e distantes uns dos outros”. Jesus mesmo nos alertou que isso aconteceria nos últimos dias - “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt.24:12). Devemos fazer de tudo para que esse amor não seja esfriado no âmbito familiar. Quando o amor fenece o relacionamento sadio e tolerável também se esvai, e é isso que o inimigo das nossas almas deseja. Uma família sadia significa uma igreja sadia. Esforcemos, pois, em investirmos no bom relacionamento familiar.

b) propagação da raça humana. O plano de Deus foi fazer da Família um núcleo pelo qual as bênçãos do Senhor seriam espalhadas sobre toda a Terra – “E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:28). Assim, o casamento (casamento?) de dois homens, ou de duas mulheres, contraria este propósito de Deus. Qualquer tentativa de formar uma Família através da união de duas pessoas do mesmo sexo, não procede de Deus e não pode ter a concordância de Sua Igreja.

2. A célula-mater da sociedade

A Família é a “célula-mater” da sociedade, ou seja, é a única origem possível para uma sociedade, é o grupo fundamental da sociedade e, como tal, deve ser tratada. Sem a família a sociedade desaparece, ou como afirma o pr. Jose Gonçalves, “não poderia haver sociedade ou vida social sem a existência da família”.

Ao decidir que o homem não poderia viver só, Deus criou a família (Gn.1:28), formando uma mulher, tirada do homem, para que, por meio da família, pudesse a sociedade ser constituída. Aliás, o primeiro grupo social a que uma pessoa pertence é a Família, grupo criado pelo próprio Deus (Gn.2:23,24) e que procura suprir as necessidades sentimentais, afetivas e emocionais básicas do ser humano. A função da Família é, precisamente, impedir que haja o sentimento de solidão, que existia em Adão antes da formação da mulher (Gn.2:20).

A Bíblia ensina que não há como uma sociedade sustentar-se ou manter-se sem que se fortaleça a família, sem que a família tenha a devida proteção e seja honrada pelos demais grupos e estruturas sociais. A destruição da família implica na destruição da sociedade e o que vemos, na atualidade, é exatamente este processo de destruição.

O inimigo de nossas almas tem atacado a família, pois sabe que, destruindo a família, a um só tempo ele destrói a sociedade e cada integrante da família. Temos vistos, com pesar, que a desagregação da família moderna está no topo dos principais problemas sociais, que presenciamos através dos vários meios de comunicação.

A defesa da Família e seu fortalecimento é atitude que deve nortear todas as ações de cada crente em particular e da Igreja na vida em sociedade.

II. FUNDAMENTOS DA FAMÍLIA CRISTÃ

1. O casamento monogâmico e heterossexual

Depois de Adão ter conhecido e nomeado cada uma de todas as espécies animais (Gn.2:19), Deus resolveu providenciar para Adão uma companheira, uma adjutora que estivesse ao seu lado em quaisquer circunstâncias – “E disse o Senhor Deus: não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn.2:18). Esta foi a decisão de Deus para suprir a carência afetiva e física do homem. E Deus criou a mulher – “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma de suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher; e trouxe-a a Adão” (Gn.2:22).

Observemos a simplicidade da declaração bíblica, ao dizer: “formou uma mulher”. Esta mulher foi formada como resultado da decisão de Deus de que não era bom que o homem estivesse só. Assim, biblicamente, para ser companheira do homem, Deus formou uma mulher, e não outro homem. Qualquer distorção a este princípio viola a decisão de Deus. O Espírito Santo, ao inspirar Moisés, quando este escrevia o Livro de Gênesis, foi criterioso ao declarar que Deus criou macho e fêmea – “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou “ (Gn.1:17). E Jesus ratificou esta verdade (Mt.19:4-6). O “macho” a Bíblia chama de “homem”; a “fêmea” a Bíblia chama de “mulher”. O macho, o homem, é chamado de um ser do sexo masculino; a fêmea, a mulher, é chamada de um ser do sexo feminino. Para a Bíblia existem, apenas, dois tipos de sexo: ou a criatura é homem, ou, então, é mulher; não existe a “coluna do meio”. Um homem e uma mulher, biblicamente, formam um casal de fato.

Deus disse: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn.2:24). Aqui, são vistos três princípios sobre o casamento:

Primeiro, o casamento é heterossexual. O texto fala de um homem unindo-se à sua mulher. Portanto, a tentativa de legitimar a relação homossexual está em desordem com o propósito de Deus. 

Segundo, o casamento é monogâmico. O texto diz que o homem deve deixar pai e mãe para unir-se à sua mulher, e não às suas mulheres. Tanto a poligamia (um homem ter várias mulheres) como a poliandria (uma mulher ter mais de um homem) estão em desacordo com o propósito de Deus.

Terceiro, o casamento é monossomático, pois os dois tornam-se uma só carne, ou seja, podem desfrutar da relação sexual com alegria, santidade e fidelidade. Seguir esses princípios de Deus é o segredo de um casamento feliz.

A união conjugal, portanto, é a mais próxima e intima relação de todo relacionamento humano. A união entre marido e mulher é mais estreita do que a relação entre pais e filhos. Os filhos de um homem são parte dele mesmo, mas sua esposa é ele mesmo. O apóstolo Paulo exorta: “Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a Igreja” (Ef.5:28,29).

2. O casamento é indissolúvel e confessional

Outros princípios do casamento bíblico: ele é indissolúvel e confessional. O casamento é comparado a união entre Jesus Cristo e sua Igreja (Ef.5:32,33); em outras palavras, o marido deve representar Cristo e a mulher a Igreja; por isso, é necessário que seja feito no Senhor (1Co.7:39); ou seja, não é da vontade de Deus o casamento misto, feito entre um crente e um incrédulo; a Bíblia chama isso de jugo desigual (2Co.6:14).

A Igreja, que é constituída de famílias, é a Noiva de Cristo; Ele a chamou de “a minha Igreja” (Mt.16:18), e jamais se separará de Sua Igreja (Mt.28:20); por isso, o casamento é indissolúvel. Ele mesmo exortou: “…o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt.19:6).

O casamento é uma aliança, um pacto, então não deve ser quebrado. Se o nosso Deus é um Deus de aliança, e Ele não quebra nem permite quebra de aliança, também não permite que o casamento seja quebrado. Como Deus não se divorcia da Igreja, assim ele não permite que marido e mulher se divorciem. Divorciar-se é quebrar a Aliança do matrimônio.

O casamento foi instituído por Deus, mas o divórcio não. O casamento é ordenado por Deus, mas o divórcio não. O casamento agrada a Deus, mas o divórcio não; ao contrário, Deus odeia o divórcio (Ml.2:16). Deus permite o divórcio em apenas duas circunstâncias (Mt.19:9; 1Co.7:15), mas jamais o ordena. O divórcio jamais foi o ideal de Deus para a família; o ideal de Deus é a indissolubilidade do casamento.

III. A SUTILEZA DA NOVA CONFIGURAÇÃO FAMILIAR

1. Casamento entre pessoas do mesmo sexo

No princípio, o Criador fez o homem e dele tirou a mulher, e ordenou o casamento entre eles, condição indispensável para perpetuar a raça humana (Gn.1:27,28). Deus implantou no homem desejos e afetos que se estenderam a todas as criaturas humanas; fez do casamento uma influência nobilitante, que poderosamente contribui para o desenvolvimento de uma existência completa no homem e na mulher.

A configuração do casamento, entre o homem e mulher, é inabalável, pois foi Deus que assim o fez. Nada neste mundo é capaz de alterar isso. Infelizmente, temos visto, em quase todos os países do mundo, a desobediência clarividente desta vetusta regra divina; isso, para se adaptar ao novo modelo cultural que permeia em todas as sociedades – a falaciosa ideologia de gênero. Contudo, isto jamais vai mudar o que Deus estabeleceu e ordenou - o casamento entre um homem e uma mulher (Gn.2:24). Disse Deus: “deixará o homem [macho] o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher [fêmea], e serão ambos uma carne” (Gn.2:24).

Uma família somente pode ser construída, segundo os parâmetros divinos, mediante uma união entre um homem e uma mulher com compromisso de constituir uma vida em comum. Desta forma, jamais estará obedecendo aos princípios divinos quem defender ou constituir uma união homossexual, algo que, lamentavelmente, vem se alastrando em todos os países do mundo.

A união de pessoas do mesmo sexo é a própria negação do conceito bíblico de família, que é, como se vê claramente em Gn.2:24, que diz que uma família se constitui quando um varão deixa seu pai e sua mãe, e se une à sua mulher, e se constituem em uma só carne. Não é possível que a união de pessoas do mesmo sexo possa constituir uma família, pois Deus criou-a com propósitos que exigem a heterossexualidade, entre as quais, a procriação e a complementaridade afetiva e emocional, que só é possível diante de uma união entre pessoas de sexos diferentes. Se não fosse a união heterossexual, promovida por Deus, desde o princípio, a raça humana já teria sido extinta.

Duas pessoas do mesmo sexo não formam um casamento, forma um par de pessoas. Mesmo que esse modelo cultural depravado considere isso de casamento, o que trará de benéficos à humanidade? Aqui no Brasil, a Constituição é bem clara com relação ao casamento entre o homem e uma mulher; no Art. 226, § 3º está escrito: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

Como bem descreveu o pr. José Gonçalves, em 2011 o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união homoafetiva como núcleo familiar como qualquer outro e, a partir do entendimento firmado pelo STF, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, em outubro daquele ano, que o mesmo reconhecimento se aplicava para os casamentos; e para evitar a falta de reconhecimento nos cartórios, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma resolução em que regulamentava os trâmites e proibia os cartórios de recusar a celebração de casamento civil e a conversão da união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um claro desrespeito à Constituição. É óbvio que esta nova configuração familiar dada por estes órgãos do judiciário jamais deve ser acolhida pelo povo que se diz cristão, e que tem a Bíblia como regra de fé e prática. A nossa Constituição sobrepõe a quaisquer outras leis, normas e decisões de tribunais. Além disso, a Bíblia é a Constituição maior da Igreja. Repito as palavras de Pedro: “... Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

2. Sexualidade não-binária

Segundo pesquisa que fiz em sites relacionados com este tema, “pessoa não binária é aquela que não se identifica nem com o gênero masculino, nem com o gênero feminino. Sua identidade de gênero não se encaixa 100% dentro do binário de gênero. Isso significa que a pessoa não binária não se identifica necessariamente como homem ou mulher, podendo assumir um gênero neutro, transitar entre os gêneros ou mesmo mesclá-los (dentre outras possibilidades). Costuma-se dizer que o não binário é um termo ‘guarda-chuva’, capaz de abrigar dentro de si uma infinidade de identidades de gênero. O nome genderqueer (ou gênero queer) também é utilizado para nomear toda a multiplicidade de identidades não binárias”.

É claro que essa ideologia é plenamente contrária à criação de Deus, e que contradiz a forma de expressão da sexualidade conforme revelada na Bíblia (Lv.18), bem como nega, absurdamente, as leis biológicas que definem o sexo masculino e feminino. Deus criou o homem e a mulher, ou seja, macho e fêmea (Gn.1:27). O Senhor Jesus Cristo fez questão de confirmar este princípio declarando o seguinte: “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea...” (Mc.10:6).

Portanto, conforme a Bíblia, a configuração familiar se caracteriza pelo casamento entre um homem e uma mulher (Gn.2:24). Desviar deste princípio para adequar-se à modelos artificiais e malignos, como casamento entre pessoas do mesmo sexo e da sexualidade não-binária, nunca deve ser levado em consideração pelo cristão autêntico. “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas [...]herdarão o Reino de Deus” (1Co.6:10).

IV. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA UMA FAMÍLIA SÓLIDA

1. O papel dos pais

Um dos principais papeis dos pais é instruir o filho no caminho do Senhor, e esta instrução deve tomar como princípios os valores ensinados pela Palavra de Deus, a Bíblia (Pv.1:8,9; Dt.6:6-9). Está escrito: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv.22:6). Os pais são os pedagogos dos filhos. Competem a eles o ensino e a formação do caráter dos filhos. Mas como esse processo se desenvolve? O pr. Hernandes Dias Lopes, analisando este texto, recomenda:

·         Primeiro, os pais não devem ensinar o caminho em que os filhos querem andar, uma vez que a estultícia está ligada ao coração da criança.

·         Segundo, os pais não devem ensinar o caminho em que os filhos devem andar. Isso é inadequado porque significa apenas apontar uma direção para os filhos, sem um envolvimento verdadeiro nessa caminhada. É o mesmo que impor um padrão de comportamento para os filhos, mas viver de forma contrária ao que se ensina.

·         Terceiro, os pais devem ensinar no caminho em que os filhos devem andar. Ensinar no caminho significa caminhar junto dos filhos, ser exemplo para eles, servir-lhes de modelo e paradigma. A atitude dos pais fala mais alto do que suas palavras. A vida dos pais é a vida do seu ensino. Os filhos não podem escutar a voz dos pais se a vida deles reprova aquilo que eles ensinam. O ensino estribado no exemplo tem efeitos permanentes; até o fim da vida, o filho não se desviará desse caminho aprendido com os pais.

Estamos vendo bem de perto uma crise de valores sem precedente nas famílias, exatamente porque os pais não cumpriram o seu papel de educar os seus filhos no caminho do Senhor; eles falharam em transmitir ou incutir na formação dos filhos aquilo que os definiria como verdadeiros cidadãos dos céus. Por causa disso, estamos vendo famílias desestruturadas, com os filhos desviados, e atraídos por esse novo modelo perverso de normalização familiar. Concordo com o pr. José Gonçalves, quando afirma que “no meio dessa guerra cultural, na qual se procura a desconstrução da identidade cristã, não dá para ser neutro. Todos os pais compromissados com a família e a sociedade na qual vivem têm o dever moral de dar a conhecer a seus filhos o que Deus estabeleceu como modelo para a família cristã”. Que assim seja!

2. O papel da Igreja Local

A Família e a Igreja são duas instituições profundamente interligadas; são dois projetos de Deus e que continuam sob sua proteção e que são objetos do seu amor. A Igreja Local é formada pela soma de suas famílias, é o reflexo das famílias. Famílias bem estruturadas formam igrejas bem estruturadas. Isto é verdade, e Satanás sabe disto! Por esta razão, de forma mais acentuada nestes “últimos dias”, ele tem investido, pesadamente, contra a estrutura familiar, de forma especial através das mídias sociais, usando seus programas e aplicativos com mensagens claras contra os padrões morais estabelecidos por Deus ao seu povo. Desmoralizando o casamento, incentivando as uniões ilícitas, enaltecendo a liberdade sexual, quebrando a hierarquia familiar, retirando ou coibindo a autoridade dos pais, o objetivo de Satanás é enfraquecer, desmoralizar, acabar com a estrutura familiar. Porém, seu alvo principal é a Igreja. Ele sabe que desestruturando a família, está prejudicando a Igreja.

Diante das ameaças de satanás contra a família e, por conseguinte, contra a Igreja Local, é preciso que haja uma resistência firme contra as sutilezas das ideologias contrarias à família. A Igreja precisa se levantar e fincar suas bandeiras e marcar suas fronteiras, e impor limites a este perverso modelo cultural a que sociedade atual tem se afeiçoado.

Sem a família a Igreja não funciona; são instituições que se interdependem, isto é, que devem existir ao mesmo tempo, cooperando uma com a outra. Família é uma extensão da Igreja Local, e para que, efetivamente, isto seja uma realidade, é da maior importância que nela haja um ambiente espiritual, que valorize a adoração a Deus e a Bíblia Sagrada. A solução para possibilitar essa integração família-igreja e vice-versa é a realização do culto doméstico, prática essa em desuso atualmente na maioria dos lares cristãos. Devemos voltar ao primeiro amor. O saudoso pastor Estevam Ângelo, descrevendo a respeito do culto doméstico, disse certa feita: “Se a família quiser assistir a sete cultos a mais por semana, fazendo o culto doméstico, terá uma igreja em casa”. Alguém duvida disso? Hoje, conquanto existam grandes e até suntuosos templos, o ideal seria que cada família cristã continuasse sendo uma igreja, em miniatura; que cada Lar cristão fosse um “braço”, ou uma extensão de sua igreja. Senhor Jesus, aviva a tua Obra nestes últimos tempos!

CONCLUSÃO

A Família, enquanto instituição divina, reflete tanto o caráter de Deus e a Sua natureza que foi utilizada pelo Senhor, em diversas oportunidades, como figura, como símbolo do relacionamento que deve haver entre Deus e os homens. Ela é como que um espelho, como que um reflexo, sobre a face da Terra, de como deve ser o relacionamento entre Deus e os homens. O diabo tem tentado, de todas as formas, distorcer o relacionamento familiar, porquanto, assim fazendo, deixará de permitir que o homem possa enxergar qual o propósito divino em relação a ele. A família, contudo, deve manter a sua posição diante de Deus, temos de servir a Deus e levar nossa família a também fazê-lo, para que, em nossas vidas, seja uma realidade a afirmação de Josué: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor".