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A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

 

Texto Base: João 14:16-18,26; 16:14

03/01/2021

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o Dia da redenção” (Ef.4:30).

 

João 14:

16.E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre,

17.o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós.

18.Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.

26. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

João 16:

14.Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

INTRODUÇÃO

Pela graça de Deus estamos iniciando mais um trimestre letivo; nele estudaremos sobre o seguinte tema: “O Verdadeiro Pentecostalismo – a Atualidade da Doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo”. Como se percebe, a ênfase absoluta será a Pessoa do Espírito Santo, que é a Terceira Pessoa da Trindade, a qual está comissionada para acompanhar e dirigir a Igreja desde a ascensão de Cristo até o arrebatamento da Igreja.

Nesta primeira Aula trataremos da Pessoa do Espírito Santo. Ao estudarmos sobre este tema devemos ter plena reverência, santo temor e oração, tendo em mente que se trata de um assunto bastante difícil, haja vista que o Espírito Santo nada fala de si mesmo (João 16:3). O eterno Deus, o Pai, revela muito de si mesmo nas páginas Sagradas; de igual modo, o Filho. Mas o divino Espírito Santo, não. Daí este assunto tratar-se de um insondável mistério, do qual devemos nos acercar primeiramente pela fé em Cristo (Rm.3:27).

Ao concluirmos esta Aula estaremos hábeis para descrever os atributos do Espírito Santo e defender a sua Divindade. Teremos, outrossim, a convicção de que não devemos nos apossar dEle, mas permitir que Ele se aposse de nossa alma, de nosso coração e de nosso corpo, de que somos o seu templo e santuário.

I. A REVELAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NAS ESCRITURAS

Neste tópico estudaremos sobre a Divindade, a Personalidade, os Atributos e as Obras do Espírito Santo de acordo com a revelação bíblica.

1. Divindade

A Bíblia não se limita a mostrar que o Espírito Santo é uma Pessoa, mas também nos revela que é uma Pessoa Divina, ou seja, é uma das Pessoas que compõem este mistério que é a Santíssima Trindade - único Deus que está em três Pessoas.

Esta natureza divina do Espírito Santo encontra-se explícita e implícita na Palavra de Deus, ou seja, não só o texto sagrado diz abertamente que o Espírito Santo é Deus, como também confere atributos e características ao Espírito Santo que indicam que Ele é Deus, já que se trata de qualidades exclusivas da Divindade. O texto mais explícito a respeito da divindade do Espírito Santo está em At.5:3,4, quando o texto sagrado nos conta a respeito do episódio que envolveu Ananias e Safira na igreja de Jerusalém. Indagado por Pedro a respeito do valor da venda da propriedade, Ananias mentiu, dizendo que o valor depositado ao pé dos apóstolos era o efetivo valor da venda. Diante desta mentira, Pedro diz que Ananias havia mentido ao Espírito Santo e, por isso, havia mentido não aos homens, mas a Deus. Temos, portanto, explicitamente reconhecida a divindade do Espírito Santo, prova de que os apóstolos reconheciam o Espírito Santo como Deus, ou seja, que a doutrina da divindade do Espírito Santo é a genuína e autêntica doutrina da Igreja no seu princípio. A propósito, se Ananias mentiu ao Espírito Santo, temos mais uma prova de que o Espírito Santo não é uma força, pois não se pode mentir senão a uma Pessoa.

Ao investigarmos a doutrina da deidade do Santo Espírito, devemos observar que o Novo Testamento ensina a unicidade da divindade (1Co.8:4; Tg.2:19) e, no entanto, revela a distinção de pessoas na divindade: o Pai é Deus (Mt.11:25; João 17:3; Rm.15:6; Ef.4:6); o Filho é Deus (João 1:1,18; 20:28; Rm.9:5; Hb.1:8; Cl.2:9; Fp.2:6; 2Pd.2:11); o Espírito Santo é Deus (At.5:3,4; 1Co.2:10,11; Ef.2:22). O Pai, o Filho e o Espírito Santo são claramente distinguidos um dos outros na Bíblia (João 15:26; 16:13-15; Mt.3:16,17; 1Co.13:13), de tal forma que as três pessoas não se confundem umas com as outras. São três benditas e santíssimas pessoas que compõem apenas uma divindade. Portanto, na unidade da divindade há uma trindade de pessoas, da qual o Espírito Santo é o Executivo.

2. Personalidade

Um dos ensinos básicos das Escrituras, que os seguidores da doutrina pentecostal, principalmente os da Assembleia de Deus, nunca pode desconsiderar, é o de que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Trindade, ou seja, é uma das Pessoas que formam o Único e Soberano Deus e, como tal, é uma Pessoa, jamais uma força ou influência.

O que nos leva a entender que o Espírito Santo é uma pessoa? O fato de o Espírito sentir, perceber o que se passa na vida do crente. Um objeto não tem essa capacidade. Meu relógio não sente quando meu pulso está falhando, mesmo estando atado a ele. Entretanto, uma pessoa tocando em meu pulso poderá afirmar: ele não está passando bem. Somente uma pessoa tem essa capacidade. Assim, o Espírito Santo é um ser que fala, age e opera funções de uma pessoa.

A crença na personalidade do Espírito Santo é uma das características da fé cristã. Esta crença deriva do exame preciso e cuidadoso de passagens bíblicas, e contrasta com a noção explicada por muitas seitas. Algumas seitas apresentam o Espírito Santo como sendo uma influência impessoal, uma força ou uma energia. Entretanto, a Palavra de Deus nos revela que o Espírito Santo é uma pessoa, pois menciona atitudes e ações que somente uma pessoa pode ter. Ele possui uma mente, vontade e emoções, que são características de uma pessoa e não de uma influência ou força.  Vejamos algumas provas bíblicas:

a) O Espírito Santo entristece - "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção" (Ef.4:30). Uma força, um "fluir", nunca pode ficar triste, somente uma pessoa. Mas o Espírito Santo não só Se entristece, a Palavra diz que Ele tem alegria, que Ele Se alegra, tanto que faz com que as pessoas sintam a Sua alegria, a começar pelo próprio Senhor Jesus (Lc.10:21) e, depois, dos discípulos (1Ts.1:6).

b) O Espírito Santo tem ciúmes - "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus. Ou supondes que em vão afirma a Escritura: é com ciúme que por nós anseia o Espírito, que Ele fez habitar em nós?"(Tg.4:4,5). Quando traímos a Deus através dos nossos pecados, ambiguidades, contradições, negações da fé, amasiamentos com o mundo, o Espírito de Deus sente ciúmes, como o marido, quando a mulher adultera e vice-versa.

c) O Espírito Santo pensa (Rm.8:27) - “E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos”. Neste texto, as Escrituras dizem que o Espírito Santo examina os corações; examinar é raciocinar, é calcular, é emitir juízos. Uma força jamais pode calcular, jamais pode examinar, só uma pessoa pode fazê-lo. Noutro trecho diz que o Espírito Santo compara, ou seja, faz juízos, julgamentos, o que é exclusivo de uma Pessoa (1Co.2:13) - “As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais”.

d) O Espírito Santo tem sentimentos, ama (Rm.15:30) - "Rogo-vos irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito...". Neste texto, as Escrituras dizem que o Espírito Santo tem amor, ou seja, ama, tem sentimentos. Uma força não pode amar, somente uma pessoa.

e) O Espírito Santo convence (João 16:8) - ”E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”. Jesus disse que o Espírito convenceria o mundo do pecado, da morte e do juízo. Uma força não pode convencer, quando muito pode deter ou obrigar uma determinada atitude. Só uma pessoa pode convencer alguém, pode argumentar e obter a anuência, a adesão da vontade de outrem. O convencimento é fruto de uma argumentação, ou seja, de uma operação intelectual, de uma série de raciocínios, de ponderações, de julgamentos. Somente uma pessoa é capaz de fazê-lo e, quando Jesus nos indica que o Espírito Santo o faz, está a dizer-nos que se trata de uma Pessoa.

f) O Espírito Santo glorifica (Jo.16:14) - ”Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”. Jesus disse que o Espírito Santo O glorificaria. Ora, uma força não pode dar glória a ninguém, porque glorificar, dar glória, envolve consciência, capacidade de perceber que alguém é divino e que, por isso, merece honra e glória. Por isso, só os homens e anjos, seres dotados de consciência, podem fazê-lo. Deste modo, não há como deixar de reconhecer que o Espírito Santo, tal como Jesus no-lo mostra, é uma Pessoa.

g) O Espírito Santo tem consciência de Si e dos outros (João16:13) - ”Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir”. Jesus revelou que o Espírito Santo não fala de Si mesmo. Ora, se o Espírito Santo não fala de Si mesmo, é porque sabe discernir entre Si mesmo e os outros. Esta expressão bíblica é muito importante, porque desmente todo e qualquer pensamento que busca entender nas Pessoas divinas tão somente um “modo”, ou seja, tão somente uma expressão de uma suposta única Pessoa (como fazem os chamados “unicistas” ou “modalistas”). Aqui Jesus é bem claro ao dizer que existe aquilo que é do Espírito Santo e o que é do Filho (e, por extensão, também podemos inferir daquilo que é do Pai). Se o Espírito glorifica ao Filho e não fala do que é de Si mesmo, é porque existe aquilo que Lhe é próprio, assim como o que é próprio de Cristo. Tem-se, portanto, que o Espírito Santo é uma Pessoa.

h) O Espírito Santo fala (Atos 8:29) - "Então disse o Espírito a Filipe: aproxima-te desse carro e acompanha-o....". Aqui, percebemos que o Espírito Santo é um Ser que fala. Ora, uma força não pode falar, mas uma Pessoa, sim. Tanto é certo que o Espírito Santo fala que, em At.13:2, isto é explicitamente mencionado, como também em 1Tm.4:1 e Hb.3:7, bem assim em todas as cartas que Jesus enviou às igrejas da Ásia Menor (Ap.2:7,11,17,29; 3:6,13,22), como num instante em que se fazia a revelação a João das coisas que brevemente hão de acontecer (Ap.14:13).

i) O Espírito Santo ouve (João16:13). Neste texto, a Bíblia diz que o Espírito Santo dirá aquilo que tiver ouvido. Portanto, é um ser, é uma Pessoa, pois tem capacidade de ouvir e não é um simples ouvir, mas um ouvir que retém e que discerne o que se ouve para depois o anunciar.

j) O Espírito Santo ensina (João 14:26) – “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Só uma Pessoa pode nos ensinar, somente uma Pessoa pode ser Mestre e o Espírito Santo tem como uma de suas principais funções a de ensinar os discípulos do Senhor Jesus enquanto aqui estiverem aguardando o seu Salvador.

Observe o final do versículo: “...e vos fará lembrar...” - Quando Jesus diz que o Espírito Santo nos faria lembrar de tudo quanto o Senhor Jesus nos tem dito, está a nos revelar uma face maravilhosa deste Professor e Mestre que é o Espírito Santo. O Espírito Santo não só é um Mestre (algo que uma força não pode ser), como também é um Mestre dedicado, um Professor comprometido com os Seus alunos. Um bom professor é aquele que está preocupado em verificar se os seus alunos aprenderam e, por isso, sempre os faz lembrar daquilo que os ensinou. É exatamente este o papel do Espírito Santo. Quando Ele nos faz lembrar, não é porque seja uma força cega, um “remédio para a memória”, mas, bem ao contrário, é um Professor dedicado, que mostra ser uma Pessoa não só porque ensina, mas também porque ama e quer o melhor para os Seus alunos, quer que Seus alunos efetivamente aprendam o que lhes foi ensinado.

k) O Espírito Santo ora (Rm.8:26) - ”E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”; ”E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”(Gl.4:6). Ao dizer que o Espírito Santo ora, ajudando os crentes nas suas fraquezas, o texto sagrado mostra-nos que o Espírito Santo é uma Pessoa, pois só uma Pessoa pode orar.

Ante tantas evidências da Palavra de Deus, como não reconhecer que o Espírito Santo é uma Pessoa?

3. Atributos divinos

A natureza divina do Espírito Santo encontra-se explícita e implícita na Palavra de Deus, ou seja, não só o texto sagrado diz abertamente que o Espírito Santo é Deus, como também confere atributos e características ao Espírito Santo que indicam que Ele é Deus, já que se trata de qualidades exclusivas da Divindade.

Os teólogos normalmente fazem uma distin­ção entre os atributos incomunicáveis - que enfatizam a transcendência de Deus, e que são imputá­veis somente a Deus (a auto-existência, a eternidade, a imutabilidade, a infinitude, a onisciência, a onipresença, a onipotência e a unidade) - e os atributos comunicáveis que expressam a imanência de Deus e que são compartilhados, em certa medida, pelas suas criaturas.

3.1 Alguns atributos incomunicáveis do Espírito Santo:

a) O Espírito Santo é onisciente, ou seja, sabe todas as coisas - “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1Co.2:10,11). O apóstolo Paulo ensina-nos que só quem sabe as coisas que Deus sabe é o Espírito Santo. Ora, Deus sabe todas as coisas e, portanto, o Espírito Santo, se sabe o que Deus sabe, também sabe todas as coisas. Se o Espírito sabe todas as coisas, é onisciente, e só Deus é onisciente, de forma que o que o texto está a nos dizer que o Espírito Santo é Deus.

b) O Espírito Santo é onipresente, ou seja, está em todos os lugares ao mesmo tempo (cf. Sl.139:7-10). O salmista diz-nos que não há como fugir da presença do Espírito do Senhor, pois Ele está em todos os lugares. Ora, só Deus pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, pois isto é um atributo que Lhe é exclusivo. Se o Espírito Santo está presente em todos os lugares, como diz o salmista, esta é uma outra maneira de as Escrituras nos revelarem que o Espírito Santo é Deus.

c) O Espírito Santo é onipotente, ou seja, tem todo o poder (Lc.1:35,37; 1Co.12:11). Nestes dois textos é dito que o Espírito Santo faz coisas impossíveis ao homem, pois nada lhe é impossível, como também que ele opera todas as coisas, conforme a Sua vontade. Os dois textos mostram, assim, que não há limite para a operação do Espírito Santo, que pode fazer tudo o que quiser. Ora, isto nada mais é que onipotência, que é outro atributo exclusivo da divindade. Assim sendo, temos que o Espírito Santo é Deus.

d) O Espírito Santo é Eterno (Hb.9:14) – “Espírito Eterno”. Ele é o Criador do ser humano e do mundo (Jó 26:13; 33:4; Sl.104:30) e, também, o Salvador (Ef.1:13; Ef.4:30; Tt.3:4,5).

3.2. Alguns atributos comunicáveis do Espírito Santo. Os atributos comunicáveis podem ser classificados como espirituais (espiritualidade), mentais (sabedoria, veracidade), morais (bondade, amor, santidade, justiça) e volitivos (desejo, poder de ação).

A santidade de Deus é o atributo mais solenizado nas Escrituras (Is.6.3; Ap.15.4). O termo "santo" é aplicado ao Espírito como consequência direta de sua natureza e não como resultado de uma fonte externa. Ele é santo em si mesmo; assim, não precisa ser santificado, pois é Ele quem santifica (Rm.15:16; 1Co.6:11).

A bondade é outro atributo divino, por isso, Jesus disse: "Ninguém há bom senão um, que é Deus" (Mc.10:18 e passagens paralelas de Mt.19:17; Lc.:8.19); no entanto, a Bíblia ensina que o Espírito Santo é bom (Ne.9:20; Sl.143:10).

O Espírito é a verdade (1João 5:6) e sábio (Is.11:2).

II. O ESPÍRITO SANTO E JESUS CRISTO

O Senhor Jesus e o Espírito Santo são um só Deus juntamente com o Pai, visto que a Trindade é a união de três Pessoas distintas iguais em glória, poder e majestade.

1. Pericórese

A fé cristã reconhece sua peculiar identidade na doutrina da encarnação e da Santíssima Trindade. No entanto, a doutrina trinitária se depara com notáveis dificuldades referentes tanto em sua compreensão quanto em sua elaboração. No percurso teológico histórico houve uma busca incansável para se chegar à elaboração de uma linguagem mais próxima daquilo que a Revelação mostrou de Deus e sua relevância na história: a articulação entre o conceito de Deus que é trino, sem com isso afetar a essência monoteística da fé cristã, seguida de outra problemática, que é a de prescrever a Deus como é estruturada a via intratrinitária, a partir de um determinado conceito de pessoa. O termo pericórese emerge na Teologia Patrística, pondo em relevo a articulação entre unidade e comunhão da Trindade. (1)

Portanto, Pericórese é um termo teológico que expressa a relação intratrinitariana do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ou seja, o intrínseco relacionamento entre as três Pessoas da Trindade. Sabemos que a doutrina trinitária ensina que Deus é um só, mas que é constituído de três Pessoas distintas, e existe uma relação animada, viva, enérgica entre essas três Pessoas. Essa relação dinâmica é chamada de pericórese. Este termo, oriundo do grego, é encontrado pela primeira vez na literatura patrística, nas obras de Gregório de Nazianzo; ele foi um dos grandes defensores da doutrina da Trindade.

Pericórese (gr. perichoresis) descreve uma dança de roda, característica das crianças em momento de brincadeiras. A partícula “peri” - significa “movimento circular”; “corea” - significa “dança”, (coreografia); ”esis” – é um sufixo usado para formar palavras de ação ou processo. Assim, “pericórese” é uma palavra atribuída ao nome de uma dança tradicional em que um grupo de pessoas, geralmente crianças, dançavam de maneira circular e de mãos dadas. Uma criança ficava no meio enquanto as outras, de mãos dadas, ficavam girando ao seu redor em círculo. Em certo momento a criança que estava no meio vinha para a roda e alguma da roda vinha para o meio. E isso traz uma interessante percepção sobre a Trindade. 

Assim, alguns teólogos antigos como, por exemplo João Damasceno (676 d.C., Damasco, Síria) imaginou a Trindade como uma dança, dança eterna e uniforme. Ele imaginou as três pessoas da Trindade dançando num círculo de mãos dadas. Ele usa esta antiga dança como uma ilustração à mútua interpenetração e coabitação das três pessoas da Trindade; ou seja, as três Pessoas da Trindade estão entrelaçadas em uma unidade "circular" em permanente movimento e integração. 

Portanto, a “pericórese” seria então a comunhão entre as Pessoas da Santíssima Trindade. Uma comunhão extremamente íntima, perfeita, sem nenhuma confusão ou interferência eterna. Ela designa uma relação co-igual e co-eterna entre Pessoas - um Deus que é Pai, é Filho e é Espírito Santo; eles se relacionam em perfeita e amorosamente harmonia, de tal forma que o divino círculo parece uma coisa só, porém é formado de três Pessoas, numa dança maravilhosa. Esta dança é marcada e compassada pela doce sinfonia do amor; é sempre pelo amor que se fundamenta o vínculo da unidade divina.

A obra realizada por uma Pessoa Divina é obra da Santíssima Trindade por completo. Enquanto uma Pessoa está no meio, as outras giram a roda. Depois de um tempo a Pessoa do meio vem para a roda e alguma Pessoa da roda vem para o meio. Na Bíblia sempre foi assim. Quando o Pai estava em evidência, o Filho e o Espírito estavam em harmoniosa concordância. Depois foi a vez do Filho vir para o “centro da roda”. Quando o Filho estava em evidência na história, o Pai e o Espírito Santo ficaram girando a roda, sendo todo apoio para o Filho. Hoje é a vez do Espírito Santo, e a Sua obra é estabelecer no reino a obra do Filho. E tudo que o Filho faz é para a glória do Pai, e o Pai glorifica o Filho. Isso é “Pericórese”.

Portanto, a intimidade - entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo -, é eterna. Jesus mesmo fala desse relacionamento desde antes que o mundo existe (João 17:5); e em outro momento Ele disse a Filipe: Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (João 14:10). O Espírito Santo está também nessa Trindade (1Co.2:10,11).

2. “Ele me glorificará” (João 16:14)

O Espírito Santo não se glorifica a Si mesmo; em lugar disso, Ele glorifica o Filho. A Sua obra principal é glorificar a Cristo. Assim podemos pôr à prova todo ensino e toda pregação. Se tiver o efeito de magnificar o Salvador, então é do Espírito Santo. O Espírito revela aos crentes quem é Deus. Ao fazer isso, Ele individualiza os ensinos de Cristo e convoca as pessoas à obediência. O Espírito Santo nos faz desejar aplicar as palavras de Cristo, nos ensina como fazê-lo e então nos ajuda a fazê-lo.

Alguém poderá argumentar: “se a principal obra do Espírito Santo é glorificar a Cristo, então não devemos adorá-lo”. Este argumento está errado. Claro que devemos adorá-lo, pois Ele é Deus, como vimos anteriormente. Veja que o Pai glorifica também o Filho (João 17:5), e nem por isso se diz que o Pai não deve ser adorado. Se o Espírito Santo é Deus, logo, deve ser adorado; do contrário, seria um deus de segunda classe, obra da imaginação humana, e isso não existe na fé cristã.

3. O efeito prático da Pericórese

A doutrina da Trindade ou triunidade de Deus fala-nos que Deus é único, que só há um Deus, mas que, ao mesmo tempo, este único Deus são três Pessoas, cada qual dotada de sensibilidade, de vontade e de intelecto - o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Para tentar expressar em palavras esta verdade bíblica que, nitidamente, foge ao alcance de nossa mente, Tertuliano se valeu de conceitos da filosofia de seu tempo e afirmou que “havia uma substância, três pessoas”, ou seja, apenas um ser, mas três núcleos de vontade, sentimento e entendimento. Esta expressão de Tertuliano, que somente iria despertar a atenção da Igreja cristã em meio às discussões relacionadas com a doutrina de Ário que negava a divindade de Jesus, logo após o término da perseguição romana, acabou sendo acolhida e sintetizada na célebre declaração de fé atribuída a Atanásio, que seria uma explicação da declaração aprovada no Concílio de Nicéia e que passou a fazer parte dos “credos”, a saber:

“…adoramos um Deus em trindade, e a trindade em unidade: nem confundindo as pessoas e nem dividindo a substância. Pois há uma pessoa do Pai,  outra do Filho e outra do Espírito Santo. Mas a deidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é apenas uma; a glória é igual, a majestade é co-eterna. Tal como é o Pai, assim é o Filho, e assim o Espírito Santo; a saber, não criado, incompreensível, eterno. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado e nem gerado. O Filho é apenas do Pai - nem feito e nem criado, mas gerado. O Espírito Santo é do Pai e do Filho - nem feito, nem criado, nem gerado, mas procedente.… E, contudo, não são três deuses, mas um só...De modo que em tudo, como acima se disse, deve-se adorar a Unidade na Trindade, e a Trindade na Unidade” (apud CHAMPLIN, R.N. Credo atanasiano. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.1, p.949).

Portanto, como bem diz o pr. Esequias, “quando expressamos num culto “glórias a Deus”, o Filho e o Espírito Santo são glorificados no seu louvor (Fp.3:3). Da mesma maneira, quando damos glória a Jesus, o Pai e o Espírito Santo estão sendo também glorificado, e igualmente quando se glorifica o Espírito Santo, o Pai e o Filho são glorificados juntamente (Ap.5:6,13). Portanto, tanto faz adorar a Jesus separadamente ou a qualquer das outras Pessoas da Trindade, como adorar a Trindade”.

O mais maravilhoso efeito da Pericórese é o que a Pessoa de Cristo fez com a Sua Igreja: Ele nos inseriu nessa intimidade da Trindade Divina. Como Igreja, somos o Corpo de Cristo; como Corpo, estamos de mãos dadas e dessa forma participamos da unidade, cuja perfeição está na Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. O texto de João 17:22,23 descreve bem isto:

“E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.
Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como me tens amado a mim”.

4. Consubstancial com o Filho

Consubstancial quer dizer da mesma substância. No Concílio de Nicéia (325 d.C), onde Atanásio ficou inicialmente quase sozinho contra o mundo, e particularmente contra Ário, a Igreja decidiu que Jesus Cristo era “a essência de Deus”, e feito da mesma substância do Pai. O Filho é consubstancial com o Pai (João 10:30) da mesma forma que o Espírito Santo é consubstancial com o Filho (João 14:16,26):

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”.

-A palavra “outro”, em grego, empregada nessa passagem, significa ser alguém da mesma natureza, da mesma espécie e da mesma qualidade.

-A expressão “outro Consolador” significa “outro consolador do mesmo tipo que o primeiro”. Isso sugere que Jesus foi o primeiro Consolador (veja 1João 2:1), e que o Espírito Santo seria um Consolador semelhante a Jesus. Quando Jesus não estivesse mais com os discípulos fisicamente, o Espírito Santo seria o companheiro constante deles para guiá-los, ajudá-los e capacitá-los para as tarefas que estivessem à frente. Jesus identificou o Consolador como Aquele que nos “guiará em toda a verdade” porque Ele é o Espírito que revela a verdade a respeito de Deus.

Portanto, o Espírito Santo é como Jesus, da mesma substância, glória e poder. O Espírito Santo, o Consolador, seria enviado como Representante de Jesus. O Espírito também iria lembrar os discípulos do que Jesus lhes havia dito. Os apóstolos se lembraram e escreveram com a ajuda do Espírito. Os Evangelhos – e até mesmo todo o Novo Testamento - não existiriam se não fosse por esta obra do Espírito Santo, de fazer com que os discípulos se lembrassem de tudo o que aconteceu.

III. O ESPÍRITO SANTO AGE NO MUNDO E NO SER HUMANO

A atuação do Espírito Santo é indispensável para que o homem seja convencido do pecado, da morte e do juízo e, assim, resolva se arrepender dos seus pecados e mudar a direção da sua vida, que é o que denominamos de "conversão". Todavia, a Sua atuação não se restringe aos corações do ser humano, Ele age sobre a criação inteira. Ele atua no mundo e na Igreja.

1. No mundo

A atuação do Espírito Santo é notória a começar pela criação. De acordo com Gênesis 1:2, "a terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo". Logo em seguida lemos que "o Espírito de Deus pairava por sobre as águas". Algumas versões trazem "mover-se", mas a palavra hebraica é "estar sobre", assim como uma galinha fica sobre seus ovos para chocá-los e trazer nova vida ao mundo; da mesma forma o Espírito Santo pairou sobre a criação original de Deus para encher seu vazio com as várias formas de vida, de onde resultou o relato de Gênesis 1 e 2. Assim, desde o princípio o Espírito Santo estava ativo na criação, junto com o Pai e o Filho.

Quando Deus "formou o homem do pó da terra" (Gn.2:7), o Espírito Santo estava envolvido. Isto podemos concluir indiretamente de Jó 33:4: "O Espírito de Deus me fez; e o sopro do Todo-Poderoso me deu vida - ARC". Um jogo de palavras aqui mostra como o Espírito de Deus e a nossa respiração estão intimamente relacionados: "Espírito" e "sopro" no hebraico são a mesma palavra.

Também lemos em Gênesis 2:7 que o Senhor Deus "lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente". Embora a palavra "fôlego" não seja aqui a mesma que significa Espírito, é claro, de acordo com esta passagem, que o homem deve sua vida a Deus. E o sopro de Deus que "deu partida" no homem para sua peregrinação terrena foi de fato o Espírito Santo, como Jó 33:4 deixa claro.

A ação do Espírito Santo não ficou somente na ordem cósmica do universo. Ele continua como mantenedor e preservador de todas as coisas. O Salmo 104:30 nos leva à compreensão desse papel do Espírito na criação. Ele não só colaborou na formação da terra e do primeiro ser humano, mas Ele é sempre o criador e mantenedor da vida - "Envias [Deus] o teu Espírito, eles são criados, e assim renovas a face da terra". Quem são "eles" que o Espírito cria? Todo o Salmo o explica, mas nos versículos 18-26 vemos que estão incluídos cabras selvagens e coelhos do mato (Sl.104:18, BLH), animais selvagens como leõezinhos (Sl.104:20,21), o homem (v.23) e tudo que vive sobre a terra ou no mar (vs.24,25).

2. No plano divino da salvação

Desde a queda do homem, o Espírito Santo tem atuado no plano divino da salvação, desde a escolha da nação de onde viria o Salvador do mundo (1Pd.1:10-12) até a escolha da mulher (Maria – Lc.1:27) onde seria gerado o Salvador da humanidade (Lc.1:37).

Salvar significa livrar alguém de um perigo iminente. O homem, antes de pecar, não corria nenhum perigo. Nesta condição Adão geraria filhos perfeitos, à imagem e semelhança de Deus, tal como ele era. Salomão afirmou: “Vede, isto tão somente achei: que Deus fez ao homem reto, mas eles buscaram muitas invenções” (Ec.7:29).

No estado em que foi criado o homem recebeu um corpo imortal. Se não tivesse pecado nunca iria necessitar ser Regenerado, ou Nascer de Novo. Mas, o homem pecou; ao pecar, a imagem de Deus que nele estava gravada foi corrompida, degenerada, destruída. O Senhor Jesus disse que o papel do diabo é matar, roubar, destruir (João 10:9). De filho de Deus o homem se tornou em filho do diabo, conforme afirmou Jesus: “Vós tendes por pai ao diabo...” (João 8:44). Feito servo de Satanás, separado de Deus, o homem se tornou morto “em ofensas e pecados” (Ef.2:1). E é uma verdade científica e bíblica que nenhum morto, por seus recursos e esforços próprios poderá voltar a viver, ou ser vivificado. Só um milagre poderá fazer com que um morto volte a viver, ou seja, ressuscitar. A Bíblia chama este milagre de Novo Nascimento, ou Regeneração. O Novo Nascimento é a única maneira pela qual o “homem velho”, morto “em ofensas e pecados”, pode voltar a viver para Deus. E é aí que o Espírito de Deus entra em ação. Somente Ele pode vivificar o homem morto em seus delitos e pecados.

O Novo Nascimento é um milagre de transformação que ocorre no interior do homem. A transformação da água em vinho, em Caná da Galileia (João 2:1-11), aconteceu dentro das talhas, e as talhas eram de pedra. Ninguém pôde ver o que estava acontecendo lá dentro. Também o Novo Nascimento não pode ser contemplado com os nossos olhos físicos; é algo que acontece dentro do homem. Ninguém pode explicar o que aconteceu dentro daquelas talhas e nem como aconteceu; mas, aconteceu!

Da mesma forma ninguém pode explicar como acontece a transformação do “homem velho” num novo homem; mas, acontece! No momento em que o homem ouve a Palavra de Deus, o Espírito Santo trabalha em sua vida procurando convencê-lo “do pecado, e da justiça e do juízo” (João 16:8). Se o homem crer e aceitar o Senhor Jesus como seu único e suficiente Salvador, então o Espírito Santo opera dentro dele o milagre do Novo Nascimento; é o “nascer da água”, como símbolo da Palavra de Deus, “e do Espírito”, referindo-se à operação do Espírito Santo, tal como ensinou Jesus (João 3:5). É, pois, nesse momento que o homem é, pelo Espírito Santo, batizado em Cristo (1Co.12:13), ou seja, introduzido no Corpo místico de Cristo, que é a sua Igreja. Trata-se, pois, de um milagre que ocorre dentro do homem, assim como a transformação da água em vinho aconteceu dentro das talhas. Isso é Obra do Espírito Santo.

3. Na vida humana

O Espírito Santo sempre atuou na vida do ser humano, desde o Antigo Testamento, de forma pontual, e de forma abundante no Novo Testamento desde a sua descida no Dia de Pentecostes (Atos 2:1-8).

Diversas vezes o Antigo Testamento atribui a salvação de Israel ao Espírito de Deus. Ele agiu nas pessoas antes do dilúvio (Gn.6:3). Depois, de tempo em tempo o Espírito Santo tomou posse de diversas pessoas para libertar o povo de Deus. No livro de Juízes é narrado que Ele veio sobre Otniel (Jz.13:10), sobre Gideão (Jz.16:34), sobre Jefté (Jz.11:29), sobre Sansão (Jz.13:25).

É interessante vermos o trecho de Jz.15:4-16:20, trecho este que nos fala a respeito da vida de Sansão. Neste trecho, percebemos, claramente, que há um intercâmbio entre as expressões “Espírito do Senhor” e “Senhor”, demonstrando, claramente, que a atuação do Espírito de Deus na vida de Sansão era a própria atuação da Divindade, tanto que o Espírito ora é chamado de “Espírito do Senhor” (Jz.15:14), ora de “Senhor” (Jz.14:18,19;15:20), a comprovar, claramente, que o Espírito Santo é Deus.

Veja no Antigo Testamento três expressões principais para atuação do Espírito Santo nas pessoas:

  • Ele vinha sobre alguém: "O Espírito de Deus se apoderou de Zacarias (2Cr.24:20).
  • Ele repousava sobre alguém: "O Espírito repousou sobre eles" (Nm.11:25).
  • Ele enchia alguém: "Eu o enchi do Espírito de Deus" (Êx.31:3).

O Espírito Santo não só usou juízes e profetas para libertar Israel, mas também reis. Estes eram ungidos com óleo, símbolo de que eles estavam sendo revestidos com o poder do Espírito Santo, como podemos ver na unção de Davi por Samuel (1Sm.16:13) - ". . . daquele dia em diante o Espírito do Senhor se apossou de Davi".

Em 1Samuel 16:14 nos deparamos com uma afirmação solene. No livro de Juizes geralmente o Espírito Santo se retirava depois de a pessoa escolhida concluir a sua obra. Mas, aqui, vemos que Ele podia retirar-se também quando esta pessoa desobedecia a Deus. O texto de 1Sm.16:14 trata de Saul, e comparando Juízes 14:19 com 1Sm.16:14 vemos que aconteceu a mesma coisa a Sansão. No uso de Davi, vemos até em suas orações como ele se preocupava com a retirada do Espírito Santo: "Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito" (Salmo 51:11).

O Espírito Santo sempre usava poderosamente os seus servos para libertar o povo de Israel de seus inimigos, mas a grande libertação que Deus providenciou, é claro, não veio com um rei ou um juiz ungido por homens, mas com o Messias, título que significa "Ungido". Isaías escreveu profeticamente que o Messias diria: "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu" (Is.61:1). Jesus, lendo esta passagem 800 anos depois na sinagoga, disse: "Hoje Se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir" (Lc.4:21).

Em resumo, vimos que o Espírito Santo estava ativo em todo o Antigo Testamento, tanto na natureza como no meio do Seu povo, guiando-o e libertando-o através de juízes, profetas, reis e outras pessoas.

No Novo Testamento, durante o período de tempo abrangido pelos quatro evangelhos, a atuação do Espírito Santo foi centralizada na Pessoa de Jesus Cristo. O Homem-Deus foi concebido pelo Espírito (Lc.1:35), batizado no Espírito (João 1:32,33), guiado pelo Espírito (Lc.4:1), ungido pelo Espírito (Lc.4:18; Atos 10:38), revestido com poder pelo Espírito (Mt.12:27,28). Ofereceu a Si mesmo como expiação pelo pecado, pelo Espírito (Hb.9:14), foi ressuscitado pelo Espírito (Rm.8:11) e deu mandamentos por intermédio do Espírito (Atos 1:2).

Sem sombra de dúvida uma das passagens bíblicas que inspiram mais admiração é a que relata o que o anjo disse a Maria:

"Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lc.1:35).

Pessoas excessivamente céticas e outras com uma visão muito limitada e dependente da ciência zombarão em total descrença, mas o anjo desfez qualquer dúvida quando disse: "Porque para Deus nada é impossível" (Lc.1:37, BJ).

O Espírito Santo também agiu nos discípulos de Jesus antes do Pentecostes. Sabemos isto porque Jesus disse deles: "Ele [o Espírito Santo] habita convosco" (João 14:17). Jesus também disse a Nicodemos: "Quem não nascer da água e da Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5). Logo depois repetiu: "Importa-vos nascer de nova" (João 3:7).

No entanto, a atuação do Espírito na vida humana no tempo de Jesus era diferente da Sua atuação hoje. Em João 7:39 o apóstolo João nos diz das palavras de Jesus: "Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até este momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado". A Bíblia não revela claramente qual era a diferença, mas sabemos que a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes foi algo muito mais extasiante que qualquer outra experiência anterior que eles tinham tido. De qualquer forma, vimos que o Espírito Santo estava atuando de diversas maneiras no nascimento e na vida do nosso Senhor Jesus Cristo e nas vidas e no ministério dos Seus discípulos.

O Espírito Santo age não só no mundo, mas também na Igreja. Quando eu falo de Igreja, estou falando de todos os crentes salvos em Cristo. A palavra "Igreja" vem de uma palavra no grego que significa "os que foram reunidas". Qual é o papel do Espírito Santo neste quadro?

-Em primeiro lugar, a Bíblia nos diz numa sentença muito bonita que foi Ele quem deu início a Igreja - "Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos" (1Co.12:13,14).

-Em segundo lugar, pelo Espírito Deus vive na Igreja - "Assim também vocês, em união com Cristo, são construídos, junto com os outros, para se tornarem uma casa, casa onde Deus vive por meio do Seu Espírito" (Ef.2:22, BLH). Hoje em dia Deus não vive em templos feitos por mãos humanas. Mas se reconhecermos que Deus está mesmo, pessoalmente, em nosso meio quando estamos reunidos na Igreja, nossa adoração será mais profunda.

-Em terceiro lugar, o Espírito Santo concede dons a pessoas específicas na Igreja - "Para o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do Seu Serviço, para a deificação do corpo de Cristo" (Ef.4:12).

Portanto, a presença do Espírito Santo na vida humana, a partir do momento da salvação, visa manter-nos em equilíbrio, dia após dia, momento após momento, principalmente após a experiência da chegada do Espírito Santo com poder sobre nós.

CONCLUSÃO

Concluindo, podemos dizer que o Espírito Santo não é simplesmente uma influência benéfica ou um poder impessoal. É uma Pessoa, assim como o Pai e o Filho o são. Ele é chamado Deus (At.5:3,4) e Senhor (2Co.3:18). Quando Isaías viu a glória de Deus (Is.6:1-3), escreveu: “Ouvi a voz do Senhor...vai e diz a este povo” (Is.6:8-9). O apóstolo Paulo citou essa mesma palavra e disse: “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías dizendo: vai a este povo” (At.28:25,26). Com isso, Paulo identificou o Espírito Santo com Deus; Ele faz parte da Santíssima Trindade. Portanto, estudar o Espírito é estudar sobre Deus e o seu relacionamento conosco em Cristo.


QUANDO DEUS RESTAURA O JUSTO

 

Texto Base: Jó 42:1-17


“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía”(Jó 42:10).

Jó 42:

1.Então, respondeu Jó ao SENHOR e disse:

2.Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.

3.Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso, falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssimas, e que eu não compreendia.

4.Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu ensina-me.

5.Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.

6.Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

7.Sucedeu, pois, que, acabando o SENHOR de dizer a Jó aquelas palavras, o SENHOR disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.

8.Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu vos não trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó.

9.Então, foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o SENHOR lhes dissera; e o SENHOR aceitou a face de Jó.

10.E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía.

11.Então, vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um, um pendente de ouro

12.E, assim, abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais do que o primeiro; porque teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.

13.Também teve sete filhos e três filhas.

14.E chamou o nome da primeira, Jemima, e o nome da outra, Quezia, e o nome da terceira, Quéren-Hapuque.

15.E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.

16.E, depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.

17.Então, morreu Jó, velho e farto de dias.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do fim da provação e da restauração de Jó. Após mostrar a Sua grandeza a Jó, Deus obtém o objetivo de toda a Sua argumentação: o reconhecimento por Jó da legitimidade da sua provação. A provação de Jó foi cessada num momento em que orava pelos seus amigos. Durante toda provação, ele se manteve íntegro e não lhe foi atribuída impiedade alguma. No sofrimento do justo sempre haverá um propósito divino que nada poderá impedir de ser realizado. O servo de Deus sempre tem um final feliz, se mantiver fiel ao seu Senhor.

I. A HUMILHAÇÃO DE JÓ

1. O Jó humilhado

Deus finalizou as suas baterias de perguntas, mas Jó não foi capaz de respondê-las. O próprio Jó já tinha dito que era incapaz de responder as inquirições de Deus – “Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho na minha boca” (Jó 40:4). Deus não queria apenas que Jó se calasse, mas que reconhecesse que Deus tinha o direito de prová-lo e de que o homem não pode querer contender com Deus quando submetido a uma prova, cujos propósitos sempre são favoráveis e bons para aqueles que O servem.

O patriarca, atônito, caiu em si e verificou que deveria reconhecer a soberania de Deus em termos mais amplos, ou seja, não poderia sequer arvorar-se no direito de querer entender o seu sofrimento. Reconheceu que Deus é soberano, mas, nesse reconhecimento, admitiu que Deus tem Seus planos e que deles não deve prestar contas a pessoa alguma. Deus tem os Seus planos, que se realizam sem que pessoa alguma possa impedi-los. Deus tem os Seus planos e os homens não devem contender quando Ele os pratica, mas tão somente a eles se submeter e confiar que o melhor está acontecendo para o que é alvo do plano divino - "Bem sei eu que tudo podes e que nenhum dos Teus pensamentos pode ser impedido" (Jó 42:2).

Com esta confissão, Jó humilhou-se diante de Deus no patamar desejado, abandonou completamente a "pontinha de auto-suficiência" que poderia ameaçar a sua vida espiritual e cumpriu o propósito divino para sua vida. Deus, então, fez passar o cativeiro de Jó quando este orava pelos seus amigos. Enquanto Jó estava se defendendo e curtindo sua dor, sentiu-se injustiçado; mas, quando viu a majestade de Deus, encontrou o caminho da humildade, do entendimento e a estrada da restauração.

Quando passamos pelo vale da dor, precisamos olhar para a majestade de Deus, e não para a profundidade das nossas feridas. Se olharmos para nós, entraremos em pânico; se olharmos para Deus, sentiremos paz no vale. Se observarmos os ventos contrários e o rugido da tempestade, naufragaremos, mas se fixarmos os olhos em Cristo, caminharemos sobre as ondas revoltas.

O começo da restauração de Jó não passou pelo entendimento de sua dor, mas pela compreensão da soberania de Deus. Foi quando seus olhos se abriram para ver a grandeza de Deus que as coisas passaram a se tornar claras para ele. Não podemos conhecer a nós mesmos sem antes conhecer Deus. Quanto mais focarmos em nós mesmos, mais aflitos ficaremos e mais longe da verdade estaremos. Quanto mais perto de Deus ficarmos, mais entenderemos a nós mesmos e as circunstâncias que nos cercam.

2. Reverência e submissão

Diante da espantosa visão da Criação de Deus, Jó exclamou: “Bem sei eu que tudo podes” (Jó 42:2). Isto demonstra sua atitude de reverência e submissão diante de Deus. Jó reconheceu que Deus está acima dos nossos pensamentos ou dos nossos projetos, e que não podemos querer indagar-lhe ou pedir que preste contas a nós.

O patriarca foi claro ao afirmar que os desígnios divinos não são nossos e não podem ser alvo de nosso interesse. Diante de Deus somos ignorantes, ou seja, pessoas que não têm o conhecimento de Deus, nem o podem ter. Por isso, Jó afirmou que, ao exigir que Deus viesse ao Seu encontro para explicar a situação, para lhe fazer entender o seu sofrimento apesar de sua retidão, "falava do que não entendia" (Jó 42:3).

O verdadeiro servo de Deus age como Jó, ou seja, reconhece que tratar dos desígnios divinos, tratar dos projetos de Deus, tentar perscrutar as razões de Deus estar agindo ou ter agido desta ou daquela maneira é falar do que não se pode entender, é, em última instância, ocupar indevidamente a posição que só cabe ao Senhor.

Como seria interessante que muitos de nós agíssemos com esta mesma consciência que Jó adquiriu e, de preferência, antes que passássemos por um estágio dolorido como o que Jó sofreu. Infelizmente, hoje, bem ao contrário do patriarca, há muitas pessoas que se colocam no lugar de Deus e passam a julgar os outros, a ditar ordens ao Senhor ou até a estabelecer projetos para as suas vidas e para as vidas dos semelhantes, sem sequer perguntar se esta é a vontade de Deus para nossas vidas (ler Tg.4:13,14). Que possamos nos pôr no lugar de servos e que reconheçamos, sempre, que não podemos, de forma alguma, falar do que jamais poderemos entender. 

3. Uma experiência viva com Deus

“Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5).

Jó estava perplexo diante da visão de Deus e de tudo que ouvira dEle. Reconheceu a soberania de Deus e confessou ter falado do que não entendia (Jó 42:3). Por fim, apresentou uma constatação das mais maravilhosas - ainda chaguento e pobre, o patriarca, após pedir ao Senhor que o ensinasse, deu testemunho de que toda aquela prova servira para que ele tivesse um maior entendimento de Deus. Sim, apesar de todo o sofrimento e de toda a prova, o patriarca podia dizer que, antes, apenas ouvia o Senhor, mas que agora O havia visto (Jó 42:5).

Agora que seus próprios olhos viram a Deus, Jó se arrependeu no pó e na cinza (Jó 42:6). Com esta expressão, o patriarca denotou que, até então, toda a sua vida de comunhão com Deus havia sido superficial - um "ouvir dizer" -, mas que, agora, com a experiência da prova, este conhecimento havia se ampliado muitíssimo, a ponto de não se ter apenas um "ouvir dizer", mas uma "visão". Havia ocorrido um aprofundamento no relacionamento entre Jó e Deus. Todavia, em nosso relacionamento com Deus, jamais devemos nos esquecer que Suas riquezas são inescrutáveis, de uma profundidade que jamais poderemos alcançar (cf.Rm.11:33-35).

Esta nova experiência com Deus resultou em humildade, reverência e submissão. Isto nos ensina que em nossa jornada não podemos nos contentar com um conhecimento teórico acerca de Deus, mas devemos experimentá-lo. Quando temos experiências vivas com o Altíssimo, renunciamos aos nossos “achismos” (Jó 42:3), confessamos nossa miséria “no pó e na cinza” (Jó 42:6), rejeitamos o nosso orgulho e rebeldia.

O comportamento de Jó nos traz uma importante reflexão. Se Jó era quem era, o homem mais excelente sobre a Terra no seu tempo, reto, sincero, temente a Deus e que se desviava do mal, tendo o próprio Deus como testemunha de sua fidelidade e, mesmo assim, admitiu ter um conhecimento superficial, de "ouvir dizer" a respeito de Deus, que poderemos falar em relação a nós e o nosso testemunho diante do Senhor? Será que poderemos dizer que conhecemos a Deus como o patriarca Jó conhecia? Será que podemos dizer que nossa intimidade com Deus se assemelha ao do patriarca Jó antes da provação?

Temos muito ainda a aprender, e devemos nos conscientizar de que nossa intimidade com Deus ainda é muito pequena. Se assim nos conscientizarmos dessa realidade, certamente teremos um grande progresso espiritual e seremos muito mais úteis à obra do Senhor e ao aperfeiçoamento dos santos do que temos sido na atualidade, até porque, por causa de nossas presunções de santidade, temos, muitas vezes, sido verdadeiras pedras de tropeço na caminhada de muitos.

II. A INTERCESSÃO DE JÓ

O objetivo divino da prova tinha sido alcançado. Jó crescera espiritualmente e aceitara depender de Deus em todos os aspectos de sua vida, sem qualquer sentimento de auto-suficiência, sem qualquer obstáculo que impedisse a atuação do Senhor em qualquer aspecto da sua vida. Mas Deus tinha algo a realizar, também, na vida dos amigos de Jó, pessoas que, também, tinham um conhecimento insuficiente a respeito de Deus. Vemos aqui que o propósito de Deus é dirigido a todas as pessoas, sem qualquer distinção.

1. A ira de Deus

Após ter se dirigido a Jó com uma série de indagações que Jó não foi capaz de respondê-las, o Senhor voltou-se para Elifaz, o temanita, com as seguintes palavras:

 “A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó” (Jó 42:7).

Este texto mostra que Deus se irou contra os amigos de Jó porque não falaram de Deus o que era reto, como Jó falara. Os argumentos teológicos dos três amigos de Jó partiram de premissas falsas. A teologia deles não condiziam com a vontade de Deus. Eles defenderam Deus de forma enérgica e sincera, mas errada. Eles eram especuladores da fé; eram teóricos; falavam de sua cabeça, e não do coração; falavam do que tinham ouvido, e não de sua experiência; tinham conhecimento a respeito de Deus, mas não tinham intimidade com Deus. Isto mostra que uma teologia errada, certamente, conduz para uma crença igualmente equivocada. Deus mostrou para eles que o sofrimento de Jó não foi uma punição, mas uma provação, provação essa que poderá ocorrer com qualquer servo de Deus ao longo de sua jornada.

Embora a prova fosse de Jó, Deus não distinguiu entre eles e seus amigos, estando interessado em que os amigos de Jó também fossem alcançados pela bênção de Deus. Deus dirigiu-se a Elifaz e determinou a ele e a seus amigos que se arrependessem, que mudassem seus conceitos a respeito do Senhor e que fossem até Jó para que este intercedesse por eles, com um sacrifício em seu favor (Jó 42:8). Era a revelação do testemunho divino a respeito de Jó, testemunho que, de uma vez por todas, encerrava todas as razões e argumentações humanas que haviam sido proferidos por Elifaz, Bildade e Zofar.

E quanto a Eliú? O que ele disse a respeito de Deus era correto ou não? Como vimos, o discurso de Eliú avançou em relação aos dos três outros amigos de Jó, mas não era integralmente correto. Entretanto, como bem ensina a Bíblia de Estudo Plenitude, "…Deus nada diz referente a Eliú. Deus não confirma, não reconhece, não repreende, nem responde a Eliú. Esse dado sublinha o tema do Livro de Jó: Deus é soberano e Seus caminhos são inescrutáveis".

O testemunho que Deus dá de Seus servos faz com que todos os argumentos, todas as razões e todas as obras humanas cessem. Por isso, tenhamos confiança no Senhor e não nos deixemos intimidar pelo que os homens podem estar fazendo a nosso respeito, pois Deus é soberano e, no momento certo, fará prevalecer a Sua vontade, a despeito de todo e qualquer ordem que tenha provido do homem ou de suas instituições.

2. O pecado dos amigos de Jó

“... porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó” (Jó 42:7).

Este texto mostra que a fidelidade de Jó foi provada por Deus; ele continuava íntegro e com seu caráter reto, conforme sua humilhação demonstrou. Portanto, aquilo que Jó dissera estava correto. Isso não significa que tudo quanto Jó dissera era plenamente certo, mas que as respostas de Jó aos seus amigos eram inteiramente justas diante de Deus e que sua atitude lhe agradava.

Se Jó estava correto, então seus amigos estavam errados. Qual foi, então, o pecado dos amigos de Jó? O pecado dos amigos de Jó foi a insistência da apresentação da falsa teologia deísta, da falsa teologia da prosperidade e do sofrimento, evidente nas suas acusações contra o patriarca. Eles cometeram três erros que poderiam levar a destruição da reputação espiritual de Jó, caso este tivesse cedido:

Ø  Ensinaram um princípio retributivo da prosperidade e do sofrimento - que os justos sempre são abençoados e que os ímpios são castigados. Para eles, todo sofrimento deveria ser uma consequência de um juízo divino como resposta a um pecado praticado. Como o livro de Jó demonstra, quando dentro dos propósitos de Deus, o sofrimento é uma manifestação de seu amor e graça e não uma forma de punição (Jó 1:8-12).

Ø  Insistiram que Jó confessasse um pecado que ele não cometera, para livrar-se do sofrimento e receber a bênção divina. Pelo teor do seu conselho, eles tentaram Jó a voltar-se para Deus, visando ao seu proveito pessoal. Se Jó tivesse acatado o conselho deles, teria invalidado a confiança de Deus nele e confirmado a acusação de Satanás de que Jó temia a Deus apenas em troca de bênçãos e vantagens.

Ø  Falaram com arrogância, alegando terem aprovação divina para sua doutrina e teologia falsas.

Nisto os amigos de Jó pecaram e, por isso, precisavam da intercessão de alguém, que fosse justo e reto diante de Deus. Jó era a pessoa qualificada para isso; por isso, Deus o escolheu, e ordenou que os três amigos o procurassem e fizesse um sacrifício em favor deles (Jó 42:8):

“Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós. O meu servo Jó orará por vós; porque dele aceitarei a intercessão, para que eu não vos trate segundo a vossa loucura; porque vós não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó”.

3. A oração de Jó

Conforme Jó 42:8, Deus ordenou que os amigos de Jó fossem até ele para que este orasse por eles. Jó, que outrora foi acusado de pecador pelos seus amigos, agora intercedia por eles por meio da oração. Como bem disse o Pr. Claudionor de Andrade, “mesmo em frangalhos, e mesmo não passando de ruínas, deveria Jó, naquele momento, atuar como sacerdote daqueles que muito o feriram com suas palavras. Que incrível semelhança com o Senhor Jesus Cristo! Nosso Salvador, embora tenha sido retratado pelo profeta como alguém desprovido de parecer e formosura, intercedeu por nós pecadores” (Is.53:2,3,12).

Jó, mesmo em frangalhos, caber-lhe-ia orar por seus amigos, e por seus amigos oferecer os sacrifícios prescritos pelo Senhor. O Senhor aceitou a oração de Jó, e Deus perdoou os seus amigos.

Durante todo o livro, Jó se colocou na defensiva e ergueu sua voz para se defender. Mas Deus agora ordenou a Jó que saísse do campo de defesa para entrar na brecha da intercessão. Quando nos defendemos, o nosso foco está concentrado em nós mesmos. Quando oramos, nosso foco está na pessoa que é alvo da nossa oração. É impossível orar por alguém e continuar magoado com essa pessoa. E impossível odiar alguém e interceder por essa pessoa ao mesmo tempo. Jesus Cristo foi enfático, quando ensinou: “Quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que também o vosso Pai que está no céu vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11.25

A determinação divina para que os amigos de Jó efetuassem um sacrifício para remissão dos pecados cometidos em seus debates com o patriarca, traz-nos importantíssimas lições. Em primeiro lugar, mostra-nos que não só nossas ações, mas também nossas palavras são levadas em conta diante de Deus. Quantos de nós são descuidados com o que falam e quantos acabam falando algo de suas cabeças como se fossem palavras vindas da parte do Senhor. Tais palavras estão todas colocadas diante de Deus e o Senhor requererá de seus pronunciadores uma atitude de arrependimento sem o que poderão até perder a salvação. Esta é uma grande responsabilidade que muitos não têm consciência, mas que o referido texto bíblico revela-nos de forma insofismável, de modo claro e evidente.

Os amigos de Jó, por terem falado o que não convinha, eram culpados, haviam pecado e precisavam de imediata expiação. Como, então, os faladores da atualidade podem achar que suas palavras não são levadas em conta pelo Reto e Supremo Juiz? Tenhamos muito cuidado com o que falamos, pois tudo está sendo anotado perante o Senhor (cf.Mt.12:36).

III. A RESTAURAÇÃO DE JÓ

Quando Satanás investiu contra Jó, atacou cinco áreas fundamentais da sua vida:

-Primeiro, a área financeira. Satanás levou Jó à falência. Arrancou tudo o que ele tinha num único dia. Pessoas e circunstâncias fizeram da riqueza colossal de Jó apenas uma neblina que se dissipou.

-Segundo, a área dos filhos. Satanás provocou um acidente grave, envolvendo todos os filhos de Jó no mesmo dia da sua falência financeira, provocando a morte de todos eles no mesmo instante. Jó precisou sepultar todos os seus dez filhos no mesmo dia.

-Terceiro, a área da saúde. Jó, depois de perder seus bens e filhos, perdeu também sua saúde. Foi acometido por tumores malignos que brotaram no seu corpo desde a planta do pé ao alto da cabeça. Seu corpo ficou chagado; sua pele, necrosada. Jó ficou todo enrugado. Seu vigor tornou-se sequidão de estio.

-Quarto, a área do casamento. Jó, depois de perder os bens, os filhos e a saúde, perdeu, ainda, o apoio de sua mulher. Esta, revoltada contra Deus, sugeriu ao marido a rebelar-se contra Deus e cometer suicídio.

-Quinto, a área das amizades. Jó, tendo perdido todas as conexões dentro de sua casa, agora é atacado violentamente pelos próprios amigos, que se tornaram um peso para ele, e não um bálsamo. Recebeu dos amigos as mais duras críticas, as mais injustas acusações, as setas mais venenosas.

Mas, no fim da prova, Deus restaurou tudo que Jó tinha perdido. A sua restauração começou quando ele ainda estava enfermo:

·     Primeiramente, iniciou-se no interior da sua alma, quando ele reconheceu que nada é diante do Senhor (Jó 42:6). Os olhos de sua alma foram abertos para compreender a majestade de Deus e a sua fraqueza.

·     Depois, parte para uma demonstração exterior, mas ainda espiritual, através da ministração do sacrifício em favor de seus amigos (Jó 42:9).

·     A seguir, Jó, cremos nós, enquanto orava pelos seus amigos, foi instantaneamente curado de sua chaga, uma evidência exterior de que cessara seu sofrimento (Jó 42:10) -“Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra”.

·     Em seguida, Jó é visitado pelos seus familiares, o que significa a reabilitação social do patriarca, com a criação de um fundo patrimonial, base para o início da nova opulência de Jó (Jó 42:11).

·     E, ao longo dos anos, Deus reconstruiu a família de Jó, que, com sua mulher que nunca lhe abandonou, teve outros dez filhos. Do interior para o exterior - assim atua o Senhor na vida das pessoas.

Veja, a seguir, com mais detalhe, as cinco áreas atingidas na vida de Jó e que Deus as restaurou (adaptado do livro “As teses de Satanás, de Hernandes Dias Lopes”):

1. Deus restaurou a saúde de Jó

“Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos...”.

A cura física de Jó, creio eu, aconteceu quando ele deixou de se queixar, deixou de se defender e começou a orar pelos seus amigos. Enquanto se queixava, enquanto bradava inocência, enquanto discutia com seus amigos, enquanto reconhecia sua condição vil diante de Deus, Jó continuava chaguento e desprezado. Mas, no momento em que orou pelos seus amigos, no instante mesmo em que deixou de se ver a si próprio e passou a amar o próximo, foi mudado o seu cativeiro e, cremos nós, durante aquela oração, suas chagas desapareceram milagrosamente, tendo sido restituída a sua saúde, numa demonstração inequívoca da aceitação divina e numa prova indelével de que a provação havia cessado. Isto nos leva à própria suma que Jesus fez da lei, quando afirmou que ela se resumia a dois mandamentos: “amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo”.

Jó, ao orar pelos seus amigos, demonstrou amor integral e completo ao semelhante, não apenas um amor solidário ou filantrópico, mas um amor espiritual, uma compaixão pela alma de seus amigos. Às vezes, o que nos impede de termos o fim de tantas lutas e tantos sofrimentos é a ausência de compaixão pelas pessoas que nos cercam, é a ausência da plenitude do amor de Cristo em nossas vidas.

2. Deus restaurou os bens de Jó

Está escrito: ... [o SENHOR] lhe deu o dobro do que possuía antes (Jó 42:10). Observemos bem que a restauração de Jó se deu de forma paulatina e com a colaboração inestimável do patriarca.

Quando Jó foi visitado pelos seus parentes, eles trouxeram presentes ao patriarca, que serviu de fundo inicial para a reconstrução da riqueza. O texto bíblico diz-nos que o patriarca recebeu uma peça de dinheiro e um pendente de ouro (Jó 42:11) e que, por bênção de Deus, teve o dobro de tudo quanto dantes possuía (Jó 42:12). Como tornou uma peça de dinheiro e um pendente de ouro recebido de cada parente que o visitou em catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas? A resposta é uma só: com trabalho. Jó soube aproveitar a bênção que recebeu e fazer com que aquele fundo patrimonial lhe rendesse.

A prosperidade material, quando desejada por Deus a um servo Seu, não vem senão dentro dos princípios éticos estabelecidos pelo Criador a este mundo, ou seja, mediante o trabalho, algo bem diverso da mágica preconizada pelos teólogos da prosperidade.

-O que Jó possuíra? Está registrado: “Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Tinha também muitos servos que trabalhavam para ele, de modo que era o homem mais rico de todos do oriente” (Jó 1:3).

-O que Jó passou a possuir? A Bíblia responde: “Assim, o SENHOR abençoou o último estado de Jó mais do que o primeiro; pois Jó chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas (Jó 42:12).

Se Jó era o homem mais rico de sua época, passou a ser duplamente rico. Vale destacar que a riqueza de Jó é uma expressão clara da bondade de Deus; é fruto da bênção do Altíssimo. É Deus quem adestra as nossas mãos para adquirirmos riquezas. Riquezas e glórias vêm de Deus.

A Bíblia diz que a alma generosa prosperará.

3. Deus restaurou o casamento de Jó

Muitos casamentos não suportam o teste da pobreza; outros não se mantêm no glamour da riqueza. Quando Jó estava no fundo do poço, sua mulher ordenou-lhe a abrir mão de seus absolutos, amaldiçoar a Deus e morrer. Ela disse a Jó: “... Tu ainda te manténs íntegro? Amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2:9). Ela não suportou a sucessão de tantas perdas. Decepcionada com Deus, estava disposta a virar a mesa e abandonar todos os valores e princípios que haviam regido até então sua vida. Isto mostra que sua fidelidade a Deus era condicional - mantinha sua devoção apenas nos dias áureos; sua fé era circunstancial e sua ética, situacional. Mesmo mergulhado num caudal de sofrimento e dor, Jó respondeu à sua mulher com firmeza inexorável: “Tu falas como uma louca. Por acaso receberemos de Deus apenas o bem e não também a desgraça?” (Jó 2:10).

Imagine Jó agora curado, cheio de vida, rico, cercado de parentes e amigos!

Imagine o comentário percorrendo todo o Oriente, acerca da mudança radical ocorrida em sua vida! Imagine esse homem, outrora surrado pela adversidade, agora novamente no topo do sucesso!

Imagine esse homem voltando a fita do tempo e lembrando-se de sua mulher querendo empurrá-lo para o abismo, sugerindo a ele pisotear seus valores, abandonar sua fé e lançar-se nos braços da morte! Se fosse hoje, talvez esse homem dissesse: "Mulher, quando eu estava na pior, você queria que eu morresse. Agora, estou com vigor e dinheiro no bolso; como você não me queria na pobreza, também não quero mais você na abundância". Claro, não foi isso o que aconteceu. O mesmo Deus que curou o corpo de Jó, curou também sua alma. O mesmo Deus que sarou as feridas de seu corpo, também lancetou os abcessos de seu coração. Jó certamente perdoou sua esposa. Aquele relacionamento estremecido foi restaurado. Aquele sentimento seco como uma palha jogada ao vento foi remoçado. Deus traz um novo alento ao coração deles, e o casamento se ergue das cinzas. Agora, surgem e florescem novos sonhos, novos alvos, novos filhos.

4. Deus restaurou os filhos de Jó

Não somente o casamento de Jó foi restaurado, mas também seus filhos; ele teve outros dez filhos, sete filhos e três filhas, ou seja, uma prole semelhante àquela que havia perdido (Jó 42:13). Com esta restauração, que, muito provavelmente envolveu até um milagre para que a mulher de Jó pudesse voltar a ter filhos, o Senhor quis mostrar, para todos os Seus servos de todos os tempos, que o adversário não tem poder para destruir a família enquanto instituição divina.

A Bíblia diz que as filhas de Jó se destacavam pela sua formosura. Os nomes das três filhas são mencionados: Jemima, Quezia e Quéren-Hapuque. Elas são descritas como as mulheres mais formosas do mundo (Jó 42:14,15. E Jó, na contramão da cultura vigente, lhes deu herança entre seus irmãos (Jó 42:14,15), numa evidência maior de que Jó estava, agora, totalmente submisso à vontade de Deus, agindo de acordo com outro princípio divino, que é o da igualdade entre homem e mulher (Gn.1:27,2:23), princípio que foi deturpado com o pecado (Gn.3:16). Não apenas Jó teve o privilégio de ter novos filhos, mas teve a ventura de ver os filhos de seus filhos, até a quarta geração (Jó 42:16).

5. Deus restaurou os amigos de Jó

A ira de Deus se acendeu contra os amigos de Jó, mas Deus ordenou-lhes que fossem até ele para que orasse por eles. Jó intercedeu por eles, e Deus aceitou sua oração, restaurando a vida de seus amigos (Jó 42:7-9). A restauração dos relacionamentos não veio como resultado dos argumentos e contra-argumentos, mas por meio da intercessão. Enquanto ambas as partes se entregaram ao arrazoamento, as feridas só foram abertas e os muros só se tornaram mais altos. No momento, porém, em que Jó se colocou na brecha da intercessão, e que Deus interveio, a amizade foi restaurada e o relacionamento de seus amigos com Deus foi restabelecida.

6. Deus deu a Jó uma vida abundante

Jó não somente foi restaurado em sua saúde, também ganhou um novo vigor, a ponto de ter vivido mais cento e quarenta anos depois do final de sua prova, tendo, inclusive, visto até a quarta geração; uma longevidade que é o dobro do normalmente existente naquela época (cf.Sl.90:10) e maior até do que a dos homens da fase final do período antediluviano (Gn.6:3). Tudo indica que Jó, após a prova, adquiriu uma nova vitalidade celular, uma nova configuração genética que lhe permitiu toda esta longevidade.

No entanto, o que é importante observar é que Jó não teve uma vida longa, mas uma vida de qualidade. A Bíblia fala-nos que Jó morreu, velho e farto de dias (Jó 42:17), ou seja, uma vida abundante, uma vida de qualidade, uma vida que valeu a pena ser vivida. Muitos pensam, atualmente, em uma vida de muita prosperidade quantitativa, mas não se preocupam em ter uma vida de qualidade. Deus, pelo contrário, quer nos dar uma vida feliz, uma vida que valha a pena ser vivida.

Enfim, tudo quanto Satanás intentou contrário, Deus reverteu. Satanás queria macular o caráter de Deus e afastar Jó de Deus; o que ele conseguiu foi apenas colocar Jó mais perto de Deus e deixar mais patente a majestade divina.

CONCLUSÃO

Chegamos ao final de mais um trimestre letivo. Estudamos sobre o sofrimento e a restauração de Jó. Aprendemos que, mesmo que Satanás se lance contra nós, Deus reverterá isso em bênção. Mesmo que ele queira nos destruir, sairemos dessa batalha mais crentes, mais fortes, mais perto de Deus. Creia nisso!

Satanás pode até lançar sobre nós seus dardos inflamados, porém, Deus nos cobrirá com suas asas. Satanás pode até nos atacar com sua fúria indômita, mas os planos de Deus para nós, estabelecidos na eternidade, jamais poderão ser frustrados. A soberania de Deus não pode ser abalada pelo ataque de Satanás, nem nossa segurança em Deus pode ser estremecida por esse ataque. Nada nem ninguém, nem agora nem no porvir, pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Estamos firmados e seguros nEle, e isso nos basta!

Deus restaurou a sorte de Jó, mas não lhe explicou por que estava ele estava sofrendo. É claro que nem sempre Deus nos explica os motivos do nosso sofrimento. Mas, quando não pudermos entender o que Deus está fazendo com a nossa vida, podemos entender Deus. Ele é soberano e está no controle do Universo. Até o nosso sofrimento mais atroz está debaixo do seu controle. Quando Albert Einstein veio à América, depois de seu sucesso com a teoria da relatividade, um repórter perguntou à esposa dele: "A senhora compreende a complexa teoria da relatividade pela qual seu marido é tão famoso no mundo?". Ela respondeu: "Não, eu não compreendo a complexa teoria da relatividade pela qual meu marido é tão famoso no mundo, mas compreendo o meu marido". Nós não podemos compreender o que Deus está fazendo, mas podemos compreender Deus. Ele é Todo-Poderoso e, também, é nosso Pai.