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O BATISMO: A PRIMEIRA ORDENANÇA DA IGREJA


 Texto Base: Romanos 6:1-11
“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt.28:19).

Romanos 6:

1.Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?

2.De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

3.Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?

4.De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

5.Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressureição;

6.sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, afim de que não sirvamos mais ao pecado.

7.Porque aquele que está morto está justificado do pecado.

8.Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;

9.sabendo que, havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele.

10.Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

11.Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.

INTRODUÇÃO

Nesta Lição trataremos da Primeira Ordenança dada por Cristo à Igreja: o Batismo. Como primeira ordenança da Igreja, é um dos pilares fundamentais da fé cristã, uma prática que remonta aos tempos de João Batista e foi vivenciada por Jesus Cristo e seus discípulos. Ao longo da história da Igreja Primitiva, o Batismo se estabeleceu como uma prática de profunda importância espiritual e simbólica para os seguidores de Cristo.

Esta Lição se propõe a explorar as origens, significados e práticas associadas ao Batismo, mergulhando na sua relevância teológica, ritualística e simbólica. Ao entendermos a base bíblica e histórica por trás dessa prática sagrada, podemos compreender melhor seu papel na vida dos crentes e na identidade da Igreja.

Embora seja uma prática de grande importância para a Igreja de Cristo, ao longo da história cristã, a prática do Batismo experimentou interpretações diversas e até desvios em relação ao seu propósito original. É crucial retornar à fonte primária, a Bíblia, para compreendermos o propósito genuíno para o qual essa prática foi instituída. Ouvir as Escrituras é fundamental para discernir o verdadeiro significado e a intenção por trás do Batismo. A Bíblia não apenas relata os eventos do Batismo praticado por João Batista, Jesus e os apóstolos, mas também fornece ensinamentos claros sobre sua importância espiritual e significado simbólico. Ela é a base para discernir o propósito original e os princípios subjacentes a essa ordenança.

Nesta Lição, buscar-se-á uma compreensão cuidadosa e abrangente das passagens bíblicas pertinentes, a fim de estabelecer uma visão sólida e fundamentada sobre o propósito correto do Batismo. Assim, poderemos discernir e distinguir entre práticas e interpretações que se alinham com as Escrituras daquelas que se desviam do seu verdadeiro propósito.

Ao permitir que a Bíblia seja a autoridade suprema na discussão sobre o Batismo, aspiramos aprofundar nosso conhecimento e compreensão desse símbolo sagrado, garantindo que a prática esteja alinhada com os ensinamentos originais e intenções de Jesus Cristo e dos apóstolos.

Dessa forma, esta Lição se propõe a aprofundar-se na riqueza espiritual e simbólica desta primeira ordenança da Igreja, buscando não apenas compreender sua importância histórica, mas também explorar sua relevância contínua para a vida e a prática da Igreja do Senhor Jesus.

I. PRESSUPOSTOS BÍBLICO-DOUTRINÁRIOS DO BATISMO

1. O Batismo visto como sacramento: a origem de um erro

A palavra "sacramento", derivada do latim sacramentum, refere-se a um sinal sagrado que, de acordo com essa perspectiva, é capaz de conferir graça divina àqueles que participam dele. A tradição católica e alguns segmentos do protestantismo histórico têm uma visão sacramental do Batismo.

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.), um dos pais da igreja do século IV e V, foi uma figura influente na teologia cristã e suas ideias tiveram impacto considerável na doutrina católica. Este teólogo entendia o Batismo como um sacramento eficaz na transmissão da graça divina, mesmo que a fé da pessoa batizada fosse insuficiente ou inexistente. Essa visão sacramental, advogada por Agostinho e posteriormente adotada pela tradição católica, sugere que o Batismo é um meio pelo qual a graça de Deus é conferida e que essa graça é operante independentemente da fé pessoal daquele que é batizado. Isso implica que o Batismo é necessário para a regeneração espiritual e a remissão dos pecados, sendo um elemento essencial para a salvação.

No entanto, é importante ressaltar que as interpretações teológicas e doutrinárias variam entre as diferentes tradições cristãs. Enquanto algumas vertentes valorizam o Batismo como um sacramento que confere graça independentemente da fé, outras, como muitos segmentos do protestantismo histórico e das igrejas cristãs evangélicas, enfatizam que a salvação é pela graça mediante a fé em Jesus Cristo (Ef.2:8), não sendo o Batismo um requisito para essa salvação.

2. O Batismo não é sacramento, mas ordenança de Cristo

O ensino bíblico concernente ao Batismo é que ele é uma ordenança e não um sacramento - “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt.28:19). Esta ordenança dada por Cristo é vista como um ato de obediência e identificação pública do crente com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus.

Seguindo essa interpretação, o Batismo é considerado uma expressão externa de uma realidade espiritual já existente na vida da pessoa que se converteu a Cristo pela fé. Ou seja, não é o ato do Batismo em si que confere a graça salvífica, mas é um testemunho público da transformação interior que já ocorreu na vida do crente mediante a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Nessa perspectiva, o Batismo não é visto como um meio de obtenção da graça salvadora, mas como uma resposta de obediência à ordem de Cristo para aqueles que já experimentaram a graça de Deus por meio da fé. É um símbolo externo que representa uma realidade espiritual interna e uma identificação com a comunidade dos seguidores de Cristo.

Essa interpretação ressalta que a salvação é pela graça mediante a fé, conforme mencionado em passagens como Efésios 2:8,9, onde se afirma que a salvação é um dom gratuito de Deus, não proveniente de obras, para que ninguém se glorie. Para as Assembleias de Deus e muitas outras igrejas evangélicas, o Batismo é considerado uma ordenança ou um mandamento simbólico, mas não um sacramento que confere automaticamente a graça divina. A ênfase está na compreensão de que a salvação é pela graça mediante a fé em Jesus Cristo, conforme descrito nestes textos. Nessa perspectiva, o Batismo é uma demonstração pública da fé interior já existente no coração do crente. Ele representa a identificação do indivíduo com a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, simbolizando a transformação espiritual e o compromisso com uma nova vida em Cristo (2Co.5:17).

Portanto, para as Assembleias de Deus no Brasil e muitas outras denominações cristãs evangélicas, o Batismo é visto como uma prática obediente e simbólica realizada por aqueles que já receberam a salvação pela fé em Jesus Cristo, e não como um meio necessário para alcançar a graça salvadora de Deus. É uma expressão pública e significativa da fé e compromisso pessoal com Cristo, mas não um requisito para a salvação.

3. O Batismo deve ser administrado aos adultos

A discussão sobre o Batismo de crianças versus o Batismo de adultos tem sido um tema debatido dentro do cristianismo ao longo dos séculos. A questão está intrinsecamente ligada a interpretações teológicas e práticas eclesiásticas.

Agostinho de Hipona foi um dos proponentes da ideia de batizar bebês como forma de limpar o pecado original e garantir a salvação. Essa visão é conhecida como batismo infantil ou pedobatismo, e é praticada por várias tradições que se dizem cristãs, especialmente na tradição católica e em algumas denominações protestantes tradicionais.

No entanto, há correntes teológicas, como os adeptos do batismo de crentes adultos, que argumentam que o Batismo deve ser administrado somente a indivíduos que têm a capacidade de fazer uma decisão consciente e pessoal de seguir a Cristo. Eles se baseiam em passagens bíblicas que destacam a importância da fé e do arrependimento para receber o Batismo, como o texto de Marcos 16:16. Logo, não há vestígios no Novo Testamento de crianças sendo batizadas, pois nosso Senhor disse que o Batismo deveria ser administrado a quem cresse. Uma criança, que ainda não chegou à idade da razão não tem maturidade para crer e fazer escolhas.

A doutrina das Assembleias de Deus, assim como várias outras denominações evangélicas, adota a prática do batismo de crentes adultos, onde o Batismo é administrado somente a indivíduos que fizeram uma profissão de fé pessoal em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. É uma ordenança de obediência para aqueles que já alcançaram a salvação pela fé em Jesus Cristo.

Dentro da visão das Assembleias de Deus e de outras denominações evangélicas que seguem a prática do batismo de crentes adultos, o Batismo é considerado um ato simbólico que representa a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida em Cristo. Ele é realizado após uma decisão consciente e voluntária de seguir a Cristo e representa uma identificação pública com a comunidade cristã e a fé em Jesus como Salvador pessoal.

A ausência de referências específicas ao Batismo de crianças no Novo Testamento e a ênfase nas Escrituras sobre a importância da fé e da conversão pessoal têm influenciado a posição das Assembleias de Deus e de outras denominações em relação ao Batismo. Elas enfatizam a necessidade de maturidade espiritual e entendimento pessoal antes de receber o Batismo, algo que, segundo essa perspectiva, as crianças pequenas ainda não têm.

Assim, a prática do batismo de crentes adultos é uma característica fundamental da doutrina das Assembleias de Deus e de várias denominações evangélicas, baseada na compreensão bíblica da natureza do Batismo como uma ordenança para os crentes convertidos que professam sua fé em Cristo.

II. O SÍMBOLO E O PROPÓSITO DO BATISMO

1. Símbolo do Batismo: Identificação com Cristo

O Batismo por imersão, como descrito pelo apóstolo Paulo em Romanos 6:3-5 e também mencionado em Colossenses 2:12, é considerado um dos símbolos mais profundos e significativos na vida do cristão, representando a identificação íntima e espiritual do crente com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Esses textos enfatizam a importância espiritual e simbólica do Batismo por imersão como um testemunho público da fé e identificação do crente com a obra redentora de Cristo. É mais do que um ritual; é uma demonstração externa de uma realidade interior, uma decisão consciente de seguir a Cristo e ser transformado por Ele.

A imersão no Batismo é vista como um símbolo visual poderoso. Quando o crente é mergulhado na água, simboliza sua união com a morte de Cristo, onde a antiga natureza pecaminosa é representada como morta e sepultada. O ato de ser imerso na água representa um enterro simbólico da vida anterior, uma morte para o pecado e uma separação da velha natureza. Essa morte simbólica está alinhada com a morte de Cristo na cruz, onde Ele morreu pelos pecados da humanidade. O momento em que o crente emerge da água simboliza a ressurreição para uma nova vida em Cristo. Assim como Cristo ressuscitou dos mortos, o batizado emerge da água para uma nova vida espiritual, uma vida transformada e redimida, agora vivendo em comunhão com Cristo.

Portanto, o Batismo por imersão é considerado um dos marcos fundamentais na jornada espiritual do crente, representando a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida em Cristo, conforme ensinado e exemplificado pelo próprio Jesus e reafirmado nas epístolas do Novo Testamento.

2. O Propósito do Batismo: Testemunho público da fé cristã

O Batismo, conforme descrito no contexto da fé bíblica, é uma profissão pública de fé. É um ato de testemunho visível diante de outros crentes e do mundo em geral, representando a decisão consciente e pessoal de seguir a Cristo e se identificar com Ele.

Vamos explorar alguns pontos fundamentais sobre o propósito e significado do Batismo como um testemunho público da fé cristã:

a)   Profissão de Fé Pública (Atos 2:41). O ato de ser batizado é uma declaração pública da fé pessoal em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Ao ser batizado, o crente está testemunhando sua aceitação do evangelho e sua identificação com Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição.

b)   Símbolo de Identificação com Cristo. O Batismo simboliza a união do crente com a morte e ressurreição de Jesus. É uma representação visível de morrer para a velha vida de pecado e ressurgir para uma nova vida em Cristo.

c)   Conscientização e Convicção. Antes de serem batizadas, as pessoas devem estar conscientes e convictas da fé que abraçaram. Isso implica um entendimento da mensagem do evangelho, um compromisso pessoal com Cristo e uma vontade de seguir Seus ensinamentos.

d)   Não há Neutralidade (Cl.2:6). O Batismo não é um ato neutro; é uma declaração pública de alinhamento com Cristo. Aqueles que buscam o Batismo devem estar comprometidos com a fé cristã e prontos para viver de acordo com os princípios e ensinamentos de Jesus.

e)   Para os Salvos e Convertidos (Atos 8:12; 16:14,15). Na prática bíblica, o Batismo é reservado para aqueles que já experimentaram a salvação pela fé em Cristo. É observado após a conversão e não como um meio de obtenção da salvação, mas como uma resposta de obediência à ordenança de Cristo.

Em suma, o Batismo é muito mais do que um ritual; é um testemunho público da fé e um passo inicial na jornada do discipulado cristão. Ele representa a transformação interior que ocorreu na vida do crente e sua disposição em seguir a Cristo de forma pública e visível.

3. Não há espaço para indecisão

Algumas pessoas indecisas podem relutar em receber o Batismo por várias razões. Isso pode ser resultado de uma compreensão equivocada do Batismo ou de uma falta de convicção de fé.

ü  Ignorância ou mal-entendido sobre o Batismo. Alguns crentes podem relutar em receber o Batismo devido a uma falta de compreensão sobre o seu significado e propósito. Muitos entendem que após ser batizado não pode mais cometer qualquer tipo de falha. Embora a Bíblia mostre que o crente deve evitar o pecado (1João 2:1), contudo, o Batismo não pode ser visto como uma vacina que imuniza o cristão contra o pecado. É fundamental ensinar e esclarecer o propósito bíblico do Batismo como um símbolo de identificação com Cristo, não como uma vacina contra o pecado, mas como um passo de obediência e testemunho público de fé.

ü  Falta de Convicção de Fé ou falta de Conversão. Em outros casos, as pessoas podem relutar em ser batizadas porque ainda não têm uma fé genuína em Cristo ou não estão dispostas a abandonar o estilo de vida pecaminoso. Essas pessoas podem estar cientes das implicações do Batismo, mas ainda não estão verdadeiramente convertidas ou não estão dispostas a renunciar aos padrões do mundo em favor de uma vida centrada em Cristo.

O Batismo, conforme ensinado nas Escrituras, não é um mecanismo para eliminar ou prevenir o pecado. Ele é um símbolo de uma transformação espiritual interna e um compromisso público com Jesus Cristo. A vida cristã e a vitória sobre o pecado vêm através do poder do Espírito Santo e de uma caminhada diária em obediência a Deus, conforme mencionado em Gálatas 5:16.

Em resumo, a relutância em ser batizado pode ser resultado de mal-entendidos sobre o Batismo ou de uma falta de compromisso genuíno com Cristo. É importante que os crentes recebam ensino adequado sobre o significado bíblico do Batismo e entendam que a verdadeira transformação e vitória sobre o pecado vêm por meio da fé em Cristo e da orientação do Espírito Santo em suas vidas.

III. A FÓRMULA E O MÉTODO DO BATISMO

1. Fórmula trinitária do Batismo

O Batismo cristão, conforme instruído por Jesus Cristo na passagem da Grande Comissão registrada em Mateus 28:19, é considerado uma ordenança fundamental na prática da fé cristã. Jesus orientou seus discípulos: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Esta fórmula trinitária mencionada por Jesus enfatiza a importância da Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - na vida do crente e na administração do batismo.

A expressão "em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" revela a compreensão cristã da divindade como uma realidade triúna, ou seja, um único Deus subsistindo em três pessoas coiguais e coeternas: o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo. Essa formulação trinitária é central na fé cristã e destaca a natureza complexa, porém indivisível, de Deus. A invocação do nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo no batismo é vista como uma afirmação da fé cristã na Trindade, reconhecendo a ação conjunta das três pessoas divinas na vida do crente. Essa prática representa a entrada do indivíduo na comunidade cristã, tornando-se parte do Corpo de Cristo, a Igreja.

Além disso, a fórmula trinitária do batismo não é apenas uma formalidade ritualística; ela tem profundo significado teológico e espiritual para os cristãos. Através dela, os fiéis são convidados a viverem uma vida de comunhão com o Deus triúno, buscando seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e sendo capacitados pelo Espírito Santo para testemunhar e viver de acordo com os princípios do Evangelho.

Em resumo, a fórmula trinitária do batismo, conforme orientada por Jesus na Grande Comissão, representa a crença fundamental na natureza triúna de Deus e é um símbolo poderoso da fé cristã, marcando a entrada do indivíduo na Igreja e seu compromisso com a fidelidade e lealdade a Cristo Jesus.

2. Fórmula herética do Batismo

Dentro da tradição cristã, existem diferentes interpretações e práticas em relação ao batismo e à fórmula usada para esta prática. O unicismo, ou modalismo, é uma doutrina que difere da visão trinitária clássica, negando a existência de três pessoas distintas na Divindade. Em vez disso, considera que Deus se manifesta em três modos ou manifestações diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo são entendidos como aspectos ou formas de uma única pessoa divina.

Os adeptos do unicismo geralmente defendem o batismo em nome de Jesus Cristo, citando passagens do livro de Atos, como Atos 2:38 e Atos 19:5, para apoiar sua prática. Em ambas as passagens, há menção ao batismo em nome de Jesus, o que é interpretado por esses grupos como um mandato para batizar exclusivamente nesse nome. No entanto, é importante observar que esses versículos não negam a fórmula trinitária do batismo ou a doutrina da Trindade. O uso do nome de Jesus no batismo nestes versículos pode ser entendido dentro do contexto da autoridade e ensinamentos de Jesus, sem necessariamente excluir a compreensão trinitária. A interpretação desses textos deve considerar o contexto cultural, histórico e teológico em que foram escritos. O livro de Atos descreve eventos específicos na história da Igreja primitiva, e o uso do nome de Jesus no batismo pode ser entendido como uma ênfase na autoridade e no senhorio de Jesus Cristo.

3. Imersão: o método bíblico do Batismo

O contexto do Novo Testamento mostra claramente que o Batismo nos dias bíblicos era por imersão. A palavra grega "baptizo", mencionada nos textos bíblicos sobre o batismo possui uma raiz que se relaciona com a ideia de imergir, mergulhar ou submergir. Isso é frequentemente usado para apoiar a ideia de que o batismo praticado nos tempos bíblicos era, de fato, por imersão. Vários textos bíblicos mostram a prática bíblica do Batismo por imersão: o povo saía para ser batizado por João no (dentro de) rio Jordão (Mc.1:5); da mesma forma, quando foi batizado, Jesus “saiu da água” (Mc.1:10); João batizava onde havia muita água (João 3:23).

Entretanto, diferentes denominações cristãs adotaram práticas distintas em relação ao batismo. Algumas denominações insistem na imersão completa como o método correto e essencial, enquanto outras aceitam a aspersão como uma prática válida. Essa divergência muitas vezes reflete interpretações teológicas, tradições denominacionais e compreensões específicas sobre os textos bíblicos.

A Assembleia de Deus, assim como algumas outras denominações cristãs, pratica o batismo por imersão. A base para essa prática é justamente a interpretação dos textos bíblicos que mencionam o batismo, como os exemplos que descrevem João batizando no rio Jordão e Jesus saindo da água após ser batizado.

A Assembleia de Deus, assim como muitas outras denominações evangélicas, segue essa interpretação específica dos textos bíblicos e considera que a imersão na água é a forma correta e simbolicamente significativa do batismo, em consonância com a prática observada no Novo Testamento. Para eles, o ato de imergir a pessoa na água e trazê-la novamente à superfície simboliza a morte para o pecado e a ressurreição para uma nova vida em Cristo, refletindo a própria morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Esta interpretação dos textos bíblicos e a prática subsequente do batismo por imersão são elementos centrais da teologia e prática da Assembleia de Deus e de várias outras igrejas que compartilham essa visão. É uma expressão importante de sua fé e compreensão das Escrituras Sagradas.

CONCLUSÃO

Embora não seja considerado como um meio de salvação em si mesmo, o batismo é uma ordenança importante estabelecida por Jesus Cristo para os crentes. Ao ser batizado, a pessoa está simbolicamente identificando-se com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. É um ato público de profissão de fé, onde o indivíduo demonstra sua decisão de seguir a Cristo e de se tornar parte da Igreja Local. O batismo também é visto como um passo de obediência ao mandamento de Jesus aos seus discípulos, registrado no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 19 e 20, conhecido como a Grande Comissão, onde Ele instruiu seus seguidores a batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Portanto, embora não seja o meio de alcançar a salvação, o batismo é uma prática importante e significativa para os crentes, pois representa um compromisso público com a fé cristã, simboliza a identificação com Cristo e serve como um ato de obediência aos ensinamentos de Jesus. É uma maneira de testemunhar e celebrar a fé cristã na Igreja de Jesus Cristo.

A DISCIPLINA NA IGREJA


 Texto Base: Hebreus 12:5-13
“E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido (Hb.12:5).

Hebreus 12:

5.E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido;

6.porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.

7.Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem opai não corrija?

8.Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos.

9.Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?

10.Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade.

11.E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.

12.Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados,

13.e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado.

INTRODUÇÃO

Nesta lição, trataremos da disciplina na Igreja Local. Embora seja muito necessária, a prática da disciplina na Igreja Cristã vem sendo esquecida e negligenciada por muitos. A disciplina na Igreja é uma questão de vital importância para aqueles que buscam viver em conformidade com os princípios estabelecidos pela fé cristã.

A santidade de Deus é o alicerce sobre o qual a prática da disciplina se fundamenta, pois reflete o chamado à santificação que é direcionado aos servos de Deus. A essência da disciplina eclesiástica não se resume apenas à correção de comportamentos inadequados, mas também à preservação da integridade moral, ao afastamento do pecado e à manutenção de um testemunho autêntico e coerente com os valores do Evangelho.

A importância da disciplina na Igreja Local é indiscutível, porém, ao longo do tempo, tem sido notado um declínio em sua aplicação e compreensão em muitas igrejas locais. A negligência em exercer a disciplina eclesiástica resulta em uma perda gradual da identidade da Igreja, transformando-a de uma comunidade espiritual em um mero agrupamento social. Esse descuido acarreta consequências significativas, gerando igrejas enfraquecidas, carentes de vitalidade espiritual e destituídas de um testemunho coerente com os princípios cristãos.

É fundamental, portanto, abordar a disciplina cristã não apenas como um método corretivo, mas também como um processo formativo essencial para o desenvolvimento do caráter dos membros da Igreja. Esta abordagem compreende tanto a correção de comportamentos desalinhados com os princípios cristãos quanto o cultivo de uma formação espiritual que fortaleça e molde o caráter segundo os ensinamentos de Cristo.

Esta Lição se propõe a explorar a disciplina cristã em suas modalidades corretiva e formativa, visando revitalizar sua prática e compreensão no contexto da vida da Igreja contemporânea.

I. A NECESSIDADE DA DISCIPLINA BÍBLICA

1. Deus é santo

A necessidade da disciplina na vida da Igreja se fundamenta na santidade intrínseca de Deus, um dos atributos divinos amplamente proclamados nas Escrituras. A própria natureza santa de Deus é a causa primordial que justifica a importância da disciplina eclesiástica: "Sede santos, porque eu sou santo" (Lv.11:45). A santidade é inerente à essência de Deus e demanda reconhecimento e reverência por parte de seus servos. Na própria oração que Jesus ensinou, o reconhecimento da santidade divina é expresso: "Santificado seja o teu nome" (Mt.6:9).

Quando a presença de Deus se manifesta, nossa própria natureza pecaminosa se torna evidente, como testemunhado na reação de Pedro ao se encontrar diante de Jesus: "Ao ver isso, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus e disse: 'Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!'" (Lc.5:8). O encontro com a santidade de Deus expõe nossa fragilidade e pecaminosidade.

Assim, quando a conduta pecaminosa de um crente não é corrigida na Igreja Local, há uma diminuição no reconhecimento e na exaltação da santidade de Deus. A ausência de disciplina resulta em uma distorção na compreensão e na representação da santidade divina na vida dos crentes, o que pode levar a um afastamento gradual da verdadeira identidade cristã e do propósito central de refletir a santidade de Deus no mundo.

2. A Igreja é santa

Deus é santo e a Igreja também deve ser. A santidade de Deus é um princípio fundamental para a vida da Igreja, como expresso na exortação bíblica: "Sede santos, porque eu sou santo" (1Pd.1:16). Essa chamada à santidade não é apenas uma instrução, mas um reflexo da própria natureza de Deus e um convite para que Seu povo se assemelhe a Ele.

Desde tempos remotos, na Antiga Aliança e continuando na Nova Aliança, a aspiração de Deus era formar um povo separado, um povo distinto em santidade. O termo grego "hagios", traduzido como "santo", carrega consigo a ideia de "separado" ou "consagrado". Esse conceito não se limita apenas à abstinência do pecado, mas implica em ser dedicado, reservado para um propósito específico - a serviço e glória de Deus.

Ao longo da história bíblica, vemos Deus chamando Seu povo para viver de maneira distinta em relação aos padrões do mundo, separando-se do pecado e se consagrando a Ele. Esta separação não é meramente uma questão de reclusão, mas de viver uma vida que reflita a natureza de Deus em santidade, amor, justiça e misericórdia.

Portanto, a santidade não é apenas um aspecto moral, mas uma identidade que distingue a Igreja como um povo consagrado para Deus, chamado a refletir Sua natureza no mundo, a ponto de influenciar e transformar a sociedade em que está inserida.

3. Quando a Igreja não disciplina

Se a Igreja, como Corpo de Cristo, deve ser santa, da mesma forma o cristão, como membro desse Corpo, o deve ser também. A analogia entre a santidade da Igreja como Corpo de Cristo e a santidade individual de cada cristão é vital para compreendermos a importância da disciplina na vida cristã. A própria Escritura Sagrada evidencia esse princípio, declarando que a Igreja é o templo de Deus e o Espírito Santo habita em seus membros (1Co.3:16; 1Co.6:19).

Além disso, a santidade não é apenas um conceito, mas uma identidade inerente ao cristão (Ef.1:1), o qual reflete o caráter de Deus em seu viver diário. A ausência de disciplina na vida do crente resulta na deterioração dessa identidade santa. Surgem adjetivos como "mundano" ou "carnal" para descrever aqueles que não estão em conformidade com os princípios divinos. Esses termos não apontam apenas para a condição moral, mas para a falta de disciplina espiritual. O cristão indisciplinado falha em tratar os hábitos pecaminosos, negligenciando a transformação que a fé em Cristo Jesus deveria trazer à sua vida. A falta de disciplina mina a fronteira entre o sagrado e o profano, obscurecendo a distinção crucial que deve existir na vida do crente.

Quando a Igreja deixa de aplicar a disciplina corretiva e formativa, corre o risco de perder sua própria identidade santificada, tornando-se, em vez de um lugar de consagração, um reflexo dos padrões e valores do mundo ao seu redor. Como bem diz de forma direta o pr. José Gonçalves, “uma igreja que não disciplina seus membros torna-se mundana” (Ap.3:19).

Portanto, a disciplina na Igreja não é uma mera questão de punição, mas um cuidado amoroso que preserva a identidade e a integridade espiritual tanto do indivíduo quanto da Igreja Local, assegurando que a santidade e os valores do Reino de Deus sejam mantidos e refletidos no viver diário dos crentes.

II. O PROPÓSITO DA DISCIPLINA BÍBLICA

1. Manter a honra de Cristo

O propósito da disciplina bíblica na vida da Igreja é multifacetado e crucial para a preservação da honra de Cristo e a integridade do testemunho cristão. Quando o pecado não é confrontado e tratado entre os membros da Igreja Local, isso não apenas afeta a pessoa envolvida, mas também reflete na percepção de Cristo e da fé cristã pela sociedade em geral.

O apóstolo Paulo, ao escrever aos Romanos, faz referência à desonra que advém quando os que professam fé em Deus vivem em contradição com essa fé, afirmando que o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de tal conduta (Rm.2:24). Esse comportamento incoerente compromete seriamente o testemunho cristão e enfraquece a credibilidade da mensagem do Evangelho.

Um exemplo notório dessa necessidade de disciplina é visto na Igreja de Corinto, onde um membro estava envolvido em um comportamento pecaminoso evidente, e a comunidade não apenas tolerou, mas ignorou essa situação (1Co.5:2). Essa postura negligente exigiu uma repreensão veemente do apóstolo Paulo, destacando a importância de lidar com o pecado dentro da Igreja para preservar a pureza e a santidade do Corpo de Cristo.

Além disso, a Escritura enfatiza que a prática do pecado sem arrependimento genuíno pode resultar em consequências sérias, incluindo julgamento divino. A Carta aos Coríntios menciona casos em que a participação indiscriminada na Ceia do Senhor sem a devida reflexão e arrependimento trouxe juízo sobre alguns (1Co.11:27-34). Da mesma forma, nas Cartas às igrejas em Pérgamo e Tiatira, Jesus reprovou aqueles que toleraram doutrinas e comportamentos pecaminosos dentro da Igreja (Ap.2:14,15).

Portanto, a disciplina bíblica não é apenas uma questão de manter a ordem dentro da Igreja Local, mas é essencial para preservar a honra de Cristo, salvaguardar o testemunho cristão diante do mundo e prevenir o juízo divino que pode advir da tolerância e complacência em relação ao pecado dentro da Igreja Local.

2. Frear o comportamento pecaminoso

Outro propósito da disciplina cristã é frear o comportamento pecaminoso. O propósito adicional da disciplina cristã reside na sua capacidade de conter e deter o comportamento pecaminoso dentro da Igreja Local. O pecado é descrito nas Escrituras como algo extremamente contagioso, capaz de se espalhar rapidamente entre os indivíduos e contaminar toda a comunidade cristã local, assim como o fermento que leveda toda a massa de pão (Gl.5:9).

A metáfora do fermento é usada pelo apóstolo Paulo ao escrever para os crentes de Corinto, alertando sobre os perigos da tolerância ao pecado. Ele compara o pecado a um pouco de fermento que pode levedar toda a massa. Esse exemplo ilustra vividamente como até mesmo uma pequena quantidade de pecado não tratado pode se espalhar, influenciando e afetando a integridade espiritual e moral de todos os membros da Igreja (1Co.5:6).

O pecado, se não for confrontado e tratado, pode se multiplicar e se disseminar, afetando não apenas o indivíduo envolvido, mas também os demais membros da Igreja. A tolerância ou a negligência diante do pecado dentro da Igreja Local não apenas compromete a santidade e a pureza de seus membros, mas também mina a eficácia do testemunho cristão diante do mundo.

Portanto, a disciplina cristã atua como um mecanismo de contenção do pecado, agindo de forma a interromper seu avanço e prevenir sua propagação na Igreja Local. Ela não apenas busca corrigir o indivíduo em falta, mas também proteger o Corpo de Cristo, preservando sua pureza e integridade espiritual diante dos desafios e influências corruptoras do pecado.

3. Não tolerar a prática do pecado

A disciplina na Bíblia tem como propósito principal a restauração e a preservação da santidade da comunidade cristã. É vista como uma demonstração de amor e cuidado com a saúde espiritual dos membros, visando corrigir comportamentos desviantes para manter a integridade e a santidade da Igreja.

1Corintios, capitulo 5, enfatiza a importância de não tolerar o pecado dentro da Igreja Local. Havia na Igreja de Corinto um homem que estava envolvido em um relacionamento incestuoso, algo considerado grave até mesmo para os padrões da sociedade ímpia daquela época. O apóstolo Paulo repreendeu veementemente aquela Igreja por tolerar tal comportamento pecaminoso entre alguns dos seus membros (1Co.5:1,2). Paulo instruiu os crentes dessa Igreja a lidarem com essa situação, exortando-os a exercer a disciplina para a restauração do indivíduo mau caráter e a preservação da pureza daquela Igreja e da comunidade cristã como um todo.

Caso não fosse aplicada a disciplina na Igreja de Corinto, certamente, a consequência seria que esse pecado acabaria enfraquecendo os membros dessa Igreja, pois uma Igreja que não pratica a disciplina bíblica fatalmente fracassará. Nesse sentido, não se pode tolerar a prática do pecado, ou o comportamento pecaminoso, na Igreja nem fora dela. Exortou Jesus ao pastor da Igreja de Tiatira: “Mas tenho contra ti o tolerares que Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria” (Ap.2:20). Aqui, a referência a Jezabel é uma metáfora que representa influências corruptoras e falsas dentro da Igreja. Assim como Paulo alertou os crentes de Corinto, a Carta a Tiatira menciona a necessidade de não tolerar ensinos que levem à prática do pecado e da idolatria.

Portanto, a disciplina bíblica visa proteger a Igreja Local, buscando a restauração dos indivíduos que erraram, mas também preservando a integridade da Igreja como um todo. No entanto, é importante observar que a disciplina deve ser aplicada com amor, buscando sempre a restauração e a reconciliação, e não com um espírito de condenação ou julgamento, haja vista que o julgamento definitivo de toda a humanidade será exclusivo do justo Juiz, Jesus Cristo (Atos 17:31).

III. AS FORMAS DE DISCIPLINA BÍBLICA

1. A disciplina como modo de correção

A disciplina como correção é um tema crucial nas Escrituras e é vista como uma expressão do amor de Deus para com Seus filhos. A ideia central por trás da correção é corrigir, restaurar e trazer à retidão aqueles que se desviam do caminho correto. Hebreus 12:7 ressalta essa perspectiva: "Porque que filho há a quem o pai não corrija?". Isso sugere que a correção faz parte do relacionamento entre pais e filhos; e Deus, como Pai celestial, disciplina Seus filhos para o crescimento e aperfeiçoamento deles.

A ausência de correção pode indicar uma falta de cuidado ou até mesmo um afastamento do relacionamento amoroso entre pai e filho. A passagem de Hebreus 12:7 também destaca que aqueles que não recebem correção estão em uma posição de desfavorecimento espiritual, pois a correção é um sinal do amor de Deus por Seus filhos, semelhante ao cuidado de um pai preocupado com o bem-estar de seus filhos.

O exemplo de Pedro em Gálatas 2:11-14, onde ele é corrigido por Paulo por sua atitude em relação aos gentios, demonstra que mesmo os líderes cristãos podem errar e precisar de correção. Isso mostra que a correção não é exclusiva para aqueles que são menos experientes na fé, mas é necessária para todos, independentemente de sua posição na Igreja.

A disciplina como correção também é apresentada como uma forma de restauração e reconciliação. Em Gálatas 6:1, Paulo exorta os crentes a restaurarem aqueles que caíram em pecado com um espírito de mansidão, buscando a reconciliação e a recuperação daquele que errou.

Portanto, a disciplina como correção na Bíblia visa corrigir, restaurar e trazer de volta à comunhão aqueles que se desviaram, sendo uma expressão do cuidado amoroso de Deus e um meio para o crescimento espiritual e a formação do caráter cristão.

2. A disciplina como forma de restauração

O conceito de disciplina como um meio de restauração é crucial na compreensão do propósito da disciplina na Igreja Local. A palavra grega "katartizo", que significa "restaurar" ou "reparar", é usada em várias passagens do Novo Testamento, incluindo Mateus 4:21, onde é empregada para descrever o conserto das redes de pesca. Essa analogia de consertar as redes de pesca é significativa ao abordar a ideia de restauração na disciplina. Assim como as redes de pesca são consertadas para restaurar sua utilidade e eficácia, a disciplina na Igreja Local busca restaurar aqueles que cometeram erros, desvios ou pecados, a fim de reintegrá-los à comunhão e ao relacionamento correto com Deus e com os outros membros da Igreja.

A passagem de 2Coríntios 2:5-8 destaca o aspecto da restauração na disciplina. Neste contexto, Paulo orienta a Igreja de Corinto a perdoar e consolar aquele que havia sido disciplinado anteriormente, para que ele não fosse sobrecarregado pelo sofrimento excessivo. O objetivo não era apenas disciplinar ou repreender, mas também restaurar e reintegrar o indivíduo arrependido de volta à Igreja.

Portanto, a disciplina como forma de restauração na perspectiva bíblica não busca simplesmente punir, mas sim corrigir com amor, levando à restauração do relacionamento entre Deus, o indivíduo e a Igreja. É um processo que visa não só corrigir o erro, mas também trazer cura, reconciliação e restabelecimento do indivíduo na comunhão com Deus e com a Igreja.

3. A disciplina como modo de exclusão

Esse tipo de disciplina é também conhecido como “cirúrgica”. Isto porque o membro é cortado do Corpo de Cristo - “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1Co.5:13). Essa forma de disciplina é descrita como um processo de desligamento intencional de um membro do Corpo de Cristo, baseando-se em passagens bíblicas como 1Coríntios 5:13 e Mateus 18:18. Nesse caso, há um desligamento e não apenas um afastamento da comunhão.

Na perspectiva teológica, esse tipo de disciplina é aplicado quando um indivíduo é considerado em persistente desacordo com os princípios ou ensinamentos da Palavra de Deus. É visto como um ato de separação deliberada, onde o indivíduo é removido da comunhão da Igreja e considerado como alguém que não está mais em conformidade com a Declaração de Fé e com os padrões estabelecidos pela Igreja.

No entanto, é importante considerar as implicações éticas e sociais dessa prática. Enquanto alguns podem ver isso como uma medida necessária para manter a pureza doutrinária e moral da Igreja Local, outros podem questionar a validade de excluir um membro que pode estar passando por lutas pessoais, erros ou dificuldades que precisam de apoio e orientação.

Essa forma de disciplina levanta debates sobre como as igrejas lidam com o equilíbrio entre justiça, compaixão e correção. É importante considerar a aplicação desses princípios de forma justa e amorosa, buscando não apenas a separação, mas também a restauração e a reconciliação, quando possível.

A interpretação e aplicação desses ensinamentos bíblicos variam amplamente entre as diferentes denominações, tradições e declarações de fé, e a compreensão exata e o significado dessa prática podem depender muito do contexto cultural e teológico específico de cada Igreja Local ou denominação cristã.

CONCLUSÃO

Nesta lição, vimos o valor da disciplina cristã sob diferentes aspectos. Reconhecemos que a disciplina não se resume apenas a punição ou exclusão, mas também abrange o cuidado amoroso e a orientação para conduzir os indivíduos de volta à comunhão e ao alinhamento com os princípios de Cristo.

A santidade de Deus é o padrão pelo qual somos chamados a viver, e a disciplina na Igreja desempenha um papel crucial nesse processo. Ela não só busca corrigir desvios e impedir a disseminação do pecado na comunidade, mas também visa restaurar os crentes ao caminho da retidão e da santificação.

Entretanto, é vital compreender que a disciplina não deve ser exercida de maneira arbitrária ou punitiva. Ela deve ser aplicada com compaixão, paciência e amor, buscando sempre a restauração e a edificação dos indivíduos envolvidos. Uma Igreja que negligencia a disciplina corre o risco de comprometer seu testemunho e sua influência, afastando-se do aroma de Cristo, que é caracterizado pelo amor, graça e perdão.

Portanto, a disciplina na Igreja Local deve ser encarada como uma expressão do cuidado de Deus por seu povo, um instrumento para a santificação e uma oportunidade para demonstrar o amor redentor de Cristo. Ao praticar a disciplina com sabedoria, discernimento e graça, a Igreja se torna um lugar de cura, crescimento espiritual e restauração, refletindo assim a essência do caráter de Cristo e glorificando a Deus.

O MINISTÉRIO DA IGREJA


 Texto Base: Efésios 4:11-16.
“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef.4:11).

Efésios 4:

11.E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

12.querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo,

13.até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

14.para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente.

15.Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,

16.do qual todo o corpo, bem-ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo ajusta operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.

INTRODUÇÃO

O Ministério na Igreja é um tema de profunda importância e complexidade, essencial para a compreensão do papel dos indivíduos dentro do corpo de crentes. Em sua essência, as Escrituras apresentam uma dualidade significativa no que diz respeito ao Ministério: todo cristão é investido de um ministério sacerdotal, capacitando-os a ministrar diante de Deus, e, ao mesmo tempo, há uma designação específica de certos indivíduos para funções e ofícios particulares.

É crucial ressaltar que, de acordo com a perspectiva bíblica, não há distinção fundamental entre os membros individuais e a liderança no que se refere ao sacerdócio pessoal. Todos os crentes são investidos do chamado sacerdotal, habilitando-os a se aproximarem de Deus e a servirem como ministros em sua comunidade de fé.

No entanto, as Escrituras também revelam que Deus, em sua soberania, designa certos indivíduos para exercerem funções específicas e ofícios particulares dentro da Igreja Local. Esses ministros chamados têm a responsabilidade sagrada de servir à Igreja de Cristo e trabalhar ativamente para o aperfeiçoamento e edificação dos santos.

Nesta Lição sobre o ministério na Igreja, exploraremos as nuances dessa dualidade bíblica, examinando as qualificações exigidas para o exercício dessas funções, as responsabilidades inerentes aos ministros designados por Deus e a maneira como a interconexão entre o sacerdócio geral dos crentes e os ministérios específicos contribui para o florescimento e crescimento saudável da comunidade da fé.

Ao mergulharmos mais profundamente nesse tema, poderemos compreender melhor como a diversidade de funções e dons dentro da Igreja é essencial para o cumprimento da missão coletiva de proclamar o Evangelho, edificar os crentes e glorificar a Deus por meio do serviço mútuo e da dedicação ao propósito maior do Reino dos céus.

I. O MINISTÉRIO SACERDOTAL DE TODO CRENTE

1. O Sacerdócio no Antigo Testamento

O sacerdócio no Antigo Testamento é um tema complexo e rico em nuances, demonstrando uma transformação significativa desde os primórdios até o estabelecimento de um sistema sacerdotal mais estruturado. A análise detalhada dessa evolução revela diferentes estágios e mudanças na prática do sacerdócio ao longo da história do povo Hebreu:

  1. Sacerdócio nos primórdios. Inicialmente, quando surgiu a necessidade de oferecer sacrifícios, os chefes das famílias assumiam o papel de sacerdotes em suas próprias casas (Gn.4:3; Jó 1:5). Não havia uma estrutura formalizada, e cada líder familiar desempenhava essas funções religiosas.
  2. Era dos patriarcas. Durante a Era dos patriarcas, vemos exemplos como Abraão, que construía altares e oferecia sacrifícios (Gn.12:8). Nessa fase, os chefes das famílias continuaram exercendo o papel de sacerdotes em suas comunidades.
  3. Israel como nação sacerdotal. Mais tarde, após a libertação do Egito, Deus designou Israel como uma "nação sacerdotal" para as outras nações (Êx.19:6). Isso indicava um status especial de proximidade com Deus e uma responsabilidade de interceder e representar Deus diante das outras nações.
  4. Limitação do sacerdócio. No Monte Sinai, Deus restringiu a prática sacerdotal, especificando que ela seria realizada pela família de Arão, pertencente à tribo de Levi (Êx.28:1; Nm.3:5-9). Isso marcou uma mudança significativa, concentrando o serviço sacerdotal em uma linhagem específica e estabelecendo um sistema mais formalizado de sacerdócio.

Essa evolução demonstra um movimento do sacerdócio descentralizado e baseado em líderes familiares para um sistema mais estruturado, com sacerdotes designados dentro de uma linhagem específica. Esse desenvolvimento culminou na instituição de um sistema sacerdotal altamente organizado, com funções, deveres e rituais específicos atribuídos aos sacerdotes descendentes de Arão.

A transição do sacerdócio desde os primórdios até a estruturação formal reflete a progressão do relacionamento de Deus com Seu povo e a necessidade de um sistema mais organizado para a prática religiosa, culminando na centralização do culto e dos sacrifícios no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo em Jerusalém. Essa análise destaca a importância do sacerdócio na história e na adoração do povo de Israel no contexto do Antigo Testamento.

2. Uma doutrina bíblica confirmada no Novo Testamento

O Novo Testamento, de fato, apresenta uma transformação significativa no entendimento do sacerdócio, revelando uma mudança fundamental em relação à Antiga Aliança. O livro de Hebreus, em particular, destaca essa transição ao retratar o sacerdócio da Antiga Aliança como um tipo ou figura que aponta para o papel supremo de Cristo como Sumo Sacerdote (Hb.8:1), que realizou o sacrifício perfeito e definitivo pelos pecados.

Ao oferecer-se como o sacrifício perfeito, Cristo aboliu a necessidade de um sistema sacerdotal terreno baseado em uma linhagem específica ou tribo, inaugurando um novo modelo de sacerdócio. Nesse novo paradigma, a Igreja é considerada o sacerdócio universal de todos os crentes, conforme expresso em passagens como 1Pedro 2:5 e Apocalipse 5:10, ecoando a profecia do Antigo Testamento em Jeremias 31:34.

Sob a Nova Aliança, os crentes são identificados como sacerdotes espirituais e têm um papel ativo e significativo no serviço a Deus:

  1. Oferecimento do próprio corpo em sacrifício vivo. Em Romanos 12:1,2, Paulo exorta os crentes a apresentarem seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, destacando a transformação da adoração por meio da entrega pessoal a Deus.
  2. Ministração do louvor e adoração. Hebreus 13:15 enfatiza o papel dos crentes em oferecerem continuamente um sacrifício de louvor, que são os frutos dos lábios que confessam o nome de Jesus.
  3. Intercessão pelos outros. O Novo Testamento também exorta os crentes a intercederem por outros (1Tm.2:1) e enfatiza que, através de Cristo, têm acesso direto a Deus Pai (Hb.10:19,20).
  4. Proclamação das virtudes de Deus. Em 1Pedro 2:9, os crentes são descritos como um povo escolhido para proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
  5. Manutenção de comunhão direta com Deus. O Novo Testamento enfatiza a relação direta e pessoal entre os crentes e Deus, possibilitada pela obra redentora de Cristo (2Co.13:13).

Assim, sob a Nova Aliança em Cristo, todos os crentes são considerados parte desse sacerdócio universal, participando ativamente na adoração, serviço e testemunho, cumprindo um papel vital na expansão do Reino de Deus. Esta compreensão redefine o conceito de sacerdócio, enfatizando a participação e responsabilidade de cada crente no serviço e culto a Deus.

3. Uma doutrina bíblica resgatada na Reforma Protestante

No contexto do catolicismo romano o sacerdócio é centralizado na figura dos padres, aos quais é atribuída a função sacerdotal de administrar sacramentos, incluindo a Eucaristia, ou Missa, entendida como a renovação do sacrifício de Cristo. Nesse sistema, os membros da Igreja não são vistos como sacerdotes no sentido do sacerdócio universal, mas têm um papel devocional e de participação nos rituais conduzidos pelos padres.

Dentro da estrutura hierárquica da Igreja Católica, o Papa é considerado o vigário de Cristo na Terra, ocupando uma posição de liderança máxima e autoridade espiritual. Esta visão da autoridade papal é uma das características distintivas do catolicismo romano.

Entretanto, durante a Reforma Protestante do século XVI, liderada por figuras como Martinho Lutero, João Calvino e outros reformadores, houve um retorno às Escrituras como a autoridade máxima na fé e prática cristã. Um dos princípios fundamentais da Reforma, expresso no "Sola Scriptura" (somente a Escritura), enfatizava a ideia de que a Bíblia é a única fonte infalível para a doutrina e vida cristã.

Martinho Lutero e outros reformadores redescobriram e enfatizaram fortemente a doutrina do sacerdócio universal dos crentes, como está claramente articulado no Novo Testamento. De acordo com essa doutrina, todos os crentes têm acesso direto a Deus e podem desempenhar um papel sacerdotal no serviço, adoração e ministério uns para com os outros.

A Reforma enfatizou a ideia de que não é necessário um intermediário humano entre Deus e os crentes, pois Cristo é o único mediador (1Tm.2:5). Essa redescoberta da doutrina do sacerdócio universal dos crentes representou uma mudança significativa na compreensão do papel e responsabilidade de todos os cristãos na vida da Igreja, reconhecendo a dignidade e a responsabilidade de cada indivíduo na fé e na comunidade cristã.

II. A ESTRUTURA MINISTERIAL DO NOVO TESTAMENTO

1. O Ministério quíntuplo

Na Epístola aos Efésios, precisamente no versículo 11 do capítulo 4, Paulo menciona os diferentes ministérios dados por Deus à Igreja, conhecidos como o "ministério quíntuplo" - Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres. Cada um desses ministérios desempenhou e desempenha um papel único e complementar no crescimento espiritual e na edificação do Corpo de Cristo.

a) Apóstolo. O termo "apóstolo" no Novo Testamento é usado de maneira variada e com diferentes contextos. Enquanto há um entendimento mais amplo do termo "apóstolo" como alguém enviado em uma missão, há também requisitos específicos associados ao papel de apóstolo.

ü  Estar com o Senhor Jesus. Um dos requisitos fundamentais para ser considerado um apóstolo, como mencionado em Atos 1:21,22, era ter sido um dos discípulos que acompanhou Jesus durante seu ministério terreno. Isso incluiu a experiência direta de testemunhar os ensinamentos, milagres e a vida de Jesus.

ü  Testemunha da ressurreição de Jesus. Além de ter estado com Jesus, um apóstolo precisava ser uma testemunha ocular da ressurreição de Jesus Cristo. Isso é destacado em Atos 1:22, quando Matias é escolhido para substituir Judas Iscariotes como apóstolo.

ü  Experiência pessoal com o Senhor. Em alguns casos, a experiência direta ou o encontro sobrenatural com Jesus Cristo foi um critério, como visto no caso de Paulo, que teve uma visão do Senhor na estrada de Damasco (Atos 9:1-5).

ü  Capacidade de operar sinais e maravilhas. Embora não seja exclusivamente mencionado como um critério, os apóstolos frequentemente tinham o poder de realizar milagres como evidência do seu chamado e autoridade, como visto nos relatos do Novo Testamento.

É importante ressaltar que o termo "apóstolo" pode ter um sentido mais amplo, referindo-se não apenas aos Doze originais escolhidos por Jesus, mas também a outros líderes cristãos enviados para estabelecer igrejas, como Paulo, Barnabé, Tiago (irmão de Jesus) e outros. No entanto, há uma distinção entre os Doze Apóstolos escolhidos por Jesus e outros líderes enviados pela Igreja primitiva. Apóstolo no mesmo sentido dos Doze não existe mais.

Em resumo, enquanto há certos critérios mencionados no Novo Testamento para alguém ser considerado um apóstolo, o termo também pode ser entendido como uma função específica de liderança e envio missionário na expansão do evangelho. Assim, no Novo Testamento, o apostolado pode ser visto mais como uma função do que como um ofício.

b) Profeta. O profeta era alguém escolhido e autorizado por Deus para comunicar mensagens divinas ao povo. Nesse aspecto, ele era um porta-voz de Deus. Eles não apenas exortavam e consolavam (Atos 15:32), mas também traziam revelações sobre o futuro (Atos 11:27-29), direcionamento espiritual e correções à comunidade. Seu papel era crucial na comunicação da vontade de Deus ao povo.

Contudo, as Escrituras distinguem o ministério de profeta do dom da profecia. No Novo Testamento, vemos essa distinção. Enquanto o profeta era um chamado específico dado por Deus para um ministério contínuo na Igreja (como mencionado em Efésios 4:11), o dom da profecia era um dos muitos dons espirituais disponíveis a todos os crentes (1Co.12:4-11). Assim, somente alguns eram chamados para ser profetas (Ef.4:11) enquanto todos poderiam exercer o dom da profecia (1Co.14:5,31). O dom de profecia era acessível a todos os crentes para edificação, encorajamento e consolação da Igreja (1Co.14:3). Enquanto o ministério de profeta envolvia uma chamada específica e contínua, o dom da profecia permitia que qualquer pessoa, sob a direção do Espírito Santo, comunicasse mensagens edificantes inspiradas por Deus para o benefício da comunidade cristã.

c) Evangelista. O papel do evangelista no Novo Testamento é primariamente focado na pregação e propagação do evangelho para alcançar e trazer pessoas à salvação por meio de Jesus Cristo (Atos 8:5; 21:8). Os Evangelistas são frequentemente retratados como indivíduos que têm um chamado específico para proclamar as boas novas da salvação. Eles viajam, ensinam, pregam e testemunham sobre Jesus Cristo, buscando a conversão daqueles que ainda não conhecem a fé cristã.

O livro de Atos, especialmente o exemplo de Filipe (Atos 8:5-8), mostra um evangelista pregando a Palavra e vendo muitas pessoas serem convertidas ao aceitarem a mensagem do evangelho. Eles têm um dom especial para comunicar a mensagem de salvação de forma clara e persuasiva. Veja que Filipe era Diácono, mas foi agraciado com o dom de evangelista. Portanto, o cerne do ministério do evangelista é levar as pessoas a uma compreensão do sacrifício de Jesus Cristo pela humanidade e à decisão de aceitá-Lo como Senhor e Salvador. Seu trabalho é orientado para alcançar os não crentes e levá-los a um relacionamento pessoal com Deus.

Os evangelistas desempenham um papel crucial na expansão do Reino de Deus, compartilhando o evangelho em áreas onde ele ainda não foi proclamado e contribuindo para o crescimento e a vitalidade da Igreja ao trazer novos convertidos para a fé. Eles são instrumentos-chave no processo de fazer discípulos, chamando as pessoas ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.

d) Pastores. Eles têm a responsabilidade de cuidar, alimentar, guiar e proteger o “rebanho” de Deus. Eles oferecem cuidado pastoral, orientação espiritual e liderança, ajudando os membros da Igreja no seu crescimento espiritual e no entendimento das Escrituras.

e) Mestres. São responsáveis por ensinar e explicar as Escrituras, oferecendo uma compreensão mais profunda da Palavra de Deus. Eles têm a habilidade de instruir e edificar a Igreja através do ensino sólido e da explicação clara dos princípios bíblicos.

Todos esses ministérios são dados por Deus para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério e para a edificação do Corpo de Cristo. Juntos, eles proporcionam uma base sólida para o crescimento espiritual, a unidade e a maturidade da Igreja, capacitando os crentes para cumprir o propósito de Deus na Terra. É importante notar que, embora haja essa diversidade de ministérios, todos são igualmente essenciais para o funcionamento saudável e equilibrado do corpo de Cristo.

2. O serviço de diáconos e presbíteros

Os Diáconos e os Presbíteros desempenham papéis distintos na estrutura e no serviço da Igreja no Novo Testamento.

a) Diáconos. O Diácono é caracterizado por seu serviço prático e é alguém que se dedica a ajudar os membros da Igreja em suas necessidades materiais. Sua função está mais associada ao aspecto prático do ministério, embora isso não exclua a possibilidade de envolvimento em outras áreas conforme as necessidades da comunidade.

No início da Igreja, o diaconato foi instituído para atender às necessidades práticas da comunidade cristã, como mencionado em Atos 6:1-7. A palavra grega "diakoneo" está relacionada ao serviço e é usada para descrever essa função de servir e cuidar das necessidades físicas e práticas da Igreja. Geralmente, os diáconos são encarregados de questões como cuidar dos necessitados, distribuir alimentos, oferecer assistência social e outros serviços práticos.

b) Presbíteros. O termo grego "presbyteros" se refere aos anciãos ou líderes da Igreja. Em Atos 14:23 e 20:17, vemos referências aos presbíteros que exerciam papel de liderança, supervisionando e presidindo as igrejas locais. Esses líderes possuíam autoridade espiritual e pastoral na comunidade cristã. Portanto, os presbíteros também desempenham funções pastorais, guiando espiritualmente o rebanho, cuidando do ensino das Escrituras e exercendo uma liderança espiritual que visa ao bem-estar espiritual da congregação. Isto ocorria corriqueiramente no princípio da Igreja.

Em resumo, os diáconos estão mais envolvidos no serviço prático e nas necessidades físicas da Igreja, enquanto os presbíteros estão mais focados na liderança espiritual, orientação pastoral e ensino das Escrituras. Ambos desempenham papéis vitais no funcionamento e no crescimento saudável da Igreja, cada um com suas responsabilidades específicas dentro da comunidade de fé.

III. AS QUALIFICAÇÕES PARA O MINISTÉRIO

1. Qualificações de natureza moral

As qualificações para o ministério eclesiástico, conforme descritas por Paulo em suas cartas pastorais (1Tm.3:1-15; Tito 1:5-9), são uma combinação de requisitos morais, éticos e espirituais. Essas características não apenas delineiam um padrão de conduta para líderes das igrejas, mas também estabelecem um exemplo para os crentes em geral. Vamos explorar mais detalhadamente algumas dessas qualificações:

a) Integridade Moral:

  • Não ser apegado ao dinheiro (não avarento). Isso se refere à ausência de uma mentalidade gananciosa, não buscando o ministério como um meio de enriquecimento pessoal. Líderes devem demonstrar desapego material e uma postura não voltada para o lucro financeiro em detrimento do serviço espiritual.

b) Irrepreensibilidade:

  • Ser irrepreensível. Isso significa ter uma conduta íntegra e um caráter que não dê margem a acusações válidas. Não se trata de ser perfeito ou sem pecado, mas de viver de tal maneira que não haja base para acusações legítimas que comprometam a credibilidade do ministério.

c) Vida Pessoal e Testemunho:

  • Acima de qualquer acusação legítima. Isso vai além de não ser culpado de pecados notórios ou escandalosos. Envolve ter um histórico de vida transparente, de modo que mesmo em situações difíceis, a conduta do líder permaneça além de qualquer suspeita razoável.

d) Qualidades Espirituais e Éticas:

  • Ser apto para ensinar. Além das qualidades morais, é necessário ter competência para transmitir e ensinar a Palavra de forma correta e edificante.
  • Ser moderado, justo, piedoso, controlado. Essas características apontam para um equilíbrio emocional, justiça, piedade e domínio próprio no comportamento do líder.

e) Boa Reputação:

  • Ter boa reputação entre os de fora. Além da comunidade de fé, o líder também deve ser bem visto pela sociedade em geral, mantendo uma conduta que não traga descrédito ao ministério.

Paulo enfatiza que essas qualificações são essenciais para os líderes na Igreja, pois o ministério não é apenas uma questão de habilidades ou conhecimento teológico, mas também de caráter, integridade e testemunho pessoal. Esses requisitos não devem ser vistos como uma barreira, mas como uma base sólida para um serviço eficaz e responsável na Igreja Local.

2. Qualificações de natureza social

As qualificações de natureza social, mencionadas nas Cartas Pastorais de Paulo (como em Tito 1:7), são igualmente importantes para os líderes eclesiásticos. Elas se referem às características pessoais e comportamentais que influenciam a interação do líder com os outros e a comunidade em geral. Vamos explorar essas qualidades com mais detalhes:

a) Humildade e ausência de soberba:

  • Não ser soberbo (arrogante e orgulhoso). Essa qualidade se opõe à humildade e à arrogância. Líderes devem ser humildes, reconhecendo suas próprias limitações e não agindo de forma arrogante ou superior em relação aos outros. A soberba pode afastar as pessoas e minar a eficácia do ministério, causando divisões e conflitos.

b) Controle emocional e temperança:

  • Não ser irascível (truculento, violento). Esta qualidade está relacionada ao controle emocional e à temperança. Um líder não deve ser dominado pela raiva ou agir de forma violenta, pois isso comprometeria seu testemunho e capacidade de liderança. A falta de controle emocional pode prejudicar relacionamentos e a eficácia no ministério.

c) Convivência pacífica e respeitosa:

  • Ser alguém de fácil convívio social. Isso implica em ter habilidades sociais para interagir e se relacionar bem com os outros. Líderes devem ser acessíveis, amáveis e capazes de lidar com uma variedade de pessoas, promovendo a paz e a harmonia na comunidade.

d) Comportamento controlado e respeitoso:

  • Não ser obstinado em sua própria opinião, agir com teimosia e arrogância. Isso envolve a capacidade de ouvir, considerar diferentes pontos de vista e não impor suas opiniões de forma autoritária. Um líder deve ser aberto ao diálogo, respeitar as opiniões dos outros e buscar a unidade na diversidade.

Paulo destaca a importância dessas qualidades sociais para os líderes, pois elas afetam diretamente a maneira como eles interagem, lideram e influenciam a comunidade. A ausência de soberba, o controle emocional, a humildade e a capacidade de conviver pacificamente são essenciais para manter relacionamentos saudáveis e para o testemunho do ministério cristão. Essas qualificações não apenas fortalecem o caráter do líder, mas também contribuem para a coesão e o bem-estar da Igreja Local.

3. Qualificados para o ministério

As Cartas pastorais fornecem diretrizes claras sobre as qualificações essenciais para aqueles que desejam exercer o ministério na Igreja de Cristo. Elas destacam a necessidade fundamental de os ministros possuírem tanto qualidades morais quanto sociais, delineando critérios inegociáveis para o serviço no Corpo de Cristo.

Estas qualificações não são meramente sugeridas, mas são apresentadas como requisitos imprescindíveis para quem busca liderar no ministério cristão. São critérios de caráter, comportamento e integridade que não podem ser desconsiderados ou subestimados.

As exigências morais, como a ausência de avareza, a irrepreensibilidade e a boa reputação, são fundamentais para garantir não apenas a integridade pessoal do ministro, mas também a credibilidade do ministério perante a comunidade.

Além disso, as qualificações sociais, como a humildade, a paciência, a capacidade de conviver em harmonia e a ausência de atitudes autoritárias, são vitais para manter relacionamentos saudáveis, promover a unidade e o bem-estar dentro da congregação.

Em resumo, as Cartas Pastorais delineiam critérios claros e inegociáveis para os ministros do Corpo de Cristo. Elas enfatizam a importância não apenas do conhecimento teológico, mas também da conduta moral e das habilidades sociais para um serviço eficaz e edificante na comunidade dos fiéis.

CONCLUSÃO

Nesta Lição que estudamos sobre o Ministério da Igreja, exploramos diferentes facetas desse tema crucial na vida cristã. Uma das principais lições que aprendemos é sobre a riqueza da sabedoria divina, que confere a cada crente qualificações específicas para exercer dons ministeriais e espirituais. É responsabilidade de cada indivíduo buscar discernimento para compreender a natureza do seu chamado espiritual.

Um dos pontos essenciais que discutimos é a doutrina do sacerdócio universal dos crentes, uma verdade bíblica fundamental. Todo crente tem o privilégio de se apresentar a Deus sem a necessidade de intermediários terrenos. Este acesso direto à presença de Deus é um aspecto significativo da fé cristã.

Adicionalmente, reconhecemos que Deus designou certos indivíduos para desempenhar funções específicas na Igreja. Esses ministérios são presentes concedidos por Deus à comunidade de fé, e cada um deles tem um papel vital na edificação e no crescimento espiritual da Igreja como um todo.

Portanto, concluímos que o ministério na Igreja não se restringe apenas aos líderes ou clérigos designados, mas é um chamado que cada crente deve discernir em sua própria vida. A compreensão da diversidade de dons e ministérios é crucial para o funcionamento saudável e dinâmico da Igreja, e todos os dons devem ser vistos como dádivas preciosas de Deus à sua Igreja.

Em resumo, o ministério na Igreja é uma expressão da graça divina, uma combinação de dons concedidos a cada crente e a designação de funções específicas para edificação a Igreja. Essa compreensão nos encoraja a valorizar e celebrar a diversidade de dons e ministérios presentes na Igreja, reconhecendo-os como manifestações da multiforme sabedoria de Deus.