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JESUS CRISTO, E ESTE CRUCIFICADO – A MENSAGEM DO APÓSTOLO

 

Texto Base: 1Corintios 1:18-25; 2:1-5

 

“mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Co.1:23).

V.P.: “O Cristo crucificado, o centro da mensagem da cruz, é a encarnação da verdadeira sabedoria para a salvação”.

1 Coríntios 1:

18.Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

19.Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes.
20.Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?

21.Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.

22.Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;

23.mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.
24.Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.

25.Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

1Corintios 2:

1.E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.

2.Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.

3.E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.

4.A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder,

5.para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do conteúdo da mensagem de Paulo durante o seu ministério, desde quando foi vocacionado por nosso Senhor Jesus Cristo. Ao direcionar a sua 1ª Epístola aos crentes de Corinto ele disse que quando fosse ter com eles, anunciando-os o testemunho de Deus, não iria com “sublimidade de palavras ou de sabedoria” humana” (1Co.2:1). Antes, sua atenção estaria concentrada na verdade central do evangelho: a redenção em Cristo, o Crucificado, que é o centro da mensagem cristã. Portanto, o conteúdo da mensagem de Paulo era: “Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co.2:2). “Jesus Cristo” se refere à sua Pessoa, enquanto “este crucificado” se refere à Sua obra. A Pessoa e a obra do Senhor Jesus constituem a substância das boas-novas cristãs. Esta mensagem era a verdadeira pregação do Evangelho que Paulo pregava - “Porque Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo” (1Co.1:17).

I. A CENTRALIDADE DA PREGAÇÃO DE PAULO

1. O Ministério da pregação e o Cristo crucificado

Sem dúvida, a centralidade da pregação de Paulo foi a cruz de Cristo. A cruz aponta para a justiça e para o amor de Deus. Jesus Cristo, o Crucificado, é o centro da mensagem de Paulo, e deve ser de todos os seguidores fiéis de Cristo.

Infelizmente, hoje, assim como era na Igreja de Corinto, o evangelho está misturado ao pragmatismo. Segundo Hernandes Dias Lopes, temos hoje a mistura do evangelho com o pragmatismo. Está em voga um cristianismo de mercado. O evangelho está se transformando num produto de lucro. As igrejas estão agindo como empresas que fazem de tudo para agradar a freguesia. A igreja oferece o que as pessoas querem. A verdade não é mais a referência, mas aquilo que funciona. Os púlpitos estão oferecendo um evangelho ao gosto da freguesia, como se o evangelho fosse um produto que se coloca na prateleira e se oferece ao freguês quando ele deseja. A maioria dos programas evangélicos que circulam nas mídias está perdendo a centralidade da cruz e centralizando-se no homem. Nem a pandemia do Covid-19 mudou este pragmatismo insano. O evangelho, porém, não é antropocêntrico, mas Cristocêntrico. Para Paulo, a centralidade da sua pregação é o Cristo crucificado; para ele o evangelho é absolutamente cristocêntrico, centraliza-se na morte de Cristo. A morte de Cristo não é uma doutrina periférica do cristianismo, mas sua própria essência. A cruz de Cristo não é um apêndice, ela é o núcleo, o centro, o eixo, e o âmago do cristianismo.

2. A Palavra de cruz é a loucura da pregação

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co.1:18).

Na sociedade corrupta como a de Corinto, onde se exaltava a sabedoria humana, a oratória extraordinária e o argumento filosófico, falar em morte na cruz era associar a tudo o que havia de mais vergonhoso e infame. Falar de salvação somente por meio do sofrimento e da morte de um homem crucificado era um modo garantido de despertar o mais profundo e puro desprezo.

-Para os judeus, o Cristo crucificado era “escândalo”. Eles esperavam um líder militar que os libertaria da opressão de Roma. Em vez disso, o evangelho lhes oferecia um Salvador que fora pregado numa uma cruz vergonhosa.

-Para os gentios, entre eles os gregos, Cristo crucificado era “loucura”. Eles não conseguiam entender como Aquele que havia morrido em aparente fraqueza e fracasso poderia resolver os seus problemas.

-Para os que são salvos, porém, o evangelho é “poder de Deus”. Aqueles que ouvem a mensagem, aceitam-na pela fé e experimentam o milagre da regeneração em sua vida.

Observe o modo rígido com que 1Co.1:18 divide a humanidade em apenas dois grupos: aqueles que se perdem e aquele que são salvos. Não há nenhuma classe intermediária. As pessoas podem apegar-se à sabedoria humana, a ciência, a razão, mas somente o evangelho conduz à salvação. Somente Cristo é o caminho a verdade e a vida; ninguém vai ao Céu senão por Ele” (João 14:6).

3. Para os judeus e gregos

Nos dias de Paulo, nem todos acreditavam na possibilidade de que um homem crucificado seria o Filho de Deus - para os judeus, isso era blasfêmia; para os gregos, loucura. Entretanto, o apóstolo Paulo não deixava de falar a respeito do Cristo crucificado tanto para os judeus quanto para os gentios. Somente em Cristo está a verdadeira sabedoria de vida. 

Por intermédio do ministério que Paulo exercia, judeus e gregos, orgulhosos de sua religiosidade e conhecimento, ficaram cientes de que a manifestação da sabedoria de Deus ao mundo é o “Cristo Crucificado”. Por isso, judeus e gentios são chamados por Deus para ver no Cristo Crucificado o único meio de salvação e da verdadeira sabedoria (1Co.1:24). Disse o apostolo Pedro: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).

II. EXPRESSÕES – CHAVE NA DOUTRINA DE PAULO

Há algumas expressões de grande importância no ministério de pregação do apóstolo Paulo: “Evangelho de Cristo”, “Cristo crucificado” e “Cristo Ressurreto”.

1. “Evangelho de Cristo”

O apóstolo Paulo foi vocacionado para pregar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Logo, não é de se admirar que ele proferiu esta expressão tantas vezes em suas epístolas – 54 vezes, segundo afirma o pr. Elienai Cabral.

O Evangelho tem poder para transformar a cultura dominada pela iniquidade; estudamos isto na Lição 10 do 1º trimestre de 2020. O apóstolo Paulo afirmou: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê...” (Rm.1:16).  Paulo não se envergonhava de levar as boas novas de Deus à cidade sofisticada de Roma, apesar de essa mensagem ser pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gregos, pois sabia que ele “é o poder de Deus para a salvação”, ou seja, diz como Deus, por seu poder, salva os que creem em seu Filho. Esse poder é oferecido da mesma forma a judeus e a gentios.

Sem o Evangelho as pessoas estão perdidas, por causa de seu modo de vida iniquo, conforme narra Rm.1:18 – “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade em injustiça”.

Embora não seja possível converter todas as pessoas de uma determinada cultura, podemos fazer com que muitas pessoas sejam influenciadas pela pregação do Evangelho. E a melhor e mais impressionante forma de pregarmos o Evangelho é vivermos de acordo com o Evangelho; é termos uma vida sincera e irrepreensível diante de Deus e dos homens, como Paulo assim se apresentava. O povo de Antioquia, ao ouvir a mensagem do Evangelho, começou a chamar os discípulos de cristãos, porque, ao compararem o modo de vida de cada crente com o que era mostrado nas Escrituras, descobriram que os crentes daquela Igreja eram “parecidos com Cristo”, ou seja, eram “cristãos”. Somos assim atualmente?

2. “Cristo Crucificado”

“Cristo Crucificado” é o tema dominante nas mensagens que Paulo pregava. Em Gálatas 3:1, ele afirma: “[...] não foi diante dos olhos de vocês que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?” (NAA). O evangelho centraliza-se na morte de Cristo. A morte substitutiva de Cristo na cruz é o ponto central e culminante do evangelho. Portanto, não há outro evangelho a ser pregado a não ser “Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co.2:2).

Observe que Paulo não apresentou Jesus como um ilustre mestre da religião, ou mesmo como o supremo exemplo da espiritualidade. Não. Antes, Paulo pregou “Jesus Cristo, e este crucificado”; ou seja, Paulo anunciou a morte de Cristo na cruz. Todas as vezes que a Igreja perde de vista a centralidade da morte de Cristo, ela perde a essência do próprio evangelho. A mesma cruz que era escândalo para os judeus e loucura para os gregos, era o conteúdo da pregação de Paulo; ele se gloriava daquilo que os judeus e gregos se envergonhavam. Como nós hoje estamos precisando ter este mesmo sentimento do apostolo Paulo! Não podemos deixar de pregar o Cristo Crucificado.

3. “Cristo Ressurreto”

Outra expressão importante no ministério de pregação de Paulo é: “Cristo Ressurreto”. Este é um fato bíblico e comprovadamente histórico. É o episódio que dá sentido e significado à fé cristã. Sem ela, como disse o apóstolo Paulo, o cristianismo não teria razão de ser (1Co.15:14). Ela é o fato que distingue o Cristianismo de toda e qualquer outra religião, é a verdade que demonstra que Jesus é o Salvador do mundo, a Verdade e a Vida.

O primeiro argumento para fundamentar a doutrina do Cristo ressuscitado tem sua base na Palavra de Deus; depois temos as provas factuais, pois a ressurreição de Jesus é um fato incontestável. A Bíblia afirma que Jesus "... se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias" (At.1:3). A expressão "infalíveis provas” refere-se à prova baseada em fatos que, por si só, suscitam credibilidade. Essas provas infalíveis e incontestáveis jamais puderam ser refutadas. As autoridades religiosas de Jerusalém lutaram muito para neutralizá-las, mas não o conseguiram (Mt.28.11-15).

O apostolo Paulo testemunhou a aparição do Senhor ressuscitado, conforme ele mesmo testifica (1Co.15:8) – “e, por derradeiro de todos, me apareceu também a mim, como a um abortivo”. Após ter um encontro pessoal com Jesus ressurreto, Paulo não pôde negar a realidade da ressurreição de Cristo, e passou a pregá-la (1Co.15:1-4), mesmo que isto representasse o escárnio dos intelectuais de seu tempo (At.17:32). Como entender que alguém tão letrado e versado tanto na lei judaica, quanto na filosofia grega ou no direito romano, renegasse todo o seu conhecimento e o saber que tinha em nome de uma “ilusão”, de uma “alucinação”, “alucinação” que o levaria a enfrentar morte e perseguição? Não há como se justificar tal fato senão pela circunstância de que a ressurreição é uma realidade que gera fé e esperança por meio de Jesus, que dá sentido à vida espiritual.

A ressurreição de Jesus é o fundamento da nossa fé, é o motivo da esperança que faz com que o crente não se desespere ao ver a partida de um irmão em Cristo. Assim como Jesus ressuscitou, também os crentes que morrerem antes da volta do Senhor ressuscitarão (1Co.15:51-54). Esta é a mais sublime esperança do crente em Cristo Jesus.

III. OS EFEITOS DA MENSAGEM DA CRUZ

“Os efeitos da mensagem da cruz se revelam por meio de uma vida no poder de Deus, de humildade e dependência do Espírito Santo”.

1. Uma vida no poder de Deus

“Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”(1Co.1:18).

A mensagem da cruz era de crucial importância para Paulo. Ele nos diz que esta mensagem é a verdadeira pregação do Evangelho. Esta mensagem é a maneira como o poder de Deus se manifesta – “a palavra da cruz [...] para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co.1:18). Ser cristão é crer e aceitar Jesus, e este crucificado. Ser cristão é crer que Cristo morreu na cruz para salvar os pecadores da destruição eterna. A mensagem da cruz é o poder de Deus para a salvação do que crê.

A pregação legitima da Palavra de Deus, seja ela falada, escrita, cantada, tocada, etc, é simples e não requer que o mensageiro seja ornado de diplomas ou de conhecimento técnico de retórica. O Espírito Santo é o principal condutor da mensagem ao coração do ouvinte necessitado de salvação. Veja o caso de Pedro, logo após ser batizado no Espírito Santo na festa do Pentecostes, onde ele apenas discursou ungido pelo Espírito Santo (At.2:14-40), e quase três mil almas foram salvas naquele dia (At 2:41). O discurso de Pedro foi conduzido pelo Espírito Santo ao coração daquelas pessoas, e foram salvas.

O apóstolo Paulo, também, pregou a mensagem do Evangelho de uma maneira bem simples e milhares de pessoas foram salvas, e muitos prodígios e maravilhas foram realizados por intermédio dele. Isto aconteceu porque:

a) Paulo estava na dependência total do Espírito Santo, ou seja, estava revestido de poder. O revestimento de poder era indispensável, absolutamente necessário para que Paulo efetuasse a missão espinhosa que lhe estava destinada. Ele mesmo afirma: "a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Co.2:4,5). "Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza…" (1Ts.1:5a). Sem este revestimento de poder, não haveria qualquer diferença entre a pregação efetuada e um belo exercício de retórica.

b) Paulo tinha a convicção, a certeza de que Jesus é o Salvador. Não poderemos jamais pregar o evangelho se não tivermos convicção, certeza de que Jesus é o Salvador. Jamais seremos pregadores convincentes do evangelho se nós mesmos não estivermos convencidos pelo Espírito Santo, se não tivermos convicção de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16). É, precisamente, por causa desta necessária convicção que o batismo no Espírito Santo se apresenta como uma necessidade na vida do crente. Se o evangelho é poder de Deus, é mister que experimentemos deste poder, que sintamos e sejamos instrumentos deste poder, sem o que não poderemos ter esta convicção. Paulo tinha esta convicção e, por isso, podia diferenciar-se dos grandes e eloquentes oradores de seu tempo, pois a sua pregação não era mera retórica, mas demonstração do poder de Deus (1Co.2:4-6).

2. Uma vida de humildade

Outro efeito da mensagem da cruz é revelado por meio da humildade. No cristão que expressa sua fé e seu amor a Cristo, a verdadeira grandeza é vista em sincera humildade, no desejo de servir tanto a Deus, quanto às pessoas, e na disposição de ser considerado o menos importante no reino de Deus (Fp.2:3).

A verdadeira grandeza não está na posição, no cargo, na liderança, no poder, na influência, nos diplomas de nível superior, na fama, na capacidade, nas grandes realizações, nem no sucesso. O que importa não é tanto o que fazemos para Deus, mas o que somos em espírito interiormente diante de Deus. Como bem diz o pr. Elienai Cabral, a mensagem da cruz nos constrange a viver a humildade.

Acerca da humildade falou Salomão: “Antes da ruína eleva-se o coração do homem; e adiante da honra vai à humildade” (Pv.18:12).

Davi disse: “Ainda que o Senhor é excelso, contudo, atenta para o humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe” (Sl.138:6).

Paulo exortou: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade...” (Cl.3:12).

Jesus disse: “Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus” (Mt.18:4).

Estas e outras referências bíblicas nos lembram da importância da humildade na vida do Servo de Deus. Portanto, para ser grande no Reino de Deus, precisa ser antes humilde - “O Senhor eleva os humildes, e humilha os perversos até a terra” (Sl.147:6).

3. Uma vida na dependência do Espírito Santo

A mensagem da cruz nos ensina a depender exclusivamente do Espírito Santo. A pregação do Evangelho sem o auxílio do Espírito Santo não subsiste por muito tempo numa sociedade pervertida como, por exemplo, era a de Corinto à época de Paulo. Nossa eficácia em compartilhar o evangelho com outras pessoas não depende de nossas habilidades, capacidade ou conhecimento. O Espírito Santo opera poderosamente mediante a própria mensagem. Portanto, ao compartilhar as Boas Novas com outras pessoas, devemos seguir o exemplo de Paulo e manter a nossa mensagem simples e básica; o Espírito Santo dará poder às nossas palavras e as usará para que o nome de Jesus seja glorificado. Paulo afirmou: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1Co.2:4), Todavia, é bom deixar claro que, neste texto, Paulo não está negando a importância do estudo e da preparação para pregar. Ele, aliás, teve uma educação completa baseada nas Escrituras Sagradas. A pregação efetiva resulta da cuidadosa preparação e da confiança no trabalho do Espírito Santo. Portanto, não devemos usar esta declaração de Paulo como uma desculpa para não estudar ou não se preparar.

CONCLUSÃO

A mensagem da cruz é a mensagem central do cristianismo e não existe cristianismo verdadeiro sem a verdadeira compreensão da obra de Cristo na cruz. A morte de Cristo é o ponto central da história. Para ela, todas as estradas do passado convergem; e dela saem todas as estradas para o futuro. Somente encontramos Jesus se pudermos vê-lo como Cristo crucificado e Ressurreto. Não podemos vê-lo antes da cruz somente, nem depois somente. Muitos param antes da cruz; outros tentam encontrá-lo somente como ressuscitado. Muitos evitam a cruz, e assim fazendo rejeitam a Jesus. É bom ressaltar que não estamos simplesmente falando do madeiro em si mesmo, mas da “cruz” de Cristo que representa a sua obra redentora mediante sua morte substitutiva no Calvário.

PAULO, A VOCAÇÃO PARA SER APÓSTOLO

 

Texto Base: Atos 9:15-22; Gálatas 1:11-18

 

“Paulo (chamado apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus) e o irmão Sóstenes” (1Co.1:1).

V.P.: “Deus chama pessoas para realizar grandes feitos no reino divino”.

Atos 9:

15.Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.

16.E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome.

17.E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.

18.E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; e, levantando-se, foi batizado.

19.E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco.

20.E logo, nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus.

21.Todos os que o ouviam estavam atônitos e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?

22.Saulo, porém, se esforçava muito mais e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo.

Gálatas 1:

11.Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens,

12.porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.

13.Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava.

14.E, na minha nação, excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

15.Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela sua graça,

16.revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei carne nem sangue,

17.nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia e voltei outra vez a Damasco.

18.Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da vocação de Paulo para ser apóstolo aos gentios. A palavra apóstolo significa “alguém enviado com uma comissão”. A referida palavra significa “um mensageiro especial, com um status especial, desfrutando uma autoridade e um comissionamento que procedem de um organismo mais elevado que ele próprio”. No uso neotestamentário, o termo “apóstolo” traz o sentido de alguém que falava com toda a autoridade daquele que o envia; sua importância fica claramente condicionada pela posição de quem o envia. O apostolado de Paulo levava o carimbo da origem divina. Ele não se autodenominou apóstolo nem foi constituído apóstolo pela Igreja; ele recebeu seu apostolado do próprio Senhor Jesus e teve plena consciência de que sua autoridade não emanava dele mesmo, mas daquele que o constituiu como tal (Gl.1:1). Jesus Cristo o vocacionou para levar o evangelho aos gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel (Atos 9:15).

I. O PONTO DE PARTIDA PARA A VOCAÇÃO DE PAULO

1. Chamada e presciência divina

“Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos” (Gálatas 1:1).

“Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou e me chamou pela sua graça” (Gálatas 1:15).

A chamada de Paulo foi estabelecida segundo a presciência de Deus. Atos 9:15 atesta a presciência divina na chamada de Paulo, quando o próprio Senhor Jesus diz a Ananias: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel”. Paulo não recebeu seu apostolado de Ananias, quando este impôs as mãos sobre ele, nem foi nomeado como tal pelos apóstolos de Jerusalém (Gl.1:15-17). Ele destaca que seu chamado não veio dos homens, mas de Deus; não veio da terra, mas do Céu (Gl.1:1b). Como Deus conheceu Jeremias antes que fosse formado no ventre da sua mãe e o consagrou e o constituiu profeta antes de sair da madre (Jr.1:5), assim também Deus escolheu Paulo antes de seu nascimento (Gl.1:15). Deus separou Paulo para um propósito especial: que ele fosse o instrumento a levar o evangelho aos gentios (Atos 9:15; 22:15; 26:16-18). O chamado de Paulo, portanto, foi feito antes que ele pudesse pensar por si mesmo, e isto deve comprovar que o evangelho que ele pregava não era invenção dele, não vinha de seu próprio intelecto.

2. Um ministério na plenitude do Espírito Santo

A prova que Deus deu a Ananias de que Paulo agora era um irmão convertido a Cristo, e não mais um perseguidor, era que ele seria batizado no Espírito Santo. Ananias impôs as mãos sobre ele, e ele recebeu a plenitude do Espírito Santo (Atos 9:17), que é o revestimento e derramamento de poder do Alto (Atos 1:8) para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço para Deus. O crente batizado no Espírito Santo goza do privilégio de uma comunhão mais profunda com Deus, de uma vida de oração mais poderosa, de mais capacidade para entender a Palavra de Deus e suportar as provações e as tentações com mais facilidade.

Revestido na plenitude do Espírito Santo, o ministério de Paulo fluiu com grande desenvoltura e progresso. Ele foi o maior missionário, o maior pastor, o maior pregador, o maior teólogo e o maior plantador de igrejas da história do cristianismo. Ele pregou a tempo e fora de tempo; em prisão e em liberdade; com saúde e doente; pregou nos lares, nas sinagogas, no templo, nas ruas, nas praças, na praia, em navios, nos salões governamentais, nas escolas. O pr. Elienai Cabral afirma: “não podemos fazer a obra de Deus sem a atuação do Espírito Santo. Ele é quem confirma a Palavra de Deus”.

3. Deus mudou o nome de Saulo para Paulo?

Não! Muitas pessoas pensam que Saulo virou Paulo, mas isto é um pensamento errôneo. Deus não trocou o nome de Saulo para Paulo. É verdade que na Bíblia há registros de ocasiões em que Deus mudou o nome de uma pessoa, mas esse não foi o caso de Saulo. Há uma ideia popular de que na ocasião de sua conversão a Cristo no caminho de Damasco, Saulo virou Paulo, ou seja, o perseguidor Saulo teve seu nome mudado para Paulo, tornando-se um grande pregador do Evangelho. No entanto, em nenhuma parte do texto bíblico que narra a conversão de Saulo há a informação de que seu nome foi mudado de Saulo para Paulo. Inclusive, mesmo após ter sido convertido, Saulo continuou sendo designado no texto bíblico pelo seu nome, Saulo (Atos 9—13:7). No livro de Atos dos Apóstolos, por exemplo, há uma referência direta a Saulo já como um homem repleto do Espírito Santo. E essa referência é interessante porque ela explica que Saulo também se chamava Paulo (Atos 13:9). Isso quer dizer que Paulo era um cognome de Saulo.

Saulo era um judeu legitimo nascido na cidade de Tarso da Cilícia. Ele pertencia à tribo de Benjamim, foi circuncidado no oitavo dia de vida e educado na Lei como um fariseu (Fp.3:5; Atos 22:3). Então por ocasião de seu nascimento, ele recebeu o nome judaico Saul - igual ao nome do primeiro rei de Israel que, inclusive, também pertencia à tribo de Benjamim. O nome Saul significa “pedido” ou “desejado”. Assim, o nome Saulo nada mais é do que a tradução grega do nome hebraico Saul. No entanto, Saulo também tinha cidadania romana herdada de seu pai (Atos 22:8); então como cidadão romano, Saulo tinha outro nome. É assim que podemos explicar o nome Paulo, que no grego aparece como Paulos, mas vem do latim Paulus, que significa “pequeno”. Portanto, Paulo provavelmente era o cognome romano de Saulo.

II. UMA VOCAÇÃO EFETIVDA PELO CRISTO RESSURRETO

1. Saulo viu o esplendor glorioso de Cristo ressurreto (Atos 9:3-6)

O texto sagrado narra que, quando Saulo e seus companheiros de viagem aproximavam-se de Damasco, subitamente, uma luz intensa do Céu brilhou ao seu redor e fez Saulo cair por terra. Ele “ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Quando Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?”, a voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”. Aqui, o texto mostra que, realmente, houve uma gloriosa manifestação de Jesus. Pelo menos quatro coisas aconteceram a Paulo (Adaptado do livro “Paulo”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Paulo viu uma luz (Atos 22:6,11). Subitamente, uma grande luz do céu brilhou ao seu redor (Atos 9:3). Aquilo não foi uma miragem, um êxtase, uma visão subjetiva. Não. Foi uma grande luz do céu tão forte que lhe abriu os olhos da alma e tirou-lhe a visão física. Ele ficou cego por causa do fulgor daquela luz (Atos 22:11). Não foi apenas uma luz que apareceu a Paulo, mas o próprio Jesus (Atos 9:17). Aquela luz era a glória do próprio Filho de Deus ressurreto.

b) Paulo caiu por terra (Atos 22:7). Considerado como um touro furioso, selvagem e indomável, estava agora subjugado. Aquele que prendia estava preso. Aquele que encerrava em prisão estava dominado. Aquele que se achava detentor de todo o poder para perseguir estava prostrado ao chão, impotente. O Senhor quebrou todas as suas resistências.

c) Paulo ouviu uma voz (Atos 22:7). O mesmo Jesus que Paulo perseguiu com fúria, agora fala com voz poderosa aos seus ouvidos: “Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura cousa é recalcitrar contra os aguilhões” (Atos 26:14). A voz do Senhor é poderosa; ela despede chamas de fogo; faz tremer o deserto; é irresistível. Paulo então perguntou: “quem és tu, Senhor?”. Ao que Jesus respondeu: “Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues” (Atos 22:8). O mesmo Paulo que perseguia a Jesus (Atos 26:9), agora chama Jesus de Senhor. Ele se curva. Ele se prostra. O touro selvagem foi subjugado. Não há salvação sem que o pecador se renda aos pés do Senhor Jesus.

d) Paulo reconheceu que precisava ser guiado pelo Senhor (Atos 22:10). A autossuficiência de Paulo acabou no caminho de Damasco. Ele agora pergunta: “que farei, Senhor?” (Atos 22:10). Agora quer ser guiado. Agora está pronto a obedecer. Ele que esperava entrar em Damasco na plenitude de seu orgulho e bravura, como um autossuficiente adversário de Cristo, estava sendo guiado por outros, humilhado e cego, capturado pelo Cristo a quem se opunha. O Senhor ressurreto aparecera a ele. A luz que viu era a glória de Cristo, e a voz que ouviu era a voz de Cristo. Cristo o capturou antes que ele pudesse capturar qualquer crente em Damasco.

2. Uma vocação inevitável para o apostolado entre os gentios

O Senhor tinha planos maravilhosos para Saulo. Disse Jesus a Ananias: “este é par mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (Atos 9:15,16). Portanto, sua vocação ao apostolado seria inevitável. E ele não resistiu ao chamado do Senhor para tão nobre encargo – “Senhor, que queres que faça” (Atos 9:6). Paulo tornou-se embaixador de Cristo e pregador destemido do evangelho, logo após sua conversão (Atos 9:20-22).

Saulo seria, acima de tudo, o apóstolo aos gentios, uma comissão que o colocaria diante de reis. Não obstante, pregaria também aos seus compatriotas segundo a carne, os quais o perseguiria intensamente e impiedosamente. Ele foi severamente perseguido em Damasco, apedrejado em Listra, preso e açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica e Bereia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto, enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém, acusado em Cesareia e enviado a Roma para ser julgado pelo imperador; lá, foi decapitado pela guilhotina romana.

3. A vocação mudou o rumo da vida de Saulo

A visão gloriosa de Cristo Ressurreto no caminho para Damasco mudou definitivamente o rumo da vida de Saulo, e não somente dele, também de milhões de pessoas ao longo do tempo. Agora, em vez de perseguir os cristãos, promove a fé evangélica. Em vez de tapar a boca dos cristãos, abre a boca para testemunhar do nome de Jesus Cristo.

Jesus Cristo chamou Saulo e o transformou no apóstolo que seria o maior responsável pela expansão da Igreja no mundo gentílico. Ele plantou igrejas na região da Galácia, nas províncias da Macedônia, Acaia e Ásia Menor. Não apenas plantou igrejas, mas pastoreou-as com intenso zelo, com profundo amor e com forte senso de responsabilidade. Pesava sobre ele a preocupação com todas as igrejas (2Co.11:28).

Nas palavras de Hernandes Dias Lopes, “como perseguidor e exterminador de cristãos, Saulo pedia cartas para prender, amarrar e matar os crentes (Atos 9:2,14); mas, depois da visão gloriosa de Cristo, depois de convertido, ele escreveu Cartas para abençoar. Paulo foi o maior escritor do Novo Testamento. Ele escreveu treze Epístolas; suas Epístolas são mais conhecidas do que qualquer obra jamais escrita na história da humanidade; suas Epístolas têm sido alimento diário para milhões de crentes em todos os tempos. Essas Epístolas são luzeiros que brilham, são pão que alimentam, são água que dessedenta, são verdades inspiradas pelo Espírito Santo que ensinam, exortam e levam pessoas a Cristo todos os dias”. Só o Espírito Santo faz obra tão extraordinária como esta feita na vida de Paulo. Ele continua operando!

III. VOCAÇÃO DE PAULO E O APRENDIZADO NO DESERTO

O deserto está sempre presente no relato bíblico, seja como um espaço geográfico ou como uma figura de linguagem. Ele tem muitas características: solidão, aridez, desconforto, esterilidade. Todas as vezes em que nos deparamos com tais realidades é porque estamos, com toda certeza, atravessando um deserto – que pode ser uma doença terminal, um problema familiar insolúvel, um luto traumático, um divórcio ameaçador, um problema financeiro que nos tira do sério, etc.

Não importa, seja real ou não, físico ou psicológico, o fato é que desertos têm sempre a mesma fisionomia: são secos, solitários e terrivelmente deprimentes; são capazes de gerar em nós a pior das sensações: a solidão. Existem pessoas que se culpam ao chegar lá, achando que Deus as desprezou ou que não está satisfeito com elas. Elas ainda não compreenderam o sentido ou o propósito do deserto em suas vidas.

Na Bíblia e em toda a história, homens e mulheres passaram por este lugar como uma maneira de serem capacitados por Deus, para cumprirem seu propósito. Portanto, o deserto não significa rejeição, mas preparo divino.

-Abraão foi levado ao deserto para oferecer Isaque, seu único filho - o filho da promessa - como sacrifício vivo ao Senhor, e ali aprendeu a confiar ainda mais no Deus que tudo provê.

-Moisés foi ao deserto e presenciou a sarça ardente, acontecimento que prenunciava a permanente presença de Deus entre o povo que seria liberto do Egito.

-O povo hebreu passou 400 anos cativo e, após sua libertação, experimentou 40 anos de peregrinação no deserto, onde recebeu orientações e mandamentos divinos, e desenvolveu princípios que o tornaria um diferencial entre as nações à sua volta.

-No deserto, também, encontramos João Batista, vivendo, anunciando e preparando o caminho para o Messias, que já estava entre o povo da nação de Israel.

-O próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, foi conduzido ao deserto pelo Espírito Santo, para testificar ao mundo que Satanás seria vencido, de uma vez por todas.

-Paulo, logo após a sua chamada, partiu para o deserto, e após reconstruir sua teologia, voltou para Damasco, pronto para pregar aos gentios.

Assim, podemos afirmar que:

-O deserto não é apenas um lugar de provação e tribulação, mas, acima de tudo, é também o local onde Deus espera que sejamos preparados para mostrar ao mundo a excelência de Seu poder e soberania.

-O deserto não é um lugar onde somos deixados abandonados por Deus para que sejamos alvo fácil para a ação de Satanás. O Senhor nos guia no deserto. Ele está conosco no deserto. A segunda geração dos filhos de Israel viveu no deserto e recebeu de Deus esta promessa: “E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos” (Dt.8.2).

1. A ida do apóstolo Paulo para o deserto

O deserto é uma pedagogia de Deus para o Seu povo. Quando o curso de nossa vida toma esse aspecto, Deus quer ensinar-nos algumas lições importantes. Por mais que os desertos sejam produzidos por situações criadas pelo próprio homem e suas próprias decisões, a Bíblia nos ensina que o deserto, com todas as suas dificuldades, sempre é uma escola de Deus.

No deserto, aprendemos a ouvir a voz de Deus; é um lugar em que Deus fala e nós ouvimos; com isso, aprendemos a ser humildes. Por exemplo, em Deuteronômio 8:2 lemos que o Senhor levou Seu povo ao deserto para fazê-lo humilde. Ou seja, o deserto é uma "lixa" de Deus, que remove a espessa e dura camada de orgulho com a qual nos revestimos nos momentos de prosperidade.

Gálatas 1:17,18 mostra que Saulo esteve na Arábia por três anos. Mas por que ele foi para Arábia? Para ficar a sós com Deus. Disse ele: “...não fui imediatamente consultar outras pessoas, nem fui a Jerusalém para me encontrar com os que já eram apóstolos antes de mim, mas fui para as regiões da Arábia...” (Gl.1:16b,17). Ele preferiu viver em um lugar, na região desértica da Arábia, onde habitavam alguns grupos nômades; ali, ele era totalmente desconhecido.

Todos que foram treinados por Deus no deserto foram grandemente usados por Ele; e quanto mais intenso é o treinamento, mais a pessoa pode ser instrumentos do Altíssimo. Por exemplo:

-Moisés, foi treinado por Deus por 40 anos no deserto, por isso pôde libertar Israel da escravidão e guiar esse povo rumo à Terra Prometida.

 Elias, foi graduado na escola do deserto, por isso pôde enfrentar, com bravura, a fúria do ímpio rei Acabe e trazer a nação apóstata de volta para a presença do Senhor.

-Paulo, passou três anos no deserto da Arábia, e foi preparado pelo Espírito Santo para ser o maior líder do cristianismo.

2. As lições do deserto

Saulo passou cerca de três anos na Arábia fazendo um seminário intensivo com Jesus (Gl.1:18), e lá colheu lições preciosas que beneficiariam gerações ao longo da história do Cristianismo. Segundo alguns autores, a Arábia ficava cerca de 320 quilômetros ao sul de Damasco e 160 quilômetros a sudeste de Jerusalém. Vale lembrar que a Arábia era um deserto e não uma metrópole próspera. Ali, Paulo teve comunhão com Deus em vez de comunicação com os homens. Tendo em vista que Jesus passou três anos treinando seus apóstolos, agora investe três anos treinando Saulo, como um apóstolo chamado fora do tempo. Nesse período, Saulo releu o Antigo Testamento e descobriu que aquele mesmo Jesus que outrora perseguira era de fato o Messias prometido (Atos 9:22). O ensino detalhado de Saulo em Damasco, provando que Jesus é o Cristo, provavelmente aconteceu depois de sua estada na Arábia.

Saulo havia sido um fariseu que buscava agradar a Deus pela justiça própria; acreditava ser aceito por Deus por sua religiosidade e suas boas obras. Por causa de seus autoenganos, chegou a perseguir furiosamente a Igreja de Deus para devastá-la. Porém, logo que se converteu, quis ficar a sós com Deus. Ele sabia que precisava aprofundar o seu conhecimento acerca de Jesus Cristo, pois a sua jornada seria de confrontos com dúvidas, oposição e rejeição. Nesse momento não sentiu necessidade de orientação humana, mas da presença e da ajuda de Deus. Ele precisava de um tempo de quietude e solidão para reorganizar sua mente, seus conceitos, seus valores, sua teologia. Antes de falar aos homens, Paulo precisou falar com Deus. Só se levantam diante dos homens aqueles que primeiro se prostram diante de Deus.

3. Mais lições do deserto

No deserto da Arábia, Saulo, como bem diz o pr. Elienai Cabral, “foi despido de toda a filosofia e religiosidade legalista do judaísmo. Lá, ele aprendeu que a simplicidade era a chave que abria a porta do cristianismo, que era preciso dominar suas paixões, substituindo-as pela alegria da salvação em Cristo. Saulo descobre também, na experiência do silencio e da solidão do deserto, que as coisas de Deus são do modo como Ele quer e não como nós queremos. No deserto, Deus ensinou Paulo a ser o líder que Ele precisava para expandir o seu Reino”.

Após sua estada no deserto da Arábia, a sós com Deus, preparando-se para o ministério que Deus lhe vocacionou, Saulo voltou para Damasco, pronto para pregar aos gentios. Logo na primeira viagem missionária, Lucas começa a usar o nome gentio do apóstolo (Paulo) em vez de seu nome judaico (Saulo), uma mudança que indica a propagação florente do evangelho entre os gentios.

CONCLUSÃO

A conversão e a vocação de Paulo é uma das maravilhas do Cristianismo. Sua trajetória, da conversão até o momento em que foi chamado para Antioquia da Síria, onde saiu como missionário, pode ser traçado assim: conversão no caminho de Damasco (Atos 9:1-19a); breve estada em Damasco (Atos 9:19b-22); isolamento na Arábia (Gl.1:17); retorno a Damasco por algum tempo (Atos 9:23); fuga para Jerusalém (Atos 9:23-26; 2Co.11:32,33); encontro com os apóstolos (Atos 9:27,28; Gl.1:18,19); partida para a Síria e Cilícia (Atos 9:30, Gl.1:21).

Paulo tornou-se o maior embaixador de Cristo, o maior pregador do Evangelho; o seu testemunho foi, eminentemente, cristocêntrico; por onde ele passava testemunhava que Jesus é o Filho de Deus e o Messias prometido (Atos 9:20,22). Ele se mostrou sobrenaturalmente habilitado para pregar, manter e defender a verdade quando a pregava; aonde ele pregava, os corações eram impactados com o Evangelho. Não podemos imaginar a Igreja sem Paulo.

Paulo, também, foi o maior escritor de Epístolas às Igrejas - foram 13(treze) epístolas, que fazem parte da maior parte do compêndio doutrinário da Igreja. Divinamente inspiradas pelo Espírito Santo, essas epístolas trazem instruções teológicas indispensáveis à doutrina cristã. Elas instruem os cristãos quanto: a natureza de Deus; o significado do ministério e obra de Cristo; o ministério do Espírito Santo na Igreja; a doutrina da salvação; a doutrina dos acontecimentos que se darão no final dos tempos; o caráter cristão e a aplicação da vontade de Deus na vida prática dos crentes; a ordem no culto; o governo da Igreja; etc. É difícil imaginar o cristianismo sem o apóstolo Paulo. Deus seja louvado pela salvação e chamada desse extraordinário homem.

A CONVERSÃO DE SAULO DE TARSO


 Texto Base: Atos 9.1-9

 

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At.9:3,4).

V.P.: “A verdadeira conversão a Cristo leva em conta o arrependimento, a fé em Jesus e uma completa transformação no pensamento, vontade e ação do homem”.

Atos 9:

1.E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo-sacerdote,

2.e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens, quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.

3.E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.

4.E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

5.E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.

6.E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.

7.E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.

8.E Saulo levantou-se da terra e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.

9.E esteve três dias sem ver, e não comeu, nem bebeu.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da “Conversão de Saulo de Tarso”. Indubitavelmente, a conversão desse judeu-fariseu zeloso pela Lei mosaica, foi a mais importante da história do Cristianismo; talvez nenhum feito seja mais marcante na história da Igreja depois do Pentecostes. Nenhum homem exerceu tanta influência no cristianismo, como Saulo de Tarso após a sua impressionante conversão a Cristo. Lucas ficou tão impressionado com a importância da conversão de Saulo que a relata três vezes em Atos (Atos 9,22,26).

Ao se encontrar com Jesus Cristo no caminho para Damasco, Saulo teve a sua vida completamente regenerada - a sua faculdade intelectual foi regenerada, pois seu encontro com o Senhor trouxe-lhe luz à mente; sua faculdade emocional foi afetada, pois ao longo da vida do apóstolo, vemos sua profunda tristeza em perseguir seus irmãos em Cristo; e, finalmente, a faculdade de sua vontade foi tocada. Depois de sua conversão, Saulo tornou-se um dos mais célebres defensores da doutrina de Cristo. Ele desejava desgastar-se pela causa do Evangelho. Assim, nada mais teria sentido para Paulo, senão o de pregar o Cristo Ressuscitado que tanto ele perseguiu. Somente a graça soberana de Deus pode fazer isso! Que neste trimestre, milhares de cerviz duras e bloqueadas pelo pecado sejam alcançadas pela graça maravilhosa de Jesus.

I. A CONVERSÃO DE SAULO: UM ATO DA GRAÇA DE DEUS

1. A conversão de Saulo e sua experiência sobrenatural

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões” (Atos 9:3-5).

A conversão de Saulo é uma evidência insofismável da graça soberana de Cristo. Ele era como um touro forte e bravo, difícil de ser derrubado; porém, Jesus tinha um chamado especial para ele – fazê-lo o mais proeminente apóstolo dos gentios. Mas, para isso, era necessário que a sua cerviz dura e cegueira espiritual fossem debeladas, e os olhos da alma fossem abertos para enxergar a Verdade e o verdadeiro Caminho.

Saulo era um perseguidor implacável; estava determinado banir da terra os cristãos e, por conseguinte, o Cristianismo. Não aceitava que um Nazareno, crucificado como um criminoso, pudesse ser o Messias prometido por Deus. Então, munido de cartas do sumo sacerdote, Saulo ruma para Damasco, respirando ameaças e morte, com o objetivo de prender homens e mulheres cristãos, e levá-los manietados a Jerusalém (Atos 9:1,2). Mas, foi surpreendido por uma impactante experiência sobrenatural pela qual nunca havia passado (Atos 9:3) - “E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu”.

Surpreendido pelo resplendor do céu, mais forte que a luz do sol do meio-dia, o perseguidor da Igreja caiu por terra e ficou cego (Atos 9:4) – “E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Ele, então, retruca: “Quem é tu, Senhor? E obtém a resposta: “Eu sou Jesus, o Nazareno a quem tu persegues” (Atos 9:5).

Que paradoxo impressionante Paulo estava vivenciando naquele momento histórico! Para ele, Jesus de Nazaré estava morto e sepultado na Judeia. Uma vez que o líder da seita havia sido eliminado, seria preciso apenas acabar com seus seguidores, e a terra estaria livre dos cristãos. E agora, por meio de uma revelação arrasadora, Saulo descobriu que Jesus não está morto, mas que foi ressuscitado dentre os mortos e glorificado à direita do Deus Pai, no Céu. A visão do Salvador glorificado mudou inteiramente o rumo da sua vida. Naquele instante, Saulo também se deu conta de que ao perseguir os seguidores de Jesus estava perseguindo o próprio Senhor. A dor infligida aos membros do Corpo era sentida pela Cabeça do Corpo no Céu.

2. A iniciativa de Jesus para transformar a mente de Saulo

Saulo era um carrasco, um homem truculento, selvagem, bárbaro, um fundamentalista religioso em seu zelo ensandecido. Somente a incidência da graça soberana de Deus para salvar um homem com uma natureza selvagem dessa estirpe. Mas, o Senhor o queria em sua equipe de apóstolo; para isso, Cristo teria que tomar a iniciativa para transformar a sua mente cauterizada. Saulo estava caçando os cristãos para prendê-los, e Cristo estava caçando Saulo para salvá-lo (Atos 9:1-6).

Saulo era uma fera selvagem, um perseguidor implacável, um assassino insensível. Portanto, dada a dureza do coração de Saulo, o Senhor tomou a iniciativa de sacudir a sua estrutura física, psicológica e espiritual, agindo pessoalmente na sua direção. A conversão de Paulo no caminho de Damasco foi o clímax repentino de um longo processo em que o “Caçador dos céus” tinha estado em seu encalço; curvou-se, então, a dura cerviz autossuficiente; o touro estava domado. Até aquele momento Saulo fazia o que ele mesmo queria, o que considerava certo e o que sua vontade determinava; mas, desse momento em diante, passou a fazer apenas o que Cristo determinou que ele fizesse.

3. A graça salvadora se manifestou a Saulo

Como já disse, a causa da conversão de Saulo foi a graça salvadora de Deus. Paulo mesmo afirma, na Epístola aos Efésios 2:8: “Pela graça sois salvos por meio da fé, isto não vem de vós, é dom de Deus”. Na epístola a Tito, também afirma: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11). Portanto, Saulo não foi salvo por seus méritos; seus predicados religiosos, nos quais confiava (circuncidado, fariseu, hebreu de hebreus, da tribo de Benjamin) não serviam como pré-requisitos para sua salvação; mais tarde, ele considerou esses predicados como esterco (Fp.3:8). A Bíblia diz que a nossa justiça aos olhos de Deus não passa de trapo de imundícia (Is.64:6).

Portanto, a graça é a causa meritória da nossa salvação. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. A todos quantos creem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na Maravilhosa Graça de Deus. Portanto, o ponto de partida da experiência de salvação de todos os homens é a graça de Deus. Essa graça é o favor imerecido de Deus em que sua justiça é satisfeita na morte expiatória de Jesus. Consideremos, por exemplo, um homem que foi condenado a morrer na cadeira elétrica por ter matado um policial; assim que ele morre é “liberto” desse crime; a pena foi paga, e o caso foi encerrado. Nós também estávamos condenados à morte eterna, mas fomos libertos quando morremos; morremos com Cristo na cruz do Calvário. Além de nossa pena ter sido paga, o domínio opressor do pecado sobre nossa vida foi rompido. Não somos mais escravos impotentes do pecado. Disse o apóstolo Paulo: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” (Rm.6:7).

O outro lado da morte com Cristo é que também com ele viveremos, como diz o texto sagrado: “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” (Rm.6:8). Morremos para o pecado, vivemos para a justiça. O pecado não exerce mais domínio sobre nós; agora participamos da vida ressurreta de Cristo, com reflexos por toda a eternidade. Nossa certeza baseia-se no fato de que o Cristo ressurreto jamais voltará a morrer. A morte já não tem domínio sobre ele. A morte dominou-o por três dias e noites, mas esse domínio cessou de uma vez por todas. Cristo nunca mais morrerá. Virá o Dia que todos nós ressuscitaremos, e nunca mais, também, morreremos.

II. SAULO E A DOUTRINA BÍBLICA DA CONVERSÃO

1. A conversão começa no arrependimento

No Novo Testamento, “arrependimento” traz a ideia de tristeza pelos próprios pecados, acompanhada de um desejo enorme de corrigir o rumo, corrigir o caráter e a conduta moral. Deus restaura o pecador que verdadeiramente se arrepende e muda de atitude. O verdadeiro arrependimento resulta em mudança de vida; foi o que aconteceu com Saulo de Tarso após se encontrar com Cristo no caminho de Damasco. O verdadeiro arrependimento implica na mudança de atitude e conduta daquele que pecou. A orientação amorosa do Senhor Jesus é: “vai-te e não peques mais” (João 8:11).

O apóstolo Paulo afirmou no Areópago perante uma plateia de intelectuais: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30). Pregou o apóstolo Pedro no dia do Pentecostes: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19). Jesus disse “que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc.15:10).

A confissão dos pecados é o maior sinal do arrependimento. Qual é a garantia de que a confissão é importante para Deus? A própria Palavra de Deus; ela garante que a confissão é premiada com a misericórdia - “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv.28:13).

Deus sabe que estamos sujeitos às leis deste mundo, mas exige que pautemos uma vida dentro dos padrões estabelecidos por Ele; e quando nos afastamos desse padrão, Ele espera que admitamos nossa falha e retornemos para Ele por meio da confissão. Todos nós conhecemos o texto áureo da confissão: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1:9).

2. A conversão de Saulo promoveu uma transformação pessoal

Tendo como base Atos 9:10-20 podemos perceber três verdades que evidenciam a transformação pessoal de Saulo após sua conversão. São elas (Adaptado do Livro “Paulo”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Saulo reconheceu que Jesus é o Senhor (Atos 22:8). Aquele a quem Saulo resistira e perseguira é de fato o Senhor; verdadeiramente, ele ressuscitou dentre os mortos; verdadeiramente, ele é o Messias, o Filho de Deus. Aquela luz brilhou na alma de Saulo, iluminou seu coração, tirou as escamas dos seus olhos espirituais (2Co.3:16). O choque da experiência sobrenatural do “resplendor de luz” sobre os seus olhos, transformou a mente de Saulo, levando-o a reconhecer o Cristo que, outrora tanto rejeitava, e que agora o fazia um fiel seguidor e servidor (1Co.15:8-10).

b) Saulo reconheceu que é pecador (Atos 22:8). Paulo tomou conhecimento de que seu zelo religioso não agradava a Deus. Na verdade, estava perseguindo o próprio Filho de Deus (Atos 9:5). Ele reconheceu que era o maior de todos os pecadores. Ele reconheceu que estava perdido e precisava da salvação.

c) Saulo reconheceu que precisava ser guiado pelo Senhor (Atos 22:10). A autossuficiência de Saulo acabou no caminho de Damasco. Ele perguntou: “...que farei, Senhor?...” (Atos 22:10). Agora queria ser guiado! Agora estava pronto a obedecer. Ele que esperava entrar em Damasco na plenitude de seu orgulho e bravura, como um autoconfiante adversário de Cristo, agora estava sendo guiado por outros, humilhado e cego, capturado pelo Cristo a quem fazia severa oposição. O Senhor o capturou antes que ele pudesse capturar qualquer crente em Damasco.

3. A conversão faz parte da doutrina bíblica da Salvação

A salvação, ao contrário do que muitos pensam, não é um ato único, um instante isolado, mas envolve todo um processo, ou seja, uma sequência de atos, com origem em Deus. Tanto a salvação é um processo, que o próprio Jesus nos ensina que é preciso “perseverar até o fim” para que seja salvo (Mt.24:13), isto é, é preciso uma continuidade, uma constância até o instante final da nossa permanência nesta dimensão terrena, onde fomos postos pelo Senhor, por Sua misericórdia, para termos a chance e oportunidade de sermos salvos. Um dos atos do processo da salvação é a Conversão.

A Conversão é a mudança de direção na vida de uma pessoa. O homem, quando se arrepende, muda a sua concepção a respeito da vida, modifica seus desejos, seus sentimentos e seus pensamentos; reconhece que Deus deve governar a sua vida e que deve, a partir daquele momento, passar a agradar a Deus. A atuação do Espírito Santo é indispensável para que o homem seja convencido do pecado, da morte e do juízo; e, assim, resolva se arrepender dos seus pecados e mudar a direção da sua vida, que é o que denominamos de "conversão".

Três coisas devem ser destacadas na Conversão de Saulo no caminho de Damasco (Adaptado do Livro “Paulo”, de Hernandes Dias Lopes):

a) Sua atitude de oração (Atos 9:11). A prova que Deus deu a Ananias de que Paulo agora era um irmão, e não um perseguidor, é que ele estava orando. Quem nasce de novo tem desejo de estar em comunhão com Deus. Saulo foi convertido e logo começou a orar!

b) O recebimento do Espírito Santo (Atos 9:17). Uma pessoa ímpia, sem ser convertida a Cristo jamais será batizado no Espírito Santo. Ananias impôs as mãos sobre Saulo, e ele ficou cheio do Espírito Santo. Charles Spurgeon disse que é mais fácil uma pessoa convencer um leão a ser vegetariano do que uma pessoa ser convertida sem a ação do Espírito Santo.

c) O recebimento do batismo (Atos 9:18). O batismo nas águas não salva, mas o salvo, aquele que foi transformado, deve ser batizado, pois é uma ordenança de Cristo. O batismo é um testemunho da salvação. Uma pessoa que crê precisa ser batizada e integrada na Igreja. Ananias chamou Saulo de irmão; agora, ele pertence à família de Deus.

Portanto, a Conversão de Saulo foi uma obra de Deus, uma manifestação externa da regeneração operada pelo Espírito Santo em seu homem interior, que implicou mudança de pensamento, vontade e ação; uma mudança que alterou todo o curso da vida de Saulo (Ef.4.25-30).

“A regeneração envolve a mudança da velha vida de pecado em uma nova vida de obediência a Jesus Cristo (2Co.5:17; Cl.3:10). Aquele que realmente nasceu de novo está liberto da escravidão do pecado [...], e passa a ter desejo e disposição espiritual de obedecer a Deus e de seguir a direção do Espírito (Rm.8:13,14). Vive uma vida de retidão (1João 2:29), ama aos demais crentes (1João 4:7), evita uma vida de pecado (1João 3:9; 5:18) e não ama o mundo (1João 2:15,16)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1576).

III. AS TRÊS FACULDADES INTERIORES TRANSFORMADAS NA CONVERSÃO

Quando falamos das faculdades “interiores” estamos falando das faculdades da alma. A alma é a parte do homem interior que nos distingue dos demais seres; é onde ficam nossos sentimentos, nossa vontade, nosso entendimento e nossa personalidade. É a alma que nos faz diferentes das demais pessoas e onde é feita a escolha para servirmos a Deus ou não. Na alma situam-se as seguintes faculdades: Intelecto, a Vontade e o Sentimento. Controlar estas faculdades é uma tarefa impossível de ser realizada pelo homem natural; porém, para o homem que passou pelo processo do novo nascimento, esta tarefa se torna possível com a preciosa ajuda do Espírito Santo.

1. Faculdade intelectual

Este campo da alma está relacionado com a nossa mente. É nele que se situa a nossa capacidade de pensar, de conhecer, de julgar entre o certo e o errado, de tomar decisões. Subjugar a mente para pensar e agir conforme a vontade do Senhor, é uma tarefa impossível de ser realizada pelo homem natural. Salomão afirmou que “a estultícia do homem perverterá o seu caminho...”. A Bíblia, na Linguagem de Hoje, diz: “A falta de juízo é o que faz a pessoa cair na desgraça; no entanto ela põe a culpa em Deus, o Senhor” (Pv.19:3). A pessoa nascida de novo, guiada pelo Espírito de Deus adquire a capacidade de poder pensar da forma que Jesus pensava, visto que Paulo declarou que “... nós temos a mente de Cristo” (1Co.2:16). Quando a pessoa, movida pelo Espírito Santo, consegue sintonizar sua mente com a própria mente de Cristo, como se fosse uma só, então torna-se possível o exercício da administração do Intelecto, podendo viver em paz – “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti...” (Is.26:3).

Na área do Intelecto situa-se a Razão, sendo, portanto, uma faculdade da Alma. Pela Razão o ser humano é capacitado a pensar, a julgar, a distinguir o verdadeiro do falso, a entender e separar o bem do mal. Isto, no entanto, só se torna possível quando o homem vive sob o controle do Espírito de Deus. Vivendo assim, ele pode fazer suas as palavras ditas por Jesus: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” (João 5:30). O homem natural, o homem sem o controle do Espírito Santo, às vezes se torna pior que os animais irracionais: age mal, julga mal, prejudica seus semelhantes. É difícil administrar as coisas da alma quem vive sob o poder e influência do pecado, porque “os homens maus não entendem o juízo...” (Pv.28:5).

2. Faculdade das emoções

Esta faculdade da alma é de extrema importância na personalidade humana, pois diz respeito à capacidade de saber administrar e controlar a parte afetiva do nosso ser. O ser humano foi feito dotado de sentimento; é um ser sensível, que sente emoções, paixões e dores, alegria, tristeza, gozo ou prazer. Infelizmente, o pecado deturpou os sentimentos humano, escravizando-os e alternando os seus valores reais. Cristo veio também para reorganizar nossas emoções e canalizá-las na direção correta. Como servos de Deus, submissos ao Espírito Santo, temos o dever de estar atentos para que as nossas emoções sejam controladas e desenvolvidas conforme a vontade de Deus.

Como filhos de Deus, devemos usar nossas emoções para:

-Adorar a Deus. A adoração a Deus é uma das maneiras de usarmos nossas faculdades da alma como Ele quer. Deus tem prazer em nos ver expressando, com sinceridade, reverência e amor, profunda adoração a Ele.

-Crescer espiritualmente. As emoções desempenham um papel básico no nosso crescimento espiritual. E nem sempre é fácil atingir todo o nosso desenvolvimento emocional, pois isto só acontecerá quando formos capazes de ter a mesma atitude de Cristo - ”De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp.2:5). Que sentimento foi este de Cristo que Paulo quis dizer? Humildade integral e Obediência até à morte para o benefício dos outros (Fp.2:5-8). A humildade integral de Cristo deve existir em todos aqueles que se dizem cristãos, os quais foram chamados para viver com sacrifício e renúncia, cuidando dos outros e fazendo-lhes o bem. Exorta o apóstolo Paulo: “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2Tes.3:13).

-Manifestar o Fruto do Espírito - “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl.5:22). Somos responsáveis pelo “jardim” do nosso ser emocional, precisando arrancar as ervas daninhas - amargura, paixões ilícitas, ira e outros sentimentos que são igualmente condenados pelo Senhor (Gl.5:19-22; Ef.4:31).

3. Faculdade da vontade

Vontade é a faculdade que tem o ser humano de querer, de escolher, de livremente praticar ou deixar de praticar certos atos. Embora Deus seja soberano com relação à Sua vontade, Ele criou o homem com liberdade e deixa um espaço para que ele possa fazer a sua vontade ou a vontade de Deus, que chamamos de "vontade permissiva de Deus". O homem não é um robô, um autômato, que é programado para executar as tarefas que lhe foram confiadas. Muito pelo contrário, Deus fez o homem com o poder de escolher, ou não, cumprir o propósito que Deus tem estabelecido para cada indivíduo.

Devemos sacrificar a nossa vontade e fazer a vontade de Deus. Davi foi chamado homem segundo o coração de Deus, exatamente porque se propôs a executar toda a vontade do Senhor (Atos 13:22). Paulo demonstrou, claramente, que o importante é vivermos para cumprir a vontade de Deus (Atos 21:13,14). Só quem faz a vontade de Deus permanece para sempre (1João 2:17).

Como filhos de Deus, devemos utilizar a nossa Vontade para:

ü  Obedecer a Deus. Só obedecemos a Deus quando nossa vontade é submetida à vontade dEle, sendo também essa a melhor forma de agradá-lo - “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm.15:22).

ü  Fazer escolhas corretas. Uma vontade bem administrada produzirá decisões corretas, mas, quando mal orientada, levará a decisões erradas. Disse Paulo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm.7:19). Como administradores da nossa vontade, seremos avaliados pelas decisões que tomarmos. Daniel tomou uma decisão certa, ao não participar das iguarias da mesa do rei de Babilônia (Dn.1:8). Saul tomou uma decisão precipitado, não obedecendo o mandamento de Deus, o que lhe custou a rejeição de Deus para que não reinasse mais sobre o povo de Israel (1Sm.15:9-11).

ü  Fazer o bem. Nossas escolhas alegrarão o coração de Deus quando utilizamos nossa vontade, não apenas para termos intenções nobres, mas também para produzir boas obras. Paulo assim recomenda: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl.6:10). É preciso que as boas intenções sejam transformadas em ações. Assim recomenda Tiago: “E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg.1:22).

CONCLUSÃO

Como foi dito acima, a conversão de Saulo é uma evidência clara da graça soberana de Cristo; é considerada pelos estudiosos como a mais importante da história do Cristianismo, e a causa dessa conversão foi a maravilhosa graça de Deus. Na época de sua conversão, Saulo de Tarso provavelmente estava com trinta e poucos anos de idade. Era considerado pelos rabinos um dos jovens mais promissores do judaísmo e excedia em zelo a todos os seus colegas. Sua conversão estabeleceu uma mudança crítica no Livro de Atos. Até o capítulo 9, o apóstolo Pedro é retratado em primeiro plano enquanto pregava o evangelho aos judeus. Depois da conversão de Saulo de Tarso, este passou ocupar, gradualmente, a posição de maior destaque, e o evangelho foi propagado, cada vez mais, entre os gentios.

Muitos inimigos do Evangelho, ao longo da história do Cristianismo, tentaram, artificialmente, com argumentos pífios, destruir a veracidade incontestável da história da conversão de Saulo de Tarso. Contudo, é inegável o fato de que a conversão de Saulo realmente aconteceu devido a uma intervenção de Jesus Cristo. Não haja dúvida, a causa da conversão de Saulo foi a graça salvadora e soberana de Jesus. É claro que o modo como Saulo foi convertido é ímpar, irrepetível; mas, a graça salvadora de Deus ainda continua libertando pessoas da escravidão do seu orgulho, preconceito e egocentrismo, fazendo-as capaz de arrependerem-se e crerem em Cristo como o único e suficiente Senhor e Salvador. Não podemos fazer outra coisa, senão engrandecer a graça de Deus que teve misericórdia de um fanático enfurecido como Saulo de Tarso, e de criaturas tão orgulhosas, rebeldes e obstinadas como nós.

É bom enfatizar que a conversão de Saulo se deu no momento que Cristo apareceu a ele no caminho de Damasco. Atos 9:3-9 registra este fato claramente. Vejamos: (a) Ele obedeceu às ordens de Cristo (Atos 9:6; 22:10; 26:15-19), comprometeu-se a ser um missionário aos gentios (Atos 26:17-19) e entregou-se à oração (Atos 9:11); (b) ele é chamado “irmão Saulo” por Ananias (Atos 9:17). Ananias percebeu que Saulo tinha verdadeiramente experimentado o novo nascimento, e que se entregou a Cristo para fazer a Sua vontade, e que apenas necessitava ser batizado, receber a restauração da sua vista e ser cheio do Espírito Santo (Atos 9:17,18). Três dias depois da sua conversão, Saulo recebeu a plenitude do Espírito Santo (Atos 9:17).