CONSIDERAÇÃOS ACERCA DO CASAMENTO



Textos: Hb. 13.4 - I Co. 7.1-5,7,10,11

OBJETIVO: Mostrar que o casamento é, desde o princípio, uma instituição social e vitalícia como ponto de origem e suporte da família.

INTRODUÇÃO: A saída apresentada por Paulo aos crentes de Corinto, e também para nós hoje para evitar a imoralidade sexual, é o casamento. No estudo desta semana, aprenderemos o que a Bíblia ensina a respeito dessa importante instituição. Estudaremos a respeito da questão do celibato, suas possibilidades e implicações, e, ao final, meditaremos a respeito do relacionamento conjugal entre cristãos e não-cristãos.

1. O CASAMENTO NA BÍBLIA: No Antigo Testamento a palavra hebraica para casamento é “laqah”, cujo significado básico é o de “pegar pela mão, conduzir”. No Novo Testamente, o termo “gamos”, em grego, significa “casar, celebrar o casamento, ter relações sexuais” (Mc. 6.17; Lc. 14.20; Jô. 2.1-2). A importância do casamento é claramente exposta no Novo Testamento e está baseada nos mandamentos de Deus (Gn. 2.24; Mt. 19.4-5; I Co. 6.16; Ef. 5.31). Jesus, no Sermão do Monte, destacou a natureza sagrada do casamento e reforçou o cuidado em relação ao mandamento de não cometer adultério (Mt. 5.31-32). Ainda que em Dt. 24.1 haja uma possibilidade de divórcio, em Mc. 10.2, Jesus o proibiu, permitindo-o somente nos casos de imoralidade sexual do cônjuge (Mt. 5.32; 19.9). O casamento é tão sublime do ponto de vista bíblico que, para Paulo, esse se assemelha ao relacionamento do homem com Deus (Rm. 9.25). Por esse motivo, o casamento é um mistério que ilustra a relação de Cristo com a igreja (Ef. 5.32). A fidelidade de Cristo pela igreja espelha como deve ser o tratamento do esposo para com a esposa e desta em relação aquele (Ef. 5.21-22, 25-29). Ao contrário do que depreendem alguns estudiosos, a partir do capítulo 7 da I Epístola aos Corintios, a visão paulina do casamento é positiva, não negativa. Conforme veremos nos próximos tópicos, o objetivo de Paulo nesse trecho da epístola é responder a alguns questionamentos da igreja (v. 1), levando em consideração os aspectos contextuais (v. 26).

2. O CASAMENTO E CELIBATO: Ao que tudo indica, na igreja de Corinto havia polos extremos em relação ao casamento e ao celibato. Paulo, no entanto, evita esses dois posicionamentos e mostra que tanto o casamento quanto o celibato são dons de Deus. Por isso, se alguém recebeu o dom de casar, deve se casar, do mesmo modo, se recebeu o dom do celibato, deve permanecer no celibato. O Apóstolo destaca, nesse capítulo, que: 
1) o casamento é puro, por isso a poligamia deva ser terminantemente proibida (7.2); 2) do mesmo modo ele trata a união homossexual (7.2); 
3) o celibato não deve ser uma ordenança, ainda que seja motivado (7.1). O celibato não pode ser uma obrigatoriedade, conforme estipula algumas igrejas, pois só faz sentido caso seja resultado de um dom espiritual (Mt. 19.10-12), na verdade, o casamento é um princípio estabelecido por Deus quando criou o primeiro casal (Gn. 2.18); 
4) há uma mutualidade nos direitos conjugais, portanto, no que tange ao relacionamento, o marido e a mulher devam saber que têm responsabilidades sexuais um com o outro (7.4), é preciso que haja cuidado para que um não prive o outro (7.5); 5) o ato sexual, no entanto, não deva ser endeusado, como costuma acontecer nesta sociedade centrada no sexo, é possível que os conjugues resolva absterem-se, com consentimento mútuo, por algum tempo, para a dedicação à oração (7.5). A razão para um tempo determinado, que não seja muito longo, é para evitar que Satanás entre em ação (7.5). Acima de tudo, é preciso desconstruir a ideia, defendida por alguns, que o sexo é pecado, na verdade, dependendo de como ele é feito, ai sim, pode se tornar pecado (Hb. 13.4).

3. O CASAMENTO ENTRE CRISTÃOS E NÃO-CRISTÃOS: A igreja de Corinto era bastante recente, por isso, algumas pessoas se converteram ao evangelho de Cristo depois de casadas. Como acontece com ainda hoje nas igrejas, é possível que o marido ou a mulher se converta e o cônjuge permanece descrente. O questionamento da igreja era o seguinte: devemos nós permanecer casados com cônjuges descrentes? A resposta do Apóstolo à essa pergunta é: se algum é SIM. Com isso, tal realidade não deva ensejar a separação. A conversão não muda o compromisso social do cristão, a não ser, e ai entre a exceção paulina, que o cônjuge descrente não mais queira viver com o crente (v. 15). Nesse caso, além da possibilidade do divórcio dada por Jesus, no caso da imoralidade sexual (Mt. 19.9), inclui-se também quando houver deserção obstinada da parte incrédula e que não possa por hipótese alguma ser remediada pela igreja. Aos cristãos não casados da igreja de Corinto, Paulo recomenda, tanto aos solteiros quanto às viúvas, que não se casem, a menos que realmente não possam, nesse caso, persiste a máxima, “é melhor casar do que viver abrasado” (v. 8,9). Um entrave para muitos teólogos é tentar entender porque Paulo, que defendera o casamento em tantas outras circunstâncias, parece se opor a esse. A resposta está nas circunstâncias, haja vista que a igreja se encontrava na iminência de ser perseguida, por isso, seria mais viável para os solteiros e as viúvas não se casarem, afinal, no contexto da perseguição, as famílias sofrem mais ainda (v. 28).

CONCLUSÃO: Esse capítulo da epístola não deva ser tomado isoladamente a fim de se construir uma teologia do casamento. Ele precisa ser correlacionado com outras passagens bíblicas, e, principalmente, ser visto a partir das indagações específicas da igreja de Corinto. Algumas verdades, entretanto, são de âmbito doutrinário, isto é, têm alcance universal, dentre elas, destacamos: 
1) o celibato é um dom, portanto, se alguém anseia o casamento é porque não tem o dom do celibato, então, é melhor casar (v. 8,9); 
2) quando for fazê-lo, esteja ciente que o seu futuro cônjuge seja, de fato, um cristão, a fim de que o casamento se dê no Senhor (v. 39); 
3) se a conversão acontecer depois do casamento, todos os esforços devam ser feitos a fim de que o casamento seja mantido; 
4) os cônjuges devam ter o cuidado de cumprir a satisfação sexual um do outro, a fim de que não sejam alvo das tentações satânicas (vs. 3-5).PENSE NISSO!

BIBLIOGRAFIA:
-Bíblia de Estudo em Cores e Pentecostal
-Lições Bíblica 2º. trimestre, CPAD
Deus é Fiel e Justo!

DEMANDAS JUDICIAIS ENTRE OS IRMÃOS


Textos: I Co. 6.2 - I Co. 6.1-9

OBJETIVO: Compreender que o cristão, no exercício do amor cristão, deve aprender a perdoar, portanto, não devem ler seus próprios irmãos aos tribunais descrentes.

INTRODUÇÃO: Os membros da igreja de Corinto, em decorrência da carnalidade, mais precisamente, da falta de amor, levavam uns aos outros aos tribunais pagãos a fim de disputarem interesses egoístas. No estudo desta semana, aprenderemos que essas atitudes procedem em igrejas que não mais sabem o que significa a comunhão cristã. Por isso, os litígios e as inimizades tornam-se práticas comuns, mais que isso, naturais. Ao final, veremos que a igreja cristã precisa atentar para a dimensão escatológica do seu chamado. Para tanto, faz-se necessário saber solucionar seus conflitos com sabedoria do alto, e, principalmente, com amor cristão.

1. A FALTA DE COMUNHÃO ENTRE OS CRENTES DE CORINTO: Os membros de uma igreja carnal deixam-se facilmente levar pelos interesses egocêntricos. Por isso, em Corinto, havia quem tivesse “algum negócio contra o outro” (v. 1), e o pior, levavam uns aos outros aos tribunais pagãos, acionavam os juízes incrédulos para resolverem suas disputas, escandalizando o evangelho de Cristo. Aquela igreja não sabia o significado da palavra comunhão. A koinonia, comunhão em grego, é uma premissa para a congregação que celebra o nome de Cristo. Esse termo significa também a partilha entre os fiéis da igreja. Tal sentimento recíproco é descrito em At. 2.42 em que os cristãos, como discípulos do Senhor, permaneciam juntos em comunhão. A doutrina da comunhão é recorrente nas epístolas paulinas. Para o apóstolo dos gentios a comunhão envolve a partilha de coisas materiais – ao suprimento das necessidades dos santos (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13). Para desenvolver o ministério da koinonia é preciso aprender a abrir mão dos interesses próprios em prol dos outros (Fp. 2.1). Somente quando somos guiados pelo Espírito (Gl. 5.19-22), podemos viver a verdadeira espiritualidade, e, assim fazendo, não daremos lugar aos interesses egoístas. Por essa razão João admoesta os crentes para que vivam em comunhão uns com os outros (I Jo. 1.3,7). Tal comunhão está fundamentada no Pai e em Seu Filho Jesus Cristo (I Jo. 1.6).

2. OS LITÍGIOS E AS INIMIZADES ENTRE OS CRENTES DE CORINTO: Conforme ressaltamos anteriormente, os crentes de Corinto não sabiam o que era comunhão. Por isso, faziam injustiças uns contra os outros (v. 8). Aqueles que se sentiam penalizados, ao invés de perdoarem e viverem em conciliação, em conformidade com o padrão bíblico (Mt. 5.38-40; Rm. 12.14-21), ia à Corte, demonstrando que, na verdade, alguns deles sequer haviam sido convertidos (I Co. 15.34). A igreja de Corinto se assemelha a algumas igrejas contemporâneas. Estão tão voltadas para o materialismo que os crentes só conseguem ver cifras. Não admitem perder um centavo, acreditam que o dinheiro é a razão da plena felicidade. A doutrina da graça está sendo destruída desses arraiais. Não há lugar para o perdão, a lei do mais forte prevalece. A palavra chave, tomada dos meios empresariais, é o sucesso. Todos que ser vitoriosos, há, inclusive, quem cite Rm. 8.37 “somos mais do que vencedores”, sem atentar para o contexto. Paulo, nessa passagem, está tratando da vitória do crente sobre a natureza pecaminosa. Outros utilizam Fp. 4.13 para defender que podem fazer qualquer coisa, mesmo usurpar o que é do seu irmão em prol de benefícios escusos. Deus nos chamou para a paz, para que vivamos em graça, para o exercício do perdão. A mensagem do evangelho, nesse sentido, é uma espécie de contracultura. O mundo desconhece os princípios do amor cristão, é pelos frutos que somos conhecidos (Mt. 7.18-20), por isso, não podemos esquecer que somos sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.13.14). 

3. A SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS CONFLITUAIS NA IGREJA: Ao longo do texto, Paulo apresenta algumas soluções para os problemas dos conflitos da igreja em Corinto, e essas se aplicam muito bem aos problemas interpessoais da igreja hoje: 

1) evitar os danos e contendas dentro da igreja, pois o simples fato de existir contendas entre os crentes já é vergonhoso; 
2) mas se elas surgirem, os crentes não devam levar seus problemas aos tribunais fora da igreja, pois isso pode ensejar um escândalo (I Co. 6.1,4); 3) buscar dentro da igreja a solução para o problema por meio de um sábio aconselhamento, os conflitos da igreja devam ser resolvidos internamente (v. 5,6);  
4) dispor a sofrer dano, isto é, a sacrificar-se pelo outro, a proposta do apóstolo está focada não no direito e na justiça, mas no exercício do perdão e da misericórdia (v. 7).

CONCLUSÃO: A justiça dos homens é medida por medida, isto é, olho por olho e dente por dente (Mt. 5.38). Essa também é a lei de Mamon, o deus do dinheiro e da exploração (Mt. 6.24). O cristão, porém, vive debaixo de uma outra lei (Mt. 5.39-42). A lei da graça de Cristo, por isso, é capaz de, por amor, abdicar de seus direitos em prol do evangelho, especialmente quando existe a possibilidade de escândalo (Mt. 18.17). PENSE NISSO!

BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo em Cores e Pentecostal
Lições Bíblica 2º. trimestre, CPAD
Deus é Fiel e Justo!