ATOS – A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO ATRAVÉS DA IGREJA


Textos: At. 1.8 – At. 1.1-5
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OBJETIVO: Mostrar aos alunos que a igreja, apesar de suas limitações locais, quando direcionada pelo poder do Espírito Santo, testemunha, com ousadia, sobre a ressurreição de Cristo.

INTRODUÇÃO: Neste trimestre estudaremos o livro de Atos dos Apóstolos, que, na verdade, pode ser referido como Atos do Espírito Santo através dos Apóstolos, ou se, preferir, através da Igreja. A série de treze estudos abordará os seguintes temas:

1) Atos – a ação do Espírito Santo através da igreja;
2) A ascensão de Cristo e a promessa de Sua vinda;
3) O derramento do Espírito Santo no Pentecostes;
4) O poder irresistível da comunhão na igreja;
5) sinais e maravilhas na igreja;
6) A importância da disciplina na igreja;
7) Assistência social, um importante negócio;
8) Quando a igreja de Cristo é perseguida;
9) a conversão de Paulo;
10) o evangelho propaga-se entre os gentios;
11) o primeiro concílio da igreja de Cristo;
12) as viagens missionárias de Paulo;
13) Paulo testifica de Cristo em Roma.

No estudo desa semana, o primeiro, trataremos a respeito dos aspectos gerais do livro: autoria, local, data, tema, contexto, conteúdo, propósito e valor.

1. AUTORIA, LOCAL, DATA E TEMA: Atos não menciona o seu autor em lugar algum do livro, mas o autor se apresenta em algumas situações da narrativa na primeira pessoa do plural “nós” (At. 16.10-17; 20.5-15; 21.1-18; 27.1-28.16). Tradicionalmente, a autoria do livro é atribuída a Lucas, a pessoa conhecida por esse nome no Novo Testamento, o médico, amigo e companheiro de Paulo (Cl. 4.14. Fm. 24; II Tm. 4.11). Os escritores do Séc. I da igreja, dentre eles Irineu (180 d. C), cita Lucas como o autor do terceiro evangelho, que leva o seu nome, e de Atos. Essa relação é identificada nos textos bíblicos, pois Lucas, está relacionado tanto à escrita do evangelho (Lc. 1.1-4; At. 1.1,2). Não podemos precisar com exatidão o local no qual Atos dos Apóstolos foi escrito. A tradição associa Lucas a Antioquia, e há algumas possibilidades desse livro ter sido escrito naquele lugar, ainda que alguns estudiosos considerem Roma e Éfeso como lugares prováveis onde Atos teria sido composto. Pela natureza dinâmica da composição, os estudiosos defendem que Atos não teria sido escrito em ano específico, esse livro seria o resultado de um diário contínuo, terminado, ainda que não concluído, antes de 70 d. C. O tema central de Atos pode ser explicitado a partir de At. 1.8: o poder do Espírito Santo sobre a Igreja a fim de que essa possa dar testemunho do evangelho de Cristo em toda terra.

2. CONTEXTO, CONTEÚDO E PROPÓSITO: O título do livro, em grego, é praxei apostolon, e em latim, acta apostolorum, podemos, então, concluir que se trata de um documento histórico, com ênfase na igreja, e mais especificamente, nos atos e vida dos apóstolos. A ênfase do livro repousa no ministério de Paulo, que, por aquele tempo, era acusado pelos judaizantes de não ser um apóstolo legítimo (I Co. 15.8-11; Gl. 1.11). Há quem defenda que o relato de Atos, com ênfase no ministério paulino, poderia ser um documento em defesa do seu apostolado, algo que ele faz com maestria em sua Segunda Epístola aos Coríntios. O objetivo primordial de Atos, no entanto, não é retratar a vida de Paulo, o apóstolo dos gentios, mas revelar a mensagem de Jesus Cristo, a boa notícia para todas as nações, é a partir dessa perspectiva que Lucas faz seu registro histórico (Lc. 24.26). A primeira parte de Atos narra como o evangelho foi aceito inicialmente em Jerusalém, como nasceu a Igreja e como ela vivia. A segunda parte descreve o avanço do evangelho em direção a Samaria e Antioquia na Síria. Em seguida, registra as viagens missionárias de Paulo, mostrando como o evangelho de Jesus penetrou o império romano. No meio do livro, exatamente no capítulo 15, é registrada a disputa em torno da questão judaica, isto é, se os cristãos podem fazer parte do povo de Deus sem que antes se tornem judeus. Mesmo diante da adversidade no qual o livro é encerrado, Paulo preso em Roma, as palavras são esperançosas: “Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (At. 28.31).

3. O VALOR ATUAL DE ATOS: O livro de Atos é fundamental para igreja contemporânea, graças a ele podemos reconstituir, com detalhes, o desenvolvimento da carreira missionária de Paulo e saber como o evangelho se espalhou pelas cidades do império romano. Na verdade, a partir desse livro é possível estabelecer o fundamento histórico sobre os qual a igreja cristã primitiva estava alicerçada: o derramamento do Espírito Santo no dia de pentecoste, a oposição sofrida pela igreja perante as autoridades judaicas, as bases da missão entre os gentios, o martírio de Estevão e a evangelização de Filipe, as conversações de Saulo e Cornélio, a fundação da primeira igreja grega em Antioquia. Esse livro também nos serve de inspiração, pois tem sido, ao longo dos séculos, um desafio para a igreja de todos os tempos refletir a respeito dos seus primórdios, a fim de que imitar o que houve de melhor naquele tempo. É preciso, porém, certa dose de realismo ao ler Atos dos Apóstolos, não podemos fechar os olhos às falhas da igreja primitiva: rivalidades, hipocrisias, imoralidades e heresias. Mesmo assim, tais fragilidades servem também de instrução para a igreja atual a fim de que essa não se deixe conduzir por carnalidades e secularismos. Apesar da sua falhas e defeitos, a igreja de Jesus Cristo, cheia do Espírito Santo, foi capaz de testemunhar de Cristo até aos confins da terra.

CONCLUSÃO: Neste ano do Centenário da Assembléia de Deus no Brasil, teremos a grata satisfação de iniciar o ano estudando o livro de Atos dos Apóstolos. Que a igreja do Senhor tenha humildade para se deixar avaliar pelo crivo da Sagrada Escritura. Como Calvino, admitamos que Atos é um “enorme tesouro”, ou conforme afirmou o médico, pastor e pregador Martin Lloyd Jones sobre Atos: “vivei neste livro, eu vos exorto, ele é um tônico, o maior tônico que conheço no domínio do Espírito”. Que todos nós, alegres por sermos cristão, não esqueçamos de tomar o tônico do Espírito Santo. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

SE O MEU POVO ORAR


Textos: II Cr. 7.14 – II Cr. 7.11-18
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OBJETIVO: Despertar os alunos para perceberem a importância da oração, e mais que isso, as bênçãos espirituais dela advindas.

INTRODUÇÃO: Neste último estudo do trimestre, veremos a respeito do significado da oração para o povo de Deus. Inicialmente, meditaremos a respeito do contexto da passagem, no qual Israel é chamado a orar. Em seguida, analisaremos a importância que a oração tem para a igreja cristã. E por fim, sobre as implicações da oração para a vida do cristão.

1. SE ISRAEL ORAR: Após a dedicação do templo em Jerusalém, o Senhor apareceu a Salomão, à noite, em sonho. Nessa ocasião, Ele revelou ao monarca israelita seus projetos em relação ao futuro da nação. A palavra de Deus dirigida a Salomão tratava-se de uma resposta a sua petição. O Senhor aceita aquele local, o templo que havia sido erigido, como lugar de sacrifício e adoração (II Cr. 7.12). Quando o povo pecasse, e por causa do pecado, fosse julgado, através da falta de chuvas, de pestes que consumissem a terra, e depois o povo se arrependesse, o Senhor assim expressa: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (II Cr. 7.14). No contexto da passagem, o Senhor está dizendo a Salomão que se o povo se arrependesse dos seus maus caminhos, Ele ouviria dos céus a oração, perdoaria seus pecados e pouparia Israel dos males que lhe sobreviriam por causa da desobediência. Esse versículo precisa ser compreendido em conformidade com as promessas específicas feitas por Deus a Israel. Caso contrário, resultará em interpretações equivocadas ou aplicações forçadas à igreja. Somente podemos fazer alguma aplicação se considerarmos esse texto na totalidade do evangelho, reconhecendo:

1) A relevância do reconhecimento dos pecados da igreja;
2) As conseqüências desastrosas que o pecado pode causar;
3) A necessidade de arrependimento para que não sejamos julgados com o mundo;
4) A convicção que Deus ouvirá as orações e nos guiará na verdade. A aplicação nacional desse versículo a qualquer país (inclusive o Brasil), como fazem alguns pregadores, não tem respaldo exegético(Comentário ou dissertação para esclarecimento ou minuciosa interpretação de um texto ou de uma palavra).

2. SE A IGREJA ORAR: A igreja de Jesus Cristo necessita redescobrir o valor da oração. Se essa despertar para a importância da oração, desfrutaremos de um avivamento genuíno. Isso porque, conforme destacou o Senhor, “tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt. 18.18-20). Essa deva ser a motivação central da igreja para orar, experimentar a presença de Jesus em unidade no corpo de Cristo. Não importa qual seja o assunto, contanto que seja do agrado do Senhor, de acordo com Sua soberana vontade, Ele responderá a oração. Muito mais Jesus poderia fazer em Sua igreja, e através dela, bastaria que essa orasse. Infelizmente, há um busca exacerbada por bens materiais, decisões tomadas com base na política partidária ou eclesiástica e intensa competitividade entre os membros, tudo isso apaga a chama do Espírito Santo. Em Jo. 15.7, Jesus disse que “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Eis a condição para que recebamos do Senhor a resposta das orações: se as Suas palavras estiverem em nós. A igreja precisa orar, mas não apenas fazer orações com base em interesses particulares, antes orar de acordo com a vontade de Deus. Quantos de nós ainda ora por um avivamento na igreja? Pelo derramamento do Espírito Santo? Para que os novos convertidos sejam batizados no Espírito Santo? Será que ainda há quem ore pelos missionários em terras longínquas? Ainda estamos dispostos a orar pelos enfermos? Se a igreja do Senhor orar, em união, por temais semelhantes a esses, faremos proezas para a glória do Senhor.

3. SE O CRISTÃO ORAR: A revolução precisa começar por cada um de nós, cada cristão, individualmente, é chamado a orar. A oração do cristão deve ser uma expressão dos sentimentos e necessidades, mas, sobretudo, impulsionada pelo Espírito Santo (Rm. 8.15,26), orando tanto em Espírito quanto com a mente (I Co. 14.15). Por isso, Paulo recomenda aos efésios para que orem em todo o tempo no Espírito (Ef. 6.18), isso quer dizer que a oração não é apenas um ato natural, um momento de meditação para encontrar-se, como pressupõem os adeptos da auto-ajuda, muito menos um meio de obter longevidade, como defende o pragmatismo moderno. Orar é desfrutar de comunhão íntima com Deus, é reconhecer, pelo Espírito Santo, que somos filhos de Deus, por meio do qual podemos chamá-lo de Pai, Aba (Rm. 8.15,16). Se o cristão orar, terá mais comunhão com o Pai, e pedirá, em nome de Jesus, para a glória dEle (Jo. 14.13). Este é um exercício de fé, não esqueçamos que “tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt. 21.22), contanto que o pedido seja da vontade de Deus (I Jo. 5.14). A esse respeito, devamos saber que a vontade de Deus não é que sejamos ricos, que tenhamos mansões, carros importados, iates e aviões, tal como argumentam os profetas da prosperidade, mas que sejamos santos (I Ts. 4.3), que vivamos em paz e unidade (Ef. 4.3) e sejamos sábios diante dos problemas da vida (Ef. 6.19,20; Tg. 1.2). Se o crentes em JESUS orar, a sua vida será guiada pelo Espírito do Senhor, ele aspirará viver de modo mais elevado, de acordo com o padrão planejado por Deus (Hb. 11.40).
CONCLUSÃO: “Se” é uma partícula gramatical condicional, portanto, uma possibilidade. Existem inúmeras ordenanças bíblicas para que o crente em JESUS ore. Mas Deus não obriga as pessoas a orarem, Ele apenas declara: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes” (Jr 33.3). Em muitas ocasiões, Israel deixou de ver a glória de Deus porque preferiu confiar em si mesmo, ao invés de buscar o Senhor em oração. A igreja dos tempos(gente) atuais precisa aprender com o exemplo da igreja primitiva, a qual, perseverava na oração e no ministério da palavra (At. 10.5), esse, porém, é um assunto para o próximo trimestre. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!