ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO


Textos: Ap. 2.4 – Ap. 2.1-7



INTRODUÇÃO: A primeira das sete cartas de Jesus é dirigida à igreja de Éfeso, a mais rica e importante cidade da Ásia Menor. Uma cidade estimada em mais de duzentos mil pessoas, onde ficava o mais importante porto da Ásia. No estudo desta semana, contextualizaremos a epístola, apresentando informações sobre a cidade, destacaremos as virtudes apontadas por Cristo em relação a essa igreja, e ao final, a crítica principal, o esquecimento do primeiro amor.

1. A IGREJA DE ÉFESO: Éfeso era o centro do culto a Diana (At. 19.35), cujo templo é considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Em tal templo havia várias sacerdotisas do sexo, que atuavam como prostitutas. Nesse templo também era adorada a deusa Roma e o imperador romano. Tratava-se, portanto, de uma cidade religiosa, que integrava adoração a essa deusa com práticas de imoralidade sexual (At. 19.19). Essa cidade fora visitada por Paulo por volta de 52. d. C., em sua terceira viagem missionária, a quem enviou uma das suas epístolas. Ao que tudo indica, a igreja de Éfeso fora fundada por Áquila e Priscila, juntamente com Paulo. Mais tarde o trabalho em Éfeso foi conduzido por Timóteo, companheiro do Apóstolo (I Tm. 1.3). De acordo com Irineu e Eusébio de Cesaréia, depois da morte de Paulo, aquela igreja passou a ser dirigida por João, o evangelista, posteriormente exilado na ilha de Patmos, autor do Apocalipse. Inácio, bispo de Antioquia, nos primeiros anos do século II, escreveu uma extensa carta à igreja de Éfeso, na qual a elogia pela unidade e conduta cristã irrepreensível, e por viverem em amor e harmonia sob a liderança de Onésimo, seu bispo.

2. UMA IGREJA VIRTUOSA: Três virtudes são destacadas por Cristo na igreja de Éfeso, inicialmente era uma igreja fiel na doutrina (Ap. 2.2,3,6), que mesmo cercada pela perseguição, e ameaçada por heresias, permanecia fiel à palavra de Deus. O próprio Jesus havia alertado a Sua igreja quanto aos lobos que viriam com peles de ovelhas (Mt. 7.15), bem como Paulo, na mesma cidade de Éfeso, quanto aos os lobos cruéis que tentariam devorar o rebanho (At. 20.29,30). Finalmente esse tempo havia chegado, e os crentes de Éfeso estavam diante de falsos ensinamentos. Mas a igreja de Éfeso tinha discernimento espiritual, por isso tornou-se intolerante com essas heresias, bem como contra o pecado, que geralmente é resultante dos ensinamentos contrários à palavra. O perigo era justamente a doutrina dos nicolaítas, um posicionamento liberal que não atentava para os princípios cristãos. Eles aceitavam a imoralidade sexual como se fosse algo normal, argumentavam em favor de um cristianismo que pactuava com atitudes promíscuas, semelhante ao que fazem algumas igrejas atuais. Outra virtude dessa igreja é que ela estava envolvida com a obra de Deus. Os cristãos eram participativos, não apenas expectadores. Infelizmente, em algumas igrejas, as pessoas vão apenas para os cultos, cantam, dançam, mas não há qualquer relacionamento entre os membros. O individualismo do homem moderno está solapando também as igrejas cristãs, que não sabem mais o que é ter comunhão. Jesus também elogiou a disposição da igreja de Éfeso para enfrentar perseguições. A igreja não se abateu por causa das ameaças daqueles que adoravam a deusa Diana, bem como dos que se dobravam perante o imperador. A igreja cristã tem seus princípios, não pode fazer concessões em relação à imoralidade sexual, muito menos com posturas políticas que vão de encontro à Palavra de Deus. Pior do que a perseguição é o marasmo no qual se encontra determinadas igrejas, que andam casadas com o liberalismo, a fim de serem politicamente corretas, ou de mãos dadas com políticos corruptos, a fim de tirarem algum proveito financeiro.

3. MAS QUE ESQUECEU O PRIMEIRO AMOR: A igreja de Éfeso esqueceu o seu primeiro amor, restou apenas o ativismo (Ap. 2.4). Há igrejas que estão centradas em meras atividades, têm cronogramas exaustivos, que são seguidos à risca. Muitas dessas igrejas já perderam o primeiro amor, a espiritualidade está comprometida, por isso, as atividades servem apenas para camuflar a ausência do genuíno amor. Não podemos esquecer que o amor sacrificial  – ágape em grego – é a marca da verdadeira igreja (Jo. 13.34,35). O principal problema da igreja de Éfeso é que ela identificava o mal nos outros, mas não em si mesma, perdeu a capacidade de fazer autocrítica. De fato, se fôssemos julgados por nós mesmos não seríamos julgados, mas quando somos julgados pelo Senhor é para não sermos condenados com o mundo (I Co. 11.20-32). Éfeso era uma igreja ortodoxa, isto é, que tinha uma doutrina correta, mas que carecia de uma ortopraxia, ou seja, uma conduta correta. Esse equívoco pode levar qualquer igreja à ruina, pois ela acaba se tornando hipócrita, acusa os erros dos outros, inclusive os da sociedade, enquanto age a partir dos mesmos valores que repreende. Mas nem tudo está perdido, Jesus apresenta uma solução para esse tipo de igreja: “lembra-te, pois, de onde caíste” (Ap. 2.5). Mais importante do que saber que caiu é identificar a origem da queda. Somente assim será possível retornar ao lugar correto. O filho pródigo somente encontrou a solução para sua condição espiritual quando percebeu que precisa retornar à casa do Pai (Lc. 15.17). Jesus acrescenta: “volta às obras que praticavas no princípio” (Ap. 2.5). O arrependimento genuíno resulta em prática de vida, em obras que sejam, de fato, dignas de arrependimento (Mt. 3.8).

CONCLUSÃO: Há uma advertência final de Cristo à igreja de Éfeso, que deve ser motivo de reflexão de toda igreja que se diz cristã, caso ela não se arrependa, Ele vira contra ela e tirará o seu candelabro (Ap. 2.5). Para que isso não aconteça é preciso, antes que seja tarde demais, retornar ao primeiro amor, pois, sem amor, de nada adianta o falar em línguas, profecias e mistérios, tudo não passará de barulho (I Co. 13.1,2). Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO

Textos: Ap. 1.17,18 – Ap. 1.9-18


INTRODUÇÃO: Em continuidade à contextualização das Cartas às Sete Igrejas do Apocalipse, destacaremos, no estudo desta semana, a visão dada a João, do Cristo Glorificado. A princípio, ressaltaremos a figura do Revelador, que é o próprio Cristo, em seguida, as características da Sua glorificação. E por fim, a reação de João, que deva ser a de todos nós, diante do Cristo Glorificado.

1. CRISTO, O REVELADOR GLORIFICADO: João recebeu de Cristo a ordem para que enviasse às sete igrejas da Ásia menor as visões que lhes seriam reveladas (Ap. 1.9). O Apóstolo Amado estava em espírito, no Dia do Senhor (Ap. 1.10), ao que tudo indica, um dia de domingo, já que esse era o dia em que os primeiros cristãos se reuniam (At. 20.7; I Co. 16.2). “Em espírito” aponta para uma experiência sobrenatural, talvez semelhante ao arrebatamento experimentado por Paulo, registrado em II Co. 12.2. João teve, então, sua primeira visão, sete candeeiros de ouro, que representavam a igreja, tendo em vista que essa é a luz do mundo (Mt. 5.14). No meio dos candeeiros de fogo João viu um semelhante a filho de homem, certamente o mesmo que fora visto por Daniel (Dn. 7.13), a Sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve, representando Sua santidade e divindade. Os olhos de fogo revelam Sua vitória sobre os inimigos (Ap. 19.12). Seus pés semelhantes ao bronze polido, como refinado numa fornalha destacam Sua força e poderio, pois Ele tinha na mão direita sete estrelas. Sendo Ele a Palavra, sai, da Sua boca, uma afiada espada de dois gumes. A Palavra de Deus que é a espada do Espírito (Ef. 6.17), espada afiada, capaz de discernir as intenções do coração humano (Hb. 4.12). Ele, como aconteceu no princípio, cria uma nova realidade a partir da Sua palavra, como Deus, que, ao falar, a tudo fez (Gn. 1.3).

2. CARACTERÍSTICAS DA GLORIFICAÇÃO DE CRISTO: Essa é uma visão extraordinária, que chamou a atenção de João, inicialmente por Sua supremacia. Jesus é a maior autoridade em meio às igrejas, pois foi Ele quem derramou sangue para resgatá-la (Ap. 1.18,19). Os interesses humanos, inclusive os da liderança cristã, devem submeter-se à voz dAquele que é o Cabeça da Igreja (Ef. 1.22; 5.23; Cl. 1.18). Suas vestes caracterizam a soberania, pois as vestes compridas e o cinto de ouro era uma marca daqueles que tinham autoridade. Após a ressurreição Jesus declarou que todo o poder havia sido lhe dado no céu e na terra (Mt. 28.18). Ele é o Santo, pois não conheceu pecado (Hb. 4.15), o Justo (At. 3.14), o Santo de Deus (Lc. 4.34), nEle não há pecado (I Jo. 3.5). Seu olhar, como chamas de fogo, aludem à capacidade de ver todas as coisas, que se tornam patentes aos Seus olhos (Hb. 4.13). Ele conhece os pensamentos humanos, e os perscruta (Lc. 6.8), bem como os corações (Jo. 2.25), por isso pode se dirigir às igrejas dizendo que as conhece (Ap. 2.2,9,13,19,3.1,8,15). Cristo é graça e amor, mas as igrejas não podem esquecer que Ele, é Fogo Consumidor, que julga o Seu povo através do fogo (I Co. 3.13-15). Por isso aponta os erros das igrejas (Ap. 2.4,14,15,20; 3.1; 3.15, 16). Essas são as características do Cristo Glorificado, que, após a Sua morte e ressurreição, subiu à destra do Pai, recebendo a glória que lhe pertencia antes da fundação do mundo (Jo. 17.5).

3. ADORAÇÃO DIANTE DO CRISTO GLORIFICADO: Diante do Cristo Glorificado, a igreja somente pode prostrar-se e, em submissão, adorar Aquele que é o Primeiro e o Último, que foi morto, mas que está vivo para todo o sempre, o Amém, que tem a chave da morte e do inferno (Ap. 1.17,18). Por isso, João, ao ver o Cristo Glorificado, cai aos seus pés, como morto. Desde a Antiga Aliança, ninguém podia ver a face de Deus (Ex. 33.20), as manifestações divinas provocavam assombro (Ez. 1.28-29; 3.22,23; 44.4). Isaias, no seu chamado para ser profeta, sentiu a miserabilidade do seu pecado, e clamou por perdão (Is. 6.1-5). Saulo, o perseguidor da igreja, não conseguiu ficar de pé diante da revelação e da voz que o impactou no caminho de Damasco (At. 9.3-5). Diante das grandezas das revelações de Cristo, devemos nos humilhar em reconhecimento a Sua potente mão (I Pe. 5.5,6). Muitas igrejas estão perdendo o temor pelo Senhor, não percebem que esse é o princípio da sabedoria espiritual (Pv. 1.7; 9.10; Ec. 12.13). Precisamos atentar para o exemplo de Jó, homem fiel a Deus, que O temia, por isso, se desviava do mal (Jó. 1.8). Quando tememos a Deus a ninguém mais temeremos (Mt. 10.28), pois Ele está no controle de todas as coisas, inclusive da morte e do inferno (Ap. 1.17,18). Isso porque a morte e o inferno não foram capazes de detê-LO. Ele é o Deus Vivo, o mesmo ontem e hoje e eternamente (Hb. 13.8)

CONCLUSÃO: A visão do Cristo Glorificado proporcionou a João a compreensão espiritual dos mistérios de Deus. Podemos ter o entendimento de tais revelações através das páginas da Escritura, no registro bíblico de que as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, as sete igrejas (Ap. 1.20). Diante de tais verdades, mantenhamo-nos, humildes, pois a Palavra é revelada aos pequeninos (Mt. 11.25), não aos orgulhosos (I Co. 3.1-3). Imbuídos dessa sensibilidade, permaneçamos com os ouvidos espirituais atentos para ouvir o que o Espírito diz às igrejas (Ap. 3.6). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!