UMA VIDA CRISTÃ EQUILIBRADA

Textos: Fp. 4.5-8


INTRODUÇÃO: Verificamos no estudo passado que a oração é o antídoto contra a ansiedade, e que, por meio desta, obtemos a paz. Mais especificamente, neste estudo, trataremos a respeito da mente do cristão. Veremos que nossos pensamentos exercem papel preponderante para uma vida cristã equilibrada. Destacaremos a importância de voltarmos nossos pensamentos para as coisas que são de cima, não para as que são de baixo (Cl. 3.1).

1. ANSIEDADE, A DOENÇA DO SÉCULO: O coração nas Escrituras é a sede das emoções, dos sentimentos, por isso Paulo orienta os irmãos filipenses a colocarem suas mentes em Deus, a viverem em alegria e a buscarem a paz de Deus, a fim de guardarem suas mentes e emoções da ansiedade (Fp. 4.5,6). A mente do mundo, isto é, sua forma de pensamento, conduz as pessoas ao desespero, à ansiedade, e, às vezes, à depressão. Para não nos deixar conduzir pelo modo do mundo ver a realidade, não podemos nos conformar com ele, antes ter a mente renovada, de acordo com a vontade de Deus, que é agradável, boa e perfeita (Rm. 12.1,2). Se mantivermos nossas mentes em Deus, poderemos desfrutar da sua maravilhosa presença, ter a convicção de que Ele estará conosco. Muitas igrejas não sabem mais o que é a presença de Deus, nelas o Senhor está ausente, há apenas rituais religiosos. Algumas atividades da igreja geram ansiedade, pois seus membros não conseguem mais confiar em Deus. Se aprendermos a depositar nossa confiança no Senhor, e a ter a convicção de que o Deus de paz está conosco, guardaremos nossos sentimentos nEle (Fp. 4.9). As emoções do cristão não estão à mercê das circunstâncias mundanas, muito menos dos valores que a sociedade moderna escolheu. Jesus ensinou seus discípulos a não viverem demasiadamente preocupados, antes a confiarem na providência divina (Mt. 6.28-30). Deus sabe das nossas necessidades, devemos trabalhar, suprir as carências familiares, mas não nos tornar escravos do consumismo, e não nos deixar levar pelas imposições da mídia. A Palavra de Deus não promete que teremos tudo que desejamos, na verdade muitos pedem e não recebem porque o fazem tão somente para satisfazer seus deleites (Tg. 4.3). A igreja secularizada absorveu o espírito deste mundo, se tornou um antro de consumismo, distorceu os valores bíblicos. A promessa de Deus, para aqueles que depositam confiança nEle, é Sua presença, e uma paz que o mundo não conhece (Jo. 14.27), e que excede a todo conhecimento humano, inexplicável para a psicologia moderna.

2. A PAZ QUE EXCEDE TODO ENTENDIMENTO: A paz que o cristãos desfruta não é natural, não depende de fatores externos, não pode ser confundida com felicidade. Esta se sustenta em condições materiais, tais como riqueza, fama e poder. Mas a Paz de Deus é resultado de uma experiência profunda com o Espírito Santo, que produz, em nós, e conosco, o Seu fruto (Gl. 5.22). O Espírito Santo está trabalhando para a nossa santificação. O mesmo Espírito que ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos está atuando com vistas à nossa maturidade espiritual (Hb. 13.20; Ef. 1.19,20). Os servos e as servas de Deus, precisam aprender a desfrutar dessa paz, que é demonstração de equilíbrio espiritual. O crescimento espiritual do cristãos é demonstrado através da sua capacidade crescente para enfrentar as situações adversas. Essa paz é a shalom, que, na língua hebraica, tem a ver com a dimensão integral do ser humano. O cristão que desfruta dessa shalom não se abate quando as circunstâncias são desfavoráveis. Antes se dirige a Deus em oração, apresentando suas necessidades, e se for o caso, inquietações (Fp. 4.6). A paz com Deus nos foi dada através de Jesus Cristo, quando morreu e ressuscitou pelos nossos pecados, dando-nos justificação (Rm. 5.1). Mas a paz de Deus vem com a maturidade cristã, principalmente através dos momentos de oração (Fp. 4.6). A oração contribui para a disciplina da nossa mente, ela põe o foco na Pessoa certa, nos direciona para o Deus de paz. Sem oração, tornamo-nos alvos fáceis do pragmatismo moderno, jamais aprenderemos a esperar com paciência no Senhor (Sl. 40.1). Esta geração desaprendeu a orar, o ativismo nas igrejas é um sintoma dessa triste realidade. Queremos fazer muito para Deus, dependendo apenas de nós mesmos. Sem Jesus nada poderemos fazer, mesmo os resultados humanos não passam de aparência (Jo. 15.5; Ap. 3.17).

3. EQUILÍBRIO NA VIDA CRISTÃ: A vida cristã equilibrada, sem se deixar conduzir por extremos, é uma operação divina, mas carece da participação humana. Os cristãos precisam fazer alguma coisa para desfrutarem da alegria e da paz de Deus que excede todo entendimento.  Muitos cristãos estão pautados no que é aparente, não no que é real. Existe uma cultura do aparente na sociedade, a mídia tem trabalhado para distorcer a percepção das pessoas. A cultura do entretenimento está invadindo as igrejas, as pessoas vão para as igrejas para se divertirem, não para ouvirem a Palavra de Deus. Algumas igrejas parecem mais com programas de auditório, muita espetacularização, luzes e malabarismos. A teologia da ganância, com o nome de prosperidade, está deturpando o conceito bíblico de espiritualidade, o ter está sendo substituído pelo ser. Essa teologia do engano está sendo repassada como se fosse verdade, e está tirando a paz de muitos cristãos, que buscam felicidade, mas não alegria do Espírito, riqueza material, não tesouros no céu. (Mt. 6.19-21). Paulo diz ainda que os cristãos devem buscar tudo o que é respeitável, isto é, honesto, sem duplicidade de caráter. A desonestidade está naturalizada na sociedade por causa do pecado. Neste país, em que a política fomenta a corrupção, a corrupção é confundida com benção, há até os que agradecem a Deus pela propina recebida. Diferentemente do mundo, o cristãos busca o que é justo, que o responsabiliza diante do outro. Ele pauta a sua vida na santidade, na pureza, investe em valores morais, sobretudo no seu caráter. Nesse caminho do equilíbrio espiritual, busca também o que é amável, que são as coisas agradáveis decorrentes do genuíno amor cristão (I Co. 13). Ao invés de pensar que é torpe, o cristão medita naquilo que é de boa fama, ou seja, palavras que não distratam os outros. E por fim, seu pensamento não está voltado para a malícia, mas para a virtude,  que é a excelência da vida cristã, e para o que merece louvor,  o que não é vergonhoso.

CONCLUSÃO: O pensamento exerce papel preponderante nas atitudes do cristão, é a partir da mente que o cristão pode ter uma vida equilibrada. Por isso, devemos buscar ter a mente de Cristo, para não pensamos de acordo com o mundo (I Co. 2.16), que jaz no Maligno (I Jo.5.19). Essa não é uma tarefa fácil, trata-se de um exercício espiritual, que deve ser buscado continuamente. Para tanto, faz-se necessário levar cativo todo entendimento à obediência de Cristo, reconhecendo Seu senhorio sobre as nossas vidas (II Co. 10.4,5). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A ALEGRIA DO SALVO EM CRISTO

Textos: Fp. 4.1-7


INTRODUÇÃO: No estudo desta semana daremos continuidade às recomendações práticas do Apóstolo aos cristãos de Filipos. A princípio, Paulo, o exemplo a ser imitado, motiva os cristãos filipenses a se firmarem na fé. Em seguida, mostra-lhes a importância da alegria divina, que não depende das circunstâncias, mas é produzida pelo Espírito. Posteriormente, apresenta um antídoto contra a ansiedade, cujo fundamento é a paz de Deus, que excede todo entendimento.

EXORTAÇÃO À FIRMEZA NA FÉ: Paulo identifica os irmãos da igreja de Filipos como sua “alegria e coroa” (Fp. 4.1). Em grego há duas palavras para coroa: diadema, que diz respeito a uma coroa real, e stefanos, à coroa usada pelos vencedores de atletismo. O termo usado pelo Apóstolo é stefanos, aludindo, assim, à conquista em uma competição olímpica. Ele sabia que, ao chegar ao céu, receberia um prêmio pelo seu labor pastoral. Os falsos mestres, ao contrário, buscavam prêmios terrenais, a vanglória humana. Mas Paulo busca uma premiação celestial, o reconhecimento do Senhor pelo seu trabalho. Em seguida, admoesta os cristãos a permanecerem “firmes no Senhor”. O verbo grego aqui usado é stekete, e está no imperativo, uma espécie de ordenança dada a um soldado. Nesse caso o lutador deveria permanecer em sua posição, sem deixar seu lugar estratégico. Muitos cristãos querem abandonar sua posição por qualquer motivo. Somos instados, pelo mesmo Apóstolo, a sermos firmes e constantes, abundantes na obra. E mais importante ainda, saber que, no Senhor, não nos homens, nossa obra não é vã (I Co. 15.58). Adiante Paulo destaca um problema de relacionamento na igreja de Filipos, que envolvia Evódia e Síntique. Essas irmãs não deveriam ser descartadas, mas ajudadas a amadurecerem na fé. Ao invés de buscarem o crescimento da obra, estavam digladiando-se entre si. Essas mulheres tornaram-se exemplos negativos de partidarismos nas igrejas, que impedem a maturidade espiritual (I Co. 3.4,5). Muitas igrejas estão adoecidas por causa das disputas por cargos nos departamentos. O corpo de Cristo não pode ser fragmentado por causa de vaidades pessoais, dos interesses particulares. Uma igreja que vive em unidade é caracterizada pelo sentimento comum entre os membros. Isso não quer dizer que todos devem ser iguais, uma das belezas da igreja está justamente na diferença. Existem pessoas de diferentes condições socioeconômicas na igreja, todas salvas pelo sangue do mesmo Cordeiro (Gl. 3.26-28). A diversidade pode existir, mas apenas nos aspectos periféricos, no principal, unidade deve prevalecer. A produção do fruto do Espírito (Gl. 5.22), em amor (I Co. 13), é o elo que consolida a igreja no Senhor.

ADMOESTAÇÃO À ALEGRIA DIVINA: O Apóstolo retoma o tema da alegria, certamente porque os cristãos filipenses estavam entristecidos. Os judaizantes colocavam um fardo tão pesado sobre os ombros das pessoas que essas não conseguiam ser alegres (At. 15.28,29). Os gnósticos apregoavam uma liberdade que era pura libertinagem, tornando as pessoas escravas dos prazeres. Contra esses caprichos humanos, a resposta de Paulo é a alegria que vem de Deus (Fp. 4.4). Alegria do Espírito, não é circunstancial. Ela é resultante da salvação em Cristo Jesus, que lança o ser humano na liberdade para servir em amor. Jesus atrai para Ele todos os que estão cansados e sobrecarregados, e coloca sobre eles o seu jugo, que é suave, e o seu fardo, que é leve (Mt. 11.30). Muitos atualmente querem felicidade, mas não buscam a verdadeira alegria. Os livros de autoajuda prometem uma felicidade de bens perecíveis. Mas a alegria que vem de Deus não resulta daquele que anda em derredor (I Pe. 5.8), mas nAquele que está dentro de nós (I Jo. 4.4). Em prosseguimento, Paulo orienta os filipenses quanto à moderação, epieikeia em grego. Esse é um termo bastante amplo, que diz respeito não apenas ao que é legal, mas ao que é certo. As leis são produções humanas, nem sempre estão corretas. Os cristãos vivem a partir de uma Lei maior, a de Cristo, exercitada em graça e amor (Rm. 13.10). O mundo se pauta pelas leis humanas, que merecem respeito, e na maioria dos casos, obediência. Mas existe uma lei que está acima de todas as leis, é a Lei de Deus, revelada em Sua palavra. É a partir dessa que o cristão deve viver, e mais importante, que essa sirva de testemunho da nossa fé em Cristo. Todos os homens devem reconhecer, pelas nossas práticas, que somos filhos de Deus (Tg. 2.14; I Jo. 3.7,8). Uma das motivações para o exercício da moderação é que o Senhor está perto. A dimensão escatológica é condição ética para o viver cristão, pois virá o dia em que todos prestaremos contas pelo que fizemos no corpo (Rm. 14.10). Muitos acham que o Senhor está demorando para voltar, por isso estão vivendo dissolutamente, mas Ele é longânimo (II Pe. 3.8,9). Ao Seu tempo Ele voltará para levar a Sua igreja, conforme prometeu (Jo. 14.1; I Pe. 2.9). Essa é a bendita esperança da igreja cristã (Rm. 8.23; I Co. 15.51,52; I Ts. 4.16,17; Tt. 2.13), não a ganância terrena, como muitos tem apregoado atualmente. Todos aqueles que têm essa esperança não vivem como bem entendem, mas de acordo com a vontade de Deus (I Jo. 3.3), perfeita, boa e agradável (Rm. 12.1,2).

A PAZ DE DEUS PARA VENCER A ANSIEDADE: A ansiedade é um problema crônico na sociedade contemporânea, por falta de alegria espiritual, não poucos estão angustiados. Essa ansiedade, pode resultar dos problemas de olharmos para as circunstâncias. A preocupação com as coisas materiais podem nos distanciar do foco, que é o céu. O mundo moderno, ao esquecer-se de Deus, perdeu a tranquilidade. O reino de Mammon é cruel, e desgraçado, não permite que as pessoas tenham paz. Por causa disso as muitas pessoas são destroçadas, sendo puxadas em direções opostas. Jesus advertiu a respeito dos perigos de viver em ansiedade constante (Mt. 5.19-34). O problema da ansiedade é que ela faz com que deixemos de confiar em Deus, e percamos a paz. O antídoto contra a ansiedade é a oração, este é o melhor remédio. Ao invés de andarmos ansiosos, devemos levar nossas preocupações para Deus (Fp. 4.6). Infelizmente tudo hoje em dia contribui para que deixemos de orar, até mesmo o excesso de atividades eclesiásticas. Essa geração esqueceu-se de orar porque se tornou dependente do pragmatismo. As pessoas querem resultados rápidos, negam-se a esperar com paciência pelo Senhor, tal como fez o salmista (Sl. 40.1). Como resultado, não conseguem desfrutar da paz de Deus, que excede “todo o entendimento” (Fp. 4.7). Somente a paz de Deus é capaz de guardar a nossa mente, nossos corações e sentimentos em Cristo. As adversidades, principalmente as perseguições, não conseguem abater o coração cuja mente está em Cristo. É essa paz, que nos guarda dos ataques circunstanciais. Nossas mentes precisam estar protegidas dos pensamentos mundanos. Para isso devemos levar cativo todo entendimento à obediência de Cristo (II Co. 10.5).

CONCLUSÃO: Os ensinamentos deste mundo, repassados pelos falsos mestres, levam as pessoas ao desespero. Muitos não conseguem desfrutar da alegria que vem de Jesus, produzida pelo Espírito Santo (Jo. 15.11). Os cristãos em Cristo permanecem firmes na fé, naquilo nos foi revelado pela Palavra, por isso estão sempre alegres, independentemente das circunstâncias. Esses, por sua vez, têm suas mentes guardadas por Deus, que lhes dá a paz que o mundo desconhece (Jo. 14.27), e que excede a todo entendimento. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!