PRENÚNCIO DO TEMPO DO FIM

Texto: 8.1-11


•INTRODUÇÃO
O capítulo 8 de Daniel tem relação direta com os capítulos 2 e 7, mas diferentemente daqueles capítulos, estudaremos,  que o profeta foi transportado em espírito até Susã, e também através do tempo. O caráter da revelação de Deus, consoante ao que estudaremos, vai além da dimensão espaço-tempo. Neste estudo atentaremos inicialmente para as visões de Deus a Daniel, com ênfase no carneiro, o bode e o pequeno chifre. Mostraremos, ao final, que essas visões são prenuncio do tempo do fim, que alimentam a esperança da igreja.

•1. A VISÃO DO CARNEIRO
A visão dada por Deus a Daniel aconteceu na história, no terceiro ano do rei Belsazar; em Susã, que era capital do reino da província de Elão, junto ao rio Ulai. A maioria dos estudiosos defende que essa não foi uma viagem literal, mas um translado espiritual, o profeta teria sido conduzido em espírito àquele lugar. Susã era uma cidade importante, mesmo depois da queda da Babilônia, isso porque os reis medo-persas habitavam naquela localidade três meses por ano. As visões dadas ao profeta apontam para o tempo do fim (Dn. 8.17), ao tempo que fora determinado por Deus para o desfecho de todas as coisas (Dn. 8.19), em dias distantes daqueles vivenciados por Daniel (Dn. 8.26). Nessa visão é revelado a Daniel o surgimento de um rei que é o protótipo de Anticristo, alguém que prefigura aquele que no futuro assim se manifestará. Inicialmente é preciso destacar que esse pequeno chifre do capítulo 8 é diferente daquele do capítulo 7. O anticristo do capítulo 7 é escatológico, ele emergirá do império romano, enquanto que o anticristo do capítulo 8 sucederá os quatro reis da queda do império grego. Diante da grandeza da revelação Daniel cai por terra, perdendo os sentidos, com o rosto por terra. Nessa visão Daniel trata a respeito de um carneiro, que aparece de três maneiras diferentes, com dois chifres (Dn. 8.3,20), descrevendo o império medo-persa, que sucederia para conquistar a Babilônia. O chifre mais alto descreve o poder dos persas, consolidado através de Ciro, o persa, que tomou o lugar de Dario, o medo. Esse carneiro descrito por Daniel é irresistível (Dn. 8.3,4), e que se engrandeceu (Dn. 8.4). Isso porque nenhuma força daquele tempo seria capaz de se opor ao governo medo-persa.

•2. A VISÃO DO BODE
O bode da visão de Daniel revela um dos maiores governos da época antiga, trata-se de Alexandre o Grande, também denominado de Magno. Ele conquistou todo o mundo conhecido rapidamente (Dn. 8.5,21). Essa visão explicita o que historicamente é constatado em relação à história dos gregos. Alexandre expandiu o reino grego em pouco mais de dez anos, para isso destruiu o governo medo-persa. Em 334 a. C., Alexandre atravessou o estreito de Dardanelos e derrotou os sátrapas. Não muito tempo depois, em 333 a. C., derrotou Dario III na batalha de Issos. Em 331, venceu as forças medo-persas na batalha de Baugamela. Esse seria um líder poderoso, atestado na revelação de Daniel (Dn. 8.5). Por isso é descrito como “o chifre notável”, considerando sua disposição para a guerra. O profeta antecipa as vitórias de Alexandre sobre o império medo-persa (Dn. 8.6,7). Mas esse reino, como todos os outros que já passaram, também terá o seu fim. Daniel aponta para sua ruína (Dn. 8.8), destacando que esse governo findará em decadência. Alexandre morreu repentinamente em 323 a. C, justamente no momento que pretendia reconstruir a cidade da Babilônia. Em consequência da sua morte, o império grego foi dividido em quatro partes, para quatro reis, sendo eles Casandro (Macedônia e Grécia no ocidente), Lísimaco (Trácia e Bitínia no norte), Ptolomeu (Palestina, Arábia e o Egito, no sul), e Selêuco (Síria e Babilônia no oriente).

•3. O PEQUENO CHIFRE
Em seguida Daniel reporta um pequeno chifre, conforme já destacamos anteriormente, diferente daquele do capítulo 7. Esse é apenas um protótipo daquele, prefigura sua atuação que será mais intensa no futuro. O pequeno chifre do capítulo 8 é descrito a partir da sua procedência (Dn. 8.8-22). Ele se origina do bode, que é o império grego, advindo, portanto, do império de Alexandre. Para nós, os conhecedores da história, esse pequeno chifre é conhecido, ainda que não o fosse para Daniel. Ele é um precursor do anticristo que se revelará no tempo do fim. Não podemos deixar de destacar que muitos anticristos já existiram, e muitos outros existem ou existirão (I Jo. 2.18). O pequeno chifre do capítulo 8 é reconhecido historicamente como Antíoco IV, chamado de Antíoco Epifânio, que reinou na Síria, entre 175 a a63 a. C. Como a maioria dos impérios humanos, se destaca pelo sentimento megalomaníaco (Dn. 8.11,25). Antíoco achou pouco ser um grande rei, quis fazer-se deus, por isso mandou fabricar moedas que tinha sua efígie. Além disso, destacou-se por ser um rei tirano (Dn. 8.9,10), um grande perseguidor do povo de Deus. Ele teve a audácia de profanar o templo do Deus de Israel, primeiramente se opondo a todos aqueles que considerassem o livro da Lei. Em 169 a. C., saqueou o templo e proibiu os sacrifício. O templo de Jerusalém foi denominado de Templo de Júpiter Olímpico. Ele colocou sua imagem no lugar santíssimo e determinou que um porco fosse sacrificado naquele lugar. Como se isso não bastasse, obrigou os judeus a comerem a carne do porco, dentro daquele recinto.

•CONCLUSÃO
A apostasia de Antíoco Epifánio aponta para o fim, o tempo no qual o anticristo imperará na terra (II Ts. 2.3,4). A igreja do Senhor Jesus não passará por esse momento sombrio, pois estará nos ares, celebrando as bodas com o Noivo. A grande esperança da igreja é o dia no qual a trombeta soará, os mortos ressuscitarão primeiro, e os que estiverem vivos serão transladados (I Ts. 5.13-18). Essas palavras servem de conforto para a igreja, e para todos aqueles que amam a vinda do Senhor (II Tm. 4.8). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

OS IMPÉRIOS MUNDIAIS E O REINO DO MESSIAS

Textos: Dn. 7.3-14

•INTRODUÇÃO
O capítulo 7 de Daniel inicia a segunda parte do livro, com ênfase nos detalhes proféticos. Essa característica faz com que alguns estudiosos identifiquem esse como o Apocalipse do Antigo Testamento. Esse capítulo pode ser dividido em duas partes: os versículos de 1 a 14 que tratam a respeito do sonho de Daniel, e do 15 ao 28, a interpretação do sonho. No início do estudo nos voltaremos para a análise dos impérios mundiais, com destaque para a figura do anticristo, e ao final, estudaremos sobre o reino do Messias.

•1. OS IMPÉRIOS MUNDIAIS
Os reinos do mundo não são independentes, os impérios mundiais estão debaixo da soberania de Deus (Dn. 7.2,3). Os quatro ventos, ao longo da Bíblia, retratam a totalidade da terra, o alcance mundial. Principalmente nos dias atuais, marcados pela globalização, os quatro cantos da terra se tornaram um. Os reinos se levantam e demonstram sua potência aos todos os lugares. A mídia se encarrega de fazer a divulgação dos feitos dos impérios, a propaganda é utilizada como arma para a dominação. O mar é símbolo dos povos, que se encontra em convulsão, diante dos impasses dos governos humanos. Deus permite que os governos humanos prevaleçam, mas não apoia suas decisões, principalmente àquelas que prejudicam seus servos. Impérios se levantam e caem, nenhum deles permanece para sempre, essa inconstância é uma demonstração de fragilidade. Os impérios mundiais são demonstrados através de quatro animais, que se encontram em paralelo com o capítulo 2 do livro de Daniel. Neste capítulo nos deparamos com os impérios e seu esplendor, enquanto que no capítulo 7 o enfoque está em aspecto interno, como feras. Esses governos não são ovelhas, mas animais selvagens, que não agem em prol do bem das pessoas, funcionam como governos que devoram as pessoas. Os animais apresentados nessa visão de Daniel sobem do mar, de maneira sucessiva e simultânea. Eles têm características recorrentes: surgem de baixo, são animais ferozes, serão destruídos no futuro, seu tempo é determinado por Deus (Dn. 7.12). Os quatro animais são: o leão (império babilônico), o urso (império medo-persa), o leopardo (império grego-macedônio) e o animal de dez chifres (império romano).

•2. OS IMPÉRIOS MUNDIAIS E A REVELAÇÃO DO ANTICRISTO
O leão é o rei dos animais, sua força é notória, é um símbolo da grandeza do império babilônico (Dn. 4.32). O leopardo alado revela a velocidade e agilidade do império de Alexandre Magno, que em 334, após um período de 10 anos, tornou-se soberano entre as nações. Ele foi educado por Aristóteles, por isso difundiu a cultura grega, principalmente o idioma entre os povos conquistados. Mas morreu subitamente em 324 a. C., na Babilônia, seu reino foi dividido em quatro cabeças. A glória do império grego-macedônio passou, outra prova dos limites dos reinos humanos. Deus está no comando, os reinos do mundo tem liberdade, mas seus dias estão contados. Em Dn. 7.7, nos deparamos com um animal terrível, extremamente forte, símbolo do império romano. A principal característica desse animal é a sua força, e o seu poder, com capacidade destruidora. Esse animal possuía grandes dentes de ferro, e com eles devorava e estraçalhava a todos. Ele revela ser insensível com suas vítimas, as consome sem qualquer pena (Dn. 7.23). Tal animal estranho tem dez chifres, sendo identificados como dez reis (Dn. 7.24). É uma descrição nítida do império romano, que em 241 derrotaram os cartagineses e ocuparam a ilha da Sicília. Em 218 a. C., as legiões romanas entraram na Espanha, em 202 a. C., conquistaram Cartago. Em 146 a. C., tomaram Corinto, e em 63 a. C., Pompeu ocupou a Palestina. Ao longo de dois séculos, o império romano experimentou glória, fama e poder. Mas em 476, os bárbaros venceram o império romano, até que em 1453 d. C., os turcos ocuparam a cidade de Constantinopla, findando o império romano no Ocidente. Em seguida Daniel revela a figura do anticristo (Dn. 7.8), tratando-o como uma pessoa, o “pequeno chifre”, seu número é o 666 (Ap. 13.18). João o denomina de O mentiroso (I Jo. 2.22), o anticristo (I Jo. 2.18), a besta (Ap. 13.1). Para Paulo, ele é o homem da iniquidade (II Ts. 2.3), o iníquo (II Ts. 2.8), o filho da perdição (II Ts. 2.3). Para Jesus, o anticristo é o abominável da desolação (Mt. 24.15-28).

•3. O REINO DO MESSIAS
A origem do anticristo é satânica, pois ele receberá autoridade do próprio Satanás. Esse pequeno chifre tem uma relação com o animal terrível, na verdade surge dele. Ele será pequeno apenas no início (Dn. 7.8), depois irá crescendo paulatinamente (Dn. 7.20). Isso porque o anticristo terá a pretensão de ser Deus (II Ts. 2.3,4). Ele agirá com ódio a Deus, sua boca falará grandes coisas (Dn. 7.8,20), proferirá palavras contra o Altíssimo (Dn. 7.25), tratará de mudar os tempos e a leis (Dn. 7.25). O anticristo será um perseguidor, pois fará guerra contra os santos de Deus, e prevalecerá contra eles (Dn. 7.21), magoará os santos do Altíssimo (Dn. 7.25), e esses serão entregues nas mãos dele (Dn. 7.25). Mas o governo do anticristo também terá seu fim, seu domínio é limitado (Dn. 7.25). O domínio será tirado dos quatro reis e também do anticristo (Dn. 726). Ele será destruído pelo fogo (Dn. 7.11), na verdade, será lançado no lago do fogo (Ap. 19.20). Isso acontecerá por ocasião da vinda de Cristo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, ao final dos sete anos de tribulação (II Ts. 2.8). Finalmente o Reino de Cristo será consumado em plenitude (Dn. 7.13,14). Cristo já reina, mas esse reino é limitado, acontece apenas entre aqueles que creem. Mas no futuro, quando Ele retornar com poder e grande glória, Seu reino será universal (Dn. 7.14). Todas as nações, povos e línguas O reconhecerão e O servirão (Dn. 7.14). Diante dEle todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus é o Senhor (Fp. 2.9-11) para sempre (Dn. 7.14). O governo de Cristo será partilhado com os santos (Dn. 7.18,22,27).

•CONCLUSÃO
Daniel ficou impactado com os acontecimentos que viriam a acontecer (Dn. 7.14,15). Nós, os cristãos, temos motivos celebrar, ao reconhecer que os ditames do mundo estão nas mãos de Deus. O rosto de Daniel empalideceu (Dn. 7.28), nós também podemos nos espantar, mas com confiança, disposto a enfrentar os poderes do mal, cientes que, ao Seu tempo, o Senhor julgará todos os reinos da terra. Os inimigos que oprimem o povo de Deus serão julgados, e o reino do Messias durará para sempre. PENSE NISSO! 


Deus é Fiel e Justo!