HONRARÁS PAI E MÃE



 
Textos: Cl. 3.20 – Ex. 20.12; Ef. 6.1-3; Mc. 7.10-13

INTRODUÇÃO
Um dos sinais dos últimos dias da igreja na terra é a desobediência aos pais, uma demonstração de apostasia (II Tm. 3.9). Essa é uma realidade evidente, o espírito de rebeldia está se difundindo cada vez mais na sociedade. Conforme estudaremos, a orientação de Deus, em resposta a essa constatação, é a obediência aos pais, dando-lhes a honra devida. Na primeira parte da aula faremos uma apresentação contextualizada do mandamento. Na segunda, ressaltaremos as promessas de Deus no prolongamento dos dias vidas àqueles que obedecem ao mandamento do Senhor.

1. HONRAR PAI E MÃE
O verbo honrar, em hebraico, é kaved, e se encontra no modo imperativo, cujo significado é “levar em consideração”. Essa palavra hebraica, literalmente, significa “pesado” ou “que pesa”, com o sentido de “demonstrar peso”. Esse termo é usado inclusive para ressaltar a glória de Deus, dando o devido “peso” à Sua condição. Esse mandamento é de capital importância, haja vista esse ser o primeiro mandamento da segunda tábua da torah (Ex. 31.18). Em se tratando dos mandamentos sociais, a honra aos pais tem proeminência. Isso também mostra o valor dado por Deus à família, o relacionamento saudável entre seus membros é fundamental. Agostinho de Hipona perguntou certa feita: “Se alguém não honrar os pais, haverá alguém que ele poupará?” Ao que tudo indica, parece que não, tendo em vista que a forma como nos relacionamos com os outros se sustenta na maneira como tratamos os membros da família. No Antigo Testamento a honra aos pais é posta na mais elevada posição, por isso, está escrito que “Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá: amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue é sobre ele” (Lv. 20.9). A penalidade para a desonra aos pais era a morte, o filho rebelde deveria ser levado aos anciãos da cidade, ser apedrejado (Dt. 21.18-21). O livro de Provérbios, carregado de sabedoria judaica, apresenta orientações práticas a fim de que os filhos atentem para esse importante mandamento (Pv. 1.8; 3.1,2; 6.20; 23.22).

2.  UM MANDAMENTO COM PROMESSA
Estamos inseridos em uma sociedade contestadora, nossos filhos estão sendo ensinados pela mídia, e até mesmo nas escolas, a não obedecerem aos seus pais. Em oposição a essa filosofia pós-moderna, a Palavra de Deus nos instrui à obediência, a considerar aquilo que os pais dizem. Muitos filhos estão pagando alto preço por causa da desatenção que deram às palavras dos seus pais. Se muitos que se encontram nos presídios atualmente tivessem ouvindo os conselhos paternos, certamente não estariam atrás das grades. A obediência a esse mandamento está atrelada a uma promessa, a de uma vida longa (Ex. 20.12). O apóstolo Paulo lembra que esse é o primeiro mandamento com promessa (Ef. 6.2) e reforça que “isto é agradável ao Senhor” (Cl. 3.20). Essa mensagem deve ser reafirmada nos dias atuais, os filhos precisam saber que poderão colher frutos amargos se decidirem contrariar a orientação de seus pais. Há aqueles que consideram seus pais ultrapassados, e querem ter um estilo de vida diferenciado, comprometendo a integridade da vida na desobediência. Os pais, principalmente aqueles que se fundamentam na Palavra de Deus, têm condições de nortear as decisões dos filhos. A experiência também não pode ser descartada, é preciso ouvir os mais velhos, coadunando-se às instruções do Senhor (Lv. 19.32). Os pais também não podem fugir da responsabilidade de dar as instruções necessárias aos seus filhos (Pv. 22.6). Existem pais que estão relaxando no ensinamento da Palavra aos seus filhos, deixando de cria-los “na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef. 3.21; 6.4).

3. A APLICABILIDADE DO MANDAMENTO
É responsabilidade dos pais a instrução dos filhos no caminho do Senhor, especialmente dos obreiros (I Tm. 3.5; Tt. 1.6). Evidentemente esse texto se aplica aos filhos em idade de sujeição, existem aqueles que ao cresceram se distanciam dos conselhos dos pais, e se afastam do evangelho de Cristo. Esses são os filhos pródigos, que devem ser tratados com amor, e pelos quais os pais devem orar, na expectativa de que retornem à casa do Pai (Lc. 15.19). O tempo, e as adversidades, poderão atuar na vida deles, e como aconteceu com o filho perdido, poderão reencontrar o caminho de volta, e saber que não existe lugar melhor que nos braços do Pai. Aos filhos que estão na igreja, a admoestação bíblica é a de que honrem seus pais, a menos que esses se interponham ao discipulado de Cristo (Mt. 10.37). Jesus é o maior exemplo de filho que soube honrar seus pais, o evangelista narra que desceu Ele com seus pais para Nazaré, e em conformidade com o costume judaico, era-lhes sujeito (Lc. 2.41-50). Até mesmo nos momentos finais de vida na terra, Jesus se lembrou da sua mãe, entregando-a aos cuidados de João, o discípulo amado (Jo. 19.26,27). Essa é um modelo que deve ser seguido pelos filhos crentes, para que não se deixem levar pelo utilitarismo da sociedade contemporânea. Nossos pais, ainda que não consigam produzir como antes, e demandem cuidados por causa da idade avançada, devem ser honrados pelo desprendimento que tiveram a fim de nos provê o necessário para a existência.

CONCLUSÃO
O princípio da honra aos pais permanece como mandamento do Senhor aos filhos cristãos. A promessa de vida longa é reafirmada no Novo Testamento. Aqueles que quiserem longevidade, deverão ouvir os conselhos dos seus pais, ainda que parecem ser ultrapassados. O reflexo de uma sociedade decadente é percebido na medida em que essa se distancia dos marcos antigos (Pv. 22.28). Atitudes simples podem fazer muita diferença, pedir a benção aos pais era um costume normal antigamente, mas que, infelizmente, está desaparecendo dos lares. PENSE NISSO! 

Deus é Fiel e Justo!

SANTIFICARÁS O SÁBADO


Textos: Mc. 2.27 – Ex. 20.8-11; 31.12-17

INTRODUÇÃO
Desde os tempos antigos o ser humano está voltado à ação, e nesses últimos tempos, no contexto da modernidade, o espaço predomina sobre o tempo. Por isso, a mensagem do quarto mandamento continua atual, a fim de diminuir o ativismo, e desperta o homem para o descanso. No estudo desta semana meditaremos a esse respeito, antes faremos uma incursão teológica sobre o shabat bíblico, após discorrer sobre a opção cristã pelo domingo, faremos uma aplicação sobre a importância do descanso.

1. O SHABAT NA BÍBLIA
O shabat bíblico é sinônimo de descanso, por isso, ao invés de ser traduzido para sábado, como acontece em algumas línguas, há quem prefira a permanência do termo hebraico. Existiam vários shabat a serem observados pelo povo judeus, o shabat semanal (Ex. 16.23), o Dia da Expiação (Lv. 16.31; 23.32), o primeiro dia da Festa das Trombetas (Lv. 23.24), o primeiro e o oitavo dias da Festa dos Tabernáculos (Lv. 23.39) e o ano sabático (Lv. 25.4,5). Essa orientação bíblica, que também era um mandamento de Yahweh, revelava que Deus tem consideração tanto pelo trabalho quanto pelo descanso (Ex. 20.11). O fundamento para a observância do shabat está no próprio Deus, que após ter trabalhado, descansou no sétimo dia (Gn. 2.1-3). O povo de Israel deveria separar, guardar ou santificar (hb. qadash) o shabat para o Senhor como lembrança de que foram escravos no Egito, e que foram libertados pela mão poderosa de Yahweh (Dt. 5.15). Eles foram libertos da tirania da opressão, agora poderiam parar para descansar, e usufruir a providência de Deus. Essa também era uma demonstração de confiança no Senhor, de que o essencial não lhes faltaria, e que poderiam aprender a depender dEle. A observância ao shabat era um sinal específico para Israel, exclusivo para aquela nação, um testemunho para os povos (Ex. 31.13-17; Ez. 20.12,20). Jesus reinterpretou a observância ao Shabat, isso porque os religiosos da sua época, ao invés de o desfrutarem, transformaram em mero legalismo, deturpando a essência da instrução dada pelo Senhor (Mc. 6.31). Mas o próprio Jesus considerou o shabat, Ele mesmo se dirigiu nesse dia à sinagoga (Lc. 4.16).

2. SÁBADO OU DOMINGO?
No Novo Testamento a palavra é sabaton, com o mesmo sentido de descanso da língua hebraica. Os primeiros cristãos, por se tratarem de judeus, mantinham a observância do shabat (At 13.5, 14; 42-44; 14.1; 16.13; 17.12,16; 18.4; 19.8). Mas seguindo as instruções de Jesus, os primeiros cristãos, diferentemente dos religiosos da época, não eram legalistas em relação a esse dia (Mt. 12.9-14; Mc. 3.1-6; Lc. 6.6-11). O princípio deixado pelo Mestre foi o de que é sempre bom fazer o bem no shabat (Mc. 2.27,28). Existe uma controvérsia entre os cristãos a respeito da guarda desse dia, alguns defendem sua permanência, outros optam pelo domingo. Essa opção está fundamentada no tratamento dado por Cristo ao shabat, bem como pelos cristãos ao longo da história. Jesus deixou claro que o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado (Mc. 2.27,28). Isso quer dizer que não estamos mais presos à guarda de um dia específico da semana, contanto que o façamos para o Senhor (Rm. 14.5,6). A igreja cristã optou pelo domingo porque Jesus ressuscitou nesse dia (Mc. 16.9), foi o dia em que Ele se manifestou ressurreto (Lc. 24.13-36; Jo. 20.13-26). O Espírito Santo também foi derramando sobre a igreja em um domingo de Pentecoste (Lc. 23.15-21; At. 2.1-4). Esse era o dia no qual os primeiros crentes se reunião para celebrar a Ceia do Senhor, pregar e coletar ofertas (At. 20.7; I Co. 16.1,2). Há evidências históricas que comprovam a observância do domingo, e não do sábado pelos cristãos. Para Justino Martir, um dos pais da igreja, “o domingo é o dia em que todos temos nossa reunião comum, porque é o primeiro dia da semana, e Jesus Cristo, nosso Salvador, neste mesmo dia ressuscitou da morte”. De modo que, conforme explicitou Paulo: “ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábado, porque tudo isso em sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Cl. 2.16-19).

3. O PRINCÍPIO PERMANECE
Ainda que não estejamos mais presos à guarda de um dia da semana, seja ele o sábado e/ou domingo, o princípio do shabat bíblico permanece. Nas palavras da Confissão de Fé de Westminster, santificar o shabat é “um preceito positivo, moral e perpétuo”. Tomando os devidos cuidados, e evitando legalismos, é necessário considerar o princípio do descanso. Não podemos esquecer que o shabat “foi feito por causa do homem” (Mc. 2.27). Isso que dizer que precisamos dele, nenhum homem é uma máquina, carecemos de descanso. A era da industrialização transformou o trabalho em tirania, e nesses últimos anos, por causa do consumismo desenfreado, muitas pessoas querem ter cada vez mais, e valorizam o tempo cada vez menos. O homem moderno está obcecado por espaço, quer conquistar tudo o que for possível, esquecendo-se que o tempo é muito mais importante. Como estabeleceu o Senhor: “seis dias trabalharás e farás toda a sua obra” (Ex. 10.9), mas é preciso santificar ou separar o shabat, o descanso necessário para a alma e para o corpo. Ninguém deve ser escravo do trabalho, fomos libertados da angústia da ansiedade. Devemos trabalhar para ter o suficiente, e com isso vivermos contentes, é preciso ter cuidado para não se tornar escravo da ganância (I Tm. 6.6-8). Ao invés do nos deixar conduzir pelo espírito desta era, que nos lança na tirania do consumo, e nos conduz à preocupação, devemos aprender a confiar mais em Deus (Mt. 6.31-34). Em Cristo, temos agora um descanso, Ele é o nosso shabat, por causa do trabalho dEle, podemos agora descansar (Hb. 4.9,10).

CONCLUSÃO


Há quem diga que não devemos parar para descansar, existem até os que citam as Escrituras indevidamente (Mq. 2.10). Mas o texto precisa ser compreendido em seu contexto, de fato não podemos descansar no momento que devemos agir, mas isso não significa que devemos nos entregar ao ativismo. É necessário reconhecer que tudo tem o seu tempo determinado, e que há tempo para todo propósito debaixo do céu, inclusive para o descanso (Ec. 3.1). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!