E DEUS OS CRIOU HOMEM E MULHER


                               

 Texto Áureo  At. 17.26  – Leitura Bíblica  Gn. 2.7-24


INTRODUÇÃO
Na aula de hoje estudaremos a respeito da criação do primeiro homem e da primeira mulher, e, por conseguinte, do primeiro casamento. Inicialmente destacaremos que o primeiro homem foi criado segundo a imagem e semelhança de Deus. Em seguida, ressaltaremos a dignidade da mulher, tendo essa sido tirada do homem, para servir-lhe como adjutora. Ao final, mostraremos a importância do matrimônio, a partir dos princípios estabelecidos pelo próprio Deus, para o primeiro casamento.

1. A CRIAÇÃO DO PRIMEIRO HOMEM
A criação do primeiro homem é digna de destaque porque esse foi feito conforme a imagem e semelhança de Deus. Para cria-lo houve um acordo entre as pessoas da divindade: “façamos o homem à nossa imagem” (Gn. 2.26,27). A imagem de Deus no homem permanece, mas a semelhança foi deturpada, por causa do pecado (Ef. 4.18,19). Alguns teólogos explicam que a imagem tem a ver com a capacidade para a comunicação, e a semelhança para a santificação. A semelhança de Deus é recuperada por meio da fé em Cristo (II Pe. 1.4; Ef. 4.20-24; Cl. 3.9; Rm. 12.2; II Co. 3.18). Adão foi criado do pó da terra, mas orquestrado, inteligentemente, por Deus. Essa verdade é importante, pois mostra a dignidade da pessoa humana. Não somos produto do acaso, resultado de transformações evolutivas, mas o desenho de um Criador amoroso e dedicado. Ele não apenas nos criou, mas nas palavras de Paulo aos atenienses, também “nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At. 17.28). A criação do homem por Deus teve vários propósitos, o principal deles é que ele tivesse domínio sobre a terra. Isso não quer dizer que ele deveria subjuga-la, ou melhor, destruí-la. Depois da criação das plantas, Deus decidiu criar o homem, para cultivar a terra, e produzir o alimento necessário. Isso mostra que o homem foi criado para o trabalho, e que esse não é resultante do pecado. É digno de destaque que Deus e o homem trabalhavam juntos, no cultivo do jardim do Éden (Gn. 2.15). Infelizmente, por causa do pecado, e da ganância humana, o trabalho se tornou um fardo pesado. De modo que as pessoas, distanciadas dos princípios divinos, vivem para o trabalho, e não trabalham para viver. O trabalho não deve ser uma maldição, mas uma oportunidade de cooperar com Deus, dando continuidade ao processo criativo (Gn. 3.17-19).

2. A CRIAÇÃO DA PRIMEIRA MULHER
Deus, o mesmo que criou Adão, também criou Eva, a mulher, a sua própria imagem (Gn. 1.27). Isso quer dizer, então, que a imagem de Deus está na completude do homem e da mulher. Tanto um quanto o outro deveria exercer domínio sobre a criação (Gn. 1.29). Enquanto que o homem foi criado diretamente do pó da terra, a mulher foi feita do lado do homem, não necessariamente da costela (Gn. 2.23). A mulher foi criada porque Adão estava sozinho, e sentia a falta de alguém, que lhe completasse. Deus criou Eva para ser auxiliadora idônea, não para ser uma escrava. Como bem destacou Matthew Henry: “Ela não foi feita da cabeça para não governar sobre ele, nem dos pés para ser pisada por ele, mas do seu lado, para ser igual a ele, sob seu braço para ser protegida por ele, perto de seu coração, para ser amada por ele”. Adão não poderia explorar a mulher, antes estar ao lado dela, e trabalharem conjuntamente. A criação da mulher despertou inclusive a capacidade poética de Adão, que compôs para Eva uma canção de amor (Gn. 2.23). Isso deve servir de motivação para que os homens demonstrem afeto e carinho pela esposa. Os maus tratos pelos quais algumas mulheres passam, e são reportados nos noticiários, são resultantes do machismo. Paulo orienta as mulheres a submeterem-se aos maridos, por outro lado, os homens devem se sacrificar pelas suas mulheres, assim como Cristo o fez pela Sua igreja. Como bem destacou Paulo, a mulher é a glória do homem (I Co. 11.7), pois se o homem é a cabeça (I C. 11.1-16; Ef. 5.22-33), a mulher é a coroa. As igrejas cristãs têm motivos para ressaltar o papel da mulher na comunidade de fé. Elas foram feitas participantes da glória que em nós há de ser revelada. Em Cristo não há mais diferença entre homem ou mulher, pois todos, independentemente do sexo, são um, para a glória de Deus (Gl. 3.28).

3. A CRIAÇÃO DO PRIMEIRO CASAMENTO
O primeiro casamento, celebrado por Deus no Jardim do Éden, é o modelo de uma aliança, nos moldes da doutrina judaico-cristã. Não importa o que as leis humanas digam a respeito do casamento, a palavra final sempre será a de Deus (Hb. 13.4; Ap. 22.15). Muitos dos enlaces propalados nos tribunais não passam de meros contratos. O casamento bíblico é uma aliança, cujo fundamento se encontra nas Escrituras. Para tanto deve ser monogâmico, heterossexual e indissolúvel. Existem muitas invencionices humanas no que diz respeito ao casamento, mas como destacou o Senhor, “não foi assim desde o princípio” (Mt. 19.8). Até mesmo nos contextos evangélicos estão fugindo dos padrões bíblicos em relação ao casamento. As pessoas querem se divorciar por qualquer motivo, as influências mundanas estão entrando os portais das igrejas. Repreendemos com veemência a homossexualidade no mundo, mas fechamos os olhos para o adultério dentro da igreja (I Co. 6.9). Aquele é pecado, e é resultante da natureza humana caída (Rm. 1.27), mas também é o divórcio, pois o Deus da Bíblia o odeia (Ml. 2.16). Somente há respaldo bíblico para a dissolução do casamento em casos de morte (Rm. 7.2,3), infidelidade conjugal (Mt. 19.9) e abandono do cônjuge (I Co. 7.17). Diferentemente do mundo, devemos cultivar o relacionamento duradouro, até que a morte separe os cônjuges. O fundamento do casamento cristão é o amor, e esse exige muito mais do que romantismo, requer sacrifício um pelo outro. A sociedade contemporânea, marcada pelo imediatismo e hedonismo, não sabe o significado do amor-agape. Os cristãos, como foram alvos desse amor em Cristo (Jo. 3.16), devem levá-lo ao relacionamento conjugal, experimentando o caminho sobremodo excelente (I Co. 13).

CONCLUSÃO
A narrativa da criação do primeiro homem, da primeira mulher, e do primeiro casamento, revela verdades profundas, para as quais devemos atentar. O homem é a coroa da criação divina, bem como a mulher, ambos são dignos de honra, pois foram criados imagem e semelhança de Deus. O Senhor celebrou o primeiro casamento, fazendo com que homem e mulher se tornassem uma só carne. Essa aliança, entre Adão e Eva, é a base para o casamento cristão: monogâmico, heterossexual e indissolúvel, como reafirmado por Jesus (Mt. 19.5,6).

A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA


                              

Textos:  Hb. 11.3  –  Sl. 104.1-14

INTRODUÇÃO
Conforme destacamos no estudo anterior, o livro de Gênesis responde às grandes perguntas da humanidade. Talvez uma das mais inquietantes delas seja: de onde veio a terra? No estudo desta semana, a partir da linguagem simples e concisa da Bíblia, responderemos que: “No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn. 1.1). Inicialmente mostraremos que Deus, que não teve princípio e não terá fim, é o Sujeito da criação. Em seguida, detalharemos o processo da criação, de acordo com a exposição bíblica. E ao final, faremos uma breve incursão pela doutrina da criação, contrapondo com a teoria da evolução.

1. DEUS, O SUJEITO DA CRIAÇÃO
Deus é o Sujeito da criação, não apenas da primeira sentença do livro de Gênesis. O Deus Criador – Elohim – é nomeado 38 vezes na narrativa da criação. Ele é o Senhor do tempo, na verdade, esse somente veio a existir por causa dele, “no princípio”. Isso revela que a natureza, ou mais propriamente, a matéria não é eterna, ela teve uma origem. O verbo hebraico “bará” diz respeito ao ato criador de Deus, independente de uma matéria preexistente. Os estudiosos se referem a esse processo criativo por meio da expressão ex nihilo, ou seja, do nada. Os autores do Novo Testamento reforçam esse ensinamento (Hb. 11.3; Rm. 4.17). A expressão “céus e terra”, no contexto da criação, na verdade se refere a “todo o universo”, a criação do espaço. Existe uma discussão teológica em relação aos versículos 1 e 2 de Gênesis no tocante a sua literalidade ou figuratividade. Alguns exegetas argumentam que no princípio Deus teria criado um universo perfeito, mas que esse, por alguma razão, teria “se tornado” sem forma e vazio. Essa é a Teoria da Lacuna, para seus defensores o planeta teria se tornado decadente depois da queda de Satanás, que trouxe destruição à criação, fazendo-se necessária uma (re)criação divina. Os proponentes dessa teoria explicam que a criação do Gênesis, a partir do versículo 2, teria sido uma (re)criação. Os argumentos em defesa dessa teoria não são muito contundentes, mesmo assim não podem ser desconsiderados, e apresentam algum fundamento bíblico. É mais importante destacar nessa passagem a presença da Trindade: o Pai como Projetista, o Filho como Executor, e o Espírito como Concebedor (Jo. 1.3; Cl. 1.16).

2. CRIADOR DOS CEUS E DA TERRA
Há uma discussão antiga entre os estudiosos em relação ao significado da palavra dia – iom – em hebraico. Alguns defendem que são dias literais, outros que foram dias figurados, ou períodos de tempo. Aqueles mais efeitos a conciliar a doutrina criacionista com a evolucionista tendem a acatam a última, a fim de aceitar o postulado científico das eras geológicas. O mais importante, contudo, é reconhecer que a criação não é uma alegoria, mas um processo histórico, mesmo que não seja científico. Esse é o fundamento bíblico, considerando que para Paulo Deus criou o mundo (At. 17.24), e que o homem foi feito a imagem de Deus (I Co. 11.7), o autor aos Hebreus reconhece que o mundo foi criado pela palavra de Deus (Hb. 11.3). No primeiro dia Deus criou a luz (Gn. 1.3-5), para alguns estudiosos tratava-se de uma luz cósmica, pois o sol, a lua e as estrelas somente seriam criados no quarto dia. No segundo dia Deus criou o firmamento, ao qual chamamos de céu, que se trata da atmosfera gasosa (Gn. 1.6-8). No terceiro dia Deus separou a água da terra, em seguida fez com que fossem geradas as plantas (Gn. 1.9-13). No quarto dia Deus criou o sol, a lua e as estrelas, isso serviria para que os seres humanos se pautassem pelos tempos, admitindo sua dependência das condições climáticas (Gn. 1.14-19). Não podemos esquecer que a terra é nosso habitat provisório, principalmente nos nossos descendentes. Aqueles que habitam nesta terra não podem ser irresponsáveis, poluindo o lugar que Deus nos deu para viver. No quinto dia Deus criou a vida marinha, inclusive os grandes monstros do mar (Gn. 1.20-23). É interessante observar que Deus estava satisfeito com tudo que estava sendo feito, Ele viu que tudo era bom. Isso deve servir de motivação para que tenhamos em consideração a criação. Há cristãos escapistas que desprezam a criação de Deus e contribuem para a destruição dão planeta terra.

3. CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO
Depois da teoria da evolução das espécies, desenvolvida por Charles Darwin, e assumida em contextos acadêmicos, alguns pensadores, associados ao materialismo, tentam negar a existência de Deus. Inicialmente, é preciso ter cautela, e considerar que existem cientistas cristãos sérios, e compromissados com a Palavra, tal como Francis Collins, que são evolucionistas. Mesmo assim, é importante ressaltar que o evolucionismo não passa de uma teoria, e não pode ser assumida como uma verdade absoluta. A revelação bíblica, nesse debate, traz à tona algo que a ciência não pode explicar, a origem de todas as coisas, pois está além do seu alcance. As Escrituras ensinam que a natureza não é resultante do acaso, mas de um Deus que planejou com maestria o universo criado. Ele poderia, caso desejasse, ter se utilizado do processo evolutivo, isso porque o livro de Gênesis nos mostra apenas “o que” Deus criou e não “como” Ele o fez. Contudo, a maioria dos estudiosos prefere acreditar que Ele o fez na sequência de dias literais, de aproximadamente 24 horas. Independentemente dos dias terem sido períodos ou literais, estejamos cientes que a principal ameaça ao criacionismo repousa no materialismo, não necessariamente na evolução, pois essa abordagem nega a existência de um Criador, e defende a eternidade da matéria. Os materialistas precisam ser mais humildes em seus pressupostos, pois defendem com veemência religiosa a ausência de um Criador, sem que haja qualquer fundamento científico para essa premissa. Consoante ao exposto, fiquemos com a narrativa de Gênesis, assumindo que essa não tem a pretensão de ser científica, antes revelação de um Deus Poderoso e Gracioso, que criou os céus e a terra, e tudo que neles há.

CONCLUSÃO
Deus é o Criador dos céus e da terra, as coisas que conhecemos, ainda que em parte, não são resultantes de transformações casuais. Quando olhamos para a criação, obras das mãos de Deus, devemos nos dobrar diante dEle, como fez o salmista, reconhecendo Seu poder, e as maravilhas das Suas mãos (Sl. 8, 19, 104). A natureza não é nossa mãe, por isso não pode ser adorada. Por outro lado, é digna de consideração, sobretudo de preservação, por se tratar do nosso habitat, e das gerações futuras.