SINAIS QUE ANTECEDEM A VOLTA DE CRISTO


                                
 
Textos:    Mt. 24.3-14


INTRODUÇÃO
A volta de Jesus é um ensinamento bíblico, e que tem relação direta com o estabelecimento do Reino Milenial do Messias, para Israel e toda humanidade. Na aula de hoje estudaremos a respeito dessa doutrina, destacando a diferença entre o Arrebatamento e a Volta de Cristo em glória. Em seguida, apontaremos os fundamentos bíblicos para essa volta gloriosa de Cristo para reinar durante o Milênio. Ao final, destacaremos alguns sinais, apontados pelo próprio Cristo, que antecederiam a Sua volta.

1. ARREBATAMENTO E SEGUNDA VINDA DE CRISTO
O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são eventos escatológicos distintos. O primeiro diz respeito à Igreja, que encontrará o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). O segundo, diz respeito a Israel, que aguarda a volta do Messias, para reinar (Mt. 23.3-14). É importante ressaltar que não existem sinais para o arrebatamento da Igreja, pois se trata de um episódio imanente, que poderá acontecer a qualquer momento (I Co. 15.51,52). O Arrebatamento da Igreja acontecerá antes da Tribulação (Ap. 3.10), enquanto que a Vinda de Cristo será depois da Tribulação. No Arrebatamento da Igreja, Jesus virá para os santos, enquanto que na Segunda Vinda Cristo virá com os santos (Zc. 14.4,5). Na interpretação desses dois eventos, faz-se necessário atentar para os textos bíblicos que fazem alusão ao Arrebatamento (I Ts. 4.13-18) e à volta de Cristo (Mt. 24; Lc. 21). Caso isso não seja feito, o interprete poderá confundir a sequência dos eventos escatológicos. No arrebatamento: todos os crentes serão transladados, os santos transformados irão para o céu, a terra não será julgada, será uma acontecimento iminente, sem sinais; não é mencionado no Antigo Testamento; envolve apenas crentes, acontecerá antes do Dia da Ira; não há referência a Satanás; Cristo virá para os Seus; Ele virá nos ares; tomará para Si a Sua noiva; somente os Seus o verão; e começará a tribulação. Na Volta de Cristo: não há qualquer translado; os santos transformados voltarão à terra; a terra será julgada e a justiça reestabelecida; seguem-se os sinais preditos e definidos; é mencionada várias vezes no Antigo Testamento; afetará toda a humanidade; concluirá o dia da ira; Satanás será acorrentado; Cristo virá com os Seus; Ele virá até a terra; Ele vem com a Sua noiva; todo olho O verá; e dará início o Milênio.

2. A VINDA GLORIOSA DE CRISTO PARA REINAR NO MILÊNIO
A Vinda gloriosa do Messias é aguardada ansiosamente pelos judeus, que acreditam que com a volta desse o governo perene será estabelecido, os discípulos de Jesus mostraram expectativa quanto ao cumprimento dessa promessa (At. 1.5-7). Em Mateus 24 e Lucas 21, Jesus revelou aos discípulos alguns aspectos sobre Sua vinda em glória para estabelecer o governo na terra. A palavra grega usada por Mateus foi parousia, que descreve a vinda de um rei ou dignitário a alguma localidade. A pergunta dos discípulos, e a resposta de Jesus, são iminentemente judaicas, nada tem a ver com a igreja. A exposição de Jesus em Mt. 24 e Lc. 21 coloca Seus discípulos como representantes daqueles judeus que não tomarão parte do arrebatamento, que passarão pela Tribulação, até a vinda gloriosa do Messias. Existem vários textos no Antigo Testamento que se referem a essa manifestação: Dn. 2.44,45; 7. 9-14; 12.1-3; Zc. 12.10; 14.1-15, bem como no Novo Testamento: Mt. 13.41; 24.15-31; 26.64; Mc. 13.14-27; 14.62; Lc. 21.25-28; At. 1.9-11; 3.19-21; I Ts. 3.13; II Ts. 1.6-10; 2.8; I Pe. 4.12,13; II Pe. 3.1-14; Jd. 14,15; Ap. 1.7; 19.11-20.6; 22.7,12,20. Com base em Mt. 24 e Lc. 21, inferimos que a Vinda de Cristo acontecerá imediatamente após a Tribulação daqueles dias (v. 29), os acontecimentos do período da Tribulação continuam até a Volta de Cristo em glória. Essa Vinda será precedida por um sinal (v. 30), que não nos é revelado, que, ao que parece, trata-se de um sinal específico, diferente dos demais, mencionados por Jesus. A vinda de Jesus será repentina (v. 27) e todos verão a Cristo (v. 30), quando Seu poder e Sua glória serão manifestos por toda a terra. A parábola das virgens, em Mt. 25.1-13, faz referência direta a Israel, não ao arrebatamento da Igreja. O uso da expressão “então”, em Mt. 25.1, não se refere à Era da Igreja, mas aos acontecimentos relacionados a Israel, após a Tribulação.

3. SINAIS ESCATOLÓGICOS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Antes da Vinda de Jesus em glória, alguns sinais evidenciarão a proximidade desse evento. O principal sinal para a volta de Cristo para estabelecer Seu reino será o arrebatamento da igreja (I Ts. 4.13-18). Contudo, no contexto da religiosidade judaica, Jesus elencou uma série de sinais em Mt. 24 e Lc. 21, em Seu sermão profético, quanto àqueles dias. Esse será um tempo de guerras e conflitos, nações se levantarão umas contra as outras, e reinos contra reinos (Lc. 21.10); haverá catástrofes naturais, muito mais intensas que o Tsunami asiático. No mundo religioso, se levantarão falsos cristos, pessoas que serão apresentadas como o Salvador, e que enganarão a muitos, inclusive os judeus (Mt. 24.5). O anticristo, juntamente com o falso profeta, farão conchavos, para perseguir aqueles que professarem o nome de Cristo (Ap. 13.1-10). Além de terremotos, fomes e pestilências em vários lugares (Lc. 21.11). A diminuição do amor, em razão da multiplicação do pecado (Mt. 24.12), tornando as pessoas cada vez mais insensíveis. O evangelho do Reino, não o da salvação em Cristo, será pregado no mundo inteiro (Mt. 24.14), isso quer dizer que pessoas serão convertidas durante a Tribulação. Durante esse período a Igreja não estará mais na terra, pois terá sido transladada, para se encontrar com o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). Na terra predominará o caos, em todas as esferas humanas, tanto na política, quanto na econômica. A natureza será diretamente afetada, isso pode ser identificado ao longo do relato joanino, no livro do Apocalipse. Jesus se referiu a esse período como “o princípio de dores” (Mt. 24.7,8), destacando, assim, que não será ainda o final de todas as coisas.

CONCLUSÃO
A volta de Jesus acontecerá após o arrebatamento da igreja, e terá uma serie de sinais que mostram que o fim está perto. O Senhor destacou alguns desses, para que Israel, e aqueles que ficaram depois do translado, possam se preparar. Nos dias atuais já testemunhamos a construção de um cenário para a volta de Jesus, a fundação do Estado de Israel, em I948, é um deles. As guerras, epidemias, fomes e catástrofes atuais apontam para os sinais que se tornarão mais evidentes no período da Tribulação. Aqueles que não quiserem passar por esses dias, devem se voltar para Cristo, e aguardá-lo quando vier buscar o Seus.

ESCATOLOGIA, O ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS


                         

Textos:  II Tm. 3.1 – Mt. 24.4,5; I Ts. 1.10


INTRODUÇÃO
Neste trimestre estudaremos um dos assuntos mais complexos, e às vezes, mais polêmicos, da teologia bíblica, a escatologia. Nesta aula apresentaremos os aspectos conceituais da área de estudo, destacando suas Escolas de intepretação, e o mais importante, os princípios fundamentais para a interpretação do texto profético. Destacamos, a princípio, a necessidade de uma avaliação criteriosa e contextualizada dos textos, a fim de evitar excessos e especulações, sem fundamentação bíblica.

1. ESCATOLOGIA, ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS
A escatologia é uma área dos estudos teológicos que trata a respeito das últimas coisas, ou da realidade ulterior. Esse termo é derivado da combinação de duas palavras gregas: eschatos, que significa último, e logos, que significa estudo ou doutrina. No âmbito da Escatologia Pessoal, faz-se necessário ressaltar a dimensão material (corporal) e imaterial (espiritual) do ser humano. Após a morte o crente entra imediatamente na presença de Deus (II Co. 5.8), ainda que seu corpo físico permaneça na terra, aguardando a ressurreição e a glorificação (I Co. 15.54,55). Quando o descrente morre, segue para o Hades (Lc. 16.19-31), onde aguarda o julgamento do Trono Branco (Ap. 20.11-15). Depois do julgamento o Hades, e todos aqueles que ali habitam, será lançado no lago de fogo, esse período, que envolve tanto o período posterior à morte do justo quanto do ímpio, é dominado de Estado Intermediário. A Escatologia Geral trata, fundamentalmente, sobre a Volta de Cristo, doutrina repetidamente ensinada pelo Senhor (Mt. 24.27-31; 45-51; Mc. 13.32; At. 1.11). Além da volta de Cristo, os estudiosos da Escatologia Bíblica assumem que existe uma sequência de eventos: arrebatamento da igreja, tribunal de Cristo, Grande Tribulação, Milênio, Ressurreição, Julgamento e Estado Eterno. Existem divergências em relação a alguns aspectos da Escatologia Bíblica, especialmente quanto à ocasião do Arrebatamento da Igreja, se esse se dará antes da Tribulação (Pré-tribulacionismo), antes e durante a Tribulação (Parcial), no meio da tribulação (Midi-Tribulacionsimo), ou após a Tribulação (Pós-tribulacionismo). A diferença em relação a esse tema não compromete a ortodoxia, consideramos, no entanto, que a posição mais apropriada é a Pré-tribulacionista (I Ts. 1.10; Ap. 4.1,2).

2. ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO NO ESTUDO ESCATOLÓGICO
Existem diferentes escolas de interpretação dos estudos escatológicos, relacionadas à maneira de abordar o livro do Apocalipse. A Escola Preterista defende que o Apocalipse deve ser interpretado no contexto do seu autor original, relacionando-o às adversidades pelas quais passavam as igrejas do Sec. I. Por conseguinte, o objetivo desse livro era o fortalecimento da igreja diante das perseguições. A Escola Futurista argumenta que apenas os três primeiros capítulos do Apocalipse têm enfoque histórico. Para os estudiosos dessa perspectiva, a partir do capítulo 4 o livro aponta para eventos futuros, que acontecerão nos últimos dias. O objetivo do Apocalipse, de acordo com essa escola de interpretação, é descrever a consumação do propósito redentor de Deus, nos últimos tempos. A Escola Simbolista, ou Idealista, tende à alegoria, argumenta que o Apocalipse é um texto figurado, que discorre a respeito da batalha cósmica entre o bem e o mal. Para os adeptos dessa Escola, o texto apocalíptico não deve ser interpretado literalmente, antes aponta para significados espirituais, que somente podem ser compreendido na esfera cósmica. A Escola que mais condizente com a interpretação bíblica é a Futurista, ainda que reconheçamos que no Apocalipse existem passagens históricas (preteristas) e figuradas (simbólicas). O objetivo principal do Apocalipse, de acordo com essa abordagem, é direcionar o leitor para os eventos que deverão acontecer no futuro (Ap. 1.1). Para a Escola Futurista o texto bíblico, de modo geral, deve ser interpretado literalmente, sendo harmonizado em um todo coerente. Ela é importante para também porque justificar a posição Pré-tribulacionista do arrebatamento da Igreja.

3. PRINCÍPIOS PARA A INTERPRETAÇÃO DA ESCATOLOGIA
Existem muitas especulações escatológicas nas igrejas, para evitar os excessos faz-se necessário estimular uma abordagem apropriada no que tange à intepretação do texto profético. A esse respeito é válido ressaltar o que disse Jesus sobre o cumprimento das profecias: “quem lê entenda”, e não, quem lê invente (Mt. 24.15). As suposições infundadas, e sem qualquer respaldo escriturístico, alimentam a imaginação dos curiosos, mas não devem ser ensinadas na igreja. Uma interpretação apropriada da profecia bíblica parte de uma abordagem que considere o método gramatical (de acordo com as regras da gramática), histórico (coerente com o contexto histórico da passagem), e contextual (de acordo com o contexto no qual foi escrito). Evidentemente, conforme ressaltamos anteriormente, não podemos desconsiderar que existem passagens proféticas que recorrem às figuras de linguagem, e que não podem ser interpretadas literalmente. Além disso,  é necessário fazer as distinções devidas entre a profecia direcionada à igreja, e àquelas cujo cumprimento se dará com Israel. Existem equívocos na interpretação do texto escatológico que estão relacionados à confusão que alguns intérpretes fazem sobre o papel de Israel e da Igreja no desenrolar dos acontecimentos proféticos. Há profecias que são exclusivas para Israel, e que não podem ser interpretadas como se fossem alusivas à Igreja. O futuro determinado por Deus para Israel e a Igreja são distintos, um exemplo disso é o Arrebatamento, cujo alvo é a Igreja do Senhor Jesus Cristo (I Ts. 4.13-18), e o Milênio, que o Milênio terá como foco Israel, a nação escolhida por Deus (Ez. 36.33-36).

CONCLUSÃO
O estudo da doutrina das últimas coisas – Escatologia – deve ser estimulado entre os crentes, considerando que esse é um assunto recorrente nas Escrituras. Mas é preciso que esse seja realizado com cautela, respeitado os princípios hermenêuticos, que orientam a interpretação do texto profético. É importante também ressaltar que o objetivo da Escatologia não é provocar discussões infundadas, ou mesmo debates acalorados, mas que permaneçamos firmes na fé, na esperança da Palavra Profética, que brilha como luzeiro, em um mundo de trevas (II Pe. 1.19).