MILÊNIO UM TEMPO GLORIOSO PARA A TERRA


 

  Texto Áureo  Ap. 20.4  – Leitura Bíblica  Ap. 20.1-6


INTRODUÇÃO
Depois da Vinda de Jesus em glória, terá início na terra o Milênio, um tempo glorioso na terra, no qual o Senhor reinará. Inicialmente, estudaremos que esse será um período literal, não se trata de uma alegoria. Em seguida, destacaremos as características do Milênio, com destaque para seus participantes. Ao final, mostraremos a importância do Milênio, no contexto do cumprimento das profecias messiânicas.

1. MILÊNIO, UM PERÍODO LITERAL
Existem várias passagens bíblicas que tratam a respeito do Milênio, ainda que não seja possível encontrar essa palavra nas Escrituras. Por isso afirmamos que essa se trata de uma doutrina teológica, firmada em diversas passagens correlacionadas da Bíblia. A palavra Milênio vem do latim mille, que significa “mil” e annus, que significa em latim, “ano”. Há passagens do Antigo Testamento que narram a respeito de um período de plena paz, sob o reinado do Messias na terra (Zc. 14.9). O profeta Isaias antecipou esse tempo de glória para a terra, no qual as pessoas irão a Jerusalém, a fim de encontrar os caminhos do Senhor (Is. 2.2-4). Esse será um período de paz até mesmo para os animais da terra, pois o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão e o animal cevado andarão juntos, o leão comerá palha como o boi (Is. 11.6-9). É possível também encontrar passagens bíblicas no Novo Testamento que fazem alusão ao Milênio. Jesus, por ocasião da celebração da Páscoa, mencionou um tempo em que haveria de beber de novo o fruto da vide, com os seus discípulos no Reino de Seu Pai (Mt. 26.27,28). Mas o texto mais expressivo em relação ao Milênio é o de Ap. 20. A posição histórico-gramatical para a interpretação das Escrituras assume que se trata de um período literal, tendo em vista que uma opção simbólica não se coaduna ao contexto geral. A expressão “mil anos” se repete seis vezes no texto apocalíptico, e não apresenta características poéticas, que poderiam ser interpretadas alegoricamente. O Milênio acontecerá na terra e oportunizará o cumprimento das profecias messiânicas, alusivas à Vinda de Cristo para reinar (Gn. 12.7; Ez. 47-48; Sl. 2.6-9).

2. CARACTERÍSTICAS DO MILÊNIO
O Milênio não iniciará imediatamente, depois que Jesus vier em glória. Isso porque haverá um tempo de preparação. Conforme Dn. 12.11,12 será um período de 75 dias depois do fim da Tribulação. Nesse intervalo ocorrerá o julgamento do Anticristo, do Falso Profeta e dos gentios (Mt. 25.31-46). Haverá também, durante esse tempo, a ressurreição dos santos martirizados na Tribulação, em conformidade com a ordem de I Co. 15.20-24. Quando o Milênio tiver início, não quer dizer que o Estado Perfeito terá chegado. Não há respaldo bíblico para defender a perfeição durante o período do Milênio. Há textos bíblicos inclusive que mostram a existência de pecado (Is. 2.4; 11.4; 65.20; Zc. 14). O Milênio será uma espécie de antecipador do Estado Eterno, quando finalmente acontecerá o final da velha ordem e a criação da Nova Jerusalém e do Novo Céu e Nova Terra (Ap. 21.1-22). Durante o Milênio haverá harmonia para a criação, não haverá mais catástrofes ambientais. Paulo explica, em Rm. 8.22, que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. Durante o Milênio, no entanto, acontecerá mudança nas propriedades da terra (Is. 35.1,2). Em algumas regiões acontecem tempestades, tornados e terremotos, enchentes ou secas. Mas por ocasião do Milênio o deserto e a terra se alegrarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso. A chuva será na quantidade suficiente para irrigar a terra, e para fornecer o produto da terra, para alimentação da humanidade (Is. 30.23,24). As pessoas poderão morrer, mas a norma será a longevidade, pois as crianças não mais viverão poucos dias, nem o velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem (Is. 65.20). Esse será um tempo em que as enfermidades não mais dizimarão a sociedade, nenhum morador dirá que está doente, a saúde será desfrutada com abundância (Is. 33.24).

3. A IMPORTÂNCIA DO MILÊNIO
O mais importante durante o Milênio será sua dimensão política, isso porque quem estará reinando será o Renovo de Davi (Jr. 23.5-8). A política humana tem gerado muitas frustrações, não podemos prescindir da democracia no contexto atual. É melhor escolher os representantes do que ser governado unilateralmente, e está debaixo da tirania e de uma ditatura. No entanto, sabemos que o governo humano, mesmo aqueles que se julgam democráticos, tem suas limitações. Mas com Cristo no governo será totalmente diferente, pois Ele é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz (Is. 9.6). Ele não apenas governará Jerusalém, mas estenderá seu alcance até as nações do mundo. Então as nações compreenderão que não há outro governo melhor que o de Cristo (Dn. 7.14). Ele governará para a paz, pois as espadas serão se converterão em relhas de arados, e as lanças em podadeiras, uma nação não levantará espada contra outra nação, e não aprenderão mais a guerra (Mq. 4.3,4). Esse será um tempo glorioso, pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar (Is. 11.9). Como na atualidade, o Espírito Santo terá participação ativa na vida daqueles que creem (Ez. 36.27; 37.14). Na verdade será um tempo de plenitude do Espírito Santo (Is. 32.15; 44.3; Ez. 39.29; Jl. 2.28,29). Um templo milenar será erigido em Jerusalém que será o centro de adoração a Jesus Cristo (Ez. 40-46; Is. 2.2,3; 56.7). Haverá sacrifícios no templo milenar, mas esses não serão para expiação de pecados (Rm. 6.14,15; 7.1-6; I Co. 9.20,21; II Co. 3.7-11; Gl. 4.1-7; Hb. 8.13; 10.1-14). Os sacrifícios serão realizados durante o Milênio, mas apenas com um propósito memorial, para relembrar o valor do sacrifício de Cristo pelos pecadores.

CONCLUSÃO
Durante o Milênio os remidos em Cristo tomarão parte da adoração, esse será o momento no qual a oração “venha a nós o Teu Reino” (Mt. 4.17) será respondida. A Igreja estará com Jesus para reinar com Ele sobre as tribos de Israel (Mt. 19.28). Paulo confirma essa missão da Igreja durante o Milênio: “se perseveramos, também com ele reinaremos” (II Tm. 2.12). A doutrina do Milênio serve de estímulo a todos os crentes, considerando que esse será um tempo no qual o caos, desespero, corrupção e violência finalmente serão coibidos, quando estiver debaixo do governo do Rei dos reis. 

A VINDA DE JESUS EM GLÓRIA

     
                 
   Texto Áureo  Mt. 24.30  – Leitura Bíblica  Mt. 24.29,30; Ap. 19.19,20


INTRODUÇÃO
A vinda de Jesus acontecerá em duas etapas, a primeira para arrebatar a Sua igreja, e a segunda que acontecerá após a Tribulação, quando Cristo virá em glória para estabelecer Seu reino Milenial. Na aula de hoje estudaremos a respeito desse importante evento escatológico, inicialmente trataremos sobre a diferença entre o Arrebatamento e a Vinda em Glória. Em seguida detalharemos como acontecerá a manifestação gloriosa do Senhor Jesus, e ao final, algumas implicações relevantes, associadas à Vinda de Jesus em glória.

1. ARREBATAMENTO E VINDA EM GLÓRIA
O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são eventos escatológicos distintos. O primeiro diz respeito à Igreja, que encontrará o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). O segundo, diz respeito a Israel, que aguarda a volta do Messias, para reinar (Mt. 23.3-14). É importante ressaltar que não existem sinais para o arrebatamento da Igreja, pois se trata de um episódio imanente, que poderá acontecer a qualquer momento (I Co. 15.51,52). O Arrebatamento da Igreja acontecerá antes da Tribulação (Ap. 3.10), enquanto que a Vinda de Cristo será depois da Tribulação. No Arrebatamento da Igreja, Jesus virá para os santos, enquanto que na Segunda Vinda Cristo virá com os santos (Zc. 14.4,5). Na interpretação desses dois eventos, faz-se necessário atentar para os textos bíblicos que fazem alusão ao Arrebatamento (I Ts. 4.13-18) e à volta de Cristo (Mt. 24; Lc. 21). Caso isso não seja feito, o interprete poderá confundir a sequência dos eventos escatológicos. No arrebatamento: todos os crentes serão transladados, os santos transformados irão para o céu, a terra não será julgada, será uma acontecimento iminente, sem sinais; não é mencionado no Antigo Testamento; envolve apenas  crentes, acontecerá antes do Dia da Ira; não há referência a Satanás; Cristo virá para os Seus; Ele virá nos ares; tomará para Si a Sua noiva; somente os Seus o verão; e começará a tribulação. Na Volta de Cristo: não há qualquer translado; os santos transformados voltarão à terra; a terra será julgada e a justiça reestabelecida; seguem-se os sinais preditos e definidos; é mencionada várias vezes no Antigo Testamento; afetará toda a humanidade; concluirá o dia da ira; Satanás será acorrentado; Cristo virá com os Seus; Ele virá até a terra; Ele vem com a Sua noiva; todo olho O verá; e dará início o Milênio.

2. MANIFESTAÇÃO: A VINDA DE JESUS EM GLÓRIA
A manifestação (gr. epiphaneia) de Jesus para reinar durante o Milênio é um dos mais importantes eventos escatológicos, previsto em várias passagens das Escrituras, especialmente no Antigo estamento. Vários Salmos e muitos textos proféticos aludem a manifestação gloriosa de Cristo, quando virá para vencer as hostes de Satanás. O capítulo 19 de Apocalipse descreve detalhadamente o que acontecerá por ocasião da vinda de Jesus em glória. Antes da Vinda de Jesus em glória, alguns sinais evidenciarão a proximidade desse evento. O principal sinal para a volta de Cristo para estabelecer Seu reino será o arrebatamento da igreja (I Ts. 4.13-18). Contudo, no contexto da religiosidade judaica, Jesus elencou uma série de sinais em Mt. 24 e Lc. 21, em Seu sermão profético, quanto àqueles dias. Esse será um tempo de guerras e conflitos, nações se levantarão umas contra as outras, e reinos contra reinos (Lc. 21.10); haverá catástrofes naturais, muito mais intensas que o Tsunami asiático. No mundo religioso, se levantarão falsos cristos, pessoas que serão apresentadas como o Salvador, e que enganarão a muitos, inclusive os judeus (Mt. 24.5). O anticristo, juntamente com o falso profeta, farão conchavos, para perseguir aqueles que professarem o nome de Cristo (Ap. 13.1-10). Além de terremotos, fomes e pestilências em vários lugares (Lc. 21.11). A diminuição do amor, em razão da multiplicação do pecado (Mt. 24.12), tornando as pessoas cada vez mais insensíveis. O evangelho do Reino, não o da salvação em Cristo, será pregado no mundo inteiro (Mt. 24.14), isso quer dizer que pessoas serão convertidas durante a Tribulação. Durante esse período a Igreja não estará mais na terra, pois terá sido transladada, para se encontrar com o Senhor Jesus nos ares (I Ts. 4.13-18). Na terra predominará o caos, em todas as esferas humanas, tanto na política, quanto na econômica. A natureza será diretamente afetada, isso pode ser identificado ao longo do relato joanino, no livro do Apocalipse. Jesus se referiu a esse período como “o princípio de dores” (Mt. 24.7,8), destacando, assim, que não será ainda o final de todas as coisas.

3. IMPLICAÇÕES RELEVANTES SOBRE A VINDA
A vinda de Cristo em glória será antes do Milenio, e acontecerá de forma literal, a fim de cumprir a Palavra a respeito desse evento (At. 1.11). Existem várias profecias, especialmente no Antigo Testamento, que não se cumpriram em relação a Cristo. Essas profecias se cumprirão por ocasião da volta de Jesus em glória, para reinar durante o Milênio. Jesus prometeu que Ele haveria de vir, ao mesmo monte das Oliveiras, de onde ascendeu (Zc. 14.4); com chama de fogo (II Ts. 1.8), nas nuvens do céu com grande poder e glória (Mt. 24.30; I Pe. 1.7; 4.13). Ele virá com a Igreja, os santos que foram remidos pelo Seu sangue (I Ts. 3.13; Jd. 14); todo olho o verá (Ap. 1.7), e destruirá o Anticristo (II Ts. 2.8). Então se assentará no Seu trono (Mt. 25.31; Ap. 5.13); todas as nações serão reunidas perante Ele para serem julgadas (Mt. 25.32). Ele terá o trono de Davi (Is. 9.6,7; Lc. 1.32; Ez. 21.25-27); esse trono será sobre a erra (Jr. 23.5,6), para reinar com os Seus santos (Dn. 7.18-27; Ap. 5.10) e todos os reis e nações O servirão (Sl. 72.11; Is. 49.6,7; Ap. 15.4). Jesus edificará Sião (Sl. 102.16), e estabelecerá Seu trono em Jerusalém (J. 3.17; Is. 33.20,21). Conforme já ressaltamos anteriormente, essa vinda será visível (Ap. 1.7; Mt. 24.30). Por isso essa etapa da Vinda de Cristo está associada à manifestação da glória (Mt. 16.27; 25.31). A igreja não aguarda a Vinda Gloriosa de Cristo, mas o arrebatamento, que acontecerá a qualquer momento (I Ts. 4.13-18). Várias doutrinas bíblicas dependem do ensinamento a respeito da Vinda de Cristo em glória. A ressurreição dos mortos, por exemplo, não pode se cumprir até que Jesus venha outra vez. De igual modo, para a vitória de Cristo sobre Satanás, faz-se necessário que o Senhor Jesus retorne.

CONCLUSÃO
A volta de Jesus em glória é uma das doutrinas basilares da fé cristã. Existem muitos pontos de discordância em relação à Escatologia. Contudo, no que diz respeito à vinda de Cristo para reinar, os estudiosos concordam que esse é um evento que deve ser aguardado. Ao mesmo tempo, a vinda de Jesus, tanto para arrebatar a igreja, quanto para estabelecer o reino Milenial, deve servir de estímulo à vigilância, e a uma vida de santidade (Mt. 24.42-44). Por ocasião da vinda de Jesus em glória, a obra do Senhor será plena (Fp. 1.6), essa deve ser a esperança final de todo cristão (Ap. 2.25; 3.11).