EXPRESSANDO PALAVRAS HONESTAS


 Texto Base: Mateus 5:33-37
“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt.5:37). 

Mateus 5:

33.Outrossim, ouvistes o que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor.

34.Eu, porém, vos digo que, de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus,

35.nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei,

36.nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.

37.Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre o Sermão do Monte, trataremos nesta Aula a respeito do cuidado que devemos ter com as palavras proferidas. O mesmo cuidado que temos de ter com o nosso comportamento ético e moral, devemos ter com a emissão de nossas palavras. No Sermão do Monte, Jesus ensinou que os seus discípulos deveriam ser sinceros, transparentes e honestos em seu falar, e evitassem juramentos com intuito de com eles esconder a verdade. Jesus condenou o uso indiscriminado, leviano ou evasivo do juramento, que prevalecia entre os judeus. Em seu Reino, a honestidade de seus súditos elimina o uso dos juramentos (Mt.5:37; Tg.5:12). Integridade nas palavras é melhor do que volumes intensos de juramentos. Jesus deixou claro que o nosso falar deve ser “Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt.5:37).

I. NÃO DEVEMOS JURAR NEM PELOS CÉUS NEM PELA TERRA

1. A Lei do Juramento

Segundo o Dicionário Wycliffe, Juramento é um recurso por palavra ou ato para confirmar a verdade da declaração de uma pessoa ou o cumprimento de uma promessa (Gn.21:23,30; 31:53; G1.1:20; Hb.6:16). Em Israel, os juramentos desempenharam um papel importante em tribunais legais (Ex.22:11; Lv.6:2-5) e em transações nacionais (1Rs.18:10; 2Rs.11:4; Ez.17:16), bem como em assuntos domésticos e religiosos (Gn.24:37; Jz.1:5; 1Rs.2:43; Ed.10:5).

A lei mosaica enfatiza a natureza obrigatória dos juramentos (Nm.30:2), e decreta o castigo ao perjurador, aquele que faz um juramento falso (Dt.19:16-19; 1Tm.1:10). O falso juramento de uma testemunha ou uma falsa afirmação com relação a uma promessa ou a alguma coisa encontrada exigia uma oferta pelo pecado (Lv.5:1-6; 6:2-6). A lei mosaica leva muito a sério os juramentos (Ex.20:7; Lv.19:2; Zc.8:16,17) e proibi o juramento por deuses falsos (Js.23:7; Jr.12:16; Am.8:14).

Os juramentos eram comumente feitos levantando-se a mão (Gn.14:22; Ez.20:5ss., Hb.3:18; 6:13; 7:21; Ap.10:5), e em casos excepcionais colocando-se a mão debaixo da “coxa” ou do escroto daquele a quem o juramento era prestado (Gn.24:2ss.; 47:29); este era um modo solene de significar que, se o juramento fosse violado, a descendência da pessoa vingaria o ato de deslealdade.

Às vezes, os juramentos eram prestados diante do altar (1Rs.8:31; 2Cr.6:22). Os solenes juramentos de aliança eram frequentemente acompanhados por algum ato sétuplo [quantidade sete vezes maior que outra] (Gn.21:27-30), ou dividindo-se um animal em duas partes e passando entre as duas partes (Gn.15:8-18).

Várias fórmulas de juramentos eram usadas, tais como: “Deus é testemunha entre mim e ti” (Gn.31:50), ou mais comumente, “vive o Senhor...” ou “tão certo como vive o Senhor” (Jz.8:19; Rt.3:13; Jr.38:16). Geralmente a penalidade invocada pela violação era apenas sugerida (Rt.1:17; 2Sm.3:9; 2Rs.6:31), mas, às vezes, ela era expressa (Jr.29:22).

Na época de Jesus, ou até mesmo antes disso, os juramentos eram feitos pela vida da pessoa a quem estava sendo dirigido (1Sm.1:26; 17:55; 2Sm.11:11), pela própria cabeça (Mt.5:36), por Jerusalém (Mt.5:35), pelo Templo ou por suas diferentes partes (Mt.23:16-22), pela terra ou pelo céu (Mt.5:34ss.), pelo trono de Deus (Mt.5:34), ou pelo próprio Deus (Jz.8:19; 1Rs.18:15). O Senhor Jesus Cristo, porém, condenou o uso indiscriminado, leviano ou evasivo desses tipos de juramentos que prevaleciam entre os judeus (Mt.5:33-37; 23:16-22). Ele ensinou que os homens deveriam ser transparentes e honestos em seu falar, para que os juramentos entre eles se tornassem desnecessários (Mt.5:34-37). Em seu reino, a honestidade e a sinceridade de seus súditos eliminam o uso dos juramentos (cf. Tg.5:12).

2. O propósito da Lei do Juramento

No Antigo Testamento, o propósito do juramento era trazer à verdade um pacto firmado entre as partes, que não podia ser quebrado, porque Deus era a principal testemunha do juramento de que a pessoa estava falando a verdade; jurar falso pelo nome de Deus era profanar o nome de Deus (Lv.19:12). Segundo o pr. Osiel Gomes, “tratava-se de um apelo solene que o adorador fazia a Deus, tendo consciência de que Ele era o grande Juiz Onisciente e Onipotente, dono de tudo, que esquadrinhava os corações de todos os homens (1Cr.28:9; Jr.17:10) e que revelava o íntimo de cada um, a verdade e a sinceridade presentes no espírito do homem”.

No Antigo Testamento, os termos juramento e aliança são sempre usados como sinônimos. Uma aliança era, em sua essência, um juramento, um acordo solene. Deus confirmou a aliança Mosaica através de um juramento mencionado em Deuteronômio 29:12ss - O juramento “que o Senhor, teu Deus, hoje faz contigo” (cf. Dt.32:40; Ez.16:8; Nm.10:29). As partes que faziam a aliança deveriam se tornar como os mortos, de maneira que não poderiam mais mudar de ideia e revogá-la, assim como os mortos também não poderiam fazer (Gn.15:8-18; Hb.9:16,17). Assim, o sangue dos animais substitutos sacrificados era espargido na cerimônia de ratificação da aliança, para representar a "morte” das partes (Ex.24:3-8).

Nas Escrituras Sagradas os juramentos são de dois tipos: aqueles feitos por Deus e aqueles feitos pelos homens. Os juramentos feitos por Deus são afirmações solenes para seu povo, afirmações da aliança da absoluta verdade de sua Palavra (Nm.23:19) a fim de que possam depositar uma confiança implícita em sua palavra (Is.45:20-24). Suas promessas confirmadas por juramento foram feitas aos patriarcas (Gn.50:24; Sl.105:9-11), à nação de Israel (Dt.29:10-13), à dinastia davídica (Sl.89:35-37,49), e ao Sacerdote-Rei messiânico (Sl.110:1-4; Hb.7:15-22). O fiador de todas as promessas divinas é o Senhor Jesus Cristo, em quem elas encontram o seu cumprimento (2Co.1:19ss.). Um juramento feito pelos homens era um recurso solene a Deus para confirmar a veracidade de suas palavras, carregando a implicação expressa de castigo em caso de falha em dizer a verdade ou cumprir a promessa.

3. Não jureis nem pelo Céu nem pela Terra

No Antigo Testamento, os judeus, desde que circunstâncias especiais o tornassem oportuno, recorriam ao juramento (cf. Gn.21:23s; 31:53; Js.2:12; Lv.19:13; Jr.12:16). Jurar em nome de Deus significava que Ele era uma testemunha e que a pessoa estava falando a verdade. A Lei Mosaica continha várias proibições quanto ao jurar “falso” em nome de Deus (Lv.19:12; Nm.30:2; Dt.23:21).

Mas, nos últimos séculos antes de Cristo, o nome de Deus era raramente pronunciado pelos israelitas, temerosos de profanar o tetragrama sagrado (YHWH). Por isso, nas fórmulas de juramento, substituíam o nome de Deus por expressões equivalentes, como “juro pelo céu, pelo Templo, pelo altar, pela Aliança, pela cabeça” (cf. Mt.5:34-36; Mt.23:16-22). Os judeus pensavam que, agindo assim, não precisa cumprir o juramento proferido. Com isto, o juramento vinha a ser meio de enganar o próximo. Além do mais, os fariseus estipularam amplo catálogo de circunstâncias que podiam tornar nulo um juramento; reservavam, porém, a si o direito de avaliar em cada caso as razões da respectiva nulidade. Com isto se lhes abria vasto campo para sutilezas casuísticas e tramas ardilosas mais ou menos hediondas.

No sermão do Monte, porém, Jesus condenou este tipo de hipocrisia dos judeus. Segundo o seu ensino, era desnecessário tentar evitar jurar em nome de Deus meramente substituindo seu nome por outro substantivo. Aliás, Ele proibiu qualquer forma de juramento em conversações do dia-a-dia. Exortou assim o Senhor: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna”. Jurar pelo céu é jurar pelo trono de Deus. Jurar pela terra é jurar pelo estrado de seus pés (Is.66:1). Jurar por Jerusalém é jurar pela cidade do grande Deus (Sl.48:3). Até mesmo jurar pela própria cabeça envolve Deus, pois ele é o criador de tudo. Enfim, para o cristão, jurar é desnecessário; o “sim” deve significar “sim” e o “não” deve significar “não”. Não há circunstâncias em que é correto o cristão mentir; suas palavras devem ter o peso da Verdade.

Essa exortação de Jesus também proíbe qualquer ofuscamento da verdade ou engano; porém, não proíbe fazer juramento num tribunal de justiça. Jesus mesmo testificou sob juramento perante o sumo sacerdote (Mt.26:63). Paulo também fez juramento com o propósito de chamar Deus como sua testemunha de que o que estava escrevendo era verdadeira (2Co.1:23; Gl.1:20).

II. NOSSAS PALAVRAS DEVEM SER “SIM” E “NÃO”

1. Como deve ser o nosso falar

Jesus, em seu Sermão do Monte, exortou que o nosso falar deve ser “Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt.5:37). Jesus foi bem categórico quando afirma que pelas palavras alguém pode ser justificado ou condenado (Mt.12:37), o que nos impele a ter cuidado no nosso falar. O apóstolo Tiago também corrobora com essa mesma afirmação de Jesus: “Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim e não, não, para que não caiais em condenação” (Tiago 5:12).

Ninguém ignore os efeitos das palavras - elas nos animam ou nos deixam arrasados; elas nos levam ao arrependimento ou ao pecado; elas nos fazem aceitar o que é certo ou nos levam a admitir o que é errado. Tiago 3:6 diz que a língua “é um fogo”; as nossas palavras podem incendiar a nossa vida, destruir tudo o que construímos ao longo de nossa existência. Quantos ideais de vida e projetos não têm sido destruídos por causa de palavras mal ditas! Quantos casamentos já não se acabaram por causa de palavras ofensivas! Quantos já não se desviaram e abandonaram a igreja por causa de palavras ditas precipitadamente por aqueles que deveriam amparar!

A fala é uma carta endereçada, mas que quando aberta libera não somente as palavras e frases que contém, mas também toda uma significação que vai muito além disso. Se uma mesma expressão pode assumir diferentes significados ao mudarmos apenas a entonação da voz, o que dizer de conteúdos inteiros que são ditos em momentos impróprios ou com uma força desnecessária. Devemos usar sempre a metáfora que diz que os ouvidos dos outros são como uma xícara de rara porcelana, e nossas palavras são o chá que vamos ali cuidadosamente verter; não podemos nem quebrar a xícara, nem colocar quantidade insuficiente de chá e nem transbordar o conteúdo com uma fala excessivamente turbulenta.

Portanto, pense antes de falar. Há um ditado popular que diz: “Em boca fechada não entre mosquito”. Falar sem pensar é consumada tolice. Responder antes de ouvir é estultícia. Proferir palavras torpes e desandar a boca para espalhar impropérios e maldades é perversidade sem tamanho. Esse não pode ser o caminho do justo. Uma pessoa que teme a Deus reflete antes de falar, sabe o que falar e como falar. Sua língua não é fonte de maldades, mas canal de bênção para as pessoas. Diz o sábio: “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos ímpios derrama em abundância coisas más” (Pv.15:28). Atentemos para exortação de Tiago: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar...” (Tiago 1:19).

2. O sim e o não na vida de Paulo

Os caminhos do cristão nem sempre são uma linha reta; há altos e baixos, montes e planícies. Nem sempre o sim é sim, e o não é não. Mas, isto não quer dizer que o seu caráter é tortuoso. Não. Um exemplo emblemático é o de Paulo, registrado por ele em 2Corintios 1:12-24. Ele fez planos de visitar os irmãos da Igreja de Corinto, porém, por diversas vezes, foi impedido e as coisas não saíram como ele havia planejado. Mas os crentes de Corinto não entenderam o não cumprimento do “sim” de Paulo. Acusaram-no de falta de integridade e falta de constância. Puseram em dúvida suas reais motivações. Lançaram sobre ele pesados e levianos libelos acusatórios, denegrindo sua pessoa e seu ministério.

Paulo tinha prometido visitar a Igreja em sua passagem pela Macedônia e passar com eles o inverno (1Co.16:5,6). Mas, Paulo declara sua intenção de antecipar sua viagem e passar primeiro em Corinto, antes de ir à Macedônia (2Co.1:15,16), daí voltar a Corinto e de lá ser enviado à Judéia. A igreja de Corinto, porém, não entendeu as circunstâncias que levaram Paulo a alterar o seu roteiro. Os críticos acusaram Paulo de ter agido com leviandade e ter deliberado segundo a carne ao mudar os planos de sua viagem a Corinto. Eles atacaram Paulo, dizendo que ele não estava sendo íntegro em suas palavras (2Co.1:17,18). Os críticos o acusaram de ser o tipo de homem que diz sim e não ao mesmo tempo. Diziam que ele fazia promessa frívolas com intenções enganosas. No entendimento desses críticos, Paulo dizia ou escrevia uma coisa, mas, na verdade, queria dizer outra! Seu sim era não, e seu não era sim. Essas acusações o deixaram muito triste. Porém, Paulo estava com a consciência limpa. A reputação de seu caráter não estava na posição que ocupava, mas na qualidade de vida que vivia. Ele não dependia de elogios humanos nem se desanimava com as críticas. Ele tinha o testemunho de sua consciência de que vivia de forma santa e sincera no mundo e diante da Igreja, não por força da sabedoria humana, mas estribado na graça de Deus.

Paulo toma Deus como sua fiel testemunha e explica o motivo pelo qual não tinha ido logo fazer essa visita, que era para poupar os irmãos (2Co.1:23). Ele disse que Deus, que conhecia o seu coração, sabia do seu verdadeiro sentimento e da grande vontade de ir visitá-los, e declarou a todos que sua vida era de simplicidade e sinceridade, tanto diante da Igreja como do mundo (2Co.1:12). Os homens podiam ver suas ações, mas Deus via suas intenções. O juiz da sua consciência era Deus, e não os homens. Nesse sólido fundamento estava seu descanso.

3. O que passar disso é uma procedência maligna

Diante da acusação de que Paulo estava sendo leviano e deliberando segundo a carne, falando uma coisa e fazendo outra (2Co.1:17), Paulo confronta a própria incoerência dos crentes de Corinto evocando a fidelidade de Deus (2Co.1:18); em vez de defender a si mesmo, Paulo remete os coríntios à fidelidade de Deus. Não há duplicidade em Deus, suas promessas são cumpridas. O sim de Deus não é não; nem o não de Deus é sim. Assim como Deus é fiel em suas palavras, Paulo também foi fiel em sua palavra à Igreja.

Nossas palavras também devem ser coerentes, sinceras e verdadeiras. O Senhor Jesus nos instrui a ser claros e sinceros no que dizemos - “seja, porém, a tua palavra: sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt.5:37). Deus é coerente em seu ser e verdadeiro em suas palavras. Aqui estava o modelo que Paulo seguia, e devemos também agir assim, ou seja, sendo verdadeiros e transparentes em todos os nossos relacionamentos. Caso contrário, poderemos ser pessoas de mal caráter, passando a divulgar rumores, fofocas e a ter segundas intenções. ou seja, daremos lugar a situações de procedência maligna.

III. HONESTIDADE COM NOSSAS PALAVRAS

1. A palavra honestidade

Honestidade é a obediência incondicional às regras morais existentes; é uma característica de uma pessoa que é decente, que é honrada, que é moralmente irrepreensível. No princípio da Igreja os cristãos eram ensinados a andar em honestidade. O apóstolo Pedro ensinava: “Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma, tendo o vosso viver honesto entre os gentios...” (1Pd.2:11-12). Exorta o apóstolo Paulo: “Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades...” (Rm.13:13).

Uma das piores queixas que se pode ouvir acerca de uma pessoa, principalmente de um cristão, é que suas palavras não se coadunam com a sua conduta. Como pode um crente em Cristo falar sobre honestidade e ser desonesto? Os crentes precisam ter caráter impoluto, vida irrepreensível e conduta ilibada. Vários homens de Deus citados na Bíblia foram destacados pela manifestação do seu caráter; dentre eles citamos o apóstolo Paulo. Certa feita, ele estava incumbido de entregar à Igreja de Jerusalém uma grande oferta coletada entre os cristãos da Macedônia, e ele teve o cuidado de lidar com isto com grande zelo, transparência e honestidade. Ele mesmo escreveu sobre isto: “pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens” (2Co.8:21). Paulo era íntegro e prudente. Ele cuidava da sua piedade e da sua reputação. Ele não apenas agia com transparência diante de Deus, mas também com lisura diante dos homens. Ele não deixou brecha para suspeitas nem deu motivos para acusações levianas. Paulo reconhecia a importância não somente de ser honesto, mas também de parecer honesto diante dos homens, pois desconsiderar a opinião pública é na verdade uma grande tolice.

Paulo mostrou grande zelo em administrar com honestidade os recursos arrecadados na Igreja. É preciso ter coração puro e mãos limpas para lidar com dinheiro. Quer saber se alguém é honesto ou não, dê a essa pessoa a função de lidar com dinheiro. Há muitos obreiros que são desqualificados no ministério porque não lidam com transparência na área financeira. Judas Iscariotes, embora apóstolo de Cristo, era ladrão (João 12:6); sua maneira desonesta de lidar com o dinheiro o levou a vender Jesus por míseras trinta moedas de prata. Muitos pastores e líderes, ainda hoje, perdem o ministério porque não administram com transparência e honestidade o dinheiro que arrecadam na Igreja.

A Bíblia cita outros personagens em cujo caráter era evidente a honestidade. Citamos, por exemplo: Jó, que foi descrito como um homem honesto (Jó 1:8); Centurião Cornélio, citado como um homem reto, honesto (Atos 10:22). Enfim, a honestidade é um dos elementos que jamais deve ser prescindido do seguidor de Cristo durante toda a sua jornada cristã, em todas as áreas de sua atuação – no mundo secular ou no orbe da Igreja Local.

2. É possível ser honesto com nossas palavras neste mundo?

Honestidade é uma qualidade basilar do caráter do seguidor de Cristo; logo, é preciso que esta qualidade esteja em evidência no salvo em Cristo. Ser sal e luz exige que sejamos honestos com nossas palavras neste mundo. O apostolo Paulo diz que devemos resplandecer como luzeiros no mundo (Fp.2:15); essa luz inclui o que o cristão diz e faz, ou seja, o seu testemunho verbal e as suas boas obras. Como diz o pr. Osiel Gomes, “o verdadeiro discípulo de Cristo, que faz parte do seu Reino, é honesto em suas palavras, íntegro no seu caráter, e jamais usa de meias-verdades, através das quais grandes mentiras têm sido ditas, sendo influenciados pelo pai da mentira, o Diabo”.

um certo filósofo, por nome Smith, disse que “a mentira é útil para a sociedade, que o mundo seria um caos se todos falassem a verdade, e que é normal mentir”. O crente autêntico jamais pode concordar com esta tese de Smith. A mentira jamais foi ou será útil à sociedade, muito pelo contrário, ela é uma praga que destrói a sociedade. Muitas desgraças foram praticadas, e são ainda praticadas, por causa da mentira. As guerras são causadas na mentira. Os adultérios que causam a destruição de famílias inteiras são enraizados na mentira. Enfim, quase toda sorte de transtorno, desequilíbrio para o semelhante, provém da mentira. O mundo é um caos por causa da mentira. Insegurança, medo, dor, ansiedade, doença e fome, tudo tem a sua raiz na mentira, no “não ser semelhante a Deus”, pois Deus fez o homem para ser sua imagem e semelhança.

O homem mentiroso tem o diabo por seu pai, como disse Jesus aos religiosos de sua época (João 8:44) - “vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

Para o homem com a sua natureza pecaminosa, isto é, no estado de pecado em que se encontra, é natural mentir; assim como para o cachorro é natural latir, porque é próprio dos cachorros.  Deus não criou o homem para mentir, por isso, não é normal mentir. O homem mente porque ele caiu do seu estado em que foi criado. No salmo 62:4, falando dos ímpios, o salmista diz: “...na mentira se comprazem, de boca bendizem, porém no interior maldizem”. No salmo 119:163, o salmista diz: “abomino e detesto a mentira, porém amo a tua lei”. Podemos dizer estas palavras do salmista, com convicção? O profeta Isaias, profetizando contra os habitantes de Jerusalém, homens ímpios, reproduz o que eles diziam: “...porque por nosso refúgio temos a mentira” (Is.28:15). À época de Isaias, o povo se refugiava na mentira. a mentira virou um padrão cultural.

O apóstolo Paulo escrevendo aos cristãos de Éfeso diz em sua carta: “deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo...” (Ef.4:25). João descrevendo os santos que hão de herdar o reino de Deus diz: “não se achou mentira na sua boca” (Ap.14:5). E ainda no livro de Apocalipse encontramos o seguinte registro: “quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (Ap.21:8).

Portanto, se somos filhos de Deus, seguidores de Jesus Cristo, devemos ser honestos em tudo, e nosso falar deve ser sim, sim; não, não. O que passar disto está fora do campo da honestidade.

3. Dando testemunho

Uma pessoa que vive em desonestidade, dando mau testemunho, não tem paz; seu coração é um mar revolto que lança de si lodo e lama. Para justificar um erro, comete outros erros. Para livrar-se de uma mentira, precisa articular outras tantas. O desonesto enrola-se num cipoal e não consegue livrar-se de suas próprias armadilhas. Diz-nos o Salmo 42:7: “Um abismo chama outro abismo...”; isto faz-nos entender que quando alguém é dominado pelo poder do pecado, há uma sucessão de pecados impulsionados após aquele, e a pessoa se perde nesse caminho tortuoso e cheio de bifurcações. A solução é arrepender-se, confessar o pecado e mudar de conduta.

Diferente é a vida do honesto - ele anda na luz, sua conduta é irrepreensível, seu proceder é digno, e seu caminho é reto. Ele procura ser honesto no que fala, mantendo-se longe da falsidade e da mentira, conservando a verdade no coração e na conduta, pois esse é o seu objetivo maior (3João 4). O honesto tem a consciência limpa, o coração puro e as mãos incontaminadas; seu passado é limpo, sua vida é um legado, e seu futuro é um exemplo a ser imitado. Enfim, o cristão honesto dá bom testemunho. Somos realmente assim? Se não somos, então é bom pensar em andar no trilho, pois para sermos sal da terra e luz do mundo, refletindo a luz de Cristo, é imprescindível que sejamos honestos em tudo que expressamos e fazemos.

CONCLUSÃO

Ser um cristão honesto significa ser uma pessoa confiável, que tem zelo pelo seu nome e pela sua palavra. A Bíblia Sagrada ensina que um bom nome é considerado algo muito precioso – “Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas...” (Pv.22:1). E pensar que existem pessoas que não se importam com a dignidade de seu nome, permitindo, inclusive, que ele seja atirado na “lama” das trapaças! Para viver como salvo é preciso viver em honestidade. Uma pessoa honesta não explora o seu próximo, mas conduz seus negócios temendo no Senhor (Sl.112:1-5).

Paulo ensinou os irmãos a procurarem as coisas honestas: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens” (Rm.12:17). Até certos anos atrás, todos gostavam de negociar com os cristãos, de vender para os cristãos, de fazer e de dar serviços para um cristão. Cristão era confiável. É preciso que o cristão mantenha esse padrão. Para sermos considerados verdadeiros seguidores de Cristo é necessário sermos honestos em tudo, em especial em nossas palavras. Crente que vive como salvo não aceita seu nome na sarjeta; ele aprendeu com Jesus e cumpre a sua palavra no sentido de que seu falar é “sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt.5:37).

O CASAMENTO É PARA SEMPRE

 

Texto Base: Mateus 5:27-32
“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt.19:6).

Mateus 5:

27.Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.

28.Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela.

29.Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.

30.E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno.

31.Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite.

32.Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo sobre o Sermão do Monte, vamos estudar nesta Aula a respeito do caráter vitalício do casamento. O casamento é a mais básica e influente unidade social no mundo. Gênesis 2:18-24 revela que o casamento nasceu no coração de Deus quando não havia ainda legisladores, leis, Estado ou Igreja. Deus não somente criou o casamento, também o abençoou (Gn1:28). O casamento, portanto, nasceu no Céu, e não na terra; nasceu no coração de Deus, e não no coração do homem; é expressão do amor de Deus, e não fruto da lucubração humana. Tendo sido, portanto, criado por Deus, o casamento deve ser para sempre; é uma união permanente; ninguém tem autoridade para separar o que Deus uniu. Marido e mulher devem estar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na prosperidade e na adversidade; só a morte pode separá-los (Rm.7:2; 1Co.7:39). “...Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt.19:6).

I. A CONDENAÇÃO DO ADULTÉRIO

1. Definição de adultério

Segundo o dicionário Wycliffe, adultério é a relação sexual entre uma pessoa casada e outra que não é seu cônjuge. Geralmente o adultério era perdoado nas culturas pagãs, particularmente quanto a parte do homem que, embora fosse casado, não era acusado de adultério a não ser que coabitasse com a esposa de outro homem ou com uma virgem que estivesse noiva. O adultério é estritamente proibido tanto no Antigo Testamento (o sétimo mandamento, Ex.20:14; Dt.5:18; punível sob a lei com morte por apedrejamento, Lv.20:10; Dt.22:22ss.) quanto no Novo Testamento (Rm.13:9; Gl.5:19; Tg.2:11). O Senhor Jesus estendeu a culpa pelo adultério da mesma forma como fez para outros mandamentos, incluindo o propósito ou o desejo de cometer o próprio ato em si (Mt.5:28).

Na Bíblia Sagrada, o termo adultério (em hebraico na’aph e em grego moicheia) é muitas vezes utilizado como uma metáfora para representar a idolatria ou apostasia da nação de Israel e do povo comprometido com Deus. Exemplos disso podem ser encontrados em Jeremias 3:8,9; Ezequiel 23:26,43; Oseias 2:2-13; Mateus 12:39; Tiago 4:4. Esse uso está baseado na analogia do relacionamento entre Deus e o seu povo, que é semelhante ao relacionamento entre o marido e a sua esposa, uma característica comum tanto do Antigo Testamento (Jr.2:2; 3:14; 13:27; Os.8:9) como do Novo Testamento (João 3:29; Ap.19:8,9; 21:2,9). O casamento, que envolve ao mesmo tempo um pacto legal e um vínculo de amor, representa um símbolo muito adequado do relacionamento entre Cristo e a sua Igreja (Ef.5:25-27).

Atualmente, o mundo vê o adultério como algo normal, natural e até esperado no casamento (uma pesquisa feita no Brasil demonstrou que dois terços das pessoas esperam ser traídas por seu cônjuge e entendem ser isto natural e compreensível). Entretanto, o adultério é abominável aos olhos de Deus, tanto que seu alcance foi ampliado por Jesus no sermão do monte (Mt.5:27-30). Sua prática é considerada loucura pela Palavra de Deus (Pv.6:32-35). Com certeza, não há prática que cause tantos males e denigra tanto o caráter de alguém senão o adultério, que, além de destruir a família, célula-mãe da sociedade, dá péssimo exemplo aos filhos que, sem o exemplo dos pais, perdem o referencial do certo e do errado, sendo, a partir de então, alvos fáceis do inimigo de nossas almas. Na Bíblia, o adultério é a figura da infidelidade, da própria perdição, tamanho o mal que representa. A Bíblia afirma que o próprio Deus é quem julgará os adúlteros (Hb.13:4).

2. A posição de Jesus quanto ao adultério

Depois de tratar do sexto mandamento, Jesus volta sua atenção, agora, para o sétimo mandamento. Disse Ele no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt.5:27,28 –ARA). Segundo Hernandes Dias Lopes, os rabinos limitavam o adultério apenas à infidelidade sexual. Jesus, porém, amplia o significado desse pecado para o olhar lascivo e o coração impuro. Embora os homens não possam julgar o olhar adúltero e o coração impuro, Deus, que sonda os corações, condena a intenção como se pecado consumado fosse. Não basta ir à cama do adultério para quebrar o sétimo mandamento, basta ter a intenção de arrastar para cama a pessoa ilicitamente desejada. Warren Wiersbe afirma que o desejo e a prática não são idênticos, mas, em termos espirituais, são equivalentes. O ‘olhar’ (Mt.5:28) que Jesus menciona não é apenas casual e de relance; antes, é um olhar fixo e demorado, com propósitos lascivos. Portanto, o homem descrito por Jesus olha para a mulher com o propósito de alimentar seus apetites sexuais interiores, como um substituto para o ato sexual em si. Não é uma situação acidental, mas um ato planejado.

Há uma luta constante entre o espírito e a carne. O velho homem está sempre querendo erguer sua fronte para nos arrastar para o pecado. Como lidar com os pecados da impureza? Jesus adota um tratamento radical, e não gradual – “Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno” (Mt.5:29,30). É claro que Ele não defende a amputação física do olho direito nem da mão direita, mas a amputação moral, uma cirurgia espiritual. Jesus não está ordenando a mutilação do corpo, mas o controle do corpo para não se render ao pecado. Não se deve fazer concessão ao pecado.

3. Os males do adultério

A infidelidade conjugal destrói casamentos e famílias, trazendo grandes prejuízos sociais, econômicos, emocionais e espirituais. O pior de tudo, afasta a pessoa de Deus. Segundo o sábio bíblico, “O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa” (Pv.6:32). Contudo, ainda que alguns tenham ciência das consequências devastadoras desse ato, pouco se faz com o objetivo de evitá-lo, e não são poucos os que “flertam com o inimigo ao lado”. Veja algumas consequências, dentre muitas:

a) Perda da comunhão familiar. Quando um cônjuge adultera causa terrível transtorno à sua família: Em primeiro lugar, atinge o cônjuge; em segundo lugar, os demais membros da família, principalmente os filhos, que ficam confusos e perplexos por saber que o pai ou a mãe foi infiel, traindo a confiança matrimonial e dos filhos. O adultério mina o edifício da família em sua base, que é a confiança do esposo na esposa, e dos filhos nos pais. Em quem confiar, se os pais traem um ao outro? O resultado dessa quebra de confiança é a tristeza, a decepção e a revolta dos filhos. Muitos, não tendo estrutura espiritual e emocional, enveredam por caminhos perigosos, envolvendo-se com drogas, bebida e prostituição. Quem pratica a infidelidade conjugal está edificando sua casa sobre a areia (Mt.7:26).

b) Perda da comunhão com Deus. O adultério é pecado gravíssimo aos olhos de Deus, o Criador do casamento, do lar e da família. Ele divide a família, afasta o cônjuge da presença de Deus e impede as bênçãos divinas. O rei Davi mais do que ninguém sentiu na pele e na alma a tragédia desse pecado. Deus, o Senhor de toda a justiça, reprovou o ato de Davi (2Sm.11:27), perdoou-o por se arrepender profundamente do ato impensado e precipitado, mas não o livrou das inevitáveis e trágicas consequências. Muitas pessoas passam a vida inteira chorando por uma decisão errada feita apenas num instante; pagam um alto preço por uma desobediência; choram amargamente por tomar uma direção errada na vida. Cuidado com o pecado, pois ele pode levar você mais longe do que você quer ir.

c) Morte espiritual. O adultério leva à morte espiritual, às vezes até à morte física. O mais perigoso é a morte eterna, ou seja, o afastamento eterno de Deus; é a pior consequência da infidelidade conjugal. Alguns minutos de prazer ilícito podem levar um homem, ou uma mulher, para o inferno - “Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros...herdarão o Reino de Deus” (1Co.6:10). É necessário estar alerta para as ciladas do inimigo. O sábio Salomão, usado por Deus, exortou e advertiu quanto aos perigos do adultério. Sua palavra era a Palavra de Deus convocando seus filhos à vigilância contra a infidelidade conjugal. Ele verberou contra a prática pecaminosa, reconhecendo que "os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite" (Pv.5:3). No início, são "favos de mel", que depois, podem transformar-se em "favos de fel". Pense nisso!

II. O QUE REGE O CORAÇÃO REGERÁ O CORPO

1. O que procede do coração

Em Mateus 5:27,28 Jesus deixa claro que, no Reino de Deus, o adultério não é somente o ato físico em si, mas a intenção compulsiva, o desejo exacerbado de praticar o adultério quando se olha para uma mulher. Em Mateus 15:19,20 Jesus afirma que a contaminação não vem de fora, mas procede de dentro, emana do coração. O coração é a fonte dos sentimentos, aspirações, pensamentos e ações dos homens. Essa fonte é, também, a fonte de toda contaminação moral e espiritual. Hernandes Dias Lopes afirma que o coração é o laboratório onde o pecado é processado. O coração é a fonte poluidora da vida. A solução é um novo coração. A pessoa que tem um novo coração, coração transformado, tem um viver totalmente diferente, visto que seu coração é regido pela Palavra de Deus (Cl.3:16).

2. O homem é o que pensa

James Allen, em seu livro “Você é aquilo que você pensa”, afirma que “um homem é literalmente aquilo que ele pensa, sendo seu caráter a soma completa de todos os seus pensamentos. Assim como a planta brota, e não poderia existir sem a semente, da mesma forma cada ato de um homem brota das sementes ocultas do pensamento, e não poderia ter aparecido sem elas. Isso se aplica igualmente àqueles atos chamados "espontâneos" e "não premeditados", assim como aqueles que são deliberadamente executados.

O ato é o florescer do pensamento, e alegria e sofrimento são seus frutos; deste modo um homem colhe o fruto doce ou amargo de sua própria seara”. Isso combina com a afirmação do apóstolo Paulo aos gálatas: “o homem colherá aquilo que semear” (Gl.6:7). Concordo com o pr. Osiel Gomes, quando afirma que o que semeia o pensamento da cobiça, desejando outra mulher, não demorará para que concretize isso na prática. A cobiça é algo que começa no coração, é como uma pequena semente plantada que vai gerar o fruto do pecado. O apóstolo Tiago exorta: “cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:14,15).

O Senhor Jesus ensinou que é do coração carnal do “velho homem” que provêm os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mt.15:19), não sendo, pois, novidade alguma que uma sociedade em que há o predomínio da carne exista a prevalência do perjurar, do mentir, do matar, do furtar, do adulterar, de homicídios sobre homicídios (Os.4:2). Quando há o domínio da natureza pecaminosa, tem-se uma inimizade contra Deus (Rm.8:7). Paulo afirma que “andar segundo a carne” é “inclinar-se para as coisas da carne” e “a inclinação da carne é morte” (Rm.8:7), e “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm.8:8).

A natureza pecaminosa, portanto, faz com que prevaleça o pecado, pois é disto que o coração pecaminoso do homem está repleto. A solução é revestir-se do novo homem interior produzido por Cristo para jamais cometer os atos pecaminosos por meio do corpo (Ef.4:24; Rm.6:12,13). A identidade do salvo se tem precisamente pelas obras que pratica, pelo fruto que produz. Paulo disse aos filipenses que os sinceros e os que não geram escândalo são os que são “cheios de frutos de justiça” (Fp.1:10,11), frutos estes que são resultado de sua comunhão com Jesus Cristo para glória e louvor de Deus.

3. Sujeitando o corpo ao Espírito Santo

Só há uma maneira para o crente vencer a batalha interior: viver na dependência do Espírito Santo. Disse o apóstolo Paulo: “Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl.5:16). A “carne” representa o que somos por nascimento natural, e o Espírito”, o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito. A natureza carnal tem desejos ardentes que nos arrastam para longe de Deus, pois os impulsos da carne são inimizade contra Deus. Os desejos da carne levam à morte. A única maneira de triunfar sobre os apetites das coisas proibidas é andar no Espírito. A carne tem uma inclusão para aquilo que é sujo. Somente pelo Espírito de Deus podemos caminhar em santidade. Se alimentarmos a carne, fazendo provisão para ela, fracassaremos irremediavelmente. Porém, se andarmos no Espírito, jamais satisfaremos esses apetites desenfreados da carne.

O apostolo Paulo afirma que há uma batalha no interior do ser humano – “porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl.5:17). Fomos salvos da condenação e do poder do pecado, mas não ainda da presença do pecado. No campo do nosso coração ainda se trava uma guerra sem pausa, o conflito permanente entre a carne e o Espírito; eles são opostos entre si. Alimentar, portanto, a carne é ultrajar, entristecer e apagar o Espírito, e o apóstolo Paulo exorta: “não apagueis o Espírito” (1Ts.5:198). Precisamos sujeitar nossa vontade ao Espírito em vez de entregar o comando da nossa vida à carne.

III. A INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO

1. O casamento na perspectiva bíblica

O casamento é um dos mais gloriosos retratos do relacionamento entre Cristo e sua Igreja (Ef.5:22-33). Cristo ama a sua Igreja, alimenta-a com Sua Palavra, purifica-a com o Seu sangue, e dela cuida através da Sua abundante providência. O amor de Cristo pela Igreja é perseverante (João 13:1), sacrificial (Ef.5:25), santificador (Ef.5:26), proposital (Ef.5:27), intenso (Ef.5:28) e afetuoso (Ef.5:29). O relacionamento de Cristo com a sua Igreja é o sublime exemplo que todos os maridos devem seguir. A maioria dos terapeutas no campo da saúde mental concorda que o amor é a maior necessidade do ser humano. James Mallory diz que o marido deve expressar o seu acendrado carinho pela esposa usando os sete A’s do amor: Acessibilidade, Assertividade, Afeto, Atenção, Abertura, Aperfeiçoamento e Aventura.

Ainda, na perspectiva bíblica, o casamento deve ser:

a) Heterossexual. O relacionamento conjugal só é possível entre um homem e uma mulher, entre um macho e uma fêmea biológicos. Deus criou o homem e a mulher, macho e fêmea (Gn.1:27). Consequentemente, o chamado casamento homossexual não é considerado casamento à luz da Palavra de Deus nem à luz das ciências biológicas e, aqui no Brasil, a Constituição Federal, em seu artigo 226 § 3º, diz que “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

b) Monogâmico. A monogamia é o padrão de Deus para o casamento. Deus não criou duas mulheres para um homem nem dois homens para uma mulher (Gn.2:24). Tanto a poligamia (um homem com várias mulheres) quanto a poliandria (uma mulher com vários homens), estão fora do padrão de Deus para o casamento. O propósito absoluto de Deus para a raça humana em relação ao casamento sempre foi e sempre será a monogamia. Jesus deixou isso meridianamente claro em Mateus 19:4-6.

c) Monossomático. A Bíblia diz: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn.2:24). O próprio Cristo falou dessa singularidade do casamento, expressando que os cônjuges não são mais dois, mas uma só carne (Mt.19:6). Adão e Eva antes do casamento eram duas pessoas distintas, mas se tornaram um; eles passaram a ser uma só carne. Por isso, a esposa dever ser amada pelo marido como ele ama o seu próprio corpo. O marido deve amar a esposa como ama a si mesmo, ou seja, como ama o seu próprio corpo. Assim, em Gênesis 2:24 tornar-se uma só carne significa tornar-se uma só pessoa. Muito embora a expressão “uma só carne” signifique mais do que uma união física, a união básica do casamento é a união física. Se um homem e uma mulher pudessem se tornar um só espírito através do casamento, então a morte não poderia dissolver esse laço, pois o espírito nunca morre. O conceito de casamento eterno é uma heresia. Ao contrário do que ensinam os mórmons, que acreditam em um casamento celestial, para toda a eternidade, a Bíblia é enfática ao afirmar que o casamento é apenas uma instituição terrena. O casamento é para o tempo presente, e não para a eternidade. O apóstolo Paulo diz que o casamento entre um homem e uma mulher termina com a morte (Rm.7:2,3; 1 Co.7:39). Jesus, como supremo intérprete das Escrituras, deixou esse assunto meridianamente claro ao afirmar: “Porque, na ressurreição, nem se casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mt.22:30).

2. O que fazer para que o casamento seja para sempre?

Para que o casamento dure até o final da vida, é preciso que, pelo menos, cinco coisas acontecem:

a) os cônjuges devem viver segundo os princípios de Deus. A Palavra de Deus tem princípios claros e definidos tanto para o marido como para a esposa. Os que buscam a felicidade não a encontram, mas o que vivem segundo os princípios de Deus são felizes.

b) Os cônjuges devem conhecer suas funções e papéis na vida a dois, no lar. Isto precisa ocorrer porque onde não há ordem, reina a anarquia, mas onde cada um conhece seu papel e o exerce sob a direção e bênção de Deus, há paz e felicidade. É impossível encontrar a felicidade no casamento sem compreender o que a Bíblia diz sobre os papéis específicos do marido e da esposa no casamento. Na vida a dois há obrigações distintas e específicas a serem cumpridas (1Co.7:3).

c) No relacionamento conjugal é preciso dar mais e pedir menos, ouvir mais e falar menos, compreender mais e censurar menos. O segredo para se ter um casamento perene e feliz está mais em ser a pessoa certa do que em procurar a pessoa certa. A felicidade no casamento não é automática, ela precisa ser conquistada passo a passo. Hernandes Dias Lopes afirma que o casamento deve ser a antessala do céu e não o porão do inferno, um largo horizonte de liberdade e não um apertado calabouço, um lindo sonho de alegria e não um pesadelo marcado pelo desespero.

d) No relacionamento conjugal a vida a dois deve ser construída em amor incondicional, perseverante, santificador, sacrificial, guerreiro e romântico. Hoje, muitos casais fazem juras de amor diante do altar e amanhã acusações amargas na barra do tribunal. O verdadeiro amor supera as crises e não naufraga durante as tempestades. Os rios não podem afogá-lo nem a morte cobri-lo com uma pá de cal. O amor é mais forte que a morte. O amor jamais acaba. O verdadeiro amor santifica a relação. Quando existe amor entre os cônjuges, o relacionamento torna a outra pessoa mais pura, mais feliz, mais cheia de vida, mais próxima de Deus. Onde há brigas, contendas, mágoas, sofrimento e choro ali não está presente o verdadeiro amor. O verdadeiro amor não é possessivo nem manipulador. Ninguém pode ser realmente feliz vivendo no cabresto, sob vigilância e controle do cônjuge. Onde não há liberdade, não há amor. A esposa precisa ter liberdade para expressar seus pensamentos, sentimentos e desejos sem censura ou medo. O marido precisa descobrir métodos criativos para expressar seu amor pela esposa. Sua meta deve ser agradá-la e satisfazê-la.

e) No relacionamento conjugal a prática sexual deve ser ativa, respeitosa e sem sonegação. No casamento, o sexo é imprescindível; é uma maneira pela qual se dá o ajustamento do casal, pois é uma das principais expressões do amor conjugal. Com efeito, é através do sexo que um cônjuge se entrega ao outro, que um cônjuge procura agradar ao outro; é uma das expressões pelas quais se traduz a união do casal (“e serão ambos uma carne” – Gn.2:24). O amor conjugal não se confunde com o sexo, como propala erroneamente o mundo imerso no pecado, mas tem uma de suas expressões no sexo. O sexo praticado no modelo bíblico revela o verdadeiro amor, pois não é egoísta, tanto que diz a Bíblia Sagrada que o corpo do cônjuge está sob o domínio do outro (1Co.7:4). Portanto, a sonegação do sexo ao cônjuge é uma retenção indevida. A ordem bíblica é clara: “não vos priveis um do outro”. Negar-se a atender o cônjuge sexualmente é tirar dele o que lhe é de direito, é proibir que ele usufrua os benefícios daquilo que lhe foi garantido. Deixar de atender sexualmente ao cônjuge é desobedecer a uma ordem bíblica, é ir de encontro ao preceito de Deus, é estar na contramão do mandamento do Senhor.

Portanto, o casal que deseja que seu casamento dure até que a morte os separe, deve atender os quesitos acima.

3. Casamento: uma união indissolúvel

O relacionamento mais importante na sociedade é o relacionamento entre marido e mulher, por isso é que o homem deve deixar pai e mãe para unir-se a sua mulher; e os dois não devem ficar juntos apenas até surgirem os primeiros problemas, ou até que um seja rude com o outro, ou até surgirem sérias dificuldades na vida conjugal. No projeto de Deus o casamento é indissolúvel. O relacionamento dos filhos com os pais é temporário e deve ser rompido no momento certa, mas o relacionamento do marido com a esposa é permanente e jamais deve ser quebrado.

O casamento é uma aliança firmada, diante de Deus, entre um homem e uma mulher. Quando alguém entra numa aliança, assume um inescapável compromisso. A Bíblia fala que Deus fez uma aliança conosco, e essa aliança é um vínculo inquebrável com Deus. Deus não quebra aliança e não nos permite quebrá-la também. Quando alguém que está em aliança com Deus, desobedece e não aceita as condições estipuladas por esta aliança, a consequência é a maldição, mas Deus não quebra Sua aliança.

O casamento é, portanto, uma aliança estipulada por Deus. "...o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança" (Ml.2:14). E é por isto que Ele odeia o divórcio (Ml.2:16). No livro de Provérbios (2:17), Deus adverte contra a adúltera que lisonjeia com palavras, que "deixa o amigo da sua mocidade e se esquece da aliança com Deus". Note bem, ao deixar o homem com quem ela se casou, é acusada de quebrar sua aliança. O casamento é uma aliança, e por isto não podemos tratá-lo a nosso próprio gosto.

O casamento é a pedra fundamental da sociedade humana; é a célula-mãe da sociedade; dele depende todas as outras instituições; até mesma a Igreja está estribada no casamento. A Igreja é um reflexo das famílias que a compõem. O casamento, além de ser a pedra angular da sociedade e a base fundamental da Igreja em particular, também desempenha um papel decisivo na vida humana.

Precisamos entender, portanto, que no Reino de Deus o casamento deve ser indissolúvel. Em Mt.19:6 Jesus afirma que "... "aquilo que Deus ajuntou não separe o homem". A única razão para o divórcio, segundo informou Jesus, é o adultério (Mt.19:9), e isto para proteger a parte inocente, e não para dar às pessoas uma maneira fácil de sair de um relacionamento desagradável. Fora do adultério, o casamento só pode ser dissolvido em honra somente pela morte (Rm.7:2; 1Co.7:39). Divórcio é o atestado do pecado humano; é uma coisa horrenda aos olhos de Deus. Deus odeia o divórcio (Ml.2:16).

CONCLUSÃO

É verdade que o casamento é para sempre, mas a sua perenidade depende de um relacionamento firmado pelo amor mútuo entre o marido e a esposa, tendo como principal elemento entre os dois, o Espírito Santo. Está escrito que “um cordão de três dobras não se rompe com facilidade” (Ec.4:12). Sem dúvida as forças do mal investem contra o casamento, tentando levá-lo ao rompimento da aliança conjugal; porém, quando um casal se liga a Deus, há um tremendo fortalecimento dos laços que unem este casal. E como fazer para ter esta "terceira dobra" no casamento? A resposta é simples: tem que convidar Jesus! Note o detalhe no relato de João 2.2: “Jesus e seus discípulos também haviam sido convidados para o casamento”. Se o casal tiver uma ligação verdadeira com Jesus, segundo Eclesiastes 4, terá pelo menos quatro vantagens:

a). Os dois prosperarão trabalhando juntos (Ec.4:9) – “porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas”. A bênção do Senhor sobre esse casamento produzirá unidade e os cônjuges trabalharão juntos em prol dos objetivos que definirão com a sabedoria de Deus. Não haverá competição, mas sim cooperação entre o casal.

b) O casal se cuidará melhor (Ec.4:10) – “se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se”. O cônjuge terá a bênção de contar com o carinho e o cuidado do outro cônjuge. Um casamento abençoado por Deus tem esta harmonia. Um cuida do outro, com carinho e zelo.

c) O cônjuge terá sua alma aquecida (Ec.4:11) – “e se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos”. Todas as pessoas têm necessidade de afeto, carinho e atenção. Com a bênção do Senhor, tais carências serão supridas.

d) Os dois serão fortes (Ec.4:12) - “mas os dois conseguem defender-se”. Jesus disse no Sermão da Montanha sobre os "ventos fortes" que sopram contra a casa. Fundamentados nos princípios do Senhor, os cônjuges serão fortes para resistir e vencer.