* ACONSELHAMENTO CRISTÃO – A MISSÃO AUXILIADORA DA IGREJA


Texto Áureo: Cl. 3.16 – Cl. 3.12-17


Objetivo: Mostrar que o aconselhamento cristão, feito com sabedoria, é indispensável ao ministério da igreja local, a despeito de ser também um mandamento bíblico.

INTRODUÇÃO
Jesus Cristo é a base do aconselhamento cristão, por conseguinte, é na Escritura que encontramos as orientações do Supremo Conselheiro (Is. 9.6) a fim de levar adiante a missão auxiliadora da igreja. Na lição de hoje, analisaremos a contextualização bíblica para o aconselhamento e sua aplicação prática perante as crises.

1. DEFINIÇÃO DO TERMO
O verbo “aconselhar”, em Cl. 3.16, no grego, é noutheteo e significa, especificamente, admoestar, advertir e exortar. Com base em tal palavra, surgiu o conceito de aconselhamento noutético, isto é, de que os cristãos devem se ajudar mutuamente, não apenas os ministros, a fim de que possamos nos desenvolver espiritualmente. Outra passagem onde podemos encontrar o mesmo termo é a de Rm. 15.14, que, em consonância com Cl. 3.16, mostra que o fundamento do aconselhamento cristão, na igreja, não está na opinião humana, no julgamento arbitrário, antes na manifestação da rica e abundante palavra de Deus. Para que haja aconselhamento noutético, faz-se necessário que toda a igreja busque o conhecimento da Palavra, que, em bondade, poderão exercer o ministério do auxílio cristão nos momentos de crise.

2. AS CRISES DO COTIDIANO
Os cristãos, como as demais pessoas da sociedade, podem passar por crises, decorrentes de desemprego, morte de um ente querido, perda de posição social, enfermidades graves, divórcios, vícios, gravidez indesejada, mudanças, catástrofes, depressão financeira, tentativa de suicídio, entre outras. Uma crise pode ser definida como uma reação interna emocional diante de um acontecimento externo que varia de pessoa para pessoa, podendo ou não, resultar na incapacidade para solucionar o problema surgido. As crises podem levar a pessoa a um comportamento psicológico anormal, demonstrado em emoções como medo, pavor e pânico. De acordo com alguns psicólogos, as crises apresentam as seguintes características: 1) instabilidade – levando a pessoa a agir de modo alternados; 2) agitação – a vida da pessoa em crise entra em círculo; 3) perturbação – a pessoa crise perde o equilíbrio intelectual, emocional e/ou volitivo; 4) perda - a pessoa em crise pode ter um sentimento de que algo lhe falta; 5) sofrimento – tanto de ordem moral, como espiritual e física; e 6) pânico – medo sem explicação que se apodera do indivíduo.

3. OS CONSELHOS EM PROVÉRBIOS
O livro de provérbios, caracteristicamente poético, está repleto de conselhos. E, ao mesmo tempo, aborda com bastante maestria a importância de se obter bons conselhos de pessoas mais experientes. Assim, não é possível empreender qualquer análise sobre o conselho sem ponderar a respeito do que diz essa coletânea de pensamentos a esse respeito. A fonte de qualquer conselho é a sabedoria de Deus (Pv. 8.14), a ausência de conselhos pode levar qualquer projeto à ruína (Pv. 15.22), quem ouve bons conselhos torna-se sábio (Pv. 19.20), é a multidão de conselhos que leva à vitória (Pv. 24.6), e, nada mais doce do que conselhos entre amigos (Pv. 27.9). Os conselhos de provérbios, avaliados à luz da revelação do evangelho, trazem contribuições significativas à espiritualidade cristã.

4. ACONSELHAMENTO CRISTÃO
Interessante que o especialista no grego do Novo Testamento A. T. Robertson, definiu o termo noutheteo, de Cl. 3.16, como “pôr sentido em”. Se levarmos em conta a interpretação desse erudito, aconselhar é, primordialmente, uma tarefa de dar sentido a algo que se encontra fora de propósito ou esperança para quem se encontra em condição de desespero. A partir da reflexão em torno da passagem bíblica citada, é possível destacar os elementos básicos para o aconselhamento cristão:

4.1 Considerar a Palavra de Cristo
Tem a Palavra como base, em especial, o ensino, não podemos esquecer que é Palavra de Cristo que deve habitar ricamente em nós. Sem tal palavra, o aconselhamento pode ser enquadrado em qualquer parâmetro, menos no cristão. Portanto, toda crise deve ser avaliada à luz da revelação cristã, percebendo o que a Palavra diz a respeito. Consoante ao exposto, é válido ressaltar que a mensagem cristã geralmente se distancia dos parâmetros anticristãos da sociedade pós-moderna. Assim, problemas como crise financeira, divórcio, tentativa de suicídio, entre outros, precisam ser avaliados com base no evangelho de Cristo. Desse modo, problemas financeiros, divórcio e a morte de entes devem ser vistos no contexto da Palavra. A Bíblia, por exemplo, questiona o amor ao dinheiro (I Tm. 6.9,10), a indissolubilidade do casamento (Mt. 19.7,10) e o desespero perante a morte (I Ts. 4.13-17).

4.2 Confrontar em amor
Essa não é uma tarefa fácil, já que, quando o aconselhamento entra em pauta, surge, também, modos de pensar distintos, como o de Pedro e Jesus (Jo. 21.15-23), e o de Natã e Davi (II Sm. 11 e 12). Por isso, a tarefa de confrontamento precisa ser feita com bondade, a fim de que a pessoa perceba que se trata de um ato de amor, não de controle (I Co. 4.14). Além disso, é preciso que se dê espaço para que o outro expresse seus sentimentos. É sempre bom lembrar que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca, portanto, devemos ouvir mais e falar menos. É claro que o confrontamento só existe porque alguém carece de admoestação por se encontrar distante da visão cristã da realidade. Como exemplo, basta apontar que é possível que alguém esteja supervalorizando uma derrocada financeira de modo a pensar que tudo o mais perdeu o sentido por causa disso. Em situações como essas, e em muitas outras, faz-se necessário levar a pessoa a perceber que nem tudo está perdido e que existem outros valores mais importantes do que a riqueza e as propriedades.

4.3 Provocar mudanças
Todo confrontamento tem como meta levar o indivíduo a uma mudança de estado, possibilitando-o a sair da crise. Como o indivíduo se encontra em situação de desequilíbrio, ele carece de um eixo que o conduza ao norte da vida cristã. O conselho, diante de uma situação de crise, tem como objetivo central, conduzir a pessoa a Cristo. É interessante que, conforme lemos em Cl. 3.16, não se trata de uma imposição, mas de uma partilha, que se dá, coletivamente, no seio da igreja, não precisa ser, portanto, individual, mas na comunhão do partir do pão, nos hinos que são cantados, na exposição da palavra. É bom lembrar que as pessoas podem resistir às mudanças a menos que percebam que carecem delas. Portanto, não devemos obrigar determinada pessoa a pensar como cremos, isso, porém, não quer dizer que devamos deixar de expor no que acreditamos. Mas é preciso ter a sensibilidade necessária para saber até que ponto podemos auxiliar no processo de aconselhamento.

CONCLUSÃO
A vantagem de um aconselhamento bondoso, amoroso e gentil é que o aconselhando percebe que não se trata de hipocrisia, mas de um ato de amor (I Tm. 1.5). Sem amor, não existe conselho, apenas vontade de controlar as pessoas (I Co. 13.1). Aconselhar, por conseguinte, se inicia com a Palavra, mas não finda nele, exige ação e sacrifício pelos outros (II Tm. 4.6). Um conselho genuinamente cristão deve conduzir o indivíduo a atentar para a plena suficiência em Cristo (II Co. 9.8), e que, nEle, podemos tudo, tanto a ter em abundância quanto a passar por necessidade (Fp. 4.13).

- A MISSÃO SOCIAL DA IGREJA


A MISSÃO SOCIAL DA IGREJA
Texto Áureo: Sl. 41.1 – At. 2.42-46; 4.32,34,35-37


Objetivo: Mostrar que fé e obras se complementam inseparavelmente na vida daquele que vive para Jesus.

INTRODUÇÃO
A justiça social, definitivamente, não é o tema central da Bíblia. A revelação de Deus em Jesus Cristo é o objetivo primordial das Sagradas Escrituras. O principal problema do ser humano é o pecado, pois “o salário do pecado é a morte” (Rm. 3.23). Mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo (Rm. 6.23). Teríamos muito a dizer a respeito da responsabilidade social da igreja, mas como se trata de um tema bastante controverso no meio evangélico, deixemos que a Bíblia fale:

1. PENTATEUCO
“Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv. 19.14); “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor” (Lv. 19.19.32); “Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida. Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito” (Lv. 19.35,36). “Não oprimirás o diarista pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que está na tua terra e nas tuas portas. No seu dia lhe pagarás a sua diária, e o sol não se porá sobre isso; porquanto pobre é, e sua vida depende disso; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado” (Dt. 24.14,15).

2. PROVÉRBIOS
“Não digas ao teu próximo: Vai, e volta amanhã que to darei, se já o tens contigo” (Pv. 3.28); “Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer” (Pv. 11.1); “O pobre é odiado até pelo seu próximo, porém os amigos dos ricos são muitos. O que despreza ao seu próximo peca, mas o que se compadece dos humildes é bem-aventurado” (Pv. 14.20,21). “O que escarnece do pobre insulta ao seu Criador, o que se alegra da calamidade não ficará impune” (Pv. 17.5); “O homem pobre que oprime os pobres é como a chuva impetuosa, que causa a falta de alimento” (Pv. 28.3).

3. PROFETAS
“Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e fiquem como únicos moradores no meio da terra!” (Is. 5.8); “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho” (Jr. 22.13). “Porque sei que são muitas as vossas transgressões e graves os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate, e rejeitais os necessitados na porta” (Am. 5.12); “Ai daquele que, para a sua casa, ajunta cobiçosamente bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar do poder do mal!” (Hc. 2.9).

4. JESUS
“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada”. (Mc. 12.28-34).

5. APÓSTOLOS
“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” (At. 4.32-35); “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio” (At. 6.1-7).

6. TIAGO
“Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (Tg. 2.1-4); “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?” (Tg. 2.15-17); “Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos. Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tg. 5.1-6).

CONCLUSÃO
Contrariando à Palavra de Deus, muitas igrejas desprezam o valor da atitude social. Há uma ilustração interessante que narra a visita de um mendigo a casa de um espírita, de um católico e de um evangélico. Dizem que em cada uma das casas o mendigo recebeu respostas diferentes à sua necessidade. Cada um tinha apenas um pão. O espírita, apelando para a filantropia como forma de salvação, deu o pão inteiro ao mendigo e ficou com fome. O católico, na dúvida se a salvação seria somente pela fé, repartiu o pão ao meio e deu a outra parte ao mendigo. O evangélico, crendo na salvação pela graça, por meio da fé, respondeu que somente tinha um pão, e que, por isso, iria orar pelo mendigo.
Essa é apenas uma ilustração que traz verdades fundamentais. O evangélico tem toda razão ao afirmar que a salvação se obtém pela graça, por meio da fé, não vem das obras para que ninguém se glorie (Ef. 2.8.9). Contudo, não pode esquecer que o versículo 10, dessa mesma passagem, alerta para que “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. Isso quer dizer que não somos salvos pelas obras, antes fomos salvos, pelo sacrifício de Jesus na cruz do calvário, para que andássemos nelas. Portanto, ter responsabilidade social é um necessidade de todo crente. Não para ser salvo, mas porque já é salvo.