O GOVERNO DO ANTICRISTO

Textos: I Jo. 2.18 – Ap. 3.1-9


INTRODUÇÃO

Após o estudo das sete igrejas da Ásia Menor, atentaremos para alguns tópicos escatológicos, dentre eles, o governo do anticristo, o juízo final e a formosa Jerusalém. No estudo desta semana veremos a respeito do governo do anticristo, destacaremos sua definição bíblica, como se dará seu aparecimento, e ao final, a atuação desse governo, que já impera, ainda que em parcialmente, no tempo presente.

ANTICRISTO, DEFINIÇÃO BÍBLICA

O termo anticristo, contra Cristo em grego, é usado somente por João, esse mesmo apóstolo descreve seu surgimento e atuação. Em I Jo. 2.18 destaca que a aparição de falsos cristos é um sinal dos últimos dias, tal anticristo nega tanto o Pai quanto o Filho (I Jo. 2.18), e que todo espírito que nega que Jesus veio em carne é do anticristo (II Jo. 1.7). A definição de anticristo, por conseguinte, no primeiro século, estava associada ao gnosticismo, doutrina que negava a encarnação de Cristo, justificando-a através da filosofia grega. A figura do anticristo já fora antecipada por Daniel, ao referir-se ao “homem vil” (Dn. 11.21), cujo cumprimento inicial ocorreu nos tempos de Antíoco Epifânio, mas que acontecerá plenamente nos últimos tempos. Jesus se referiu a falsos cristos, em Mt. 24.24 e em Mc. 13.22. A palavra nos evangelhos é pseudocristos, que pode ser diferenciada de anticristos, o primeiro é aquele que afirma ser o Cristo, enquanto que o último se opõe a Cristo. Em todo caso, o império do anticristo e do pseudocristo estão correlacionados. Por isso, Paulo o descreve como “o homem do pecado” (II Ts. 2.3). Ele é apresentado no capítulo 13 do Apocalipse como a besta (Ap. 13.1) que recebeu seu poder do dragão – o diabo - a serpente do Gênesis. O anticristo governa um sistema – o mundo – por isso, de certo modo, ele já está em ação (II Ts. 2.7). A esse respeito, João declara que o mundo jaz no Maligno (I Jo. 5.19), portanto, já sob o poder do anticristo.

O APARECIMENTO DO ANTICRISTO

O capítulo 13 do Apocalipse nos apresenta à figura do anticristo como a besta, mencionada em Ap. 11.7, tendo saído do abismo para combater as duas testemunhas. Em Ap. 13.1 ela emerge do mar, um símbolo bíblico da humanidade não regenerada e em constante agitação (Is. 57.29). Esse significado é reforçado em Ap. 17.15, em que diz “As águas que viste ... são povos, multidões, nações e línguas”. O parentesco entre a besta e o dragão é perceptível pelo fato de ambos terem dez chifres e sete cabeças (Ap. 12.3). Os chifres, na simbologia bíblica, têm a ver com poder, e o fato de que a besta exigirá prerrogativa divina para si. João a descreve, em Ap. 13.2, como um leopardo, com pés como de urso, e boca como de leão. Essa besta concentra não apenas poder político e militar, mas também poder moral, pois se trata, como aponta Paulo, do homem de iniquidade (II Ts. 2.9). Satanás dará o seu poder ao anticristo, que maravilhará o mundo com suas magias (Ap. 13.3). Como o leopardo, que representa o governo da Macedônica (Dn. 7.6), será rápido, veloz, conquistador e incansável. Os pés de urso dizem respeito a Media e à Pérsia (Dn. 7.5), que representa a força e estabilidade. A boca de leão representa a monarquia do império babilônico (Dn. 7.4), impondo perseguição e matança. A besta não quer apenas o poder político (Ap. 13.4), seu interesse é também religioso, ela quer ir de encontro a Deus, deseja ser adorada como tal. Satanás sempre quis ser adorado como Deus, desde o princípio Ele se opõe à Palavra de Deus (Gn. 1.28; 3.4), ambicionou o trono do Altíssimo (Is. 14.12-15) e tornou-se o príncipe deste século, enganando a muitos (II Co. 4.4), já que é o pai da mentira (Jo. 8.44), tendo tentado o próprio Cristo (Mt. 4.1-11), tal como o Senhor, devemos resisti-lo (Tg. 4.7).

A ATUAÇÃO DO ANTICRISTO

A atuação de Satanás, como pai da mentira, faz uso da linguagem, recorre à boca para repassar seu engano. Em Ap. 13.5 está escrito que a besta recebeu uma “boca que proferia arrogâncias e blasfêmias”, em consonância com Dn. 7.8,20 e 25. É dito, seis vezes, que o poder não é da própria besta, mas que esse “lhe foi dado" (Ap. 13.2,5,7,14 e 15). Esse poder também será controlado, está limitado temporalmente a “quarenta e dois meses”, período que durará a Grande Tribulação. Esse período é descrito, em Ap. 12.14, como “um tempo, tempos, e metade de um tempo”, sendo igual a 42 meses e 1260 dias (11.2,3; 12.6, 14, 13.5). A besta “abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus” (Ap. 13.6). Para sustentar seu poder, o anticristo fará oposição direta a Deus, ele quer que as pessoas sejam lhe fiéis. Como já acontece atualmente com aqueles que servem a Deus, o príncipe deste século tratará de “difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu”. Os cristãos genuínos, aqueles que servem a Cristo, são alvo das críticas dos que se opõem à Palavra de Deus. Nem mesmo os cidadãos dos céus são respeitados, se tornado alvo de chacotas. Por aquele tempo, ocorrerá, como no presente, peleja contra os santos, e mais angustiante, a predominância do império do mal (Ap. 12.7). Satanás nunca está satisfeito com aqueles que “guardam os mandamento de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap. 12.17). Mas a vitória do anticristo tem tempo determinado, pois João viu, ao final, “os vencedores da besta e da sua imagem” (Ap. 15.2), por causa do “sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Ap. 12.11).

CONCLUSÃO

Durante a Grande Tribulação, o anticristo, como acontece hoje, será adorado por muitos que habitam na terra (Ap. 13.8). Os adoradores da besta não terão seus nomes “escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap. 13.9). Esse mesmo livro da vida é referido em Ap. 21.27, os nomes encontrados ali terão acesso à Nova Jerusalém. Essa mensagem sobre o governo do anticristo deve servir de admoestação para que a igreja não se deixe controlar pelo engano. Portanto, “quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap. 13.9). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

LAODICEIA, UMA IGREJA MORNA

Textos: Mt. 6.33 – Ap. 3.14-22


Introdução

Estudaremos, esta semana, a carta à sétima igreja, a que ficava em Laodiceia. Veremos que se tratava de uma igreja morna, caracterizada pelo faltar de ardor espiritual. A princípio, apresentaremos a igreja em seu contexto histórico-geográfico, em seguida, caracterizaremos a sua mornidão, resultante da abundante riqueza. Ao final, mostraremos a necessidade da igreja arrepender-se, e buscar as riquezas celestiais.

A Igreja de Laodiceia

A cidade de Laodiceia foi fundada em 250 a. C., por Antíoco da Síria, e se destacava pela sua localização. Ela ficava no meio de duas grandes rotas comerciais, famosa por sua riqueza e ostentação. A cidade de Laodiceia era a preferida pelos milionários, a efervescência cultural atraia a muitos, tinha teatros, estádios, ginásios. A prosperidade financeira era a principal motivação de muitos que se dirigiam àquela localidade. O desenvolvimento contribuiu para a produção de manufatura de tecidos e do avanço da medicina. A imponência da cidade era tanta que se vangloriava de ter se reerguido rapidamente, após a sua destruição, em 60 d. C., sem o auxílio governamental. O poderio de Laodiceia era tamanho que ela favorecia as cidades vizinhas quando essas eram atingidas por terremotos. O império romano guardava ali ouro, prata e moedas, homens de negócios viajavam para a cidade a fim de auferir lucros. As fábricas produziam lã e linho finíssimos, grandes centros médicos podiam ser encontrados em Laodiceia. Sua escola de medicina era a melhor da época, atraia estudantes de várias localidades. A igreja de Laodiceia estava contextualizada a essa realidade, ao invés de transformar a cidade, esta estava moldando a igreja. Os cristãos de Laodiceia viviam a partir da sua prosperidade material. Acabaram por desenvolver uma sensação de autossuficiência, a religiosidade era aparente, não havia fervor espiritual, a mornidão imperava. A igreja se assemelhava a água da cidade, que, em virtude da escassez, vinha de Hierápolis, saindo de lá quente, mas chegando a Laodiceia morna.

Uma Igreja Morna

A essa igreja morna Jesus se apresenta como o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus (Ap. 3.14). Como o Amém, Ele é a confirmação de todas as profecias, o cumprimento dos arautos divinos (Lc. 24.44). Sendo a testemunha fiel e verdadeira, Ele é Aquele que tem a Palavra, que fala com propriedade a respeito do Pai (Hb. 1.1,2). Ele também é o Princípio da criação de Deus, mas não é criado, pois tudo existe a partir dEle e sem Ele nada do que foi feito se fez (Jo. 1.3). Jesus conhece as obras das igrejas, sabem com que intenção elas são feitas. No caso de Laodiceia, diz o Senhor, “nem és frio nem quente, oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Ap. 3.15). A igreja de Laodiceia multiplicou a iniquidade, por causa disso, o amor se esfriou (Mt. 24.12), perdeu o interesse pela Palavra, não tinha mais ardor quando o evangelho era partilhado (Lc. 24.32). A igreja cristã deve saber que o fervor espiritual pode se apagar, por isso precisa ser alimentado (Rm. 12.11; At. 18.25; II Tm. 1.6). A igreja não se definia, nem era fria nem quente, era morna. As águas da cidade haviam perdido sua propriedade terapêutica, porque não eram mais quentes. Do mesmo jeito, os crentes da igreja perderam o entusiasmo. A perda da essência favoreceu o culto à exterioridade. Eles se vangloriavam: “rico sou, estou enriquecido e de nada tenho falta” (Ap. 3.17). Muitas igrejas atuais, como a de Laodiceia, perderam o fervor, são igrejas mornas, e como perderam a espiritualidade, sobrevivem da opulência financeira. Templos vultosos, cultos marabalísticos, “pastores e religiosos” que mais parecem animadores de auditório, danças pirotécnicas, tudo para camuflar a ausência de ardor espiritual. A avaliação de Jesus parte de outros parâmetros: “e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e cego e nu” (Ap. 3.17). A igreja que ostentava riqueza era desgraçada e miserável; que vivia cercada de uma medicina avançada, com a produção de colírios eficientes para os olhos, era cega; que produzia tecidos caríssimos, se encontrava espiritualmente nua.

Conselho ao Fervor

A essa igreja desgraçada, miserável, pobre, cega e nua, Jesus a admoesta: “aconselho-te que de mim compres outro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez, e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas”. Mais valioso que outro é a fé do crente, e essa deva ser provada no fogo (Tg. 1.2-4), e mais importante que roupas caras, luxuosas de grife, são as vestes da justiça dos santos (Ap. 19.8). Em meio a tanto consumismo, os cristãos são admoestado pelo Senhor a investirem em valores que permanecem para sempre (Is. 55.1). A igreja de Laodiceia, com os seus muitos bens, achava que tinha tudo, que nada lhe faltava. O problema da ostentação é que ela é contagiosa, uma igreja que sobrevive da riqueza contamina as outras. Existem muitas igrejas no Brasil que vivem se comparando, para saberem quem são as mais ricas. Há cristãos que avaliam uns ao outros pela igreja que frequentam. Esse sentimento, ao invés de ter a aprovação de Cristo, Lhe provoca náuseas. Mas ainda há esperança, assim diz o Senhor Jesus: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso e arrepende-te”. Uma igreja repreendida por Cristo cresce espiritualmente, pois Seu castigo é demonstração de amor (Hb. 12.5-11). O resgate do fervor passa pelo arrependimento, aquele que confessa seus pecados e os deixa alcançará a misericórdia do Senhor (Pv. 28.13). Ele está a porta e bate, diz Ele, “se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei e ele comigo” (Ap. 3.20). Muitos pregadores dirigem esse versículo aos descrentes, mas é digno de destaque que ele é destinado a uma igreja. A igreja tinha tudo, mas lhe faltava o principal, Jesus Cristo, critério para que ela fosse, de fato, ekklesia (Mt. 16.18).

Conclusão

Os que vencerem recebem, do Senhor, a promessa de que se assentarão, com Ele, no Seu trono (Ap. 3.21). Um dia os santos reinarão com Cristo na terra, por ocasião do Milênio (Mt. 19.28; I Co. 6.38; Ap. 20.4). A maior riqueza do cristão não está no perecível, seu tesouro se encontra na eternidade (Mt. 6.20). De nada adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma (Mc. 8.36), onde estiver o tesouro do cristão, ali também estará o seu coração (Lc. 12.34), o amor às riquezas tem conduzido muitos a ruinas (I Tm. 6.6-10). Portanto, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!