A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO

Textos: Ex. 15.2 – Ex. 14.15-26


INTRODUÇÃO

Após a saída do Egito, os israelitas experimentaram um grandioso milagre de Deus. Em um momento crucial Deus abriu o mar, permitindo que o povo ultrapassasse tal desafio. No estudo desta semana, veremos a respeito desse feito, atentando para algumas aplicações relacionadas à vida cristã. Inicialmente destacaremos a necessidade da fé, mesmo diante das adversidades, em seguida, a importância da confiança em Deus. Ao final, o reconhecimento da providência do Senhor, expressado na adoração.

1. A NECESSIDADE DA FÉ EM DEUS

A celebração da Páscoa foi apenas a preparação para algo maior que Deus haveria de mostrar ao Seu povo. A vida daqueles que servem ao Senhor está repleta de surpresas, por isso há sempre algo mais pelo que esperar. Isso acontece porque a maturidade não é alcançada de uma hora para outra, precisa de tempo para ser forjada. De igual modo, a fidelidade a Deus é resultado de uma vida de experiências, todas elas fundamentadas na obediência à Palavra de Deus. Somente quando estamos dispostos a nos dobrar diante das coisas que não vemos, e depositamos nossa fé em Deus, podemos atestar que amadurecemos (Hb. 11.1-6). É a fé que nos conduz pelo caminho estabelecido por Deus, que nos leva a cantar com o salmista: “guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome” (Sl. 23.3). A aceitação do caminho de Deus é uma atitude de rendição, de desistência dos nossos projetos, em favor das orientações do Senhor. Os israelitas receberam do Senhor as diretrizes precisas a partir das quais deveriam se orientar (Ex.  13.17,18). Eles deveriam chegar até o Monte Sinai, para tanto precisariam seguir pelo trajeto mais longo. O percurso mais rápido dificultaria a peregrinação, considerando que havia acampamentos egípcios por toda parte. Somos tentados a perseguir os atalhos, mas esse não é o plano de Deus, a fim de conduzir-nos à maturidade, nos fará, não poucas vezes, seguir por onde não desejávamos ir. Algumas portas serão fechadas, as vias se tornarão íngremes, e a estrada sinuosa, mas Deus sempre nos mostra uma saída, a fim de nos dirigir ao Seu propósito (At. 16.6-10; II Co. 2.12,13). Ele não nos deixa sozinhos, antes segue adiante, mostrando por onde deveremos trilhar (Ex. 13.20-22). O Deus guiou o povo de Israel através da coluna, de igual modo, nos orienta pela Palavra, e pelo Espírito Santo (Ef. 1.15-23; Jo. 16.12,13).

2. A CONFIANÇA EM DEUS DIANTE DO MAR

Depois que saiu do Egito, o povo acampou diante do mar, aos olhos da nação aquele era um grande desafio. Faraó, insatisfeito com a fuga dos israelitas, e com o coração endurecido, decidiu persegui-los (Ex. 14.5). De repente os hebreus tiraram os olhos da coluna de fogo, que significava a presença de Deus, e olharam para trás onde estava Faraó e seu exército. Em consequência disso, perderam o foco e se tornaram alvo das ameaças do inimigo. Isso também pode acontecer com aqueles que seguem a Cristo, a falta de foco pode os distanciar do percurso, fazendo com que olhem para trás (Lc. 9.62). De vez em quando somos tentados, como os israelitas a confiar apenas no que vemos, mas não podemos esquecer que vivemos por fé, e não por vista (II Co. 5.7). Devemos proceder como Moisés, que diferentemente do povo, confiou em Deus, sabendo que o exército de faraó não representava uma ameaça (Ex. 14.13-31). Certamente o povo estava murmurando, por isso Moisés ordenou ao povo que se calasse, e confiasse que Deus pelejaria por eles (Ex. 14.14,15). O Deus de Israel é o Todo-Poderoso, Aquele que diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl. 46.10). Quando Moisés ergueu a vara, as águas do mar se dividiram e Israel pode atravessar em terra seca, escapando do exército egípcio. Essa foi uma demonstração a fim de que os inimigos do povo viessem a reconhecer que Yahweh era o Senhor (Ex. 14.18). Esse milagre aconteceu depois que Moisés estendeu a mão, e Deus enviou um forte vento que abriu o caminho para que o povo passasse no meio do mar (Sl. 77.16-20). A confiança em Deus nos lança para além dos nossos temores, é a falta de fé que nos faz fraquejar diante das adversidades (Mc. 4.40). Na teologia paulina, a travessia dos israelitas pelo mar tipifica um batismo, pois Israel ficou submerso naquelas águas (I Co. 10.1,2). Aquela experiência marcou aquele povo, que passou a confiar no Senhor e em Moisés (Ex. 14.31). É uma pena que alguns cristãos precisem ver os milagres de Deus para confiarem no Seu poder. Existem promessas nas Escrituras em relação às intervenções divinas, inclusive na natureza. A fé do cristão, no entanto, deve permanecer alicerçada na Palavra, ainda que não vejamos coisa alguma admirável aos nossos olhos (Hc. 3.17-19).

3. CELEBRANDO AO DEUS QUE LIBERTA

A travessia dos israelitas pelo mar foi um batismo que identificou o povo com o Deus de Abrãao, Isaque e Jacó, resultando em parte da confissão de fé daquela nação (Dt. 26.1-11). Esse acontecimento inspirou-os a cantar um hino de louvor e adoração ao Senhor (Ex. 15.1-21). É fácil cantar louvores a Deus quando tudo acontece de acordo com nossas vontades. A maturidade do cristão se revela em sua disposição para adorar a Deus mesmo a noite (Jó. 35.10; Sl. 42.8; Mt. 26.30; At. 16.25). É nessas horas que demonstramos nosso compromisso com Ele, e que não estamos apenas olhando para Suas mãos, antes para Sua face. Por meio de um hino, os hebreus anunciaram a vitória de Deus (Ex. 15.1-4), isso porque o exército egípcio foi lançado ao mar, os soldados afundaram feito pedra e chumbo (Ex. 15.5,10). O Deus de Israel é “homem de guerra” que não luta com armas comuns, pois Suas narinas dividiram as águas. Essa é um antropomorfismo, ressaltando a grandeza de Deus, que mantem a natureza em Suas mãos (Ex. 15.6-10; Mc. 4.35-41). De fato, quem pode ser equiparado a esse Deus, Ele é incomparável entre outros deuses, Sua presença atemoriza os inimigos (Ex. 15.11-14). Precisamos reafirmar, com louvores, a singularidade do Deus que se revela na Bíblia (Jo. 14.6; At. 4.12). A exaltação de Deus, através desse hino (Ex. 15.11-16), deve inspirar os compositores evangélicos a melhorarem a qualidade das suas composições. Isso porque nos arraiais eclesiásticos existem muitos hinos que se distanciam da Palavra de Deus, com letras predominantemente antropocêntricas, que adora mais aos homens do que a Deus. Devemos aprender, com o povo de Israel, a celebrar ao Senhor pelo Seu poder, sabedoria e grandeza (Ex. 15.12-14). Ele é o Deus que cumpre com as Suas promessas, tirando os hebreus do Egito, conduzindo-os a Canaã (Ex. 15.16-18). Os feitos de Deus devem inspirar nossos hinos, e como o salmista, declaramos que: “as águas cobriram os seus opressores; nem um deles escapou. Então creram nas suas palavras e lhe cantaram louvor” (Sl. 106.11,12).

CONCLUSÃO

Deus livrou o povo de Israel, abrindo o mar para que esse passasse, livrando-o de uma grande adversidade. Na vida cristã passamos por situações difíceis (Jo. 16.33), mas não podemos perder a fé e a confiança em Deus (Hb. 11.6). Quando o Senhor estender a Sua mão, como fez para salvação dos hebreus, reconheçamos Seu atos poderosos, celebrando-O com louvor e adoração (Lv. 22.29). Também precisamos aprender a esperar no Senhor (Sl. 40.1), e quando as coisas não acontecerem do jeito que desejávamos, não devemos murmurar (Fp. 2.14), antes depender de Deus, certos de que Ele está no comando de nossas vidas (Mt. 10.30; Lc. 12.7). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

A CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA PÁSCOA


Textos: I Co. 5.7 – Ex. 12.1-11


INTRODUÇÃO

A morte visitou o Egito e em uma noite de pavor todos os filhos e animais primogênitos morreram (Ex. 11.6; 12.30). Mas a morte não alcançou os hebreus, eles foram preservados pelo Senhor. No estudo desta semana, veremos a respeito desse grandioso livramento de Deus, que demarcou a celebração da Páscoa para os hebreus. Ao final, destacaremos que Cristo, o Salvador, tornou-se a Páscoa para os cristãos, e que através do memorial da Ceia do Senhor, celebramos Sua morte e ressurreição.

1. A PÁSCOA ISRAELITA E OS EGIPCIOS

A décima praga foi a mais terrível de todas para os egípcios, pois em virtude do endurecimento do coração de Faraó, os mensageiros da morte visitaram a terra, e como diz o salmista, “lançou contra eles o furor da sua ira: coleta, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males (Sl. 78.49). Moisés inicialmente ouviu a Palavra de Deus, e foi ao palácio a fim de entregar a mensagem profética do Senhor (Ex. 10.24-29). Como profeta de Yahweh, revelou a Faraó que ele pagaria um preço por ter causado tantos danos ao povo de Deus. Todos os primogênitos do Egito seriam mortos, isso porque para aquela cultura os primogênitos eram considerados sagrados, até mesmo entre os hebreus (Ex. 4.22; Jr. 31.9; Os. 11.1). Ademais, não podemos deixar de destacar que outro Faraó quis exterminar os filhos dos hebreus, por isso, o Deus de Israel estava, através dessa praga, vingando a morte dos filhos do Seu povo (Ex. 4.22,23). Muito embora sejamos ensinados a não buscar vingança (Mt. 7.1,2), sabemos, no entanto, que Deus, ao Seu tempo, julgará aqueles que se opõem e perseguem os que servem a Ele, tendo em vista que o homem ceifará o que plantar (Gl. 6.7). A fim de preservar seus primogênitos, os hebreus celebraram sua Páscoa, através da morte de um cordeiro, sendo o seu sangue colocado na verga e nos umbrais da postas das casas onde viviam as famílias israelitas (Ex. 12.6-13;21-14). Essa atitude apontava para o derramamento do sangue do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo. 3.14-17), pois sem esse não haveria remissão de pecado (Hb. 9.22). Jesus foi nosso substituto, tendo morrido pelos nossos pecados, tomando o castigo a nós destinado (Is. 53.4-6; I Pe. 2.24). Quando o anjo da morte passou para ceifar a vida dos primogênitos, não tocou nos filhos dos hebreus, ao verem o sangue nos umbrais (Ex. 12.13). De igual modo, todos aqueles que creem em Cristo como Salvador estão livres da morte eterna (Jo. 3.16; I Jo. 2.2).

2. OS PROCEDIMENTOS PARA A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

A palavra páscoa quer dizer passagem em hebraico, em alusão à passagem da morte que passaria pelas casas, ceifando as vidas dos primogênitos. Aos hebreus, para escaparam de tal juízo, cabiam observar os procedimentos dados por Deus. Eles mergulhavam os ramos de uma planta denominada hissopo na bacia com o sangue do cordeiro e o colocava nas vergas e umbrais das portas (Ex. 12.22). Em seguida, essa mesma planta era usada para aspergir o sangue que confirmava a aliança de Deus com o Seu povo (Ex. 24.1-8). O cordeiro havia sido assado e comido às pressas, o povo deveria estar pronto para partir logo que fosse dado um sinal (Ex. 12.8,11,46). A refeição consistia do cordeiro assado, pães asmos e ervas amargas, antecipando, assim, o sacrifício vicário de Cristo. O pão era sem fermento porque não havia tempo para que esse crescesse (Ex. 12.39), além de ser este um símbolo de impureza para os hebreus. A Palavra de Deus associa o fermento com o pecado, bem como com os falsos ensinamentos (Mt. 16.6-12; Gl. 5.1-9) e a hipocrisia (Lc. 12.1). A igreja do Senhor não pode se envolver com práticas pecaminosas, antes deve viver em santidade, sem se deixar contaminar com o fermento do mundo (I Co. 5.6-8). Outro procedimento foi usado, qualquer carne que sobrasse da festa deveria ser queimada, aquele cordeiro era especial, não deveria ser tratado como uma alimentação normal. Aquela refeição foi preparada para a família (Ex. 12.3,4), isso mostra que Deus atenta para a proteção dos lares. A igreja, como um todo, é uma família, que se une para lembrar a morte e ressurreição do Cordeiro de Deus (Ef. 2.21; 3.15;4.16).  O caráter memorial da páscoa israelita (Ex. 12.14-43) fora retomado pela fé cristã, a fim de celebrar o sacrifício de Cristo, na cruz do calvário (Mt. 26.26; I Co. 11.23-25). A páscoa israelita era celebrada em nome do Senhor, recordando o cumprimento das Suas promessas (Ex. 11.1-8; 12.31-36). Na noite da Páscoa se cumpriram as promessas dadas por Deus a Abraão, muitos séculos antes (Gn. 15.13,14). De fato, “nem uma só palavra falhou de todas as suas boas promessas, feitas por intermédio de Moisés, seu servo” (I Rs. 8.56). As promessas de Deus não falham, por isso estamos certos que passarão céus e terra, mas Suas palavras não haverão de passar (Lc. 21.33).

3. CRISTO, A NOSSA PÁSCOA

Paulo identifica Cristo como a nossa páscoa, isso porque Jesus é o Cordeiro que foi imolado pelos nossos pecados (I Co. 5.7; Rm. 5.8,9). As igrejas locais se reúnem para celebrar a Ceia do Senhor. A Santa Ceia é um memorial, a fim de que, entre muitas atribuições eclesiásticas, não nos esqueçamos do principal, do sacrifício de Cristo na cruz (I Co. 11.23-25). Por ocasião da Ceia, utilizamos, simbolicamente, o pão que representa o corpo de Cristo (I Pe. 2.22-24), e o vinho, o sangue derramado do Senhor (Mc. 14.24). Esses elementos são simbólicos por isso não podem ser confundidos com o próprio corpo e sangue de Jesus (Jo. 6.35; 10.9), trata-se, portanto, de uma linguagem figurada. Essa deve ser uma observância continua para a igreja, ainda que não seja demarcada a frequência em que deve ocorrer (Lc. 22.14-20). A igreja cristã, desde o primeiro século, atentou para a prática do partir do pão (At. 2.42; 20.7; I Co. 11.26). É importante que a igreja mantenha a reverência por ocasião da celebração da Ceia, esse era um problema grave em Corinto, pois muitos membros da igreja não a levavam a sério (I Co. 11.29,30). Esse deve ser um momento solene, sobretudo de reflexão, a fim de demonstrar nossa identificação com o Cristo que por nós entregou Sua vida. Para evitar distorções no ato da celebração da Ceia, recomendamos: 1) sinceridade na apreciação (Lc. 22.17-19), não se trata apenas de alimentação, mas de percepção do valor do sacrifício de Cristo; e 2) autoexame para não nos tornarmos culpados e participantes daqueles que crucificaram o Senhor (I Co. 11.27). Ninguém se torna, por si mesmo, apto para a Ceia, é o sangue de Jesus, que nos torna aptos para tal. Não ceamos por causa dos nossos méritos, pois se assim fosse, ninguém poderia se aproximar da mesa (Ef. 2.8,9). Mas é preciso demonstrar contrição, reconhecimento do pecado, sobretudo arrependimento (I Jo. 1.9). A Ceia do Senhor é também um momento de irmandade, pois ao partir o pão demonstramos que somos um em Cristo (I Co. 10.16,17).

CONCLUSÃO

Os hebreus, diante da ameaça de Faraó, foram libertados pelo Senhor, com mão forte e braço estendido (Sl. 89.13). A percepção daquele ato libertador fez com que os hebreus, ao longo da sua história, celebrassem a páscoa. Os cristãos também têm motivos para celebrar, através da Ceia, a libertação que nos foi dada através de Cristo Jesus. Quando assim fazemos, apontamos não apenas para o passado, em relação ao que Ele fez,  também nos identificamos no presente com Ele, e demonstramos expectação em relação ao futuro, quando com Ele cearemos na eternidade (Mt. 26.29). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!