O CULTIVO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Texto Áureo: Rm. 16.27  Leitura Bíblica: Rm. 16.27

INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea está marcada pelo individualismo, parafraseando um provérbio popular, tem sido “cada um por si e o diabo contra todos”. Na aula de hoje, a conclusão da Epístola aos Romanos, nos voltaremos para a importância do cultivo das relações interpessoais na igreja. Inicialmente, destacaremos os perigos às relações iniciais no âmbito eclesiástico. E ao final, apontaremos orientações bíblicas com vistas ao investimento nas relações interpessoais da igreja.

I – AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

As conclusões das Epístolas de Paulo, dentre elas a de Romanos, identificamos a preocupação do Apóstolo com as relações interpessoais na igreja cristã. No capítulo 16 nos deparamos com uma longa lista de pessoas engajadas no ministério de Paulo. As palavras graciosas do Apóstolo revelam o cuidado que esse tinha com as pessoas da comunidade de fé. Essa atitude deve inspirar os crentes contemporâneos, sobretudo os líderes eclesiásticos, para não se esquecerem que estão lidando com pessoas, não apenas com coisas. Há pastores que se preocupam demasiadamente com os templos, mas não atentam para as pessoas que estão dentro dele. É importante ressaltar que as pessoas são mais importantes que as coisas, até mesmo que os rituais religiosos. Esse foi o pecado daqueles religiosos que desmereceram o homem jogado à beira do caminho, na parábola do Samaritano, contada por Jesus (Lc. 10.25-37). Uma das características principais do cristianismo deve ser a inclusão. A igreja em Roma era formada por crentes judeus e gentios, homens e mulheres, e todos foram instados por Paulo a viverem em união, mesmo com suas diferenças (Rm. 16.1,2). As mulheres tiveram papel importante no ministério de Paulo, ele destaca a atuação da irmã Febe, uma das servas do Senhor no Corpo de Cristo. Como demonstra Lucas em sua narrativa, as mulheres também foram importantes no ministério de Jesus, principalmente para o sustento financeiro (Lc. 8.3). Priscila, que não por acaso seu nome é citado antes do nome do esposo, foi uma mulher dedicada ao ministério (At. 18.2,18,26; I Co. 16.19; II Tm. 4.19).

II – PERIGOS ÀS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

A igreja deve ser um ambiente para o envolvimento pessoal, por isso somos chamados de irmãos e irmãs. Fazemos parte da família de Deus, por isso devemos nos tratar como membros de uma irmandade. Por causa do individualismo predominante na sociedade contemporânea, muitas igrejas locais estão sendo solapadas. Os crentes não se envolvem uns com os outros, eles têm receio de mostrar suas limitações, sobretudo a normalidade. Há congregações em que as pessoas não se envolvem, elas se reúnem durante a celebração do culto, mas depois não sabem mais quem são. Esse individualismo reflete também no descaso em relação às necessidades dos outros, quando alguém não consegue ter o suficiente, pode até ser julgado por não ter se esforçado o suficiente. Esse cristianismo, influenciado pela filosofia neocapitalista, está adoecendo não apenas a sociedade, mas também as igrejas. A koinonia está em perigo, como no tempo dos judaizantes, cada um olha para seu umbigo, ou como diz o ditado, “puxa a brasa para sua sardinha”. O partidarismo está sendo normalizado na igreja, tendo também a política como fonte de intrigas e interesses. Como nos tempos de Paulo, há os “que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes” (Rm. 16.17). Naqueles tempos havia duas filosofias que estavam se infiltrando dentro das igrejas. O legalismo, que proibia tudo, e buscava orientar os crentes para as práticas judaicas; e o gnosticismo, que era permissivo, incitando os crentes ao antinomismo. O objetivo da igreja é glorificar a Deus (Rm. 11.36), para tanto os crentes devem aprender a conviver, a se aceitarem em suas diferenças, mas sem fazer concessões com a verdade do evangelho. 

III – O CULTIVO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
O cultivo das relações interpessoais é fundamental para o crescimento, principalmente o espiritual da igreja. Para tanto, cada crente precisa passar por um processo de autoconhecimento, a fim de identificar suas falhas, fraquezas e imperfeições (Rm. 12.3). Isso é possível por meio de uma experiência cotidiana com o Senhor (Hb. 4.14-16), demonstrando sinceridade diante dEle (II Co. 3.17-18), na busca constante pela maturidade espiritual (Rm. 8.29; I Pe. 1.23-25). Esse é o princípio para perdoar os outros, e ser ministro da reconciliação (Ef. 4.1-6), mantendo a unidade do Espírito, pelo vínculo da paz. Deus perdoou a todos nós, e nos tratou com Sua graça maravilhosa. De igual modo, devemos perdoar uns aos outros (Cl. 3.13), e fundamentar nossos relacionamentos em humildade, seguindo o modelo de Cristo (Fp. 2.6). Os crentes da igreja de Jerusalém aprenderam essa lição desde cedo, pois todos os que criam estavam unidos, e tinham tudo em comum (At. 2.44). Isso somente acontecia porque os crentes sabiam o que era o amor-agape, a base do relacionamento fraternal (Rm. 12.10). Eles também se respeitavam, sobretudo os mais jovens em relação aos mais velhos, em especial os que exerciam liderança (Rm. 13.7; I Ts. 5.12,13). Viver em paz, exercitando graça e misericórdia, deve ser o alvo de todo cristão (Rm. 12.18; 14.19; II Co. 13.11). É interessante observar que Jesus sempre tinha compaixão das pessoas, ou para usar uma expressão mais contemporânea, ele “se colocava no lugar do outro” (Mc. 8.2). O mundo não sabe, mais precisa ansiosamente da igreja, pois essa, se souber a que veio, poderá fazer toda a diferença. Por outro lado, devemos permanecer alerta, para não nos deixar contagiar pela doença do individualismo, que está se naturalizando na sociedade, inclusive na igreja.

CONCLUSÃO
Fomos chamados por Deus para viver em comunhão – koinonia – e essa deve ser continuamente experimentada pela igreja. Para isso precisamos aprender a conviver com as diferenças, e a nos aceitar como um em Cristo. Precisamos, sempre que possível, criar oportunidades na igreja, a fim de cultivar os relacionamentos interpessoais. Não podemos ser apenas assistentes de cultos, mas pessoas engajadas, envolvidas umas com as outras, assumindo a posição de membros do mesmo corpo, o de Cristo (Rm. 12.4,5; I Co. 12.27).

COSMOVISÃO MISSIONÁRIA

Texto Áureo: Rm. 15.20 Leitura Bíblica: Rm. 15.20-29


INTRODUÇÃO
A igreja que é Cristã tem responsabilidade missionária, sua atuação precípua é levar o evangelho de Jesus até os confins da terra. Na aula de hoje estudaremos a respeito da visão missionária de Paulo, bem como seu planejamento para execução da obra, e a atuação missionária. Inicialmente destacaremos que a obra missionária parte de Deus. Em seguida, essa precisa ser feita de acordo com a orientação dEle, e por fim, a igreja deve se envolver em missão, caso contrário, comprometerá sua condição de igreja.

I – A COSMOVISÃO MISSIONÁRIA
A sociedade contemporânea, sob a égide do politicamente correto, e da tolerância religiosa, tem se oposto à evangelização. Mas essa cosmovisão está equivocada, primeiramente porque todas as pessoas buscam defender seus princípios, mesmo que esses não sejam religiosos. Mesmo nas academias os pesquisadores buscam convencer e recrutar adeptos para seus paradigmas científicos. No tocante à fé cristã, a evangelização e a obra missionária, é um mandamento do próprio Cristo, que comissionou sua igreja para fazer discípulos (Mt. 28.19,20), em todas as etnias (Mc. 15.15,16), pregando a mensagem da morte e ressurreição de Cristo (Lc. 24.5,6), sob a autoridade de Jesus (Jo. 20.21), no poder do Espírito (At. 1.8). Paulo foi um dos primeiros, e um dos mais atuantes, missionário da igreja cristã. Ele foi chamado por Cristo para essa missão e a cumpriu cabalmente (At. 9), levando o evangelho até os confins da terra, através de três viagens missionárias. Conforme ele mesmo informa aos Romanos, Deus lhe deu a oportunidade de levar o evangelho desde Jerusalém até ao Ilírico. Como um missionário desbravador, não tinha a pretensão de levar o evangelho a lugares em que outros já tinham pregado (Rm. 15.20,21). O missionário verdadeiramente chamado por Deus não entra nesse sistema de competitividade eclesiástica, antes se preocupa com a salvação das almas. Uma igreja que busca investir no reino de Deus não enfoca os lucros que irá obter através da pregação. Onde estiver uma alma necessitada de salvação, ali deverá está um missionário amoroso que se sacrifica por Cristo.

II – O PLANEJAMENTO MISSIONÁRIO
Para faz fazer, e ser missões a contento, a Igreja precisa planejar suas atividades. Paulo, como exemplo de dedicação a essa obra, estabeleceu bases em pontos de apoio. Para esse fim, Roma, por se tratar de uma metrópole, deveria se tornar uma base de apoio. A intenção do Apóstolo era ir a Roma: “quando partir para a Espanha, irei ter convosco; pois espero que, de passagem, vos verei e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia”. Isso demonstra também que o missionário precisa de apoio financeiro, pois não se pode fazer missões são contribuições. As igrejas que enviam missionário devem avaliar as condições, sobretudo porque são responsáveis pelas famílias que enviam. Por outro lado, os missionários enviando devem compreender que essa é uma obra desafiadora. Paulo foi um missionário experiente, e principalmente, não buscava glória própria, antes o crescimento do reino de Deus. Ele pretendia prosseguir com a obra missionária, mas antes deveria concluir a que havia iniciado (Rm. 15.26). Outra necessidade missionária é a de fazer intercâmbios, as igrejas devem se ajudar, principalmente diante dos trabalhos mais desafiadores. Paulo também dependeu de cobertura espiritual, ele pediu para que a igreja intercedesse por ele: “E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus” (Rm. 15.30). Não podemos deixar de orar pela obra missionária, principalmente por aqueles obreiros que se encontram em zona de conflito, e que estão pondo suas vidas em risco pelo evangelho. Sempre que possível devemos nos identificar com suas adversidades, e servir de refrigério para eles. A visita ao campo missionário, o envio de uma mensagem, pode ter muito significado para aqueles que estão distantes.

III – A ATUAÇÃO MISSIONÁRIA
Ao longo da sua vida, Paulo fez três viagens missionárias, e uma quarta, já preso, quando foi conduzido a Roma. A primeira viagem missionária de Paulo está registrada em Atos 13.1 a 14.28. Essa foi uma missão para os gentios e o Apóstolo partiu de Antioquia. Do Porto da Selêucia, Ele seguiu juntamente com seus companheiros. Ao retornar para Antioquia, Paulo passa, então, a ser como o Apóstolo do evangelho da incircuncisão” (At. 15.22-26; Gl. 2.7). Durante essa viagem missionária Paulo escreveu a Epístola aos Gálatas. A segunda viagem missionária de Paulo se encontra registra em At. 15.36 s 18.22. Essa pretendia ser uma viagem para visitar as cidades nas quais o evangelho de Cristo havia sido pregado (At. 15.36). Após uma rápida visita a Éfeso, Paulo seguiu viagem, prometendo retornar se essa fosse à vontade do Senhor, e logo retornou para Antioquia (At. 18.19-21). Durante essa segunda viagem missionária Paulo escreveu duas cartas: I e II Epístolas aos Tessalonicenses. A terceira viagem missionária de Paulo se encontra registrada em At. 18.23 a 21.14. O Apóstolo segue mais uma vez em direção a região da Galácia e da Frigia. Em seguida, segue rumo a Ásia, para sua principal cidade, Éfeso. Enquanto era recebido por Tiago e os anciãos da igreja, alguns judeus da Ásia, que estavam presentes em Jerusalém, para celebrar a Festa de Pentecoste, acusaram Paulo de profanar a área do templo (At. 21.27-36), o que resultou em sua prisão pelo capitão romano da cidade. Nessa viagem missionária, além da Epístola aos Romanos, Paulo escreveu I e II Coríntios.

CONCLUSÃO
A igreja deve assumir a responsabilidade de fazer, e sobretudo, de ser missão. Uma igreja que não se envolve em levar o evangelho está fugindo do seu chamado. O desafio da evangelização é o de propagar a mensagem, simultaneamente, em Judeia, Samaria e até aos confins da terra (At. 1.8). Em se tratando especificamente de Roma, Paulo sabia que aquela cidade serviria de base missionária, a fim de que esse objetivo fosse alcançado.