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A MULTIFORME SABEDORIA DE DEUS

 

Texto Base: Efésios 3:8-10; 1Pedro 4:7-10 

“Para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef.3:10). 

Efésios 3:

8.A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo

9.e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos, esteve oculto em Deus, que tudo criou;

10.para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus,

1 Pedro 4:

7.E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sóbrios e vigiai em oração.

8.Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobrirá a multidão de pecados,

9.sendo hospitaleiros uns para os outros, sem murmurações.

10.Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

INTRODUÇÃO

Nesta última Aula do 2º Trimestre de 2021, trataremos do seguinte tema: “A Multiforme Sabedoria de Deus”. A multiforme sabedoria de Deus-Pai é Cristo - “o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos” (Cl.1:26). Efésios 3:10 mostra que Cristo é a Sabedoria de Deus, o qual se expressa de muitas maneiras (multiforme) através da Sua Igreja. Cristo é tão grande, tão precioso, que Ele não pode ser expresso só por uma ou duas pessoas, necessita de toda a Igreja para fazê-lo. Só a Igreja, em sua pluralidade, pode expressar totalmente a multiforme sabedoria de Deus, que é Cristo. Cada vez que a Igreja se reúne, dá testemunho e expressa o Senhor Jesus Cristo através dos dons espirituais e ministeriais.

I. OS DONS ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

Ao longo deste trimestre estudamos sobre os Dons Espirituais e Ministeriais. O que foi exaustivamente estudado dá-nos uma visão clara de que a Sabedoria de Deus é multiforme e plural, e que se “manifesta em seus dons espirituais e ministeriais nas mais variadas comunidades cristãs espalhadas pelo mundo.

1. São diversos os Dons

Muitos são os dons espirituais e ministeriais. É comumente afirmado entre os evangélicos pentecostais que os dons espirituais são nove, afirmação esta que se baseia na lista mais completa de dons espirituais que se encontra no Novo Testamento, mais comumente em 1Co.12:8-10. Entretanto, além desta relação, que é a mais conhecida e a mais pormenorizada, temos, também, a relação de Rm.12:6-8, que não é uma relação tão completa quanto a primeira, e que parece misturar Dons Espirituais com Dons Ministeriais (até porque o texto não é específico com relação aos dons espirituais como é o anteriormente mencionado). Temos também os dons mencionados em 1Co.12:28-30; 1Pedro 4:10,11 e Hebreus 2:4. Mesmo se levarmos em consideração apenas a relação de 1Coríntios 12:8-10, não podemos nos esquecer de que um dos itens da relação fala dos "dons de curar" (1Co.12:9), dando a entender, portanto, que há mais de um dom de curar, o que torna, também, precário o entendimento de que os dons espirituais sejam apenas nove. Em Efésios 4:7-11 e 2Timóteo 1:6 vemos dons espirituais na esfera ministerial da Igreja.  O importante é estarmos cônscios de que os dons são diversos. Paulo afirma: “os dons são diversos” (1Co.12:4).

2. São amplos

Estudamos ao longo do trimestre nove Dons Espirituais definidos pelo apóstolo Paulo em 1Co.12:8-11. Estes dons testificam das qualidades, ou virtudes do Doador; eles são a glorificação de Cristo por meio da edificação do Corpo de Cristo - a Igreja. Através desses dons o Senhor torna a Igreja mais capaz de cumprir a missão como agente do Reino de Deus na Terra (cf. At.9:31). Estudamos também os cinco Dons ministérios relacionados em Efésios 4:11, a saber: Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres. Através destes Dons, o Senhor capacita a Igreja; mas na realidade, estes cinco Dons são cinco expressões de Cristo - eles expressam cinco aspectos da maravilhosa Pessoa de Cristo: Cristo é o verdadeiro Apóstolo, o verdadeiro Profeta, o grande Evangelista, o bom Pastor e o grande Mestre. Assim é expressa a multiformidade de Cristo, a sabedoria do Pai, manifestando-se em e para pessoas simples como eu e você.

3. Dádivas do Deus-Pai

Outras excelentes dádivas de Deus dispensadas à sua Igreja para comunicar o Evangelho a todos, são:

a) A dádiva do amor. A maior prova do amor de Deus para com a humanidade foi enviar o seu filho Unigênito para morrer numa rude cruz para salvar o ser humano pecador. Jesus, o Cordeiro de Deus, disse assim a Nicodemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). O Criador do universo, o Senhor dos céus e da terra, o Deus eterno colocou o seu coração em nós e nos amou desde a fundação do mundo. Deus nos amou não por causa dos nossos méritos, Deus nos amou apesar dos nossos deméritos. A causa do amor de Deus por nós não está em nós; a causa do amor de Deus por nós está nele mesmo. Deus amou você e a mim de forma incondicional, e amou-nos desde toda a eternidade; amou-nos apesar de sermos fracos, ímpios, pecadores e seus inimigos. Que grande dádiva é este grande amor de Deus! Amor este que nos desafia a amarmos ao próximo (Mt.22:39) e aos inimigos (Mt.5:44). Que Deus nos ajude!

b) A dádiva da filiação divina. A maior dádiva que nós recebemos foi a graça salvadora de Deus mediante o sacrifício de Seu amado Filho Jesus. Este ato de amor nos tirou da maldição eterna e nos deu o privilégio de sermos filhos de Deus - “Amados, agora somos filhos de Deus...” (1João 3:2). Agora fazemos parte da família de Deus. Está escrito: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus” (Ef.2:19). Pela fé, entramos para a família de Deus, e Deus tornou-se nosso Pai. Essa família está no Céu e também na terra (Ef.3:15) - os crentes vivos na terra e os crentes que dormem em Cristo no Céu. Não importa a nacionalidade, somos todos irmãos, membros da mesma família; temos o mesmo Pai, somos herdeiros da mesma herança, moraremos juntos no mesmo Lar eterno.

c) A dádiva da reconciliação. Sem dúvida, a reconciliação com Deus é a maior dádiva de Deus. Essa reconciliação custou a Deus um preço infinito: a morte do seu próprio Filho. A cruz é o maior arauto do amor de Deus por nós. A cruz de Cristo foi o preço que Deus pagou para nos reconciliar consigo. Deus nos amou, e Cristo se encarnou. Deus nos amou, e nos deu o Seu Filho. Deus nos amou, e Cristo sofreu em nosso lugar. Deus nos amou, e Cristo morreu por nós. A cruz é a prova cabal de que Deus está de braços abertos para nos receber de volta ao lar. Ele nos comprou não com coisas corruptíveis como prata ou ouro, mas com o sangue do seu Filho bendito (1Pd.1:18,19). Disse o apóstolo Paulo: “E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co.5:18,19).

A reconciliação deveria ter partido de nós, a parte ofensora, mas partiu de Deus, a parte ofendida (2Co.5:18) - “E tudo isso provém de Deus[...]”. É a parte ofendida que tomou a iniciativa da reconciliação. O Evangelho, portanto, não é o homem buscando a Deus, mas Deus buscando o homem. Foi o homem quem caiu, afastou-se e rebelou-se, mas foi Deus quem o buscou, foi Deus quem correu para abraçar o ser humano. Deus poderia ter nos tratado como tratou os anjos rebeldes, eles foram conservados em prisões eternas (Jd.6:13) e em permanente estado de perdição. Mas Deus providenciou, para nós, um caminho de volta para Ele. Cristo é esse caminho (João 14:6). Quem está em Cristo é uma nova criatura e o resultado disto é que Deus faz tudo novo em nossa vida (2Co.5:17). 

II. BONS DESPENSEIROS DOS MISTÉRIOS DIVINOS

Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pd.4:10). “Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Co.4:2).

A expressão “despenseiro” indica o administrador da casa, o “oikonomos”. Cabia a esse administrador a distribuição de mantimentos e a divisão dos trabalhos aos demais servos. Mesmo tendo tal responsabilidade, tinha a consciência de que era um servo, um escravo. Em 1Co.4:2 ele nos exorta a sermos fiéis na administração dos dons que o Senhor nos dispensou - “Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel”.

Se, no sentido bíblico, despenseiro é aquele que administra bens alheios, então, o detentor de um Dom Espiritual é um despenseiro de Deus. É válido ressaltar que os Dons de Deus não são dados em forma de presentes, mas, como instrumentos de trabalho. Todo servo, por mais simples que seja, recebendo um instrumento de trabalho de seu senhor e relacionado com o serviço que faz, pode saber qual o objetivo da entrega daquele instrumento: é para ser usado no serviço de seu senhor. Assim, ele será infiel se fizer como fez aquele servo que recebeu um talento – “Mas o que recebeu um talento foi, e cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor” (Mt.25:18). No dia do acerto de contas foi chamado de inútil, e condenado – “Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de dentes”(Mt.25:30).

1. Com sobriedade e vigilância

O bom despenseiro dos mistérios divinos precisa ser sóbrio (1Tm.3:2). A palavra grega “sophron”, traduzida por “sóbrio”, significa prudente, sensato ou disciplinado. O homem sóbrio é aquele em cujo coração Cristo reina de maneira suprema. Esse obreiro não é dado ao vinho, não promove a contenda e dissolução (1Tm.3:2); ele nunca perde a sobriedade e a vigilância em relação ao exercício do ministério dado por Deus. A sobriedade é a virtude em que o homem se coloca acima das paixões e dos desejos, e tem completo domínio sobre os desejos carnais. Refere-se a seus gostos e hábitos físicos, morais e mentais. Seus prazeres não são primariamente os dos sentidos, como acontece com os bêbados, mas os prazeres da alma.

2. Com amor e hospitalidade

Os bons despenseiros dos mistérios divinos se identificam com Cristo no amor, no trato com as pessoas. Eles praticam o exercício da hospitalidade. Tem o prazer de ajudar as pessoas em suas necessidades. Mas, atualmente, precisamos ser vigilantes quanto aos falsos obreiros. A segunda Carta de João alerta para o perigo de exercer hospitalidade com os falsos mestres (3João 7-11). Se os crentes não devem acolher os falsos mestres em suas casas, de bom grado devem receber os servos de Deus. A terceira Carta de João alerta para a necessidade de hospedar e receber os obreiros itinerantes fiéis da Palavra de Deus (3João 5-8), que têm dificuldade de hospedagem. É importante ressaltar que no primeiro século não existia um sistema organizado de bem-estar social como existe hoje; os hotéis e as pensões eram escassos e muito caros; os missionários itinerantes careciam da hospitalidade dos crentes para realizar sua obra. Então, a hospitalidade era uma virtude recomendada na Igreja em seu princípio (Rm.12:12,13; Hb.13:2; 1Pd.4:9; 3João 5-8). Hoje, quase que totalmente, esse tipo de prática não mais existe nas grandes cidades, devido as facilidades de hospedagem.

3. O despenseiro deve administrar com fidelidade

Está escrito: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pd.4:10). O bom despenseiro dos mistérios divinos deve administrar com zelo e fidelidade os dons recebidos de Deus. Cada cristão recebeu um dom do Senhor a fim de realizar determinada função como membro do Corpo de Cristo (1Co.12:4-11,29-31; Rm.12:6-8). Esses dons são distribuídos por Deus para serem devidamente administrados. Não devem ser usados para benefício próprio, mas para a glória de Deus e o bem de outros. Não fomos criados para reter ou enterrar os dons de Deus. Ao receber Sua graça, não devemos retê-la de forma egoísta, mas, sim, servir de canais de benção para outras pessoas. Paulo ensina-nos que devemos ser vistos pelos homens como “ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (1Co.4:1; Cl.1:26,27).

III. OS DONS ESPIRITUAIS E O FRUTO DO ESPÍRITO

Como se percebe, os Dons Espirituais são diferentes do Fruto do Espírito. Este é gerado pela ação do Espírito Santo, e se desenvolve dentro do homem, ou “homem interior”; ele passa a fazer parte da personalidade do novo homem. Sendo gerado dentro do homem, o Fruto testifica das qualidades do homem, conforme ensinou o Senhor Jesus – “Ou fazei a árvore boa, e o fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore” (Mt.12:33). Sendo assim, então, o Fruto do Espírito testifica das qualidades do homem, ou seja, como ele na verdade o é.

Já os Dons Espirituais vêm de fora, são dados pelo Espírito Santo, que sendo Deus, no uso de sua Soberania, dá a quem Ele quer, e quando Ele quer – “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas repartindo particularmente a cada um como quer” (1Co.12:11). São dotações e capacitações sobrenaturais que o Senhor Jesus, por intermédio do Espírito Santo, outorga à sua Igreja, visando a expansão universal da sua obra e a edificação dos santos.

Em suma, o Fruto do Espírito é gerado no “homem interior”, num processo que pode ser demorado, até alcançar a maturação; enquanto o Dom Espiritual é dado pelo Espírito Santo, inteiramente pronto, completo e para uso imediato. Sem dúvida, uma vida cristã pautada pela perspectiva do Fruto do Espírito (Gl.5:22) é o que o nosso Senhor Jesus Cristo quer para a Sua Igreja.

1. A necessidade dos Dons Espirituais

Sem dúvida nenhuma, os dons espirituais são necessários e essenciais à Igreja do Senhor Jesus. Sem eles, a Igreja tende a bancarrota espiritual, causando mornidão espiritual e transformando muitas Igrejas Locais em verdadeiros comunidades de cunho predominantemente social. Eles são dados para a edificação do Corpo de Cristo. Pelo exercício dos Dons a Igreja cresce de forma saudável. Assim, os Dons são importantíssimos e vitais para a Igreja. Eles são os recursos que o próprio Espírito Santo concedeu à Igreja para que ela pudesse ter um crescimento saudável e venha suprir as necessidades espirituais dos seus membros. Infelizmente, estamos vivendo os dias de sequidão espiritual, em que a busca pelo sobrenatural de Deus não se vê mais, claramente, nas Igrejas Locais, onde a busca pelo aqui e o agora tem sua prevalência. Precisamos orar com fervor para que Deus avive a Sua obra nestes últimos dias da Igreja. Concordo com o Pr. Elinaldo Renovato, quando afirma que “é no tempo de sequidão que precisamos buscar mais e mais a face do Senhor, rogando-lhe a manifestação dos dons espirituais para o despertamento espiritual dos crentes em Jesus” (Hb.3:2).

2. Os dons espirituais e o amor cristão

Paulo termina o capítulo sobre os dons espirituais, dizendo: “Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente” (1Co.12:31). Paulo queria expressar sobre a superioridade do amor sobre os dons, as excelências magnificas do amor e a perenidade do amor; e ele argumenta sobre isso no capítulo 13 de 1Corintios. Ele afirma que o amor é superior a todos os dons extraordinários. A Igreja de Corinto estava muito orgulhosa dos dons que tinha, especialmente os dons espirituais. Os crentes dessa Igreja acreditavam que aqueles que possuíam esses dons eram superiores aos demais. Eles chegaram a pensar que os detentores dos dons de sinais, especialmente o de falar em outras línguas, eram crentes de primeira categoria, que haviam alcançado um estágio mais elevado de intimidade com Deus. Então, eles estavam orgulhosos e ensoberbecidos por esses dons da Igreja.

Paulo, porém, desmistifica esse equívoco deles, mostrando que o amor é superior aos dons. O amor é melhor do que o dom de línguas (1Co.13:1); é melhor do que o dom de profecia e de conhecimento (1Co.13:2); é melhor do que o dom da contribuição sacrificial (1Co.13:3); é melhor do que o próprio martírio, ou seja, dar o seu corpo para ser queimado (1Co.13:3). As maiores obras de caridade não têm nenhum valor sem o amor (1Co.13:3). Todos os dons, por mais nobres, são inúteis se não houver amor. O exercício mais generoso dos dons espirituais não pode compensar a falta de amor. A Igreja de Corinto estava cheia de rachaduras, traumas, partidos, grupos, cisões e divisões, por causa da falta de amor. Dons sem amor não sinalizam maturidade espiritual.

Enfim, o amor é superior aos dons espirituais por duas razões: pelas suas qualidades e pela sua perenidade; os dons cessam, eles são apenas para esta vida, são apenas para este mundo, são para a Igreja militante. Porém, o amor é também para a Igreja triunfante; o amor transcende a História; ele é eterno.

Que amor é este que Paulo dá tanta ênfase, que é superior aos dons? É o amor “ágape”. Este amor é o próprio amor de Deus: é o amor sacrificial, genuíno, puro; é o amor santo, que não busca seus interesses; é o amor que se entrega; é o amor que é mais do que emoção, é atitude, é ação; é o amor que ama o indigno; é o amor que ama até às últimas consequências; é o amou que Cristo amou - Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela.

3. A necessidade do Fruto do Espírito

A Bíblia chama de “Fruto do Espírito Santo” ao conjunto de ações que fazem o homem, que aceita Cristo como seu Senhor e Salvador, diferente dos que não tomaram esta decisão. A transformação radical que alcança uma pessoa que é salva foi bem ilustrada pelo Senhor Jesus, que afirmou que quem nEle crer passa da morte para a vida (João 5:24), das trevas para a luz (João 3:21). Assim sendo, a salvação, necessariamente, vem acompanhada de uma mudança de atitudes, de uma mudança de hábitos, de uma mudança de práticas. O homem que alcança a salvação passa a ter um novo conjunto de qualidades, um novo conjunto de atitudes, “não anda mais segundo a carne, mas, segundo o Espírito” (Rm.8:1). Este novo conjunto de ações, que estão de acordo com a vontade de Deus, é o que o apóstolo Paulo denominou de “o fruto do Espírito” (Gl.5:22). Portanto, o Fruto do Espírito é necessário na vida do crente, pois ele é quem mede o caráter de Cristo no crente.

Devemos estar cônscios de que o fim último da vida cristã é a produção do fruto do Espírito Santo. Um dos aspectos da botânica é que o fruto é o fim, o término de todo um processo fisiológico. Desde o momento que a semente germina e passa a formar um novo ser (morrendo, como nos fala Jesus), há somente um objetivo, uma finalidade: a formação do fruto. O fruto, como se vê, portanto, é o fim, o propósito, o objetivo de todo o processo. Espiritualmente falando, também vemos que o fim último da vida cristã é a produção do Fruto do Espírito Santo. Todo o processo de concessão da vida espiritual tem como finalidade a formação desse Fruto. Jesus foi claro ao afirmar que nos escolheu para que demos fruto e o nosso fruto permaneça (João 15:16). Mediante a permanência do fruto é que poderemos ter uma vida de comunhão com Deus a ponto de tudo o que pedirmos a Deus, Ele nos conceda (João 15:16).

Portanto, somos de Cristo para que demos frutos para Deus (Rm.7:4). Quem não dá fruto do Espírito Santo não pode ser mantido no meio do povo de Deus e, por isso, é extirpado dele (João 15:2). Jesus deixou isto bem claro tanto na parábola da vinha (Lc.13:6-9), quanto no episódio da figueira infrutífera, que secou mediante a maldição do Senhor (Mt.21:18-22; Mc.11:12-14 e 19-24). Aliás, esta é a única oportunidade do ministério de Jesus Cristo em que O vemos lançando uma maldição, a demonstrar o quanto desagrada ao Senhor a existência de vidas infrutíferas no meio do Seu povo. Para agradar a Deus em tudo é indispensável que frutifiquemos em toda a boa obra (Cl.1:10). Pense nisso!

CONCLUSÃO

Concluindo esta Aula e este trimestre letivo, afirmamos que a multiforme sabedoria de Deus é impressionante e fascinante. Enquanto a sabedoria humana é segmentada em áreas do conhecimento, a sabedoria de Deus é multiforme. Ele a manifestou desde a criação, quando sua mente divina imaginou trazer à realidade as coisas criadas, incluindo o universo imenso, formado de planetas e estrelas, bem como o homem e os seres vivos da natureza, numa demonstração de planejamento perfeito, jamais alcançado pela mente humana. O salmista teve a visão da sabedoria e do poder criador de Deus, ao exclamar: "Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas" (Sl.104:24). O sábio Salomão, em suas reflexões sobre o universo, declarou: "O Senhor, com sabedoria, fundou a terra; preparou os céus com inteligência" (Pv.3:19). A sabedoria de Deus e sua inteligência divina sempre agiram juntas para que o Eterno alcançasse seus objetivos e propósitos, ao criar todas as coisas.

Mas, como afirma o pr. Elinaldo Renovato, foi no plano espiritual, que transcende às coisas materiais do universo, que Deus demonstrou sua multiforme sabedoria de forma tão elevada, que é considerada um verdadeiro mistério que só a revelação divina pôde trazer à luz, ao conhecimento do homem, por meio do Espírito Santo. Paulo diz que esse mistério foi revelado de maneira muito especial, por misericórdia e bondade de Deus, pelo Espírito Santo, "aos seus santos apóstolos e profetas", bem como à Igreja do Senhor.

Deus tem concedido à Igreja recursos especiais, que são os Dons Espirituais e os Dons Ministeriais, que estudamos ao longo do trimestre, para edificação e força para cumprir a sua missão. O dom de sabedoria, ao lado dos outros dons, concede parte da multiforme sabedoria de Deus a seus servos para que saibam como agir, como viver, como proceder e atuar, diante da missão que lhes foi confiada de proclamar o evangelho por todo o mundo a toda a criatura. Os Dons Ministeriais fazem parte da capacitação de Deus a homens chamados e preparados para exercer a liderança nas igrejas que reúnem os salvos em Cristo Jesus, até à sua vinda em glória para reinar para sempre. Amém!