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O CUIDADO AO FALAR E A RELIGIÃO PURA

                                                Texto: Tg. 1.19-27

•INTRODUÇÃO
O ser humano não é apenas homo sapiens, é também homo religiosus, além de ser capaz de conhecer, tem a necessidade de transcender. Existem muitas discussões a respeito do papel da religiosidade para a humanidade. No estudo desta semana, a partir do livro de Tiago, veremos que a religião verdadeira diz respeito à prática do cotidiano, que se materializa de várias formas, especialmente no cuidado ao falar. Para tanto, faz-se necessário que consideremos a Palavra de Deus, não apenas como ouvintes, mas também como praticantes.

•1. A VERDADEIRA RELIGIOSIDADE
Há um provérbio antigo a partir do qual se argumenta que “todos os caminhos levam a Roma”, e que geralmente é usado para defender a verdade em todas as religiões. O pensamento moderno, pautado no relativismo filosófico, assume que todos os posicionamentos, em relação a Deus, são corretos. Esse ponto de vista tende a agradar as pessoas, principalmente os intelectuais, que se negam a aceitar a exclusividade da fé cristã. Ainda que o caminho de Cristo seja considerado “politicamente incorreto”, não podemos deixar de defendê-lo, isso porque Ele é o único acesso ao Pai (Jo. 14.6). Ao contrário do que se costuma defender, esse caminho não é exclusivista, mas inclusivista, na medida em que todo aquele que nEle crê tem a vida eterna (Jo. 3.16). O fundamento dessa verdade se encontra na condição de perdição da humanidade, por causa do seu pecado, comumente denominada de Queda pelos teólogos (Rm. 3.23). A saída de Deus para tal condição se encontra em Cristo, o dom gratuito de Deus (Rm. 6.23), não na religião humana, que não passa de torre de Babel (Gn. 11). Jesus é o sim de Deus, por causa da revelação em Cristo a religião perde sua razão de ser para a salvação (II Co. 1.19-21). Por esse motivo, diante da multidão em Jerusalém, Pedro defendeu que há apenas um nome pelo qual importa que as pessoas sejam salvas,  e este é Jesus Cristo (At. 4.12). Paulo, ao escrever para Timóteo, reafirma essa doutrina, ao defender que há apenas um Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5). Essa é a confissão de fé do cristianismo bíblico, não podemos fazer concessões em relação ao evangelho de Cristo (Mt. 16.16). Mas o evangelho não é apenas isso, envolve uma atuação prática diante da vida. Tiago confirma essa premissa ao argumentar que mesmo entre aqueles que se dizem cristão há uma religiosidade falsa. Existem inclusive pessoas que pensam que estão salvas, mas que na realidade estão distantes de Deus (Mt. 7.22,23). Outras imaginam que são espirituais apenas por seguirem os procedimentos de uma igreja, mas isso não se sustenta à luz da Palavra de Deus (Ap. 3.17).

•2. A RELIGIÃO PURA ALICERÇADA NA PALAVRA
A verdadeira religião não está fundamentada na mera subjetividade, não se trata de um mero “se sentir bem”. É chegada a hora de lembrar, no contexto evangélico, que enganoso é o coração do homem (Jr. 17.9). Existe uma ala nesse meio que condena o liberalismo teológico alicerçado no racionalismo. Tal crítica tem fundamento, pois não podemos deixar de acreditar no sobrenatural, conforme exposto nas Sagradas Escrituras. Mas precisamos atentar para outro tipo de liberalismo, fundamentado nas emoções. Os seres humanos foram criados por Deus tanto com capacidade de raciocínio quanto de sentir. Não podemos desconsiderar essa dádiva, devemos colocar nossos pensamentos e sentimentos diante de Deus. O movimento pentecostal clássico em seus primórdios estava fundamentado tanto no poder de Deus quanto na Palavra. Nesses últimos anos temos testemunhada uma derrocada nesse sentido, na medida em que os sentimentos, que podem resultar em subjetividade, são assumidos como determinantes na revelação de Deus. A religião cristã pura e verdadeira nasce na Palavra de Deus (Tg. 1.18), não apenas através do ouvir, mas de uma prática condizente com a mensagem revelada. A palavra de Deus deve ser recebida pelo cristão (Tg. 1.21), sendo comparada a uma semente colocada no solo (Mt. 13.1-23). Uma característica destacada por Tiago é a mansidão (Tg. 1.19), sem essa o terreno do coração não pode acolher a Palavra de Deus. Há muitos que não se dobram diante da mensagem, parecem ter comichão nos ouvidos, buscam mestres para si, a fim de satisfazerem seus pecados (II Tm. 4.1-3). Os movimentos dentro das igrejas cristã brasileiro se transformou em um restaurante self-service. As pessoas não querem ter compromisso com a Palavra, ao invés disso escolhem apenas o que lhes agradam. A religião de Jesus Cristo desagrada ao ser humano porque o confronta diante dos seus interesses. Sinceramente existem coisas que gostaríamos que Cristo não tivesse dito (Jo. 6.68). Mas não somos donos do evangelho, pois este é o poder de Deus para todo o que crer (Rm. 1.6), não temos motivos para nos envergonhar dele, mesmo que seja “politicamente incorreto”. Para agradar o pensamento moderno não podemos fazer concessões quanto ao teor do evangelho, sob pena de transformá-lo em outro evangelho, diferente daquele pregado por Cristo e Paulo (Gl. 1.9). A fé genuinamente cristã impele à prática de vida obediente (Tg. 1.22-25), mais do que ler a Bíblia é preciso permitir que essa transforme as nossas vidas (Tg. 1.23,24), que nossos pecados sejam identificados por ela, e sejamos conduzidos ao arrependimento pelo Espírito Santo (Hb. 4.12). A sociedade não é o nosso espelho, por isso devemos nos pautar pela Palavra de Deus, é por meio dela que sabemos se estamos em conformidade com a vontade de Deus (Rm. 12.1,2).

•3. A RELIGIÃO PURA E O CUIDADO AO FALAR.
A religião pura, no dizer de Tiago, é uma decisão de obedecer (Tg. 1.15), em consonância com a palavra de Cristo, que nos interpela à permanência na Palavra (Jo. 8.34). A ausência de sujeição tem causado transtornos à fé cristã. O Senhor nos insta ao cuidado com a língua, há cristão que falam demais, além do necessário. Fazendo eco às palavras do autor dos Provérbios, devemos lembrar que a morte e a vida estão no poder da língua (Pv. 18.21). O salmista também sabia desse risco, por isso orava para que o Senhor pusesse uma guarda nos seus lábios (Sl. 141.3). Há pessoas que se apressam a falar, e isso geralmente traz danos à sua existência, sobretudo à vida espiritual. Quantos problemas poderiam ter sido evitados se não nos adiantássemos no falar? O livro de Provérbios traz lições preciosas a esse respeito, para isso devemos nos distanciar da perversidade dos lábios (Pv. 4.24), e demonstrar prudência, calando-nos quando necessário (Pv. 11.12). Quanto mais se semeia a contenda, mais a situação se complica, por isso devemos ouvir mais e falar menos (Pv.12.,18,25). Nunca é demais lembrar que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca. Muitas pessoas estão arruinadas porque falaram demais, quando deveriam ter calado (Pv. 13.2,3). Aprendamos, pois, a mansidão, tenhamos cuidado para não nos exceder, até mesmo quando provocados (Pv. 15.1-4). Ao invés de semear a contenda na igreja, devemos ser brandos e falar apenas o que resulta em edificação (Pv. 15.26,28; 16.21,24; 18.6,7). A moderação cristã é caracterizada pelo controle, o domínio próprio, que é um aspecto do fruto do espírito (Gl. 5.22), precisa ser cultivada (Pv. 16.32). Jesus advertiu que seremos julgados pelas palavras que pronunciamos, portanto tenhamos cuidado (Mt. 12.36,37), fujamos da maledicência (Pv. 6.19).

•CONCLUSÃO
As pessoas falam demais e por não calcularem as consequências do que dizem estão sendo destruídas. Tiago nos adverte quanto ao perigo de uma falsa religiosidade, desvinculada de uma prática cristã revelada na Palavra. A religião pura e verdadeira é demonstrada através do controle da língua, mas não somente isso, também pelo interesse comunitário. A fé cristã é vã se não nos envolvermos em atitudes que diminuam o sofrimento daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade (Tg. 1.27). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!