* A MORTE VICÁRIA DE CRISTO

Texto Áureo: I Co. 15.3 – Lc. 23.33; 45-53

Objetivo: Refletir a respeito da morte vicária de Cristo, por meio da qual, fomos libertos das culpas e do castigo do pecado.

INTRODUÇÃO: A morte de Cristo teve um significado vicário para todos aqueles que O recebem como Salvador. Ciente da importância de tal sacrifício estudaremos, algumas profecias que fazem alusão a esse momento, sua realização plena em Cristo, bem como suas implicações reais para a vida cristã.

1. PROFETIZADA NO ANTIGO TESTAMENTO: A morte de Cristo, em sacrifício pela humanidade, fora, várias vezes, profetizada no Antigo Testamento. Uma dessas se encontra em Is.53.4, assim diz o texto sagrado:“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido”. Atentemos para alguns detalhes dessa passagem:

1) Verdadeiramente – eis aqui um fato incontestável, seu sacrifício não foi uma fraude;
2) Ele tomou sobre si mesmo – não se tratou de algo imposto, mas em uma disposição voluntária para o sacrifício (Mt. 8.17);
3) Levou sobre si – essa é a demonstração ativa do ato vicário, substitutivo (Is. 53.5,6,8,12), por nós (Is. 63.9; Hb. 4.15);
4) as nossas enfermidades – cuidemos para não absolutizar a relação entre pecado e enfermidade (Jo. 9.2,3), mas não podemos descartá-la por completo (Is. 33.24; Sl. 103.3; Mt. 9.2; Jo. 5.14; Tg. 5.15);
5) Ferido de Deus e oprimido – não pelos seus pecados, pois ele não os teve (Hb. 4.15; 9.28), mas pelos nossos (I Pe. 2.24). Outras passagens bíblicas vaticinam, direta ou indiretamente, a morte de Cristo são: Sl. 22; Is. 52.12; Sl. 69.21; Zc. 12.10; Sl. 22.18; e Sl. 34.20.

2. A MORTE VICÁRIA DE CRISTO: A palavra “vicário”, de acordo com o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, vem do latim “vicarius” e significa “o que faz às vezes de outro ou de outra coisa” ou “o que substitui outra coisa ou pessoa”. Essa definição se coaduna, perfeitamente, com a explicação bíblica e teológica que costumamos dar à morte expiatória de Cristo no Calvário. Alguns textos bíblicos consolidam a fé no sacrifício vicário, isto é, substitutivo da morte de Jesus. Em Rm. 3.25 e 5.6, Paulo diz que, pelo sangue de Cristo, Deus propôs propiciação pelos nossos pecados a fim de que fôssemos reconciliados com Ele. Ainda em Ef. 1.7 e 5.2, fora escrito, pelo mesmo apóstolo, que Jesus ofereceu a si mesmo, como oferta agradável a Deus, pelos nossos pecados. Em C.l 1.14,20,22 é dito que temos paz pelo sangue da cruz. Em I Tm. 2.6 e Tt. 2.14, sabemos que Cristo a si mesmo se deu em resgate por nós para nos remir de toda iniqüidade. O autor da Epístola aos Hebreus reforça essa doutrina, Hb. 9.27 e 10.10, dizendo que Cristo é a oferta que tira os pecados de muitos. A morte de Cristo, no entanto, ocorreu não por um mero capricho divino, mas por causa da Sua santidade e da gravidade do pecado, cuja conseqüência é a manifestação da ira de Deus (Rm. 1.18,24,26,28), a qual, permanece sobre aqueles que não receberam, pela fé, o Cristo crucificado (Jo. 3.36).

3. EFEITOS DA MORTE DE CRISTO: Quando recebemos a morte de Cristo, Seu sacrifício vicário, nós tornamos aceitos nEle, que é o Amado do Pai (Ef. 1.6). A justiça dEle nos é imputada, de modo que somos justificados, já que essa é lançada em nossa conta (Rm. 3.21). Em prosseguimento a isso, somos levados à santificação e ao desenvolvimento do caráter de Cristo por meio da produção do fruto do Espírito (Gl. 5.22,23). A morte de Cristo torna o relacionamento com Deus algo possível e real, não mais circunscrito às exigências da Lei, cujo ministério é o da condenação, mas, conforme nos instrui Paulo, em Cl. 3, para uma vida modificada em união com Aquele que não só morreu, mas também ressuscitou de entre os mortos (Cl. 1.20; I Co. 15.25-28; Jo. 7.38; 16.7; 14.16; At. 2.33; Gl. 3.13,14). Agora, temos o perdão de Deus, a purificação do pecado (Rm. 3.25; 4.7; At. 2.38; 3.19; I Jo. 1.2-2.2). E, por fim, a esperança da redenção total, quando o que é corruptível se revestirá da incorruptibilidade (I Co. 15.53,54) e a trombeta soar, e, enfim, mortos e vivos subirão para o encontro com o Senhor nos ares (I Ts. 5.13-18).

CONCLUSÃO: É por meio do Espírito Santo (Rm. 8.29) que a morte de Cristo adquire uma caráter real na vida daqueles que crêem. Assim, do prisma individual, a menos que haja conversão, o sacrifício de Jesus não terá o devido efeito na vida dos pecadores. Paulo esclarece em Rm. 5.9,10 que a morte de Cristo tem, de fato, um caráter substitutivo, todavia, faz-se necessário que essa justificação, por meio de Sua morte, seja operada pelo Santo Espírito (II Cr. 3.18). Portanto, sejamos cautelosos para não levar Cristo ao vitupério, deixando de atentar para essa tão grande salvação (Hb. 2.3), sem a qual, estaríamos fadados à condenação eterna (Jo. 3.16; Rm. 3.23; 6.23). PENSE NISSO!

* OS MILAGRES DE JESUS


Textos: At. 2.22 – Mt. 11.1-6; 20.30,31


Objetivo: Mostrar como Jesus, a fim de glorificar o nome de Deus, realizou e ainda realiza milagres.


INTRODUÇÃO: A existência de milagres é parte constitutiva da verdade bíblica, de modo que, se os desconsiderarmos, não restará outra coisa do livro sagrado a não ser as capas. Jesus, o Filho de Deus, realizou muitos milagres nos tempos em que pisou o solo palestino. E mais que isso, prometeu que muitos outros seriam feitos, por Ele, por meio daqueles que O seguissem.


1. MILAGRES: DEFINIÇÃO: Podemos definir “milagre” como uma intervenção divina, no mundo natural, operado pela vontade divina, com pouca possibilidade de discernimento por meio dos sentidos humanos. Trata-se, portanto, de um evento, uma ocorrência que se encontra além da natureza e do homem. Fato fora do comum que Deus realiza a fim de confirmar o Seu poder, Seu amor e Sua mensagem. É a demonstração da atuação de um Deus Poderoso e Criador que não se confunde com Sua criação, tendo o poder de expandir as leis que Ele mesmo criou (Ex. 7.3; 8.19; Dt. 4.34,35; Jo. 3.2; 9.32,33; 10.38; At. 10.38). No Antigo Testamento, a palavra hebraica para milagre é “palah”, cujo significado primário é “milagres e maravilhas”, fazendo referência às obras extraordinárias de Deus (Ex. 3.20; Js. 3.5). Um outro vocábulo é “óth”, cujo significado básico de “sinal”. O sentido dessa palavra corresponde, em grego, a “semeion”, que tem o sentido de uma intervenção de Deus, como aconteceu antes e durante a saída do povo de Israel do Egito (Ex. 7.3; Nm. 14.22; Dt. 7.19; Js. 24.17; Ne. 9.10; Sl. 78.43; Jr. 32.20). No Novo Testamento, três palavras gregas definem o que seja “milagre”: 1) dynamis – significa, basicamente, “poder”, denotando a habilidade recebida, de Deus, para a realização de “obras de poder” (Mt. 11.20; Mc. 6.2; Lc. 19.37; At. 2.22); 2) semeion – é um “sinal” (Mt. 12.38,39) que distingue, perante os homens, uma assinatura, uma marca que revela a autoridade divina na concretização de Seus propósitos (Mt. 26.48; Lc. 2.12; 23.28 At. 4.16,22; II Ts. 3.17) e 3) Teras – um evento sobrenatural que causa espanto àqueles que o vêem (At. 2.19).


2. OS MILAGRES DE JESUS: O Novo Testamento mostra que Jesus realizou muitos milagres (Mt 8.16-17; 12.15; Lc 7.18-23; Mt 14.34-36}. Os Evangelhos registram 36, alistados a seguir na ordem provável em que aconteceram: a água feita vinho (Jo 2.1-12); o filho de um funcionário público (Jo 4.46-54); uma pesca maravilhosa (Lc 5.1-11); o endemoninhado de Cafarnaum (Lc 4.31-37); a sogra de Pedro (Lc 4.38-39); o leproso (Mc 1.40-45); o paralítico descido pelo telhado (Mc 2.1-12); o paralítico de Betesda (Jo 5.1-18); o homem da mão aleijada (Mt 12.9-14); o empregado do oficial romano (Lc 7.1-10); o filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17); Maria Madalena (Lc 8.2); o endemoninhado cego e mudo (Mt 12.22-37); a tempestade (Mc 4.35-41); os endemoninhados gadarenos (Mc 5.1-20); a filha de Jairo (Mc 5.21-43); a mulher que tinha hemorragia (Mc 5.25-34); os dois cegos (Mt 9.27-31); o mudo endemoninhado (Mt 9.32-34); a primeira multiplicação dos pães (Mc 6.30-44); Jesus anda sobre as águas (Mt 14.24-33); a filha da siro-fenícia (Mc 7.24-30); o surdo-mudo (Mc 7.31-37); a segunda multiplicação dos pães (Mc 8.1-10); o cego de Betsaida (Mc 8.22-26); o menino epiléptico (Mc 9.14-29); a moeda na boca do peixe (Mt 17.24-27); o cego de nascença (Jo 9.1-41); a mulher encurvada (Lc 13.10-17); o hidrópico (Lc 14.1-6); a ressurreição de Lázaro (Jo 11.1-44); os dez leprosos (Lc 17.11-19); o cego Bartimeu (Mc 10.46-52); a figueira sem frutos (Mt 21.18-22); a orelha de Malco (Lc 22.50-51); outra pesca maravilhosa (Jo 21.1-13). Os milagres de Jesus, diferentemente de alguns propalados nos dias atuais, não tinham um fim em si mesmos, antes objetivavam que aqueles que os testemunhassem viessem a reconhecer que Cristo era o Messias Prometido, o Deus Encarnado, e que, por meio dEle, se relacionassem com Deus (Mt. 11.4,5; Jo. 11.40-42; Mc. 1.27,28; Mc. 2.5-12; 3.10-12; Mc. 2.12; Mc. 4.40,41; Jo. 20.30,31). Em algumas ocasiões, por causa da incredulidade, Jesus deixou de realizar milagres (Mt. 13.58) e foi criterioso a fim de que os milagres distanciassem os religiosos da verdade do evangelho, em Sua pessoa (Mt. 12.39,40).


3. A ATUALIDADE DOS MILAGRES: Conforme vimos anteriormente, a expressão “sinais e maravilhas” é bastante comum no livro de Atos. Essa recorrência revela a existência de milagres operados, por Cristo, por meio daqueles que pregavam a Sua Palavra (At. 2.43; 5.12). Há um argumento teológico que defende a cessação dos milagres, afirmando que esses foram realizados apenas pelos apóstolos. O texto bíblico, no entanto, mostra que foram usados, por Deus, para fazer sinais e maravilhas: Pedro, Paulo, Barnabé, Estevão e Felipe, entre outros. Se os milagres fossem realizados apenas pelos apóstolos, então, Estevão e Felipe deveriam ficar de fora dessa lista. O Deus que curou por meio dos apóstolos, e dos não-apóstolos, continua a usar outras pessoas para curar. É válido ressaltar que também que, em Lc. 10.9,17, Jesus concedeu autoridade aos 72 discípulos para curar os enfermos em sua missão de pregar o evangelho (Mc. 9.38,39). Não podemos esquecer que os dons do Espírito Santo, apresentados por Paulo em I Co. 12, entre eles o de “operação de maravilhas” (v. 10), continuarão até a manifestação gloriosa do Senhor (I Co. 1.7). Alguns cientistas, também, defendem a impossibilidade da ocorrência de milagres. Os tais baseiam seus argumentos no naturalismo, negando, portanto, qualquer intervenção espiritual na matéria. Para eles, as leis da natureza são rigorosamente definidas, por isso, não se pode catalogar a existência de milagres. A Bíblia, a história e os testemunhos, porém, nos revelam que Deus é o Senhor da Natureza. Ele, que a criou, e que está além dela, pode, perfeitamente, intervir, sobrenaturalmente, no seu curso.


CONCLUSÃO: Aqueles que não acreditam em milagres assumem uma posição contrária ao que testemunhamos na Bíblia, na história da igreja e na vida de muitos irmãos. Não sabemos as razões pelas quais Deus intervem em alguns casos e em outros, parece que a maioria das vezes, não. Qualquer explicação, nesse sentido, não passa de especulação. Deixemos, esse quesito, no nível da soberana vontade de Deus. Da parte humana, resta o desafio de continuar crendo que o Jesus que realizou milagres nos tempos antigos “é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hb.13.8). PENSE NISSO!