MALAQUIAS – A SACRALIDADE DA FAMÍLIA



Textos: Gn. 2.24 – Ml. 1.1; 2.10-16


INTRODUÇÃO: A sacralidade(tornar sagradas as coisas profanas) é um dos temas abordados por Malaquias em sua mensagem e que será enfocado no estudo desta semana. Mas outros assuntos são tratados por esse profeta, cujo livro encerra o cânon do Antigo Testamento. A principio destacaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e ao final, sua contextualização para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Malaquias, cujo nome significa “meu mensageiro”, tem como objetivo confrontar o povo em relação aos seus pecados e restaurar o relacionamento com Deus. O destinatário da sua mensagem é o povo de Judá, após o retorno do cativeiro babilônico. Malaquias provavelmente profetizou depois de Ageu e Zacarias, no tempo posterior a Neemias. A data aproximada do escrito é 430 a. C. Mesmo o Templo tendo sido reconstruído, o povo perdeu o ânimo pela adoração ao Senhor. O sentimento comum entre o povo é de apatia e desilusão. O versículo-chave de Malaquias se encontra em Ml. 4.1,2: “Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos e todos os que cometem impiedade serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das suas asas; e saireis e crescereis como bezerros do cevadouro”. O estilo linguístico de Malaquias é retórico, apelando para o método de perguntas e respostas, sempre de cunho dramático, como em Ml. 3.7,8. O livro de Malaquias pode ser assim dividido: 1) o amor de Deus pela nação israelita (Ml. 1.1-5); 2) o pecado da nação (Ml. 1.6-3.15); 2.1) o pecado dos sacerdotes (Ml. 1.6-2.9); 2.2) O pecado do povo (Ml. 2.10-3.18); 3) as promessas de Deus para Israel (Ml. 4); 3.1) predição da vinda de Cristo (Ml. 4.1-3); 3.2) predição da vinda de Elias (Ml. 4.4-6).

2. A MENSAGEM DE MALAQUIAS: O mensageiro do Senhor inicia ressaltando o amor de Deus pelo Seu povo, amor esse questionado, tendo em vista as múltiplas adversidades pelas quais passou (Ml. 1.1-5). As provações podem fazer com que as pessoas questionem o amor de Deus, mas Ele as ama, o Seu povo não teria motivos para lamentar, pois o Senhor continuava destinando a ele os seus cuidados (Ml. 1.6-14). O problema estava nos sacerdotes, que espelhavam um comportamento vergonhoso perante o povo como nos dias de hoje. A apatia dos judeus era reflexo do descaso dos sacerdotes, que corrompiam a nação (Ml. 2.1-9). Tal corrupção era concretizada nos relacionamentos conjugais. Ao invés de casarem entre si, os judeus estavam investindo em casamentos mistos. Os divórcios estavam se tornando prática comum entre o povo de Deus. A ausência de convicção doutrinária resulta em práticas morais distanciadas dos princípios divinos. Por causa disso, as orações deixaram de ser respondidas (Ml. 1.10-16). A exortação divina é para que Seu povo esteja atento à mensagem dAquele que será enviado. Um profeta virá e trará confronto e advertência, já que o Messias imporá Sua justiça (Ml. 3.1-5). O profeta que preparará o caminho, conforme a narrativa de Mt. 11.10; Mc. 1.2l Lc. 7.27 se trata de João Batista. Outro descaso dos judeus, em relação aos procedimentos divinos, é manifestado na falta compromisso diante dos dízimos e ofertas (Ml. 3.5-10). O povo não trazia mais suas contribuições para a Casa do Tesouro. Apenas alguns poucos se interessavam pelas coisas de Deus, esses são reconhecidos como “particular tesouro” para Ele (Ml. 3.11-18). Malaquias conclui sua mensagem advertindo o povo quanto ao julgamento vindouro. Deus enviará o profeta Elias antes que venha o Dia do Senhor, quando ferirá “a terra com maldição” (Ml. 4.1-6).

3. PARA HOJE: Infelizmente as desilusões da vida podem nos levar a questionar o amor de Deus. Somos tentados, diante das adversidades, a pensar que Ele não mais se interessa por nós. Quando a noite chega, e não há estrelas no céu, perguntamos: Senhor, Tu me amas? Em algumas situações indagamos: Onde está Deus que não responde? Por que Ele não se manifesta? Mas Ele não se esqueceu de nós, ainda que não sintamos Sua presença. Não devemos confiar em nossos sentimentos quando diz respeito à presença de Deus. O amor de Deus pode ter um aspecto subjetivo, isto é, podemos senti-lo, mas seu fundamento é objetivo, Ele provou, em Cristo, Seu amor para conosco (Jo. 3.16; Rm. 5.8). Ao invés de questionarmos o amor de Deus, precisamos aprender a enfrentar as adversidades, sobretudo a viver para Ele. Uma vida dedicada a Deus envolve procedimentos morais. Existem pessoas que acreditam em uma coisa e fazem outra, faz parte da natureza pecaminosa (Rm. 7.17), mas o normal é agirmos em conformidade com nossa fé (Tg. 2.12), nossas atitudes devam materializar a fé que esposamos. O relacionamento conjugal deve ser pautado nos princípios escriturísticos: monogâmico, heterossexual e indissolúvel (Gn. 2.24), o amor ágape deve ser o fundamento cristão para a vida conjugal (Ef. Ef. 5.20-33). A esfera financeira também deve ser influenciada pela nossa fé. Quanto mais confiamos em Deus, menos nos tornamos focados na autossuficiência e mais contribuímos com o Seu reino. É preciso que os líderes eclesiásticos levem a sério o evangelho que pregam, e deem exemplo. Assim o povo será motivado a entregar suas contribuições na casa do tesouro, ao invés de retê-los. Mas não devemos entregar apenas nosso dinheiro para a obra de Deus, o ser, integralmente, deve ser apresentado perante Ele (Rm. 12.1). E vivermos diante da realidade do julgamento divino, que sobrevirá no futuro, o ministério de João Batista antecipou a revelação do Messias. Mas é provável que o próprio Elias retorne, por ocasião da Tribulação, a fim de advertir as pessoas quanto ao Dia do Senhor (Ap. 11.1-14).

CONCLUSÃO: O Deus de Israel não mudou, continua admoestando quanto à sacralidade do casamento. Deus, não o homem, criou o casamento, entre macho e fêmea (Gn. 1.27). Ele olhou para o homem, e, em sua singularidade, percebeu que não era bom que aquele estivesse só (Gn. 2.18). Ele também criou a mulher como auxiliadora, para que estivesse ao lado do homem, para que se multiplicassem (Gn. 1.28). O casamento cristão deve ser monogâmico, heterossexual e indissolúvel, sobretudo no Senhor, a fim de evitar os males decorrentes do casamento misto (II Co. 6.14). Por outro lado, não é pecado o relacionamento conjugal com uma pessoa descrente, contanto que este tenha sido concretizado antes da conversão (I Co. 7.12-16).  PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!

ZACARIAS – O REINADO MESSIÂNICO


Textos: Jr. 23.5 – Zc. 1.1; 8.1-23


INTRODUÇÃO: Jesus é o Messias Prometido para Israel, ainda que este povo, no tempo em que Ele veio à palestina, não o reconheceu como tal (Jo. 1.11). Mas há esperança para esse povo, pois o Senhor, o Messias Prometido, virá, para estabelecer o Seu reino. No estudo desta semana, a partir da profecia de Zacarias, destacaremos a natureza messiânica de Cristo. A princípio, apontaremos os aspectos contextuais, em seguida, a mensagem de Zacarias, e ao final, sua aplicação para os dias atuais.

1. ASPECTOS CONTEXTUAIS: Zacarias, cujo nome significa “Deus se lembra”, é reconhecido como “o profeta da esperança”. Ele profetizou por volta de 520 a 480 a. C., com o propósito de dar esperança ao povo em relação à libertação futura que o Senhor daria através do Seu Messias. A mensagem é destinada aos judeus que retornaram do exílio babilônico para reconstruir o Templo. Ageu e Zacarias conscientizaram o povo de Deus a prosseguirem com o trabalho de reconstrução, encorajando-o a assumir a responsabilidade. Ele foi chamado ainda jovem para o ministério profético, pela sua genealogia, é possível afirmar que era membro de uma família sacerdotal. Quando mais velho, após o retorno do cativeiro, substituiu seu avô Ido, como patriarca da família (Ne. 12.16). O versículo-chave do seu livro se encontra em Zc. 9.9,10: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um as ninho, filho de jumenta. E destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído; e ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de um mar a outro mar e desde o rio até as extremidades da terra”. Entre os profetas menores, este é o que mais tem cunho apocalíptico e enfoca com maior propriedade o reinado messiânico. Seu livro contem uma série de visões a fim de revelar a vitória definitiva de Deus. Dentre os temas messiânicos destacamos: solidão e humildade (Zc. 6.12), traição (Zc. 11.12,13), divindade (Zc. 3.4; 13.7), sacerdócio (Zc. 6.13), e reinado (Zc. 6.13; 9.9; 14.9,16). O livro pode assim ser dividido: chamado ao arrependimento (Zc. 1.1-6); chamado ao retorno (Zc. 1.7-6.15) e o retorno de Deus (Zc. 6.9-14.21).

2. A MENSAGEM DE ZACARIAS: Zacarias conclama o povo ao arrependimento, exortando-o a dar prioridade a Deus, consoante à mensagem de Ageu (Zc. 1.1-6). A mensagem é apresentada a partir de oito visões, as primeiras relacionadas ao futuro de Jerusalém. O povo desfrutará de paz, bonança do Senhor estará sobre ele (Zc. 1.7-17). Mas no futuro o povo passará por aflição, decorrentes dos chifres e demolidores. Essa mensagem é alusiva à visão de Daniel sobre os quatro reinos mundiais que surgirão diante da chegada do Messias (Zc. 1.18-21). Mas um construtor edificará a Nova Jerusalém, a qual Deus reconstruirá no final da história (Zc. 2.1-13). Zacarias vê o sumo sacerdote com vestes sujas, diante do Anjo do Senhor (Zc. 3.1-3), que receberá vestes limpas do Senhor. Isso diz respeito à purificação do pecado através da chegada do Messias (Zc. 3.4-10). Ele também vê árvores que representam funções reais e sacerdotais. A pessoa do Messias unificará essas duas funções, pois será tanto Rei quanto Sacerdote (Zc. 4.1-14). Há também um rolo, que representa a maldição de Deus sobre o pecado (Zc. 5.1-4). O pecado será removido, Babilônia terá o seu fim, e com ela a história humana (ZC. 5.5-11). Em outra visão dois carros são erguidos de dois montes, os quais devem percorrer toda terra, trata-se da chegada do juízo de Deus (Zc. 6.1-8).  Na oitava visão Zacarias contempla uma coroa, representando o triunfo do Messias, que edificará o Templo do Senhor (Zc. 6.9-15). O povo questiona em Betel a respeito do jejum, como consequência da queda do Templo de Salomão (Zc. 7.1-3). Em tom de censura Deus repreende a tristeza do povo (Zc. 7.4-7) e critica as práticas rituais meramente religiosas (Zc. 7.8-14). Nem tudo está perdido, há esperança no futuro, pois Jerusalém voltará a ser o centro, as nações a ela se dirigirão a fim de suplicar o favor do Senhor (8.1-23). Deus cumprirá Suas promessas em relação ao Seu povo, defenderá Jerusalém do ataque das nações (Zc. 9. 1-8), conquistará os inimigos (Zc. 9.11-10.1), julgará os líderes irresponsáveis (Zc.10.2-12), o reinado messiânico será estabelecido (Zc. 11.1-3), o povo finalmente será unificado (Zc. 11.4.-14), enquanto esse dia não chega, líderes insensatos continuarão enganando o povo (Zc. 11.15-17). Quando a história humana terminar, e o Reino de Deus for plenamente estabelecido, o nome de Yahweh terá prioridade (Zc. 12.10-13.9). Israel se voltará para o Senhor, para Aquele a quem transpassaram, pois não terão outra escapatória diante das nações (Zc. 14.1,2). O Senhor aparecerá com as suas hostes angelicais, isso abaterá o monte das Oliveiras (Zc. 14.3-8). Ele estabelecerá Seu reino (Zc. 14.12-15), os sobreviventes das nações farão um pacto com o Senhor (Zc. 14.16-19), todo o povo será “Santo ao Senhor” (Zc. 14.20,21).

3. PARA HOJE: O povo de Israel, como alguns cristãos da igreja, anda distante do Senhor, desgarrado como ovelhas que se afastaram do Seu Pastor (I Pe. 2.25). O Deus de Israel não se esqueceu do Seu povo, Ele se revelou de muitas formas ao longo da história, nesses últimos tempos através de Cristo (Hb. 1.1). A igreja precisa dar ouvidos ao que o Espírito diz, Sua voz pode ser escutada através da mensagem de Jesus (Ap. 1.20). Ele conduz a história da Sua igreja, para tanto, essa precisa segui-lo (Lc. 9.23), a fim de desfrutar da Sua precisa constante (Mt. 28.20). Ao lado de Jesus a igreja é poderosa, não com armas humanas, mas celestiais, para destruir as forças satânicas (II Co. 10.4,5). Ele é o Senhor da igreja, não apenas na eternidade, mas já, é a glória que ilumina sua atuação (Ap. 21.23,24). No futuro, Cristo virá como messias, para reinar entre as nações, mas hoje Ele já reina na igreja (Ap. 19.7,8). Ele intervém por ela, pois é Seu Sumo Sacerdote, que não precisa mais oferecer sacrifícios, pois o Seu foi perfeito (Hb. 7.26,27; 10.12,14). Por causa do Seu sacrifício, o Espírito do Senhor está à disposição de todos aqueles que se voltam para Cristo (Jo. 14.16,17; 15.26; 16.7-15). Um novo templo foi construído, Cristo é a pedra fundamental dessa edificação (Ef. 2.21). No futuro Ele virá, o Rei de Sião se manifestará, se cumprirão as profecias a Ele alusivas (Mt. 21.5; Jo. 12.15), como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap. 19.11-16). Ele vencerá os poderes satânicos, o império do anticristo, que será instalado durante a Tribulação (II Ts. 2.1-12; . 2.18-27; 4.1-3; II Jo. 7).

CONCLUSÃO: No futuro a ira de Deus será derramada, inclusive sobre Jerusalém (Ap. 14.9,10; 16.19). Mas o destino de Israel, o povo de Deus, continua debaixo do controle divino (Rm. 11.26). Há esperança, pois após a batalha final, Jesus restituirá o reino a Israel (At. 1.11). Todo domínio humano terá o seu fim, o reino de Deus finalmente triunfará (I Co. 15.24). Antecipando esse tempo, que será de santidade, a igreja deve já viver em conformidade com a vontade do Senhor, sendo santa como Ele é Santo (I Pe. 1.15), pois sem santidade ninguém verá o Senhor (Hb. 12.14). PENSE NISSO!

Deus é Fiel e Justo!