ÉTICA CRISTÃ E SEXUALIDADE

                       
Texto Áureo: Hb. 13.4 
  – Texto Bíblico: I Co. 7.1-16


INTRODUÇÃO
Existem muitos equívocos na sociedade a respeito da sexualidade humana, a cultura disseminou uma visão distorcida do sentido bíblico do sexo. Por isso, na aula de hoje, estudaremos sobre o sexo à luz da Bíblia, destacando os limites éticos para sua utilização. Inicialmente, destacaremos o conceito de sexualidade, em seguida, nos voltaremos mais especificamente para a sexualidade na Bíblia, e ao final, apontaremos os limites éticos para a sexualidade, sobretudo para os cristãos.

1. O CONCEITO DE SEXUALIDADE
A palavra sexo tem vários significados na sociedade, dependendo do que se quer dizer e do contexto no qual se encontra. Na biologia, o sexo é definido como um conjunto de características orgânicas. Na mídia, em sentido mais geral, as pessoas falam de “fazer amor”, se referindo ao ato de “fazer sexo”, nesse caso, à prática do ato sexual. A sexualidade é um conceito mais amplo, e diz respeito à própria constituição humana, que se capacita não apenas para o ato sexual, mas também para o envolvimento sexual. A esse respeito, é importar destacar que a sexualidade não é apenas fazer sexo, mas estar envolvido com outrem, com destaque para os comportamentos, ações e práticas dos seres humanos na busca pela satisfação sexual. Na perspectiva naturalista, a sexualidade não passa de um instinto, um desejo que na maioria das vezes é contido pelos padrões sociais. Com base nessa abordagem, há uma tendência a liberalidade sexual, que teve seu ápice nos anos 60, com a “revolução sexual”. O resultado dessa tendência foi a objetificação do ser humano, através da animalização do ato sexual, acarretando inclusive problemas sociais.

2. A SEXUALIDADE HUMANA NA BÍBLIA
A visão bíblica da sexualidade é distinta daquela proposta pelos estudos da psicologia e psicanálise moderna. Tudo começa no livro de Gênesis, no qual aprendemos que Deus fez o homem e a mulher para desfrutarem do sexo, atestando que esse era bom (Gn. 1.31). É importante ressaltar que o fruto proibido nada tinha a ver com o sexo, pois antes mesmo da queda Deus já havia dito: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn. 1.28), e mais “deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gn. 2.24). Portanto, a sexualidade a partir do Gênesis é uma dádiva divina, que deve ser desfrutada, não apenas para a reprodução, mas também para o prazer sexual. Há um livro na Bíblia, o de Cantares, que exalta a beleza do amor conjugal, com destaque inclusive para o ato sexual. Em virtude da influência helenista, o catolicismo absorveu uma visão negativa do sexo, e assumiu que esse deveria ser feito apenas para reproduzir. Esse ponto de vista foi enfatizado no Concílio de Trento, ao disciplinar o ato sexual com o objetivo exclusivo da reprodução. Mas Paulo, ao escrever aos Coríntios, orienta aos irmãos da igreja a usufruírem do sexo, inicialmente para fugir de práticas sexuais ilícitas (I Co. 6.16), evitando que o corpo seja usado para a promiscuidade (I Co 6.13).

3. A ÉTICA NA SEXUALIDADE CRISTÃ
O desejo sexual é uma realidade atestada tanto pela Bíblia quanto pela experiência. Mas esse tem sido usado de maneira indiscriminada pela sociedade sexualizada. Nós, os cristãos, devemos viver a partir das orientações bíblicas, a fim de desenvolver uma sexualidade sadia, em conformidade com a vontade de Deus. A fornicação, o ato sexual antes do casamento, bastante comum entre os jovens, é uma prática pecaminosa (I Co. 7.2). Por isso, os jovens devem se casar, principalmente se estiverem abrasados, a fim de evitar que caiam em pecado. Outra prática pecaminosa que Paulo adverte é o adultério, muitos casais evangélicos estão caindo nesse pecado, sobretudo nesses dias atuais, em virtude do fácil acesso à internet, por meio das mídias sociais. O acesso facilitado à pornografia também está destruindo a beleza do ato sexual. Muitos casais, por causa da pornografia, estão deixando de experimentar a naturalidade do sexo, e se voltando para atos que maculam o leito conjugal (Hb. 13.4). Desde que seja dentro dos parâmetros cristãos, o sexo deve ser usufruído pelos casais, tendo o cuidado de que um esteja satisfazendo o outro (I Co. 7.5). O corpo do homem e da mulher têm características distintas, e essas devem ser consideradas no ato sexual. Os homens devem ser mais pacientes, e investir em preliminares, a fim de que as mulheres também desfrutem da sexualidade.

CONCLUSÃO
A sexualidade é uma dádiva divina, espera-se que os cristãos, a partir dos fundamentos bíblicos, a usufruam dentro da vontade de Deus. Os jovens, a fim de evitar o abrasamento, devem ter cuidado com a fornicação, e procurar casarem-se. Os casados devem vigiar, evitando o pecado do adultério, bastante comum nos dias atuais. E assim, a sexualidade será motivo de alegria, e não de tristeza para as pessoas envolvidas. Assim, com o sábio, podemos aconselhar: “Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade” (Pv. 5.18,19).

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.

ÉTICA CRISTÃ E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Texto Áureo: Jo. 10.10   – Texto Bíblico: I Sm. 31.1-6

INTRODUÇÃO
O transplante de órgãos e tecidos tornou-se uma realidade como consequência do avança da medicina moderna. Diante desse contexto, a igreja precisa se posicionar, e a partir de princípios bíblicos, estimular essa prática entre os cristãos. Por isso, na lição de hoje, estudaremos a respeito da ética cristã e a doação de órgãos, com intuito de orientar os crentes a se envolverem nesse gesto de solidariedade, e mais precisamente, de amor ao próximo.

1. O TRANSPLANTE DE ORGÃOS E TECIDOS
A doação de órgãos e tecido é uma realidade no contexto da modernidade, como resultado dos avanços da ciência. Esse recurso tem sido amplamente usado em todo mundo, com vistas a recuperação de pacientes que enfrentam doenças terminais. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) explica que podem ser transplantados órgãos como o coração, o fígado, o pâncreas, os rins, os pulmões, entre outros. Há também a possibilidade de transplante de células-tronco, inclusive com células-tronco embrionárias, sendo que este último procedimento não é apoiado pelos cristãos, considerando o descarte dos embriões. Por esse motivo, as igrejas cristãs apoiam a pesquisa e os tratamentos com células-tronco, desde que essas não sejam embrionárias, por interromper a vida do embrião. E conforme estudamos anteriormente, defendemos que a vida humana tem seu início da fecundação. Mas em geral, as igrejas evangélicas não são contrárias à doação de órgãos, reconhecemos inclusive que se trata de um gesto de amor e solidariedade, e que deve ser estimulado nas comunidades cristãs.

2. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: PRINCÍPIOS BÍBLICOS
Por se tratar de um procedimento recente no campo da medicina, é pouco provável que se encontre respaldo direto nas Escrituras para a doação de órgãos. O que podemos identificar em várias passagens são princípios que norteiam os cristãos em relação a essa possibilidade. Jesus é o maior exemplo de doação, pois Ele não apenas doou um órgão, mas o fez por inteiro a fim de salvar os pecadores (Jo. 10.18). O próprio Deus provou Seu amor gracioso por nós ao entregar Seu Filho Unigênito pelos nossos pecados (Rm. 5.8). A ética cristã, a respeito da doação de órgãos, parte do pressuposto cristão: “tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mt. 7.12). Portanto, devemos considerar que podemos em algum momento da vida precisar receber os órgãos de alguém, por esse mesmo motivo devemos estar dispostos a fazer o mesmo pelas pessoas. Em uma sociedade individualista, as pessoas tendem a achar que jamais precisarão receber um órgão doado, mas devemos nos colocar no lugar do outro, e estar disponível para colaborar com aqueles que se encontram em necessidade.

3. A IGREJA E A DOEÇÃO DE ÓRGÃOS
A igreja evangélica tem muito a contribuir nesse processo, e agir como os irmãos da Galácia, que se dispuseram a doar os próprios olhos a Paulo em razão da sua enfermidade (Gl. 4.14,15). Naqueles tempos, esse procedimento seria cientificamente improvável, mas nos dias atuais é possível doar um órgão, em vida ou depois da morte. Os cristãos devem ser esclarecidos a esse respeito, inicialmente da necessidade de manifestar interesse aos familiares, para que essa vontade se concretize, no momento necessário. É importante também que os mitos a respeito da venda de órgãos, bastante popularizada na sociedade, sejam desconstruídos. Existe uma fila única para o uso dos órgãos doados, e essa é rigorosamente respeitada, sem dar margem para desvio, ou uso indevido dos órgãos doados. A dúvida escatológica, em relação à ressurreição dos mortos não deve ser usada como impedimento para a doação de órgãos. Paulo deixa claro, ao escrever aos coríntios, que o corpo ressuscitado é espiritual, portanto, glorificado. Não há dependência dos órgãos para a ressurreição do corpo, se assim o fosse, as pessoas que perderam um membro, em virtude de algum acidente, teriam problemas na ressurreição. Ao invés de incitarmos as especulações teológicas a esse respeito, antes devemos motivar os cristãos a exercitarem o amor cristão, através da doação de órgãos.

CONCLUSÃO
A doação de órgãos é uma demonstração de genuíno amor cristão, por isso deve ser estimulado entre os cristãos. As igrejas devem promover campanhas de conscientização, a partir da doação de sangue. É preciso que os evangélicos se envolvem em práticas dessa natureza, a fim de também demonstrar a sociedade nosso compromisso com o bem-estar de todos. E assim seremos conhecidos pelo amor de cristão, por estar dispostos a nos entregar pelos irmãos, e por todos indistintamente (I Jo. 3.16).

BIBLIOGRAFIA
KAISER JR, W. C. O cristão e as questões éticas da atualidade. São Paulo: Vida Nova, 2015.
PLATT, D. Contracultura. São Paulo: Vida Nova, 2016.