CULTUANDO A DEUS COM LIBERDADE E REVERÊNCIA


 


Texto Base: 1Corintios 14:26-32


“Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24).

 

1Corintios 14:

26.Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

27.E, se alguém falar língua estranha, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete.

28.Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus.

29.E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.

30.Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.

31.Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados.

32.E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.

33.Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo do trimestre sobre o verdadeiro pentecostalismo, trataremos nesta Aula do culto pentecostal, aquele que é praticado com liberdade e reverência. O genuíno culto pentecostal deve ser ordeiro e de acordo com as Escrituras Sagradas. Deus não aceita no momento do culto procedimentos desorganizados e comportamentos irreverentes. Deus não é Deus de confusão, e não deseja que o momento em que é adorado sirva de escárnio nem para crentes não pentecostais nem para ímpios. O culto é um ato de adoração, ou seja, ato pelo qual o crente reconhece que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive do adorador. O padrão universal estabelecido para se cultuar a Deus está exarado no compêndio doutrinário da Igreja. Cada nação, povo ou etnia se apresenta diante Deus de forma reverente, na sua própria tradição cultural. Às vezes não compreendemos certas atitudes de alguns povos na sua forma de louvar a Deus, mas Deus compreende muito bem.

I.  O CULTO PENTECOSTAL: LIBERDADE E REVERÊNCIA

Apesar da liturgia dos cultos pentecostais serem previsíveis, aceita-se certa liberdade no modo de adoração ao Senhor, vez que não há padrões rígidos e fixos após a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja no dia de Pentecostes, daí porque as Escrituras dizerem que onde há o Espírito de Deus, aí há liberdade (2Co.3:17). Contudo, a liberdade na adoração a Deus não significa, em absoluto, que não haja quaisquer regras ou parâmetros na devoção coletiva, na liturgia, que é o nome que os teólogos dão a esta ordem de culto a Deus na igreja local. Liberdade, biblicamente falando, é algo que é feito debaixo da submissão da autoridade divina, algo que tem responsabilidade, não uma autonomia diante de Deus, muito menos uma libertinagem. Nosso Deus é um Deus de ordem e de decência e, como tal, a devoção coletiva deve observar estes parâmetros de nosso Senhor (1Co.14:40). Nesta Aula vamos estudar como deve ser o Culto de adoração ao Senhor e os elementos para que ele seja aceitável a Deus.

1. A flexibilização cristã

A Bíblia é o maior manual litúrgico em circulação, sendo ela inspirada por Aquele a quem devemos toda honra, glória e louvor. É nela que encontramos a principal fundamentação para a prática do culto cristão. Na Nova Aliança, a prática do culto a Deus é muito mais flexível do que era no culto Levítico, mais rígido e inflexível. No culto cristão há uma flexibilização na liturgia, porém, essa flexibilização tem limites. Não se pode aceitar que atitudes venham manchar a essência do culto que é adorar a Deus. Atualmente vê-se nas Igrejas locais em todo o Brasil inovações, práticas e costumes que têm intrigado muitos cristãos. Exemplos:

·     Uso exagerado de palmas nas reuniões devocionais coletivas. Para tudo se bate palmas. Isto não era desconhecido dos israelitas, como podemos verificar no Sl.47:1, passagem bíblica que tem sido utilizada por tantos quantos são favoráveis a esta prática na devoção coletiva. Entretanto, este texto é uma expressão poética, ou seja, temos ali uma linguagem figurada, não literal, de modo que não se pode aceitar que o texto permita inferir que as palmas tenham sido uma conduta observada pelos israelitas na sua devoção a Deus.

·     O uso de coreografia no momento do culto. Muitos utilizam como gancho para justificar essa prática os textos bíblicos de Ex.15:20 e 32:19 ou em Jz.11:24 e 21:21. Estas eram danças praticadas pelo povo de Israel em ocasiões especiais, em celebrações populares, resultantes da cultura profana do povo israelita, sem qualquer conexão com o cerimonial levítico. A verdade é que a prática da dança não estava relacionada com o culto formalmente estabelecido por Deus conforme a lei de Moisés. Mesmo quando vemos Davi dançando, quando levava a arca para Jerusalém, isto se deu durante a subida da arca para Jerusalém, no caminho, não havendo registro de dança durante a realização dos sacrifícios, após a chegada da arca (2Sm.6:17,18). A dança, pelo contrário, estava presente nas festividades em honra ao bezerro de ouro (Ex.32:19). Vê-se, portanto, que não se trata de uma conduta que esteja, na Bíblia, relacionada ao culto devocional coletivo a Deus, motivo por que não deve ser adotado. Aliás, em muitos lugares onde houve a adoção de tal prática, houve a instalação de uma perigosa irreverência e de uma sensualidade que, em tudo, são avessos ao propósito que deve estar presente em nossa devoção coletiva.

·     Excesso de Louvores. O louvor é importante, mas é apenas um instante de preparação para o momento principal da reunião, que é a exposição da Palavra de Deus. Hoje em dia, infelizmente, devido ao grande número de grupos musicais na igreja, sem se falar naqueles que preferem cantar individualmente, não raras vezes, três quartos do tempo da reunião são dedicados ao louvor, o que tem causado grande prejuízo espiritual ao povo de Deus. O alimento do cristão é a Palavra de Deus, e o excesso de louvores tem contribuído para o raquitismo espiritual da igreja nos nossos dias. Precisamos voltar aos tempos passados, onde se ouviam até três mensagens numa reunião. Certamente, vivemos o tempo do “louvorzão” e da “palavrinha”.

Devemos nos conscientizar de que precisamos nos moldar e nos adequar cada vez mais aos princípios e ensinamentos da Palavra de Deus. Não somos perfeitos, pois somos seres humanos, mas, como salvos, devemos nos aperfeiçoar até atingir a condição de varões perfeitos, a medida da estatura completa de Cristo (Ef.4:13). É claro que isso só acontecerá quando chegarmos ao último estágio do processo da salvação, que é a glorificação.

2.  O Culto

O Culto é uma das mais belas e antigas formas do homem expressar sua devoção, gratidão e adoração a Deus. É uma atitude que exige, antes de mais nada, que a pessoa esteja no lugar determinado pelo Senhor. Não há como se cultuar a Deus se não estivermos no local indicado por Deus. Por isso, o culto a Deus, no tempo da lei, devia ser feito exclusivamente no lugar escolhido por Deus (Dt.12:1-14). “Cultuar” é se pôr no seu devido “posto” (Ne 8:7), reconhecer qual é o seu lugar e qual é o lugar de Deus.

É interessante notar que no atual período da Igreja, como Deus está em nós (João 14:17,23), não há um lugar exterior determinado para o culto, mas nós mesmos, sendo templo do Espírito Santo (1Co.6:19), devemos cultuar a Deus a todo instante, em espírito e em verdade (João 4:21-24).

Para muitos cristãos, ir ao culto é uma questão de hábito. Por hábito entenda-se aquela disposição duradoura adquirida desde o início da vida cristã, quando entregamos nossa vida ao Senhor. De um modo ou outro, este hábito produz em muitas pessoas um senso de obrigação, algo que precisa ser feito pelo menos uma vez por semana. Outros têm maior necessidade de ir ao culto, sendo este hábito fortalecido por um profundo desejo de estar na casa de Deus, pode-se dizer neste caso que é um hábito que se renova no instante que o cristão está se dirigindo à casa do Senhor.

Todavia, cultuar a Deus não é um hábito, é a expressão máxima de nossa devoção ao Senhor, de nossa dependência à sua Palavra e de nossa necessidade de prestar-lhe serviço. O culto cristão é uma resposta ao imenso amor de Deus, mediante expressões de louvor e adoração. O culto é a resultante de nossa reconciliação com Deus promovida por Jesus Cristo - Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Ef.2:13).

“Culto”, por fim, significa “honra, veneração e respeito”. Não se pode falar em culto se não houver um reconhecimento da superioridade de quem é cultuado em relação a quem cultua. O culto é uma demonstração do reconhecimento da nossa inferioridade diante de Deus, de que Ele é o Senhor e digno de toda a adoração, de todo o louvor (Ap.5:12-14). Através do culto, externamos aquilo que já está em nosso coração, ou seja, a convicção, a certeza e o reconhecimento de que Deus é digno, de que Deus merece toda a honra, toda a veneração, todo o respeito.

3. A reverência no culto

Deus é infinitamente sublime em majestade, poder, santidade, bondade, amor e glória. Por isso, devemos adorá-lo e servi-lo com toda reverência. Quando lemos a Palavra de Deus, observamos que o Senhor sempre exigiu reverência, respeito e consideração nas reuniões coletivas de adoração. Quando se manifestou a Moisés, imediatamente mandou que o futuro líder libertador de Israel não se aproximasse da sarça ardente e, ainda, descalçasse seus pés, pois o lugar onde se encontrava era terra santa, em virtude da presença do Senhor (Ex.3:5), algo que, anos mais tarde, seria repetido em relação ao sucessor de Moisés, Josué (Js.5:15), passagem que prova que a adoração não se desprende da reverência.

A reverência, o respeito, a consideração, traduzem, aliás, o que a Bíblia chama de “temor do Senhor”, ou seja, o reconhecimento da soberania e do senhorio de Deus sobre cada ser humano, o que nos leva a respeitá-lo, ou seja, “olhá-lo com atenção”, “levá-lo em consideração”, “prestar-Lhe atenção”, “dar-Lhe ouvidos”. O respeito leva-nos, portanto, a ter algumas regras e normas no culto a Deus, normas estas que devem ser observadas e que revelam o próprio ato de adoração que está presente em cada culto coletivo a Deus - “Adorai ao Senhor vestidos de trajes santos; tremei diante dele, todos os habitantes da terra”(Sl.96:9 -JFAA).

O sentido do termo “adoração” é chegar-se a Deus de modo reverente, submisso e agradecido, a fim de glorificá-lo. Sem que sejamos verdadeiramente submissos a Deus, sem que sigamos a sua vontade, que está na sua Palavra, não teremos adoração, mas um mero formalismo, que é algo que gera no Senhor repugnância, verdadeiro aborrecimento. É por este motivo que Deus não aceitava os rituais, cerimônias e celebrações do povo de Israel quando este se encontrava em pecado, distante do Senhor. Todos os sacrifícios, todos os rituais e todo o formalismo praticado pelo povo eram considerados nada mais nada menos do que abominação para o Senhor (cf.: Is.1:11-15; Jr.6:20; 7:21-26; Am.5:21-27; Mq.6:6-8; Zc.7; Ml.1:6-14).

II. O CENTRO DO CULTO PENTECOSTAL

No livro de Atos constatamos que a mensagem da igreja cristã em seu início era essencialmente cristocêntrica. Ou seja, Cristo era o centro da pregação e adoração na igreja primitiva. Cristo é o centro, propósito e sentido último de tudo o que fazemos. Percebe-se que no meio de muitas reuniões de culto e conjuntos musicais, percebe-se que alguns tão somente querem evidenciar a si mesmos ou seus talentos musicais, e esquecem de evidenciar a Cristo. Fazem da oportunidade de tocar um momento para evidenciar seus talentos e performance. Estaria Cristo sendo glorificado nisso? Lembre-se, nossa função não é entretenimento, não é apresentação pessoal, nossa função é Cristo por meio da adoração e evangelização.

1. O centro da nossa adoração

A essência do culto a Deus é a adoração, e o Senhor Jesus é o centro da nossa adoração. Em assembleia, os crentes se reúnem em nome de Jesus para adorar ao Deus trino. A adoração a Deus é o gesto concreto de nosso reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive de nosso ser. É através da adoração que Deus é reconhecido como Senhor e o homem, como seu servo. Quando adoramos ao Senhor, em espírito e em verdade (João 4:23,24), trazemos o Senhor até ao local de adoração de uma forma especial. O Senhor Jesus disse que Deus procura a estes adoradores e disse que estaria onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome (Mt.18:20). Assim sendo, quando nos reunimos em nome do Senhor, quando realmente O adoramos, Ele se faz presente de uma forma toda especial, ou seja, como companheiro, como intercessor, como Salvador. A verdadeira adoração é a chave para sentirmos a presença do Senhor e para que haja salvação de vidas, operação de sinais e maravilhas, demonstração do poder de Deus. Quando não há adoração, nada disso se verifica e este é um sinal patente da ausência de Deus em determinadas igrejas locais.

2. O Culto vibrante no poder do Espírito

É uma verdadeira bênção participar de um culto onde a manifestação do sobrenatural de Deus é notória; um culto onde a presença real do Espírito Santo é sentida. Não há como ficar inerte sem participar desse culto, pois o Espírito impulsiona o crente a se mover em atitudes de adoração a Deus, típica do verdadeiro movimento pentecostal. Percebe-se no capítulo 14 de 1Corintios que os crentes da igreja de Corinto não eram meros espectadores, mas participantes fervorosos e vibrantes, impulsionados pelo mover do Espírito Santo.

Infelizmente, no pentecostalismo contemporâneo há, como havia na igreja de Corinto, muito fervor, mas pouca espiritualidade; muito carisma, porém pouco caráter; muitos dons, mas falta de virtudes do fruto do Espírito. É impressionante o número de eventos que conclamam sobre avivamento, mas poucos são os frutos desse suposto “mover”. Que Deus desperte a igreja pentecostal, para que ela volte a praticar um culto vibrante no poder do Espírito Santo.

3. Características pentecostal

Vejamos algumas características da Igreja Pentecostal:

a) Tem a Bíblia como a sua regra de fé e prática. A Bíblia é o Livro da Igreja. Igrejas Locais que não valorizam a Palavra de Deus não podem ser consideradas igrejas cristãs; não são servas da Palavra e nem serva de Cristo; são servas de teologias, de filosofias, do pós-modernismo, do relativismo; são servas de seus fundadores, de seus dogmas, mas não tem Cristo como Senhor, nem sua Palavra como regra de fé e prática. É na Bíblia que encontramos as diretrizes para atingirmos à santidade (ver Ef.4:24-32). A doutrina pentecostal é, sobretudo, bíblica, ou seja, está fundada nas Escrituras e se baseia totalmente nelas. Portanto, o verdadeiro pentecostalismo não admite qualquer outra revelação além das Escrituras Sagradas, pois prima pela ortodoxia e ortopraxia bíblica, e pela sã doutrina (Gl.1:6-9).

b) Mantém a Comunhão, ou seja, a união entre os crentes e o Senhor, e entre os próprios crentes. Comunhão com Deus significa a separação do pecado e a separação para Deus, enquanto a comunhão com os irmãos representa a união fraternal, o exercício do verdadeiro amor, o amor divino entre os irmãos, sem o qual não se pode dizer que há amor a Deus (1João 2:9-11; 4:7,8). Preservar o verdadeiro Pentecostes é demonstrar o amor a Deus, evitando o pecado, como também amando o próximo.

c) Conserva o avivamento iniciado no dia de Pentecostes: o Batismo no Espírito Santo e os dons espirituais. Esta preocupação é a mesma que havia no cerimonial do Tabernáculo e, depois, do templo de Jerusalém, de não se permitir que o fogo do altar se apagasse (Lv.6:13).

d) Tem compromisso com a santidade. Para manter o Espírito Santo ativo em nós, faz-se necessário que nos mantenhamos separados do pecado, que não voltemos a pecar, bem como que prossigamos a obedecer ao Senhor Jesus. O segredo da conservação do verdadeiro Pentecostes está na santificação e na observância da Palavra de Deus.

e) Obedece de forma irrestrita à Palavra de Deus. Não basta orarmos, nem tampouco meditarmos na Palavra de Deus; precisamos pôr em prática aquilo que aprendemos ao estudarmos a Bíblia Sagrada, como também aquilo que recebemos da orientação direta do Espírito Santo. O conhecimento teórico das Escrituras de nada serve. Jesus mostrou que os fariseus tinham amplo e correto conhecimento da Palavra, mas não viviam coisa alguma daquilo que ensinavam (Mt.23:1-3).

f) Anuncia o Evangelho em tempo e fora de tempo. O verdadeiro pentecostalismo mantém a mesma postura da igreja primitiva, que não se cansava de anunciar Jesus Cristo como Senhor e Salvador da humanidade, conforme as demandas da Grande Comissão (Mc.16:15-20).

g) Contribui financeiramente para Obra de Deus. As contribuições financeiras são partes de adoração desde os tempos do Culto Levítico (Dt.26:10; 1Co.16:1,2; 2Co.9:7). O objetivo das contribuições é levar avante a obra de Deus enquanto a Igreja estiver aqui na Terra.

III. COMO SE EXPRESSA AS LITURGIAS DE NOSSAS IGREJAS?

Em nossas igrejas locais há diversas modalidades de cultos coletivos, como, por exemplo, o “culto da família”, “culto de oração”, “culto da juventude”, “culto de doutrina”, culto de ensino”. Todos esses encontros estão submetidos a uma liturgia prévia, tendo o Espírito Santo plena liberdade para operar; é uma liturgia simples que permite que qualquer membro da igreja expresse sua vontade de adorar a Deus, respeitando a decência e a ordem do culto, eliminando os exageros que porventura venham surgir. Foi por causa dessa liberdade, com responsabilidade, de adoração que a Igreja Assembleia de Deus se tornou na maior denominação evangélica do Brasil. Deus seja louvado!

1. Nossas reuniões de adoração

Nossas reuniões de adoração tem uma liturgia previamente estabelecida. A liturgia compreende diversas partes do culto: oração (At.12:12; 16:16); cânticos (1Co.14:26; Cl.3:16); leitura e exposição da Palavra de Deus (Rm.10:17; Hb.13:7); ofertas (1Co.16:1,2); manifestações e operações do Espírito Santo (1Co.14:26-32); e bênção apostólica (2Co.13:13; Nm.6:23-27).

A liturgia tem por finalidade servir ao Senhor e trazer um ordenamento no culto, de forma que haja tempo para a oração inicial, os cânticos e louvores, testemunhos e a pregação da Palavra. Sem uma liturgia, o culto pentecostal não teria ordem, trazendo confusão ao santuário.

Atos 13 é um bom exemplo de uma igreja pentecostal que prestava um culto racional e com uma liturgia que agradava a Deus. Lucas retrata a primeira comunidade cristã mista da história - a Igreja em Antioquia; lá havia profetas e mestres adorando ao Senhor de forma tão agradável que o Espírito Santo ordenou que separassem Paulo e Barnabé para uma obra específica. Atos 13:2 apresenta a seguinte expressão: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando…”. Aqui, a palavra “servindo”, no grego “leitourgeion”, representa não só a adoração do culto, mas também a ordem como ela se manifesta. Foi nesse ambiente que o Senhor ordenou que Paulo e Barnabé fossem separados para a obra missionária. Isso coloca por terra a teoria de que a liturgia atrapalha a operação do Espírito Santo de Deus. Como vemos, Ele fala – tanto por sua palavra como por meio de profetas - em ambientes onde seu nome é cultuado de forma ordeira, mas seu Espírito reprova ambientes, como da Igreja em Corinto, onde o culto era desordeiro, sob o falso pretexto de espiritualidade.

A Liturgia no culto é necessária, mas deve-se ter cuidado com o formalismo exagerado. Se há necessidade de haver uma determinada ordem no culto coletivo a Deus e que esta ordem se manifeste por meio de algumas regras e normas, há o grande risco de, em nome da organização, estabelecermos um formalismo, um legalismo que prevaleça sobre a própria adoração a Deus, que foi, precisamente, o mal que tomou conta do povo de Israel que passou a cultuar a Deus de modo exclusivamente externo e aparente, prendendo-se aos rituais e às cerimônias, o que levou, inclusive, o Senhor a abominar as solenidades e festividades que se passaram a realizar. Através dos profetas, Deus mostrou ao Seu povo que não tinha prazer em rituais, cerimônias e solenidades, se elas não viessem acompanhadas de um verdadeiro espírito de adoração, se elas não traduzissem um real e sincero reconhecimento da soberania divina da parte dos participantes das cerimônias religiosas (Is.1:10-19; 58:1-8; Zc.7:4-7; Ml.1:7-14). O ponto máximo do formalismo encontramos nos fariseus, a ponto que “farisaísmo” passou a ser sinônimo de um formalismo vazio e abominável ao Senhor, algo que repugna a Deus (veja o alerta de Jesus em Mateus 23).

2. Culto Pentecostal

O Culto pentecostal genuíno é aquele em que a operação do Espírito Santo é manifestada de uma forma efusiva, como acontecia na Igreja de Corinto. Os cultos naquela igreja eram muitos fervorosos, pois nela havia a manifestação constante dos dons espirituais. É isso o que caracteriza um culto pentecostal no seu stricto senso. Mas é preciso ter muito cuidado com o surgimento das meninices nas reuniões pentecostais. Os crentes de Corinto tinham todos os dons (1Co.1:7), os cultos eram fervorosos, mas muitos desses crentes eram imaturos, insubmissos, igno­rantes da doutrina reveladora dos dons, além de carnais. Os dons não eram utilizados de forma equilibrada, visando o “progresso da obra do Senhor. Os crentes exerciam os dons para demonstrar níveis de maturidade e de santificação, tornando-se assim, carnais (1Co.3.1), igno­rantes (1Co.12:1) e meninos (1Co.14:20). Não são os atos miraculosos realizados e os diversos dons espi­rituais exercidos que identificam os autênticos servos de Deus, mas os seus frutos. É o fruto que revela a natureza da árvore. O que atesta a autenticidade de um cristão pentecostal não é primeiramente o que ele faz, mas o que ele é ante a Palavra de Deus (Mt.5:13-16). Os dons têm a ver com o que fazemos para Deus.

CONCLUSÃO

A prática e a experiência, fundamentadas na Palavra de Deus, nos revelam que é possível conciliar no culto cristão espiritualidade e ordem, liberdade e reverência, alegria e temor. Nós não podemos prestar um culto a Deus por força de nosso hábito, nem por interesse em nosso próprio bem-estar pessoal, nem por considerar obter algum ganho diante de Deus. Nós prestamos cultos a Deus porque Deus “nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl.1:13b).

SANTIFICAÇÃO: COMPROMETIDOS COM A ÉTICA DO ESPÍRITO SANTO


 Texto Base: 1Pedro 1:13-23

07/02/2021

 

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).

1Pedro

13.Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo,

14.como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância;

15.mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver,

16.porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

17.E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação,

18.sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais,

19.mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,

20.o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós;

21.e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.

22.Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para amor fraternal, não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;

23.sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da Santificação. Esta é parte integrante da vida cristã, e o cristão que não deseja a santificação está perdendo o temor a Deus. Como Deus deseja também nos auxiliar no processo de santificação, Ele nos dá o seu Santo Espírito para habitar em nós e nos orientar nesta separação do mundo, ou seja, separação do pecado, não dos pecadores. A vida cristã somente pode progredir e se desenvolver se houver separação do pecado, o que deve ser perseguido até o dia da volta do Senhor Jesus. A salvação é um contínuo processo que, iniciando-se na regeneração, fruto do arrependimento e da conversão, prossegue, após a justificação, mediante a santificação, até o seu instante final, que é a glorificação.

I. A SANTIFICAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A Santificação descrita no Velho Testamento tem dois sentidos: Primeiro, exterior ou cerimonial; segundo, interior ou moral e espiritual. A santidade cerimonial do Velho Testamento descrita no Pentateuco incluía rituais de dedicação ao serviço de Deus. Assim, sacerdotes e levitas eram santificados por um ritual complexo (Êx.29:1), como foram os hebreus nazireus (Nm.6:1-21). Profetas como Eliseu (2Reis 4:9) e Jeremias (Jr.1:5) também foram santificados para um ministério profético especial em Israel. Mas o Velho Testamento também dirige atenção para os aspectos íntimos, morais e espirituais da santidade. Homens e mulheres, criados à imagem de Deus, são chamados a cultivar a santidade do caráter de Deus nas suas próprias vidas (Lv.19:2) - “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo".

1. A Santificação

“Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. E guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR que vos santifica” (Lv.20:7,8).

A palavra santificação significa apartar-se do mal. É condição necessária para desfrutar-se da comunhão com Deus. Deus é santo, e seu povo há de ser santo também.

No Antigo Testamento, Israel devia ser diferente das outras nações e devia separar-se de seus costumes - "Não fareis segundo as obras da terra do Egito... nem fareis segundo as obras da terra de Canaã" (Lv.18:3). As leis e as instituições de Levítico faziam os israelitas tomar consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade de receber a misericórdia divina; ao mesmo tempo, o sistema de sacrifícios ensinava-lhes que o próprio Deus provia o meio de expiar seus pecados e de santificar sua vida.

Porém, Israel falhou como povo santo. Deus havia dito a Israel: “E vós me sereis...o povo santo”. Porém, em lugar de se tornar “o povo santo”, Israel se tornou um povo apóstata e idólatra. Contaminou-se tanto que foi acusado, por Deus, de prostituição e de adultério espiritual - “E disse mais o Senhor nos dias do rei Josias: viste o que fez a rebelde Israel? Ela foi-se a todo o monte alto, e debaixo de toda árvore verde, e ali andou prostituindo-se. E sucedeu que pela fama da sua prostituição contaminou a terra, porque adulterou com a pedra e com o pau” (Jr.3:6-9). Esta foi a triste condição do povo de Israel que Deus queria que fosse “o povo santo”.

A santidade é o que identifica o povo de Deus. Por isso, a exigência permanente de Deus com relação à santidade do Seu povo, tanto na Antiga como na Nova Aliança. O texto Áureo de Levítico enfatiza esta realidade dogmática: “Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv.19:2).

Observe que no Antigo Testamento a santidade não era somente para os líderes, mas a toda “a congregação dos filhos de Israel”, ou seja, a todo o povo de Deus do Antigo Testamento. Deus disse: “santos sereis”. Este texto é claro e abrangente: toda a congregação estava obrigada atender à ordem divina, inclusive os dirigentes máximos da nação; todos deveriam porfiar por uma vida santa que, tendo início em seu coração, refletisse em seu semblante.

Qual a razão da demanda do Senhor à congregação de Israel? A Bíblia responde: “Porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo”. Sim, Deus é o Senhor; logo, nesse relacionamento, não passamos de servos. Ele tem autoridade para exigir que cada um de seus servos sejam santos, porque Ele, o nosso Deus, é santo. Como ignorar as prerrogativas daquele que nos chamou à perfeição?

2. A Consagração

Consagração é, pelo próprio significado da palavra, a destinação exclusiva para o uso da divindade ou para fins de culto; ou seja, a consagração significa a entrega total ao Senhor. Na Lei de Moisés, a consagração se encontrava regrada em Lv.27:28-34, onde se verifica que havia uma dedicação integral dos bens ou das pessoas ao Senhor, de modo perpétuo e irrevogável. A consagração faz com que o bem ou pessoa não mais pertença a quem quer que seja, mas, sim, a Deus. Neste sentido, consagração corresponde ao lado positivo da santificação, ou seja, a santificação enquanto destinação de algo para uso exclusivo do Senhor.

Dependendo do contexto, Consagração e Santificação podem significar a mesma coisa. Exemplo: na Almeida Revista e Corrigida, o texto de Êxodo 28:3 está assim escrito: “que façam vestes a Arão para santificá-lo”; já na ARA, o mesmo texto está escrito assim: “que façam vestes para Arão para consagrá-lo”. Aqui, o verbo hebraico para “consagrar” é o mesmo para “santificar, ser santo”. No Antigo Testamento, no período da Lei, era uma exigência divina para os sacerdotes e levitas (Ex.30:30), e para o tabernáculo com todos os seus utensílios, haja vista que eles eram símbolos da Jesus Cristo, que é santo e exige santidade (Lv.11:44).

No Período Levítico, o Senhor impusera aos ministros da Casa de Deus uma série de restrições, para que não viessem a comprometer o ministério sagrado. Desobedecer às normas instituídas por Deus poderia causar até mesmo a morte do ministro. No Livro de Levítico é narrado o episódio em que Deus executou juízo sobre os filhos de Arão, que ministravam de forma irreverente e em pecado na Casa do Senhor (Lv.10:1,2). O que podemos aprender desse episódio? Antes de tudo, que Deus exige santidade, verdadeira reverência de seus ministros. Então, tomemos cuidado para não nos apresentarmos diante do Senhor com fogo estranho. O Deus que puniu Nadabe e Abiú não morreu. Deus não se deixa escarnecer. Conscientizemo-nos disso!

Assim como Deus exigiu dos ministros da Antiga Aliança um comportamento exemplar diante de toda a congregação do Senhor, Ele também exige dos pastores do rebanho do Senhor, da Nova Aliança, santidade exterior. Há uma grande necessidade de mantermos uma conduta exemplar. Somos exortados, pela Palavra de Deus, como deve ser a nossa conduta - “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp.2:15).

3. A Purificação

No período da Lei, o ato de “purificação” significava santificação. Quando da construção do Tabernáculo, Deus ordenou a Moisés que fizesse uma Pia de bronze e colocasse entre o Altar do Holocausto e a Tenda da congregação.

“Farás também uma pia de cobre com a sua base de cobre, para lavar; e a porás entre a tenda da congregação e o altar e deitarás água nela. E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés” (Ex.30:18,19).

O objetivo era que antes de entrar na Tenda da congregação (Êx.30:20), ou quando se chegassem ao Altar de Bronze (Êx.30:20) para ministrar as coisas sagradas, era necessário que os sacerdotes se purificassem na Pia de bronze. Se assim não fosse feito, eles seriam mortos.

“Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao SENHOR” (Ex.30:20).

Apresentar-se diante de Deus sem atentar para a exigência da purificação podia custar-lhes a vida – “para que não morram” (Êx.30:20). Isto demonstra que é necessário purificar-se para servir a Deus - “sem santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14). Essa lavagem era mais do que o simples lavar de mãos e pés; significava “regeneração”, que implicava no primeiro passo para a consagração sacerdotal.

Na Nova Aliança é inaceitável que um obreiro na Casa do Senhor queira ministrar sem que antes tenha sido regenerado. Quão triste é quando um ministro de valor, despreza a exigência de Deus de que ele "mantenha suas mãos e pés limpos". As consequências são: uma vida e um ministério arruinado. O cristão precisa ser limpo “com a lavagem da água, pela Palavra” (Ef.5:26) e pela “regeneração”, e “renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

Peçamos ajuda a Deus para passar bastante tempo junto à Pia da Palavra de Deus para termos certeza em primeiro lugar se nossas mãos – que são os nossos atos de adoração - e nossos pés – que significa o nosso andar perante Deus - estão puros à sua vista.

II. A SANTIFICAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

No Antigo Testamento Deus chamou o seu povo à santificação (Lv.11:44-45), e chama a Igreja de Jesus à mesma atitude, no Novo Testamento (1Pe 1.16). A Igreja é chamada de "nação santa" (1Pd.2:9), título que outrora fora de Israel. A natureza de Deus é compartilhada com seu povo e Ele deseja que seu povo, como Ele, seja reconhecido como santo, e que Seu povo viva como um povo santo.

O Novo Testamento enfatiza a dimensão ética da santidade em vez da dimensão externa (Mc.7:6-12). Com a vinda do Espírito Santo, a igreja primitiva percebeu que a santidade da vida era uma realidade interna profunda que deveria governar as atitudes e pensamentos de um indivíduo em relação a pessoas e objetos do mundo exterior.

1. Uma Obra da Trindade

A Santificação faz parte do processo da Salvação. Ela começa por ocasião da conversão, e continua através de toda a vida do crente. É o gradual desenvolvimento de um caráter semelhante a Cristo, produzido pela submissão do crente à graça de Deus. Abrange todo o momento da vida. Significa perfeito amor, obediência e perfeita conformidade à vontade de Deus. Nesse processo, a Trindade santa é parte integrante; as três Pessoas da Triunidade atuam na obra da Redenção (1Pd.1:2).

2. Natureza da Santificação

De acordo com o compêndio doutrinário neotestamentário, a Santificação do crente é tríplice: Posicional, progressiva e futura.

a) A Santificação Posicional. A partir do momento em que cremos em Jesus, passamos a ser justificados e mudamos de posição diante de Deus que não nos vê como éramos, mas que, agora, por causa de Cristo, nos vê como pessoas justas. Ao mudarmos de posição diante de Deus, alcançamos o que os estudiosos da Bíblia denominam de “santificação posicional”, ato soberano de Deus - “...mediante a obra de Cristo, uma vez por todas” (Hb.10:9-10). Deus nos vê em Cristo perfeitos (Ef.2:6; Cl.2:10). Quando estamos "em Cristo", não há qualquer acusação contra nós (Rm.8:33,34), porque a santidade do Senhor passa a ser a nossa santidade" (1João 4:17b). 

Esta circunstância, porém, não retira o fato de que permanecemos com a “velha natureza”, ou seja, embora, ao crermos em Jesus, estejamos, de pronto, livres do poder do pecado, pois Jesus nos liberta (Jo.8:36), bem como adquirimos uma nova natureza, pois nascemos de novo (João 3:5), o fato é que não nos livramos, de imediato, do “corpo do pecado”, ou seja, embora nasçamos de novo, este “corpo da morte” (Rm.7:24) ainda continua convivendo com conosco, pois ainda não alcançamos a glorificação, ou seja, o instante em que ingressaremos na dimensão celestial, quando seremos semelhantes a Cristo, adquirindo a condição de justos aperfeiçoados, passando a ter comunhão plena com o Senhor, não havendo mais qualquer separação (1Co.15:54).

b) Santificação progressiva. Progresso significa caminhar para diante, avançar! Se este é o sentido, então, progresso trás implícito a ideia de movimento. Estando alguém, ou alguma coisa, parada ou estacionada, não se pode falar em progresso. A vida espiritual, assim como a vida material, tem de se submeter a um contínuo crescimento. Não é à toa que Jesus compara o início da vida espiritual como sendo o novo nascimento. Assim como a vida física se inicia com a geração, também a vida espiritual é iniciada pela nova geração, a “regeneração”, a partir da qual se inicia todo o processo de crescimento espiritual. Por isso, a Bíblia fala em: “meninos em Cristo” (1Co.3:1); e a pessoas que têm maturidade, a ponto de produzir fruto (João 15:16).

A santificação progressiva surge, então, como uma separação do pecado, uma manutenção do estado de separação do pecado que alcançamos no instante em que somos alcançados pela graça de Deus e recebemos a salvação na pessoa de Cristo Jesus. Este é o primeiro aspecto da santificação: a separação do pecado. Não é possível dizermos que “estamos em Cristo Jesus” se nós não nos separarmos do pecado, se não mudarmos de atitude a partir de nossa conversão. A transformação deve ser radical e tudo aquilo que buscávamos na “velha vida” deve ser abandonado.

Não é possível sermos uma nova criatura sem que venhamos a ter novos objetivos, novos propósitos, novas motivações, novas intenções. Antes, vivíamos para fazer a vontade da nossa carne, ou seja, queríamos tão somente saciar nossos apetites, nossos desejos desmedidos, as nossas concupiscências. Agora, porém, porque estamos em Cristo, nosso propósito passa a fazer somente a vontade de Deus, obedecer-Lhe e render-Lhe glória. De instrumentos de iniquidade passamos a ser instrumentos da glória de Deus. Isto é uma realidade na nossa vida?

Santificar-se é se manter separado do pecado e isto precisamos fazer a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. Quem não vive separado do pecado, quem não se santifica, peca. Como disse o escritor aos hebreus (Hb.12:14), devemos seguir a santificação, ou seja, é necessário se separar do pecado e continuar dele se separando, para que tenhamos condição de ver o Senhor Jesus como Ele é (1João 3:2).

c) Santificação futura. "E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts.5:23). Trata-se da santificação completa e final (1João 3:2). O Senhor Jesus, que é santo, virá buscar os que são consagrados a Ele (1Ts.3:13; 5:23; 2Ts.1:10; Hb.12:14). Por isso, a vontade de Deus para a vida do crente é que ele seja santo, separado do pecado (1Ts.4:3).

Além de nos fazer instrumentos para a glorificação do Senhor, a separação para Deus permite-nos conservar separados do pecado, aguardando o instante final de nossa salvação, que é a glorificação, daí porque o apóstolo Paulo ter dito que esta conservação é para a vinda do Senhor, pois, a partir de então, seremos transformados e, glorificados, ficaremos para sempre livres do “corpo do pecado” e da presença do pecado.

A santificação é um dos fatores que nos mantêm preparados e vigilantes para a volta de Cristo (Hb.12:14; 1Ts.5:23; Ap.19:7,8). É neste sentido que a santificação se equipara à “consagração”.

3. Uma necessidade

A Santificação é uma necessidade, todavia, não significa levar-nos a sair do mundo ou do mundo isolar-se. Lembremo-nos da oração sacerdotal de Jesus: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (João 17:15, ARA).

Na ótica bíblica, santificar-se não significa isolar-se da sociedade, mas, nesta sociedade, atuar como testemunha fiel de Deus. É o que o Senhor requisitava de sua congregação no deserto. Mesmo ali, ainda sem contatar povo algum, deveriam os israelitas consagrar-se inteiramente como servos do Senhor. Sim, embora estarmos no lugar mais improvável e árido, proclamemos as virtudes do Reino de Deus, por meio de uma vida santa, pura e marcada pela distinção.

Se o povo hebreu deveria sobressair-se pela santidade, o que não esperar da Igreja de Cristo? O apóstolo exorta-nos a andar continuamente em novidade de vida (Rm.6:4). Sem a santidade requerida por Deus nenhum de nós chegará à Jerusalém Celeste (Hb.12:14; Ap.21:8).

III. A SANTIFICAÇÃO APLICADA AO CRENTE

Todo crente compromissado com o Senhor deseja viver em santidade. A Bíblia Sagrada deixa claro que ser santo é uma exigência de Deus para aqueles que querem servi-lo. Todavia, em que pese o Senhor ter dito “santo sereis”, a Palavra de Deus nos ensina que Ele respeita a vontade do homem e não viola sua liberdade, ou seu livre arbítrio. Obedecer ou não obedecer é uma decisão do homem. Ninguém será santo à força; isto não agrada a Deus.

1. A Comunidade de Jesus

A Comunidade de Jesus somos nós, a Igreja. Os apóstolos dedicaram-se com constância o ministério de ensino e exortação às comunidades cristãs, chamando-as a uma vida santa diante de Deus e da sociedade.

A Santificação, ao mesmo tempo em que ela é uma separação do pecado, é, também, uma separação para Deus. O salvo não apenas é mantido separado do pecado, não apenas é liberto do pecado, mas também é posto numa posição de serviço, de destaque e de designação por parte do Senhor, para que produza obras que levem à glorificação do Seu nome.

Hoje, em muitas igrejas locais, a santificação é chamada de fanatismo. Nessas igrejas falam muito de união, amor, fraternidade, louvor, mas não da separação do mundanismo e do pecado. Notemos que as "virgens" da parábola de Mateus 25 pareciam todas iguais; a diferença só foi notada com a chegada do noivo. A principal tática que o adversário atualmente emprega para corromper a santidade é o pecado da mistura. Isso ele já propôs antes a Israel através de Faraó (Êx.8:25). Esta mistura, inclui - da igreja com o mundanismo; da doutrina do Senhor com as heresias; da adoração com as músicas profanas; etc.

Devemos estar conscientes de que a salvação traz a nós um propósito divino para nossas vidas. Não mais andamos segundo a nossa vontade, mas, sim, segundo a vontade daquele que nos salvou. O nosso querer passa a estar submetido à vontade divina. Passamos a ser guiados pelo Espírito de Deus (Rm.8:14), passamos a ter uma vida dirigida por Deus. É, aliás, neste sentido que Jesus diz que o nascido da água e do Espírito é como o vento que sopra, que não sabe de onde veio nem para onde vai (João 3:8). Não dependemos mais dos nossos planos nem de nossas ideias, mas estamos, sempre, à disposição do Senhor e da Sua vontade. Somos propriedade peculiar de Deus, a comunidade de Jesus, passamos a pertencer-lhe, e isto nos faz com que ajamos e estejamos onde, como e quando Ele assim desejar no cumprimento da Sua vontade.

2. Uma vida santificada

Como verdadeiros cristãos, devemos seguir o exemplo de Cristo, pois levamos seu nome. Se os salvos se contaminarem com o mundo ímpio, negarão seu caráter celestial. As práticas do tempo em que vivíamos em ignorância devem ser colocadas de lado, pois agora fomos iluminados pelo Espírito Santo. As práticas de outrora são os pecados que cometíamos quando ainda não conhecíamos a Deus. Ao invés de imitarmos o mundo ímpio com seus modismos, nossa vida deve reproduzir o caráter santo daquele que nos chamou. A fim de sermos como Ele, precisamos ser santos em tudo o que fazemos e dizemos. Nesta vida, jamais seremos tão santos quanto Ele, mas devemos ser santos porque Ele é (1Pd.1:15).

Em Levítico 11:44, o Senhor disse: “Sereis santos, porque eu sou santo”. O Espírito Santo que habita dentro dos cristãos salvos lhes dá o poder para viver em santidade. Os santos do Antigo Testamento não contavam com esse auxílio e bênção. Somos mais privilegiados, mas também temos maior responsabilidade. A santidade, o ideal de Deus no Antigo Testamento, assumiu uma qualidade concreta e cotidiana com a vinda do Espírito da verdade.

3. Ética

O que é? É o conjunto de padrões, de condutas, de atitudes que devem ser observados pelos indivíduos. Toda atividade humana tem um padrão a ser observado, tem a sua ética. A discussão a respeito de como deve o homem se comportar é algo que vem sendo efetuado desde os primórdios da civilização humana, pois Deus fez o homem como um ser moral, ou seja, como um ser responsável, que tem consciência do que deve, ou não, fazer, porque e para que deve agir num determinado sentido. Tanto assim é que, logo após ser colocado no Jardim do Éden por Deus, o primeiro casal recebeu logo uma determinação de Deus: "De toda a árvore do jardim, comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente, morrerás" (Gn.2:16b,17).

Como se percebe, o homem foi feito um ser eminentemente moral, ou seja, um ser ético e, desde então, a história da humanidade tem refletido este embate entre o comportamento exigido por Deus e o comportamento que o homem escolhe, dentro de seu livre-arbítrio, para si, independentemente da vontade humana. 

O resultado da desobediência do homem e da sua tentativa de construir para si padrões de conduta alheios à vontade de Deus resultou nos grandes dilemas que hoje, como em nenhum outro momento da história humana, vivemos nesta "grande aldeia global" em que se tornou o nosso planeta, dilemas estes que, não raro, abalam a fé de muitos servos de Deus que, à revelia da própria Palavra de Deus, acabam cedendo a padrões, princípios e procedimentos que são radicalmente contrários à vontade do Senhor.

O homem, imerso no pecado (Rm.3:9-12,23), separado de Deus(Is.59:2), cegado pelo deus deste século (2Co.4:4), não pode ter senão comportamentos e condutas que desagradam a Deus, estabelecendo-se, pela arrogância dos homens, um relativismo ético, ou seja, um conjunto de condutas e de regras de comportamento que se alteram conforme a conveniência e de acordo com as circunstâncias, a gerar uma tolerância ilimitada, um verdadeiro caminho largo, em que tudo é permitido (Mt.7:13).

O resultado disto é o surgimento de um vazio espiritual, de uma falta de orientação e de princípios, que deixa a humanidade perdida e sem qualquer direção, com funestas consequências, como as que temos visto nos nossos dias e que estão levando à indignação e a este clamor por uma ética mínima nos relacionamentos humanos.

Busca o homem uma referência, uma base, um fundamento, esquecido que somente um é absoluto neste universo, somente um tem o direito de impor uma conduta a todos os homens, que é o nosso Deus, o Criador dos céus e da terra, o Soberano Senhor. Nesta busca pela ética, que nada mais é que uma sede de Deus, deve a Igreja, corajosamente, como agência do reino de Deus, clamar ao mundo que a ética tão desejada, que a conduta ideal tão almejada, não se encontra nos direitos humanos, na busca de maior justiça nas relações socioeconômicas, mas Naquele que, desde a criação do homem, tem querido determinar como devemos proceder. Em Deus se encontra a verdadeira ética e, portanto, para os diversos dilemas morais vividos pelo homem, existe uma única resposta: a Palavra de Deus.

CONCLUSÃO

A Santificação é uma continuidade, é um processo longo e duradouro, que somente terminará com a volta do Senhor. Santificamo-nos a cada dia, a cada instante devemos buscar mais da glória do Senhor, brilhar mais e mais, pois ainda não é dia perfeito. Por isso, não podemos jamais pensar em parar a nossa jornada, nem “estacionar” do ponto-de-vista espiritual, pois a nossa vida é uma carreira, que só terminará na volta do Senhor. “Parar”, “estacionar” nada mais é que “regredir”, “recuar”, “retirar-se para a perdição” e a Bíblia é clara ao dizer que quem assim procede desagrada a Deus (Hb.10:38,39).