A SUTILEZA DA ESPIRITUALIDADE HOLÍSTICA


 Texto Base: João 14:4-6
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).

João 14:

4.Mesmo vós sabeis para onde vou e conheceis o caminho.

5.Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho?

6.Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da “Sutileza da Espiritualidade Holistica”. Holístico é o modo de ver a si mesmo, os outros e o mundo como um todo interligado, em relação e não separado. Uma espiritualidade holística é aquela que considera a integração entre a razão, o corpo e os sentimentos. Desse modo, Deus deixa de ser um Ser Pessoal, Superior, Transcendente e Poderoso. Fundamentada em princípios extraídos das religiões orientais, essa nova forma de religiosidade tem conseguido adesão de pessoas proeminentes no mundo inteiro; está também adentrando em segmentos do cristianismo, e muitos cristãos têm se deixado seduzir pelo seu discurso globalista e pluralista, e, sobretudo, espiritualista. Este tipo de espiritualidade não é cristocêntrica, e qualquer espiritualidade que não tenha Cristo como o centro é pagã e anticristã. No holismo a influência da espiritualidade oriental é bastante forte e tem crescido muito por meio de movimentos que buscam nova roupagem para crenças claramente pagãs como, por exemplo, a crença na “mãe-terra”, na “mãe-natureza” e em todas as “forças fluídicas” que povoam o universo. É muito importante os crentes em Cristo estarem alertas sobre este tipo de influência, pois isto é mais uma sutileza de satanás para enfraquecer a Igreja de Cristo. Precisamos entender que somente uma fé fundamentada em valores perenes que fluem das Escrituras Sagradas podem nos proteger desse tipo de ataque do inimigo.

I. O FENÔMENO RELIGIOSO

1. A busca do sagrado

A busca do sagrado é uma necessidade humana. Se a pessoa está triste, doente, sem dinheiro, que perde um amor, um ente querido, ou qualquer coisa que a deixe diminuída, recorre ao sagrado em busca de amparo, conforto e até mesmo solução. Quando a solução é difícil, em vez de lutar e buscar por ela, a pessoa que não é crente busca as respostas nas divindades imaginadas e criadas pelo ser humano. É claro que se a resposta vier, não será procedente dessas divindades, pois elas não pensam, não falam, não raciocinam, não tem poder de percepção; são simplesmente seres inanimados.

Certa feita, o apóstolo Paulo, quando caminhava pelas ruas de Atenas, capital da Grécia, viu inúmeras imagens de esculturas. A religiosidade de Atenas era corroborada por sua fama de ter mais ídolos que habitantes. Ao observar o comportamento religioso dos atenienses, disse: “Senhores atenienses! Percebo que em tudo vocês são bastante religiosos” (Atos 17:22 – NAA). Ele observou que os atenienses eram acentuadamente religiosos. A busca do sagrado era ruidosamente vibrante e tangível. Ao pensar nos ídolos que havia visto, Paulo lembrou-se de um altar no qual estava inscrito: ao DEUS DESCONHECIDO, e usou a inscrição como ponto de partida para sua mensagem. Suas palavras expressavam dois fatos importantes: em primeiro lugar, a existência de Deus e, em segundo lugar, a ignorância de Atenas a respeito dele. Depois de fazer essa afirmação, Paulo não teve dificuldade em lhes falar acerca do Deus verdadeiro.

O fenômeno religioso está presente na alma de todo ser humano, desde o princípio. Assim como Davi, há um anseio de Deus na alma de cada pessoa - “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!” (Sl.42:1).

Jesus também sabia claramente dessa necessidade do ser humano pela busca do sagrado. Até mesmo os discípulos demonstravam isso. Certa feita, Jesus disse aos discípulos que Ele ia partir e que eles não poderiam ir com Ele (João 13:36); e assegurou que eles sabiam o caminho para onde Ele ia (João 14:4). Isso provocou uma pergunta imediata de Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos saber o caminho?” (Joao 14:5). A resposta de Jesus foi uma das mais importantes declarações registradas nos Evangelhos: “Eu sou o Caminho, a verdade e avida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Jesus é a Verdade que alimenta a nossa mente, a Vida que satisfaz a nossa alma e o único Caminho seguro para Deus. Como Caminho, Jesus é o caminho de Deus para o ser humano – todas as bênçãos divinas descem do Pai por meio do Filho – e o caminho do ser humano para Deus. Como a Verdade, Ele se opõe à mentira, é a fonte fidedigna da revelação redentora, a verdade que liberta e santifica. Como a Vida, Jesus é aquele que tem vida em si mesmo, é a fonte e o doador da vida, aquele que veio para que tenhamos vida em abundância. Sem Cristo não pode haver nenhuma verdade redentora, nenhuma vida eterna, portanto, nenhum caminho para o Pai. Sem Cristo, a busca pelo sagrado é vã.

2. Deus e os deuses

O ser humano em sua busca cega pelo sagrado acaba transformando pedra, pau, água, terra, árvore, o próprio ser humano etc., em deuses; claro, falsos deuses, tendo em vista que só há um Deus – o Criador Todo Poderoso de todas as coisas. Por não conhecer o Deus verdadeiro, que se revelou nas páginas da Bíblia e de forma especial na pessoa bendita de Jesus Cristo (2Co.5:19; João 3:16,17), o ser humano acaba por buscar e adorar deuses falsos (1Ts.1:9; 1João 5:21). Esta busca ilusória por falsos deuses é um acontecimento presente em todas as culturas, após a Queda do homem.

No Novo Testamento há um fato emblemático sobre esta ilusão do ser humano na busca por falsos deuses. Vemos isto na passagem de Atos capítulo 17. Quando Paulo esteve em Atenas, e andava pela cidade, o que ele viu não foi sua beleza, nem o brilhantismo da cidade, mas sua idolatria. Paulo viu uma floresta de imagens de esculturas que eram cultuadas como se fossem deuses. Certo escritor disse que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem. Segundo os estudiosos, cada templo, cada portão, cada pórtico, cada edifício tinha as suas divindades protetoras. Havia mais deuses em Atenas do que em todo o resto do país. Eram inúmeros templos, santuários, estátuas e altares. No Parthenon encontrava-se uma imensa estátua de Atena feita de ouro e mármore. Em toda parte, se viam imagens de Apolo, o padroeiro da cidade, de Júpiter, Vênus, Mercúrio, Baco, Netuno, Diana e Esculápio. Todo o panteão grego estava ali, todos os deuses do Olimpo. E as imagens eram bonitas, feitas de ouro, prata, marfim e mármore, construídas pelos melhores escultores gregos. A cegueira espiritual dos atenienses levava-os a essa aberrante idolatria no afã de preencher os anseios da alma; e é justamente nessa carência espiritual de preencher o anseio mais profundo da alma, que a humanidade é enganada pelo Diabo.

Concordo com John Stott quando afirma que “toda idolatria é indesculpável, seja antiga ou moderna, primitiva ou sofisticada, sejam suas imagens mentais ou feitas de metal, objetos de culto palpáveis ou conceitos abstratos desprezíveis, pois a idolatria é a tentativa de confirmar Deus, limitando-o a um espaço imposto pelo homem, sendo Deus o Criador do universo; ou de domesticá-lo, tornando-o nosso dependente, domando-o e mimando-o, quando Ele é o Mantenedor da vida humana; ou de aliená-lo, culpando-o por sua distância e seu silêncio, quando Ele é o Governador das nações e não está longe de nós; ou de destroná-lo, reduzindo-o a uma imagem concebida ou feita pelo próprio ser humano, quando Ele é o Pai de quem recebemos nossa existência. Em suma, toda idolatria é uma tentativa de minimizar o abismo entre o Criador e suas criaturas, para colocá-lo sob nosso controle. E, mais do que isso, ela inverte as posições entre Deus e o ser humano, de modo que, em vez de reconhecermos humildemente que Deus nos criou e nos governa, temos a ousadia de imaginar que podemos criar e governar Deus. Não existe lógica na idolatria; ela é uma expressão perversa e confusa da rebelião do ser humano contra Deus”. Deus disse: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is.42:8).

II. A ESPIRITUALIDADE HUMANA E SUA NECESSIDADE DE EXPRESSÃO

1. O antigo paganismo

Paganismo é um termo geral usado para referir-se as antigas tradições e cultos politeístas ou animistas. Isto sempre ocorreu após a Queda do homem, principalmente a partir da civilização cainita. Esta civilização logo se desviou do seu Criador e passou a adorar falsos deuses idealizados e criados por eles mesmos. O paganismo foi muito forte na antiguidade. Na antiga Canaã, por exemplo, antes do povo de Israel ocupar aquele espaço, os deuses principais adorados eram Baal e Aserá (1Rs.18:19); no antigo Egito, o povo adorava muitos deuses (Êx.12:12); na Babilônia o deus principal adorado era Marduque ou Merodaque (Jr.50:2). Deus abominava e abomina tudo isto.

Em Canaã, por causa das terríveis abominações, os cananeus foram substituídos pelo povo judeu. E quando foi estabelecido o Decálogo, ainda no Monte Sinai, o primeiro mandamento instituído foi: "Não terás outros deuses diante de mim". Este Mandamento vai além da proibição à idolatria, é contra o politeísmo em qualquer que seja as suas formas. Ele é o testemunho da singularidade e exclusividade de Deus, ou seja, revela o Senhor em Seu caráter, Seu ser e Sua ação. Este mandamento ensina que Deus não dá Sua glória a nenhum outro deus, ou Sua honra a imagens de escultura (Is.42:8). O que se postula neste Primeiro Mandamento é o fato de que nada menos do que a totalidade de nossas vidas deve estar sob o senhorio do Deus Todo-Poderoso.

Os ídolos são artifícios em forma de imagens: nada são, não têm nenhum préstimo, nada entendem, confundem-se, têm olhos e não veem, têm ouvidos e não escutam, têm lábios e não falam, têm cabeças e não pensam, têm braços que não se movimentam e pés que não andam; são deuses inúteis e sem vida, condenados ao ridículo.

É válido ressaltar que os ídolos não estão limitados às sociedades primitivas; existem muitos ídolos sofisticados. Um ídolo é um substituto de Deus; é qualquer pessoa ou coisa que ocupe o lugar que Deus deveria ocupar. A avareza é idolatria. As ideologias podem ser idolatrias. Assim como a fama, a riqueza e o poder, o sexo, a comida, a televisão, o celular, as redes sociais e as propriedades, a religião etc. Precisamos ter cuidado para que tudo isto não venha substituir Deus em nossa vida. Toda honra e glória e culto devem ser dados somente a Ele. Ele “é o único SENHOR” (Dt.6:4).

2. O misticismo Oriental

As culturas orientais são marcadas pelo misticismo, o que as torna parecidas apesar das diferenças religiosas, culturais, étnicas e raciais. Na cultura oriental é prevalecente o holismo ou espiritualidade holística, que tem invadido e influenciado a cultura ocidental em quase todas as camadas sociais. Segundo o pr. José Gonçalves, o holismo “está nas Universidades; nos cinemas; nos livros de autoajuda; e até mesmo nos currículos escolares. Na verdade, o holismo, ou espiritualidade holística, ou ainda, visão sistêmica da vida, nada mais é do que antigas crenças e práticas orientais redivivas ou recicladas; é uma mistura de crenças orientais do hinduísmo, budismo e taoísmo. Tudo numa panela só. É a operação do erro querendo enganar os incautos (Rm.16:18). Não há dúvidas que são ensinos de demônios (1Tm.4:1)”.

O misticismo tem estado presente em toda as épocas da humanidade. As Epístolas de João e Colossenses foram escritas para combater o pensamento gnóstico que era cheio de misticismo (Cl.2:16-23). O misticismo está intimamente ligado ao panteísmo (tudo é Deus e Deus é tudo). Nos Estados Unidos houve um movimento chamado transcendentalismo, que foi influenciado pela filosofia Hindu; paralelamente a isso foi fundado o movimento teosófico por Helena (Madame) Blavatsky, escritora russa. Paralelamente surgiu a Ciência Cristã. O que eles tinham em comum? A ideia de que o homem deve desenvolver a sua divindade, descobrir o pleno poder que existe dentro deles, tendo o poder sobre a enfermidade, sobre os problemas etc. Essek Kenyon, pastor evangélico, estudou numa das escolas da Ciência Cristã. Começou a pregar que nós somos pequenos deuses, que temos o poder de criar a realidade pelo que nós dizemos. Ele discipulou pela sua literatura Kenneth Hagin que introduziu grandes heresias dentro da igreja evangélica. No Brasil, a literatura de Hagin foi introduzida por R. R. Soares. Por incrível que pareça, milhões de cristãos são adeptos desse tipo de misticismo que não passam de ensinos do engano.

Este é um dos grandes problemas dos neopentecostais, pois eles colocam suas experiências acima da Bíblia e dão a ela uma interpretação particular fora dos recursos hermenêuticos. O misticismo neopentecostalista é a mistura de figuras, objetos e símbolos para representarem elementos espirituais. Eles tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em "proteções" semelhantes às usadas pelas magias pagãs. Deste ato aparecem crentes com fitinhas no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo portas e janelas com azeite, colocando sal ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água “abençoada”, usam óleos “consagrados” em Jerusalém, guardam gravetos que misteriosamente aparecem brilhando nos montes, ungem roupas para libertar as pessoas etc. Tudo isto é puro misticismo. O crente verdadeiro não segue essas coisas.

III. O FUNDAMENTO DA ESPIRITUALIDADE HOLÍSTICA

1. Não há um Deus pessoal

O holismo ou espiritualidade holística prega que não há um Deus pessoal, como informado na Bíblia. Por ser uma vertente homóloga a espiritualidade panteísta, este segmento do misticismo oriental prega que tudo é Deus, basicamente significando a integração, não existindo um ser personificado criador acima do universo. Assim, o divino, o homem e a natureza são uma coisa só. Portanto, não há um Deus pessoal que se revelou na Bíblia nem tampouco um Salvador pessoal, Jesus Cristo.

Para os seguidores desse segmento místico, “deus” é apenas uma energia impessoal que jaz no universo. Para esses adeptos, Jesus, Alá, Javé, Buda, Xiva ou um Xamã são nomes diferentes para uma mesma entidade – a força cósmica que habita o universo. Para nós cristãos, que seguimos os ditames das Sagradas Escrituras, e que cremos num Deus pessoal, vivo e inteligentíssimo, todas essas manifestações do holismo não passam de meras heresias desprovidas de significado lógico. Cremos, portanto, em um Deus pessoal, dotado de sensibilidade, de vontade e de intelecto. Em seu caráter pessoal, Deus é amoroso, justo, santo, sábio, bom, compassivo, misericordioso, amável, perdoador, paciente, tardio para se irar, fiel e muito mais.

Deus é soberano e tem o controle final da história ao mesmo tempo em que leva em conta as decisões das pessoas. Deus é um Ser transcendente (fora da criação) e imanente, ou seja, a despeito de habitar nas alturas mais insondáveis e inacessíveis, e apesar de infinito e imenso, não permanece alheio às suas criaturas. 

2. Não há uma verdade factual

A ausência de uma verdade factual é um dos fundamentos da espiritualidade holística. Segundo os seguidores dessa crença, não há uma verdade absoluta. Em vez disso, existem “verdades”, e que cada um tem a sua. Para eles, a “verdade” está em todas as religiões, pois todas são igualmente formas válidas de se expressar a espiritualidade. Dessa forma, não há como alguém dizer que está certo ou errado. Chamamos isto de relativismo.

O relativismo é a marca do pensamento contemporâneo. Crer em verdades absolutas, em valores absolutos, em princípios imutáveis oriundos de Deus é algo que é repelido e rechaçado pela grande parte da humanidade dos nossos dias. Os verdadeiros servos de Deus são tachados de “fanáticos”, “atrasados”, “preconceituosos”, “fundamentalistas”. É este o mundo em que estamos vivendo, um mundo onde “tudo é relativo”. A rebeldia humana contra Deus faz com que os homens se arroguem o direito de dizer o que é certo e o que é errado. Só que não é o homem quem diz o que é certo ou o que é errado, mas, sim, o Senhor Deus. Para nós cristãos, porém, o Senhor nosso Deus não é apenas uma pessoa, vivo e verdadeiro, mas que Ele é a própria Verdade (João 14:6); e a verdade de Deus é absoluta, é universal e é imutável, ao contrário do que ensina o holismo, o qual afirma que tudo é relativo, ou seja, que tudo pode ser, mas, também, não pode ser.

As palavras do homem ímpio, mesmo quando escritas, podem mudar de sentido, e até cair em desuso; elas estão sujeitas às mudanças e até ao desaparecimento. Porém, isto não acontece com a Palavra de Deus, da qual está escrito: “Para sempre, ó Senhor, a tua Palavra permanece no céu” (Salmos 119:89). Isto acontece porque o próprio Deus não muda, pois, Ele é a verdade absoluta, conforme Ele próprio afirmou: “Porque eu, o Senhor, não mudo” (Ml.3:6), ou segundo afirmou Tiago: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em que não há mudança, nem sombra de variações” (Tg.1:17), ou segundo afirmou Jesus: “Eu sou [...] a verdade” (João 14:6).

Os seguidores do holismo, que não se arrependeram do seu erro, um Dia se encontrarão bem de perto com Deus, a Verdade absoluta, no Grande Trono Branco para receber a sentença definitiva: “Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Ap.20:11,15).

IV. A ESPIRITUALIDADE HOLÍSTICA EA BÍBLIA

1. O problema do pecado

O pecado é o mais danoso inimigo do ser humano: ele mata e separa definitivamente o homem de Deus. Está escrito que ”o salário do pecado é a morte” (Rm.6:23). O ser humano deve se conscientizar de que o pecado é maligníssimo. Segundo argumenta o pr. Hernandes Dias Lopes, o pecado promete prazer e paga com o desgosto; levanta a bandeira da vida, mas seu salário é a morte; tem um aroma sedutor, mas ao fim cheira a enxofre. Só os loucos zombam do pecado; ele é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença. Enfim, o pecado é pior do que a própria morte. Esses males todos não podem destruir a alma do ser humano nem afastá-lo de Deus, mas o pecado arruína o corpo, a alma e afasta a pessoa eternamente de Deus.

Mas, o holismo não leva em consideração a esta perigosa e fatal situação em que se encontra o ser humano. Como eles se despertarão para tratar de tão relevante problema? A maneira correta de lidar com o pecado é se arrepender dele e, com toda a sinceridade, buscar em Deus o perdão, a graça e a misericórdia (Sl.51; Hb.4:16; 7:25). Infelizmente, os corações dos seguidores do holismo estão cegos e endurecidos pelo engano do pecado (Hb.3:13). É por intermédio do engano do pecado e da cegueira espiritual promovida pelo Diabo que cresce a cada dia o fascínio pelas novas espiritualidades, conforme argumenta o pr. José Gonçalves.

2. Um Salvador Pessoal

O holismo nega a existência de um Salvador pessoal, que veio para libertar o ser humano da prisão do pecado; não aceita que “Deus amou o mundo e tal maneira que deu o Seu Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Aliás, nem acredita que exista um Deus pessoal, transcendente e imanente. Também ignora a existência do pecado e, consequentemente, a punição eterna. Assim sendo, os seguidores deste movimento não veem a necessidade de um Salvador (1Tm.4:10). Isto é um engano terrível, perpetrado por espíritos enganadores (1Co.10:20) que invadem a mente desses religiosos da espiritualidade holística, deixando-os numa posição de rebeldia contra o Senhor Deus.

Sem Jesus Cristo, o ser humano está perdido para sempre. Somente nele há salvação. Disse o apóstolo Pedro: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12). Portanto, o apelo do apóstolo Pedro ecoa para todos os que estão nessa situação enganosa do holismo: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38).

CONCLUSÃO

Diante do que foi exposto aqui, concluímos que a religiosidade holística é um tremendo ardil de satanás, que tem enganado inúmeras pessoas em todo o mundo. É uma crença pagã que promove a falsa adoração, seduzem as pessoas incautas e aprisionam as vidas de quem não conhece o Senhor Jesus. Seus seguidores negam a Cristo, rejeitam a fé cristã e ensinam a inexistência de normas, verdades e princípios morais procedentes da vontade absoluta de Deus. Essa modalidade religiosa não prega o arrependimento, a fé, nem tampouco a conversão a Deus; rejeita Deus e a sua Palavra. Deve-se, portanto, ser rejeitada sem hesitação. A permanência nesse engano poderá levar os seus adeptos à perdição eterna, tendo em vista que seus ensinos têm um caráter de rebeldia contra Deus. Não acreditar num único Deus Poderoso e Pessoal, e controlador de todas as coisas, é um sinal de rebelião contra Ele. Estudando as Escrituras, não encontramos nenhum outro tipo de transgressão que seja tratada com tanta severidade por Deus como a da rebelião. Vemos pessoas ficando gravemente enfermas (Nm.12:10), reis perdendo o seu trono (1Sm.13:13,14) e gente sendo morta por um juízo de Deus, simplesmente pelo fato de que se levantaram contra Sua autoridade (Nm.16:1-33). Rebelião contra Deus é como pecado de feitiçaria (1Sm.15:23). E está escrito que nenhum feiticeiro entrará no reino do Céu (Gl.5:20,21).

A SUTILEZA DAS MÍDIAS SOCIAIS

 

Texto Base: Romanos 12:1-3,16,17
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm.12:1).

Romanos 12:

1. Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

3. Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

16. Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos.

17. A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da sutileza das redes e das mídias sociais, que são aplicações que operam através da internet e que tem como finalidade conectar pessoas e organizações. A internet teve origem no século passado e se desenvolveu muito a partir do início deste século. Foram nos últimos vinte e dois anos que as principais redes e mídias sociais se propagaram grandemente. Essa propagação ganhou ainda mais força com o crescimento das tecnologias mobile. Hoje a maior parte dos acessos à internet é proveniente de aparelhos portáteis como, principalmente, o smartphone. São exemplos de redes sociais: WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram, Linkedin. São exemplos de mídias sociais: YouTube, TikToc e blogs.

O mundo virtual tornou o nosso planeta uma aldeia, e que a Igreja precisa, com equilíbrio e prudência, se adequar à essa situação, porém, jamais prescindindo do ambiente real de comunhão. As redes e mídias sociais são uma feramente poderosa utilizada no mundo econômico, acadêmico, social e religioso. Sendo uma ferramenta, elas impõem um desafio ético e moral por parte de quem usa. Nesse aspecto, os cristãos precisam estar conscientes de como devem fazer uso de redes e mídias sociais. É preciso ter cuidado para não coisificar o ser humano no ambiente virtual, bem como se engodar com a cultura mundana, desviada dos valores morais absolutos exarados nas Escrituras Sagradas. Saber conviver e andar nesse espaço é de suma importância para o testemunho cristão.

I. OS CRISTÃOS NA ERA DIGITAL

1. A realidade do universo on-line

Nas últimas décadas várias mudanças foram inseridas nas sociedades de todo o mundo, devido ao avanço tecnológico de meios de comunicação de última geração: internet, satélites, computadores, telefones celulares, smartphone, dentre outros. Assistimos as transformações na forma de agir e pensar, no estilo de vida, nos desejos, na conduta e nas atitudes sociais, religiosas, políticas e econômicas. É a realidade do universo on-line, onde tudo se movimenta com muita facilidade e rapidez para as diversas direções. É um mundo totalmente diferente de quinze anos atrás, e a igreja está, embora não queira, inserida neste contexto. Desta feita, deve-se utilizar esses meios de comunicação modal para atender a Grande Comissão de Cristo (Mt.28:19,20).

Com o surgimento das redes e mídias sociais como YouTube, TikToc, WhatsApp, Facebook, Instagram, Twitter etc., muitos cristãos diziam que os seus perfis tinham a finalidade de falar de Jesus; mas, infelizmente, não foi exatamente isso o que aconteceu. A maioria dos crentes está transferindo para o virtual os seus maus hábitos reais. Não se vê evangelização, não se vê pregação e não se vê testemunhos; vê-se, sim, muitas brigas, contendas e testemunhos duvidosos. Se por um lado as redes sociais facilitam encontros e contatos entre amigos e parentes distantes, por outro lado elas têm multiplicado intrigas, traições, adultérios e a destruição de lares. Esse efeito nocivo pode ser minimizado, senão anulado, se cada crente as utilizar para ganhar os pecadores digitais para o Cristo real. O crente não deixará de ser uma testemunha real de Jesus (Atos 1:8) pelo simples fato de as interações sociais acontecerem de forma virtual.

2. Cristãos conectados

No princípio da Igreja a conexão entre os cristãos era através de cartas; era, portanto, um mundo muito lento em todos os aspectos. Apesar das dificuldades de comunicação, os cristãos conseguiam interação com cristãos de outra região (Cl.4:16). Foi por meio desse instrumento que eles compartilharam os princípios eternos da Palavra de Deus entre si (2Pd.3:15). Hoje, essa interação, que acontece por intermédio das redes e das mídias sociais, é muito mais eficiente e muito mais dinâmica, e muito mais célere; e com a chegada da tecnologia 5G a velocidade de comunicação virtual será espantosa.

Somos, portanto, a geração da comunicação virtual, da internet banda larga, da celeridade, do nanosegundo. O mundo hoje é uma aldeia global. A velocidade com que as informações se multiplicam e se propagam é espantosa. Alcançamos o mundo na ponta de nossos dedos, e o colocamos dentro da nossa sala de estar e na palma das nossas mãos, com um click. Em tempo real, assistimos, concomitantemente, ao que se passa no planeta Terra, essa pequena aldeia global. Isso, contudo, não deve surpreender-nos porque todo este avanço já estava previsto na Bíblia Sagrada – “...agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” (cf. Gn.11:6).

Apesar de o pecado estar virulento no universo on-line, inúmeras portas têm sido abertas e a Palavra de Deus tem chegado a lugares que dantes seria humanamente impossível penetrar. A igreja deve abraçar com toda ousadia essa oportunidade e não satanizá-la. Estamos no universo virtual, mas o pecado da humanidade é real, e somente o Evangelho de Cristo pode oferecer esperança à hu­manidade.

II. OS DESAFIOS DE SER IGREJA NA ERA DIGITAL

“O desafio dos cristãos no universo online passa pelos perigos da desumanização e do mundanismo”.

1. Desumanização

Nunca estivemos tão conectados, mas nunca estivemos tão sós. Estudos recentes demonstram que quanto maior a frequência no uso da Internet maior é o sentimento de solidão, que é acentuado pelas redes sociais. Segundo estudos realizados por psicólogos americanos, as redes sociais estão fazendo com que seus usuários se sintam mais solitários. Pesquisa publicada num “Periódico Americano de Medicina Preventiva” aponta que acessar mídias e aplicativos sociais - como Twitter, Facebook, WhatsApp e Instagram - por mais de duas horas por dia, dobra a probabilidade de alguém se sentir isolado. O estudo sugere que quanto mais tempo uma pessoa fica online, menos tempo ela tem para interações no mundo real. A falta de equilíbrio tem desencadeado crises emocionais, ansiedades e isolamentos.

A navegação pelas redes sociais também pode despertar sentimentos de exclusão - inveja, por exemplo -, quando se vê fotos de amigos se divertindo em eventos para os quais não se foi convidado. Segundos estudiosos sobre esse assunto, há uma epidemia de problemas mentais e de isolamento social entre jovens adultos. Aparentemente, as redes sociais criam oportunidades de socialização, mas elas não surtem os efeitos que se espera. A despeito de sua importância neste mundo pós-moderno, as redes sociais tendem a nos isolar em vez de nos aproximar.

O pr. José Gonçalves afirma que “o universo virtual cria a falsa impressão de que é possível ser igreja sem relacionamento real. Nesse aspecto, o mundo virtual desumaniza as pessoas. É por isso que o ciberespaço é o universo preferido dos desigrejados. Eles dizem não precisar da Igreja Local (Hb.10:25), que existe de forma real, para expressar a sua espiritualidade, o que evidentemente é um erro. Na Igreja de Cristo, as pessoas não apenas interagem, mas existem e se completam”.

A Bíblia mostra a importância do relacionamento interpessoal, do companheirismo: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante” (Ec.4:9,10). Ser Igreja envolve contato. Não há cristianismo verdadeiro sem comunhão, isso porque a Igreja é Corpo, é real, visível e palpável – “Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular” (1Co.12:27).

2. Mundanismo

O mundanismo pode ser definido como hábito, cultura e sistema da sociedade rebelada contra Deus; é tudo aquilo que leva o crente a perder a alegria do amor de Deus e desencorajá-lo a fazer a Sua vontade. É a grande arma utilizada pelo inimigo para desviar os crentes da Verdade.

As redes sociais são um fenômeno espetacular do nosso tempo, mas precisam ser utilizadas com sabedoria e prudência. O pr. José Gonçalves, ao tratar do mundanismo sob a influência das redes e mídias sociais, sabiamente argumenta: “o que se observa por parte de muitos cristãos, especialmente pregadores, é um desejo quase obsessivo de estar em evidência. Querem ser vistos. Para que esse fim seja alcançado, muitos seguem personalidades de comportamento duvidoso, quer sejam celebridades do mundo artístico, quer sejam jogadores e cantores famosos. Imploram por seguidores e likes. Agem como verdadeiros mendigos virtuais. Desonram a cruz porque querem a qualquer custo a glória do mundo. Dessa forma, tornam-se presas fáceis de Satanás (Mt.4.9)”.

Infelizmente, o mundanismo tem adentrado a Igreja Local com facilidade; tem sido uma praga, uma lepra espiritual. As redes e as mídias sociais têm contribuído sobremaneira para esta situação. Todo crente precisa separar-se do mundo para viver uma vida totalmente controlada pelo Espírito Santo. Deus é santo, e exige de nós santidade. Ser santo é estar separado das concupiscências desta vida. De nada adianta o título de cristão se a pessoa não demonstra uma vida santa diante de Deus e das pessoas. O apóstolo João exorta: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo” (1João 2:15,6).

Devemos estar conscientes de que nas redes sociais, o pecado jaz à porta; desta feita, devemos ter cuidado, pois o pecado é maligníssimo, é pior do que a pobreza, do que a solidão, do que a doença; o pecado pode arruinar o corpo, a alma e afastar o crente de Deus (Is.59:2). Portanto, devemos fazer uso do universo online com prudência e discernimento; sejamos cuidadosos e tenhamos limites. Para o cristão, todas as coisas são lícitas, mas nem tudo é proveitoso ou edificante (1Co.10:23; 6:12).

III. A IGREJA E OS PECADOS VIRTUAIS

1. Sensualismo

Assim como o avião ou a energia nuclear, a internet é uma invenção que também pode ser usada para fins destrutivos. Embora o mundo da internet seja virtual, os perigos são extremamente reais. Há perigo de dano material com a perda de arquivos em consequência de vírus e também o perigo de ser vítima de e-mails maldosos que contêm pequenos programas espiões que servem para roubar senhas bancárias, principalmente agora na era do Pix. Porém, o pior prejuízo pode ser espiritual. Uma constante ameaça na internet é a pornografia. Praticamente em quase tudo que se vê na internet o erotismo está presente.

Há pelo menos 20 anos ouvíamos dizer que, ao se desligar o televisor, uma janela se fechava ao pecado. Agora, carregamos o televisor no nosso bolso e na palma da nossa mão. Nossos celulares são, potencialmente, dispositivos pessoais e maleáveis às tentações e concupiscências. Isso mostra que, na era da informação, há uma superexposição ao pecado. O Senhor Jesus alertou-nos que, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos viria a esfriar-se (cf. Mt.24:12).

É incontestável que as redes e as mídias sociais, quando usadas de forma adequada, são extraordinárias ferramentas de comunicação, interação e trabalho. Contudo, quando usadas para enviar fotos e vídeos íntimos, mensagens de texto de um relacionamento adúltero, se tornam instrumentos poderosos do pecado (Rm.6:13,14). Tornam-se espaços do Diabo (Ef.4:27). Os inúmeros escândalos expostos na internet mostram isso. Não podemos esquecer que “sem santidade, ninguém verá o Senhor” (Hb.12:14).

2. Narcisismo

A sociedade contemporânea, caracterizada pela tremenda importância das redes sociais, está mergulhada em um narcisismo que pode alcançar um caráter adoecedor. Vivemos na era do narcisismo digital, que é expresso por meio de uma série de ações “extremas”, como tirar um grande número de selfies ou compartilhar momentos de suas vidas, que poderíamos classificar como muito íntimos, praticamente todos os dias. Esta geração já foi denominada de “geração do selfie”. O desejo de ser visto e admirado tornou-se obsessivo e doentio (3João 1:9). Daí a necessidade de a todo instante estar se fotografando e postando nas redes e nas mídias sociais; é uma devoção ao selfie. Nesta geração narcisista, as pessoas são “amantes de si mesmas” (2Tm.3:2).

O narcisismo digital penetrou profundamente a personalidade das pessoas; elas buscam a aprovação de seguidores em redes e mídias sociais para se sentirem bem em relação a elas mesmas. E toda vez que recebem um “like”, o seu ego cresce. Para obter esses “gostos”, muitas dessas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são. Dessa forma, desejo de se expor, de ser visto e admirado torna-se um comportamento não apenas doentio, mas sobretudo, pecaminoso. Isto tem contaminado pessoas de todas as faixas etárias, com maior intensidade entre os adolescentes e jovens, o que traz preocupação, principalmente se estas pessoas se dizem cristãs. A solução para este tipo de problema é desconectar desta ilusão digital, que não nos leva a lugar nenhum; não se trata de abandonar as redes e as mídias sociais, mas de usá-las em sua medida adequada e com equilíbrio. A pessoa deve, urgentemente, voltar-se para Cristo e conscientizar-se de que o narcisismo digital é pecado e que, se não houver reparo, poderá trazer sequelas perigosas com efeitos indeléveis na vida espiritual e psicológicas dessas pessoas. O Céu é o nosso alvo, e lá só entra quem é santo (Hb.12:14). Pense nisso!

IV. AS MÍDIAS SOCIAIS E O IDE DE JESUS

1. A seara virtual

A internet é um veículo muito rápido de comunicação. É um potente meio de evangelizar e levar a Palavra de Deus a lugares que estão a milhares de quilômetros de distância. Evangelizando pela internet nós conseguimos alcançar pessoas em vários lugares que no método tradicional não seria possível. Então, a internet acaba por ser um meio que pode incrementar e ajudar na evangelização do mundo. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc.16:15). O “ide” de Jesus, certamente, inclui o espaço virtual; então, ocupemos este espaço e o transformemos num campo onde a poderosa semente da Palavra de Deus seja semeada (Lc.8:5,12). Portanto, as redes e mídias sociais são potenciais meios de evangelização, em que podemos tocar várias vidas com a mensagem de Cristo. Gastamos tanto tempo na internet com coisas sem valor, por que não dedicarmos alguns minutos para evangelizar? Atrelado à dedicação, sejamos exemplos no trato, na modéstia e no amor. Mostremos que o mundo não nos influencia, mas nós é que influenciamos o mundo.

2. Pastoreio virtual

Vários sãos os meios para o pastoreio virtual. Existem pelo menos 13 plataformas para reuniões, eventos e videoconferências online. Dentre essas se destacam o Microsoft Teams, o Zoom, o WhatsApp, o Google Meet. Estas plataformas foram bastante úteis durante o pico da pandemia do Covid-19. Sem estas plataformas, milhões, talvez bilhões, teriam ficado muito mais distantes uns dos outros. Quantos cultos, reuniões de EBD, discipulado, reuniões ministeriais, planejamentos, conferências, trabalho em Home Office, não foram realizados através destas plataformas virtuais! Se a pregação do evangelho de Cristo é feita, também, pelas mídias e redes sócias, da mesma maneira o discipulado e o pastoreio podem muito bem se adequar a esta nova realidade. Portanto, as redes e as mídias sociais são poderosas ferramentas de interação, e devem ter seus potenciais usados para o crescimento do Reino de Deus. Os pastores devem estar conscientes disso e aptos a explorar esse novo espaço (Ap.3:8). Como bem afirma o pr. José Gonçalves, “aqueles que optaram por ficar de fora das redes sociais estão perdendo uma extraordinária oportunidade de promover o Reino de Deus”.

CONCLUSÃO

Aprendemos nesta Aula como as redes e as mídias sociais podem se tornar um espaço perigoso, em que o pecado ganha proporções assustadoras. Os cristãos precisam se conscientizar de que são moralmente responsáveis pelo que fazem, através das redes e mídias sociais, diante da sociedade, da igreja local e da comunidade a qual pertencem. Eles devem buscar nas Escrituras os princípios que orientem sua navegação no espaço virtual. A Bíblia contém princípios que norteiam e disciplinam a vida dos cristãos, inclusive no universo on-line. Isso porque as Escrituras Sagradas, que são vivas (Hb.4:2) e permanecem para sempre (1Pd.1:25), podem orientar de forma clara e objetiva o crente em seu caminhar tanto no mundo real como também no virtual. É claro que o mundo virtual é um campo minado e perigoso para os cristãos incautos, porém é, sobretudo, uma seara virtual em que frutos podem ser colhidos para a glória de Deus, se a semente da Palavra de Deus for pregada com sabedoria, estratégia bem formada e muito equilíbrio. Como bem diz o pr. José Gonçalves, se o Diabo usa as redes sociais para espalhar suas mentiras e fomentar o pecado, a igreja deve usar esse espaço para semear a verdade, proclamar o arrependimento e implantar o Reino de Deus. Que assim seja!