A CRIAÇÃO DE EVA, A PRIMEIRA MULHER

"E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada." (Gn.2:23).
Gênesis 2:
18-E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele.
19-Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.
20-E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo animal do campo; mas para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele.
21-Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar.
22-E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.
23-E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.
24-Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
25-E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos da criação de Eva, a primeira mulher, a mãe de toda humanidade. Pouco sabemos a respeito dela. Ela foi a peça final no maravilhoso e complexo quebra-cabeça da criação de Deus. Deus a criou e foi dada a Adão como esposa, companheira e adjutora. Agora, Adão tinha outro ser humano com quem podia conviver, alguém que também fora feito à imagem de Deus. Alguém suficientemente parecido para fazer-lhe companhia e diferente o bastante para um relacionamento. Juntos eram mais excelentes do que cada um poderia ter sido sozinho. Eles foram criados perfeitos um para o outro. Embora iguais, cada qual tinha uma missão específica a cumprir. Após a sua criação, Deus presenteou Adão e Eva com o matrimônio, formando a mais sublime instituição: a família. No casamento, o homem dá vida à mulher, e a mulher dá vida ao mundo. Cada papel carrega privilégios exclusivos, e não há razão para pensar que um gênero é superior ao outro; todavia, foi ao homem que Deus confiou a liderança da família constituída.
O que o relato da criação da mulher tem de peculiar é que Deus anunciou a Sua criação depois da constatação de que não era bom que o homem estivesse só (Gn.2:18). Ora, é fácil lembrar que após cada ato criado Deus viu que o que fizera era bom; e então criou algo bom para completar a vida do homem. Gênesis 2:18-25 é o único texto que traz uma descrição detalhada da criação da mulher. É fato histórico. Quando o homem nomeou os animais e percebeu que todos tinham sua companheira, sentiu-se sozinho (Gn.2:20). Por isso Deus criou a mulher, para estar ao lado do homem e ser este complemento que lhe faltava.
O Senhor Deus formou Eva a partir da costela de Adão. Isto ensina que homem e mulher tem igualdade diante de Deus; são igualmente importantes. Cristo, também, formou a Sua Igreja, a sua noiva, quando teve o seu lado traspassado e verteu sangue em agonia indescritível.

I. A MULHER NO PLANO DE DEUS

As Escrituras indicam que o homem não foi feito para viver solitariamente; muito pelo contrário, a Bíblia é explícita ao dizer que, ao contemplar o homem, Deus afirmou que “não é bom que o homem esteja só" (Gn.2:18), tendo, então, estabelecido a necessidade de criar a mulher, que serviria como adjutora, ou seja, como ajudadora, que estivesse diante do homem. A intenção divina era dotar o homem não só de domínio sobre a criação na terra, mas também, de capacidade de reprodução (Gn.1:28), o que exigia a criação da mulher, sem a qual não haveria condição de multiplicação da humanidade – “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn.1:27).

1. A mulher já estava nos planos de Deus

A criação da mulher sempre esteve no plano de Deus; portanto, não foi um ato improvisado. O Seu trabalho criativo não estava completo sem a formação da mulher. Quando a Trindade Santa disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança” (Gn.1:26), na Sua santa mente a mulher estava no seu plano; é tanto que no final do versículo seguinte está escrito: “...macho e fêmea os criou”, ratificando assim a sua intenção de criar a mulher, pois Deus queria o crescimento e a multiplicação do ser humano na Terra (Gn.1:28), e, claro, sem a mulher, o homem sozinho não atenderia essa incumbência. Com ela há a perfeita completude.

2. A decisão de formar a mulher

Esta decisão foi um ato de amor e bondade de Deus para com o homem. Deus deu a Adão a incumbência de nomear os animais, e neste processo, Adão deve ter percebido a diferença entre o sexo feminino e o masculino. Cada animal tinha um parceiro semelhante e, ao mesmo tempo, diferente. Ao contemplar a solidão e a tristeza de Adão, Deus declarou: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele" (Gn.2:18). Foi uma decisão particular de Deus Pai, pois o verbo está na primeira pessoa do singular, no tempo presente – “far-lhe-ei” – o que realça a iniciativa particular do Criador, que é sempre amoroso, solícito e atento às necessidades de suas criaturas.
E assim surgiu Eva, uma auxiliadora semelhante a Adão, formada de uma de suas costelas, a qual foi retirada enquanto Adão dormia um pesado sono. Deus poderia tê-la formada do pó da terra, do mesmo modo que fizera o homem; porém, Ele preferiu fazê-la da carne e dos ossos de Adão. Assim, Deus quis mostrar que, no casamento, homem e mulher estão simbolicamente unidos em uma só carne; é o que chamamos de união monossomática. Por toda a Bíblia, Deus trata essa união especial com seriedade. Se você é casado ou planeja se casar, está disposto a manter esse compromisso que faz de você e seu cônjuge um só? O objetivo do casamento deve ser mais do que companheirismo, precisa haver unidade.

3. A mulher, uma pessoa necessária

O Senhor ao formar a mulher a partir da costela de Adão, designou-a para ser, em relação ao homem, uma companhia idônea e sábia. Aos olhos de Deus, Eva era tão importante e necessária quanto Adão. Embora iguais, cada qual tinha uma missão específica a cumprir. Deus, miraculosamente, meticulosamente, perfeitamente, laboriosamente, formou uma mulher com Suas próprias mãos, fazendo cada pedacinho, tão especial quanto o homem que Ele havia criado antes. Foi uma obra de arte divina.
Existe algo particularmente belo, até mesmo poético, sobre esta criação. A mulher foi feita para o homem e, por isso, poder-se-ia pensar nela como uma serva do homem. Gênesis, porém, não diz isto. Ao contrário, como coloca Matthew Henry, “a mulher foi feita da costela do lado de Adão; não da sua cabeça, para não governá-lo; nem de seus pés, para não ser pisada por ele; mas do seu lado, para ser igual a ele; debaixo de seu braço, para ser protegida; e perto do seu coração, para ser amada”.

II. A CRIAÇÃO DA MULHER

A criação de Eva por Deus está colocada dentro do contexto da história da criação. A primeira parte desta história é a preparação do homem para a chegada da mulher. Adão foi feito à imagem de Deus. Ele foi preenchido com a glória dada inicialmente por Deus. E, contudo, Deus mostrou para Adão que, em toda a ordem criada, com toda sua variedade, nenhuma criatura adequada havia para ser sua companheira.
Deus escolheu um modo fascinante para ensinar esta lição a Adão. Deus ficou lado a lado com Adão enquanto uma grande variedade de animas passava diante de Adão. Enquanto eles passavam, Adão estudava cada animal e depois lhes dava nomes. Não foi uma nomeação arbitrária. Adão observou a natureza e o relacionamento de cada animal. No fundo de sua mente ele deve ter imaginado se algum poderia ser apropriado para ser sua companheira. Contudo, nenhum havia. Como diz Gênesis 2:20: "Para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora idônea".
Depois que deu nome a todos os animais, Adão verificou que nenhum havia sido criado à imagem de Deus. Todos tinham um corpo, e mesmo, em certo sentido, uma personalidade, porém, nenhum tinha um nível de relacionamento que lhe correspondesse, que fosse à sua imagem. Sem isso, Adão não poderia ter qualquer comunhão com qualquer um deles a nível espiritual e sentimental.
Não importa quão bom fosse o relacionamento de Adão com um animal, algo ficava faltando. Talvez tenhamos um excelente relacionamento com o nosso animal de estimação. Temos com ele um grande companheirismo. Compartilhamos com ele, mostramos-lhe afeição. Mas, todo seu companheirismo tem que ser a nível de um animal de estimação, porque ele pode comunicar-se apenas nesse nível. Sem dúvida, Adão imaginava que se fosse para ter uma companhia, o companheiro ou companheira deveria ser especialmente criado por Deus à Sua imagem, exatamente como ele próprio, Adão, havia sido.
Deus poderia ter criado outro homem para ser o companheiro de Adão. Mas, a intenção de Deus era multiplicar a humanidade e preencher a Terra. Então um ser do mesmo sexo não seria apropriado. Deus, então, cria um ser semelhante, porém distinto sexualmente. Esta distinção entre o homem e a mulher é de fundamental importância; daí ter sido mencionada no texto que narra a criação do ser humano (Gn.1:27,28). É também a base para a reprovação de Deus ao homossexualismo, pois se Ele quisesse que o homem ou a mulher mantivesse relações homossexuais, teria, decerto, feito – de modo simultâneo – um casal de homens e outro de mulheres. Desde o princípio, Deus os fez “macho e fêmea” (Gn.1:27b). Afinal, a ordem para crescer e multiplicar-se sobre a Terra jamais poderia ter sido dada a dois seres do mesmo sexo.
Hoje, nos tempos pós-modernos, o homossexualismo vem sendo tolerado, aceito e até exaltado pela sociedade sem Deus. Isso é uma afronta escarnecedora ao Criador e ao seu plano para a procriação do ser humano. Trata-se de um desrespeito ao relacionamento conjugal entre homem e mulher, que se complementam em sua estrutura física, anatômica e emocional, visando, tanto à procriação em si, quanto ao legitimo prazer no âmbito do matrimonio.
Assim, Adão estava preparado para uma mulher e a mulher devia agora ser preparada para ele. Ela deveria ser criada como sua réplica perfeita no mundo.
A criação da mulher foi muito diferente da do homem; foi um ato mais elaborado e complexo do que a criação do homem. A mulher não veio diretamente do pó, mas sim do material já elaborado a partir do pó: o homem. Homem e mulher foram feitos de modo diferente, contudo, eles deveriam ser mais semelhantes do que qualquer outra coisa na criação.

1. A primeira anestesia

A mulher não foi somente feita para o homem; também ela foi feita por Deus como o seu trabalho manual especial. Gênesis 2:21-22 diz: “E o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem e este adormeceu; tomou uma das costelas e fechou o lugar com carne”.
Deus havia cumprido o Seu propósito de fazer Adão sentir a necessidade de uma companhia e, mais do que depressa, para que esta consciência não o fizesse sofrer, ter uma melancolia, fez cair sobre ele um profundo sono. Deus causou um profundo sono em Adão como um passo inicial na criação da mulher; este “sono profundo” deve ter sido algo como uma anestesia hoje.
“Então, o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu...” (Gn.2:21).
Deus anestesiou Adão pois faria nele uma delicada extração de uma parte do seu corpo (uma costela) para formação de outro ser humano, nesse caso, uma mulher, já que Adão não poderia conceber uma vida, porque não tinha útero e não havia uma mulher. Somente por meio de outro ser humano, do sexo feminino, é possível gerar outro ser humano. Isto é fato.

2. A primeira cirurgia

Tendo Adão sido anestesiado, Deus realizou a primeira cirurgia, extraindo uma das costelas de Adão e dela fazendo surgir a mulher (Gn.2:21).
“...e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar”.
Deus fez a primeira cirurgia e a primeira plástica. Deus não só operou Adão como colocou carne no lugar da costela e fechou. A cirurgia e a plástica foram bem-sucedidas, porque Ele conhece muito bem a nossa estrutura; Ele é o nosso Criador e conhece todas as partes, as mais recônditas, do nosso corpo. Os cientistas penam para decifrar a estrutura complexa do corpo humano, e ainda há parte que não foi descoberta, mas o Criador conhece todos os pormenores.
Que coisa impressionante é o DNA, conhecido como Ácido Desoxirribonucleico. Ele é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e alguns vírus, e que transmitem as características hereditárias de cada ser vivo. Deus sempre conheceu o DNA do ser humano.
Diante da impressionante complexidade do corpo humano é impossível pensar que somos fruto do acaso. Só um ser poderoso, majestoso e infinito poderia gerar essa complexidade do corpo humano. Só uma mente onisciente, e um ser infinitamente supremo, pode dar respostas lógicas à origem da vida e do homem.
"No princípio, criou Deus os céus e a terra [...] E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou" (Gn.1:1,27).
Numa visão extraordinária da formação do seu corpo, o salmista do Salmo 139, poeticamente, assim expressou-se:
“Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Salmos 139:14-16).

3. A primeira engenharia genética

Da costela de Adão, Deus então “fez” - literalmente, em hebraico, “edificou” ou “construiu” uma mulher, Eva, a primeira mulher do mundo.
“E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão” (Gn.2:22).
É bom enfatizar que, neste processo criativo, não se pode considerar uma clonagem humana. Aqui, houve, de fato, uma criação de uma pessoa autônoma e consciente de sua existência e missão ao lado do seu marido, Adão. Deus a criou e “trouxe-a a Adão”. Ao cria-la, o Deus Pai apresentou ao homem a mulher que Suas próprias mãos tinham cuidadosamente formado. Ele “a trouxe para o homem” (Gn.2:22), o que é uma frase especial em hebraico que significa “apresentou-a ou conduziu-a ao homem”. A palavra também implica numa entrega solene, formal, da mulher dentro dos vínculos do pacto matrimonial, que Provérbios 2:17 chama “o pacto de Deus”.
Ao trazer a mulher para o homem, Deus estabeleceu o casamento como a primeira, a mais fundamental das instituições humanas. Antes que houvessem governos ou igrejas ou escolas ou quaisquer outras estruturas sociais, Deus estabeleceu uma família baseada no respeito e no amor mútuos de um esposo e uma esposa. Todas as outras instituições humanas derivam-se desta.
-Da autoridade do pai vieram os sistemas patriarcais de governo humano, os quais eventualmente dariam origem às monarquias e democracias.
-Da responsabilidade dos pais para educar seus filhos vieram os sistemas de educação mais formais que chamamos escolas e colégios.
-Da necessidade de cuidar da saúde da família vieram os médicos e os hospitais.
-Da obrigação dos pais de treinarem seus filhos no conhecimento de Deus vieram templos, sinagogas e igrejas.
Todas as organizações humanas podem ser acompanhadas, retrospectivamente, até o lar, a família e, finalmente, até o casamento.
Adão, ao despertar de sua “anestesia”, reconheceu Eva imediatamente como sua companheira - o complemente perfeito para a necessidade que havia sido despertada nele. Em resposta ele explodiu numa espécie de canção nupcial, celebrando sua similaridade e união com a mulher, ao dar-lhe um nome. Adão diz: “Esta é agora” (Gn.2:23a), isto é, “desta vez” - agora, finalmente, Adão encontra aquela que lhe corresponde. Adão, por revelação divina, percebeu que a mulher havia sido tirada dele.
Seu ato de dar o nome “varoa” à sua esposa reforçou sua liderança e autoridade sobre ela, mas seu nome indicou também que ele compreendeu a igualdade dela com ele, como sua parceira. O milagre divino testemunhado por Adão encheu-o de alegria inexprimível, inspirando-lhe o lindo brado poético:
“E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn.2:23).

III. A MISSÃO DA MULHER

Por muitos séculos a mulher foi excluída, colocada à margem da sociedade, vivendo sob o jugo do preconceito, da indiferença. No Antigo Testamento, as mulheres ficavam à parte quando havia visitantes (Gn.18:9). Segundo o Dicionário Bíblico Wycliffe, "na sociedade hebraica a mulher era considerada parte da propriedade de um homem" (Gn.31:14,15; Rt.4:5,10). Os textos de Juízes 19:24, 29 mostram um pouco do abuso e da violência a que as mulheres eram submetidas. No Novo Testamento, no Templo de Herodes, elas ficavam separadas em um local chamado de "pátio das mulheres".
Porém, o Criador sempre amou e honrou as mulheres. Jesus Cristo quebrou vários paradigmas ao ensinar e evangelizar as mulheres (João 4:10-26; 11:20-27). Ele abriu as portas das prisões sociais e valorizou a mulher como ninguém tinha feito. Ele livremente admitia as mulheres à comunhão e aceitava o serviço delas, como se vê no registro de Lucas 8:1-3. Ele rompeu com a prática do judaísmo, que afastava as mulheres dos assuntos religiosos.

1. A missão de esposa

Certamente, esta foi a primeira missão dada à mulher após ser criada. Adão, ao recebê-la, compôs este poema: "Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada" (Gn.2:23).
Como esposa, a mulher exerce vários papeis imprescindíveis para que o relacionamento entre os dois tenha frutos desejáveis. Como esposa, a mulher deve apoiar seu marido; deve ser uma amiga, uma conselheira, uma intercessora, uma aliviadora de tensões, uma gerente virtuosa no seu lar (Pv.31). Em outras palavras, na mesma medida em que o marido vive para sua esposa, sua esposa deve viver para o seu marido, cuidando um do outro, velando um pelo outro, abençoando um ao outro; agindo assim, o casamento encontra o seu pleno e maiúsculo significado. Todavia, se a esposa não for sábia e idônea, acabará por destruir o esposo e os filhos com as próprias mãos – “Toda mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola derriba-a com as suas mãos” (Pv.14:1).

2. A missão de mãe

Ser mãe é a mais sublime missão. As mulheres ficam mais femininas quando são mães. Se essa missão chegar a faltar, a sociedade com certeza se degenerará. Muitas mulheres, hoje, não querem assumir essa missão tão nobre dada por Deus.
A Palavra de Deus ensina que gerar vida é exclusivamente feminino. Todas as mulheres são filhas de Eva, cujo nome é revelado em Gênesis 3:20, que significa “mãe de todos os viventes”. Assim como Eva, foi dado a cada uma das mulheres um corpo projetado para gerar vida. Elas são lembradas disso todos os meses com o armazenamento e passagem de sangue necessário para a nutrição do recém-nascido. Os seus seios têm a faculdade de nutrir o recém-nascido. As mulheres que ficam grávidas e dão à luz experimentam a plena realização desses dons e fazem a descoberta magnificamente pessoal de que uma criança depende completamente do corpo da mãe para a própria vida. Mas há muitas mulheres que nunca dão à luz, cuja maternidade se estenderá necessariamente aos que não são seus filhos. Não é o processo de gravidez e parto que torna uma mulher mãe. Inúmeras crianças no mundo inteiro estão chorando por um toque feminino e materno.
Como mãe, a mulher é:
ü  Educadora. “Toda mulher sábia edifica sua casa, mas a tola derruba-a com a suas mãos”(Pv.14:1). A primeira e grande tarefa que a esposa tem como adjutora, na edificação do lar é na criação e educação dos filhos ao lado do marido. Isso não é pouca coisa. Diz um provérbio: “Quem educa um homem, educa uma esposa. Quem educa uma mulher, educa uma nação”. Explicando: Uma mãe, quando cônscia do seu dever de mãe, contribui com parcela ponderável de sua vida na edificação moral e espiritual dos seus filhos que, no futuro, serão cidadãos úteis à nação e à Igreja. Na Igreja Primitiva, as irmãs Lóide e Eunice, respectivamente, avó e mãe do pastor Timóteo, tornaram-se referências na educação e formação de filhos (2Tm.2:5). A educação espiritual que essas mulheres deram a Timóteo foi de grande importância para que ele se tornasse um dos maiores líderes de confiança do apóstolo Paulo.
ü  Afetuosa. Em Provérbios 31:28 está escrito: “Levantam-se seus filhos, e chamam-na bem-aventurada...”. Este texto nos induz a entender que, como mãe, esta mulher virtuosa tratava a sua família com bastante afeto e atenção. Atualmente, afeto é um “produto” em extinção; quando isto é manifestado, faz-se à distância, por meios virtuais (facebook, WhatsApp, por exemplos), e outros não demonstram carinho algum pelos seus filhos, são brutos e egoístas; o indiferentismo é implacável! Como será o futuro das famílias daqui a 15 anos? Nem quero imaginar! É bom ressaltar que uma das grandes causas da delinquência juvenil pode ser encontrada na ausência de afetividade na infância por parte dos seus pais.

3. A missão de adjutora

Gênesis 2:18 diz que Deus planejou uma “ajudadora que esteja como diante dele”; em outra tradução: “ajudadora idônea” (Gn.2:18). A palavra idônea, aqui, significa “[mulher] que lhe correspondia”. A ideia é que homem e mulher formem um casal igualmente valioso. São diferentes entre si em função, de maneira que não se opõem, mas se apoiam, se complementam. A palavra “ajudadora” implica o suporte e a ajuda, mas não a inferioridade. O próprio Deus é chamado de ajudador de Israel no Salmo 121. Um comentarista antigo disse que Deus não fez a mulher da cabeça do homem para não ser superior ao homem, nem do pé para não ser inferior ao homem, mas da costela para estar ao seu lado e receber honra pelo seu valor e função.
Cada homem que já encontrou a mulher que lhe completou deve louvar a Deus por isso e se esforçar por trata-la do jeito que ela merece e com a igualdade e dignidade que podem ser encontradas na história de usa formação.

4. A missão de Administradora do Lar

“Ainda de noite, se levanta e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas”(Pv.31:15); “Olha pelo governo de sua casa e não come o pão da preguiça” (Pv.31:27).
A mulher virtuosa, como diz o texto sagrado, ama administrar sua casa. É fundamental que a mulher execute as tarefas que lhes são cometidas dentro do lar, entre os quais destacam-se a provisão da alimentação e das demais necessidades.
O modelo tradicional de família, já hoje quase inexistente, cometia ao marido o trabalho fora de casa, e à mulher o trabalho dentro de casa. Hoje em dia, em virtude da necessidade de ambos os cônjuges trabalharem, para que haja o mínimo de conforto na vida da família, é preciso que haja uma distribuição de tarefas entre os cônjuges, o que não é biblicamente condenado, como alguns “machistas” têm entendido. De qualquer modo, o controle das tarefas dentro de casa tem de ser da mulher, pois, como dizem as Escrituras, a mulher virtuosa “ainda de noite se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas” (Pv.31:15).
É imperioso que a mulher tenha sob seu controle estas atividades domésticas, pois isto faz parte da sua sensibilidade e intuição, e é fundamental para que o marido possa bem desempenhar as suas atividades, bem assim os filhos. A imagem social do marido está vinculada a isto (Pv.31:23), bem assim o da própria mulher (Pv.31:28,29).

5. A missão como súdita do Reino de Deus

As mulheres sempre estiveram ao lado do Senhor Jesus. Desde o seu nascimento, elas o acompanhavam. Quando Ele foi apresentado no templo, a Bíblia relata que ali estava a profetisa Ana, segundo registro de Lucas 2:36-38.
-Elas o serviam: “Então Maria, tomando uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pós de Jesus e enxugou-lhe com os cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12:3).
-Elas contribuíam com suas ofertas: “… e também o seguiam algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas” (Lc.8:2-3).
-Elas estavam presentes na sua morte e também na sua ressurreição - Mateus 27:55,56 relata: “Estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que o tinham seguido desde a Galileia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José e mãe dos filhos de Zebedeu”. Foi a uma mulher que Jesus apareceu pela primeira vez após a ressurreição: “Disse-lhe Jesus: Maria. Ela, voltando-se, disse-lhe: Mestre... Maria foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor” (João 20:15-18).
Portanto, a presença feminina no ministério de Jesus é indubitável. Elas são, portanto, fiéis súditas do Reino de Deus.

CONCLUSÃO

Eva foi criada como uma mulher perfeita e bela, certamente! Que mulher admirável ela deve ter sido! A despeito da excelência física, mental e moral de Eva, o texto sagrado afirma que ela foi feita “uma auxiliadora idônea [ou adequada] para Adão. Nesta condição perfeita pré-queda, toda mulher tem um indício para sua posição única, dada por Deus, no casamento. Ela tem a nobre missão de auxiliar e completar o homem na formação da família e da sociedade. Sozinhos e isolados, tendem a desaparecer e, por conseguinte, toda a raça humana. Além disso, no convívio matrimonial, o respeito mútuo deve existir, sem reservas, pois isto é um mandamento bíblico; caso contrário, as orações do casal serão impedidas (1Pd.3:7) –“Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus coerdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações”. Pense nisso!

ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM

Texto Base: Gênesis 2:1-8

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

Gênesis 2:
1.Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados.
2.E, havendo Deus acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
3.E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que
Deus criara e fizera.
4.Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o SENHOR Deus fez a terra e os céus.
5.Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.
6.Um vapor, porém, subia da terra e regava toda a face da terra.
7.E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.
8.E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado.

INTRODUÇÃO

É com muito prazer que damos início a mais um trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical. Estudaremos a respeito da doutrina bíblica do homem. Nesta primeira Aula, trataremos de Adão, o primeiro homem criado por Deus. Na verdade, o primeiro homem não foi criado, mas, sim, formado (Gn.2:7). Toda a criação de Deus teve como matéria prima o “nada”, mas para formar o homem, Deus usou de algo já existente: o pó da superfície da Terra (Gn.2:7). Essa criatura é diferente de tudo que Deus criou - Ele foi formado à imagem de Deus, conforme a Sua semelhança (Gn.1:26), tendo similitude geral com Ele, mas não sendo uma duplicata exata. Não era para ele ser um pequeno Deus, mas definitivamente tinha de estar relacionado com Deus e ser o portador das características distintivas espirituais que o marcariam exclusivamente como ser superior aos animais. À base dessa imagem, podiam comunicar-se com Deus, ter comunhão com Ele e expressar de modo incomparável o seu amor, glória e santidade. Enfim, Deus criou o homem para que tivesse autoconsciência, autodeterminação e santidade interior (Ec.7:29; Ef.4:24; Cl.3:10).
“Vede, isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele buscou muitas invenções” (Ec.7:29).
A CAPA DA REVISTA
Conforme argumento do Dr. Caramuru Afonso Francisco, no PortalEBD, a Capa do trimestre apresenta uma ilustração do cego Bartimeu no momento em que era curado pelo Senhor Jesus, o qual teria imposto suas mãos e feito aquele habitante de Jericó tornar a ver (Mt.20:29-34; Mc.10:46-52; Lc.18:35-43). Com a utilização desta ilustração, quer-se mostrar que, a exemplo daquele cego, o ser humano estava espiritualmente cego depois da queda, e que somente Jesus pode fazer com que este homem volte a ter a visão espiritual. Como afirmou o apóstolo Paulo, é o resplandecer da luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus, que faz com que todo o homem possa contemplar a manifestação da verdade (2Co.4:1-5).

O TRIMESTRE PODE SER DIVIDIDO EM QUATRO BLOCOS
-O primeiro bloco – Lições 01 e 02. Fala-nos da origem do homem, abordando o primeiro homem e a primeira mulher.
-O segundo bloco – Lições 03 a 06. Cuida da humanidade, abordando a natureza, os atributos, a unidade da raça humana e a sexualidade.
-O terceiro bloco – Lições 07 a 09. Trata da queda do homem e de suas consequências.
-O quarto bloco – Lições 10 a 13. Fala da redenção da humanidade segundo o projeto divino da salvação, inclusive fazendo a análise tanto do homem do pecado, o Anticristo, protótipo dos ímpios, como de Jesus Cristo, que não só é o Redentor, mas o exemplo a ser seguido, mostrando, ainda, como o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

I. A DOUTRINA BÍBLICA DO HOMEM

Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Estas são perguntas que inquietam aqueles que se debruçam sobre a realidade à sua volta. Os filósofos, em sua maioria absoluta, formada por materialistas, ateístas ou pretensos agnósticos, respondem que o homem é apenas um “animal que pensa”, ou fruto da evolução aleatória das espécies. Eles atribuem a existência do ser humano ao acaso, como se fosse descendente de um animal irracional, que teria evoluído de um microrganismo unicelular que povoara as águas dos mares. Todavia, a Bíblia Sagrada é clara e contundente: o ser humano teve sua origem em Deus (Gn.1:26; 2:7). Num tempo que não podemos determinar, a Trindade Santa se reuniu e decidiu formar o homem: “Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).

1. Doutrina Bíblia do Homem

A Doutrina Bíblica do Homem é chamada de Antropologia, do grego antropos que significa homem logia, que significa estudo, portanto, estudo do homem. A estudar essa doutrina, temos que refletir sobre a origem do homem, sua constituição, sua finalidade, seu destino final e como ele se relaciona com outros homens e com Deus.
A Antropologia humana exalta a teoria da evolução das espécies, por meio do acaso e da chamada “seleção natural”. A Antropologia bíblica fundamenta-se na Palavra de Deus, que afirma categoricamente: “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.1:26; 2:7). Esse é o ponto de partida, diante do qual o cristão, que crê na revelação divina, jamais se renderá diante de teorias humanas, evasivas, materialistas, contrárias às Escrituras Sagradas.

2. Fundamento

O principal fundamento da doutrina bíblica do homem encontra-se nas Escrituras Sagradas, que é a fidedigna Constituição e infalível regra de fé e prática do povo de Deus nesta Terra. Qualquer outro documento é considerado apenas um tratado ordinário, passível de alteração ao longo do tempo, e que deve estar estritamente balizado na Palavra de Deus.
-A Criação do Homem difere das outras criações. Quando Deus criou os animas, os peixes as estrelas, o sol e a lua, Deus utilizou o verbo, a palavra, para criar tudo no universo infinito e na terra; exemplo: “E disse Deus haja luz. E disse Deus haja um firmamento no meio das águas. E Disse Deus haja luminares no firmamento do céu (Gn.1:3,7,14); mas, na criação do homem Deus utilizou de material já existente para fazer o corpo físico – o pó da terra -, e, na parte espiritual, soprou em suas narinas, e o homem tornou-se alma vivente (Gn.2:7).
-O Homem foi criado superior aos outros seres vivos. Quando Deus criou o homem, ele já havia criado todos os outros seres vivos, as plantas, os peixes, os animais, e por isso Deus fez o homem superior a tudo o que existia até então, e os deu ao homem, e disse: “dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves do céu, e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra” (Gn.1:28). O homem desde a sua criação é superior a tudo na terra; entre o homem e as demais criaturas existem uma grande diferença: o homem possui um nível muito elevado intelectual, moral e espiritual (Gn.1:31, 2:19,20, Salmo 8:4-8).

3. Objetivos

Por que o estudo do homem é importante? Porque nos ajuda a entender como Deus planejou se relacionar conosco e o que Ele espera de nós. Um outro fato importante é o discernimento que essa doutrina nos dá quando a compreensão bíblica do homem é confrontada pela opinião e exposição das outras ciências afins como a psicologia e a sociologia.
A Lição Bíblica do Mestre apresenta 04(quatro) objetivos, que exponho:
ü  Responder às perguntas do ser humano: Quem sou eu? De onde vim? O que represento? Qual a minha missão? E para onde vou?
ü  Mostrar a dependência do homem em relação a Deus, o Criador e o Mantenedor de toda as coisas.
ü  Levar o homem a reatar a sua comunhão com Deus através de Jesus Cristo, o Homem Perfeito.
ü  Consolar-nos quanto ao nosso destino eterno por meio do sacrifício de Jesus no Calvário – Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.

II. A CRIAÇÃO DOS CÉUS E DA TERRA

A criação dos Céus e da Terra é um fato histórico que aconteceu exatamente como está escrito no Livro de Gênesis. Por que Deus criou tudo isto? Simplesmente porque Ele é livre para criar, e seu propósito baseia-se no fato da eterna bondade que Ele manifesta para sua criação. Ao criar o universo, não significa que Deus precisasse de alguma coisa para si, já que Ele possui tudo (Salmos 24:1). Ele criou todas as coisas para manifestação da sua glória (Sl.19:1-5; Is.6:3; 43:7). A criação da Terra foi aplaudida pelos anjos, os quais foram criados antes da criação do mundo material, conforme Deus revelou a Jó: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? ... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4,7).

1. A criação dos Céus e dos anjos

“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus; e todo o exército deles, pelo espírito da sua boca” (Sl.33:6).
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).
a) A criação dos Céus (Gn.1:1; Sl.33:6)
É através dos céus que nós podemos entender a grandeza de Deus, ver o Seu grande poder e como Ele é maravilhoso. Vemos que Deus fez os céus e o céu dos céus, porque Ele é o único Criador, criou tudo para a Sua glória, e para mostrar a todos os incrédulos e também aos seus inimigos (Satanás e os seus demônios) que Ele é o único, e que tudo foi feito por Ele e para Ele.
A Palavra de Deus mostra que não existe apenas um céu; o texto sagrado fala em “céus”, no plural:
“Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR, teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).
“Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados” (Gn.1:1).
“Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus...” (Sl.33:6).
O apóstolo Paulo narra uma experiência que teve em sua vida, em que ele foi arrebatado até o terceiro Céu; isto nos faz entender que não existe apenas um céu, mas sim três céus.
“Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu” (2Co.12:1,2).
a.1) O Primeiro Céu: o Firmamento. É onde se encontram os planetas e as estrelas agrupadas em constelações, e estas em galáxias (Gn.1:16,17). Segundo os estudiosos deste assunto, existem, no mínimo, 2 trilhões de galáxias espalhados pelo universo observável, contendo mais estrelas do que grão de areia no planeta Terra. Os planetas giram em torno do sol, e junto com as demais estrelas, giram em torno de um ponto comum no meio da galáxia. Todos os planetas e estrelas têm o seu percurso perfeitamente traçado, onde se revolvem em perfeita simetria. Assim como os planetas, também, as galáxias têm o seu percurso, onde giram em torno de um ponto central do universo. Os cientistas não sabem o que é este centro do universo que mantém as galáxias ligadas a ele por uma força imaginavelmente poderosa; contudo, a Bíblia nos afirma que Deus é quem comanda todas estas estrelas, planetas e galáxias, girando harmoniosamente em volta do Seu trono.
a.2) O Segundo Céu: as Regiões Celestes (Ef.6:2) – “porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”.
Estas regiões celestes ou celestiais não podem ser vistas com olhos carnais. É um céu onde se encontram tudo o que é espiritual. É também onde os anjos de Deus travam as batalhas espirituais com Satanás e seus demônios (Dn.10:1-13; Ap.12:7). É o lugar onde se encontram os anjos e os demônios os quais não podemos ver com olhos humanos. É onde Satanás e seus demônios planejam as suas estratégias, para derrubar os crentes e destruir igrejas inteiras. Mas também é o lugar onde os anjos de Deus estão a todo o momento preparado para nos defender (Sl.34:7,8; Hb.1:14; 1Pd.5:8;).
“Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb.1:14).
a.3) O Terceiro Céu: A morada de Deus – O Céu dos céus (Dt.10:14). Este é o lugar que Deus escolheu para estabelecer o seu Trono, a Sua habitação (Dt.26:15; Is.66:1; Is.63:15; Sl.47:8; Sl.103:19). Embora a Bíblia diga que Deus é Onipresente, e Ele enche toda a Terra, e está em todo lugar, o Céu dos Céus é o lugar de Sua habitação (Dt.26:15).
“Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono...(Is.66:1).
“Olha desde a tua santa habitação, desde o céu, e abençoa o teu povo...” (Dt.26:15).
“Deus reina sobre as nações; Deus se assenta sobre o trono da sua santidade” (Sl.47:8).
“O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl.103:19).
Neste lugar encontra-se o Paraiso (2Co.12:3,4). O apóstolo Paulo narra a experiência que teve, quando foi arrebatado até este maravilhoso lugar (2Co.12:3,4); lugar este aonde estaremos brevemente a esperar a ressurreição por ocasião da vinda do Senhor Jesus (1Ts.4:16,17):
“E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar”.
Como o relato deixa claro, o lugar visitado por Paulo é o mesmo para o qual o Senhor Jesus levou o ladrão arrependido depois da morte deste último, ou seja, o lugar onde Deus habita. Paulo ouviu a língua do Paraíso e entendeu as palavras, mas foi proibido de repeti-las aqui na Terra. As palavras eram inefáveis no sentido de que eram sagradas demais para serem proferidas e, portanto, não deviam ser anunciadas.
Um Dia todos nós, os remidos pelo sangue de Jesus Cristo, estaremos com o Senhor neste Terceiro Céu, onde bem de perto ouviremos e participaremos destas palavras inefáveis, juntamente com todos os santos de todos os tempos e com os anjos de Deus. Neste lugar estaremos livres do poder e da presença do pecado; lá não sofreremos mais as acusações de Satanás; lá não haverá mais dor, tristeza e morte, e juntos com os anjos e nossos irmãos em Cristo, teremos felicidade plena e indelével, e estaremos glorificando o Senhor Jesus Cristo e o nosso Deus Pai para sempre.
“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap.21:4).
b) A criação dos anjos (Sl.33:6)
Após criar os Céus, Deus criou os seres espirituais, os anjos. Os anjos são, assim como os homens, criaturas de Deus. Gênesis 1:1 e Colossenses 1:16 são incisivos ao mostrar que Deus foi o criador dos anjos, de forma que os anjos são criaturas, ou seja, seres inferiores a Deus, embora sejam superiores aos homens. Isto é muito importante, pois não temos como confundir os anjos com o próprio Deus, nem podemos atribuir a anjos quaisquer atributos divinos, pois Deus é o criador, enquanto os anjos são apenas criaturas.
Por serem espirituais, ou seja, ao contrário do homem que é formado de uma parte material (corpo) e de outra parte imaterial (alma e espírito), os anjos são puro espírito. O escritor da carta aos hebreus diz que os anjos são “espíritos ministradores enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb.1:14).
Por serem espirituais, os anjos não estão sujeitos às leis da física, podendo aparecer e desaparecer (Jz.6:21; Lc.1:11; 2:13), contrariar a lei da gravidade (Jz.13:20), ter poder de ferir milhares de pessoas ao mesmo tempo (2Sm.24:16,17; 2Rs.19:35; 1Cr.21:16; 2Cr.32:21; Is.37:36), fechar a boca de leões famintos (Dn.6:22), remover grandes pedras (Mt.28:2), fazer emudecer (Lc.1:20), entrar e sair de lugares que estavam e continuaram fechados (At.5:19; 12:7-11), ferir uma pessoa em particular de modo fulminante e fatal (At.12:23), entre outros poderes, a mostrar que as leis vigentes para o mundo físico e material não atingem estes seres, já que são puramente imateriais.
Por não possuírem limitações físicas, a "lei da gravidade" não exerce qualquer influência sobre os anjos. Pela falta de gravidade de seus corpos espirituais, os anjos podem locomover-se de um lugar para outro com extrema rapidez.
Por serem superiores à matéria, os anjos podem tomar formas humanas para se fazerem perceptíveis aos sentidos físicos do homem, se houver necessidade. A Bíblia registra várias aparições de anjos; exemplos: feitas a Abraão, Ló, Jacó, Josué, Pedro, Paulo (Gn.18:1-10; 28:10-22; Js.5:13-15; Atos 12:7,8; 27:23).
Por serem plenamente espirituais, os anjos também são assexuados, ou seja, não são nem do sexo masculino, muito menos do sexo feminino. Assim, a sexualidade é uma característica exclusiva da dimensão terrena, sendo algo que não tem correspondência na dimensão celestial, como, a propósito, bem nos ensinou o Senhor Jesus em Seu diálogo com os saduceus (Mt.22:29,30; 12:25). Não há, portanto, “anjos do sexo masculino” nem tampouco “anjas”.

2. A criação da Terra (Gn.1:1; Sl.33:6) - Deus a criou com inigualável sabedoria

“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn.1:1).
Observe que a Bíblia não diz que no princípio começou Deus a criar a Terra, e que após milhões, bilhões de anos, em sucessivas eras geológicas, a Terra ficou pronta para ser habitada. Não. A Bíblia diz que “no princípio criou Deus os céus e a Terra” (Gn.1:1). Deus não precisa de tempo para criar, para fazer, para aperfeiçoar alguma obra Sua. Sendo um Deus perfeito e Todo Poderoso, num só ato Ele cria ou faz uma obra perfeita, sem necessidade de acabamentos ou retoques.
A Terra que Deus criou era acabada, perfeita e bela
A Palavra de Deus afirma que Deus é perfeito e que não há imperfeição naquilo que Ele faz.
“Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são. Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt.32:4).
Deus jamais chamaria de “céus e terra” um número infinito de átomos isolados e que se aglutinariam num tempo indeterminado, uma quantidade quase infinita de poeira cósmica jogada no espaço de forma aleatória. Não. De maneira alguma isso foi considerado “céus e terra” pelo Espírito Santo de Deus, no princípio. No princípio, a Terra que Deus criou era uma Terra acabada, perfeita e bela.
Os anjos foram os primeiros seres vivos a contemplarem a Terra tal como Deus a criou. Certamente, o que eles viram não foi uma Terra “sem forma e vazia”, coberta pelas águas (Gn.1:2). Na expressão do próprio Criador, os anjos, chamados de “estrelas da alva” e “filhos de Deus”, ao contemplarem a Terra recém-criada, rejubilaram e alegremente louvaram a Deus. Veja este depoimento dado pelo próprio Deus, falando a Jó:
“Onde estavas tu, quando eu fundava a Terra? Faze-me saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?” (Jó 38:4-7).
Deus criou a Terra para ser habitada
Pela informação que nos dá a Palavra de Deus e de forma clara narrada pelo profeta Isaías, Deus criou a Terra para ser habitada.
 “Porque assim diz o Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a Terra, e a fez, ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada. Eu sou o Senhor e não há outro” (Is.45:18).
-Num primeiro momento, segundo tudo indica, ao criar a Terra Deus entregou o seu governo a um Querubim ungido (Ez.28:14). Esse Querubim falhou, pecou, e, em consequência, a Terra se tornou “sem forma e vazia” (Gn.1:2).
-Num segundo momento, Deus restaurou a Terra, devolvendo-lhe suas características originais. E para cuidar dela, Deus criou o homem, um ser diferente de todas as demais criaturas que já havia criado. O homem permanece cuidando da Terra e o fará até que o Senhor Jesus Cristo venha para implantar o Seu Reino milenar sobre ela.
No princípio, Deus constituiu um Querubim para cuidar da Terra original
Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas” (Ez.28:14).
A Terra era como um Paraíso, reconhecida como sendo o Monte santo. É claro que não se pode afirmar com verdade matemática, mas, por inferência de várias passagens bíblicas, podemos entender que Deus entregou o governo da Terra original a um Querubim ungido e a seus anjos. É claro que respeitamos as opiniões contrárias. Esse “Querubim ungido” era como estrela radiante, ou “estrela da manhã, filha da alva!” (Is.14:12), razão porque convencionou-se chamá-lo de Lúcifer. Não há como determinar, nem mesmo imaginar, por quanto tempo a Terra original permaneceu tal como fora feita pelas mãos de Deus.
A Terra Original foi subvertida, transformada em caos, como consequência do pecado de Lúcifer
“E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono ... Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” (Is.14:13,14).
Em consequência deste ato tresloucado de Lúcifer querendo destronar o Criador, o juízo de Deus foi tão grande contra ele que alcançou também a própria Terra, a qual passou a ser vista tal como descrita em Gênesis 1:2 - “E a terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”. Neste estado, a Terra é conhecida como Terra caótica. A Terra que Deus criara, perfeita e bela, foi transtornada.
A Terra foi submersa pelas águas e envolta na escuridão. Porém, com muita propriedade, a Palavra de Deus afirma que “o Espírito de Deus se movia sobre a face da água”. Isto pode significar que a presença de Deus ali estava para garantir o seu direito de propriedade sobre a Terra. Satanás nunca se tornou senhor, ou proprietário dela. A Terra sempre foi propriedade exclusiva de Deus.
“Eis que os céus e os céus dos céus são do Senhor teu Deus, a terra e tudo o que nela há” (Dt.10:14).
“Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl.24:1).
Não se pode quantificar em números – em séculos ou milênios, em milhões, talvez bilhões de anos -, o tempo em que a Terra permaneceu neste estado caótico - “sem forma e vazia”. Porém é certo que ela permaneceu o tempo suficiente para cobrir todas as eras geológicas defendidas pela ciência. Afirma a maioria dos comentaristas que a Terra original era povoada por animais, mas, não pelo homem. Isto justificaria o encontro de fósseis com milhões ou bilhões de anos.
A Terra foi restaurada em seis dias
Após o estado caótico, Deus não criou novos céus e nem uma nova Terra. A expressão “criar”, do verbo hebraico, “barah” - no sentido de trazer à existência algo que antes não existia, ou trazer do nada, ou fazer existir aquilo que não é material -, somente é usada três vezes no capítulo 1 de Gênesis - versículos 1,21 e 27.
Em relação à Terra, no terceiro dia, não há qualquer menção do verbo criar ou “barah”. Isto significa que Deus não criou uma nova Terra, mas, restaurou aquela que ele havia criado “no princípio”, e que tinha sido transtornada como consequência do pecado de Lúcifer, sendo envolta em escuridão e coberta pelas águas. Em razão disto, Deus ordenou:
“... ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi” (Gn.1:9).
Portanto, a Terra já existia, apenas estava encoberta pelas águas.
“E chamou Deus a porção seca Terra, e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu Deus que era muito bom” (Gn.1:10).
A Terra foi coberta pelo verde da vegetação
Mais uma vez, em Gênesis 1:11, não aparece o verbo criar, ou “barah”. Isto significa que Deus não criou novas plantas, mas, que ordenou às sementes de todas as plantas que antes existiam na Terra original, e que permaneceram em estado latente para que germinassem.
“E disse Deus: produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera cuja semente está nela conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã o dia terceiro” (Gn.1:11-13).
Assim, a antiga Terra, criada por Deus, “no princípio”, após permanecer em estado caótico por um tempo que só Deus conhece sua duração, está finalmente renovada e pronta para ser habitada outra vez.
Após tudo isto, ou seja, a restauração da Terra, Deus formou o homem para cuidar de tudo aquilo que Deus criou e que estava sobre a Terra
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).

III. A CRIAÇÃO DE ADÃO, O PRIMEIRO SER HUMANO

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn.1:26).
“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn.1:27).
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).
Há três palavras-chave para a atividade criadora de Deus nestes textos: criar, fazer e formar. Esses três verbos definem o caráter da obra criadora de Deus, que tanto criou do nada, como formou criaturas daquilo que criara anteriormente.
É bom enfatizar que o capítulo 2 não é um outro relato da criação nem uma continuação do capítulo 1; não é independente, mas dependente do primeiro, ampliando e explicando uma das atividades de Deus que apenas foi citada no relato anterior. É como se o ator de Gênesis desse um zoom no versículo 27 do capitulo 1, usando o versículo 7 do capitulo 2:
“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn.2:7).
Refletir sobre a formação do homem requer um estudo de Genesis 2:7. Vamos começar com o verbo que descreve a atividade de Deus: formar. A mesma palavra empregada para o oleiro que molda o vaso (cf. Is.29:16; Jr.18:4-6). A palavra descreve a ação de um Criador habilidoso que molda a coroa da Sua criação e sopra vida nela. O material usado é o mesmo que o oleiro usa para formar o vaso: o pó da superfície da terra que dá o barro, que pode ser moldado e mantém a forma do molde. Essa figura é tão importante que é usada no restante do Antigo Testamento ao mencionar aspectos específicos da natureza do homem e de seus relacionamentos. Vamos ver algumas passagens bíblicas:
ü  Deus é o oleiro que forma Israel (Jr.18:6).
ü  O pó é a origem e o destino final do homem (Gn.3:19).
ü  O homem é frágil por causa do material de que foi feito (Sl.103:14).
Se pararmos para refletir, o homem (em hebraico adam) e terra (em hebraico adamah) estão sempre em pares na sua história. Em Gênesis 2, o homem é formado da terra, depois recebe a ordem de cultivá-la, da terra virá também o seu alimento, e por fim, a terra é a sua casa depois da morte (Gn.3:19).

1. O concílio da Divindade sobre a criação do homem

A criação do ser humano foi uma decisão amorosa e soberana da Santistíssima Trindade: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gn.1:26). O verbo “fazer”, na primeira pessoa do imperativo, no plural, denota que o Criador não estava sozinho, na criação do homem. A compreensão humana não alcança a grandeza daquele momento único e singular, totalmente distinto de todo processo criador dos demais seres. Apesar disso, pode-se entender que, num ponto do planeta, no Oriente, Deus (o Pai, o Filho e o Espírito Santo) se reuniram solenemente para fazer surgir o novo ser: o homem à imagem e semelhança de Deus, obra prima da criação, que haveria de revolucionar toda a criação. O fato de que os membros da Trindade falaram entre si indica que este foi um ato transcendental e a consumação da obra criadora.
“...o homem à nossa imagem...”. Que significa isto? Não se refere a aspecto físico, já que Deus é espírito, e não tem corpo. A imagem de Deus no homem tem quatro aspectos: (a) somente o homem recebeu o sopro de Deus, e, portanto, tem um espírito imortal, por meio do qual pode ter comunhão com Deus; (b) é um ser moral, não obrigado a obedecer a seus instintos, como os animais, porém possui livre-arbítrio e consciência; (c) é um ser racional, com capacida­de para pensar no abstrato e formar ideias; (d) é um ser que tem domínio sobre a natureza e sobre os seres vivos, à semelhança de Deus; é o representante de Deus, investido de autoridade e domínio (Gn.1:26), como visível monarca e cabeça do mundo.

2. A matéria prima do homem

O corpo do homem foi formado do pó da terra, à semelhança do que se deu com os animais (Gn.2:7,19), o que nos ensina que ele se relaciona com as outras criaturas. Não obstante, não há elo biológico entre o homem e os animais.
A ciência tem demonstrado que a substância do corpo humano contém os mesmos elementos químicos do solo. Seu nome em hebraico "Adão" (homem), é semelhante a "Adama" (solo). Usa-se a palavra "bara" (criar algo sem precedentes) em Gn.1:27, que indica que sua criação foi algo especial.
Gênesis 2:7 diz: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra…". A palavra "formou" dá, no original, a ideia de "manipulação", trabalho com as mãos.
Que o corpo do homem é feito do pó da terra não se pode negar, cientificamente. Eis a sua constituição segundo os estudiosos deste assunto:
Constituinte
% no Corpo Humano
Oxigênio
66,0
Carvão
17,5
Hidrogênio
10,2
Cálcio
1,6
Fósforo
0,9
Potássio
0,4
Sódio
0,9
Cloro
0,3
Magnésio
0,105
Ferro
0,005
Iodo
0,005
Flúor
0,005
Outros elementos
Idem

3. O sopro divino (Gn.2:7)

“E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”.
O fôlego de vida soprado por Deus não é o ar que conhecemos, mas a própria vida dada ao homem, a própria imagem e semelhança de Deus. O homem é imagem e semelhança de Deus exatamente porque Deus lhe imprimiu algo de Sua essência, algo que veio diretamente dEle, ao contrário do restante da criação, que foi feito a partir da vontade divina expressa por Sua Palavra.
Este texto narra a criação da parte imaterial do homem, que é constituída da alma e do espírito. Deus soprou nos narizes do homem e ele foi feito "alma vivente", ou seja, surgiu desse sopro uma alma e essa alma tinha consciência de que vinha de Deus e estava ligada a Ele. Temos, então, as duas instâncias do homem interior: a alma e o espírito. Este é o aspecto totalmente diverso entre o homem e os demais seres vivos criados na Terra. Esta parte imaterial coloca o homem acima da natureza e que lhe permite dominar sobre ela. Esta parte imaterial, resultado do sopro de Deus, é o que Paulo denomina de "homem interior", porque é a parte do homem que não aparece aos nossos olhos, parte esta que as Escrituras identificam figurativamente como "mente" (Rm.7:25) e "coração" (Pv.4:23; Ap.2:23).
Ao se dizer que o homem foi feito "alma vivente”, está sendo dito que o homem é uma alma que tem vida, ou seja, é uma alma que está em comunhão com Deus, pois vida, aqui, não é uma mera existência, mas é uma demonstração de existência de uma comunhão entre Deus e a Sua criatura.
- A alma é a sede dos pensamentos e dos sentimentos do homem; a sede da sua personalidade, da sua individualidade; a parte do homem que tem consciência de si mesmo.
- O espírito é a parte do homem que faz a relação dele com Deus; é a sede da consciência, o instrumento que nos permite discernir o certo do errado; é o elo de ligação entre Deus e o homem, a instância em que tomamos consciência da existência e da soberania de Deus.
Alguém disse que o homem tem espírito para ter comunhão com Deus, vontade para obedecê-lo e corpo para servi-lo.

IV. A MISSÃO E A TAREFA DO HOMEM

Por que Deus criou o homem? Não há apenas uma única resposta para esta pergunta. Através da Escrituras Sagradas, podemos notar várias razões que levaram o Senhor a criar o homem e mantê-lo no mundo criado como administrador de tudo. Veja a seguir três motivos:

1. Glorificar a Deus

Deus não precisava criar o homem, mas criou-o para a sua própria glória. Deus não precisa de nós nem do resto da criação para nada, porém, nós e o restante da criação o glorificamos e lhe damos alegria. Como por toda a eternidade sempre houve perfeito amor e comunhão entre os membros da Trindade (João 17:5,24), Deus não nos criou porque estava só ou porque precisasse da comunhão de outras pessoas – Deus não precisava de nós por motivo nenhum. No entanto, Deus nos criou para a sua própria glória.
O fato de Deus nos ter criado para a sua própria glória determina a resposta correta à pergunta: Qual o nosso propósito na vida? Nosso propósito dever ser sempre cumprir a meta para qual Deus nos criou: glorificá-lo.
A humanidade sofreu com a Queda do primeiro homem criado, mas Deus se glorificou providenciando Jesus Cristo que, através de Seu ministério e morte, redimiu os filhos do Senhor. O profeta Isaías afirma que Deus criou o homem para o louvor da Sua glória.
“Cantai alegres, vós, ó céus, porque o SENHOR fez isso; exultai vós, as partes mais baixas da terra; vós, montes, retumbai com júbilo; também vós, bosques e todas as árvores em vós; porque o SENHOR remiu a Jacó e glorificou-se em Israel” (Is.44:23).
O salmista, do Salmo 148, recomenda a toda ser humano a louvar ao Senhor:
11.reis da terra e todos os povos, príncipes e todos os juízes da terra;
12.rapazes e donzelas, velhos e crianças.
13.Que louvem o nome do SENHOR, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu.
14.Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao SENHOR!

2. Propagar a espécie

“E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:28).
No momento em que Deus criou o homem, Ele o preparou fisicamente para obedecer à Sua vontade, tais como:
  • Multiplicar-se.
  • Povoar a terra.
  • Dominar os peixes, aves e animais.
O Perfeito Criador colocou no corpo humano tudo que seria necessário para cumprir os ideais divinos, pois o homem para se multiplicar, necessita primeiro possuir desejo sexual, e depois prazer sexual, e depois o esperma para fecundar o óvulo da mulher, para que enfim possa gerar o filho; tudo isto foi previsto pela Trindade santa, em nada o Criador falhou; não houve testes, não houve cobaia; o primeiro homem já era dotado de tudo aquilo que Deus planejou para sua existência e procriação.

3. Governar e administrar o planeta

Após decidir criar o homem à Sua imagem e semelhança, o Senhor anunciou que o homem teria domínio sobre o restante da criação. Essa decisão de Deus a respeito do homem foi tanto um privilégio como uma responsabilidade que o homem recebeu. Está assim escrito:
“E disse Deus: [...] domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra [...] dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn.1:26,28).
É importante observar que o homem devia dominar a terra, mas não como se fosse o dono dela, porque toda a terra pertence ao Senhor (Lv.25:23, Sl.24:1, 1Co.10:26). O homem é apenas o "mordomo de Deus", com a função de tomar conta das obras das Suas mãos.
Conforme bem explica o comentarista do Comentário Bíblico Beacon, esse direito dado por Deus ao homem dominar sobre tudo na Terra ressalta o fato de que Deus o equipou com aptidão para agir como governante.
-Aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar.
-Aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar a Deus que o criou.
-Aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.
-Aptidão para governar ou exercer domínio sobre a Criação não significa que o homem pudesse fazer o que desejasse, que destruísse os animais (matança de forma indiscriminada) ou poluísse a Terra. Como um ser criado por Deus, o homem deveria usar de sabedoria na administração da Terra, usando-a para habitação, para seu prazer, tendo boa alimentação a seu dispor, preservando as obras criadas, tratando-as com equilíbrio. Sempre cônscio que a criação não pertence ao homem, mas ao Criador (cf.Sl.24:1). Infelizmente, atualmente, temos negligenciado essa responsabilidade quando ficamos passivos ante a destruição do mundo criado por Deus, e até quando nós mesmos, com atitudes irresponsáveis, colaboramos com essa devastação, quando, por exemplo: desperdiçamos água; quando colocamos lixo nas praias, nos rios; quando devastamos a natureza.

CONCLUSÃO

Aprendemos aqui neste estudo que o Primeiro homem, Adão, foi criado por Deus, por um ato consensual da Santíssima Trindade (Gn.1:26,27); criado à imagem de Deus, conforme à Sua semelhança; macho e fêmea foram criados por Deus (Mc.10:6), e não formado no decurso de milhões de anos de processos macroevolucinonários. Pense nisso!