A SUTILEZA DA BANALIZAÇÃO DA GRAÇA

 

Texto Base: Efésios 2:4-10

 “Porque pela graça sois salvos por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2:8).

Efésios 2:

4.Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

5.estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

6.e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

7.para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

8.Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.

9.Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

10.Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula estudaremos sobre a graça de Deus, o bem mais sublime da Igreja; mas, infelizmente, tem sido banalizado por muitos que cristãos dizem ser, principalmente nestes últimos dias em que as sutilezas de Satanás têm se manifestado com maior intensidade. A graça, do grego “charis”, é um favor imerecido concedido por Deus à humanidade; imerecido, porque o homem perdeu todo e qualquer direito, ou privilégio junto ao seu Criador, por causa do pecado. Apesar do pecado, Deus mostrou seu amor em relação ao homem por intermédio da sua graça. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. Portanto, a todos quantos crerem na obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na graça de Deus. Infelizmente, a doutrina da graça tem sido mal compreendida e, portanto, mal assimilada e, consequentemente, desvirtuada. Nesta Aula, temos o propósito de analisar a graça de Deus no sentido bíblico, histórico e contemporâneo. Que possamos nos conscientizar de que a graça é um bem precioso de Deus para a nossa vida e, por isso, não pode ser banalizada.

I. COMPREENDENDO A GRAÇA

1. A graça é divina

Diz o texto sagrado: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt.2:11). A graça tem origem em Deus, portanto, ela é divina; ela é a fonte da justificação do homem (cf. Rm.3:24; Ef.2:8). Quando somos justificados, somos atingidos pela graça divina (Rm.5:18), graça que sobrepuja a nossa velha natureza, de tal sorte que o apóstolo diz que “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm.5:20). Também na vida do justificado a graça reina pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor (Rm.5:21). A graça, portanto, passa a ser o critério do nosso relacionamento com Deus. Somos, a todo momento, atingidos pelo favor imerecido do Senhor. É por este motivo que o tempo em que vivemos é denominado de “dispensação da graça” (cf. Ef.3:2), ou seja, o período em que o relacionamento de Deus para com o ser humano é regido pela “graça”, pelo favor divino em relação ao homem que não leva em consideração os méritos humanos.

2. A graça é imerecida

A Salvação não se dá por nenhum mérito humano, mas que ela é resultado do favor divino, um favor que o homem, por ter pecado, não merece receber; este favor imerecido é a Graça de Deus. Como diz o apóstolo Paulo aos efésios: “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef.1:8). A nossa salvação, portanto, é resultado desta graça, ou seja, do favor imerecido de Deus à humanidade pecadora. A graça de Deus traduz a bondade do Senhor e o seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador; mesmo assim, Deus mostra seu amor em relação ao ser humano, por intermédio da sua graça. A todos quantos crerem na Obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na maravilhosa graça de Deus.

É importante dizer que a maravilhosa graça de Deus não abrange somente a salvação do ser humano, ela também abraça todos os elementos que sustentam a vida na Terra; chamamos esse favor de Deus de Graça Comum. Sem a Graça comum, ou Universal, que é um favor imerecido que ele quis e continua concedendo ao homem, não haveria vida sobre a terra. Deus, através de sua Graça Comum, abençoa todos os homens, crentes e incrédulos; foi o que o Senhor Jesus deixou claro, quando afirmou: “... porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt.5:45). Assim, quer o homem saiba disto, ou não; quer reconheça ou não a misericórdia de Deus; quer seja grato ou não, a sua vida está nas mãos de Deus e é sustentado pela sua graça. É Deus quem controla o dia e a noite, que administra as estações do ano, que mantém a regularidade dos movimentos de rotação e translação da terra, que mantém o equilíbrio da cadeia alimentícia, que regula o sistema de defesa do corpo humano, entre tantos outros benefícios concedidos pela sua Graça Comum, ou Universal. Por isto, nós que conhecemos a Palavra de Deus, dizemos que “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22).

II. A GRAÇA NO CONTEXTO BÍBLICO

1. A necessidade da graça

Há uma imperiosa necessidade da graça de Deus, pois todos pecaram e destituídos estão da gloria de Deus (Rm.3:23). Tendo caído no pecado, o homem não podia por si mesmo se libertar. Uma das consequências advindas da Queda foi a necessidade da satisfação da justiça divina. Por isso, a justiça de Deus exige a punição do pecado, mas o amor de Deus pela humanidade levou-o a prover um meio para salvar o ser humano, e este meio foi a cruz (1Tm.2:5; João 3:16). Jesus se apresentou como a essência da graça de Deus, e morreu numa rude cruz por toda a humanidade. Portanto, sem a graça não haveria salvação do ser humano.

A argumentação de Paulo em Romanos 3:9-20 é: todos os homens são culpados diante de Deus, todos estão debaixo da condenação do pecado (Rm.3:9). Paulo é enfático no seu diagnóstico acerca do estado deplorável em que se encontra o ser humano. O pecado atingiu todo o seu ser: corpo e alma. O pecado enfiou seus tentáculos em todas as áreas de sua vida: razão, emoção e volição. Todo o seu ser está rendido ao pecado e a serviço do pecado. O homem está chagado da cabeça aos pés.

Mas, o maior resultado da salvação operada por Jesus é o perdão dos pecados e a reconciliação do pecador com Deus. O perdão não é uma concessão automática, precisa ser pedido; veja a atitude do servo da Parábola do credor incompassivo (Mt.18:23-35): “Então, aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo...”. O servo se ajoelho e pediu. Não se pede perdão com a cabeça erguida e “batendo no peito”. Quem pede precisa reconhecer que deve e que não pode pagar. O perdão não pode ser negociado, mas pedido. Para pedir é preciso saber se humilhar, e, aquele que se humilha, conforme afirmou o Senhor Jesus, será exaltado (Mt.23:12). E foi isto o que fez o rei Davi, quando pecou – “Por amor do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, pois é grande” (Salmo 25:11). Assim, para ser perdoado, o homem precisa ter consciência do seu pecado, precisa querer livrar-se dele, saber que não conseguirá fazer isto por si mesmo; deve se humilhar e pedir o perdão para quem tem o poder de perdoar. Se o servo mau, da referida Parábola, não tivesse pedido, também não teria sido perdoado; mas, como ele se humilhou, e pediu misericórdia, “então, o senhor daquele servo, movido de intima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida”.

2. A extensão da graça

A graça é universal, destina-se a todos os homens; é o que o texto sagrado explicita: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Neste “todo aquele” não há exclusão de ninguém. Todos podem crer, e Deus quer que todos creiam, pois “a graça de Deus se há manifestada, trazendo Salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (1Tm.2:3,4); porém, é bom entender que essa Salvação é condicional, ou seja, exige-se do ser humano arrependimento de coração (At.15:9; Rm.3:28; 11:6), e que a pessoa deve confessar a Cristo como único e suficiente Salvador (Rm.10:9).

A graça é universal, mas não é universalista. Há uma tendência atual de afirmar que, no final das contas, Deus, em sua graça, salvará a todos os perdidos, mesmo aqueles que jamais responderam (e mesmo rejeitaram) o sacrifício de Cristo. Essa perspectiva teológica, bastante cultivada atualmente, denomina-se de “universalismo”. Esse ensinamento é totalmente falso. O arrependimento sempre foi e continuará sendo uma prerrogativa àqueles que querem ser salvos. Veja os seguintes trechos bíblicos que comprovam tal fato:

- “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc.16:16).

- “Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (Atos 16:31).

- “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados” (At.2:38).

- “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (Atos 3:19).

Desta feita, não faz qualquer sentido a posição dita “universalista”, segundo a qual toda a humanidade, mais cedo ou mais tarde, alcançará a salvação, mesmo na eternidade, visto que, como é desejo de Deus a salvação de todos os homens, não há como alguém ser eternamente condenado, pois isto implicaria em admitir que Deus não poderia salvar a todos ou não cumpriria os seus propósitos ou, ainda, que o sacrifício de Cristo foi limitado em seus efeitos. Este argumento é falacioso, pois Deus tem compromisso com a sua Palavra e, ao apresentar uma promessa condicional, tem de fazer prevalecer, pela sua fidelidade, o que prometeu.

III. A GRAÇA NO CONTEXTO DA REFORMA

1. A corrupção da doutrina da gra­ça

A Igreja começou muito bem, fundamentada na doutrina dos apóstolos e profetas, mas no decurso do tempo, a Igreja tomou outro rumo diferente daquele que os apóstolos pregavam. A doutrina da graça começou ser corrompida, desviando-se totalmente do seu status original. O mundanismo entrou na Igreja, introduzido pelos líderes corruptos.

Com a degradação cada vez maior da doutrina da graça, a Igreja ficou muito mal, no aspecto espiritual, e a depravação moral pôs em risco a existência da fé cristã. A exploração da fé cristã denegriu a Igreja, inundada por dogmas heréticos. A partir do século XI, a comercialização da fé cristã foi intensificada pelo papado, mediante as procissões, peregrinações e indulgências. Tal prática prometia amenizar ou extinguir o tempo de penitência dos devotos no purgatório. A salvação pelas obras havia substituído a salvação pela fé. A Igreja precisava urgentemente de uma reforma radical; então Deus levantou um homem de dentro do lamaçal da Igreja para tornar isso uma realidade; Deus levantou Lutero como cabeça dessa reforma. De uma forma direta, pode-se afirmar que a Reforma surgiu como uma resposta ao enfraquecimento, deturpação e negação da doutrina da graça, a qual havia sido totalmente desconfigurada.

2. A restauração da doutrina da graça

No dia 31 de outubro de 1517 Martinho Lutero enviou as suas 95 teses para o Arcebispo de Maiz dando início a um dos eventos mais importantes da história da Igreja: a Reforma Protestante. Lutero que era um monge da Igreja Católica, se levantou após notar que os dogmas da Instituição na época eram opostos aos ensinamentos bíblicos. A Reforma então marca um movimento focado em trazer a centralidade bíblica de volta para a Igreja, e propulsar a restauração da doutrina da graça. 

De todas as novas proposições teológicas que os cristãos protestantes adotaram em oposição a Igreja Católica, 5 pilares foram destacados como essência da reforma. Essas doutrinas se popularizaram como os 5 Solas da Reforma Protestante, dentre elas estava a Sola gratia, que significa: somente a graça. Na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual. 

Ao enfatizar o ensino da sola gratia, os reformadores pretendiam refutar o parecer comum de que a salvação se dava pela obra de Cristo somada à obra meritória dos homens. Ao entender o estado de miséria humana diante de Deus, compreende-se que não há nada que se possa fazer para conquistar o favor divino. 

Precisamos ter cuidado, pois o inimigo não se fadiga. Ele enganou muita gente da Igreja ao longo de sua história, e não se cansará em arregimentar um exército de pessoas que o acompanharão ao inferno. O objetivo principal do diabo é separar o homem de Deus. Destinado à destruição, ele quer tomar a maior parte possível da criação, principalmente a principal obra da criação - o ser humano. Entre as razões pelas quais nós precisamos tão desesperadamente da graça de Deus, está o fato de que nós travamos um combate mortal com um inimigo superior. Precisamos da ajuda de Deus para resistir às artimanhas deletérias de Satanás e nos aproximar de Deus.

IV. A GRAÇA NO CONTEXTO CONTEMPORANEO

1. A graça barateada

Segundo o ensino das Sagradas Escrituras, a graça jamais pode ser vista como um salvo conduto para a prática do pecado ou da libertinagem. Diz o apóstolo Paulo: ”Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne” (Gl.5:13).

A liberdade cristã não é uma licença para pecar, mas o poder para viver em novidade de vida. A liberdade cristã não é licenciosidade, mas deleite na santidade. A liberdade cristã é a liberdade irrestrita para aproximar-se de Deus como seus filhos, não uma liberdade irrestrita para chafurdar em nosso egoísmo.

A licenciosidade desenfreada não é liberdade alguma, é outra forma mais terrível de servidão, uma escravidão aos desejos de nossa natureza caída. Enfim, a liberdade cristã não é liberdade para pecar, mas liberdade de consciência, liberdade para obedecer. O cristão salvo pelo sangue de Cristo é livre para viver em santidade.

Muitos defendem a liberdade do amor livre, a prática irrestrita do aborto, o uso indiscriminado das drogas e o homossexualismo, porém, isso não é liberdade, é escravidão. Jesus disse que aquele que pratica o pecado é escravo do pecado (João 8:34).

À época de Paulo, os inimigos da graça apresentavam um argumento supostamente irrefutável: “Se a graça é superabundante onde o pecado é abundante, se a multiplicação das transgressões serve para demonstrar o esplendor da graça, então não deveríamos pecar mais para que Deus seja ainda mais glorificado na magnificência da sua graça?”. Esta pergunta retratava tanto a distorção antinomiana como a objeção dos legalistas à doutrina da justificação pela graça, por meio da fé, independentemente das obras.

A inferência licenciosa é imediata e energicamente rejeitada por Paulo; responde o apóstolo: “De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm.6:2). De acordo com esta resposta de Paulo, não podemos continuar a pecar porque morremos para o pecado. Trata-se de um fato acerca de nossa condição. Quando Jesus morreu para o pecado, Ele o fez como nosso representante; morreu não apenas como nosso substituto, ou seja, por nós e em nosso lugar, mas também como nosso representante, ou seja, como se nós estivéssemos lá. Assim, quando Ele morreu, nós também morremos. Ele morreu para o problema do pecado, e resolveu-o de uma vez por todas. Para Deus, todos que estão em Cristo também morreram para o pecado. Isto não quer dizer que o cristão é impecável; antes, ele é identificado com Cristo em sua morte e tudo o que ela significa.

2. O valor da graça

A graça tem um valor inestimável; ela é a causa meritória da nossa salvação, que teve um preço alto. Disse Paulo: “Porque fostes comprados por preço...” (1Co.6:20). Que preço foi este? O sangue de Cristo. Disse Pedro: “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pd.1:18,19). Portanto, a salvação é de graça, mas o seu preço custou caro – custou a morte de um justo inocente e o derramamento do seu precioso sangue, o sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus. Cristo pagou o preço, riscou a cédula que era contra nós nas suas ordenanças e cravou-a na cruz (Cl.2:14); nada mais precisa ser feito para o ser humano ser salvo. Isso é graça.

Mas, infelizmente, muitos têm dificuldade de compreender a graça de forma plena. Na época do apóstolo Paulo, e hoje também, muitos não compreenderam, nem compreendem, os ensinamentos sobre a graça de Deus; pensam que a graça dá liberdade total para pecar. É bom saber que a liberdade do cristão está em Cristo Jesus, e isso exclui qualquer ideia de que de alguma maneira possa significar liberdade para pecar. Não devemos nunca transformar a liberdade numa base de operações para a natureza carnal. Portanto, a liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para o crente fazer o que quer, mas para fazer o que deve. Exorta-nos o apóstolo Paulo:

“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia e à maldade para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça. E que fruto tínheis, então, das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte. Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm.6:18-23).

CONCLUSÃO

A graça de Deus é maravilhosa, mas ela precisa ser entendia e aplicada à luz da verdadeira doutrina. Banalizar a graça, colocando-a dentro de um espectro idealizado por líderes liberais e libertinos que não temem a Deus, que propagam doutrinas criadas por eles mesmos para satisfazerem seus caprichos, é ofender profundamente a Deus; certamente, não ficarão impunes. Como afirma o pr. José Gonçalves, “a Bíblia é sempre a régua através da qual qualquer entendimento da doutrina da graça precisa ser medido”. A graça é a fonte da vida e melhor do que a vida; por ela somos salvos, por ela vivemos e por ela entraremos na pátria celestial. “A graça seja com vós todos. Amém!” (Tt.3:15).

AS SUTILEZAS DE SATANÁS CONTRA A IGREJA DE CRISTO

 Texto Base: 1Timóteo 4:1-5

“Mas o Espírito­ expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1Tm.4:1).

1 Timóteo 4:

1.Mas o Espírito ­expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, ­

2. pela hipocrisia ­de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, ­

3. proibindo o casamento­ e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; ­

4.porque toda criatura­ de Deus­ é­ boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, ­

5.porque, pela palavra de Deus e­ pela ­oração, é santificada.


INTRODUÇÃO

Iniciamos mais um trimestre letivo da EBD. Estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o seguinte tema: Os Ataques contra a Igreja de Cristo – As Sutilezas de Satanás nestes dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo”. O comentarista das Lições é o pastor José Gonçalves. Espero que o Espírito Santo nos ajude nesta empreitada; sem Ele nosso trabalho não terá nenhuma eficácia.

Nesta primeira Aula trataremos do seguinte tema: “A sutilezas de Satanás contra a Igreja de Cristo”. Sutileza é a arte de agir sem ser notado, ou de conseguir um objetivo sem ter que revelar a verdadeira intenção, apenas insinuando, ou despertando a curiosidade da possível vítima; é usar de astúcia, de artimanha, de artifícios enganadores. A primeira vez que esta palavra surge nas Escrituras é, precisamente, em relação a Satanás, que é apresentado como a serpente, a "mais astuta de todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito" (Gn.3:1). Satanás desde a sua primeira aparição no relato bíblico já é apresentado como sendo um ser que tem a capacidade de quase não ser percebido, que tem uma grande sensibilidade para perceber ou sentir as coisas com antecedência e, desta maneira, elaborar coisas muito engenhosas, que tem grande capacidade de insinuação e que, assim agindo, consegue atingir os seus objetivos. Jamais devemos ignorar as sutilezas de Satanás (2Co.2:11).


I. A IGREJA SOB ATAQUE

1. A sutileza do ataque

Atacar a Igreja é a principal tarefa de satanás, e sempre ele utiliza dos seus ardis para lograr êxito. O seu maior alvo sempre foi destruir a Igreja, e tem se utilizado dos métodos mais variados, e a mais perigosa que a igreja tem enfrentado é a perseguição camuflada. Porém, todas as perseguições que a Igreja sofreu não foi suficente para debelar ou arrefecer o seu progresso. No passado ele usou a força bélica, matando milhares, talvez milhões de cristãos inocentes, mas isso apenas fez crescer o número de crentes; mas hoje a perseguição tem sido de forma sutil e quase imperceptivel. Os incautos não conseguem perceber isto. As perseguições ocorrem, por exemplo, com a normalização de comportamentos e práticas contrárias à fé cristã; por falta de discernimento espiritual, a sutileza do ataque do inimigo quase não é percebida. Não importa onde esteja ou a que época se encontre, você está debaixo do ataque do Inimigo. Às vezes, o ataque é previsto, mas em outros momentos, a surpresa é total. Como podemos nos preparar para que nossa vida espiritual seja defendida? O apóstolo Paulo responde: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo” (Ef.6:11).


 2. O alerta para o povo de Deus

Estamos vivendo os últimos tempos da Igreja, e neles o Espírito Santo faz um alerta ao povo de Deus acerca de falsos mestres e das falsas doutrinas. As falsas doutrinas têm um poder mais destrutivo que a perseguição física. A sedução da “serpente” é mais letal que o rugido do leão. Paulo, na sua primeira Epístola a Timóteo, escreveu sobre o grande alerta que o Espírito Santo dá à Igreja: “Mas o Espírito ­expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”. O mesmo Espírito que havia inspirado Paulo a alertar os presbíteros de Éfeso acerca da chegada dos falsos mestres (Atos 20:29,30), agora leva Paulo a alertar Timóteo, pastor da igreja de Éfeso, de que esse tempo chegaria e o resultado seria a apostasia de alguns. É no campo da doutrina que as sutilezas de satanás se destacam com maior engenhosidade. Foi neste campo que Satanás procurou enganar a Igreja Primitiva. Com Eva, ele falou pessoalmente; no princípio da Igreja, ele procurou infiltrar-se através de seus instrumentos, aqueles que a Bíblia denomina de falsos obreiros, introduzindo falsas doutrinas.

O apóstolo Pedro também advertiu contra esse perigo das sutilezas de Satanás - "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade"(2Pd.2:1-2).

O Senhor Jesus também advertiu contra esse perigo. Disse Jesus: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mt.7:15). Acautelar significa ficar de sobreaviso, prevenido, para não ser pego de surpresa. O Senhor Jesus sabia que eles viriam, por isso afirmou: "que vêm até vós". Ele não disse: "que poderão vir". Ele afirmou que viriam; e vieram; não perderam tempo. Vestir-se de "ovelha" seria a forma de poder agir, livremente, com sutileza. O Senhor Jesus falou em "falsos profetas" que seriam como "lobos vestidos de ovelhas". Pedro identificou-os com "falsos doutores". Oremos e vigiemos (Mt.26:41) para que não venhamos a cair nas muitas ciladas do Diabo.


 3. A Igreja na reta final

A Igreja está em sua reta final, e as sutilezas de satanás têm se intensificado fortemente, pois o seu desejo é levar consigo muita gente para o terrível lugar que está reservado a ele – o lago de fogo e enxofre (Mt.25:41). Os apóstolos descreveram o comportamento, ações e práticas que marcariam o tempo final; se eles, que viveram há mais de dois mil anos, disseram já vivenciar os últimos dias (Atos 2:17; 1Co.10:11; 2Pd.3:3; 2Tm.3:1; 1Tm.4:1), o que podemos afirmar da presente época? Não estamos na reta final, no princípio do fim de todas as coisas?

A Igreja, no seu princípio, foi muito perseguida pelos falsos mestres; com suas sutilezas enganaram muitos cristãos; muitos se apostataram da fé. Ora, se no princípio da Igreja, muitos caíram, quanto mais agora nestes últimos dias da Igreja na Terra. O apostolo Paulo alertou Timóteo que isto ocorreria com grande intensidade nos “últimos tempos” (1Tm.4:1). A expressão “últimos tempos” (1Tm.4:1) não se refere apenas a um período escatológico do fim, mas compreende todo o período da era cristã, inaugurado por Jesus em sua primeira vinda e que se consumará na segunda vinda. Esse tempo do fim será caracterizado pela manifestação dos falsos profetas (Mt.24:11) e falsos cristos, que enganarão a muitos (Mc.13:22), culminando na apostasia e na manifestação do homem da iniquidade (2Ts.2:4).

Deus adverte o seu povo quanto ao cuidado que deve tomar para não cair no mesmo erro de muitos irmãos no princípio da Igreja; não caminhar pela mesma estrada; não ter o mesmo comportamento. Quem não aprende com as lições da História comete os mesmos erros da História. Precisamos fazer da História a nossa pedagoga e não a nossa coveira.


 II. A NATUREZA DO ATAQUE

1. O ataque é de natureza espiritual

Conforme 1Tm.4:1, a natureza do ataque à Igreja é eminentemente espiritual, e os agentes principais envolvidos são: Satanás e seus demônios – “...dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios”. Paulo, quando escreveu aos Efésios, alertou-nos que a nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades do mal (Ef.6:12). Portanto, quem está por trás das heresias são os espíritos enganadores, os próprios demônios. Os falsos mestres são inspirados por demônios, assim como os apóstolos eram inspirados pelo Espírito de Deus. Satanás tem seus próprios ministros e suas próprias doutrinas. As Escrituras descrevem o diabo não apenas como tentador, atraindo pessoas para o pecado, mas também como enganador, seduzindo as pessoas ao erro. Os falsos mestres são escravizadores das pessoas e difamadores de Deus; eles proíbem o que Deus ordena e escravizam pessoas, impondo a elas restrições que Deus nunca fez.

2. O ataque é de natureza moral

Também, o ataque à Igreja é de natureza moral, conforme 1Timóteo 4:2 – “pela hipocrisia ­de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”. Estes comportamentos descritos aqui por Paulo se encontram na esfera moral. Aqui, o apóstolo fala de hipocrisia e de mentira, que são comportamentos invertidos das virtudes morais cristãs da autenticidade e da verdade.

Os falsos mestres são como atores: representam um papel diferente da vida real; falam uma coisa e fazem outra - são hipócritas. Eles não revelam sua verdadeira identidade; ao contrário, escondem-se atrás de máscaras para enganar as pessoas. Os falsos mestres possuem não apenas um ensino errado, mas também uma motivação errada; não apenas teologia falsa, mas também uma vida torta. Segundo Pr. Hernandes Dias Lopes, o problema dos falsos mestres não é apenas teológico, mas também moral.

Paulo também demonstra a esfera moral desse ataque quando faz referência àqueles que têm “cauterizada a sua própria consciência”. O termo grego, “suneidesis”, usado em 1Tm.4:2 para “consciência”, é uma referência à capacidade humana de julgar, de entender o certo e o errado. Em outras palavras, é a faculdade humana por meio da qual se distingue o que é moralmente bom ou ruim. A consciência dos falsos mestres não tem sensibilidade espiritual; está cauterizada, anestesiada, amortecida; eles perderam o temor de Deus e não sentem mais tristeza pelo pecado; são insensíveis. Outro termo dito em 1Tm.4:2 é “cauterizada”. A palavra grega “kauteriazo”, traduzida por “cauterizada”, traz a ideia de “marcar com um ferro quente”, como era feito no passado com os escravos e hoje com o gado, deixando o lugar queimado insensível; significa dizer que a consciência se tornou insensível para julgar entre o certo e o errado. Warren Wiersbe diz que “sempre que alguém afirma com os lábios o que nega com a vida, a consciência é amortecida”.


III. AS ESFERAS DO ATAQUE

1. A esfera religiosa

Diversas esferas da Igreja estão sob ataque, dentre elas está a religiosa. Nesta esfera, satanás tem feito um grande estrago, fazendo com que muitos abandonem a fé em Cristo. Veja o que vaticinou o apostolo Paulo em 1Tm.4:1: “...nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé...”. Relacionada à fé cristã, apostasia significa abandonar a fé cristã de forma consciente e deliberada. Para que haja apostasia é necessário que a pessoa tenha experimentado o novo nascimento, ou seja, que tenha certeza de sua salvação e aí, de forma consciente e deliberada, abandona a fé e passa a negar toda verdade por ela experimentada. Na maioria das vezes, os apóstatas tornam-se inimigos da Igreja. Concordo com o pr. Jose Gonçalves quando ele diz que “as pessoas que mais causam danos e escândalos ao Evangelho são aquelas que já lutaram em suas trincheiras; por alguma razão abandonaram a fé e se tornaram inimigo da Igreja”. Quem é crente há muitos anos podem confirmar isso.

O arqui-inimigo da Igreja, juntamente com suas hostes espirituais da maldade, não tem dado trégua; pelejam sem parar contra o povo de Deus (Ef.6:12). Entretanto, a prática do pecado é uma responsabilidade pessoal e intransferível do indivíduo (Ez.18:4,20; cf. Rm.6:23). Nesse sentido, a apostasia sempre será praticada de maneira consciente, deliberada e voluntária. Os crentes que caem neste terrível erro, dificilmente retornarão à fé cristã, pois suas mentes ficam cauterizadas. Diz o escritor aos Hebreus:  "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro, e recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério" (Hb.6:4-6).

2. A esfera social

Outra esfera de ataque à Igreja é a social. Isso pode ser visto na expressão de Paulo: “proibindo o casamento” (1Tm.4:3). Como pode alguém desprezar o casamento, e ainda proibi-lo, quando ele foi instituído por Deus? O casamento não foi apenas instituído, mas também ordenado por Deus (Gn.2:18; 2:24; Mt.19:3-12; 1Co.7:1-24). Quando os falsos mestres ensinam que é errado casar-se, proibindo o casamento, estão abertamente se rebelando contra a Palavra de Deus e atacando o que Deus instituiu e ordenou.

Proibir o casamento é se opor à família, e opor-se à família significa opor-se à Igreja, pois a Igreja é formada de famílias. A família é uma das instituições criadas por Deus que mais tem sido atacada “nestes últimos tempos”, pois atacando a família, Satanás atinge a Igreja - famílias fracas significa igrejas fracas. Satanás tem usado pessoas poderosas em todas as instituições governamentais – no poder executivo, no legislativo e judiciário – no afã de desfazer o padrão familiar instituído por Deus. As mais variadas leis, decretos e decisões do judiciário têm sido criados com o intuito de desconstruir a família; há uma força infernal poderosa do inimigo contra essa instituição sagrada. Precisamos pedir a Deus para que Ele tenha misericórdia e guarde o seu povo dos ataques de satanás.


IV. A IGREJA PROTEGIDA

1. A exposição da Palavra de Deus

O apóstolo Paulo apresenta duas ferramentas importantes capazes de paralisar os ataques do inimigo: a Palavra de Deus e a oração – “porque, pela palavra de Deus e­ pela ­oração, é santificada” (1Tm.4:5). Os falsos ensinadores, talvez sob a influência dos judeus, davam regras rígidas, exigindo abstinência de determinados alimentos. Mas Paulo nos ensina que todos os alimentos são aceitáveis por aqueles que consideram Deus como seu Provedor e agradecem a Ele por esses alimentos (Rm.14:6; 1Co.10:30). Os cristãos verdadeiros conhecem o Criador; então, eles podem desfrutar ao máximo da sua criação, recebendo-a alegremente, com ações de graças. Todas as coisas, “pela palavra de Deus e pela oração, são santificadas”. Deus disse que a sua criação é boa; portanto, nós estamos de acordo com a declaração de Deus quando vemos toda a criação como adequada para um uso especial.

Os ensinos dos falsos mestres sobre a abstinência de determinados alimentos estimularam, posteriormente, o surgimento da falsa doutrina do gnosticismo – uma crença de que o espírito é bom, mas o mundo físico é mau. Assim, qualquer coisa feita para o prazer do corpo ou para suprir as suas necessidades (tais como praticar sexo ou comer) é considerada má. Para ser “boa” e atingir um estado espiritual mais elevado, uma pessoa precisa negar todo o mal, inclusive os desejos físicos naturais. As exigências desses falsos ensinadores os faziam parecer autodisciplinados e justos, mas a disciplina rígida para o corpo não conseguia remover o pecado. O apóstolo Paulo, então, mostra que a Palavra de Deus possui poder santificador; ela é um antídoto contra este tipo de doutrina e toda forma de culto falso que o Diabo possa criar.

Paulo, escrevendo aos crentes de Éfeso, diz que devemos nos revestir da armadura de Deus, pois há uma batalha, não contra sangue e carne, mas sim contra o império do diabo (Ef.6:11-13). Uma dessas armaduras apresentadas por Paulo é a Espada do Espírito” (Ef.6:17). Espiritualmente falando, essa Espada representa a Palavra de Deus. Paulo está dizendo que quem usa esta Palavra é o Espírito. Talvez a melhor ilustração seja a tentação de Jesus no deserto. Jesus foi levado ao deserto para ser tentado. Primeira tentação: “se tu és o Filho de Deus, mande que estas pedras se tornem em pães” (Mt.4:3). “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt.4:4); e assim foi com a segunda e a terceira tentação. Todas elas Jesus respondeu dizendo: “está escrito”. É isto que significa, na guerra espiritual, a “Espada do Espírito”, que é a Palavra de Deus - é você responder as dúvidas, questionamentos, repelir a mentira, as acusações, a culpa com “está escrito”.

Observe que a Espada do Espírito é arma de ataque. Vencemos os ataques do diabo e triunfamos sobre ele por meio da Palavra. É pela Palavra que os cativos são libertos. A Palavra é poderosa, viva e eficaz. Moisés quis libertar os israelitas do Egito com a espada do homem carnal, e fracassou; mas quando usou a Espada do Espírito o povo foi liberto. Pedro quis defender a Cristo com a espada humana, e fracassou; mas quando brandiu a Espada do Espírito, multidões se renderam a Cristo. Precisamos conhecer bem a Palavra de Deus. A Bíblia nos afasta do pecado ou o pecado nos afasta da Bíblia. Infelizmente, há multidões de crentes mais comprometidos com as mídias sociais do que com a Palavra de Deus. Isso é lamentável!

2. A prática da oração

Outra ferramenta imprescindível para combater os ardis de satanás é a oração. Não podemos lutar nessa guerra com nossas próprias forças, no nosso próprio poder. A oração é o canal pelo qual o crente recebe poder para a vitória; é a energia que capacita o soldado crente a usar a armadura e brandir a Espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Moisés orou, e Josué brandiu a espada contra os amalequitas. Oração e ação caminham juntas (Ex.17:8-16).

Escrevendo aos Efésios, Paulo ensinou que a oração é uma das armaduras de Deus para o crente combater o inimigo - “orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef.6:18). Devemos, portanto, orar com perseverança (Ef.6:18). A igreja primitiva orou com perseverança (At.1:14; 2:42; 6:4), e devemos orar da mesma forma (Rm.12:12). Robert Law disse: "A oração não é para fazer a vontade do homem no céu, mas para fazer a vontade de Deus na terra".

É muito triste vermos, atualmente, pregadores buscando se formar e se aprimorar no conhecimento de técnicas que levem o povo à emoção, ao frenesi (delírio), em especial a chamada "neurolinguística"; gastam horas e horas no aperfeiçoamento destas técnicas ao invés de buscarem a face do Senhor na oração, no jejum e na meditação da Palavra do Senhor. O resultado tem sido desastroso, porquanto há já centenas de pregadores que em nada se distinguem dos "gurus" e "mestres" de movimentos ligados direta ou indiretamente ao movimento Nova Era e, naturalmente, o povo não sente a presença do Senhor e é enganado por emoções e sentimentos que são causados por técnicas persuasivas, que nada têm a ver com a verdadeira manifestação da glória do Senhor. Tomemos cuidado para não sermos presas desses mestres do engano, dando ouvidos a espíritos enganadores (1Tm 4.1). A prática da oração nunca pode deixar de existir na agenda espiritual dos santos.


CONCLUSÃO

Nesta Aula aprendemos que o diabo tem atacado a Igreja de Cristo usando os seus ardis. As sutilezas do Inimigo têm se alastrado com maior intensidade no campo doutrinário, pois os falsos ensinos não são facilmente verificáveis, principalmente para aqueles que se encontram distraídos como era o caso de Eva e, pior, que não têm conhecimento da Palavra de Deus. Como Igreja do Senhor, estejamos devidamente preparados, alicerçados na Palavra de Deus, para detectar e combater as muitas sutilezas de Satanás.