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A DOUTRINA DO CULTO LEVÍTICO

Texto Áureo: Sl. 24.1  – Leitura Bíblica: Lv. 9.1-14

INTRODUÇÃO
O culto levítico estava fundamento na doutrina divina, o próprio Deus deu orientações expressas em relação à adoração. Na lição de hoje estudaremos a respeito da necessidade humana de adorar a Deus, também nos voltaremos para o culto genuinamente cristão, com destaque para a devoção pessoal e coletiva do crente. Ao final, enfatizaremos que a adoração a Deus, consoante aos ensinamentos de Jesus, deve ser centrada na Palavra e no Espírito.

1. O CULTO LEVÍTICO
O culto levítico tinha por objetivo central lembrar que Deus é o Criador de todas as coisas, do céu e da terra (Gn. 1.1). Também tinha um objetivo memorial, a lembrança de que Deus foi o libertador de Israel, Aquele que retirou o povo da escravidão do Egito (Ex. 23.25). Esse povo foi separado por Deus para ser uma teocracia, seria governado não por homens, mas pelo Senhor que orientaria a nação (Lv. 20.26). O sacrifício de animais fazia parte do culto levítico, esses eram entregue como libação (Lv. 1.2). Os animais deveriam ser escolhidos com critérios, os melhores separados para o culto, como uma demonstração do valor que o culto deveria ter a Deus. Não apenas animais, também os frutos da terra serviam para louvor e adoração a Deus (Lv. 23.10). O próprio ser humano deveria lembrar que foi criado por Deus, conforme Sua imagem e semelhança, portanto, o corpo seria dedicado ao Senhor, tendo o cuidado devido (Lv. 20.7). Essa cosmovisão israelita ressaltava a dignidade do corpo, e a dignidade da vida humana, que seria responsável pela natureza, expressão da beleza de Deus (Lv. 23.4). O culto a Deus, no contexto do livro de Levítico, deveria ser voluntário, fundamentado no amor a Deus (Sl. 100.2), uma demonstração de genuína gratidão pelos feitos de Deus (Lv. 7.11-17).

2. O CULTO CRISTÃO
O culto cristão, ainda nos primórdios da Igreja, tinha suas bases divinas. Em At. 2.42-47, compreendemos que o culto estava fundamentado na koinonia, e se alicerçava na doutrina dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. A partilha, que também era manifestada na celebração da Ceia do Senhor (I Co. 11.20-22), é uma demonstração do espírito comunitária da igreja do primeiro século. Os cultos eram realizados tantos nas casas como no templo (At. 2.46; 5.42; 20.7), era importante que os cristãos estivessem unidos, e não deixassem de se congregar (Hb. 10.24,25). Não podemos desconsiderar o aspecto comunitária do culto cristão, é por meio deles que ressaltamos nossa unidade, e reforçamos nossa dependência mutua. É nesse espírito comunitário que podemos ler a pregar a Palavra de Deus (Cl. 3.16; II Tm. 4.2), explicando e aplicando as verdades da fé; também nos dirigimos a Deus em oração (Ef. 5.20; I Tm. 2.8; At. 2.42), pois a oração é uma demonstração de dependência divina, também podemos interceder pelos irmãos e agradecer pelas dádivas do Senhor. Há espaço para hinos e cânticos espirituais (Cl. 3.16; Hb. 13.15), mas esses devem glorificar a Deus, e não aos homens, devem servir para expressar nossa relação com Deus, e contribuir para a proclamação do evangelho (Ef. 5.19).

3. O CULTO ESPIRITUAL
Em Rm. 12.1,2 Paulo não ordena, apenas “roga”, isto é, “admoesta, solicita, encoraja”, que é o sentido de parakaleo, em grego aos irmãos. O apelo do apóstolo tem como base a grande misericórdia de Deus, não os princípios legalistas dos judaizantes. O amor de Deus por nós nos motiva a viver em total consagração a Ele, esse é o sacrifício que O agrada, não mais o sangue de animais, como no Antigo Pacto (Hb. 13.15-19), esses sacrifícios diferentes são denominados por Pedro de “espirituais” (I Pe. 2.5), equivaleria ao que Paulo denominou de “culto racional”. Para que isso se efetive, não mais podemos nos conformar, ou seja, “entrar na fôrma” desse mundo. O mundo, aqui, é perverso ou mal (Gl. 1.4) e dominado por Satanás, o seu príncipe, que cega a mente dos incrédulos (II Co. 4.4). Não podemos mais compactuar com esse sistema anti-Deus que prevalece no presente século, pois “as coisas antigas se passaram e eis que tudo se fez novo” (II Co. 5.17). Somos instruídos, portanto, a sermos transformados, literalmente, transfigurados (ver Mt. 17.2; II Co. 3.18), pela renovação da nossa mente. Essa renovação somente pode acontecer na medida em que passamos a pensar com a mente de Cristo, e não com a nossa natureza pecaminosa (II Co. 11.3; Ef. 1.18; I Co. 2.16). Assim, experimentaremos quão boa, agradável e perfeita é a vontade de Deus, não apenas para Ele, mas também para nós, assim, reconheceremos que não vale a pena pecar. O culto, consoante a expressão paulina, deve ser espiritual, e como Jesus ensinou, não depende de um lugar específico, mas da adoração espiritual a Deus, fundamentada na Palavra (Jo. 4.24).

CONCLUSÃO
Deus busca adoradores e esses devem adorá-LO em Espírito e em Verdade (jo. 4.23,24). O culto cristão, diferentemente daquele israelita, não está alicerçado no lugar, mas na disposição espiritual, alicerçada no relacionamento com Deus, tendo a liberdade de chamá-lo de Pai (Mt. 6.9-13), de modo que temos ousadia para nos achegar ao trono da graça (Hb. 4.16). Por outro lado, não podemos desprezar a vida comunitária da igreja, deixando de se congregar como é costume de alguns (Hb. 10.25), pois Jesus se faz presente sempre que pessoas se reúnem em Seu nome (Mt. 18.20).

BIBLIOGRAFIA
TIDBALL, D. The message of Leviticus. Leicester: Interversity-Press, 2005.
WIERSBE, W. Be holy: Leviticus. Colorado Springs: David Cook, 2010.