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A CIDADE CELESTIAL

Texto Base: Apocalipse 21:9-14; 22:1-5

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20).

Apocalipse 21:

9.E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.

10.E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu.

11.E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente.

12.E tinha um grande e alto muro com doze portas, e, nas portas, doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel.

13.Da banda do levante, tinha três portas; da banda do norte, três portas; da banda do sul, três portas; da banda do poente, três portas.

14.E o muro da cidade tinha doze fundamentos e, neles, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

Apocalipse 22:

1.E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. 

2.No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações.

3.E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.

4.E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome.

5.E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.

INTRODUÇÃO

A Pátria Celestial é o destino final de todos aqueles que, em Cristo Jesus, foram iluminados pela Palavra de Deus e experienciaram o Novo Nascimento e, pela graça de Cristo Jesus, a magnitude da salvação. Nossa verdadeira morada não está neste mundo, mas sim no Céu (Fp.3:20). Por isso, ao longo desta lição, dedicaremos nossa atenção à compreensão da realidade bíblica dessa tão aguardada e desejada Pátria Celestial, bem como o perfeito Estado Eterno reservado aos salvos em Cristo. Reconhecemos que, neste momento presente, nossa compreensão dessa realidade é limitada, mas aguardamos com esperança o Dia em que conheceremos plenamente essa gloriosa Dimensão celestial, como nos é prometido em 1Coríntios 13:12. Aguardamos desejosos esse glorioso momento, quando a luz da revelação nos envolverá e a esperança se tornará certeza.

I. O PARAÍSO ETERNO

1. O que é o Paraíso?

O conceito de Paraíso na Bíblia carrega diferentes significados em contextos variados. No entanto, há algumas características centrais que emergem ao se examinar as Escrituras Sagradas.

a)   Lugar da presença de Deus. Uma das definições mais proeminentes do Paraíso é: “a morada de Deus”. No Antigo Testamento, o Jardim do Éden é frequentemente considerado como um paraíso terreno onde Deus caminhava com Adão e Eva (Gênesis 2:8-15). No Novo Testamento, o termo é ampliado para incluir a presença de Deus no céu, como indicado por Jesus em Lucas 23:43, quando ele prometeu ao ladrão arrependido: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso".

b)   Estado de bem-aventurança. O Paraíso é frequentemente associado a um estado de felicidade e bênção. Isso é evidente nas bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Sermão da Montanha (Mateus 5:3-12). O Paraíso representa a realização plena da paz, justiça e comunhão com Deus.

c)   Recompensa dos salvos. O Paraíso é descrito como o destino final dos justos e dos salvos. Em Apocalipse 2:7, é mencionado que aqueles que vencem receberão o direito de comer da árvore da vida, que está no Paraíso de Deus.

d)   Lugar de restauração e renovação. O Paraíso também é associado à ideia de restauração e renovação. Em Apocalipse 21, vemos uma visão do novo céu e da nova terra, onde não haverá mais dor, pranto ou morte, e Deus habitará com seu povo. Esta visão do Paraíso é caracterizada pela completa restauração da criação e pela presença eterna de Deus.

e)   Lugar de “coisas tão maravilhosas que não podem ser expressas em palavras”. A passagem de 2Coríntios 12:2-4, descreve uma visão que o apóstolo Paulo teve do Paraíso: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado ao terceiro céu. Se foi no corpo ou fora do corpo, não sei; só Deus o sabe. Sim, somente Deus sabe se foi no corpo ou fora do corpo. Mas eu sei que tal homem foi arrebatado ao paraíso e ouviu coisas tão maravilhosas que não podem ser expressas em palavras, coisas que a nenhum homem é permitido relatar” (2Coríntios 12:2-4).

Nesta passagem, Paulo descreve sua experiência de ser arrebatado ao Paraíso, onde ele ouviu coisas inefáveis. Embora Paulo não forneça muitos detalhes sobre o que ele viu ou ouviu no Paraíso, essa visão é frequentemente interpretada como uma experiência de comunhão direta com Deus e uma antecipação da glória futura reservada para os salvos no céu. Portanto, essa passagem reforça a ideia de que o Paraíso é de fato o lugar da presença de Deus e dos santos, como mencionado em sua definição.

Portanto, o Paraíso, à luz da Bíblia, é um lugar de profunda comunhão com Deus, uma realidade de bênção e felicidade para os salvos, e a expressão máxima da restauração e renovação de todas as coisas.

2. O que é a Cidade Eterna?

A Cidade Eterna, como descrita na Bíblia, refere-se à Nova Jerusalém, que é apresentada como o destino final dos santos e a morada eterna de Deus com seu povo. Esta cidade é mencionada especialmente no livro do Apocalipse, capítulos 21 e 22. Ela surgirá depois do Juízo Final, após o Milênio (Apocalipse 20), e da purificação da Terra por meio de fogo (2Pd.3:10).

A Nova Jerusalém é descrita como uma cidade celestial que descerá do Céu para a terra (Apocalipse 21:2). Ela é apresentada como uma cidade santa, preparada como noiva adornada para seu esposo (Apocalipse 21:2). Ela é descrita como tendo a glória de Deus, resplandecendo como uma joia preciosíssima, como cristal claro (Apocalipse 21:11). É também uma cidade santa, onde nada impuro pode entrar (Apocalipse 21:27).

Uma das características mais marcantes da Cidade Eterna é a presença contínua de Deus e do Cordeiro. O próprio Deus habitará com seu povo, e eles serão seu povo, e Deus mesmo estará com eles como seu Deus (Apocalipse 21:3).

Na Nova Jerusalém, não haverá mais morte, pranto, lamento ou dor, pois as coisas antigas terão passado (Apocalipse 21:4). Os habitantes da cidade desfrutarão de bênçãos eternas e viverão em paz e comunhão perfeitas com Deus.

A cidade tem doze portas, cada uma feita de uma única pérola, e cada porta é guardada por um anjo (Apocalipse 21:12). Isso simboliza que a cidade está aberta para todos os salvos de todas as nações, que entrarão nela e desfrutarão de sua glória.

Os habitantes da Cidade Eterna terão seus corpos transformados em um estado glorioso, livre da corrupção e da mortalidade (1Coríntios 15:54).

Em resumo, a Cidade Eterna, ou Nova Jerusalém, é a consumação do plano de Deus para a redenção da humanidade, um lugar de glória, santidade, presença divina e bênçãos eternas para os salvos. Sua descrição na Bíblia serve como uma esperança gloriosa para os crentes e uma promessa do cumprimento final da vontade de Deus.

3. Quando a eternidade começará?

De acordo com o estudo minucioso e acurado da Escatologia Bíblica, a eternidade começará após uma série de eventos descritos nas Escrituras. Veja a sequência desses eventos e as referências bíblicas pertinentes:

a)   Arrebatamento da Igreja. O primeiro evento significativo é o Arrebatamento da Igreja, no qual os crentes serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares (1Tessalonicenses 4:16,17). Este evento marcará o início de uma série de eventos proféticos que culminarão na eternidade.

b)   Grande Tribulação. Após o Arrebatamento, ocorrerá um período de tribulação conhecido como a Grande Tribulação, que durará sete anos, conforme mencionado em várias passagens, incluindo Daniel 9:27 e Apocalipse 7:14. Durante este tempo, haverá julgamentos divinos sobre a terra e grande sofrimento.

c)   Segunda Vinda de Cristo. Após a Grande Tribulação, Jesus Cristo retornará gloriosa e triunfantemente (Apocalipse 1:7) à terra para julgar as nações (Mateus 25:31-46), destruir os inimigos de Israel (Apocalipse 19:17-21), prender Satanás por mil anos (Apocalipse 20:1-3) e estabelecer, sem nenhum impedimento, o tão esperado seu Reino milenar (Mateus 24:29-31 e Apocalipse 19:11-16).

d)   Reino Milenar. Durante mil anos, Cristo reinará sobre a terra, conhecido como o Reino Milenar (Apocalipse 20:4). Durante esse período, Satanás estará preso e haverá um período de plena paz e justiça sob o governo de Cristo.

e)   Juízo Final e eternidade. Após o milênio, Satanás será solto e derrotado para sempre; será julgado e jogado no Inferno propriamente dito, que é o Lago de Fogo e Enxofre (Apocalipse 20:10). Após isso, ocorrerá a ressurreição de todos os ímpios, de todos aqueles que não fizeram parte da Primeira Ressurreição (Apocalipse 20:5;), e serão julgados perante o grande Trono Branco – é o grande Juízo Final (Apocalipse 20:11-15). Este será o momento em que a eternidade começará de fato. Após esse julgamento, os salvos habitarão no novo céu, na nova terra e na Nova Jerusalém, onde desfrutarão da presença eterna de Deus (Apocalipse 21:1-4).

Portanto, de acordo com a visão escatológica autenticamente cristã, a eternidade começará após o Juízo Final e a inauguração do novo céu, nova terra e Nova Jerusalém, onde os salvos desfrutarão da presença eterna de Deus em um estado de felicidade e comunhão perfeita.

II. O ESTADO ETERNO E PERFEITO

1. O Estado Perfeito à luz da doutrina bíblica

Já estudamos sobre o Estado Eterno no item 1 do tópico II da Lição 03. Foi dito que depois da abertura dos sete selos, conforme Apocalipse 6, em que predominarão a desordem, a tribulação, o julgamento das nações (Mt.25:31-46), o milênio, o julgamento definitivo de Satanás (Ap.20:10) e o Juízo do Grande Trono Branco (Ap.20:11-15), o quadro revelado na sequência é do “novo Céu e da nova Terra”, ou seja, o Estado Eterno e Perfeito (Ap.21:1).

Uma nova reforma cósmica radical sempre esteve nos planos de Deus. Deus transformará os céus e a Terra que hoje conhecemos, de tal forma, que corresponderá a uma nova criação. O apóstolo Pedro descreve isso com contundência: “esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão. Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2Pd.3:12,13).

O novo Céu e a nova Terra serão tão magníficos que tornarão os antigos céus e a Terra insignificantes. No capítulo final da profecia de Isaias, o Senhor promete que esse novo Céu e essa nova Terra perdurarão para sempre, juntamente com todos os santos de Deus - “Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o SENHOR, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome” (Is.66:22). Observe que, em um novo universo, a Nova Jerusalém será o foco de todas as coisas (Ap.21:2).

O “novo céu e nova terra” é o destino dos salvos em Cristo; é um novo lar completamente redimido, sem qualquer semelhança com o mundo antigo, pois “eis que faço novas todas as coisas” (Ap.21:5).

Segundo o pr. Antônio Gilberto, no Estado Eterno haverá:

a)   Governo perfeito. O homem não tem sabido, nem podido governar bem a Terra. Todas as tentativas humanas nesse sentido fracassaram: dos gregos, através da cultura; dos romanos, através da força e da justiça; e dos governantes dos nossos tempos, através da ciência e da política. Mas Cristo exercerá um governo perfeito, no seu tempo. Nunca haverá desordem, insatisfação, injustiça.

b)   Habitantes perfeitos - "Nunca mais haverá qualquer maldição" (Ap.22:3). Não haverá mais pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda sorte de maldição (ler Gn.3:17; Gl.3:13).

c)   Serviço perfeito - "Os seus servos o servirão" (Ap.22:3). O maior privilégio do homem é servir a Deus. O trabalho para Deus será perfeito; Culto perfeito; Atividades perfeitas. Quantas maravilhas não aguardam os salvos!

d)   Comunhão perfeita - “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles”(Ap.21:3). O novo céu e a nova Terra é a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens, que havia antes que o pecado causasse o atual estado de divisão que existe entre Deus e a humanidade. Como povo de Deus, desfrutaremos comunhão mais próxima com Ele do que jamais imaginamos. Deus mesmo estará com todos os seus santos num relacionamento mais íntimo e afetuoso. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo João, de vermos Deus como Ele é (1João 3:2).

e)   Visão perfeita - "Contemplarão a sua face" (Ap.22:4). Somente com uma visão perfeita é possível contemplar a face de nosso Senhor. Nenhum homem neste mundo viu a face do Senhor. Nem mesmo Moisés que teve uma íntima comunhão com Deus. Para ele Deus disse: “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá” (Êx.33:20). A esperança dos fiéis é de contemplar a face de Deus (Salmos 11:7; 17:15). Os vencedores terão este privilégio diante do trono de Deus e do Cordeiro - “Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face” (Ap.22:3,4).

f)    Identificação perfeita - "E nas suas frontes está o nome dele" (Ap.22:4). Nome na Bíblia fala de caráter; daquilo que a pessoa de fato é. Haverá então uma perfeita identificação entre Deus e os seus remidos. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levava gravadas, numa lâmina de ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: "Santidade ao Senhor" (Êx.39:30). Mas no Estado Eterno, onde a santidade é perfeita, o próprio nome de Deus estará sobre a fronte dos seus filhos.

g)   Conhecimento Perfeito. Hoje, conhecemos a Deus apenas em parte, mas no Novo Céu e na Nova Terra o nosso conhecimento será claro e perfeito dentro do plano humano, em glória (cf.1Co.13:12).

Enfim, o perfeito Estado Eterno é descrito na Bíblia como um lugar de santidade e perfeição, pois a antiga ordem, em que imperava a natureza do pecado, será abolida e dará lugar a um lugar santo, puro e perfeito.

2. O Estado Eterno e Perfeito à luz de Apocalipse 22:1-5

O Estado Eterno e Perfeito descrito em Apocalipse 22:1-5 apresenta uma visão vívida e gloriosa do destino final dos santos, onde a presença de Deus é central e todas as coisas serão restauradas à perfeição. O Livro do Apocalipse traz alguns símbolos que descrevem de maneira mais vívida o divino Estado Perfeito. São símbolos que comunicam a singularidade desse novo estado: a) um rio; b) a árvore; c) a ausência de males; d) a presença de Deus; e) interação Real.

a) A vida eterna descrita como um rio (Ap.22:1). A imagem do rio da vida em Apocalipse 22:1 é profundamente simbólica e rica em significado. Ela representa a vida eterna e a provisão contínua de Deus para seus filhos. Em Apocalipse 22:1 é descrito um rio da vida que flui do trono de Deus e do Cordeiro na Nova Jerusalém. Esse rio representa a fonte inesgotável da vida eterna que emana de Deus e do sacrifício redentor de Jesus Cristo. Ele simboliza a abundância e a vitalidade da vida eterna que será desfrutada pelos santos na presença de Deus.

Jesus frequentemente usava a metáfora da água para descrever a vida espiritual que Ele oferece. Em João 4:10, Jesus fala à mulher samaritana sobre a água viva que Ele dá, que se tornará na pessoa uma fonte de água que jorra para a vida eterna. Essa água da vida é um símbolo da salvação e da vida espiritual que é recebida através da fé em Cristo.

O Salmo 46:4 e a visão de Ezequiel sobre o rio que sai do templo (Ezequiel 47:1-12) também contribuem para a compreensão do simbolismo do rio da vida. No Salmo 46:4, o rio de Deus traz alegria à cidade de Deus e simboliza sua provisão e proteção. Em Ezequiel 47, o rio que flui do templo traz vida e cura por onde passa, representando a restauração e a renovação que Deus traz ao seu povo.

Portanto, a imagem do rio da vida em Apocalipse 22:1 está profundamente enraizada na tradição bíblica e simboliza a provisão divina de vida eterna e restauração completa para aqueles que estão em comunhão com Deus. É uma expressão da graça e do amor de Deus, que flui continuamente para seu povo, trazendo vida, cura e alegria eterna.

b) A vida eterna descrita como árvore (Ap.22:2). A referência à árvore da vida remete ao Jardim do Éden em Gênesis, onde essa árvore simbolizava a vida eterna e a comunhão com Deus (Gn.2:9; 3:22). No contexto de Apocalipse 22, a árvore da vida é mencionada como uma das características do Estado Eterno, fornecendo frutos e folhas para a cura das nações. Essa imagem retrata a restauração completa da vida e da saúde, livre de doenças e morte. Seus 12 frutos, de mês em mês, e suas folhas simbolizam a vida que triunfou sobre as enfermidades e a morte. Não haverá mais dores nem doenças, pois no divino Estado Eterno, a morte não existirá.

c) A vida eterna sem males (Ap.22:3). O texto afirma que não haverá mais maldição no Estado Eterno - Não haverá mais “maldição contra alguém” (Ap.22:3). O problema do coração do ser humano será para sempre resolvido, pois o mal será plenamente erradicado. Ali, o trono de Deus e do Cordeiro estarão centralizados no coração do ser humano.

d) A vida eterna na presença de Deus (Ap.22:4). A descrição da presença de Deus como luz e a promessa de que os santos verão sua face refletem a comunhão íntima e direta que os crentes terão com Deus no Estado Eterno. Essa é a culminação da redenção, onde os salvos desfrutarão da presença de Deus em sua plenitude, sem a barreira do pecado ou da separação.

Contemplaremos Deus face a face (1Co.13:12), e sua presença será a nossa luz para sempre (Ap.22:4). “Agora vemos de modo imperfeito, como um reflexo no espelho, mas então veremos tudo face a face. Tudo que sei agora é parcial e incompleto, mas conhecerei tudo plenamente, assim como Deus já me conhece plenamente” (1Coríntios 13:12). Que alegria indizível! Prestaremos culto olhando diretamente para Ele. Sua presença gloriosa fará com que não haja mais noite, não havendo mais qualquer escuridão, e para sempre reinaremos com Ele.

e) A vida eterna em sua interação Real (Ap.22:5) - "E reinarão pelos séculos dos séculos". No Estado Eterno, ou seja, no Novo Céu e na Nova Terra, todos juntos, harmonicamente, e para sempre, reinaremos com Deus. Isso jamais será conseguido aqui, mas no perfeito Estado Eterno, sim!

Em resumo, o Estado Eterno e Perfeito descrito em Apocalipse 22:1-5 é uma visão gloriosa da vida eterna em comunhão íntima com Deus, livre de todos os males e restaurada à perfeição original. Essa visão oferece esperança e consolo aos crentes, lembrando-os do destino final preparado por Deus para aqueles que o amam.

III. O ESTADO FINAL DE TODOS OS SANTOS

1. O que todo crente salvo deve esperar?

Desde os tempos antigos até os dias atuais, a visão dos santos de Deus sempre esteve além das fronteiras terrenas. Tanto os patriarcas do Antigo Testamento quanto os fiéis do Novo Testamento ansiavam por algo além deste mundo passageiro. Tanto Abraão, o patriarca da fé, como Moisés, líder do povo de Israel, e todos os santos do Antigo Testamento mantiveram uma perspectiva celestial. Abraão "esperava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador" (Hebreus 11:10). Moisés, mesmo diante das riquezas e glórias do Egito, optou por sofrer com o povo de Deus, "porque tinha os olhos postos na recompensa" (Hebreus 11:26). Esta busca pela morada celestial é um tema central na jornada de fé de todo crente salvo.

Assim como os patriarcas e os santos do passado, os crentes salvos hoje reconhecem que são peregrinos neste mundo. Conscientes de que sua verdadeira pátria é a celestial (Filipenses 3:20), vivem neste mundo como estrangeiros, aguardando a cidade que Deus preparou para eles (João 14:2,3). A esperança dos santos se concentra nessa Cidade Celestial, descrita nas Escrituras como um lugar de beleza indescritível, onde Deus habitará com Seu povo (Apocalipse 21:3). Essa cidade será o lar eterno dos salvos em Cristo, onde não haverá mais dor, sofrimento ou morte.

Inspirados pelos exemplos dos patriarcas e santos do passado, continuamos nossa jornada nesta terra como peregrinos, aguardando com expectativa a realização plena de nossa fé na Cidade Celestial. Que esta esperança nos fortaleça e nos encoraje enquanto caminhamos rumo ao nosso destino final em Deus.

2. Viveremos todos em unidade

A visão da Cidade Celestial descrita nas Escrituras revela não apenas uma gloriosa morada eterna, mas também a Assembleia de santos unida em perfeita harmonia. Ao examinarmos as referências bíblicas, especialmente aquelas que mencionam as tribos de Israel e os apóstolos, compreendemos que a unidade é um elemento central nesse cenário celestial.

Ao descrever as 12 portas da Cidade Celestial, onde estão inscritos os nomes das tribos de Israel, e os alicerces, que levam os nomes dos 12 apóstolos, o livro do Apocalipse indica a inclusão de pessoas de todas as eras na comunidade celestial (Ap.21:9-14). Essa simbologia representa a união entre o antigo Israel e a Igreja, formando um só Corpo de Cristo. Essa união entre as pessoas de Israel e da Igreja na Nova Jerusalém cumprirá plenamente o que foi anunciado em Gálatas 3:28: "nisto não há judeu nem grego". Nessa Nova Cidade, não haverá segregação, discriminação ou diferenças de classe. Todos serão um só povo em Cristo Jesus, desfrutando da comunhão perfeita e da igualdade diante de Deus.

A visão da unidade na Cidade Celestial reflete a realidade do Corpo de Cristo, onde cada membro tem sua importância e contribuição única. Nessa Assembleia celestial, todas as diferenças são reconciliadas e superadas pela graça redentora de Cristo, resultando em uma perfeita unidade na diversidade.

3. Finalmente em casa

Compreendemos que nossa morada final não se encontra neste mundo passageiro, tampouco na sepultura, pois somos chamados de peregrinos e estrangeiros nesta Terra (Hebreus 11:13). O apóstolo Paulo nos lembra de que nossa verdadeira cidade está nos Céus (Filipenses 3:20). Aqueles que mantêm uma comunhão íntima com Cristo e Sua Palavra nutrem em seus corações o desejo ardente de estar em casa, assim como expressou o apóstolo dos gentios (2Coríntios 5:8; Filipenses 1:21,23). Esta é a grande recompensa reservada para nós quando completarmos nossa jornada terrena. É a bendita esperança de todo cristão sincero que anseia habitar no Céu.

CONCLUSÃO

A Cidade Celestial, descrita nas Escrituras como um lugar de perfeita comunhão com Deus e entre os santos, é a promessa final da nossa fé. Como peregrinos e estrangeiros nesta Terra, aguardamos com expectativa o Dia em que seremos reunidos na presença do Senhor, habitando eternamente na Sua presença.

Que a visão da Cidade Celestial inspire em nós uma maior dedicação à comunhão com Cristo e ao serviço do Reino de Deus. Que nos lembremos sempre de que nossa verdadeira casa está além deste mundo passageiro, e que vivamos cada dia com a esperança da glória futura que nos espera na presença do nosso Salvador. Que a promessa da Cidade Celestial seja para nós um farol de esperança, orientando nossos passos enquanto caminhamos nesta jornada da fé. Que possamos viver em antecipação a esse glorioso Dia, onde finalmente estaremos em casa com nosso Senhor para sempre.

“Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente venho sem demora.  Amém! Vem, Senhor Jesus!”  (Apocalipse 22:20).

A BENDITA ESPERANÇA: A MARCA DO CRISTÃO

 

Texto Base: Romanos 8:18-25

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).

Romanos 8:

18.Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.

19.Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.

20.Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,

21.na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

22.Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.

23.E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.

24.Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará?

25.Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.

INTRODUÇÃO

A Esperança Cristã é o alicerce que sustenta a jornada de fé do crente, impulsionando-o a persistir na trajetória delineada por nosso Salvador. Ela não apenas direciona nosso olhar para um futuro onde a promessa divina se concretizará, mas também nos convida a uma vigilância constante, evitando sermos surpreendidos. Além disso, oferece-nos um refúgio de alegria e consolo frente às adversidades deste mundo. Como uma âncora para a alma, conforme expresso em Hebreus 6:19, a esperança cristã nos proporciona estabilidade e segurança mesmo diante das incertezas mais desafiadoras. Desde o momento em que o crente nasce de novo, é chamado a viver uma vida permeada pela esperança. Essa esperança cristã encontra seu fundamento na ressurreição do Senhor Jesus, como destacado em 1Pedro 1:3,21. Nesta lição, exploraremos esses temas, analisando o quanto é importante "a Bendita Esperança: a Marca do Cristão".

I. PARA ONDE APONTA A ESPERANÇA DO CRISTÃO?

1. A Esperança cristã

De acordo com o Novo Testamento, a “esperança” é uma expectativa favorável e confiante que se fundamenta ao que não se vê, ao futuro (Rm.8:24,25). À luz das Escrituras, a Esperança do cristão aponta para diversas direções que revelam a riqueza e a amplitude dessa realidade espiritual.

a)   Para a glória futura em Cristo. Paulo enfatiza que a esperança do cristão está firmemente estabelecida em Cristo, sendo Ele a esperança da glória (Colossenses 1:27). Essa esperança transcende as circunstâncias terrenas e direciona o olhar do crente para a promessa da vida eterna em comunhão com Deus.

b)   Para a redenção final. A esperança cristã também se estende à expectativa da redenção final do corpo e da criação. Paulo descreve essa realidade em Romanos 8:23-25, onde os crentes aguardam a adoção como filhos de Deus e a redenção do corpo. Essa esperança é uma âncora diante das tribulações presentes, pois aponta para a restauração completa que está por vir.

c)   Para a volta de Cristo. A esperança do cristão está intrinsecamente ligada à segunda vinda de Cristo. Tito 2:13 nos exorta a aguardar a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Esta esperança nos motiva a viver de forma piedosa e vigilante, esperando o retorno glorioso de nosso Senhor. É a mais sublime esperança!

d)   Para a herança incorruptível. Pedro nos lembra em 1Pedro 1:3-5 que, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, fomos regenerados para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se desvanece, reservada nos céus para nós. Essa esperança nos sustenta em meio às provações, lembrando-nos da recompensa eterna que aguarda os fiéis.

Portanto, a esperança do cristão não é apenas uma expectativa vaga, mas uma confiança sólida e fundamentada nas promessas de Deus reveladas em Cristo Jesus, que nos orienta para a glória futura, a redenção final, a volta do Senhor e a herança eterna.

2. A Esperança nas cartas do apóstolo Paulo

A Esperança é de fato um tema recorrente e central nas cartas do apóstolo Paulo, refletindo a importância e a profundidade dessa virtude na vida do crente. Veja os comentários de alguns textos pertinentes, destacando a relevância da esperança em cada contexto:

a)   Atos 23:6. Neste contexto, Paulo menciona sua crença na ressurreição dos mortos, destacando sua esperança na vida futura em Cristo. Essa esperança na ressurreição é fundamental para a fé cristã, pois nos dá a certeza de que a morte não é o fim e de que há uma vida eterna preparada para os que creem.

b)   1Tessalonicenses 4:13,14. Paulo aborda aqui a esperança dos cristãos em relação àqueles que morreram em Cristo, assegurando-lhes que, assim como Jesus ressuscitou, Deus também trará consigo os que dormem em Jesus. Essa esperança da ressurreição dos mortos em Cristo traz consolo e encorajamento aos crentes diante da morte.

c)   Atos 26:6,7. Paulo menciona sua esperança no cumprimento das promessas feitas por Deus aos pais, revelando sua confiança na fidelidade de Deus em cumprir o que foi prometido. Essa esperança no cumprimento das promessas divinas fortalece a fé dos crentes, lembrando-os da soberania e da fidelidade de Deus ao longo da história.

d)   Gálatas 5:5. Aqui, Paulo fala da esperança da justiça pela fé, mostrando que os cristãos aguardam pela realização plena da justiça prometida por Deus. Essa esperança na justiça futura é uma motivação para perseverar na fé e na prática da justiça no presente.

e)   Colossenses 1:5. A esperança do Evangelho mencionada por Paulo é a confiança na salvação e na vida eterna por meio de Jesus Cristo. Essa esperança está centralizada na mensagem do Evangelho e na obra redentora de Cristo, que oferece perdão e reconciliação com Deus.

f)    1Tessalonicenses 5:8. Aqui, Paulo fala da esperança do arrebatamento da Igreja, destacando a importância da vigilância e da preparação dos crentes para o retorno de Cristo. Essa esperança na segunda vinda de Cristo motiva os crentes a viverem de forma santa e dedicada ao Senhor.

g)   Efésios 1:18. Paulo expressa sua esperança na vocação dos santos, indicando a confiança na realização do propósito de Deus para a Igreja. Essa esperança na vocação divina encoraja os crentes a viverem em conformidade com o chamado de Deus em suas vidas.

h)   Tito 1:2; 3:7. Nestes versículos, Paulo menciona a esperança da vida eterna, ressaltando a certeza da salvação e da herança celestial reservada aos crentes. Essa esperança na vida eterna é uma fonte de consolo e segurança para os cristãos, sustentando-os em meio às dificuldades e provações desta vida.

i)    Tito 2:13. Por fim, Paulo fala da esperança do aparecimento da glória de Deus e do Senhor Jesus Cristo, destacando a expectativa dos crentes pela segunda vinda de Cristo e pela revelação da glória divina. Essa esperança na manifestação da glória de Deus é a consumação de todas as outras esperanças cristãs, representando o cumprimento final do plano de Deus para a redenção da humanidade e a restauração de todas as coisas.

Em resumo, a Esperança nas cartas de Paulo é apresentada como uma virtude fundamental da vida cristã, baseada na confiança nas promessas de Deus, na obra redentora de Cristo e na certeza da vida eterna. Essa Esperança orienta e fortalece os crentes em sua jornada de fé, dando-lhes ânimo e firmeza diante das adversidades e incertezas da vida presente.

3. Deus: o autor da nossa esperança

A Esperança cristã é intrinsecamente ligada à obra redentora de Cristo e à atuação soberana de Deus na vida dos crentes. Esta Esperança não é meramente uma expectativa humana, mas uma realidade espiritual concedida por Deus através do novo nascimento em Cristo (1Pedro 1:23). É uma obra sobrenatural realizada por Deus na vida daqueles que creem em Jesus Cristo como Salvador.

Paulo expressa que Deus é o autor da esperança do crente (Romanos 15:13), preenchendo-os de toda a alegria e paz no crer, para que transbordem de esperança pelo poder do Espírito Santo. Essa esperança não é meramente um sentimento humano, mas uma dádiva divina que capacita os crentes a perseverarem e a encontrarem consolo e força em meio às dificuldades.

A Esperança cristã capacita os crentes a suportarem perseverantemente todas as adversidades e perseguições que enfrentam ao longo da jornada da fé (Hebreus 10:32-36). Mesmo diante das tribulações, a esperança na promessa da vida eterna com Deus fortalece os crentes a permanecerem firmes na sua fé.

Ao longo da história, a Igreja de Cristo enfrentou perseguições cruéis e diversos desafios, porém, a esperança na vida eterna com Deus tem sido uma fonte de fortalecimento e perseverança para os crentes (Atos 20:24). Esta esperança é inabalável, pois está fundamentada na fidelidade e no poder de Deus.

Assim, podemos concluir que a esperança cristã é uma realidade espiritual concedida por Deus aos crentes através do novo nascimento em Cristo, capacitando-os a perseverarem e a encontrarem consolo e força em meio às adversidades da vida. Essa esperança é uma dádiva divina que sustenta os crentes em todas as circunstâncias, pois está firmemente fundamentada na promessa da vida eterna com Deus.

II. A PERSPECTIVA ESCATOLÓGICA DA ESPERANÇA CRISTÃ

1. A Bíblia focaliza o futuro

A Bíblia, de fato, oferece uma perspectiva abrangente sobre o futuro, desde o início da história da Criação até o cumprimento final das promessas divinas. O livro de Gênesis nos revela a origem do mundo e da humanidade, mas também antecipa a promessa da redenção que seria realizada por meio de Cristo.

a)   Origem e queda da humanidade (Gênesis - capítulos 1-3). Os primeiros capítulos de Gênesis narram a criação do mundo e da humanidade por Deus, bem como a queda da humanidade no pecado. No entanto, mesmo após a queda, Deus oferece a promessa da redenção, como visto na profecia sobre o descendente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente (Gênesis 3:15).

b)   Promessa de redenção em Cristo (Efésios 1:10). O apóstolo Paulo, em Efésios 1:10, revela que a morte de Jesus Cristo tem uma abrangência cósmica, reconciliando todas as coisas consigo mesmo, tanto as que estão nos céus quanto as que estão na terra. Isso aponta para a restauração e a reconciliação final de todas as coisas em Cristo, conforme prometido desde os primórdios da história humana.

c)   Cumprimento da promessa em Cristo (Apocalipse 12:9). O livro do Apocalipse retrata a batalha entre Deus e Satanás, culminando na vitória final de Cristo sobre Satanás e a restauração final da criação. Apocalipse 12:9 destaca que Satanás, o grande adversário, será derrotado pela obra redentora de Cristo, cumprindo assim a promessa feita no Éden.

Portanto, a Bíblia não apenas registra o passado e o presente, mas também focaliza o futuro, revelando a promessa de redenção em Cristo desde os primórdios da história humana até o cumprimento final das promessas divinas. Essa narrativa oferece esperança e confiança aos crentes, pois aponta para a restauração completa e a reconciliação de todas as coisas em Cristo Jesus.

2. A esperança no porvir traz consolo e alegria ao crente

A esperança no porvir é uma fonte de consolo e alegria para o crente, conforme a Palavra de Deus revela em várias passagens. Paulo afirma que as Escrituras foram escritas para o nosso ensino, a fim de que, pela paciência e pela consolação proveniente das Escrituras, tenhamos esperança (Romanos 15:4). As promessas contidas na Palavra de Deus são uma fonte constante de consolo para os crentes, fortalecendo-os diante das tribulações presentes e renovando sua esperança no porvir.

Paulo também nos lembra que as aflições do presente não podem ser comparadas com a glória que há de ser revelada em nós (Romanos 8:18). A esperança na vida eterna com Cristo traz uma alegria profunda e duradoura, que transcende as circunstâncias adversas deste mundo. Essa esperança nos capacita a suportar as dificuldades com paciência e fé, sabendo que o que nos aguarda na eternidade é incomparavelmente glorioso.

O Salmo 46 nos lembra que Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na hora da angústia (Salmos 46:1-3). Essa confiança na soberania de Deus traz consolo e segurança ao coração do crente, pois sabemos que Ele governa sobre todas as coisas e age em favor do Seu povo, mesmo diante das incertezas e desafios do futuro.

Portanto, a esperança no porvir é uma fonte de consolo e alegria para o crente, sustentada pelas promessas das Escrituras e pela confiança na soberania de Deus. Essa esperança nos capacita a enfrentar as dificuldades da vida com fé e confiança, sabendo que o que nos aguarda na eternidade é glorioso e incomparável.

3. Por que uma doutrina da esperança?

A necessidade de uma doutrina da esperança é fundamentada nas promessas divinas registradas na Escritura Sagrada. Conforme expresso em 1Tessalonicenses 4:13-18, os crentes confiam na promessa da ressurreição dos que morreram em Cristo e na transformação dos vivos por ocasião da Sua volta. Esta promessa gloriosa inclui o privilégio de reinar com Cristo. Enquanto aguardamos o cumprimento dessas promessas, vivemos na esperança, confiando na fidelidade daquele que as fez, como afirmado em Hebreus 10:23. Assim, a doutrina da esperança nos fortalece e nos sustenta, impulsionando-nos a perseverar na fé, na expectativa de que em breve tudo se cumprirá, pois o nosso Deus é fiel para cumprir suas promessas.

III. A ESPERANÇA CRISTÃ COMO ÂNCORA DA ALMA

1. Nossa esperança como âncora

A analogia da âncora é frequentemente utilizada para descrever a esperança do crente, representando sua função de estabilidade e segurança na dele. Como descrito em Hebreus 6:18,19, a esperança cristã é comparada a uma âncora da alma, segura e firme, que nos mantém ancorados durante nossa jornada com Cristo. Assim como uma âncora mantém um navio parado no mar agitado, nossa esperança em Deus é o que nos sustenta e nos estabiliza em meio às tempestades e incertezas da vida. Essa esperança nos dá confiança e firmeza, pois sabemos que Deus é fiel em cumprir suas promessas e nos guiará através de todas as tempestades e adversidades.

2. Por que a Esperança do crente é a melhor?

A Esperança do crente em Cristo é incomparável porque é fundamentada na promessa divina e na obra redentora de Jesus. Conforme afirmado pelo apóstolo Paulo em Efésios 2:12, sem Cristo não há esperança verdadeira para o ser humano. Qualquer esperança que não esteja enraizada em Cristo é vã e destituída de significado.

Enquanto há diversas formas de esperança presentes na cultura humana, como aquelas baseadas em religiões, astrologia, ou políticas revolucionárias, todas elas são transitórias e insuficientes. A Esperança em Cristo, no entanto, é segura, consoladora e possui propósito (Colossenses 1:27).

Por meio da fé em Cristo, os crentes têm a garantia da salvação e da vida eterna, uma esperança que não decepciona e que transcende as circunstâncias terrenas (Romanos 5:5). Essa esperança é uma fonte de consolo, fortaleza e alegria, mesmo em meio às tribulações da vida, pois está fundamentada na fidelidade e no amor de Deus revelados em Cristo Jesus. Assim, a esperança do crente em Cristo é verdadeiramente a melhor, pois é eterna, segura e plenamente satisfatória. Glórias a Deus por esta maravilhosa Esperança!

3. Mantendo firme a Esperança

Manter firme a Esperança é uma parte essencial da jornada cristã, especialmente diante das incertezas e desafios da vida. Essa prática é fundamentada na confiança nas promessas de Deus e na certeza da esperança que temos em Cristo Jesus. Aqui estão alguns aspectos importantes sobre como manter firme essa esperança:

a)   Fé na promessa da Segunda Vinda de Cristo. A Esperança cristã está profundamente ligada à promessa da Segunda Vinda de Cristo. Os cristãos aguardam com expectativa o retorno glorioso do Senhor, sabendo que Ele cumprirá Suas promessas e estabelecerá Seu reino eterno (Tito 2:13; Apocalipse 22:20). Naqueles dias, os discípulos de Cristo entendiam que a sua vinda seria de maneira iminente, isto é, poderia acontecer a qualquer momento (Mateus 25:1-13). Semelhantemente, devemos estar em prontidão, aguardando o dia em que o nosso Senhor arrebatará a sua Igreja. Não sabemos o dia nem a hora que o Senhor virá, mas a nossa parte é manter a nossa esperança viva e firme (Lucas 18:8).

b)   Perseverança na fé. Manter firme a Esperança envolve perseverar na fé, mesmo diante das dificuldades e tribulações. A fé nos capacita a enfrentar os desafios da vida com confiança, sabendo que nossa esperança está firmemente ancorada em Deus (Hebreus 10:23).

c)   Vigilância espiritual. Jesus frequentemente exortou Seus discípulos a estarem vigilantes e preparados para Sua volta. Manter firme a esperança requer uma vigilância espiritual constante, estando atentos aos sinais dos tempos e vivendo de acordo com os princípios do Reino de Deus (Mateus 24:42-44).

d)   Cultivar uma vida de santidade. A Esperança cristã está intrinsecamente ligada a uma vida de santidade e consagração a Deus. Aqueles que têm esperança em Cristo são chamados a viver de maneira digna do Evangelho, buscando a santificação em todas as áreas de suas vidas (1Tessalonicenses 4:7).

e)   Comunhão com os outros irmãos. Manter firme a Esperança é fortalecido pela comunhão com outros crentes. Ao nos reunirmos regularmente com a família da fé, encorajamos e fortalecemos uns aos outros na esperança que temos em Cristo (Hebreus 10:25).

f)    Nutrir a esperança através da Palavra de Deus e da oração. A Esperança é alimentada pela Palavra de Deus e pela comunhão com Ele através da oração. Ao mergulharmos nas Escrituras e buscar uma comunhão íntima com Deus, encontramos renovação e fortalecimento para manter firme nossa esperança, mesmo nos momentos mais difíceis (Romanos 15:4; Filipenses 4:6,7).

Em resumo, manter firme a Esperança é uma prática vital para o crente, que envolve fé na promessa da Segunda Vinda de Cristo, perseverança na fé, vigilância espiritual, uma vida de santidade, comunhão com outros crentes e nutrição da esperança através da Palavra de Deus e da oração. Ao praticarmos esses princípios, encontramos fortaleza, consolo e alegria na esperança que temos em Cristo Jesus.

CONCLUSÃO

Diante das inevitáveis lutas, dissabores e provações que a vida nos apresenta, o cristão encontra sua força e sustento na Esperança verdadeira que é Cristo Jesus, nosso Senhor. Firmando-nos nessa Esperança, podemos enfrentar todas as adversidades sem temor, sem perder a fé e com a certeza de que não estamos sozinhos. A história do Cristianismo é testemunha do crescimento e prosperidade da fé cristã, impulsionada pela compreensão de que esta vida terrena é apenas uma parte transitória de um plano muito maior: a eternidade com Cristo. Portanto, que possamos manter firmemente a confissão da nossa Esperança, pois aquele que prometeu é fiel e cumprirá todas as Suas promessas (Hebreus 10:23). Que essa bendita Esperança continue a ser a marca distintiva do cristão, guiando-nos através de todas as circunstâncias da vida e nos conduzindo à plenitude da comunhão eterna com nosso Salvador.