O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

 

Texto Base: Atos 2:1-13


“Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (Atos 1:5).

Atos 2:

1.Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar;

2.e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

3.E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

4.E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

5.E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.

6.E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.

7.E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando?

8.Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?

9.Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judeia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia,

10.e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos),

11.e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.

12.E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?
13.E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos do “Batismo no Espírito Santo”, uma experiência vívida no orbe pentecostal tradicional. Não é uma experiencia restrita apenas aos dias iniciantes da Igreja ou, quando muito, aos tempos apostólicos, não. E quem é que o diz? Os teólogos pentecostais? Os líderes das denominações chamadas pentecostais? Claro que não! Quem o diz é a própria Palavra de Deus. No dia de Pentecostes, Pedro já dá a amplitude desta operação do Espírito Santo, ao invocar a profecia de Joel a respeito do derramamento do Espírito. O texto sagrado deixa-nos bem claro que a promessa estava reservada para os últimos dias, até o grande e glorioso dia do Senhor (At.2:16-20), reforçando, ao término da pregação, que a promessa dizia respeito tanto a judeus quanto a gentios, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar (At.2:39). Portanto, pelo que podemos concluir pelas Escrituras, o derramamento do Espírito Santo, qual ocorreu no Pentecostes, foi uma manifestação que tem sua duração prevista até o grande e glorioso dia do Senhor.

I. O QUE SIGNIFICA “BATISMO NO ESPÍRITO”?

O Batismo no Espírito Santo é o revestimento e derramamento de poder do Alto - “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós...” (Atos 1:8) -, com a evidência física inicial de línguas estranhas (Atos 2:2,3), conforme o Espírito Santo concede, pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiente serviço para Deus. O crente batizado no Espírito Santo goza do privilégio de uma comunhão mais profunda com Deus, de uma vida de oração mais poderosa, de mais capacidade para entender a Palavra de Deus. Ele pode suportar as provações, as tentações com mais facilidade.

1. O Fenômeno do Pentecostes (Atos 2:2-4)

O poderoso derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, inaugurou o movimento pentecostal (At.2:1-47). Cristo subiu e o Espírito Santo desceu. O Cristo ressurreto ascendeu aos céus e enviou o Espírito a fim de habitar para sempre com a Igreja. A partir do Pentecostes, esta é uma experiência normal da Igreja.

Mas, a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento casual, e sim uma agenda estabelecida por Deus desde a eternidade. O mesmo Espírito Santo que desceu sobre Jesus no Jordão, guiou-o no deserto e revestiu-o com poder para salvar, libertar e curar (Lc.3:21,22; 4:1,14,18), agora veio sobre os discípulos de Jesus (At.1:5,8; 2:33). O Livro de Atos narra outros derramamentos do Espírito Santo e, certamente, essa experiência sobrenatural ocorreu inúmeras vezes no decurso do período da graça, chegando até nós.

A maior parte dos chamados evangélicos tradicionais (ou reformados), ou seja, as denominações evangélicas surgidas durante a Reforma Protestante, movimento de renovação espiritual surgido a partir do século XV na Europa e que teve, entre outros, grandes expressões nas figuras de Martinho Lutero e João Calvino, não aceitam que o batismo no Espírito Santo seja uma realidade para os nossos dias. Argumentam que o derramamento do Espírito Santo foi um acontecimento restrito ao dia de Pentecostes ou, quando muito, aos tempos apostólicos, algo como a própria inspiração do Espírito Santo que resultou na elaboração do Novo Testamento. Entretanto, este entendimento não pode ser aceito, porque não tem respaldo bíblico, pois a Bíblia diz que no dia de Pentecostes, Pedro já dá a amplitude desta operação do Espírito Santo, ao invocar a profecia de Joel a respeito do derramamento do Espírito. O texto sagrado deixa-nos bem claro que a promessa estava reservada para os últimos dias, até o grande e glorioso dia do Senhor (At.2:16-20), reforçando, ao término da pregação, que a promessa dizia respeito tanto a judeus quanto a gentios, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar (At.2:39).

2. Pontos importantes do fenômeno do Pentecostes (1)

a) O significado do Pentecostes (Atos 2:1a) – “Ao cumprir-se o dia do Pentecostes...”.  A palavra pentecoste significa o quinquagésimo dia. Pentecostes era a festa que acontecia cinquenta dias após o sábado da semana da Páscoa (Lv.23:15,16). É também chamado de Festa das Semanas (Dt.16:10), Festa da Colheita (Êx.23:16) e Festa das Primícias (Nm.28:26). Cristo ressuscitou como as primícias dos que dormem e durante quarenta dias deu provas incontestáveis de sua ressurreição com várias aparições a seus discípulos. Dez dias após sua ascensão, o Espírito Santo foi derramado no Pentecostes.

b) A espera do Pentecostes (Atos 2:1b) – “...estavam todos reunidos no mesmo lugar”. Os 120 discípulos estavam congregados no cenáculo em unânime e perseverante oração, quando, de repetente, o Espírito Santo foi derramado sobre eles. Estribados na promessa do Pai anunciada por Jesus, havia no coração deles a expectativa do revestimento de poder. Todos estavam no mesmo lugar, com o mesmo propósito, buscando o mesmo revestimento do Espírito.

c) O derramamento do Espírito no Pentecostes (Atos 2:2-4). O historiador Lucas registra a descida do Espírito com as seguintes palavras:

2.e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

3.E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

4.E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

O derramamento do Espírito Santo foi um fenômeno celestial. Não foi algo produzido, ensaiado, fabricado. Aconteceu algo verdadeiramente do Céu. Foi um fenômeno incontestável e irresistível. Foi soberano, ninguém pôde produzi-lo. Foi eficaz, ninguém pôde desfazer os seus resultados. Foi definitivo, Ele veio para ficar para sempre com a Igreja. William Macdonald afirma que a vinda do Espírito Santo envolveu um Som para ouvir, um Cenário para ver e um Milagre para experimentar.

  • O derramamento do Espírito veio como um som (Atos 2:2). Não foi barulho, algazarra, falta de ordem, histeria, mas um “som” do Céu. A palavra grega “echos”, usada aqui, é a mesma usada em Lucas 21:25 para descrever o estrondo do mar. O derramamento do Espírito Santo foi um acontecimento audível, verificável, público, reverberando sua influência na sociedade. Esse impacto atraiu grande multidão para ouvir a Palavra de Deus.
  • O derramamento do Espírito veio como um vento (Atos 2:2). O vento é símbolo do Espírito Santo (Ez.37:9,14; João 3:8). O Espírito veio em forma de vento para mostrar sua soberania, liberdade e inescrutabilidade. Assim como o vento é livre, o Espírito sopra onde quer, da forma que quer, em quem quer. O Espírito sopra onde jamais sopraríamos e deixa de soprar onde gostaríamos que ele soprasse. Como o vento, o Espírito é soberano. Ele sopra no templo, na rua, no hospital, no campo, na cidade, nos ermos da terra, na hora do batismo nas águas. Quando ele sopra, ninguém pode detê-lo. As pessoas podem até medir a velocidade do vento, mas não podem mudar o seu curso. Como o vento, o Espírito também é misterioso; ninguém sabe donde vem nem para onde vai. Seu curso é livre e soberano. Deus não se submete à agenda das pessoas nem se deixa domesticar.
  • O derramamento do Espírito veio em línguas de fogo (Atos 2:3). O fogo também é símbolo do Espírito Santo. Deus se manifestou a Moisés na sarça em que o fogo ardia e não se consumia (Êx.3:2). Quando Salomão consagrou o templo ao Senhor, desceu fogo do Céu (2Cr.7:1). No Carmelo, Elias orou, e o fogo desceu (1Rs.18:38,39). Deus é fogo. Sua Palavra é fogo. Ele faz dos seus ministros labaredas de fogo. Jesus batiza com fogo. E o Espírito Santo desceu em línguas como de fogo. O fogo ilumina, purifica, aquece e alastra. Jesus veio para lançar fogo sobre a terra. Hoje, em muitas reuniões, a Igreja parece mais uma geladeira a conservar intacto seu religiosismo do que uma fogueira a inflamar corações. Muitos crentes parecem mais uma barra de gelo do que uma labareda de fogo. Certa feita alguém perguntou a Dwight Moody: “como podemos experimentar um reavivamento na igreja?”. O grande avivalista respondeu: “acenda uma fogueira no púlpito”. Quando gravetos secos pegam fogo, até lenha verde começa a arder. John Wesley disse: “ponha fogo no seu sermão, ou ponha o seu sermão no fogo”. O Espírito Santo, como o fogo, derrete o coração, separa e queima a escória, e acende sentimentos santos e devotos na alma. É na alma, como o fogo que está sobre o altar, que são oferecidos os sacrifícios espirituais. Este é o fogo que Jesus veio lançar na terra (Lc.12:49).
  • O derramamento do Espírito Santo traz uma experiência pessoal de enchimento do Espírito Santo (Atos 2:4). Aqueles discípulos já eram salvos. Por três vezes Jesus havia deixado isso claro (João 13:10; 15:3; 17:12). De acordo com a teologia de Paulo, se eles já eram salvos, já tinham o Espírito Santo, pois o apóstolo escreveu: “[...] se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm.8:9). Jesus disse: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino” (João 3:5). Além de já terem o Espírito Santo, após sua ressurreição Jesus ainda soprou sobre eles o Espírito Santo, e disse: “[...] recebei o Espírito Santo” (João 20:22). Mas a despeito de serem regenerados pelo Espírito e de receberem o sopro do Espírito, eles ainda não estavam cheios do Espírito. Uma coisa é ter o Espírito Santo, outra coisa é o Espírito Santo ter alguém. Uma coisa é ser habitado pelo Espírito, outra é ser cheio dEle. Uma coisa é ter Espírito presente, outra é tê-lo como presidente. Você, que tem o Espírito Santo, já teve uma experiência pessoal de enchimento dEle?

3. Duas bênçãos distintas

O Batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta da Salvação. A salvação vem pela fé em Cristo e não pelo batismo no Espírito. Este, reflete a busca por uma aproximação mais pessoal do crente com Deus; Ele capacita o crente a ser eficaz no testemunho do Evangelho ao mundo. Quando a Palavra de Deus é proclamada sob o poder do Espírito, sua veracidade é confirmada muito mais do que naquelas pessoas que são dotadas apenas de refinamento formal e intelectual, embora isto possa ter um importante papel, desde que esteja sob o domínio do Espírito Santo.

Portanto, todos aqueles que foram salvos em Cristo - sejam eles pentecostais, ou não, foram eles batizados no Espírito Santo, ou não -, têm o Espírito Santo, e foram batizados no Corpo de Cristo (1Co.12:13) – “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito”. Quem não tem o Espírito não é cristão (Rm.8:9) – “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”.

Outro texto que comprova que o Batismo no Espírito Santo e a Salvação são duas bençãos distintas é o de Atos 8:14-17. Em Samaria, muitos foram convertidos pela pregação poderosa do Diácono e Evangelista Filipe. Foram salvos, mas não eram batizados no Espírito Santo. Somente após a chegada de Pedro e João eles obtiveram a experiência do Batismo no Espírito Santo.

“Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João, os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus). Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo”.

4. Conceito teológico

No Antigo Testamento, a festa judaica de Pentecostes - que era comemorada cinquenta dias depois da Festa das Primícias, uma prefiguração da ressurreição de Cristo -, era uma figura, um símbolo, um tipo do derramamento do Espírito Santo e, por isso mesmo, este derramamento se iniciou num dia de Pentecostes, para que, através do que está escrito sobre esta festa judaica, entendêssemos o significado desta operação espiritual, que é fundamental para a nossa vida cristã.

Não é coincidência que o derramamento do Espírito Santo tenha se iniciado no dia de Pentecostes. Em primeiro lugar é importante salientar que estamos diante do "ano aceitável do Senhor" (Lc.4:19), ou seja, o tempo em que haveria a pregação do evangelho. Este ano se iniciou com a morte de Jesus Cristo no Calvário, que nos abriu um novo e vivo caminho para o Pai (Hb.10:20), episódio que, por inaugurar este ano do Senhor, nada mais é que a Páscoa (1Co.5:7). Tanto assim é que, no dia seguinte ao sábado da Páscoa, era oferecido um molho das primícias da colheita ao sacerdote (Lv.3:10), que seria movido perante o Senhor, primícia esta que outra não é senão o primogênito dentre os mortos, aquele que ressuscitou no primeiro dia da semana - Cristo Jesus (1Co.15:20,23; Cl.1:18). Em seguida, cinquenta dias depois, vinha o Pentecostes, a festa que indicava o início da colheita no ano, ou seja, a ocasião que demonstra o início da salvação da humanidade através da Igreja, o início do movimento do Espírito Santo, baseado no sacrifício de Cristo, com poder e eficácia, em prol da colheita das almas para o reino celestial, algo que perdurará até a festa da colheita final, até o final deste ano, que se dará com a terceira festa, a festa das trombetas ou festa dos tabernáculos, que representa a volta de Cristo, o arrebatamento da Igreja.

Assim, a descida do Espírito Santo somente poderia ocorrer, mesmo, na festa das primícias, na festa das semanas, que indica o início da colheita, o início da manifestação plena do Espírito Santo no meio da humanidade com vistas à salvação das almas. Era o começo do movimento, e o Espírito Santo sempre esteve relacionado com o mover, como vemos desde a Sua primeira aparição no texto sagrado (Gn.1:2).

II. O PROPÓSITO DO BATISMO NO ESPÍRITO

Visto que a promessa do batismo no Espírito Santo é diferente da promessa da salvação, visto que é dirigida à Igreja, portanto aos que já são salvos, é imperioso que também verifiquemos qual o propósito de tal promessa, porque toda promessa de Deus tem um propósito, pois tudo quanto sucede debaixo do céu tem um propósito, um objetivo (Ec.3:1).

A necessidade do batismo no Espírito Santo apresenta-se como uma verdade sempre presente já no ministério de João Batista, que dizia que o Messias providenciaria o batismo no Espírito Santo (Mt.3:11; Mc.1:8; Lc.3:16; Jo.1:33), o que foi repetido pelo Senhor Jesus em Seu ministério terreno, tendo tal necessidade se tornado patente e comprovada no dia de Pentecostes, quando, diante das primeiras conversões, ficou demonstrado que, sem tal experiência, a obra evangelizadora que se exigia da igreja jamais poderia ser alcançada a contento.

A Promessa é para todas as pessoas que se convertem ao Senhor Jesus em todos os lugares e em todas as épocas; todavia, nem todos os crentes em Jesus são batizados no Espírito Santo. Jesus, ao anunciar que os discípulos deveriam aguardar o revestimento de poder, Jesus não fez qualquer restrição a respeito de quem deveria aguardar o batismo no Espírito Santo - "Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até do que do alto sejais revestidos de poder" (Lc.24:49). Estas foram palavras proferidas pelo Senhor no Monte das Oliveiras, por ocasião do seu último discurso antes de ascender os céus que, segundo nos dá conta o apóstolo Paulo, foram ouvidas por mais de quinhentos crentes (cf. 1Co.15:6; At.1:12; Lc.24:50,51). Assim, a promessa foi feita para todos quantos criam em Jesus e professavam Seu nome naquele tempo, ou seja, a toda a igreja então existente.

Lamentavelmente, dos mais de quinhentos que ouviram a promessa, apenas quase cento e vinte perseveraram até o dia de Pentecostes (At.1:15) e, por isso, só estes, naquela oportunidade, foram revestidos de poder. Entretanto, e isto é muito importante, tantos quantos perseveraram e creram nas palavras do Senhor, alcançaram a bênção, mesmo se não eram do colégio apostólico, se eram homens ou mulheres (sim, mulheres também estavam entre os que foram batizados no Espírito Santo, cf. At.1:14), se eram crentes antigos (como os primeiros discípulos, como Pedro, João e André) ou se eram crentes recentemente convertidos (como os irmãos de Jesus, que se converteram apenas depois da ressurreição do Senhor, cf.1Co.15:7). Jesus quer batizar a tantos quantos creiam na promessa e nela perseverem.

Veja, a seguir, alguns propósitos do Batismo no Espírito Santo:

1. Fazer com que o crente possa ser uma testemunha de Jesus Cristo

O primeiro propósito de Jesus para batizar os Seus servos com o Espírito Santo é, precisamente, fazer com que o crente possa ser Sua testemunha. É o que verificamos no texto de At.1:8:

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”.

Alguém só pode ser testemunha de alguém se tiver presenciado o fato, se conhecer a pessoa ou a sua vida e obra. Como poderia um crente falar a respeito do amor e do poder de Deus, se não os presenciasse, se não os vivenciasse? Somente o crente batizado no Espírito Santo é testemunha plena e completa da obra de Deus através de Jesus Cristo, pois não só desfruta do amor de Deus, pois é salvo, como também foi envolvido pelo poder de Deus através do revestimento de poder.

2. Proporcionar ao crente a alegria do Espírito Santo

A Bíblia fala-nos que, uma vez cheios do poder do Espírito, os discípulos passaram a falar das grandezas de Deus (At.2:11). Estavam todos alegres, glorificando a Deus e exaltando o nome do Senhor. A alegria no Espírito Santo é uma característica indispensável para quem quer ser semelhante a Cristo (Lc.10:21). A alegria é resultado da ação do poder de Deus nas nossas vidas (cf. Lc.10:17). Quando somos salvos, recebemos a alegria da salvação (Sl.51:12), mas se trata de uma alegria introspectiva, interna, enquanto que o gozo advindo da experiência do Batismo no Espírito faz com que ela jorre para os outros, se expresse com ousadia e seja capaz de compungir os corações dos que nos ouvem.

3. Capacitar o crente para a glorificação do nome do Senhor

Com o batismo no Espírito Santo, o crente passa a ser portador de porção do poder divino, que o torna capaz de operar maravilhas, sinais e prodígios (Rm.15:19) para a glorificação do nome do Senhor. Cheios do Espírito Santo, Pedro e João puderam conceder a cura ao coxo da porta Formosa, dando-lhe aquilo que tinham obtido mediante o revestimento de poder. Aliás, a concessão deste poder está tão relacionada ao batismo no Espírito Santo que o próprio Jesus o denominou de "revestimento de poder". É importante, aqui, observar a expressão bíblica "revestimento", ou seja, o crente já é vestido de poder, pois recebeu o Espírito Santo, foi por ele gerado, é uma nova criatura, contra a qual nada pode fazer o mal (1João 5:18), mas, quando batizado no Espírito Santo, passa a ter um poder todo especial, que lhe permite efetuar obras maiores até que as que foram feitas por Jesus em Seu ministério terreno (cf. João 14:12).

4. Criar um ambiente de maior intimidade entre o crente e o Espírito Santo

O batismo no Espírito Santo é um "mergulho", uma "imersão" no Espírito. A pessoa passa a estar envolvida pelo Espírito Santo, a estar integralmente sob a influência do Espírito Santo, a desfrutar de uma intimidade tal que dispensa até mesmo a intermediação de nossa alma neste relacionamento espiritual (como ocorre quando se fala em línguas estranhas, cf.1Co.14:2). Em consequência desta intimidade, o crente pode ser usado mais eficazmente pelo Espírito Santo e lhe compreende os desígnios com muito mais facilidade, o que não ocorre com o que não é batizado no Espírito Santo. Enquanto Apolo teve de ser orientado por Priscila e Áquila, Paulo não teve dificuldade em discernir onde o Espírito Santo queria que ele pregasse o Evangelho.

5. O Batismo no Espírito Santo é uma necessidade real e atual

Desde os dias de João, o batismo no Espírito Santo foi considerado uma necessidade para que a Igreja pudesse cumprir o seu papel, para que o crente pudesse desempenhar, com eficiência e eficácia, aquilo que o Senhor determinou que fizesse. Infelizmente, hoje, não são poucos os crentes que menosprezam e até descreem do batismo no Espírito Santo, confundindo-o com a experiência da conversão (ou novo nascimento) ou, então, dizendo ser uma experiência que ficou circunscrita aos tempos apostólicos. Se é verdade que a falta do batismo no Espírito Santo não compromete a salvação do crente, também não é menos verdadeiro que tudo o mais na vida espiritual apresenta-se comprometido e prejudicado pela ausência desta bênção.

Ora, se assim era nos dias apostólicos, quando a igreja dava os seus primeiros passos, quando se iniciava o período da graça, que diremos nos nossos dias, dias que a Bíblia chama de "tempos trabalhosos" (2Tm.3:1), dias de multiplicação da iniquidade que esfriará o amor de muitos (Mt.24:12), dias de apostasia (2Ts.2:3; 1Tm.4:1), dias comparáveis aos de Noé e de Ló em termos de maldade (Lc.17:26,28)?

Será que, diante de tamanho risco para a nossa salvação, quando já começa a operar com cada vez maior desenvoltura o espírito do anticristo (1João 4:3; 2Ts.2:7), podemos abrir mão desta promessa que o Senhor nos deixou, exatamente para nos dar maior intimidade com Ele, para nos dar poder, para nos dar ousadia? Obviamente que a resposta é não.

O batismo no Espírito Santo continua sendo o instrumento indispensável e necessário para que possamos enfrentar o nosso adversário e ganhar almas para o reino do Senhor, a começar da nossa própria (pois de nada adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua própria alma - Mt.16:26).

Jesus é o mesmo (Hb.13:8) e, deste modo, não haveria de mudar. Se determinou aos discípulos que aguardassem o revestimento de poder para que, com êxito, cumprissem a Sua vontade, se é Seu desejo que todos os crentes sejam batizados no Espírito Santo, não haveria de, agora, às vésperas de Sua volta, alterar os Seus desígnios, modificar a Sua vontade.

Sendo assim, se o(a) querido(a) irmão(ã) ainda não é batizado(a) no Espírito Santo, o que está a esperar? Comece, agora mesmo, a buscar esta promessa, que é para tantos quantos Deus nosso Senhor chamar (At.2:39b).

III. O RECEBIMENTO E A EVIDÊNCIA DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

O Derramamento do Espírito Santo produziu o fenômeno das línguas. O Pentecostes foi o oposto de Babel. Em Babel as línguas eram ininteligíveis; no Pentecostes, não houve necessidade de interpretação. Em Babel houve dispersão; no Pentecostes, ajuntamento. Babel foi resultado de rebeldia contra Deus; Pentecostes, foi fruto da oração perseverante a Deus. Em Babel os homens enalteciam seu próprio nome; no Pentecostes, falavam sobre as grandezas de Deus. John Stott escreveu: “Em Babel, a terra orgulhosamente tentou subir ao Céu, enquanto em Jerusalém, o Céu humildemente desceu à Terra”.

1. As “outras línguas” (Atos 2:4)

“E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.

Lucas destaca a natureza internacional da multidão poliglota reunida ao redor dos 120 discípulos que foram cheiros do Espírito Santo (Atos 2:5-11):

5.E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.

6.E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.

7.E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando?

8.Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?

9.Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judeia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia,

10.9.e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos),

11.e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.

Neste glorioso fenômeno do Pentecostes Deus rompeu a barreira da língua, e os judeus de diversas partes do mundo puderam ouvir os discípulos falando em sua própria língua materna. Essas “outras línguas” eram dialetos conhecidos e falados pelos judeus que habitavam diversas regiões do Império Romano e estavam em Jerusalém por ocasião da festa.

O apóstolo Pedro aborda a questão da “glossolalia” de Atos 2 e diz que não foi consequência de uma intoxicação ou embriaguez (Atos 2:13). Os discípulos não perderam suas funções físicas e mentais; foi um fenômeno tanto de fala como de audição. Não foram sons incoerentes, mas uma habilidade sobrenatural para falar em línguas reconhecíveis. Assim, a expressão “outras línguas” poderia ser traduzida por “línguas diferentes da sua língua materna”. Os discípulos falaram línguas que ainda não haviam aprendido. Essas “outras línguas”, portanto, são conhecidas como “glossolalia”, e elas evidenciam externa, física e inicialmente o batismo no Espírito Santo.

Qual a diferença entre as línguas de Atos 2 e as línguas mencionadas em 1Corintios 12 e 14?

·     As línguas em Atos 2 eram entendias pelos grupos linguísticos de judeus que habitavam Jerusalém; enquanto em 1Corintios as línguas eram ininteligíveis e existia a necessidade de um intérprete para traduzi-las. Consequentemente, elas eram diferentes também quanto ao caráter.

·     As línguas em Atos 2 foram dadas a um grupo específico, num lugar específico, num tempo específico, para evidenciar a recepção do Espírito; ao passo que em 1Corintios as línguas são um dom espiritual que continua sendo outorgado aos crentes para edificação própria e para edificação da Igreja.

·     As línguas em Atos 2 eram dialetos (Atos 2:6,8), ou seja, línguas faladas e entendidas pelos vários povos que estavam em Jerusalém; ao passo que em 1Corintios quem fala em línguas profere mistérios e ninguém pode entender (1Co.14:2).

·     As línguas em Atos 2 não precisam de intérprete, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua; enquanto em 1Corintios até quem fala não entende o que fala, a não ser que tenha também o dom de interpretação (1Co.14:13,14).

·     As línguas em Atos 2 têm o propósito de proclamar as grandezas de Deus para fora, edificando as outras pessoas; já em 1Corintios, as línguas não devem ser usadas em público, a não ser que haja intérprete. É um dom de auto edificação (1Co.12:2,3,19).

2. Função das línguas

As línguas sinalizam a presença do Espírito Santo na vida do crente. As “línguas estranhas” são o único sinal bíblico do batismo no Espírito Santo; é uma exuberante oportunidade em que o Espírito Santo usa um servo de Deus para magnificar o nome do Senhor e levar o mundo a conhecer as grandezas de Deus, por intermédio da sobrenaturalidade. As pessoas no instante que são batizadas no Espírito Santo começam a falar com Deus, a exaltá-lo, a louvá-lo, a glorificá-lo de uma forma evidente e que pode ser notada e contemplada por todas as pessoas. Foram as línguas estranhas que sinalizaram o batismo de Cornélio e sua família (cf. Atros 10:47).

Assim, a “língua estranha” enquanto sinal do batismo no Espírito Santo é algo que está presente na vida de cada crente batizado no Espírito Santo. Portanto, a “língua estranha” como sinal do batismo é algo universal. Se alguém foi batizado no Espírito Santo, ele falou em língua estranha pelo menos no instante em que recebeu esta bênção. Deste modo, só existe um meio biblicamente aceitável para dizer se alguém foi batizado no Espírito Santo: ter sido visto falar em “língua estranha”.

Já a língua como dom espiritual tem uma outra abrangência. Como dom espiritual, diz a Bíblia, é repartida particularmente pelo Espírito Santo a quem Ele quer, ou seja, não é uma bênção que seja distribuída a todos os crentes batizados no Espírito Santo, mas tão somente a quem o Espírito Santo quer. O próprio apóstolo Paulo afirmou, em 1Coríntios 12:2, que havia aqueles que falavam em “língua estranha”, prova de que não eram todos os que falavam.

Portanto, o dom de línguas não é para todos, mas para alguns, ainda que seja, historicamente, o mais disseminado dos dons espirituais, o que se compreende tanto pelo fato de que se trata de um instrumento de edificação individual, quanto pela circunstância de ser o dom mais buscado pelos crentes, a ponto de Paulo ter tido necessidade de pedir aos crentes de Corinto que buscassem mais os dons de profecia e o de interpretação das línguas. 

Todos os batizados no Espírito Santo falam em língua estranha quando recebem o revestimento de poder, mas nem todos têm o dom de línguas; então há um grupo de crentes que, apesar de serem batizados no Espírito Santo, não possuem o dom de línguas e, por conseguinte, apesar de terem falado em “língua estranha” no instante do batismo, não mais falarão dali por diante. A existência deste grupo deve ser aqui realçada pois, inadvertida e erroneamente, há muitos que acham que, se alguém foi batizado no Espírito Santo e deixou de falar em línguas, precisa ser renovado, não está bem espiritualmente, pecou ou fez algo que não era da vontade de Deus. Nem sempre podemos assim considerar, pois nem sempre quem é batizado no Espírito Santo, recebe o dom de línguas.

3. Atualidade das línguas

O movimento pentecostal é aquele que demonstra, de modo cabal, a observância da Bíblia como única regra de fé e de prática. O evangelho completo, sem restrições, inteiramente assumido como verdade atual só é possível para quem crê na atualidade da operação do Espírito Santo, o que só é possível dentro da aceitação das doutrinas bíblicas pentecostais. Somente a admissão do “derramamento do Espírito Santo” como uma realidade atual poderá dizer que cremos na Bíblia e que a praticamos.

As “línguas espirituais” são o sinal estabelecido por Deus para indicar à Sua Igreja que alguém foi batizado no Espírito Santo, conforme nos informam as Escrituras, e elas são atemporais, pois o Batismo no Espírito Santo está em pleno vigor. Basta apenas buscar essa promessa que é para toda a Igreja em todas as épocas. Porém, não se deve confundir as “línguas estranhas”, como evidência do batismo no Espírito Santo, com o dom de variedades de línguas. Este dom, um dos nove dons elencados pelo apóstolo Paulo, em sua primeira Carta aos Coríntios, é algo diverso e que não é necessariamente presente na vida de todo crente batizado no Espírito Santo.

Portanto, a Promessa de ser batizado no Espírito Santo é para toda a Igreja, e isso engloba todos os crentes em Cristo em todos os lugares e em todas as épocas até à volta de nosso Senhor (Jl.2:28-32; At.2:16-21), de modo que as línguas são inseparáveis do batismo no Espírito Santo.

CONCLUSÃO

O batismo no Espírito Santo é mais do que uma promessa, é o cumprimento do projeto de Deus de revestir seus filhos com um poder para testemunhar das suas grandezas, da salvação e da vida porvir. E esse revestimento de poder não foi somente para os crentes do primeiro século, ele existirá enquanto a Igreja permanecer neste mundo. Devemos ser zelosos e sinceros na busca do batismo no Espírito Santo (Ef.5:18), e realmente falar em línguas somente, e somente só, quando o Espírito Santo o impulsionar para que isso aconteça, para glória de Deus.


A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NO PLANO DA REDENÇÃO

 

Texto Base: João 16:7-13

“Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galileia, e Samaria tinham paz e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo” (Atos 9:31).

João 16:

7.Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei.

8.E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo:

9.do pecado, porque não creem em mim;

10.da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;

11.e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.

12.Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.

13.Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.

INTRODUÇÃO

Nesta Aula, estaremos diante de um assunto muito importante e essencial: a atuação do Espírito Santo no Plano Divino da Redenção. O Espírito Santo é a mais misteriosa das três Pessoas que compõem a Santíssima Trindade; isto talvez possa ser explicado no fato de o Espírito Santo, em seu ministério, não revelar a si mesmo, mas a verdade, a Jesus e o poder de Deus (João 16:13,14). Ainda que se note mais evidente a sua atuação no Novo Testamento, Ele está presente desde quando tudo começou (Gn.1:2; Gn.2:7). O Espírito Santo atua de maneira contínua e dinâmica para salvação. Sem o Espírito Santo seria quase impossível um pecador se converter a Cristo. Além de Ele atuar para convencer o pecador, o Espírito capacita o pregador da mensagem, dando-lhe poder e manifestando sinais sobrenaturais para confirmá-la.

I. O ESPÍRITO SANTO COMO PROMESSA

A participação do Espírito Santo como promessa é vista na promessa messiânica, na Antiga Aliança e na Pessoa de Jesus Cristo. A Sua influência é muito importante no Plano da Salvação do ser humano. Deus fez o homem perfeito, mas ele caiu. Agora, o homem caído e escravizado pelo pecado, é alvo do plano salvador de Deus. Neste Plano estão envolvidas as três Pessoas da Trindade. A Bíblia Sagrada mostra que cada Pessoa da Trindade exerce função específica para salvar o ser humano.

Neste Plano salvador de Deus, a Sua relação com este homem passa por dois crivos: seu amor e sua justiça. Devido a sua santidade e justiça, Deus deve punir o homem por sua transgressão. Devido ao seu amor, Deus quer salvar o ser humano. A justiça divina exige que o homem seja punido, receba o justo castigo por seus atos, contudo, o Seu amor não admite a ideia de abandonar o homem em seu estado de miséria e desgraça, longe de seu Criador e em permanente conflito espiritual. Como conciliar tal dilema? A dívida do homem para com Deus é imensa, impagável. Quem pode restituir plenamente a um Deus que foi ofendido em sua justiça e santidade? Não há como pagar; no entanto, Deus em seu amor quer resgatar o homem de tão terrível situação. O meio encontrado por Deus foi a encarnação da segunda Pessoa da Trindade - o Filho, e nesta encarnação esteve a imprescindível participação do Espírito Santo (Mt.1:20; Lc.1:35). O Filho de Deus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria. Ele nasceu, cresceu e morreu; por meio de Sua morte na cruz, o Filho de Deus proveu uma solução que satisfez tanto a justiça como o amor de Deus.

1. A Promessa Messiânica

Deus tomou a decisão de salvar o homem antes da fundação do mundo. Este foi o primeiro ato do processo da salvação. Se Deus não tivesse querido salvar o ser humano, jamais ele poderia ter a oportunidade da salvação. Movido pelo seu amor, o Senhor decidiu que o ser humano teria esta chance e, por isso, planejou a salvação, e esta salvação é fruto da manifestação da vontade soberana de Deus. O Senhor escolheu salvar o ser humano, mesmo sabendo que ele haveria de pecar, e previamente determinou que todos aqueles que crerem em Cristo serão salvos e os que não crerem serão condenados (Mc.16:16). A salvação é para todos os seres humanos (Is.55:1; Tt.2:11), sem qualquer distinção, tanto que o primeiro casal foi expulso do Éden e impedido de tomar da árvore da vida para que toda a humanidade tivesse a mesma oportunidade de salvação, até porque Deus é imparcial e não faz acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34). Já antes mesmo da fundação do mundo, o Senhor estipulou condições para que tal salvação acontecesse, mas nem por isso deixou de querer que todos os homens se salvem (1Tm.2:4).

O Plano de Deus para a salvação do ser humano, revelado à humanidade no momento mesmo da aplicação da penalidade pela prática do pecado, foi sendo executado desde então.

-O primeiro ato de Deus após a entrada do pecado no mundo foi imolar um animal, derramar seu sangue e com a pele providenciar vestes para o primeiro casal (Gn.3:21). Sangue fala do meio para a redenção e vestes dos resultados, isto é, o usufruto da salvação (cf.Is.61:10; Ap.19:8; 3:18).

-O segundo ato deste plano foi a proibição de o homem ter acesso à árvore da vida por causa do pecado (Gn.3:22), acompanhado da expulsão do Éden (Gn.3:23). Com estas medidas, Deus impediu que o homem, a exemplo dos anjos pecadores, vivesse numa dimensão eterna, condenado à inevitável e sempiterna separação de Deus, possibilitando ao homem que, mediante o arrependimento enquanto estivesse na dimensão terrena, pudesse desfrutar de uma eternidade com o Senhor.

-A partir de então, a Divina Trindade iniciou a execução de seu plano que alcançou o seu ápice quando da própria encarnação do Deus Filho, momento que as Escrituras denominam de “a plenitude dos tempos” (Gl.4:4), instante em que Deus cumpriu a sua promessa Messiânica - de providenciar, da semente da mulher, o único e suficiente Salvador, Jesus, o próprio Filho de Deus (Mt.1:21; Lc.2:11; Jo.3:16,17; At.4:12). Eis a razão pela qual a Bíblia, mais de uma vez, diz que Deus é o Deus da nossa salvação (1Cr.16:35; Sl.24:5; 51:14), bem como que a salvação provém dEle (Sl.3:8; 37:39; 62:1).

2. Na Antiga Aliança

A Bíblia narra que na Antiga Aliança houve várias atuações do Espírito Santo. Cito algumas:

-Ele vinha sobre alguém - "O Espírito de Deus se apoderou de Zacarias (2Cr.24:20).

-Ele capacitava pessoas para obras especificas - "Eu o enchi do Espírito de Deus" (Êx.31:3).

-Ele dava habilidades para liderança militar (Jz.3:10) – “E veio sobre ele [Otniel] o Espírito do Senhor, e julgou a Israel e saiu à peleja...”.

-Ele dava habilidade para liderança política (cf.Zc.4:6) – “E respondeu e me falou, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.

-Ele usou em profecia até mesmo pessoas que não eram profetas (Nm.11:24,25) – “E saiu Moisés, e falou as palavras do Senhor ao povo, e ajuntou setenta homens dos anciãos do povo e os pôs em roda da tenda. Então, o Senhor desceu na nuvem e lhe falou; e, tirando do Espírito que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; e aconteceu que, quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas, depois, nunca mais”.

-A atuação do Espírito Santo foi notória sobre juízesprofetas e reis. Estes eram ungidos com óleo, símbolo de que eles estavam sendo revestidos com o poder do Espírito Santo, como podemos ver na unção de Davi por Samuel, em 1Sm.16:13 - ". . . daquele dia em diante o Espírito do Senhor se apossou de Davi".

-Ele atuava para fertilizar mulheres que eram estéreis. Uma mulher casada que não conseguia ter filhos, sabendo que quem dá a vida é o Espírito, ia ao Tabernáculo ou ao Templo; lá, ou ela orava ou o sacerdote pedia a Deus que abrisse o seu ventre. Ana, por exemplo, é uma ilustração clássica para isto. Ela foi para o Tabernáculo para orar por um filho. O sumo sacerdote Eli a princípio pensou que ela estivesse bêbada, mas ela lhe disse que era uma mulher atribulada que tinha derramado seu coração diante do Senhor. Eli respondeu: "Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste" (1Sm.1:17). Mais tarde ela deu à luz ao profeta Samuel. Apesar de o Espírito Santo não ser mencionado na história, a nossa compreensão das suas funções, de acordo com o Salmo 104 (e Jó 33:4), nos mostra que cabia ao Espírito de Deus conceder vida.

3. A Promessa do Consolador

“E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (João 7:37-39).

Houve uma promessa do Consolador, mas para que essa promessa fosse concretizada um acontecimento muito importante e essencial deveria acontecer: a Ressurreição de Jesus Cristo e a Sua volta ao Céu. Está escrito: “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei”.

Jesus deixou claro aos seus discípulos que, antes de o Espírito Santo descer, Ele próprio precisava subir. O Pentecostes somente pode acontecer depois da assunção de Jesus. Apenas a ida de Jesus para cruz e para o Trono do Pai tornou possível que Ele enviasse o Espírito Santo, o Consolador. Dessa maneira, a saída de Jesus não apenas representa alegria para Si mesmo (João 14:28), mas também ajuda para seus discípulos. Jesus já havia dito aos discípulos que Sua partida tinha o propósito de preparar-lhes lugar (João 14:2), capacitá-los a fazerem obras maiores (João 14:12), dar-lhes maior conhecimento (João 14:20) e chegar mais perto deles, no Espírito (João 14:22).

A promessa do Espírito Santo, portanto, foi concretizada nas Escrituras Sagradas e ao longo da história da Igreja. Ainda hoje, milhares de pessoas experimentam dia após dia a doce presença dessa Bendita Pessoa Divina.

II. O ESPÍRITO SANTO CONSOLA E ENSINA

O Espírito Santo é uma Pessoa - Ele consola, ensina e ajuda.

1. O Consolador (João 16:7)

Consolador - do grego Parakletos, significa “aquele que anda ao lado”, como um eterno companheiro (João 14:16-26). A palavra Consolador, a princípio, sugere passividade, como alguém que aparece apenas em momentos maus para prestar socorro e trazer alento ao coração. Porém, o sentido é maior que este. O Espírito Santo é um companheiro inseparável, que sempre encoraja e exorta. Talvez a tradução mais correta seja advogado, que é alguém que luta pela justiça em defesa de outrem.

Jesus disse aos seus discípulos que partiria, mas apesar de ter perguntado de maneira geral para onde Ele ia, eles não pareciam muito envolvidos (João 16:5). Eles estavam mais preocupados com o próprio futuro que com o de Jesus (cf. João 16:6) – “...o vosso coração se encheu de tristeza”. Eles estavam cheios de tristeza com relação aos seus problemas. Na verdade, perante eles estavam a cruz e o túmulo; perante eles estava a perseguição no seu serviço para Cristo.

Mas eles não seriam deixados sem auxílio e conforto do alto. Cristo enviaria o Espírito Santo a fim de ser o Consolador deles (João 16:7). Era sobremaneira importante para os discípulos que o Consolador viesse; Ele os capacitaria, encorajaria, ensinaria e tornaria Cristo mais real para eles. Mas, o Consolar não viria até que o Senhor Jesus voltasse ao Céu e fosse glorificado. Naturalmente, o Espírito Santo havia estado no mundo antes disso, como já vimos, mas viria de maneira nova: para convencer o mundo e ministrar aos redimidos.

2. O Ensinador

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14:26).

Muitos dos que negam a personalidade do Espírito costumam apegar-se ao ensino de Cristo de que o Espírito Santo dirigiria a Igreja (João 16:13), querendo, com isto, ter base para suas ideias antibíblicas de consideração do Espírito como uma força, porque, dizem eles, uma força se caracteriza por guiar, dirigir um ser a um determinado lugar, chegando, mesmo, a nos trazer os conceitos físicos a respeito dos atributos das forças, entre os quais está a direção.

No entanto, analisando as palavras de Cristo, vemos que tal argumento não se sustenta, porque a direção mencionada pelo Senhor não é, em absoluto, este atributo cego indicado pelos falsos mestres, mas, sim, a direção proveniente de um Mestre.

O Espírito Santo nos dirige porque nos ensina e, naturalmente, que uma força não tem o condão de ensinar quem quer que seja, mas tão somente uma Pessoa. Só uma Pessoa pode ensinar, somente uma Pessoa pode ser Mestre, e o Espírito Santo tem como uma de suas principais funções a de ensinar os discípulos do Senhor Jesus enquanto aqui estiverem aguardando o seu Salvador.

Neste ponto, também, cumpre aqui observar que estes falsos mestres também gostam de mencionar a afirmativa de Cristo de que o Espírito Santo nos faria lembrar as coisas que o Senhor nos tivesse dito (João 14:26), querendo, com isto, dar a entender que o Espírito não passaria de uma força de evocação, de uma espécie de “remédio para a memória” do crente, de um estímulo vindo da parte de Deus para o exercício de nossa “memória espiritual”. Porém, isto não condiz com a verdade.

Quando Jesus diz que o Espírito Santo nos faria lembrar de tudo quanto o Senhor Jesus nos tem dito, está a nos revelar uma face maravilhosa deste Professor e Mestre que é o Espírito Santo. Ele não só é um Mestre (algo que uma força não pode ser), como também é um Mestre dedicado, um Professor comprometido com os Seus alunos. Como tem ensinado a psicologia educacional, um bom professor é aquele que está preocupado em verificar se os seus alunos aprenderam e, por isso, sempre os faz lembrar daquilo que os ensinou.

É exatamente este o papel do Espírito Santo. Quando Ele nos faz lembrar, não é porque seja uma força cega, um “remédio para a memória”, mas, bem ao contrário, é um Professor dedicado, que mostra ser uma Pessoa não só porque ensina, mas também porque ama e quer o melhor para os Seus alunos, quer que Seus alunos efetivamente aprendam o que lhes foi ensinado. Tanto assim é que sua ação não é meramente de lembrança, mas também de juízo de conveniência, pois nos lembrar o que convém falar é algo que uma força jamais poderia fazer – “Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar” (Lc.12:12).

3. O Ajudador

Em João 14:16 está escrito que Jesus rogaria ao Pai a fim de dar “outro Consolador”, para estar para sempre com a Igreja, consolá-la em suas angústias e guiá-la pelas veredas da verdade. A palavra Consolador (Parakletos) quer dizer alguém convocado ao lado do outro para ajudar; é o ajudador ou defensor, um amigo no tribunal. É também traduzida como Advogado (1João 2:1). O Senhor Jesus é nosso Advogado ou Auxiliador, e o Espírito Santo é “outro Consolador”, não outro de um tipo diferente, mas outro de natureza semelhante. O Espírito Santo estaria sempre com os cristãos. No Antigo Testamento, o Espírito Santo descia sobre os homens em vários tempos, mas muitas vezes os deixava; agora, Ele viria ficar “para sempre” (João 14:16b), a fim de ajudar a Igreja do Senhor, protegê-la e livrá-la. O Espírito jamais deixaria os discípulos; daria a eles consolo, direção e poder - nas horas mais amargas, daria consolo; nas horas mais confusas, daria direção; nas horas mais cruciais, daria poder.

III. O ESPÍRITO SANTO REPROVA E CONVENCE O MUNDO

O ministério precípuo do Espírito Santo é levar o pecador ao Salvador e torná-lo parecido com Ele. Sua obra tem início em nós ao convencer-nos do pecado – “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo: do pecado, porque não creem em mim” (João 16:8,9). Convencer quer dizer “expor os fatos, convencer alguém da verdade, acusar, refutar ou interrogar uma testemunha”. Vejamos algumas atuações do Espírito Santo na vida do ser humano.

1. O Espírito Santo convence o mundo do pecado (João 16:9)

“do pecado, porque não creem em mim”.

O pecado do mundo é a falta de fé em Jesus. O maior pecado é a recusa em crer em Jesus (João 3:18). Aqueles que rejeitam a Jesus estão correndo o risco da separação eterna de Deus.

Diz-nos Jesus que o Espírito Santo teria como uma de suas principais atividades nesta dispensação a do convencimento do mundo do pecado; mundo aqui é entendido como o conjunto de pessoas perdidas, a humanidade sem Deus e sem salvação. O convencimento do pecado seria devido ao fato de os homens não crerem em Jesus. Ora, é por isso que Deus concede aos homens a fé salvadora, que é a aptidão para crer em Jesus.

O Espírito Santo, portanto, é o Agente que promove o contato entre o homem e o Deus Criador, através do Redentor Jesus Cristo (João 6:44). No Antigo Testamento a base desse contato era a Lei e os Profetas; no Novo Testamento é a Pessoa de Jesus Cristo (Rm.3:21-24); caso aceite o convite da graça, o pecador é convencido de seu pecado e conduzido ao arrependimento (Ap.3:20).

É bom que entendamos que o trabalho de convencimento do ser humano é do Espírito Santo e não dos homens. Por isso, na nossa tarefa de evangelização, não devemos ter a presunção de “convencer” as pessoas. Certa feita, alguém declarou que a salvação é um processo simples, pois se reduz a um exercício racional dos mais evidentes. O que é melhor: viver eternamente ou morrer eternamente? Evidentemente que a pessoa dirá que é viver eternamente. Entretanto, não é algo tão simples assim. Não há raciocínio humano que consiga gerar a fé salvadora; ela é um dom de Deus e somente é recebida em nosso homem interior se formos convencidos pelo Espírito Santo, somente se nos dispusermos a crer em Cristo. Todavia, para que isto ocorra, faz-se necessário que o homem assuma a sua condição pecaminosa. É preciso ser convencido do pecado, ou seja, o homem precisa reconhecer que é um pecador, que desobedece a Deus e que deve servi-lo. Este gesto somente será tomado se a pessoa atender ao Espírito de Deus, se abrir o seu coração a Deus e permitir que Ele faça morada nele (Jo.14:23).

Este reconhecimento de que se é pecador e que é preciso mudar seu comportamento diante de Deus é o arrependimento, que é um ato do processo da salvação que depende única e exclusivamente do homem. É por este motivo que todos não serão salvos, pois a salvação não depende exclusivamente de Deus, mas tem participação humana, que é a apropriação da fé e, consequentemente, o reconhecimento de que se é um pecador e que se precisa de um Salvador.

O arrependimento é o que devemos proclamar. Jesus, ao iniciar a pregação do Evangelho, tinha como mensagem principal a do arrependimento - “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15). A palavra grega para “arrependimento” é “metanóia”, cujo significado é “mudança de mentalidade”, “mudança de pensamento”, “mudança de atitude”. O arrependimento, pois, envolve uma modificação de desejos, ações e concepções de vida. Não é possível uma salvação sem arrependimento. Não é possível uma salvação com base em emoções passageiras. Não é possível uma salvação em que as pessoas continuam a praticar as mesmas coisas do passado.

Por isso, devemos diferenciar entre arrependimento e remorso. O remorso é, assim como o arrependimento, uma tristeza que vem ao homem por causa de atos praticados; entretanto, enquanto o arrependimento gera uma mudança de atitudes, o remorso é tão somente esta tristeza, sem qualquer mudança de comportamento. O remorso é incapaz de gerar salvação, como nos mostram os exemplos bíblicos de Caim (Gn.4:13,14), Esaú (Hb.12:7), Faraó (Ex.10:16,17), Judas Iscariotes (Mt.27:3-5).

Portanto, o Espírito Santo é indispensável para que o homem seja convencido do pecado e, assim, resolva se arrepender dos seus pecados e mudar a direção da sua vida, que é o que denominamos de "conversão". A fé salvadora, como nos explica Paulo, é um dom de Deus e, como tal, é algo que é trazido ao nosso ser pelo Espírito Santo. Não é possível que alguém se arrependa de seus pecados sem que o faça por força da atuação do Espírito Santo.

2. O Espírito Santo convence o mundo da Justiça (João 16:10)

“da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais”.

A justiça de Deus foi plenamente manifestada ao mundo no sacrifício de Cristo na cruz. Ao se tornar nosso substituto e morrer em nosso lugar, Ele cumpriu por nós cabalmente todas as demandas da Lei e satisfez todos os reclamos da justiça divina. O Espírito Santo veio ao mundo para convencer o ser humano dessa verdade gloriosa. Por sua ressurreição e ascensão, Jesus provou ser um Homem justo, e tudo quanto afirmou de Si, com relação à divindade, foi dado como justo e autêntico. A ressurreição e a ascensão de Jesus ainda hoje são o fundamento sobre o qual o Espírito Santo convence o mundo que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus.

3. O Espírito Santo convence o mundo do Juízo (João 16:11)

“e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”.

O Espírito Santo também convence o mundo “do juízo” vindouro. O fato de Ele estar aqui significa que o Diabo já foi condenado na cruz e que todos os que recusam o Salvador compartilharão do seu terrível julgamento num Dia ainda futuro.

A atuação do Espírito Santo é mostrar que, por meio da morte e ressurreição de Cristo, “já o príncipe deste mundo está julgado” e condenado. Embora Satanás ainda se esforce ativamente para insensibilizar, intimidar e iludir os que estão neste mundo (1Pd.5:8), nós devemos tratá-lo como um criminoso condenado, pois Deus determinou a ocasião da sua execução (cf. Ap.20:2,7-10). Portanto, sua condenação foi decidida, e sua sentença já foi declarada. Cada vez que Cristo é proclamado na pregação, sob o poder do Espírito Santo, Satanás sofre mais uma perda, e cada alma salva é nova prova de que o Diabo está “julgado”.

Pode ser que a derrota de Satanás não seja evidente, quando lemos os jornais e ligamos a televisão, mas Satanás é um inimigo vencido em princípio. Ele ainda arrisca sua guerra de pecado, mas sua destruição total e afastamento da terra estão próximos. Até lá ele vai intensificar suas atividades. Perversões, permissividade, violência e centenas de outras tendências sinistras se manifestam em todo o mundo com uma intensidade que houve provavelmente só nos dias de Noé. O Espírito Santo veio para nos mostrar estas coisas, porque Ele tem muito a ver com as profecias bíblicas.

CONCLUSÃO

Aprendemos aqui quão importante é atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção. A Bíblia ensina, e todos nós sabemos isto de experiência própria, que todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus (Rm.3:23). Um pecador não pode herdar a vida eterna. Todos que nasceram neste mundo revivem a queda de Adão. Todos nascem com a semente do pecado dentro de si, e ao chegarem à idade responsável não tardam a ser culpados de multidão de pecados. É bom entender que há diferença entre pecado e pecados. O pecado é a raiz, os pecados são os frutos. Pode ser que alguém não esteja consciente de que seu maior problema é o pecado, ou que o pecado o separou da comunhão com Deus. Por isso é tarefa do Espírito Santo alertá-lo e convencê-lo do seu pecado. Ele não pode experimentar a salvação sem que isto aconteça.

Vimos que o Espírito Santo não só convence de pecado, Ele convence as pessoas também que Jesus é a justiça de Deus. Ele mostra aos pecadores que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, e que ninguém vem ao Pai a não ser por Ele.

Vimos, também, que o Espírito Santo também convence o mundo do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado, e todos os que recusarem a oferta de vida eterna que Deus faz também serão julgados. Quando o apóstolo Paulo, diante do rei Agripa, falando do que Cristo tinha feita em sua vida, disse que na estrada para Damasco, na hora da sua conversão, Deus lhe tinha revelado o tipo do seu ministério - seria apóstolo entre os gentios, para "lhes abrir os olhos a fim de que se convertessem das trevas à luz, e do poder de Satanás a Deus, para que recebessem remissão de pecados..." (Atos 26:18). Enfim, sem a presença do Espírito Santo, o mundo seria deveras ainda mais tenebroso. Bendito seja a Sua gloriosa presença!