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* COMUNHÃO DOS SANTOS – A MISSÃO CONCILIADORA DA IGREJA


Texto: At. 2.42 – At. 2.42-46; Ef. 4.1-6

Objetivo: Mostrar que a comunhão entre os crentes, fruto do amor de Deus em nós, é uma das características mais singulares da igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO
Nenhum homem é uma ilha, disse o sábio poeta britânico John Donne. Desde os primórdios, Deus nos criou com a capacidade de viver em sociedade. Portanto, não podemos nos distanciar da congregação, como é costume de alguns (Hb. 10.25). Hoje, definiremos o que seja comunhão, destacaremos alguns obstáculos à comunhão na igreja, e por fim, como desenvolver a comunhão enquanto missão conciliadora na igreja.

1. DEFINIÇÃO DE COMUNHÃO
A palavra comunhão, no grego, é koinonia, que vem de koinos – ter em comum, sociedade, companheirismo. Denota, especificamente, 1) a parte que alguém tem em algo, participação, companheirismo reconhecido e desfrutado. É usado acerca das experiência e interesses dos cristãos (At. 2.42; Gl. 2.9); da participação no conhecimento do Filho de Deus (I Co. 1.9); do compartilhamento na realização dos efeitos do sangue de Jesus e do corpo de Jesus conforme é exposto pelos símbolos da Ceia do Senhor (I Co. 10.16); da participação no que é derivado do Espírito Santo (II Co. 13.13; Fp. 2.1); da participação nos sofrimentos de Cristo (Fp. 3.10); do compartilhamento na vida da ressurreição possuída em Cristo e, por conseguinte, do companheirismo com o Pai e o Filho (I Jo. 1.3,6,7), negativamente, da impossibilidade de comunhão entre a luz e as trevas (II Co. 6.14); 2) companheirismo manifesto em atos, os efeitos práticos do companheirismo com Deus, realizado pelo Espírito Santo na vida dos crentes em resultado da fé (Fm 6), e encontrado expressão no ministério em comum com os necessitados (Rm. 15.26; II Co. 8.4; 9.13; Hb. 13.16) e na proclamão do Evangelho pelos dons (Fp. 1.5).

2. OBSTÁCULOS PARA A COMUNHÃO
Existem alguns obstáculos que podem impedir a existência da comunhão no seio da igreja: 1) O primeiro é o sentimento de auto-suficiência. Não poderá haver comunhão onde as pessoa não querem depender uma das outras para receber auxílio espiritual (Hb. 5.12; Rm. 12.1-3). A auto-suficiência fecha as portas para a graça e impede a comunhão desde o princípio; 2) o formalismo também dificulta a comunhão. Por causa da postura fechada na liturgia, é possível que as pessoas não possam se envolver suficientemente para desenvolver a comunhão, por não dar lugar ao Espírito Santo (II Co. 3.17); 3) a amargura é outro impedimento para a comunhão, pois que alimenta tal sentimento em seu coração, desenvolve uma atitude de hostilidade (Hb. 12.15), resultante do orgulho ferido, da inveja alimentada ou da traição; e 4) o elitismo que vem da atitude de superioridade em relação aos outros. Isso acontece porque as pessoas incentivam a formação de “panelinhas” que excluem determinados membros da comunhão cristã.

3. A COMUNHÃO ENTRE OS CRENTES
Em primeiro lugar, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo (I Jo. 1.3), sem essa, é impossível se ter comunhão efetiva entre os crentes (Rm. 1.11,12). A comunhão cristã resulta do amor e da humildade, do desejo de beneficiar o próximo, juntamente com o sentimento de debilidade e de necessidade pessoal. Significa, primordialmente, ter o desejo de ajudar e de ser ajudado, de edificar e ser edificado, de fazer e receber o bem. A comunhão genuína acontece quando o povo de Deus se reune com o objetivo de conhecer melhor ao Senhor, compartilhando mutuamente tudo aquilo que cada pessoa já aprendeu da parte dEle. A comunhão, por conseguinte, é: 1) o meio da graça, isto é, não se dá por merecimento, não se deve esperar que a comunidade seja perfeita para se reunir, temos comunhão apesar das nossas diferenças, e até, discordâncias (Rm. 15.30; II Co. 1.11; Ef. 6.19; Cl. 4.3; I Ts. 5.25; II Ts. 3.1,2; Fm. 22; Hb. 13.18); Tg. 5.16); 2) é um teste de vida, pois se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, isso quer dizer que é através da comunhão que comprovamos realmente que estamos na luz (I Jo. 1.7); e 3) é um dom de Deus, pois é o Espírito Santo que atua na igreja desenvolvendo o fruto, em parceria com o cristão (Gl. 5.22), sem o qual não poderemos depender e ter comunhão (II Co. 13.13).

CONCLUSÃO
Os crentes, de qualquer idade, carecem de comunhão uns entres os outros. Sem comunhão, seremos sempre fracos. Como disse John Wesley, “nada é mais anticristão do que um crente solitário”. É por isso que sentimos falta da comunhão, mesmo no contexto atual, marcado pelo particularismo e individualismo. Portanto, precisamos investir na comunhão, buscá-la, e, para isso, é preciso ter em mente que “o amor que nos une deva ser sempre maior do que as diferenças que nos separam” e desenvolvermos a consciência de que fomos chamados não para construirmos muros, mas pontes.